Sars-cov-2 e Covid-19 - Notícias da Mídia

O corajoso trabalho das doulas com as gestantes durante pandemia do novo coronavírus

Assistentes de parto oferecem suporte emocional e encorajamento para mulheres

Do Estadão

A doula Paulina Riquelme, a obstetra Rahyssa Rodrigues e a obstetriz Paula Leal participam de parto em hospital de São Paulo durante pandemia
A doula Paulina Riquelme, a obstetra Rahyssa Rodrigues e a obstetriz Paula Leal participam de parto em hospital de São Paulo durante pandemia. Foto: Paulina Riquelme

Ajudar a trazer uma nova vida ao mundo de maneira tranquila e humanizada. Assim é o trabalho das doulas, assistentes de parto que oferecem suporte emocional e encorajamento para as mulheres. E, em tempos de pandemia do novo coronavírus, a coragem precisa ser multiplicada por dois.

“Está sendo um desafio enorme trabalhar de acordo com os novos conceitos de segurança e proteção, principalmente em ambientes hospitalares e mais ainda em ambiente domiciliar. Porque aí, por parte das gestantes, pode acontecer um afrouxamento de condutas de segurança, de utilização de EPI, higiene e distanciamento”, afirma Paulina Lorena Verde Riquelme, que é doula e já participou de dois partos desde o início da quarentena no Brasil. Ela diz que essa é uma situação em que a gestante fica muito ansiosa. “Por vários motivos. Em muitos lugares a doula está sendo impedida de entrar, para ter o mínimo de pessoas em contato umas com as outras. Então, além de todo cenário incerto de transmissão vertical mãe/bebê, ainda ter a incerteza se a equipe de escolha da mulher estaria presente”, diz.

A doula Paulina Riquelme acompanha o parto de Carolina e a chegada do pequeno Theo durante a pandemia de covid-19
A doula Paulina Riquelme acompanha o parto de Carolina e a chegada do pequeno Theo durante a pandemia de covid-19. Foto: arquivo pessoal

Janaina Lacerda é doula há seis anos na cidade de Jacareí, no interior de São Paulo, e também já acompanhou alguns partos durante a pandemia. “Foi uma experiência peculiar. É estranho para nós que transitamos no cenário do parto com certa naturalidade, ter equipamentos de proteção, preocupação com toques, proximidade. As acompanhei durante o trabalho de parto em casa dando o suporte necessário para que elas se sentissem seguras, confortáveis e fossem para o hospital em momento oportuno”, conta.

Na maternidade de Jacareí, a orientação é que a gestante tem garantia de um acompanhante de sua livre escolha, segundo a Lei Federal nº 11.108. “Antes da pandemia, elas podiam ter o acompanhante e a presença da doula durante todo o período do trabalho de parto. Porém, a pandemia nos trouxe essa limitação e, então, algumas gestantes optaram que eu entrasse para auxiliá-las. É uma decisão difícil, mas são escolhas necessárias nos dias atuais e que buscamos trabalhar com antecedência para não trazer ainda mais insegurança no momento do parto”, avalia Janaina.

Paulina também observa o sofrimento das gestantes por ter de abrir mão da doula na hora do nascimento do bebê. “Está sendo bem desafiador adaptar meu trabalho para essa nova realidade. Tem muito lugar no Brasil que proibiu a entrada das doulas. Aqui em São Paulo tem alguns lugares e isso está sendo um conflito para estas gestantes que estavam achando que a doula estaria com certeza no dia do parto”, desabafa.

A doula Janaina Lacerda, que atua na cidade de Jacareí, no interior paulista
A doula Janaina Lacerda, que atua na cidade de Jacareí, no interior paulista. Foto: Juliana Rosa

Na cidade de Jundiaí, também no interior paulista, Izabel Medeiros auxilia partos há pouco mais de dois anos. Em tempos de coronavírus, ela participou de alguns procedimentos, incluindo um domiciliar. “Todos tiveram em comum um pouco mais de tensão, mesmo com todos os cuidados e EPIs, parturiente, acompanhante e equipe estavam um pouco mais apreensivos”, relata.

A doula também teve de adaptar o trabalho pré-natal com as gestantes, que é feito presencialmente, para o universo virtual. “Os encontros pré-parto passaram a ser online, assim como os de pós-parto”, diz.

Para as gestantes, Izabel aconselha: “Viva o presente. Permita sentir suas emoções e sensações, sejam elas positivas ou negativas, trazendo à consciência o que está sentindo e buscando caminhos para que os dias passem com mais tranquilidade. Trazer o acompanhante para perto, incluí-lo no processo é de suma importância para um parto mais tranquilo. E também preparar-se para o pós-parto, já que nem sempre poderemos contar com ajuda extra”, conclui.

Parto domiciliar na quarentena: uma possibilidade que precisa de cuidado e planejamento

Aos 38 anos de idade e na terceira gestação, Giovanna Balogh já havia decidido realizar o parto domiciliar muito antes da pandemia do novo coronavírus. “Tive dois partos normais. Sou mãe do Bento, que tem 10 anos, e de Vicente, de oito. Os dois foram hospitalares. E eu sempre dizia que, se eu engravidasse de novo, queria que fosse em casa”, lembra.

Ela e a família vivem no município de Mogi das Cruzes, em São Paulo. Durante a gestação, todos tomaram os cuidados necessários e estão isolados em casa desde o dia 15 de março. O marido, que é fotógrafo freelancer, recusou diversos trabalhos para não colocar a família em risco.

Sem plano de saúde, a opção de hospital seria a Santa Casa da região. “Era nosso ‘plano b’, se tivesse alguma intercorrência. Tenho uma médica particular, que atende pela Santa Casa, que seria nossa médica backup. Se precisasse de uma analgesia ou se algo não transcorresse como planejado, a gente iria para lá. Só que diante da pandemia, queria menos ainda ir para o hospital. Também porque estavam restringindo acompanhante, as parteiras não poderiam entrar e era uma coisa que não queria passar de jeito nenhum”, afirma.

Giovanna contou com duas enfermeiras obstetras – todas equipadas com EPIs -, o marido e os dois filhos. “A gente conversou bastante com eles sobre a mamãe gritar, ficar fora de si durante o trabalho de parto. Eles entenderam, mas optaram em não ficar presentes na cena. Eles passavam na porta do quarto, davam uma espiada e só depois que ela nasceu que eles quiseram ver”, diz.

Equipadas com EPIs, equipe de saúde realiza parto de Giovanna Balogh em casa durante pandemia do coronavírus
Equipadas com EPIs, equipe de saúde realiza parto de Giovanna Balogh em casa durante pandemia do coronavírus. Foto: Diego Padgurschi / Arquivo Pessoal

A pequena Teresa nasceu no quarto dela, pesando 3,2 quilos e medindo 51 centímetros, em uma piscina levada pelas enfermeiras que deram assistência. “Foi a experiência mais incrível da minha vida! Nem parece que vivi tudo isso aqui. E, assim que ela nasceu, meu marido a pegou no colo. Ela ficou o tempo todo comigo, veio pra cama, olha, foi uma experiência muito gostosa. Só lamento as pessoas mais próximas não poderem vir visitar, as avós e os avôs”, desabafa.

Emocionada, Giovanna chora ao contar que havia planejado passar o puerpério ao lado da mãe, no momento mais frágil da mulher após o nascimento do bebê. “Eu idealizava muito a minha mãe estar comigo, ajudando a arrumar o enxoval. Eu idealizava ter um chá de benção com minhas amigas, receber o carinho na reta final e não rolou. Fazer o quartinho com a minha mãe. E deixamos tudo isso para depois. A gente deixa para depois porque você vê que é supérfluo e que dá para deixar para depois. Sofro muito de ver o tempo passar e minha mãe não poder pegar minha filha no colo. Eu choro, me emociono. Fico torcendo para o povo se conscientizar e essa fase passar logo, as pessoas ficarem em casa para a gente poder ter, enfim, uma vida mais normal”, conclui.

Em isolamento social, Giovanna Balogh amamenta a pequena Teresa, que nasceu no quarto dela, durante pandemia
Em isolamento social, Giovanna Balogh amamenta a pequena Teresa, que nasceu no quarto dela, durante pandemia. Foto: Diego Padgurschi / Arquivo Pessoal

Dicas de segurança para gestantes no parto em tempos de pandemia

O governo federal não tem dados sobre o número de partos, planejados ou acidentais, em domicílio. Mas grupos de parteiras ouvidos pela reportagem relatam que a procura por esse tipo de procedimento têm aumentado durante a pandemia.

No entanto, o parto em casa só é elegível em casos de gestações em que o risco é habitual, em que a mulher ou o bebê não tenham doença prévia e o pré-natal ocorra sem complicações. “Em primeiro lugar, é preciso ter a certeza de que a escolha de parto domiciliar não deve ser pautada no medo do coronavírus, senão, não é o mais indicado. Caso não seja isso, procure uma equipe que tenha vasta experiência no atendimento a partos domiciliares”, aconselha a enfermeira obstetra da Unifesp Cinthia Calsinski.

O site do Ministério da Saúde tem um documento, de 2010, com normas e procedimentos relacionados ao parto domiciliar, com recomendações para as parteiras.

Em tempos de coronavírus e em ambiente hospitalar, Cinthia Calsinski lembra que as visitas estão proibidas. “A providência mais acertada é de conversar com o obstetra para que receba alta o mais precocemente possível. O alojamento conjunto é ainda mais indicado neste momento, para que se evite exposição desnecessária do recém-nascido aos profissionais de saúde para realizar cuidados que podem perfeitamente ser feito pelos pais”, ressalta a especialista da Unifesp.

De acordo com o Ministério da Saúde, em Nota Técnica, é necessário a “realização de uma triagem em toda parturiente e seu acompanhante para casos suspeitos ou confirmados da covid-19 antes da sua admissão no serviço obstétrico, como também apresenta as situações e condições necessárias para permissão da participação do acompanhante”. O documento ainda informa que todas as visitas devem ser, temporariamente, suspensas, visando a proteção de todos.

Com novas recomendações por causa da pandemia, a maternidade é vivida a vários tempos em Portugal

Partos programados antes do termo, ausência de companhia, bebés afastados das mães à nascença. A pandemia levou uma nova realidade às maternidades que tentam, agora, arrepiar caminho. Mas, apesar de já haver novas directivas, a maior mantém-se: cada instituição terá de adaptar as medidas à sua realidade.

Do Público

O que mudou na forma como se nasce em Portugal desde o início da pandemia? “Em qualquer situação obstétrica a primazia é sempre dada ao bem-estar da mãe e depois ao do bebé”, começa por responder João Bernardes, professor catedrático de Ginecologia e Obstetrícia. No entanto, desde Março, juntou-se a esta equação a necessidade de “salvaguardar a saúde pública”, o que acabaria por resultar numa ausência de uniformidade nas normas impostas por cada espaço.

Isto porque, contextualiza o clínico e investigador, em termos físicos e humanos as instituições em Portugal são muito diferentes. Essa é a razão pela qual, explica ao PÚBLICO, “cada equipa deve avaliar a situação local”. Certo é que, nas recomendações publicadas, esta terça-feira, pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) continua a ler-se que aquelas “podem ser adaptadas à realidade de cada instituição e à avaliação clínica de cada caso”.

Mas recuemos um pouco no tempo, até meados de Março, quando a atenção à saúde pública​ transformou as alas de maternidade em quase cenários de guerra, com as equipas a tentarem resguardar-se de possíveis infecções e, ao mesmo tempo, reduzir as probabilidades de contágio das utentes por outros. Por essa razão, qualquer mulher que chegasse a um hospital em trabalho de parto viria a ser tratada como se estivesse infectada — pelo menos, até chegar o resultado do teste à covid-19.

“A introdução do teste rápido veio alterar esses procedimentos”, confirmou a directora da Urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, ao PÚBLICO. Agora, a diferença, relatou Marina Mocho, é que a grávida sem teste, em vez de entrar pela zona de admissão, segue directamente para o quarto. “Vamo-nos adaptando à medida que a situação evolui”, explica, acrescentando que “já não há necessidade de indução”, algo optado para “evitar situações de sobrelotamento”, mas essencialmente para averiguar a situação viral da grávida: se infectada ou não pelo novo coronavírus. “Não podemos correr o risco de estarmos infectados”, reforça a médica.

Foi para minimizar esse risco que Eunice Rodrigues, diagnosticada com covid-19, passou quase três horas à espera até entrar no hospital. O parto até tinha sido marcado, dias antes, para ser induzido, mas o bebé acabaria por trocar as voltas à programação do mundo cá fora e decidiu nascer mais cedo. “Foi um parto delicioso: rápido e sem epidural”, relata a mulher, que já tinha três filhas, descrevendo as equipas médicas do São João como “profissionais e rigorosas”. Porém, apesar de terem colocado o bebé em cima da sua barriga e de até terem perguntado se desejava cortar o cordão, o recém-nascido foi logo levado para longe de si, para os cuidados de neonatologia, tendo sido submetido a análises que regressaram negativas.

Nem todos os casos se resolveram por si e a indução acabou por ser necessária — mesmo depois da introdução do teste rápido. Foi o caso de Catarina Soares, cujo trabalho de parto demorou 16 horas. “Tenho noção que o parto poderia ser mais fácil ou menos longo, mas decidi confiar”, descreve com serenidade, apesar de todo o processo ter sido vivido de máscara ou de só ter podido contar com a presença do pai na fase da expulsão.

Direito a acompanhante

A ausência de acompanhante ao longo do processo do trabalho de parto tem sido um dos factores alvo de mais reclamações por parte de mulheres e homens. E as novas recomendações são omissas sobre esta questão. Questionada pelo PÚBLICO, a DGS informou que “para os acompanhantes mantém-se em vigor a orientação” anterior, ou seja, “a presença poderá ser permitida apenas se a instituição considerar que tem asseguradas todas as condições de segurança para evitar o contágio”.

Porém, muitas grávidas e respectivos acompanhantes denunciam “um enorme retrocesso nas conquistas dos últimos anos” e, depois de os relatos se terem acumulado, decidiram criar um movimento cívico e activista pela restituição dos direitos suspensos em contexto de pandemia — “das mulheres grávidas, puérperas, mães e pais, recém-nascidos e, acima de tudo, famílias, durante toda a gestação, parto e pós-parto”.

Reclama-se os direitos “a acompanhante, à liberdade de movimentos e métodos alternativos de dor, ao contacto pele a pele entre mãe e recém-nascido, a amamentação imediata e ao alojamento conjunto de mãe e bebé”, em linha com as directivas da própria Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere cinco maneiras para os serviços de saúde melhorarem o atendimento às mulheres no parto, a começar pela presença de acompanhante.

Além disso, a OMS aconselha que se aceite a posição de nascimento que as mulheres preferem, a treinar os profissionais para cuidados específicos relacionados com a dignidade materna e neonatal, a fortalecer a supervisão e a oferecer estratégias de alívio da dor.

Carla Sousa, uma das grávidas na génese daquele movimento, considera que não chega a existência de recomendações, quando cada hospital tem liberdade para adaptar as mesmas. Segundo a também psicóloga, a ausência de uma directiva comum origina “níveis de ansiedade brutais” nas grávidas, além de considerar incompreensível ter unidades em que o acompanhante nunca deixou de estar presente e outras em que aquele, ainda hoje, se mantém longe do nascimento — algo que a faz considerar vir a ter o seu segundo filho no privado.

Neste ponto, o investigador João Bernardes explica que a ausência de uma linha uniforme está relacionada com as condições materiais de cada maternidade: “Se se tiver mais do que uma mulher na mesma sala e todas estiverem acompanhadas, as distâncias deixam de ser cumpridas, além de, em muitos casos, as casas de banho serem de utilização comum.”

Apesar de compreender as contingências, Catarina, de 27 anos, sublinha as contradições vividas no início de Maio, na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa. “Não podia haver acompanhante por precaução, mas eu apenas recebia uma máscara [cirúrgica] por dia”, quando as recomendações ditam que esta não deve ser usada por mais do que quatro horas.

Parto programado?

Dos casos que o PÚBLICO teve conhecimento de partos no privado, todos tiveram acompanhante presente. “Fizemos a análise e, com o resultado negativo, foi marcada cesariana”, conta Miguel, 48 anos, que explica que, além do contexto, foram-lhes explicadas razões clínicas para optar pelo procedimento cirúrgico. Durante o período que passou em ambiente hospitalar, nunca saiu do quarto, onde estavam a companheira e a filha de ambos. Essa era a condição para que pudesse permanecer no local.

Também João, de 41 anos, relata experiência semelhante, em que a cesariana, programada às 39 semanas, no Hospital Lusíadas, fez parte de uma decisão que, em parte, já estava tomada pela mãe. Ambos os progenitores salientam o facto de o procedimento ter sido garantia de menos stress e também têm uma percepção semelhante do pós-parto: o contexto de pandemia, com a ausência de visitas de amigos e familiares, assim como o facto de haver menos gente na rua na altura de levar os recém-nascidos às consultas de pediatria resultaram numa vivência da paternidade com menos preocupações e mais serenidade.

Para já, sem dados estatísticos, não há qualquer prova do aumento de cesarianas, testemunha João Bernardes. Porém, admite que este é um assunto a que se tem de prestar atenção, sobretudo quando a cesariana é reconhecida como uma intervenção de risco, estando, segundo a DGS, “associada a riscos de saúde superiores aos do parto vaginal (…): de lesão uretral e vesical, de histerectomia, de tromboembolismo, de complicações infecciosas, de reinternamentos hospitalares”.

Também Alexandrina Mendes, obstetra no Centro Hospitalar Póvoa de Varzim-Vila do Conde, admite que, na sua unidade, os “partos programados terão aumentado”, mas ressalva que “a taxa de cesarianas não aumentou”. Para esta médica, a lidar com partos num centro onde os testes rápidos já existem, mas em quantidades insuficientes e sem laboratório próprio (o que faz com que o resultado demore mais tempo), é necessário que se aumente o número deste tipo de exame de forma a facilitar todo o processo de nascimento.

Todavia, uma preocupação persiste: as directivas contrárias de distintas sociedades. “Enquanto a Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF) aconselha a separar o bebé da mãe que tem um resultado positivo para a covid-19, a [Sociedade] de Medicina Interna diz o contrário.” Nas recomendações da SPOMMF lê-se que “para reduzir o risco de transmissão do vírus da mãe para o recém-nascido, deve considerar-se a separação temporária (após o parto) da mãe” infectada.

