Grávidas brasileiras são as que mais morrem por causa da Covid-19

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A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores de diversas universidades do país que revela, ainda, o Rio de Janeiro como o estado onde há mais mortes maternas. Entre os problemas estão a falta de diagnóstico precoce e o suporte de saúde durante a pandemia de coronavírus.

Da CBN (acesse para ouvir a matéria de áudio)

O Rio de Janeiro é o estado onde mais grávidas morreram por Covid-19 desde o início da pandemia de coronavírus no Brasil. Apesar disso, as regiões Norte e Nordeste aparecem primeiro no ranking de mortes maternas. O Brasil registra o pior índice de grávidas que perderam a vida em decorrência da covid-19 no mundo.

Os dados são do estudo ‘A tragédia da Covid-19 no Brasil: 124 mortes maternas e ainda contando’, publicado na International Journal of Gynecology and Obstetrics, no último dia 10 de julho. A pesquisa foi realizada por especialistas das Universidades Federais de Campina Grande, São Carlos e Santa Catarina, além de pesquisadores do IMIP e da Unesp.

De 26 de fevereiro até 18 de junho, 124 grávidas ou mulheres no pós-parto morreram no Brasil. O número é 3,4 vezes maior do que o total relatado no mundo. A taxa de mortalidade atual é de quase 13% na população obstétrica brasileira. Os pesquisadores compararam os dados do Ministério da Saúde com a literatura internacional disponível, que tem informações de países como México, Estados Unidos, Reino Unido, Irã e China.

A obstetra Carla Andreucci, professora da UFSCar, é uma das pesquisadoras do estudo. Ela explica que não é possível fazer uma conclusão completa sobre os motivos que levam a essa alta taxa de mortalidade, mas diz que fica evidente a dificuldade da grávida em acessar o sistema de saúde durante a pandemia:

“São dados bem preliminares ainda, mas o que a gente começa a evidenciar é o colapso do sistema de saúde que para as grávidas parece ter um impacto ainda maior. Quer dizer, existe uma demora para ela chegar à assistência, e quando ela chega à assistência, existe uma demora para que essa assistência seja o que ela precisa. Então, se a grávida não está recebendo suporte ventilatório invasivo ou se ela não foi admitida na UTI e morreu, ela provavelmente não teve a assistência que ela precisaria ter. Então isso reflete o colapso do sistema de saúde”.

De acordo com o levantamento, 14,6% das mulheres grávidas com Covid-19 não receberam nenhum suporte ventilatório, 22,6% não foram admitidas em UTI e apenas 64% receberam ventilação mecânica. Os problemas principais são a demora no diagnóstico, ou seja, a falta de testagem, e também o acesso aos cuidados após a confirmação da doença. Além da estrutura de saúde, os pesquisadores acreditam que o número de grávidas mortas durante a pandemia no Brasil se difere de outros países por causa das condições da população mais vulnerável socialmente, com deficiências crônicas de acesso ao cuidado intensivo.

Mesmo sem a informação constar neste estudo, a médica Carla Andreucci revela que há uma relação entre as mortes e condições étnico-sociais: grávidas pretas e com renda menor são as que mais morrem no país.

Para a pesquisadora, o potencial de cura da mulher grávida infectada pelo coronavírus é potencialmente maior do que outras pessoas do grupo de risco. “Muitas dessas pesquisadoras envolvidas neste projeto são da linha de frente (do combate ao coronavírus). O relato delas é de que elas (as grávidas) melhoram muito bem, as grávidas, elas têm potencial de cura muito alto. Que o problema parece ser a demora no diagnóstico e a falta de acesso aos recursos que ela precisa ter”, afirma Andreucci.

O levantamento destaca, ainda, que é preciso melhorar o atendimento pré-natal, identificar rapidamente a doença e garantir o acesso ao tratamento depois do diagnóstico.

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