Mães e bebés separados

A recomendação da SPOMMF foi levada à letra em algumas unidades que se depararam com parturientes com covid-19, como no caso de Eunice. Após o parto, a mulher ficou internada, enquanto o recém-nascido seguiu para a neonatologia. No documento publicado esta terça-feira, considera-se que “o contacto pele a pele e o alojamento após o parto (separação temporária ou alojamento conjunto) deve ser feita caso a caso, numa decisão partilhada entre a mãe e a equipa dos profissionais de saúde”. Para esta decisão, indica a DGS deverá pesar “a condição clínica da mãe e do recém-nascido, o desejo de amamentar, os recursos existentes para separar o recém-nascido e as condições existentes para um alojamento conjunto em segurança”.

Para Eunice, o risco de contágio horizontal, por menor que fosse, justificou a separação. E, na altura da alta, em que o marido também viria a ter o resultado do teste positivo, o casal regressou a casa sem a criança. “Ficámos os dois doentes e com três meninas (todas com resultado negativo) em casa; não tínhamos condições para cuidar do bebé”, recorda, frisando a dedicação de todos no hospital, com videochamadas e muitas fotografias.

Quando o pai foi declarado recuperado, o hospital considerou que era altura para ir buscar o bebé — algo feito quase contra a vontade da mãe. “Tinha medo”, confessa. O bebé chegou a casa 17 dias após o nascimento, mas quase sete semanas depois da data em que chegou ao mundo os cuidados ainda não foram atenuados, com os resultados da infecção da mãe a manterem-se positivos e os telefonemas diários da pediatria. “Há um cansaço emocional”, concluiu, fruto de um permanente “estado de alerta”.

Para Patrícia Oliveira, de 38 anos e grávida de 32 semanas, este cenário de ter o bebé afastado de si é o mais difícil de imaginar. Apanhada no epicentro do surto em Portugal, já que trabalha como psicóloga em ambiente escolar em Ovar, concelho que esteve sob um cordão sanitário, a grávida combateu a ansiedade recorrendo à racionalidade – ainda que admita que o facto de não ter tido consultas adiadas pela CUF, onde é seguida, ajudou. No entanto, fala de um “reajustamento contínuo — sexta é uma coisa, segunda-feira já é outra”.

Já Joana Rocha, de 33 anos e grávida da segunda filha, está “pronta para o que tiver de ser”. “A miúda está sentada”, conta, explicando que a manobra manual de tentar inverter a posição foi passada das 37 para as 39 semanas. “Em vez de fazer a análise à covid-19, a manobra e voltar para casa, ficando à espera, optou-se por tentar mudar a posição da bebé mais tarde, às 39 semanas, seguindo depois para indução ou cesariana, dependendo do resultado.”

Já a presença do companheiro também dependerá da evolução do parto. Para já, a indicação que tem, no São João, é a de que o pai só poderá entrar no momento da expulsão. Questionada sobre os motivos apresentados, esta grávida acaba por desabafar: “Deixei de pensar nos porquês a bem da minha sanidade mental.” A única certeza que tem é que o hospital parece querer reduzir “o tempo que se está em ambiente hospitalar ao mínimo”.

A viver a 31.ª semana de gravidez e a lutar pelo direito a ter acompanhante, a psicóloga Carla Sousa refere que, ainda que não haja dados de momento, é vital estar atento à relação entre a vivência da maternidade e a pandemia, criando mecanismos de apoio. “A violência obstétrica não é uma questão nova, mas a pandemia trouxe alguns retrocessos.” Porém, sublinha a importância da forma de olhar para o cenário apresentado de modo a salvaguardar situações de depressão pós-parto. “Mais do que a experiência, é relevante a percepção que se tem dela.”

Uma ideia que Catarina, após ter tido uma indução às 41 semanas e uma reacção nefasta à anestesia (“Primeiro, não pegava; depois, não conseguia levantar-me, com fortes enxaquecas”), cultiva: “Não é a coisa que recorde como a mais bonita, mas tenho esperança de, com o tempo, a conseguir mudar.”

Estas 3 mães contam como é driblar o medo e dar à luz no meio de uma pandemia

No parto, a comunicação é pelo olhar. Em casa, as visitas são substituídas por videochamadas. “Minha irmã conheceu a bebê pela janela do carro na saída da maternidade.”

Debora Settani, de 32 anos, apresentou a pequena Graziella aos amigos e familiares pela tela do celular....
Arquivo Pessoal Debora Settani, de 32 anos, apresentou a pequena Graziella aos amigos e familiares pela tela do celular. “Minha irmã, que trabalha na área da saúde, conheceu ela pelo vidro do carro, na saída da maternidade.”

Luciana Fernandes, de 22 anos, descobriu a gravidez em agosto de 2019 e, logo depois, precisou interromper temporariamente um de seus maiores sonhos: trabalhar como atriz em uma grande emissora de TV. “Foi um choque pra mim mas, no final, sempre quis ser mãe e lidei bem com a mudança”, diz a jovem, que mora em São Paulo, mas nasceu em Potiraguá, na Bahia. Com uma gravidez que chegou ao fim, de forma inesperada, com o início da pandemia do novo coronavírus, uma segunda vontade de Luciana foi suprimida: usuária do SUS (Sistema Único de Saúde), ela fez o pré-natal em um hospital público e planejou dar a luz na Casa Angela, um centro de parto humanizado na periferia da Zona Sul da capital.

Na madrugada do dia 29 de março, quando entrou em trabalho de parto veio o revés: a pressão de Luciana subiu e ela precisou ser transferida para uma maternidade. “Minha pressão não estabilizou e eu não consegui dilatar o suficiente. Eu sentia muita dor e fiquei com o coração na mão, pensando: ‘meu Deus, tudo o que a gente programou não está acontecendo’”, lembra.

“O que me deixa muito triste, e que eu ainda não sei lidar muito bem, é não ter muito contato com as pessoas, né? Já é um isolamento social ser mãe.” Luciana Fernandes, 22 anos, atriz e mãe de Amora, de um mês

Devido aos altos índices de contaminação pela covid-19 no País e à crise no sistema de saúde, a experiência do parto hospitalar durante a pandemia para muitas mulheres têm sido acompanhada de frustrações e medo. “Eu fiquei com medo de sofrer violência obstétrica em um lugar que não era o que eu tinha planejado”, diz Luciana. “Quando cheguei à maternidade, me senti em risco. Era um hospital muito maior, com muito mais gente e todos estavam usando máscara e sendo muito cuidadosos com tudo por conta do coronavírus.” Transfe

Luciana Fernandes, de 22 anos, comemora o primeiro mês de Amora ao lado de Thiago, seu
Arquivo Pessoal Luciana Fernandes, de 22 anos, comemora o primeiro mês de Amora ao lado de Thiago, seu companheiro.

Para ela, assim como para muitas outras mulheres no País, o primeiro Dia das Mães vai ser bem diferente do esperado. “Eu tinha imaginado outra coisa. Queria comemorar esse momento junto com a minha mãe, mas sei que assim é o melhor agora. Depois a gente pode aproveitar muito outros momentos.”

“Tenho pavor de colocar o pé fora de casa. A Teresa nem sentiu o calorzinho do sol ainda”. Com o isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus, a fotógrafa brasiliense Tatiana Reis, de 35 anos, tem convivido com o que classificou de “puerpério dentro do puerpério”, nome dado ao período de resguardo da mulher por pelo menos 45 dias após o momento do parto. Em uma experiência semelhante à de Luciana, ela deu a luz à Teresa, sua segunda filha, no dia 24 de março – apenas 19 dias após o primeiro caso de covid-19 ser confirmado na capital federal e dez dias depois do primeiro decreto que oficializou a quarentena no estado.

“Eu queria muito ter mais gente por perto depois do nascimento da Teresa por vários motivos. Mas não está sendo possível”, lamenta. Do meio para o final da gravidez, Tatiana foi diagnosticada com diabetes gestacional, o que a colocou em um quadro de risco e fez com que ela redobrasse os cuidados com a saúde. “Me senti paralisada. Talvez eu tenha escolhido a cesariana justamente por conta dessa minha situação de alto risco na gravidez, pensando também no medo de ser contaminada pelo coronavírus”. Dias depois do nascimento de Teresa, o Ministério da Saúde incluiu, em 13 de abril, gestantes de alto risco, como Tatiana, e puérperas no grupo de risco de complicações da covid-19.

“Eu quero muito contar pra ela ‘menina, te pari no meio de uma pandemia!’ [risos]. Eu tenho mantido um diário e experimentado tirar fotos com o celular. A gente nunca viveu tão junto.” Tatiana Reis, 35 anos, mãe de Teresa, de um 28 dias e Helena, de 3 anos e meio

Na foto acima, Teresa e Helena, filhas da fotógrafa Tatiana Reis - a foto foi tirada por ela em...
Tatiana Reis/Arquivo Pessoal Na foto acima, Teresa e Helena, filhas da fotógrafa Tatiana Reis – a foto foi tirada por ela em um dos momentos de afeto dentro do isolamento social.

Segundo boletim epidemiológico mais recente da pasta, 121 gestantes e puérperas entre 10 e 59 anos foram contaminadas no País – documento não aponta o número de possíveis mortes neste grupo de vulnerabilidade. Todas as mulheres entrevistadas pelo HuffPost Brasil disseram não apresentar nenhum sintoma da covid-19. Nesta semana, o número de mortes causadas pela doença no Brasil passou de 10 mil, segundo dados divulgados pelo MS, o que representa mais que o dobro do total registrado na China (4.637). Estes dados reforçam o agravamento da crise sanitária no País.

Mesmo antes do agravamento da crise, dentro da clínica em que Tatiana fazia as consultas com seu médico, foi feito um esquema para que as gestantes não se encontrassem nos corredores e todos os funcionários, segundo ela, já usavam máscaras para evitar contaminação. “Ao mesmo tempo que havia cuidado, naquele momento já havia muita tensão no ar”, lembra.

Ao chegar na maternidade, foi realizada uma triagem incomum. “Eles mediram a minha temperatura, e perguntaram se eu tive sintomas ou contato com alguém que teve. Eu não pude trocar de acompanhante e também não pude receber visitas”, conta. De volta para casa, a única rede de apoio de Tatiana, para cuidar da recém-nascida e de Helena, de 3 anos, tem sido parcialmente seu companheiro – que está trabalhando de casa -, sua irmã e algumas amigas que, eventualmente, ajudam levando compras do dia a dia para evitar exposição.

“Eu moro em um apartamento muito pequeno. E só saí de casa uma vez depois do parto para levar a Teresa ao médico com a minha irmã. Eu levei ela no sling ‘escondidinha’, com muitas camadas de tecido”, lembra. “Essa coisa que é a celebração de um nascimento de uma criança, que demanda dessa aproximação da família e dos amigos, está me fazendo muita falta. As avós não conhecem a Teresa, o abraço, o calor faz muita falta”, diz.

Isolada e sem rede de apoio como o planejado, Tatiana têm tentado contornar a rotina de cuidados no distanciamento devido à pandemia e construir uma lembrança para as filhas. Teresa, ela conta, nasceu no dia do aniversário de seu pai, que morreu há poucos meses. “Ela ter nascido foi um marco pra mim nesse sentido. Eu quero muito contar pra ela ‘menina, te pari no meio de uma pandemia! [risos] E você nasceu em um dia cheio de significado’. Eu tenho mantido um diário e experimentado tirar fotos com o celular. A gente nunca viveu tão junto. Eu falo muito do medo porque o confinamento está mexendo muito comigo. Mas a gente vai tentando sobreviver nos encontros de delicadeza, de doçura. Acho que encontrei uma força nesse registro doméstico”. E, claro, na primeira oportunidade, levará Teresa para conhecer e sentir na pele a luz do sol.

Tatiana Reis/Arquivo Pessoal “Ela ter nascido foi um marco pra mim nesse sentido. Eu quero muito contar pra ela ‘menina, te pari no meio de uma pandemia!”, diz Tatiana Reis.

 

Para a produtora Debora Settani, de 32 anos, moradora da cidade de Itu, no interior de São Paulo, as videochamadas com parentes e amigos substituíram quase que de imediato as tradicionais visitas às mães e aos recém-nascidos tanto em casa, quanto na maternidade. “A gente tem fotos que são prints da tela do celular que são eu com a minha bebê e os familiares”, conta.

Debora havia planejado o nascimento em uma maternidade particular de São Paulo e conseguiu que todo o seu plano de parto fosse mantido. Graziela nasceu há duas semanas, no dia 25 de abril, em um momento em que o aumento de casos da covid-19 exigiu mais rigidez na quarentena. Porém, ela foi acompanhada tanto pela doula, quanto por seu marido – que conseguiu autorização não só para participar, mas para tirar fotos e filmar o nascimento da filha. Por causa da pandemia, essa orientação varia de acordo com a instituição de saúde, sendo ela particular ou pública.

“Todos os profissionais e os acompanhantes estavam de máscara e super paramentados. Pude escolher se eu queria ficar com a máscara ou não e, por ter optado pelo parto normal, decidi que ficaria sem. Eu me senti segura e confortável”, diz.

“Eu pensava: ‘será que eu espero? Será que isso vai ser bom, ou será que eu estou arriscando pegar a doença e não ter saúde para ter o parto? Será que tudo o que eu planejei vai acontecer?’.” Debora Settani, 32 anos, mãe de Graziella, com 16 dias de idade.

Debora lembra que o mais estranho do momento foi não poder ver o sorriso das pessoas, em especial, de seu companheiro, quando Graziella nasceu, justamente pelo uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs). “Mas, ao mesmo tempo, a comunicação ficou mais forte pelo olhar. O olhar é muito potente, né? Foi muito intensa a forma como a gente encontrou de se comunicar não só pela fala dentro da sala de parto.”

A bebê foi direto para o colo da mãe assim que nasceu e ficou o tempo todo no quarto com ela. Enfermeiras apenas vinham para dar banho ou levá-la para fazer exames e dar as vacinas necessárias, por exemplo. O distanciamento também no berçário foi uma medida de precaução que tem sido adotada por maternidades em todo o País.

No momento do parto, Debora escolheu ficar sem a máscara de proteção.
Arquivo Pessoal No momento do parto, Debora escolheu ficar sem a máscara de proteção. “Mas, ao mesmo tempo, a comunicação ficou mais forte pelo olhar. O olhar é muito potente, né?”

“Ela ficou direto no quarto comigo e eu nem pude caminhar no corredor do hospital, como costumava ser recomendado. Eu andava ao redor da minha cama. De lá, apresentei ela pra amigos e família pelo celular. Eu combinei com a minha irmã, que é profissional da saúde e não pode deixar de trabalhar, de conhecer a sobrinha pelo vidro do carro na saída da maternidade. E foi assim, agora ela está esperando pra pegar a Graziela no colo quando for possível.”

Também hora de ir embora para casa, as lembrancinhas que seriam para as visitas – que foram feitas virtualmente e à distância -, ganharam novos donos. “Eu dei as lembrancinhas para as enfermeiras, que ficaram felizes, mas um pouco espantadas. E eu disse ‘é claro, vocês são a única visita que eu tenho!’ [risos]”. Chegando em Itu, não pode dar um abraço em sua mãe. Apenas deixou Graziela com o pai e correu para o banho. A mãe, nesse momento, junto com seu companheiro – que está trabalhando de casa – tem sido sua rede de apoio. “Eu jamais imaginaria que ela ia nascer praticamente no meio do pico da pandemia, e eu espero poder contar pra ela que foi difícil, mas que passou e que foi menos pior do que a gente achou que poderia ser”, diz.

Como eu vivi a quarentena no último mês de gestação, parece que eu já fiz um estágio para o puerpério.”

A produtora reconhece que, no contexto atual, foi privilegiada – mas que não deixou de sentir algo comum às gestantes diante da covid-19: medo e insegurança. “Eu tive medo, sim, chegando perto da hora do parto, pensando na pandemia, principalmente. Como a minha intenção era ter o parto normal, de 38 a 41 semanas, eu fiquei com muita dúvida. Eu pensava: ‘será que eu espero? Será que isso vai ser bom, ou será que eu estou arriscando pegar a doença e não ter saúde para ter o parto? Será que tudo o que eu planejei vai acontecer?’ Eu antecipei apenas alguns dias e correu tudo como o planejado.”

No dia em que conversou com o HuffPost, Debora estava se preparando para sair de casa pela primeira vez em duas semanas. O motivo? A ida ao médico com a bebê, em São Paulo. “Como eu vivi a quarentena no último mês de gestação, parece que eu já fiz um estágio para o puerpério. É angustiante, sim, você não poder sair, não ter rede de apoio e não poder fazer tudo o que imaginou. Mas se eu puder falar algo para outras mulheres no mesmo contexto que o meu, é que podemos tentar usar esse momento para criar conexão. É o que tenho tentado fazer.”

Estudo identifica lesões na placenta de grávidas diagnosticadas com Covid-19

Nascimentos não foram afetados, mas descoberta dos pesquisadores sugerem alterações no fluxo sanguíneo entre as mães e feto.

Do G1

Imagem de arquivo mostra mulher grávida: pesquisa dos EUA mostra relação entre Covid-19 e lesões na placenta — Foto: Pixabay
Imagem de arquivo mostra mulher grávida: pesquisa dos EUA mostra relação entre Covid-19 e lesões na placenta — Foto: Pixabay

Pesquisadores norte-americanos identificaram lesões na placenta de 16 grávidas diagnosticadas com Covid-19. Um artigo publicado nesta sexta-feira (22) pela revista “American Journal of Clinical Pathology” não apontou riscos para o feto, mas alertou para alterações na função do órgão.

A placenta é o primeiro órgão a se formar no desenvolvimento fetal e tem funções análogas às dos pulmões, intestinos, rins e fígado. É a partir dela que o feto absorve oxigênio e nutrientes da corrente sanguínea da mãe.

“A maioria dos bebês nasceram sem nenhuma complicação, após gestações normais”, disse em nota Jeffrey Goldstein, professor da Northwestern University e um dos autores do estudo. “[a lesão] Não pareceu induzir resultados negativos nos nascimentos, com base em nossos dados que são limitados.”

O tipo de lesão observada mostrou um fluxo anormal no sangue entre as mães e fetos, o que sugere, segundo os especialistas, uma nova complicação da Covid-19. Os cientistas defenderam que a descoberta serve de alerta para que grávidas sejam monitoradas clinicamente durante a pandemia.

Acompanhar de perto

Para a professora de obstetrícia Emily Miller, co-autora do estudo, o monitoramento das grávidas tem que ser reforçado para garantir que os fetos se desenvolvam de maneira saudável.

“Não quero desenhar um cenário assustador, mas essas descobertas me preocupam”, disse Miller em um comunicado. “Saber que a Covid-19 pode causar alterações na placenta traz algumas implicações bastante significativas para a saúde de uma gravidez.”

Ela defende que o monitoramento seja feito a partir de testes “não-estressantes”, que consigam examinar a oxigenação da placenta e acompanhar o crescimento dos bebês em “uma taxa saudável”.

Sem transmissão vertical

Até o momento não há registro de transmissão da Covid-19 entre mães grávidas e seus bebês. Um artigo publicado na revista “Frontiers in Pediatrics”, trouxe a análise de quatro mães que estavam infectadas pelo vírus e que deram à luz em um hospital de Wuhan, cidade chinesa que foi o primeiro epicentro da doença.

De acordo com o artigo dos pesquisadores, nenhum dos bebês desenvolveu os sintomas da Covid-19, como febre ou tosse, embora eles tenham sido isolados em unidades de terapia intensiva e tenham sido alimentados com fórmula. Três dos quatro recém-nascidos fizeram o teste para o coronavírus e o resultado foi negativo. Uma das mães não autorizou que o exame fosse feito.

Combate ao medo e ao isolamento de pacientes na linha de frente contra o novo coronavírus

Profissionais do hospital de campanha do Ibirapuera, em São Paulo, usam tecnologia para driblar os problemas de comunicação a distância e aproximar pacientes de suas famílias

Do El País

 

Comemoração de aniversário de 65 anos de Américo Cardoso Vieira, durante tratamento da covid-19 no hospital de campanha do Ibirapuera. Foto e vídeo: Seconci-SP/OSS e Arquivo familiar
Comemoração de aniversário de 65 anos de Américo Cardoso Vieira, durante tratamento da covid-19 no hospital de campanha do Ibirapuera. Foto e vídeo: Seconci-SP/OSS e Arquivo familiar

Por volta de 11h da manhã do dia 6 de maio, Raquel Fiuza Vieira, 26 anos, recebeu com alívio uma ligação do hospital de campanha do Complexo Ibirapuera, em São Paulo. Do outro lado da linha, uma assistente social e, em seguida, um médico, traziam notícias sobre seu pai, Américo Cardoso Vieira, 65. Morador do Grajaú, bairro da periferia da zona sul da capital paulista, o idoso havia dado entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo Amaro três dias antes, com sintomas da covid-19. Enquanto estava lá, sua família foi informada de que ele seria transferido para realizar uma tomografia, mas ninguém disse quando isso ocorreria, ou para onde o paciente iria. “Na UPA ficamos sem contato. Meu pai não pôde ficar com nada, nem celular, nem os óculos”, contou Raquel. “Meu irmão e eu passamos duas noites em claro à espera de notícias. Minha mãe só dormiu porque estava medicada.”

A jornada de Leomar Silva Santos, 29, até a unidade do Ibirapuera foi diferente da saga da família Vieira, mas o medo e a incerteza eram os mesmos. Morador da Saúde, área de classe média da zona sul da capital, logo ao sentir os primeiros sintomas ―uma falta de ar intensa após subir uma escada e uma noite sem dormir com problemas para respirar― ligou para o 156, telefone de informações da Prefeitura de São Paulo, e foi orientado a ir à unidade de atendimento mais próxima de sua casa. No caso, o Hospital São Paulo, onde fez uma tomografia e já no dia seguinte, segunda-feira, 5 de maio, foi encaminhado para a unidade do Ibirapuera. “Vi uma mulher sair para o hospital de campanha e ouvi um burburinho de que o próximo seria eu. Fiquei com medo, não sabia o que era. Pensei que estava piorando”, afirmou Leomar. Na ambulância, foi informado de que se tratava de um hospital dedicado para pacientes de baixo risco da covid-19 e se tranquilizou. No entanto, sua esposa, Beatriz Linhares Rodrigues, 20, precisou ir atrás da ambulância para descobrir o destino do marido. “Não sabia direito para onde ele estava indo”, conta. Só se acalmou quando, ao chegar, foi atendida pela equipe de comunicação.

Nas duas primeiras semanas de operação, os profissionais que estão na linha de frente do hospital de campanha do Ibirapuera estão descobrindo que, assim como o vírus, o medo e a dificuldade de comunicação também se tornaram inimigos a serem combatidos. “As pessoas chegam um pouco desesperadas. Sempre acham que o seu familiar vai morrer”, diz a médica Mônica Pinheiro, responsável técnica pelo hospital, que é uma iniciativa do Governo do Estado, mas é gerido pelo Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP).

Mônica Pinheiro, médica responsável técnica pelo hospital de campanha do Ibirapuera.
Mônica Pinheiro, médica responsável técnica pelo hospital de campanha do Ibirapuera.Divulgação Seconci-SP/OSS

A situação fica mais complicada por ninguém saber, afinal, o que é um hospital de campanha, um modelo herdado dos campos de batalha e que passou a ser utilizado em caso de grandes desastres, especialmente os humanitários. “Há muita fantasia. E quando vê que é barraca, então… Outro dia choveu e o pessoal pensou: ‘E agora’?”, conta Mônica, cujo principal desafio se tornou passar tranquilidade e confiança para as famílias e pacientes, num momento em que os casos de covid-19, e também as mortes, crescem exponencialmente em todo o Estado de São Paulo.

Desde que o hospital recebeu o primeiro paciente, em 3 de maio, o número de vítimas fatais no Estado dobrou, chegando a 5.147 óbitos nesta segunda, assim como o número de casos, que alcançou a marca de 65.995. A velocidade de contágio se reflete no número de pacientes da unidade do Ibirapuera. Até esta segunda, 320 pessoas foram atendidas. Desse total, 146 receberam alta. E 133 permanecem internados (124 em enfermaria), no hospital que tem um total de 240 vagas; nove pessoas estão em leitos de estabilização, um passo antes da UTI, onde há 28 lugares. Outras 41 pessoas foram transferidas para UTI de outros hospitais, por precisarem de cuidados ainda maiores, algo que, até este momento, foi feito sem a necessidade de se enfrentar uma fila de espera. Nenhuma morte foi registrada na unidade nessas pouco mais de duas semanas de operação.

A rotina é de um hospital que não pode se permitir rotina. “A evolução da doença é muito rápida. Temos paciente que contamos que será entubado e minutos antes ele avisa a família por telefone. Não dá para esperar para ver a evolução do quadro”, conta Mônica. “Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Muito paciente entrando, mas também saindo. Uma equipe que ainda está se entrosando com os fluxos do hospital. Famílias querendo informações. Mas não é como um hospital tradicional, onde podemos operar no automático. É um ambiente estressante e emocionante”, explica Mônica.

“Quando tem muita informação, em quem você confia?”

O acesso à informação é um ativo fundamental no combate à pandemia. Mas o excesso de notícias desencontradas, especialmente em época de polarização política, acaba por se chocar com quem está na linha de frente da batalha contra o novo coronavírus. E não raro, alimentam fake news. “Algumas pessoas acham que a gente está escondendo algo; outros que a situação política pode fazer com que seu familiar não receba o melhor tratamento como o dos hospitais particulares”, afirma Mônica. “Temos que explicar: uma coisa é política, outra coisa é a saúde.”

Não à toa, a insegurança das famílias é esperada. “Quando tem muita informação, em quem você confia?”, pergunta Mônica. A médica conta que familiares e pacientes chegam falando sobre pesquisas de drogas novas no exterior, querem discutir gasometria, sabem que há uma coalizão de hospitais privados ―Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento e Oswaldo Cruz― conduzindo estudos sobre tratamento para a covid-19; e se preocupam em saber se as inovações vão chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Na situação de estresse, é muito importante uma boa interação com as pessoas. E deixar claro que ninguém vai deixar o paciente morrer porque não teve acesso a protocolo. Na área médica, temos acesso a tudo”, explica.

Por outro lado, a médica sabe que a falta ―e mesmo a confusão― de informações dentro da unidade pode criar crises desnecessárias. Por isso, o hospital de campanha foi pensado com um aparato de tecnologia ―que não está disponível em unidades tradicionais do SUS, como UPAs e hospitais― para tentar dar conta da nova demanda de comunicação a distância. “Os pacientes têm internet gratuita para falar com a família, e também testamos tudo: WhatsApp, ligação telefônica ou vídeo”, explicou. Mas é por tentativa e erro. “Se o boletim por mensagem de celular não funciona, ligamos. Se o paciente está mais grave, chamamos a família por vídeo. Às vezes, falamos com até mais de um membro da família para esclarecer o que está acontecendo”, diz.

A covid-19 é uma doença solitária, que depende de isolamento severo. Mas o cenário de não ter a família por perto é uma novidade para a maioria dos profissionais de saúde, especialmente os mais jovens. Mônica lamenta que a pandemia esteja forçando um distanciamento entre os médicos e familiares. Neonatologista, ela se lembra que uma das últimas fronteiras da família nos hospitais foi rompida exatamente na sala de parto, no final dos anos 90. “A presença de um acompanhante deixa o paciente mais calmo, mesmo em caso de intercorrências, porque ele vê o que estamos fazendo. Hoje retornamos a uma situação anterior, mas, com sorte, num momento onde a tecnologia de comunicação disponível é tremenda”.

Boletim médico enviado por mensagem de celular para a família de Leomar.
Boletim médico enviado por mensagem de celular para a família de Leomar.

As falhas de comunicação aumentaram o estresse da família Vieira durante sua jornada pelo SUS. Américo não foi o primeiro paciente de sua família a pegar o vírus. Sua filha, Raquel, já havia passado cinco dias internada com a doença em um hospital particular. “Tive uma forte dor abdominal e fui internada para investigar uma infecção intestinal”. O diagnóstico se confirmou, bem como a covid-19. Quando voltou para casa, tanto seu pai, quanto sua mãe, Maria Rosangela dos Reis, também apresentavam os sintomas da doença. “Ela estava vomitando e ele perdeu o apetite de uma hora para outra. A febre deles não baixava. E eu em casa sem poder sair para ajudá-los”, disse.

Os pais passaram pelo posto de saúde, onde conseguiram atestado para se afastar do trabalho ― Américo é porteiro e Maria, babá ―, mas sem melhora, foram para a UPA, acompanhados do filho, Rafael Vieira. Américo ficou internado, enquanto Rosângela foi liberada para casa, com a receita de antibióticos. Não havia teste disponível para avaliar se ambos estavam doentes. Com a internação de Américo, a família tentou obter informação por telefone, mas foi avisada de que teria que comparecer pessoalmente, durante o horário da visita — que, na prática, não existe. “As pessoas falam para evitar aglomeração, mas às 10h estão todos os familiares na porta da UPA. Meu irmão e minha mãe chegaram cedo e foram atendidos ao meio-dia”, lembra Raquel, que já está recuperada e voltou ao trabalho de secretária. “Até hoje não entendi por que deixaram meu pai sem nenhuma comunicação. Ele saiu da UPA para o hospital regional, onde fez a tomografia, e depois foi para o de campanha, sem que soubéssemos”, lamenta. A UPA de Santo Amaro é uma organização social de saúde, também administrada por uma entidade particular, a Associação Congregação de Santa Catarina. Porém, toda comunicação está centralizada na Prefeitura, que até a publicação desta reportagem não respondeu sobre o protocolo de informações nas UPA.

A busca pela normalidade em meio ao caos mundial

Pela experiência anterior, a família acreditava que o contato seria escasso durante a internação na tenda de campanha, por isso, levou uma cartinha para tranquilizar Américo, no Ibirapuera, no dia 6 de maio. Mas foram surpreendidos. “Entregamos o celular no começo da tarde e às 17h ele nos ligou. Estava bem choroso, pensou que a gente não iria saber onde ele estava, que iríamos deixá-lo lá”, conta Raquel.

Américo, assim como Leomar, vivenciou uma experiência bastante incomum, ficar internado em uma tenda na região central e rica de São Paulo. Prerrogativa da pandemia, que fez com que uma solução sempre associada a situações de guerra ou epidemias em lugares distantes como a do Ebola, na África, de repente se espalhasse por várias cidades do mundo. Passada a tensão da transferência, foi ali que ambos puderam finalmente realizar o teste da covid-19, algo ainda escasso em todo o país, e confirmar seu diagnóstico.

Equipe de assistência social do hospital de campanha.
Equipe de assistência social do hospital de campanha.DIVULGAÇÃO SECONCI-SP/OSS

Após o trauma na entrada no SUS, foi com surpresa que os Vieiras receberam uma ligação da assistente social Adriana Pimenta, responsável pela equipe do serviço social do hospital, perguntando se poderiam fazer uma comemoração para Américo no dia 7 de maio, seu aniversário. A festa, com a participação da família pelo celular, o deixou emocionado. “Um dos nossos principais trabalhos é traçar o perfil de cada paciente, e essa atividade é feita à beira leito no hospital de campanha”, afirma Adriana. “Notamos que nossa presença no leito tem resultados positivos, pois os pacientes se sentem acolhidos e, muitas vezes, nos enxergam como uma extensão do mundo real, minimizando o motivo que os trouxe aqui”, explica a assistente social.

São essas tentativas de manter a normalidade em meio a um cenário mundial caótico, como as eventuais celebrações de aniversário, que ficam guardadas nas lembranças dos pacientes. Atitudes que trazem ânimo até para os vizinhos. Leomar se lembra do “parabéns” de Américo, que ficava numa “cabaninha” próxima a da dele. “Ele ganhou até bolo num copinho”, conta. Américo e Leomar já tiveram alta. Agora se recuperam da covid-19 em casa.

Despedida de Leomar Silva Santos do hospital de campanha.
Despedida de Leomar Silva Santos do hospital de campanha.Divulgação Seconci-SP/OSS

Mães na Quarentena

Crédito: Stephen Schildbach/Getty Images

Enquanto muitos cientistas aproveitam o isolamento social para escrever artigos e estreitar os laços de colaboração com outros pesquisadores (ver reportagem “O desafio de fazer ciência em casa), a bióloga Fernanda Staniscuaski, do Departamento de Biologia Molecular e Biotecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), precisa conciliar as demandas do home office com afazeres domésticos e o cuidado com os filhos – são três, com idades de 1, 4 e 7 anos. Mesmo dividindo as tarefas com o marido, boa parte de seu tempo é dedicada a auxiliar os mais velhos nas atividades escolares. “Com o fechamento temporário das escolas, as crianças estão trancadas dentro de casa 24 horas por dia e isso nos exige atenção o tempo todo. Passo as tardes com os mais crescidos, enquanto meu marido fica com o bebê.” Em situações normais, diz Staniscuaski, as crianças ficariam em escolas, creches e com as avós, enquanto os pais trabalhavam fora.

Como consequência, ela está há semanas tentando concluir um manuscrito para submetê-lo a uma revista científica. “O texto permanece intocado”, conta Staniscuaski. Mesmo assim, ela e outras pesquisadoras reservaram algum tempo para investigar como o isolamento provocado pela Covid-19 tem impactado a rotina de trabalho de cientistas que têm filhos. O estudo, em andamento, é realizado no âmbito do projeto “Parent in Science”, criado em 2017 com o propósito de discutir a maternidade no universo acadêmico brasileiro (ver Pesquisa FAPESP nº 269).

A partir de um questionário respondido, até o momento, por mais de 5 mil alunos de mestrado e doutorado, observou-se que o período de quarentena tem um peso adicional sobre a produção científica das mulheres que são mães. Do total de respondentes, 31% são homens e 69% mulheres. Dentre os que têm filhos, 26% são homens e 74% mulheres. Quando analisado o grupo de pesquisadores que disseram ter filhos, 17,4% dos homens informaram estar conseguindo trabalhar remotamente. No caso das mulheres na mesma situação, o percentual é menor: cerca de 10% declararam ter tempo para seguir desenvolvendo seus projetos de pesquisa em casa.

Quando observado o grupo dos que não têm filhos, a diferença entre mulheres e homens é menor, mas a porcentagem de homens que conseguem se dedicar à pesquisa em home office segue sendo maior (36%) do que a de mulheres (32%). “Esses dados podem ajudar a entender melhor de que maneira a nova rotina sobrecarrega as mulheres”, avalia Staniscuaski. De acordo com ela, os resultados parciais do estudo são fortes indicativos da persistente desigualdade de gênero na ciência, especificamente a dificuldade de conciliar maternidade e formação acadêmica.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Experiências das mães na quarentena serão reunidas em livro

Obra produzida pela editora Timo pretende publicar ebook com 40 depoimentos de mães sobre os primeiros 40 dias de isolamento social

Do Metro

As percepções das mães sobre a quarentena serão reunidas em livro que pretende trazer 40 relatos dos primeiros 40 dias de isolamento social. Ana Basaglia, publisher da editora Timo, que está produzindo a obra, divulgou a ideia em suas redes sociais e convidou mães em grupos de maternidade que frequenta para que escrevam sobre suas impressões, sentimentos e vivências neste período de confinamento.

“Em muitas casas, a mulher continua sobrecarregada com as demandas domésticas, os filhos e o trabalho, enquanto o marido se dedica ao home office, e ela tem pouca voz e espaço para falar sobre isso”, explica Ana. A ideia , portanto, é que o livro sirva de canal de expressão dessas mulheres, trazendo depoimentos de mães conhecidas e anônimas. “A gente entende que toda voz é importante e busca uma diversidade de perfis”, diz a publisher, conhecida pela defesa dos valores da criação com apego e pela publicação de títulos alinhados com essa proposta (como os best sellers do pediatra espanhol Carlos González).

Entre os depoimentos colhidos, há o da mãe que acabou de parir, de quem tem filhos pequenos, filhos mais velhos, de avós e de mães brasileiras que moram no exterior. “Muitas delas, ao me mandar o texto, disseram que o simples fato de parar para escrever e poder minimamente refletir sobre o que está acontecendo já foi algo maravilhoso. Veja a relevância que é perguntar a uma mãe como ela se sente e como tudo isso está reverberando nela”, ressalta a idealizadora do livro.

Leia também: Saberes em época de Pandemia: o que o seu filho realmente precisa aprender agora?

A obra colaborativa trará relatos como o da chef de cozinha Bela Gil; da jornalista Rita Lisauskas, autora do blog do Estadão “Ser mãe é padecer na internet”; das médicas de família e comunidade Denize Ornelas e Júlia Rocha; de Lígia Moreiras, editora do blog “Cientista que Virou Mãe”; de Raquel Marques, codeputada estadual (mandato coletivo da Bancada Ativista); e de Manuela d’Ávila, jornalista e política brasileira.

Ana conta que tem recebido depoimentos de mães emocionantes. “Estou muito orgulhosa e confiante que as mães vão se reconhecer, ora num momento mais disposto, ora em um processo mais reflexivo – e esse é objetivo do livro, mostrar que a gente está junto, os sentimentos são próximos e a maternidade é muito potente”, diz ela.

O livro será publicado em um e-book, ainda no mês de maio. Depois deve ganhar versão impressa e, ainda um blog que inclua todos os depoimentos de mães recebidos – e não só os 40 principais. Quem quiser mandar a sua história, pode escrever para maesnaquarentena@gmail.com .

Saiba mais no Instagram da editora Timo.

Coronavírus: hospitais do NHS são acusados de usar a crise como motivo para negar cesáreas às mulheres

Exclusive: ‘We are concerned that in some places coronavirus is being used as an excuse to dictate to women how they should give birth,’ says human rights charity

Do Independent (em inglês)

 

Official guidance from the National Institute for Health and Care Excellence says women should be offered a caesarean section where they insist it is what they want
Official guidance from the National Institute for Health and Care Excellence says women should be offered a caesarean section where they insist it is what they want ( AFP via Getty Images )

Hospitals have been refusing requests for caesarean sections during the Covid-19 outbreak despite official guidance and NHS England advice that they should go ahead.

Multiple NHS trusts have told women preparing to give birth since March that requests for a caesarean section will not be granted due to the viral pandemic.

It has led to accusations from the charity Birthrights that the coronavirus outbreak is being used as an excuse to promote an ideology that more women should have a natural birth.

During the coronavirus crisis some women have been forced to give birth alone due to bans on partners attending hospital. Hospitals changed their policy after new visiting rules were released.

Maria Booker, from Birthrights, told The Independent: “We continue to be contacted by women being told they cannot have a maternal request caesarean and we are concerned that in some places coronavirus is being used as an excuse to dictate to women how they should give birth, which contravenes Nice [the National Institute for Health and Care Excellence] guidance.

“Women don’t choose caesarean births lightly. In the last few weeks we have been contacted by women who have heart conditions, pelvic issues, mental health conditions, and who have previously lost a baby who have all been denied caesareans.”

Official guidance from Nice says women should be offered a caesarean section where they insist it is what they want.

NHS England has warned hospitals they need to “make every effort” to avoid cancelling caesarean sections and work with neighbouring trusts to transfer women if necessary.

It said surgery should only be suspended in “extreme circumstances” where there is a shortage of obstetricians or anaesthetists.

In the UK, around one in four of all births are caesareans, including both emergency and pre-planned operations.

At Milton Keynes University Hospital a policy document seen by The Independent said requests for caesarean sections would be refused.

The standard operating procedure document, dated April, said: “Women should be advised that during the Covid period, the directorate has taken the decision not to offer elective caesarean sections for maternal request.”

It added: “It has also been agreed that when the surgeon confirms the consent for caesarean sections pre-op, they will specifically advise the women of the risks of caesarean section and women will be encouraged not to have a caesarean section for maternal request.”

In a letter to mothers at the start of the outbreak The Princess Alexandra Hospital, in Essex, warned all cases, including those already booked for a caesarean section, would be reviewed.

It added: “Unless there is a medical reason for the caesarean, please be aware that the caesarean will not be able to go ahead.”

Sharon McNally, director of nursing at the trust, said that since this letter was issued the demands on the NHS had been less than expected, adding: “We are pleased that we have subsequently not needed to cancel any elective c-sections ⁠– all C-sections have and continue to go ahead as planned.”

At Oxford University Hospitals Trust, women have routinely been referred to other hospitals when requesting C-sections, but during the coronavirus outbreak this has not been possible. The trust refused to say whether it had denied C-sections to women in recent weeks.

Pauline Hull, editor of the website Caesarean Birth, said she was contacted by a woman who had been denied a C-section by the Milton Keynes hospital.

She said: “There is no evidence that the risk for women or babies having a planned caesarean during Covid-19 is increased compared with other birth plans.

“I am aware of other women who are being told their maternal request caesarean will not be supported, at other trusts, and so I suspect there may be other policies in England like the one at Milton Keynes.”

Maria Booker added the Milton Keynes University Hospital NHS Trust had told Birthrights all the hospitals in its local maternity system, including Luton and Bedfordshire, had stopped maternal request C-sections due to perceived higher risks.

She said: “If there are increased risks, it is the duty of the trust to explain these to the pregnant woman so they can make an informed choice. Caesareans should only be withdrawn in the dire circumstances of the trust, and wider region, having insufficient capacity to provide them.”

A spokesperson for the Milton Keynes hospital said: “We carefully reviewed and adapted our procedures around maternal requests for caesarean section as a result of Covid-19, and the increased risks associated with operative delivery during the pandemic.

“We have continued to honour all maternal requests for caesareans made prior to this change in policy, where medically possible, and continue to consider requests where there is either a medical or psychological reason to have a caesarean section.”

The statement added restrictions may be lifted as the trust emerged from the coronavirus crisis.

Catherine Greenwood, clinical director of maternity at Oxford University Hospitals, said requests were considered on an individual basis and “in usual times, if no clinical indication is found, then a woman would be referred to an obstetrician at a neighbouring trust who is happy to support these requests. This is in line with Nice guidance.

“However, at the present time, all hospitals are under considerable pressure. For this reason, the referrals for caesarean section for women who have no pregnancy complications are not always accepted by our partner organisations in the way that they usually are. We very much hope to be able to reinstate the usual pathway as soon as possible.”

 

Bebês em excesso: a tragédia da indústria da ‘barriga de aluguel’ durante a COVID-19

Agência de maternidade por substituíção da Ucrânia tem bebês que não serão buscados por seus pais biológicos.

Da 4w (em inglês)

 

BioTexCom is a Ukraine-based agency specializing in “human reproduction”, according to their website. The company is a favorite agency among Spanish parents who wish to have a biological child but have fertility issues.

A Twitter user has posted a grim account of their business practices, with pictures of several babies in a nursery, in what looks like a hospital setting. The tweet, by user @gmm223, was made at the end of March and went viral. It was shared thousands of times on the social media platform after the newspaper Publico published a news piece about some of the measures taken by Ukraine to repatriate citizens stranded in Spain.

The human reproduction center claims to offer, among other means of assistance in reproduction, surrogacy to those who can pay for it. Surrogacy is illegal in Spain, which causes families to seek women to exploit in other countries.

But in 2020, the world is facing a pandemic. Ukraine, like many other countries, closed its borders and put the country in lockdown to try and stop the spread of COVID-19.

In the middle of the chaos, would-be parents who hired a surrogate to have a baby were left with no way of traveling to Ukraine to collect the child. In an update on the agency’s website, there is a lengthy and detailed account of the current situation, showing pictures of the newborn children who are awaiting to be picked up by their biological parents. The children are born stateless, stored in hotels and private homes with no official legal guardian.

BioTexCom, which charges about $50,000 per baby, has previously been implicated in a series of scandals including human trafficking. The surrogacy industry in Ukraine has so little oversight that experts have claimed, “it’s as if there were no regulations at all.”

Publico reports that Ukraine set up a few flights from Spain to bring back Ukraine nationals. Some of these flights will be used by Spanish citizens to go to Ukraine and collect some of the babies. But not all of them will be collected, and many will remain in Ukraine in hotels or private homes with paid babysitters.

The update on BioTexCom website also reveals that the costs of maintaining a child in the center has been reduced from 50 euros to 25, supposedly to help those parents who might have lost or had their livelihoods reduced due to the closing of non-essential businesses during confinement. Other measures the center has taken are the possibility of signing contracts online. There also seems to be a “standard” contract in which parents send 90 euros for clothing for the baby.

But despite the clinic being on quarantine, they assure their customers and prospective clients that business is open as usual, which begs the question: how are they working in quarantine with surrogates? What are the social distancing measures and other medical requirements being taken to ensure those women are being protected from COVID-19?

There’s also the matter of the babies themselves, who are being kept by nurses and midwives. According to the information available on the BioTexCom website, there are 46 babies there who could not be collected so far because the parents could not travel to Ukraine.

The women who gestated and gave birth to them, besides all the risks they faced to have them, are now facing two different fates: either they will not receive the money promised for this “service” and will have to choose to leave the child in foster care, or they will be raising a child who was not planned for themselves. Either way, it’s a grim outcome for women who largely turned to the industry out of financial desperation.

The women’s rights movement has been warning the world about the “womb rental” market for some time now, and it seems that the worst fears of many feminists have materialized. Commercial surrogacy is an example of women’s exploitation that has been overlooked by many governments around the world, or ignored as a non-issue. Many politicians seem to still believe that having a biological child is just another human right, and many places are legalizing this practice, like the UK has, very recently.

But a closer look into what really happens when surrogacy is legalized or allowed reveals a darker side to the story. Women who became surrogates have died while gestating a child for other parents. In some places, the “baby factories” have been known to kidnap women and take them hostage for months for the IVF procedure, forcibly keeping the pregnant women in their premises until they give birth. Some accounts have revealed that, in the crudest “businesses”, women are raped until they get pregnant. Many of them are also forced to breastfeed the babies for months until the children can be collected by the biological parents.

Julie Bindel, a prominent British radical feminist and journalist, has been writing about surrogacy for decades. In her latest piece for Unherd this year, she talks about the many places she visited over the years, talking to the staff of “baby factories” in India, where women told her, first hand, how they were detained together and only had something to drink or eat when their captors allowed them to.

She also explains that it doesn’t matter where womb rental is legalized – the women caught up short of money who offer their wombs for surrogacy are dehumanized, like the American woman she talked to, who wanted to start her own business and saw an advertisement on the internet. The mother of two later recalled the horrors of the process, when she was implanted with two fertilized eggs without her knowledge, for a better chance of getting pregnant, and ended up with twins, one of which she was told she had to terminate because the biological parents only wanted one child.

In the case of this Ukrainian agency, there is also an increasing risk that many clients will not ever come to collect their child. The foreign parents, unable to travel to Ukraine now may refuse to collect the child after they are months old, claiming they are “older” than they had desired – and paid for. This is one of the “benefits” of womb rental: not only to ensure a biological child, but also to have a newborn baby, which has been an issue to foster agencies for many years now. Research has shown that prospective adoptive parents have a preference for young babies (among other traits, such as skin color) and that older children are usually hard to place as many people fear getting a child who might be “psychologically challenging”.

BioTexCom claims to guarantee the safety of the babies born in the center with a team of babysitters with “a medical education”. Publico reports that the staff have been in lockdown with the babies for 30 days, unable to see their own families.

Although BioTexCom claims to be ensuring the rights of babies born “for foreign couples in Ukraine”, this is resulting in a lack of oversight. The reality is that these babies were born to Ukrainian women in Ukraine, but a gap in the law is allowing BioTExCom to get away with their unethical practices. The children born in confinement had not been “released” from hospital, therefore they don’t need to be registered. That made them children without a country.

As in many other areas of our society, the pandemic has exposed a deeply flawed system⁠—one where both women and children are treated as nothing more than objects for consumption.⁠

Licensed under CC By-SA 4.0, Andreia Nobre


Prefeitura de SP libera gestantes e pacientes em tratamento de doenças graves do rodízio

Decreto municipal já isentava motos, táxis, profissionais de saúde, setor de abastecimento e veículos de imprensa, mediante cadastro. As grávidas e doentes em tratamento também precisam solicitar a isenção pelos canais eletrônicos criados pela prefeitura.

Do G1 SP

 


Rodízio de veículos com regras mais rígidas começou na segunda (11) em São Paulo. — Foto: Willian Moreira/Futura Press/Estadão Conteúdo
Rodízio de veículos com regras mais rígidas começou na segunda (11) em São Paulo. — Foto: Willian Moreira/Futura Press/Estadão Conteúdo

A Prefeitura de São Paulo ampliou nesta quinta-feira (14) para grávidas e pacientes em tratamento de doenças graves a isenção do esquema de rodízio ampliado emergencial, implementado como medida de combate ao coronavírus na capital paulista.

O decreto que ampliou e restringiu ainda mais o rodízio já isentava motos, táxis, profissionais de saúde, o setor de abastecimento de energia, água e gás, e veículos de imprensa mediante cadastro (leia mais abaixo). A multa é de R$ 130 para quem desrespeitar a regra, além da perda de quatro pontos na CNH.

A gestão Bruno Covas (PSDB) considerou que grávidas e pacientes em tratamento de doenças graves também necessitam de constante descolamento para chegar a consultas e procedimentos médicos, e os incluiu nas isenções.

A alteração do decreto do rodízio emergencial, publicada nesta quinta no Diário Oficial, também inclui:

  • veículos que realizam os serviços públicos de limpeza urbana;
  • veículos que realizam segurança privada e escolta autorizados pela Polícia Federal;
  • veículos de manutenção de equipamentos utilizados em atividades essenciais;
  • veículos para atendimento de emergência comprovada.

Apesar de alguns usuários relatarem problemas para pedir isenção do rodízio especial, a Prefeitura diz que a solicitação de isenção continua sendo feita pelo e-mail isencao.covid19@prefeitura.sp.gov.br, acessando o Portal SP 156 ou pelo site criado pela CET para esses cadastros. As grávidas e doentes em tratamento também precisam se inscrever por esses canais.

Cidade de SP tem terceiro dia de rodízio de carros, mas taxa de isolamento cai
Cidade de SP tem terceiro dia de rodízio de carros, mas taxa de isolamento cai

O Departamento de Operação do Sistema Viária (DSV) esclarece que as novas isenções se restringem aos veículos utilizados nas atividades essenciais, e não inclui os carros particulares dos trabalhadores.

O decreto também destaca que quem considerar que deve recorrer de uma autuação, como condutores que necessitaram se deslocar para uma emergência, podem recorrer da multa pelas vias de defesa já existentes, indicadas quando do recebimento da notificação de autuação. pode fazer a defesa on-line ou pelos Correios, como já ocorria antes da pandemia.

Rodízio mais restritivo

Desde segunda-feira (11), a Prefeitura de São Paulo limitou a circulação de carros na cidade por meio de um esquema de rodízio ampliado e mais restritivo. Em coletiva de imprensa, Bruno Covas disse que o objetivo é ampliar o isolamento social e “evitar ter que decretar lockdown”.

Carros com placas de final par só podem rodar em dias da semana pares, e veículos com final ímpar, nos dias ímpares. A medida vale para toda a cidade, não apenas o centro expandido, durante as 24 horas do dia, inclusive aos sábados e domingos.

O rodízio ampliado resultou em redução do número de carros e congestionamento próximo de zero, mas a taxa de isolamento social na capital registrou queda e se mantém em 48% de adesão. Depois de pedir 70% de isolamento, o governo municipal espera ao menos alcançar entre 55% a 60%.

Veja abaixo quem também é isento do rodízio:

  • transportes coletivos e de lotação, devidamente autorizados a operar o serviço;
  • guinchos, devidamente autorizados a operar o serviço;
  • veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento,
  • veículos de polícia, fiscalização, operação de trânsito e ambulâncias, devidamente identificados.

Veículos utilizados em serviços públicos essenciais das áreas:

  • Defesa Civil;
  • Forças Armadas;
  • fiscalização e operação de transporte de passageiros;
  • funerários;
  • penitenciários;
  • dos Conselhos Tutelares;
  • assistência social
  • do Poder Judiciário.

Outros serviços públicos:

  • veículos utilizados no transporte de materiais necessários a campanhas públicas e na prestação de serviço social;
  • veículos utilizados na segurança do transporte ferroviário e metroviário, bem como os destinados à manutenção de emergência desses sistemas, devidamente identificados;
  • veículos de empresas públicas para atendimento de emergências químicas devidamente identificados.

Veículos particulares pertencentes a:

  • servidores que exerçam atividade de segurança pública e fiscalização administrativa;
  • servidores e contratados do serviço funerário e da assistência social.

 

Fiocruz disponibiliza download de 182 livros para quarentena

Do Hypeness

Em um momento em que o conhecimento científico e os estudos se confirmam ainda mais como a diferença entre vida e morte como o da pandemia, a disponibilização de tais literaturas pode tanto sanar nossas curiosidades quanto podem servir de base para a criação de novos e importantes saberes científicos. Para disponibilizar informação e incentivar tais estudos em tempos de quarentena, a Editora Fiocruz, especializada em literatura científica da saúde ligada à Fundação Oswaldo Cruz, disponibilizou através da Rede SciELO e da Arca, repositório institucional da Fiocruz, 182 livros científicos para download.

Com acesso fácil e sem custos, a oferta inclui publicações sobre temas de agudo interesse público no contexto da pandemia, como a gripe espanhola, o SUS, políticas de saúde pública, outras epidemias e mais. Os textos, de autoria de pesquisadores, professores, especialistas e gestores, são oferecidos em formatos para leitores de e-book, tablets, smartphones e nos computadores.

A iniciativa visa reforçar e colocar em prática a missão da editora, de divulgar e ampliar o acesso ao conhecimento científico produzido nas mais diversas áreas de saúde. Além dos 182 volumes disponibilizados para download gratuito, o restante dos 285 títulos da editora entram em promoção especial: são 103 livros à venda com 40% de desconto, em plataformas e lojas como Amazon, Google Play e Kobo Books.

Sede da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro

© fotos: divulgação/reprodução

 

ONU afirma que a crise do coronavírus causará 7 milhões de gravidezes não planejadas e 31 milhões de casos de violência de gênero

Do Business Insider (em inglês).

Mother and little daughter wearing surgial mask - stock photo
In these crises, women take most of the brunt economically. Getty Images / ediebloom
  • The coronavirus will have a globally disastrous impact on women, according to data from the United Nations’ sexual and reproductive health agency.
  • If lockdown continues for six months, the UNFPA report forecasts it will result in 7 million unplanned pregnancies and 31 million gender-based violence cases.
  • The report also indicates there will be a surge in cases of child marriage and female genital mutilation.
  • The UNFPA’s deputy executive director, Dr. Ramiz Alakbarov described the report’s findings as “a catastrophe within a catastrophe.”

The coronavirus will have a devastating impact on women worldwide, according to a report from the United Nations Population Fund (UNFPA), which is the United Nations’ sexual and reproductive health agency.

As the COVID-19 pandemic ravages nations across the globe, health systems continue to be overloaded — facilities remain closed down or continue to limit the services they offer, including services to women and girls.

The UNFPA report suggests COVID-19 is already having a profound impact on women across the globe, with many women choosing to skip crucial medical checkups through fear of contracting the virus.

Female doctor teaching How to wearing Surgical mask for protect Covid-19 (coronavirus) and pm 2.5 air pollution - stock photo
70% of the health workforce is comprised of women. Getty Images / skaman306

However, the outcomes for women and their respective communities don’t stop there.

Speaking with Business Insider, UNFPA’s deputy executive director, Dr. Ramiz Alakbarov said: “Globally, roughly 70% of the health workforce is comprised of women. At the moment, there’s more risk of women being exposed [to the coronavirus] as a frontline worker.”

“These issues aren’t exclusive to the developing world. Inequality is less pronounced in the developed world but it’s still there. It’s a catastrophe,” said Alakbarov. “Women are the first to lose their jobs during these crises, they’re the first to stand up for the family, they take most of the brunt economically. But this report is a catastrophe within a catastrophe.”

The pandemic is having a profound effect on women’s health

The number of cases of women without access to family planning, facing unplanned pregnancies, and gender-based violence could skyrocket by millions in the months to come.

“The pandemic is deepening inequalities, and millions more women and girls now risk losing the ability to plan their families and protect their bodies and their health,” said Dr. Natalia Kanem, UNFPA Executive Director.

“Women’s reproductive health and rights must be safeguarded at all costs,” Kanem said. “The services must continue; the supplies must be delivered, and the vulnerable must be protected and supported.”

If lockdown continues for six months, seven million unplanned pregnancies are expected

Access to family planning is a human right, but it also saves lives and promotes healthier populations: on a national scale, it can bolster the efficiency of both healthcare systems and economies.

As part of social distancing measures, many healthcare facilities have closed. Medical staff usually at the disposal of family planning services have had to rechannel their efforts into other areas of the healthcare system to help battle the pandemic.

WUHAN, CHINA - FEBRUARY 21: A nurse holding a baby in a private obstetric hospital on February 21, 2020 in Wuhan, Hubei, China. Due to the shortage of medical resources in Wuhan, many pregnant women choose to give birth in private hospitals. World Health Organization (WHO) Director-General Tedros Adhanom Ghebreyesus said on January 30 that the novel coronavirus outbreak has become a Public Health Emergency of International Concern (PHEIC). (Photo by
UNFPA projections suggest limited access to contraceptives would result in seven million unplanned pregnancies. Getty Images / Stringer / Stringer

In addition, there is understandable hesitation among women to visit those healthcare facilities that remain open, due to concerns about COVID-19 exposure and lack of PPE. It is evident that the pandemic has already hampered women’s access to and continued use of contraception.

As well as the direct impact of social distancing measures on women’s access to contraceptives, global supply chain disruptions may also lead to significant shortages of contraceptives.

It will continue to do so the longer lockdown continues: for every three months the lockdown continues, up to an additional two million women may be unable to access modern contraceptives.

If the lockdown carries on for six months, 47 million women in 114 low- and middle-income countries may not be able to access modern contraceptives — UNFPA projections suggest this would result in 7 million unintended pregnancies.

WUHAN, CHINA - FEBRUARY 19: A doctor examines a pregnant woman in a private obstetric hospital on February 19, 2020 in Wuhan, Hubei, China. Due to the shortage of medical resources in Wuhan, many pregnant women choose to give birth in private hospitals. World Health Organization (WHO) Director-General Tedros Adhanom Ghebreyesus said on January 30 that the novel coronavirus outbreak has become a Public Health Emergency of International Concern (PHEIC). (Photo by Getty Images)
Unplanned pregnancies could have serious repercussions. Getty Images / Stringer / Stringer

Alakbarov told Business Insider that unintended pregnancies can have serious repercussions even when family planning is available.

“As well as resulting in an increased risk of abortions, hemorrhages, and miscarriages,” he explained, “unwanted pregnancies effectively raise maternal mortality. Children and households will be left without mothers. It launches up a whole vicious circle.”

The incidence of gender-based violence will soar

Gender-based violence occurs in all countries and economic and social groups.

From domestic abuse to child marriage and female genital mutilation, the UNFPA’s report suggests that, in the next decade, we’ll see a surge not only in the number of cases but also in the levels of gender-based violence.

For every three months the lockdown continues, an additional 15 million extra cases of gender-based violence are expected, the UNFPA says.

Four-year-old Khadija lies in her family’s temporary shelter in the Regreshan IDP camp in Herat Province, Afghanistan, June 17, 2019. Her father, Abdul Haq, agreed to sell her to a money lender to pay off his debts. The money lender intended to give Khadija to his 15-year-old son to be his child bride. Abdul reneged on the agreement and is still attempting to pay his debts. (Photo by Kate Geraghty/Fairfax Media via Getty Images via Getty Images)
COVID-19 will also hinder efforts to end child marriage. Getty Images / Fairfax Media / Contributor

Were the lockdown to continue for another six months, efforts that would otherwise have prevented many instances of gender-based violence would be thwarted. The UNFPA indicated it would result in 31 million more cases.

2 million otherwise preventable cases of FGM will go ahead

Often a precursor to child marriage, early marriage, and forced marriage, an estimated 200 million women alive today have already undergone FGM.

As well as being detrimental to the health of young girls to the point of being life-threatening, FGM dims their prospects and has hefty economic costs, costing around $1.4 billion annually according to the WHO.

The COVID-19 pandemic has already disrupted programs working with the UNFPA against FGM.

A woman protesting during the International Day against... MADRID, SPAIN - 2016/02/06: A woman protesting during the International Day against female genital mutilation . (Photo by Marcos del Mazo/Pacific Press/LightRocket via Getty Images)
An estimated 200 million women alive today have already undergone FGM. Getty Images / Pacific Press / Contributor

Over the next decade, the UNFPA has predicted this delay will result in 2 million female genital mutilation cases that would otherwise have been prevented.

Efforts to prevent 13 million child marriages will be thwarted

Leading up to 2030, COVID-19 will also hinder efforts to end child marriage: the UNFPA has estimated that it could result in an additional 13 million child marriages, depending on how long lockdown continues.

Through challenging social and cultural norms and keeping girls in the education system, many interventions until now have helped reduce the incidence of underage nuptials.

DHAKA, BANGLADESH - 2014/12/03: Woman organizations protest against child marriage in front of Press Club in Dhaka. Child marriage is a big problem in Bangladesh, it now reaches to 66% those who marry before the age of 15 that lead them to many kind of health problems. (Photo by Mohammad Asad/Pacific Press/LightRocket via Getty Images)
Poverty is a key contributory factor in child marriage. Getty Images / Pacific Press / Contributor

Researchers previously predicted such interventions would have reduced the number of child marriages by almost 60 million in the period between 2020 and 2030. Deferring these interventions by just one year, on average, will reduce the number of child marriages averted by around 7.4 million.

Poverty is a key contributory factor in child marriage — the severe worldwide economic fallout anticipated as a result of the pandemic would translate to poverty levels rising in low-income countries where child marriage is most prevalent.

This spike in rates of poverty is expected, in turn, to increase rates of child marriage in vulnerable communities.

The UN anticipates a surge in other forms of violence against women

The COVID-19 pandemic is also expected to increase levels of violence. There are already indications that the incidence of domestic violence incidence is on the rise.

According to research by Counting Dead Women, in the UK alone, at least 16 domestic abuse killings of women and children took place in the initial three weeks of the lockdown. As well as being double the average rate, it was the largest number of killings in a three-week period for 10 years.

According to the UNFPA report, research conducted by Avenir Health showed that a delay in prevention efforts will result in another 2 million more instances of intimate partner violence in 2020-2021. This translates to almost 200 million fewer cases of violence being averted by 2030.

A mother and her child pose in a room in a temporary apartment of the Home association in Paris on November 22, 2016. The Home association, created in 2006, rents 3 apartments and a house in the surburbs of Paris, for a temporary relocation for women aged 18 to 30, victims of domestic violence or in family breakdown. / AFP PHOTO / GEOFFROY VAN DER HASSELT (Photo credit should read
There is understandable hesitation among women to visit those healthcare facilities that remain open. GEOFFROY VAN DER HASSELT/AFP via Getty Images

In the short term, the main driver of this violence is likely to be the effects of stay-at-home orders and movement restrictions, which may increase women’s contact time with violent partners.

Mounting household tensions and economic stresses may also be a contributory factor.

For an average lockdown duration of three months, projections suggest that if violence increases by 20%, there will be another 15 million cases of intimate partner violence in 2020.

This figure will jump to 31 million cases for an average lockdown of six months and 61 million if the average lockdown period were to be as long as one year.

Developing and developed countries will be impacted

Women’s suffering will have knock-on effects on their communities and entire countries’ economies.

Alakbarov also highlighted that communities outside of developing countries would be affected, saying: “These effects on women will also put pressure on diaspora communities outside of economically developing countries.”

“The map of COVID-19 is a map of poverty, of social exclusion, of lack of investment in social and economic development and its prioritization,” he added.

The UNFPA is working with governments to prioritize the needs of women and girls of reproductive age and to respond urgently during the challenging public health emergency.

Nurse washing hands to avoid Covid 19 virus. - stock photo Nurse doing hand hygiene to prevent Coronavirus infection.
At the moment, there’s more risk of women being exposed to the coronavirus as frontline workers. Getty Images / HRAUN

Alakbarov said that, in order to tackle the structural inequalities girls and women face, individuals, nations, and businesses all need to reconsider their roles.

“Reprioritization of national budgets is needed,” he stressed. “Governments have to reconsider [their priorities], as well as citizens and private sectors. If we don’t over the next six months, we will see the above projections come to fruition.”

“This crisis has shown us that the true threat to national security doesn’t come from military sources; it comes from underinvestment in basic social goods and social services. Women should be a priority,” Alakbarov said.

“Every dollar invested in women’s education and health brings back three dollars to the economy,” said Alakbarov. “It’s pretty much the smartest investment any government or society can make.”

Hospitais descumprem Lei de Acompanhante no parto

Desrespeito faz com que mulheres passem horas sozinhas antes de dar à luz. Defensoria Pública questiona restrição, tomada pelos riscos da covid-19

Do Plural

A cena tem sido frequente nas maternidades e hospitais públicos de Curitiba. A gestante entra em trabalho de parto e procura uma instituição de saúde, onde o acompanhante é barrado na recepção. A gestante então é obrigada a lidar, por horas, sem qualquer tipo de suporte emocional, com as dores e a carga física e psicológica de um trabalho de parto.

Impedir a gestante de ter um acompanhante durante o nascimento do seu filho vai contra a lei. A legislação assegura que as mulheres tenham a presença de uma pessoa da sua escolha durante todo o período de internamento, que inclui o trabalho de parto, o nascimento e o pós-parto. No Paraná, a violação do direito ao acompanhante também é entendida com um tipo de violência obstétrica, conforme prevê lei específica, aprovada em 2018.

Após receberem uma série de denúncias, tanto de famílias quanto de profissionais de atendimento ao parto, as Defensorias Públicas do Paraná e da União enviaram ofício a nove maternidades e hospitais públicos e particulares de Curitiba. A recomendação é que se cumpra a Lei do Acompanhante.

As instituições mais citadas nas denúncias são públicas: Hospital de Clínicas (HC), Maternidade Mater Dei, Hospital Evangélico Mackenzie e Hospital do Trabalhador (HT).

Acompanhante não é visita

“Todos os organismos internacionais alertam que em situações de crise é comum que haja uma restrição maior dos direitos das mulheres”, afirma Lívia Salomão Brodbeck, coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), da Defensoria Pública do Paraná. “Acompanhante não é a mesma coisa que visita. Existem dados clínicos e científicos que indicam os benefícios do acompanhante para o bebê e para mãe, no parto e no pós parto”, destaca Lívia. Isso diminui o tempo de trabalho de parto e a necessidade de partos instrumentalizados, em que é necessário o uso de fórceps, por exemplo. Também reduz a dor e a exaustão materna e melhora os índices de amamentação.

“Além disso, existem cuidados no pós-parto que exigem o acompanhante. Uma mulher que acabou de sair de uma cesárea não consegue se dedicar ao bebê se não tiver uma pessoa com ela no quarto. E a gente sabe que as equipes de enfermagem não dão conta de cuidar de todos os bebês”, alerta a coordenadora.

Sozinhas

Foto: Luciana Zenti

Foi o que aconteceu com Isabela*. Seu bebê nasceu no dia 30 de março no Hospital Evangélico. Ela fez o internamento às 5h30, mas a cesárea só foi realizada nove horas depois. Durante todo esse período, em que ela já sentia contrações, seu marido permaneceu na recepção do hospital. “Ele só foi chamado no momento em que nosso filho ia nascer. Mas a parte mais difícil foi o período após a cesárea em que fiquei sem ele na enfermaria e passei muito mal. Tive que cuidar da bebê sozinha e estava com muita dor. Chegou uma hora em que eu não conseguia nem mais segurar minha filha e tive uma crise de choro e desespero”, lembra a mãe.

A mesma sensação de desamparo é relatada por Jéssica*, que teve seu filho no dia 23 de março na Maternidade Mater Dei. “Senti muita dor e medo durante o trabalho de parto. Me senti sozinha, abandonada”, diz. “Assim que chegamos, fomos informados de que eu não poderia acompanhar o parto e que seria avisado quando ele nascesse”, conta o marido. “Foi muito difícil. Na hora em que ela mais precisava da minha ajuda, não teve. Ela me pediu várias vezes pelo celular para eu ir até lá, para levá-la embora. Mas eu não pude fazer nada”.

Depois de muita insistência, ele acabou sendo autorizado a ver o filho nascer. “Entrei na sala cinco minutos antes do nascimento. Por pouco eu não perdi”.

Nos outros dois dias do internamento, Jéssica ficou sozinha, sem sequer receber a visita do marido. “Só voltei a segurar meu filho no colo quando fui buscá-lo no hospital”, lamenta o pai.

Superlotação

Histórias como essas também têm sido relatadas no Hospital de Clínicas (HC). Além dos problemas que envolvem a covid-19, o hospital vem sofrendo com a superlotação. Após o fechamento da Maternidade Victor Ferreira do Amaral, em março, o HC passou a receber um número de gestantes muito superior à sua capacidade de atendimento.

À medida que o problema de superlotação foi se agravando e os casos de covid-19 foram aumentando na cidade, a presença dos acompanhantes no parto foi ficando mais restrita. Atualmente, ela só é permitida no momento em que o bebê está nascendo.

“É muito difícil ver uma mulher em trabalho de parto, com dores, pedindo pelo marido ou a mãe, e eu precisar dizer que não é possível”, revela uma enfermeira, que preferiu não se identificar. “Acabo sendo a porta-voz do desrespeito a um direito da mulher”, relata. “Infelizmente há muitas gestantes para serem atendidas e não temos equipe suficiente para estar ao lado delas o tempo todo. A gente orienta para que apertem o botão da campainha se precisarem, mas e se ela passar mal e nem conseguir apertar esse botão? Eu tenho vivido em estado de choque com essa situação”, desabafa.

Sem acompanhante e com as equipes sobrecarregas por causa da superlotação, pedir por ajuda e atendimento nem sempre é uma tarefa fácil. Bruna*, que teve seu parto na Maternidade Mater Dei, foi internada com a promessa de que o marido poderia entrar na hora do parto. Mas não aconteceu. “Fiquei totalmente abandonada. Minha bolsa rompeu, tentei chamar a equipe, mas ninguém veio. Foi quando meu filho começou a nascer e eu gritei que a cabeça estava saindo. Claro que nem deu tempo de chamar meu marido. Só fui vê-lo depois que recebi alta”, ressalta ela. “Passei por momentos terríveis sozinha.”

Na Justiça

No Hospital do Trabalhador (HT), o acompanhante foi proibido em todos os momentos do parto assim que os primeiros casos de coronavírus foram confirmados em Curitiba. A orientação foi revista e atualmente é possível estar presente apenas no nascimento.  A Lei do Acompanhante prevê que a mulher tenha a presença de alguém escolhido por ela durante todo o tempo em que estiver internada. A permissão dos hospitais para a entrada apenas na hora do nascimento não caracteriza o cumprimento da legislação.

Direito nem sempre é garantido. Foto: Luciana Zenti

Nesta semana, após uma gestante ingressar com uma ação judicial contra o hospital, foi concedido, em caráter liminar, o direito ao acompanhante antes, durante e até 24 horas após o parto. A ação foi ajuizada pela Defensoria Pública do Estado do Paraná, com apoio técnico do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem).

A gestante havia sido informada pelo HT de que a presença do marido só seria permitida durante o parto, já no Centro Cirúrgico, e no período de visita – das 13h às 19h. A decisão da juíza Letícia Marina Conte levou em conta que a parturiente, caso dê à luz após às 19h, poderia ficar sem assistência familiar até às 13h do dia seguinte. A Defensoria argumentou que o acompanhante não pode ser considerado visita e que a presença dele, além de garantida por lei, é recomendada pelas Secretarias Municipal e Estadual da Saúde e pelo Ministério da Saúde.

De acordo com o governo federal, o acompanhante deve ser autorizado desde que assintomático e fora dos grupos de risco para a covid-19. Mesmo as mulheres infectadas têm direito a acompanhante, desde que seja alguém próximo a ela. Em qualquer situação, não deve haver revezamentos e os acompanhantes devem ficar restritos ao local de assistência, sem circulação nas demais dependências do hospital.

Falta de EPIs

A Secretaria de Saúde de Curitiba esclarece que o Decreto Municipal 470/2020 proíbe visitas hospitalares como medida de controle de disseminação da covid-19, mas assegura que os direitos de acompanhamentos previstos em lei, como o parto ou a cesárea, sejam respeitados.

A Secretaria diz que não recebeu o ofício da Defensoria Pública do Paraná e, portanto, não irá se manifestar neste momento. Atualmente, as gestantes atendidas pelo Município são encaminhadas ao Hospital Evangélico e à Maternidade Mater Dei.

A Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa) também recomendou, em nota orientativa divulgada no dia 28 de abril, que a legislação seja respeitada em todas as regionais de saúde do Estado. Para isso, tanto a gestante quanto o acompanhante devem ser informados sobre os cuidados a serem tomados para preservar a saúde deles e dos profissionais da assistência. O acompanhante não pode apresentar sintomas respiratórios nem estar no grupo de risco para quadros graves de coronavírus. Caso isso ocorra, deve ser substituído por outra pessoa de escolha da mulher.

No entanto, a Assessoria de Comunicação da Sesa afirma que cada unidade poderá decidir sobre essa orientação, de acordo com sua própria realidade.

Em relação ao HT, a direção do hospital respondeu, em nota, que presta atendimento direto a casos de covid-19 e, portanto, entende que o direito coletivo de proteção deve prevalecer sobre o individual. Para que o acompanhante fosse autorizado durante todo o internamento e trabalho de parto, o hospital precisaria disponibilizar equipamentos de proteção individual (EPIs) de difícil aquisição neste momento. Além disso, seriam gerados custos adicionais não previstos pelo hospital.

Até o fechamento desta reportagem, a Assessoria de Imprensa do Hospital de Clínicas (HC) não respondeu à reportagem.

*Os nomes foram trocados a fim de proteger a identidade das fontes.

Parto em casa, grupos de apoio e paciência. Grávidas driblam medo do vírus para viver a alegria de ser mãe

Visitas foram substituídas por vídeochamadas com familiares e amigos. “Todos estão conhecendo o Joaquim pela Internet”, conta Emmanuelle, que fez o parto do seu filho há duas semanas

Joana Frazão e seu marido recebem a filha  Luiza, nascida em casa.
Joana Frazão e seu marido recebem a filha Luiza, nascida em casa. Foto: Lela Beltrão

Do El País

Priscila Rocha Nunes, de 37 anos, descobriu em março que estava grávida de três meses. Em meio à pandemia de coronavírus, a boa notícia veio com uma grande preocupação. Mãe de dois filhos e usuária do Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo, ela ainda não conseguiu começar o pré-natal, porque as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e hospitais públicos estão lotados com casos de covid-19 e não estão marcando consultas ou realizando exames. “Fui na UBS perto de casa e não me atenderam. Como faço uso de medicação controlada, me encaminharam para o Hospital São Luiz Gonzaga , mas não consegui marcar a consulta nem os exames gestacional e morfológico lá”, conta Priscila ao EL PAÍS, referindo-se aos exames essenciais que devem ser feitos no início da gestação.

Ansiosas e isoladas, as grávidas da pandemia têm se apoiado mutuamente através de grupos no WhatsApp e nas redes sociais. Trocam informações, tiram dúvidas umas das outras e celebram a vida e a saúde de seus filhos. “Esses grupos estão me ajudando muito. No início, por exemplo, eu tinha receio de amamentar e passar alguma coisa para ele, mas as outras mães me explicaram que pode, sim”, conta,

Priscila Rocha Nunes, de 37 anos, descobriu em março que estava grávida de três meses. Em meio à pandemia de coronavírus, a boa notícia veio com uma grande preocupação. Mãe de dois filhos e usuária do Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo, ela ainda não conseguiu começar o pré-natal, porque as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e hospitais públicos estão lotados com casos de covid-19 e não estão marcando consultas ou realizando exames. “Fui na UBS perto de casa e não me atenderam. Como faço uso de medicação controlada, me encaminharam para o Hospital São Luiz Gonzaga , mas não consegui marcar a consulta nem os exames gestacional e morfológico lá”, conta Priscila ao EL PAÍS, referindo-se aos exames essenciais que devem ser feitos no início da gestação.

Ansiosas e isoladas, as grávidas da pandemia têm se apoiado mutuamente através de grupos no WhatsApp e nas redes sociais. Trocam informações, tiram dúvidas umas das outras e celebram a vida e a saúde de seus filhos. “Esses grupos estão me ajudando muito. No início, por exemplo, eu tinha receio de amamentar e passar alguma coisa para ele, mas as outras mães me explicaram que pode, sim”, conta, aliviada, Jennifer Almeida, grávida do primeiro filho, que vai nascer a qualquer momento, em Salvador.

As videochamadas com parentes e amigos substituíram as visitas às mães e aos recém-nascidos. “Todo mundo está conhecendo Joaquim pela internet”, ri Emanuelle Silva, de 37 anos, que teve o primogênito há duas semanas, em Salvador. Os avós de Luiza, filha de Joana Frazão, também só conhecem a neta por fotos e vídeos. “Eles iriam vir de Recife para São Paulo, mas não deu certo. Pelo menos a tecnologia ajuda a gente a ficar mais perto”, diz ela.

Sem acesso à atenção médica, Priscila faz o que pode para cuidar da saúde: está em quarentena em casa com os dois filhos e o marido —comerciante que está sem trabalhar devido ao isolamento social, uma das razões pelas quais a família não pode pagar por consultas e exames particulares—. “Outro dia, passei mal, fui para o pronto-socorro, e tinha uma grávida lá com covid-19. Isso só aumentou meu medo e minha ansiedade”, conta ela. Priscila entrou em contato com a ouvidoria da Prefeitura de São Paulo (telefone 156) e foi informada de que teria uma resposta sobre suas consultas e exames em até um mês. “Nunca pensei que fosse passar por algo assim”, lamenta ela. Procurada pelo EL PAÍS, a prefeitura afirmou, em nota, que “estão mantidas todas as consultas e procedimentos de pré-natal e de puerpério”, bem como o atendimento ao aborto legal. O Ministério da Saúde incluiu, em 13 de abril, gestantes e puérperas (que deram a luz nos últimos 45 dias) no grupo de risco de complicações por covid-19.

A enfermeira e estudante de Medicina de Brasília Ana Carolina Ferreira, de 36 anos, que teve filho há um mês, conta que só saía de casa para as consultas e que o parto, realizado com plano de saúde, foi complicado. “Todas as maternidades estavam lotadas. Muitas mulheres estão antecipando as cesarianas por medo do pico de contágio”, conta.

Joana Frazão, de 31 anos, driblou esse estresse ao optar pelo parto em casa. “Nunca gostei de hospital, muito menos agora, com todos os riscos de contágio”, diz a pernambucana residente em São Paulo. Ela, que já tinha recebido Vitor, de um ano e nove meses, em parto domiciliar, fez o mesmo para a chegada de Luiza, há um mês. “Da primeira vez, que foram 28 horas de trabalho de parto, fiquei mais tranquila do que agora, que foram sete horas, porque estava muito tensa, só pensava ‘tomara que minha filha nasça em casa”, relata. No final, deu tudo certo. Joana teve que ser transferida para um hospital, porque a placenta ficou retida. “Meus filhos ficaram com o pai e a parteira me acompanhou. Foi muito tenso ir para o hospital. Na volta, tirei toda a roupa na garagem de casa e só peguei meus filhos depois de tomar banho”, conta ela, que, para driblar a ansiedade provocada pela pandemia, parou de ler jornais e assistir televisão.

O aumento da ansiedade parece ser um fator comum entre gestantes e puérperas, independente do acesso à saúde. “Diferente do que acontece normalmente com as grávidas, a ansiedade agora está ligada a uma diminuição nas idas ao pronto-socorro. Em alguns casos, o medo de contágio é tão grande que elas não querem ir ao hospital de jeito nenhum, nem quando precisam. Nós é que temos que conscientizá-las de que é importante”, diz Ana Cristina Duarte, obstetriz e diretora do Coletivo Nascer, especializado em parto humanizado hospitalar.

À angústia, soma-se a solidão, já que a maioria dessas gestantes e mães não pode contar com o apoio presencial de familiares e amigos. “Gostaria de estar com minhas irmãs e minhas amigas. É um contato que faz falta até para dúvidas sobre como cuidar do umbigo do recém-nascido”, diz Emanuelle. “É a pior época para estar grávida”, resume Giovana Balogh, autora do blog Mães de Peito e mãe de Bento (9 anos), Vicente (7 anos) e Teresa, que deve nascer nos próximos dias. “O pior de tudo é a solidão, porque todo mundo está em pânico, todo mundo está vivendo essa crise, mas as gestantes, de certa forma, estão sozinhas. Só de pensar em sair de casa para fazer um exame já dá uma tensão. Tento pensar em um dia de cada vez, para não enlouquecer”, desabafa. Ela diz que, desde o início da epidemia de coronavírus no Brasil, já se considerava um grupo de risco. Eu mesma tomei a decisão de parar de sair de casa, mas a medida do Ministério da Saúde foi importante para afastar grávidas do trabalho, principalmente aquelas que trabalham mais expostas, em hospitais ou supermercados, por exemplo”.

Giovana terá um parto domiciliar, em Mogi das Cruzes (SP) com o acompanhamento de duas enfermeiras obstetras, mas lamenta que sua mãe não possa estar presente. “Quando eu tive meus dois outros filhos, em São Paulo, minha mãe morava longe e foi ficar comigo. Hoje, estamos a 15 minutos uma da outra e ela não poderá estar comigo. O dia em que eu lavei o enxoval da Teresasenti falta dela. Era um momento que tinha imaginado viver juntas”, conta.

aliviada, Jennifer Almeida, grávida do primeiro filho, que vai nascer a qualquer momento, em Salvador.

As videochamadas com parentes e amigos substituíram as visitas às mães e aos recém-nascidos. “Todo mundo está conhecendo Joaquim pela internet”, ri Emanuelle Silva, de 37 anos, que teve o primogênito há duas semanas, em Salvador. Os avós de Luiza, filha de Joana Frazão, também só conhecem a neta por fotos e vídeos. “Eles iriam vir de Recife para São Paulo, mas não deu certo. Pelo menos a tecnologia ajuda a gente a ficar mais perto”, diz ela.

Sem acesso à atenção médica, Priscila faz o que pode para cuidar da saúde: está em quarentena em casa com os dois filhos e o marido —comerciante que está sem trabalhar devido ao isolamento social, uma das razões pelas quais a família não pode pagar por consultas e exames particulares—. “Outro dia, passei mal, fui para o pronto-socorro, e tinha uma grávida lá com covid-19. Isso só aumentou meu medo e minha ansiedade”, conta ela. Priscila entrou em contato com a ouvidoria da Prefeitura de São Paulo (telefone 156) e foi informada de que teria uma respo

Priscila Rocha Nunes, de 37 anos, descobriu em março que estava grávida de três meses. Em meio à pandemia de coronavírus, a boa notícia veio com uma grande preocupação. Mãe de dois filhos e usuária do Sistema Único de Saúde (SUS) em São Paulo, ela ainda não conseguiu começar o pré-natal, porque as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e hospitais públicos estão lotados com casos de covid-19 e não estão marcando consultas ou realizando exames. “Fui na UBS perto de casa e não me atenderam. Como faço uso de medicação controlada, me encaminharam para o Hospital São Luiz Gonzaga , mas não consegui marcar a consulta nem os exames gestacional e morfológico lá”, conta Priscila ao EL PAÍS, referindo-se aos exames essenciais que devem ser feitos no início da gestação.

Ansiosas e isoladas, as grávidas da pandemia têm se apoiado mutuamente através de grupos no WhatsApp e nas redes sociais. Trocam informações, tiram dúvidas umas das outras e celebram a vida e a saúde de seus filhos. “Esses grupos estão me ajudando muito. No início, por exemplo, eu tinha receio de amamentar e passar alguma coisa para ele, mas as outras mães me explicaram que pode, sim”, conta, aliviada, Jennifer Almeida, grávida do primeiro filho, que vai nascer a qualquer momento, em Salvador.

As videochamadas com parentes e amigos substituíram as visitas às mães e aos recém-nascidos. “Todo mundo está conhecendo Joaquim pela internet”, ri Emanuelle Silva, de 37 anos, que teve o primogênito há duas semanas, em Salvador. Os avós de Luiza, filha de Joana Frazão, também só conhecem a neta por fotos e vídeos. “Eles iriam vir de Recife para São Paulo, mas não deu certo. Pelo menos a tecnologia ajuda a gente a ficar mais perto”, diz ela.

Sem acesso à atenção médica, Priscila faz o que pode para cuidar da saúde: está em quarentena em casa com os dois filhos e o marido —comerciante que está sem trabalhar devido ao isolamento social, uma das razões pelas quais a família não pode pagar por consultas e exames particulares—. “Outro dia, passei mal, fui para o pronto-socorro, e tinha uma grávida lá com covid-19. Isso só aumentou meu medo e minha ansiedade”, conta ela. Priscila entrou em contato com a ouvidoria da Prefeitura de São Paulo (telefone 156) e foi informada de que teria uma resposta sobre suas consultas e exames em até um mês. “Nunca pensei que fosse passar por algo assim”, lamenta ela. Procurada pelo EL PAÍS, a prefeitura afirmou, em nota, que “estão mantidas todas as consultas e procedimentos de pré-natal e de puerpério”, bem como o atendimento ao aborto legal. O Ministério da Saúde incluiu, em 13 de abril, gestantes e puérperas (que deram a luz nos últimos 45 dias) no grupo de risco de complicações por covid-19.

A enfermeira e estudante de Medicina de Brasília Ana Carolina Ferreira, de 36 anos, que teve filho há um mês, conta que só saía de casa para as consultas e que o parto, realizado com plano de saúde, foi complicado. “Todas as maternidades estavam lotadas. Muitas mulheres estão antecipando as cesarianas por medo do pico de contágio”, conta.

Joana Frazão, de 31 anos, driblou esse estresse ao optar pelo parto em casa. “Nunca gostei de hospital, muito menos agora, com todos os riscos de contágio”, diz a pernambucana residente em São Paulo. Ela, que já tinha recebido Vitor, de um ano e nove meses, em parto domiciliar, fez o mesmo para a chegada de Luiza, há um mês. “Da primeira vez, que foram 28 horas de trabalho de parto, fiquei mais tranquila do que agora, que foram sete horas, porque estava muito tensa, só pensava ‘tomara que minha filha nasça em casa”, relata. No final, deu tudo certo. Joana teve que ser transferida para um hospital, porque a placenta ficou retida. “Meus filhos ficaram com o pai e a parteira me acompanhou. Foi muito tenso ir para o hospital. Na volta, tirei toda a roupa na garagem de casa e só peguei meus filhos depois de tomar banho”, conta ela, que, para driblar a ansiedade provocada pela pandemia, parou de ler jornais e assistir televisão.

O aumento da ansiedade parece ser um fator comum entre gestantes e puérperas, independente do acesso à saúde. “Diferente do que acontece normalmente com as grávidas, a ansiedade agora está ligada a uma diminuição nas idas ao pronto-socorro. Em alguns casos, o medo de contágio é tão grande que elas não querem ir ao hospital de jeito nenhum, nem quando precisam. Nós é que temos que conscientizá-las de que é importante”, diz Ana Cristina Duarte, obstetriz e diretora do Coletivo Nascer, especializado em parto humanizado hospitalar.

À angústia, soma-se a solidão, já que a maioria dessas gestantes e mães não pode contar com o apoio presencial de familiares e amigos. “Gostaria de estar com minhas irmãs e minhas amigas. É um contato que faz falta até para dúvidas sobre como cuidar do umbigo do recém-nascido”, diz Emanuelle. “É a pior época para estar grávida”, resume Giovana Balogh, autora do blog Mães de Peito e mãe de Bento (9 anos), Vicente (7 anos) e Teresa, que deve nascer nos próximos dias. “O pior de tudo é a solidão, porque todo mundo está em pânico, todo mundo está vivendo essa crise, mas as gestantes, de certa forma, estão sozinhas. Só de pensar em sair de casa para fazer um exame já dá uma tensão. Tento pensar em um dia de cada vez, para não enlouquecer”, desabafa. Ela diz que, desde o início da epidemia de coronavírus no Brasil, já se considerava um grupo de risco. Eu mesma tomei a decisão de parar de sair de casa, mas a medida do Ministério da Saúde foi importante para afastar grávidas do trabalho, principalmente aquelas que trabalham mais expostas, em hospitais ou supermercados, por exemplo”.

Giovana terá um parto domiciliar, em Mogi das Cruzes (SP) com o acompanhamento de duas enfermeiras obstetras, mas lamenta que sua mãe não possa estar presente. “Quando eu tive meus dois outros filhos, em São Paulo, minha mãe morava longe e foi ficar comigo. Hoje, estamos a 15 minutos uma da outra e ela não poderá estar comigo. O dia em que eu lavei o enxoval da Teresasenti falta dela. Era um momento que tinha imaginado viver juntas”, conta.

sta sobre suas consultas e exames em até um mês. “Nunca pensei que fosse passar por algo assim”, lamenta ela. Procurada pelo EL PAÍS, a prefeitura afirmou, em nota, que “estão mantidas todas as consultas e procedimentos de pré-natal e de puerpério”, bem como o atendimento ao aborto legal. O Ministério da Saúde incluiu, em 13 de abril, gestantes e puérperas (que deram a luz nos últimos 45 dias) no grupo de risco de complicações por covid-19.

A enfermeira e estudante de Medicina de Brasília Ana Carolina Ferreira, de 36 anos, que teve filho há um mês, conta que só saía de casa para as consultas e que o parto, realizado com plano de saúde, foi complicado. “Todas as maternidades estavam lotadas. Muitas mulheres estão antecipando as cesarianas por medo do pico de contágio”, conta.

Joana Frazão, de 31 anos, driblou esse estresse ao optar pelo parto em casa. “Nunca gostei de hospital, muito menos agora, com todos os riscos de contágio”, diz a pernambucana residente em São Paulo. Ela, que já tinha recebido Vitor, de um ano e nove meses, em parto domiciliar, fez o mesmo para a chegada de Luiza, há um mês. “Da primeira vez, que foram 28 horas de trabalho de parto, fiquei mais tranquila do que agora, que foram sete horas, porque estava muito tensa, só pensava ‘tomara que minha filha nasça em casa”, relata. No final, deu tudo certo. Joana teve que ser transferida para um hospital, porque a placenta ficou retida. “Meus filhos ficaram com o pai e a parteira me acompanhou. Foi muito tenso ir para o hospital. Na volta, tirei toda a roupa na garagem de casa e só peguei meus filhos depois de tomar banho”, conta ela, que, para driblar a ansiedade provocada pela pandemia, parou de ler jornais e assistir televisão.

O aumento da ansiedade parece ser um fator comum entre gestantes e puérperas, independente do acesso à saúde. “Diferente do que acontece normalmente com as grávidas, a ansiedade agora está ligada a uma diminuição nas idas ao pronto-socorro. Em alguns casos, o medo de contágio é tão grande que elas não querem ir ao hospital de jeito nenhum, nem quando precisam. Nós é que temos que conscientizá-las de que é importante”, diz Ana Cristina Duarte, obstetriz e diretora do Coletivo Nascer, especializado em parto humanizado hospitalar.

À angústia, soma-se a solidão, já que a maioria dessas gestantes e mães não pode contar com o apoio presencial de familiares e amigos. “Gostaria de estar com minhas irmãs e minhas amigas. É um contato que faz falta até para dúvidas sobre como cuidar do umbigo do recém-nascido”, diz Emanuelle. “É a pior época para estar grávida”, resume Giovana Balogh, autora do blog Mães de Peito e mãe de Bento (9 anos), Vicente (7 anos) e Teresa, que deve nascer nos próximos dias. “O pior de tudo é a solidão, porque todo mundo está em pânico, todo mundo está vivendo essa crise, mas as gestantes, de certa forma, estão sozinhas. Só de pensar em sair de casa para fazer um exame já dá uma tensão. Tento pensar em um dia de cada vez, para não enlouquecer”, desabafa. Ela diz que, desde o início da epidemia de coronavírus no Brasil, já se considerava um grupo de risco. Eu mesma tomei a decisão de parar de sair de casa, mas a medida do Ministério da Saúde foi importante para afastar grávidas do trabalho, principalmente aquelas que trabalham mais expostas, em hospitais ou supermercados, por exemplo”.

Giovana terá um parto domiciliar, em Mogi das Cruzes (SP) com o acompanhamento de duas enfermeiras obstetras, mas lamenta que sua mãe não possa estar presente. “Quando eu tive meus dois outros filhos, em São Paulo, minha mãe morava longe e foi ficar comigo. Hoje, estamos a 15 minutos uma da outra e ela não poderá estar comigo. O dia em que eu lavei o enxoval da Teresasenti falta dela. Era um momento que tinha imaginado viver juntas”, conta.

Parteiras e doulas criam novos serviços e relatam maior interesse no parto domiciliar

Com o pré-natal suspenso em parte dos hospitais do SUS e a possibilidade de não ser permitida a entrada de acompanhante na sala de parto, gestantes têm acessado informações em canais online e buscado alternativas às maternidades

Por Giulliana Bianconi
da Época

Doula em processo de parto domiciliar Foto: Newman Studio / Getty Images/iStockphoto

Enfermeira obstetra no SUS há seis anos, Ariane Teixeira de Santana, 32 anos, é taxativa: “As mulheres estão fugindo dos hospitais nesse momento”. No dia em que falamos ao telefone, ela estava de folga do plantão da maternidade Tsylla Balbino, em Salvador, mas havia passado o dia respondendo a dúvidas de gestantes, de casa, no grupo de Whatsapp que criou desde o fim de março, o Fale com a Parteira Bahia, onde divide com outras 21 enfermeiras espalhadas pelo estado o trabalho voluntário online.

São em média 20 atendimentos por dia para orientar gestantes e também mulheres que acabaram de parir. Não há dia que não surjam novas interessadas em se preparar para o parto longe do ambiente hospitalar. Acostumada a trabalhar com gestantes também fora da maternidade, fazendo partos domiciliares, Ariane me garantiu que a busca nunca foi tão grande.

É compreensível. As grávidas e puérperas estão no grupo de risco da pandemia, por serem mais suscetíveis às complicações do covid-19. Muitas delas, que faziam acompanhamento da gravidez no sistema público, estão desassistidas das consultas e exames de pré-natal desde março, quando hospitais do SUS – não todos – começaram a suspender as consultas de rotina, priorizando atendimentos de emergência e relacionados aos quadros de coronavírus.

Em alguns, já está vetada também a entrada de acompanhante na sala de parto, para reduzir chances de contaminação. A possibilidade de ter de entrar numa sala de parto usando máscara e sem acompanhante passa longe de ser um cenário acolhedor. Somado a isso, o histórico de relatos de violências obstétricas sofridas por mulheres no país – sobretudo mulheres negras, como já mostraram pesquisa e estudos da Fiocruz – é mais um aspecto que pode deixar gestantes apreensivas.

Mas o parto domiciliar não deve ser visto como uma “solução” para todas, alerta a enfermeira. Tudo é bastante sensível, e a preparação para um parto em casa exige muita responsabilidade e cuidados alinhados a protocolos médicos. No grupo online, Ariane diz que as profissionais ajudam as mulheres a digerirem esse momento, mas apenas com respostas a dúvidas e, quando muito, fazem encaminhamentos, indicando as unidades de saúde que devem buscar.

Nada de consultas online, nem estímulos para que as mulheres fiquem em casa para parir. Fora do grupo, ela inclusive tem declinado de alguns pedidos de gestantes que chegam decididas, já com a gravidez avançada, a trocarem o plano “parir no hospital” por “parir em casa”. Ariane me explica o por quê: “A gravidez precisa ter sido acompanhada, a gente tem que saber do histórico dessa mulher nos meses que antecedem o parto e não ter fatores de risco para a saúde dela e do bebê”, enumera.

No dia em que nos falamos, eram 18h e Ariane já havia respondido a quatro mulheres que queriam saber sobre a possibilidade de serem assistidas em casa para o parto. No dia anterior, haviam sido três.

Mas no grupo Fale com a Parteira as mulheres também buscam saber sobre amamentação, tiram dúvidas sobre sintomas do coronavírus. Pergunto se o grupo, que também já existe em Recife, Manaus, Alagoas e Aracaju, deve seguir após a pandemia, e ela me conta que sim, que pelo menos na Bahia as enfermeiras querem fazer desse um serviço permanente.

Em meio a tantas angústias suscitadas por uma crise de saúde gerada pelo novo vírus, é fato que surge um novo suporte para mulheres gestantes no país. Não é o único novo serviço. No Rio de Janeiro, a doula, fisioterapeuta e educadora perinatal Edmila Sta Rita, 30 anos, que há três anos realiza atendimentos de cuidado e educação a gestantes por meio do Ilê Materno, um braço da organização Terapretas, tem assistido ás grávidas remotamente.

Inclusive lançou um aplicativo há poucos dias, gratuito, onde atividades como plano de parto, antes feitas pessoalmente, podem ser realizadas. “É um desafio porque o meu trabalho sempre foi olho no olho, toque, mas agora também tenho dado muita atenção à preparação do acompanhante, a pessoa que vai estar ao lado dessa mulher quando ela entrar em trabalho de parto”, me explica.

Mesmo que esse acompanhante seja proibido de entrar na sala de parto, ele pode conduzir uma massagem, fazer os toques e o ritual preparatório que, sem isolamento social, seriam tarefas da doula.

A busca pelo atendimento de Edmila também cresceu no último mês. De dez mulheres, ela passou a atender 28. Ela observa que nesse cenário que soa hostil, há a chance de mais mulheres buscarem informação, educação. “Como o trabalho que realizo é para ampliar a autonomia das mulheres junto a seus corpos, esse acompanhamento é sempre orientado a levar a um processo de empoderamento das gestantes”, me diz.

Fale com a Parteira SP

Atenção SÃO PAULO e REGIÃO METROPOLITANA
Equipe de Enfermeiros Obstetras e Obstetrizes prestando apoio virtual voluntário para suporte através de orientações.
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Atendimento através do Whatsapp após o direcionamento pelo link do Instagram na Bio @falecomaparteirasp
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Durante 24 horas por dia, através de uma escala, ajudaremos a identificar o tempo das contrações, o intervalo, movimento do bebê, se a bolsa rompeu, a cor do líquido, sinais de risco.
Também estaremos disponíveis para dúvidas em geral em relação a gestação, na identificação de sinais de risco relacionados tanto às questões obstétricas quanto ao COVID-19 para entender se é o momento de procurar ou não um serviço.
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Tudo isso baseando-se nas evidências científicas atuais e nas recomendações dos órgãos de saúde.
Coordenação local Bruno Ximenes e Ana Carolina Bhering Amaral
Sigam @falecomaparteirasp
Projeto oriundo de @falecomaparteira

Pesquisa de estudo do comportamento e condições de vida da população durante os períodos de distanciamento social para conter a rápida disseminação do novo coronavírus

Um consórcio internacional formado por 20 países dará início à segunda fase da pesquisa nesta quinta, 23, que estuda o comportamento e as condições de vida da população durante os períodos de distanciamento social para conter a rápida disseminação do novo coronavírus.

A pesquisa é coordenada no Brasil pela Dra. Edlaine Faria de Moura Villela, Professora da Universidade Federal de Jataí/Goiás e ex-aluna da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP/USP). Conta com uma rede de colaboradores, entre eles o Dr. Eliseu Alves Waldman e a Dra. Ana Paula Sayuri Sato, ambos Professores da FSP/USP, e a Dra. Rossana Verónica Mendoza Lopez, também ex-aluna da instituição.
Essa segunda fase do estudo terá duração de apenas três dias, contendo um questionário simples e rápido onde todos podem participar, independente de terem participado ou não da primeira fase. Para preencher o questionário, bem como ter acesso ao protocolo de pesquisa, basta acessar o link:

Assine a Petição em prol dos profissionais de saúde

 

A campanha em prol dos profissionais de saúde que estão na linha de frente da pandemia de Covid-19 está avançando rápido!

A primeira de nossas quatro demandas pode virar realidade em breve: foi protocolado na Câmara dos Deputados o projeto de lei 2007/2020, que prevê um auxílio mensal para os dependentes dos profissionais de saúde em caso de falecimento. E mais: lideradas pelo Nossas, um grupo de organizações acabou de lançar uma petição que será entregue diretamente ao Rodrigo Maia, presidente da Câmara, pedindo que ele coloque esse projeto em votação com urgência. Eu sei que você não vai querer perder a chance de assinar e mostrar ao Rodrigo que os profissionais de saúde contam com seu apoio, então segue o link: https://www.auxilioparasaude.org.br/

Já são 30 profissionais de enfermagem mortos pelo coronavírus no Brasil e, só nas últimas semanas, o número de enfermeiros e técnicos afastados por suspeita de infecção saltou de 158 para 4000 casos. Não podemos permitir que esses profissionais tenham que lidar também com a preocupação de não saber o que será de suas famílias caso o pior ocorra. Eles não podem esperar nem mais um minuto. Assine a petição, envie como corrente no zap da família e dos amigos e, é claro, fique em casa.

Um abraço,
Gregório Duvivier

Critérios para sair da quarentena segundo OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) listou as condições que os governos precisam seguir se pretendem começar uma transição à normalidade. Para a agência, quarentenas não podem ser encerradas de um dia para o outro. O texto na íntegra está disponível aqui

Para garantir a transição segura, a OMS defende que seis critérios sejam respeitados para que uma quarentena seja suspensa:
1. Transmissão controlada.
2. Sistema de saúde capaz de testar, isolar e tratar todos os casos.
3. Garantia de que foram minimizados os riscos nas Instituições de Longa Permanência para Idosos e outros grupos vulneráveis.
4. Disponibilidade de medidas preventivas n os locais que as pessoas precisam frequentar.
5. Controlar a possibilidade de importação de casos.
6. Forte engajamento da comunidade em relação às medidas de Prevenção, especialmente no trabalho e nas escolas.
Portanto, você, como CIDADÃO, e principalmente se for PROFISSIONAL DE SAÚDE ou GESTOR, deve colaborar para que seu município somente afrouxe a Quarentena se GARANTIR QUE ATENDE PLENAMENTE os 6 REQUISITOS da OMS, com as seguintes características:
1. Que a TRANSMISSÃO esteja CONTROLADA, com diminuição consistente de casos novos e mortes.
2. Que tenha CAPACIDADE DE TESTAR todos os casos suspeitos, com resultados no prazo de 24 horas após a identificação e amostragem, bem como ter CAPACIDADE SUFICIENTE PARA ISOLAR E TRATAR OS PACIENTES. Para isso, o Sistema de Saúde deve ter capacidade de atendimento (leitos gerais e UTI), com equipamentos e pessoal capacitado para o atendimento em número suficiente.
3. Demonstrar que foram adotadas as medidas de controle nas Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) para a diminuição de risco para a população idosa e outras populações vulneráveis.
4. Garantir a disponibilidade de medidas preventivas, como água, sabão e papel toalha e/ou álcool gel nas vias públicas e locais de comércio, além da disponibilidade de MÁSCARAS PARA toda a POPULAÇÃO que circularia nas ruas.
5. CONTROLAR a ENTRADA DE CASOS IMPORTADOS.
6. Desenvolver um amplo Programa de Orientação que garanta que a COMUNIDADE ESTEJA PREPARADA E COMPROMETIDA com a ADOÇÃO DE MEDIDAS PREVENTIVAS.
Em relação aos serviços de DELIVERY, é URGENTE A ORIENTAÇÃO QUALIFICADA DOS TRABALHADORES E REALIZAR FISCALIZAÇÃO RIGOROSA DO CUMPRIMENTO DAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO DOS TRABALHADORES E DA POPULAÇÃO.
A única postura possível é a baseada na CIÊNCIA e na OMS.
Lamentavelmente, os efeitos econômicos estão acontecendo em todo o mundo, com ou sem medidas de isolamento social.
A diferença é que o AFROUXAMENTO SEM O ATENDIMENTO AOS REQUISITOS PROPOSTOS PELA OMS PROVOCARÁ MORTES EVITÁVEIS, ALÉM DO PROBLEMA ECONÔMICO.

Vamos a casas, periferias das capitais e interior do Nordeste para atacar o vírus onde ele nos ataca; vídeo

Veja Matéria Original

Na quinta-feira passada,  16/04,  o Comitê Científico do Nordeste aprovou uma série de medidas para o enfrentamento do novo coronavírus na região.

No mesmo dia, horas depois, reuniu-se virtualmente com os nove governadores do Nordeste para apresentá-las.

Foi uma reunião histórica. A primeira com todos presentes.

Aprovaram por unanimidade todas as propostas sugeridas, a começar pela criação da brigada emergencial de saúde.

“Basicamente o que queremos neste momento é recrutar médicos e profissionais de saúde de todas as categorias para criar uma verdadeira tropa para atacar onde o vírus nos ataca”, explica o neurocientista Miguel Nicolelis, em mais um episódio do seu Nicolelis Night News (veja acima), no You Tube.

“Por exemplo, nas casas dos nossos irmãos nordestinos, nas periferias das grandes capitais e no interior do Nordeste”, prossegue.

Nicolelis e o ex-ministro Sérgio Rezende são os coordenadores do Comitê Científico do Consórcio.

Atualmente, a região Nordeste conta com um contingente de 15 mil médicos na atenção básica.

Isso significa menos de 1,5 médico para cada 1.000 habitantes.

No Brasil são 2,2 médicos para cada mil habitantes.

“Nós queremos ampliar essa armada com mais 15 mil jovens médicos, que adquiriram o seu exterior e ainda não revalidaram no Brasil”, conta Nicolelis.

A proposta é que as universidades estaduais do Nordeste revalidem os diplomas e esses médicos passem por treinamento de emergência, com supervisão e seguimento absolutamente rigorosos. E, aí,façam um estágio-serviço de quatro meses, como se fosse o começo de uma residência médica.

“Eles vão nos ajudar nas linhas de frente dessa verdadeira guerra, indo às casas, diagnosticando os casos e ajudando os pacientes no tratamento, inclusive isolando-os para que possam se recuperar e não transmitir o vírus para seus familiares, vizinhos”,  expõe.

“Nós vamos sair da defensiva. Vamos atacar o inimigo onde ele nos ataca”, reforça Nicolelis.

Veja os detalhes no vídeo acima, onde o professor relembra o jogo Brasil x Checoslováquia, na Copa do Mundo de 1970.

Nicolelis é um excelente contador de histórias.

Quem gosta de futebol, recomendamos que vá até o final.

Nicolelis relembra com gestos e sons a patada atômica do corintiano Roberto Rivelino, apesar de ele ser palestrino roxo. Afinal, quando o jogo é pela seleção brasileira todas as divergências se esvaem.

Que memória!

Relembra o melhor locutor de futebol que ele já conheceu, Geraldo José de Almeida. Chega a narrar a partida como Geraldo fazia.

“Depois, só dois narradores chegaram perto do Geraldo José de Almeida, a dupla sertaneja Osmar e Oscar”, revela Nicolelis.

Refere-se aos locutores Osmar Santos e Oscar Ulisses.

Como a transmissão caiu, Nicolelis fez outra na sequência — Patada Atômica 2 –, sobre a Copa do Mundo de 1970.

Vale a pena assistir. É sensacional. O professor tinha na época 9 anos de idade!

 

 

 

 

 

Pesquisa como Gestantes e Puéperas estão vivenciando a atual Pandemia pelo Coronavírus e o período de isolamento social

A *Escola de Profissionais da Parentalidade (EPP)* está realizando uma *pesquisa de opinião sobre como gestantes  e puéperas (mulheres com filhos até 2 meses) brasileiras estão vivenciando a atual Pandemia pelo Coronavírus e o período de isolamento social*.

Pedimos a sua colaboração, respondendo, caso você seja Gestante ou Puérpera (esteja com um bebê de até 2 meses), e/ou apoiando na divulgação em suas mídias sociais, e em especial, grupos de gestantes e puéperas.
Essa pesquisa faz parte de um estudo que nos ajudará a conhecer e cuidar melhor dessas mulheres, que já vivenciam um momento de muita fragilidade emocional e, agora, passam por isso nesse momento de crise mundial.
A pesquisa é *anônima* e pode ser respondida em menos de *10 minutos*. Ela só ficará ativa até dia *27/04/20* e para respondê-la basta clicar no link abaixo: ⤵️
Desde já agradecemos a sua colaboração!

ACOMPANHANTE NO PARTO: UM DIREITO NÃO DERROGÁVEL, MESMO EM TEMPOS DE PANDEMIA

ACOMPANHANTE NO PARTO: UM DIREITO NÃO DERROGÁVEL, MESMO EM TEMPOS DE PANDEMIA

Opinião de Edson Souza

SUPORTE CONTÍNUO NO PARTO É PARTE ESSENCIAL DO
CUIDADO
No Brasil, a presença de um acompanhante de escolha da mulher durante todo o trabalho de parto, parto e puerpério é um direito garantido por lei desde 2005. (Lei Federal nº 11.108/2005)
“Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde – SUS, da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1 (um) acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato”
Implementar a lei em todo o território nacional é um dos objetivos da Rede Cegonha (desde 2011). Tem sido um trabalho árduo, já que até os dias de hoje alguns serviços e profissionais ainda colocam barreiras à presença do acompanhante no cenário do parto.
O suporte contínuo durante o trabalho de parto (doula ou acompanhante) pode melhorar os desfechos para mulheres e bebês, incluindo aumento na chance de parto vaginal espontâneo, menor duração do parto e diminuição do parto cesariano, parto vaginal instrumental, uso de qualquer analgesia, uso de analgesia regional, baixo escore de Apgar em cinco minutos e sentimentos negativos sobre experiências de parto. Não existem quaisquer evidências de danos (Cochrane, 2017 – 26 estudos; 15.858 mulheres). https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD003766.pub6/full
É uma intervenção fortemente recomendada por inúmeras diretrizes em todo o mundo, desde a década de 80. Por mais atenciosa que seja, a equipe de cuidadores (médicos e/ou enfermeiros) jamais será capaz de prover todas as necessidades físicas e emocionais da mulher neste momento. Por isso, um acompanhante ou a doula, ou ambos, a critério da mulher, são tão essenciais para o cuidado quanto os próprios cuidadores.
RESTRIÇÃO À PRESENÇA DE ACOMPANHANTE DURANTE A PANDEMIA
Apesar disso, desde a eclosão da pandemia de coronavirus, várias maternidades no Brasil tem proibido a presença de acompanhantes durante o trabalho de parto e parto.
Argumenta-se que o objetivo é diminuir o risco de transmiss ão da doença, através da restrição da circulaçoã de pessoas. Segundo especialistas, a lei do acompanhante, neste contexto, não se aplica “porque se considera que nesse momento o direito coletivo à saúde vale mais do que o direito individual de cada pessoa”. https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2020/03/31/em-sc-maternidades-vetam-presenca-de-acompanhante-durante-o-parto-em-meio-a-pandemia-de-coronavirus.ghtml 
Tais medidas receberam o respaldo de sociedades científicas e gestores municipais de saúde, conforme Notas Técnicas e Recomendações, publicadas em meados de Março:
Recomendação SOGIMIG. Considerando que o isolamento social é, nesse momento, da epidemia uma ação essencial para o controle da crise é necessário manter, também durante o trabalho de parto, as ações referentes a esse tema. Isso significa a restrição da presença de doulas e, mesmo, com o devido aconselhamento da gestante/casal/família, restringir acompanhantes e visitas. Para minimizar o sentimento de solidão, principalmente, nos partos de baixo risco deve-se estimular a participação de forma virtual. (SOGIMIG – CORONAVIRUS NA GRAVIDEZ: CONSIDERAÇÕES E RECOMENDAÇÕES SOGIMIG – 20 de Março de 2020)
Nota Técnica SMS-BH. Nesse momento da epidemia o isolamento social deve ser mantido. Isso significa a restrição com o devido aconselhamento da presença de doulas, acompanhantes e visitas. Para mitigar o sentimento de solidão, principalmente, nos partos de baixo risco deve-se estimular a participação de forma virtual. (SMS-BH – Nota Técnica 19 de 27 de Março de 2020)
Em outros países também afetados pela pandemia, como os EUA, as maternidades buscaram proibir a presença de acompanhantes durante o parto. Um argumento adicional é que, dadas as condições de escassez em alguns locais, não seria possível oferecer Equipamento de Proteção Individual (EPI) para o acompanhante da mulher, ainda que ele fosse limitado a apenas um. Os EPIs deveriam ser reservados aos profissionais de saúde.
Todavia, essa não é uma posição universal e indiscutível. No Reino Unido, por exemplo, a recomendação do Royal College of Obstetricians and Gynecologists (RCOG) é de manter o acompanhante. Aliás, tal é a importância do acompanhante no parto que a diretriz sugere que as mulheres tenham outras alternativas, caso o acompanhante de primeira escolha seja impedido, por apresentar sintomas de COVID-19. Obviamente, o acompanhante não deve apresentar sintomas, e deve adotar todas as medidas de precaução para diminuir o risco de infeção.
Cuidado intraparto. Existe evidência que co-infecção em membros de uma mesma família (que habitam a mesma residência). Acompanhantes assintomáticos devem ser considerados possíveis infectados e devem ser orientados a usar ´máscara e lavar as mãos com frequência. Se sintomáticos, os acompanhantes devem permanecer em isolamento social e não devem ser admitidos na maternidade. As mulheres devem ser orientadas a identificar possíveis alternativas (outro acompanhante) caso isso ocorra (RCOG, 26 de Março de 2020) https://www.rcog.org.uk/globalassets/documents/guidelines/2020-03-26-covid19-occupational-health.pdf
ACOMPANHANTE NO PARTO É UM DIREITO NÃO DERROGÁVEL
Os direitos das mulheres e adolescentes são parte inalienável, integral e indivisível dos Direitos Humanos universais. Logo, o direito ao acompanhante no parto deve ser incluído nesta categoria de direitos (Saúde sexual e reprodutiva). As normas de direitos humanos reconhecem que em um contexto de ameaças sérias à saúde pública e emergências ameaçando a vida de uma nação, restrições a alguns direitos podem ser justificadas.
A pandemia de coronavírus claramente representa uma ameaça séria à saúde pública, e por isso mesmo tem sido utilizada como justificativa para a suspensão do direito ao acompanhante no parto.
Todavia, mesmo em contexto de extrema gravidade e emergência, a suspensão de direitos deve obedecer a alguns princípios; e certos direitos não podem ser suspensos, em qualquer circunstância (Non-Derrogable Rights). Estes princípios foram estabelecidos em uma Conferência Internacional em Siracusa, em 1984 (Siracusa Principles on the Limitation and Derogation Provisions in the International Covenant for Civil and Political Rights – ICCPR). https://www.uio.no/studier/emner/jus/humanrights/HUMR5503/h09/undervisningsmateriale/SiracusaPrinciples.pdf
A conferência e os princípios de Siracusa foram motivados pela “epidemia” de estados de emergência durante a década de 70, em vários países com regimes políticos autoritários e/ou instabilidade política, incluindo Argentina, Brazil, Chile, Egito, India, Irlanda, Malasia, e Paquistão. O problema, naquele momento, era a violação de direitos decorrente dos estados de exceção e emergência de natureza política. Todavia, as salvaguardas aos direitos humanos apontadas pela conferência de Siracusa são aplicáveis também aos estados de emergência e calamidade motivadas por graves ameaças à saúde pública.
“No contexto de limitações em nome da saúde pública, os Princípios de Siracusa exigem que quaisquer medidas que limitem os direitos humanos individuais sejam previstas e executadas de acordo com a lei, direcionadas a um objetivo legítimo de interesse geral, estritamente necessárias, o menos intrusivas e restritivas para atingir o objetivo, tenham base em evidências científicas, não sejam arbitrárias nem discriminatórias, tenham duração limitada, sejam respeitosas à dignidade humana e sujeitas a revisão.” (Sara Abiola, JD. The Siracusa Principles on the Limitation and Derogation Provisions in the International Covenant for Civil and Political Rights (ICCPR): History and Interpretation in Public Health Context. Harvard University. 2011 http://health-rights.org/index.php/cop/item/memo-the-siracusa-principles-on-the-limitation-and-derogation-provisions-in-the-international-covenant-for-civil-and-political-rights-iccpr-history-and-interpretation-in-public-health-context )
Não me parece que a restrição do direito ao acompanhante no parto atende aos princípios apontados acima, nem às salvaguardas para evitar arbitrariedades e abusos, previstas na mesma carta de Siracusa.
A Conferência de Siracusa estabeleceu ainda uma categoria de direitos humanos que não são derrogáveis jamais, não importa o quanto o estado de emergência ou calamidade ameacem a vida de uma nação. São aqueles que garantem o direito á vida e à dignidade humana (vida livre de tratamento desumano, cruel ou degradante). A exclusão do acompanhante durante o trabalho de parto está associada a sentimentos de medo, desconforto, solidão, ansiedade e stress pela parturiente. Tem sido interpretada como uma forma de tratamento desumano, degradante e violento. Nenhuma forma de “participação virtual” pode substituir a presença física do acompanhante e “mitigar a sensação de solidão”. Neste sentido, o direito ao acompanhante no parto deve ser visto como um direito não derrogável.
No Estado de Nova Iorque, as autoridades sanitárias parecem ter compreendido tanto o aspecto clínico, quanto o aspecto legal da questão. Em 27 de Março, cerca de 5 mil mortes por COVID-19 já tinham sido notificadas, e o sistema de saúde do estado e da cidade de Nova Iorque estava em colapso. Apesar disso, o Departamento de Estado da Saúde, com apoio do governador, contra restrições impostas por algumas maternidades, publicaram uma Ordem Executiva garantindo o direito da mulher ao acompanhante no parto. Mais do que isso, reconheceram o papel essencial do suporte continuo no parto:
“Para o trabalho de parto e parto, o Departamento considera o suporte contínuo essencial ao cuidado da paciente durante todo o trabalho de parto, parto e pós parto imediato. Essa pessoa pode ser o marido, o parceiro, uma irmã, doula, ou qualquer outra pessoa de escolha da mulher”. https://coronavirus.health.ny.gov/system/files/documents/2020/03/doh_covid19_obpedsvisitation_032720.pdf
A Secretária Executiva do governador, Melissa de Rose, escreveu no tweeter (28 de Março de 2020) “As mulheres não serão forçadas a permanecer sozinhas no momento do parto. Não em Nova York. Nem agora, nem nunca. Ordem Executiva será publicada hoje – será aplicada a hospitais públicos e privados”. Isso é entender um direito como não derrogável, conforme estabelecido na Conferência de Siracusa, e conforme entendido por todos os movimentos de valorização do parto, nas últimas 4 décadas. Qualquer coisa diferente disso é demonstrar que não se entendeu ainda o significado do acompanhante no parto (e do próprio parto). NEM AGORA, NEM NUNCA. Gostei. É de arrepiar! https://www.nytimes.com/2020/03/28/parenting/nyc-coronavirus-hospitals-visitors-labor.html

Covid-19: combate à pandemia deve respeitar direitos humanos

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É comum que a pandemia de covid-19 seja tratada como tema da medicina, de saúde pública e de economia, até mesmo de segurança pública. Mas é preciso destacar que ela também é um tema de direitos humanos, entre outras razões pelo profundo impacto que causa sobre os regimes democráticos. Apesar do declínio do multilateralismo evidenciado nos anos que precederam essa pandemia, as organizações internacionais têm feito um grande esforço para oferecer aos Estados parâmetros que contribuam para minimizar os efeitos negativos das medidas de combate à pandemia sobre a dignidade humana, o direito à saúde e outros direitos e liberdades fundamentais. Assim, é preciso ouvir a Organização Mundial de Saúde, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial; mas também é preciso escutar atentamente os mecanismos internacionais de proteção aos direitos humanos.

Mesmo em países cujos Poderes Executivos centrais são indiferentes ou hostis às diretrizes internacionais, estas são capazes de oferecer valiosa contribuição a governos locais e outras instituições públicas, inclusive ao Poder Judiciário, confrontado à necessidade de decidir em contexto de ineditismos, incertezas e urgência. Em 11 de abril de 2020, apenas no Supremo Tribunal Federal, tramitavam 818 processos relacionados à covid-19[1]. No entanto, para além do setor público, também entidades e movimentos sociais, formadores de opinião e especialistas podem se beneficiar do acervo acumulado na esfera internacional por organismos especializados. Décadas de trabalho fizeram deles profundos conhecedores de seus respectivos objetos e da complexa realidade das regiões que cobrem.

É o caso da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sediada em Washington (Estados Unidos), que adotou no último 10 de abril uma importante norma, intitulada “Pandemia e Direitos Humanos nas Américas” – Resolução n. 01/2020[2], pela qual formula recomendações da maior relevância.

Tivemos a honra de participar da elaboração desse texto como especialistas convidados. Trata-se de mais um reconhecimento dos saberes que a USP tem produzido; neste caso, em particular, de duas especialidades desenvolvidas na Faculdade de Saúde Pública: o direito sanitário e a saúde global. Assim como nas demais universidades públicas brasileiras, aqui esses campos são estudados sob a perspectiva da ética, da democracia e dos direitos humanos, o que inclui o atento acompanhamento das diretrizes internacionais sobre a matéria.

Criada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1959, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos compõe, juntamente com a Corte instalada em 1979, o Sistema Interamericano de proteção dos Direitos Humanos (SIDH). Baseada na Carta da OEA (1948)[3] e na Convenção Americana sobre os Direitos Humanos (1969)[4], sua missão de promover e proteger os direitos humanos é exercida principalmente por meio de um sistema de petições individuais, pelo monitoramento da situação dos direitos humanos nos Estados-membros e por iniciativas dirigidas a linhas temáticas prioritárias. Apenas durante o ano de 2019 a Comissão recebeu 3.034 petições, sendo 242 relativas a possíveis violações de direitos humanos no Brasil[5].

Para atuar durante a pandemia, inclusive preventivamente, a Comissão criou uma “Sala de Coordenação e Resposta”[6]. Entre as primeiras iniciativas da referida Sala encontra-se a elaboração da Resolução sobre a pandemia, da qual participaram os membros da Comissão, com especial destaque à Presidência e à Relatoria Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais, a Secretaria Executiva e sua equipe técnica, além de especialistas convidados como nós.

Em uma breve síntese, destacamos quatro entre as muitas contribuições oferecidas pela citada Resolução. Primeiro, a compreensão do direito à saúde como direito autônomo, não apenas como um adjetivo do direito à vida: trata-se de um bem público cuja proteção é de responsabilidade dos Estados. Segundo, a necessidade de adotar um enfoque de direitos humanos em todas as estratégias, medidas ou políticas oficiais relacionadas à pandemia. Em outras palavras, a cada medida adotada, é preciso prever e minimizar eventuais impactos negativos sobre os direitos das pessoas atingidas, e particularmente das populações mais vulneráveis. Terceiro, a eventual adoção de medidas restritivas de direitos deve ser sujeita aos princípios da legalidade e da proporcionalidade; deve ser acompanhada da devida motivação e ser temporalmente restrita; deve coibir o estigma e a discriminação de pessoas, entre outros critérios. Quarto, a transparência e o dever de informação devem ser amplos, com garantias de proteção aos jornalistas e aos defensores de direitos. Os pronunciamentos das autoridades estatais devem ser razoáveis e baseados em evidências científicas.

Estes são apenas alguns pontos de uma Resolução que representa um marco na evolução do direito da saúde na região das Américas. Esperamos que, por meio de convênio que se encontra em fase de tramitação, a Faculdade de Saúde Pública possa seguir contribuindo com as ações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, especialmente por meio do Núcleo de Pesquisas em Direito Sanitário e do Doutorado em Saúde Global e Sustentabilidade, iniciativas cujo pioneirismo, qualidade técnica e compromisso social são reconhecidos em seus respectivos campos de atuação. Que a expertise acumulada ao longo de décadas de pesquisa e extensão nos permita contribuir, juntamente com outras instituições, para a elaboração de padrões internacionais de resposta às pandemias à altura dos imensos desafios que se avizinham.

 

[1] STF, Painel de Ações Covid-19 https://transparencia.stf.jus.br/extensions/app_processo_covid19/index.html

[2] Versão em espanhol:  http://www.oas.org/es/cidh/decisiones/pdf/Resolucion-1-20-es.pdf

[3] Os 35 Estados das Américas ratificaram a Carta da OEA e pertencem à Organização.

[4] Atualmente vigente em 24 Estados: Argentina, Barbados, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Dominica, Equador, El Salvador, Granada, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai e Venezuela

[5] CIDH, Informe Anual 2019 http://www.oas.org/es/cidh/docs/anual/2019/indice.asp

[6] CIDH, Comunicado de Imprensa: http://www.oas.org/es/cidh/prensa/comunicados/2020/063.asp.

Gestantes e puérperas entram no grupo de risco para a covid-19

O Ministério da Saúde incluiu gestantes e puérperas no grupo de risco para o novo coronavírus — ou seja, para o grupo de pessoas que têm mais chance de que a doença evolua para quadros graves. De acordo com informações da pasta, todas as grávidas ou mulheres que deram à luz estão mais suscetíveis aos efeitos da covid-19 por até 45 dias após o parto. Antes, vinham sendo consideradas grupo de risco apenas gestantes de alto risco. Ainda não há estudos conclusivos que comprovem um perigo maior da covid-19 para grávidas e puérperas, mas a inclusão dessas mulheres no grupo de risco levou em consideração a ação de outros coronavírus e vírus gripais já conhecidos e estudados.

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Instituição faz alerta sobre riscos para crianças durante quarentena

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A Childhood Brasil, que faz parte de uma instituição internacional de defesa dos direitos de crianças e adolescentes, alertou para possíveis riscos para os menores durante o período de quarentena devido ao novo coronavírus. Segundo a organização, é importante que pais e responsáveis fiquem atentos para proteger esses grupos.

O alerta foi feito após a divulgação de dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que apontam um aumento no número de denúncias de violação de direitos humanos no período de 14 a 24 de março de 2020. O intervalo analisado abrange o início do isolamento social no Brasil, com medidas como a suspensão de aulas.

Roberta Rivelino, presidente da Childhood Brasil, explica que esse cenário de maior presença em casa pode propiciar a ocorrência de crimes contra crianças e adolescentes. “Residências que passavam por tensões intrafamiliares podem ter no confinamento um gatilho de violências contra crianças e adolescentes”, comenta ela.

Além das agressões físicas, as crianças também poder ser vítimas de agressões verbais e abusos sexuais. “Conversas inapropriadas, espiar o corpo da criança ou do adolescente, fotografias e vídeos divulgados na internet com nudez, dentre outras, também configuram violências sexuais”, pontua Roberta.

Nesse sentido, é importante que os pais e responsáveis também fiquem atentos à forma como crianças e adolescentes estão usando a internet, e a organização ressalta que  conversas sobre o uso correto de ferramentas digitais é mais importante que proibições quanto ao uso. “A velha regra ‘não fale com estranhos’ também serve para a comunicação virtual”, destaca a presidente.

As denúncias referentes a violências contra crianças, adolescentes e idosos podem ser feitas pelo número 100. Já violências contra mulheres podem ser denunciadas no número 180.

Gestação e puerpério em tempos de COVID

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Estar grávida e na reta final da gestação costuma ser um período de muitas emoções. Além da expectativa do parto e de finalmente conhecer o rostinho do filho, é nessa fase que, normalmente, as famílias estão nos últimos preparativos, exames e compras do enxoval. Mas não são tempos normais. Com a pandemia do coronavírus e as diversas restrições por conta do isolamento social no Brasil, os planos de muitas grávidas mudaram. Conversamos com algumas gestantes para saber quais são os principais impactos nas suas vidas.

No dia mundial da saúde, ONU homenageia profissionais de enfermagem e obstetrícia

No dia mundial da saúde, ONU homenageia profissionais de enfermagem e obstetrícia

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Em uma mensagem especial em vídeo dedicada ao Dia Mundial da Saúde, lembrado anualmente em 7 de abril, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou que a data é marcada em um ano particularmente difícil para todos.

“Hoje, minha mensagem é para nossos profissionais de saúde – enfermeiras(os), parteiras(os), técnicos, paramédicos, farmacêuticos, médicos, motoristas, profissionais de limpeza, administradores e muitos outros – que trabalham dia e noite para nos manter seguros.”

Confira aqui o vídeo.

 

Em uma mensagem especial em vídeo dedicada ao Dia Mundial da Saúde, lembrado anualmente em 7 de abril, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou que a data é marcada em um ano particularmente difícil para todos.

“Hoje, minha mensagem é para nossos profissionais de saúde – enfermeiras(os), parteiras(os), técnicos, paramédicos, farmacêuticos, médicos, motoristas, profissionais de limpeza, administradores e muitos outros – que trabalham dia e noite para nos manter seguros”, disse.

“Hoje, estamos mais profundamente gratos do que nunca a todos vocês, enquanto trabalham sem parar, colocando-se em risco, para combater os danos dessa pandemia.”

Ele lembrou que 2020 é o ano internacional das(os) profissionais de enfermagem e obstetrícia, reconhecendo “sua experiência e compromisso especiais”.

“Todos nós temos motivos para agradecer pelo cuidado e profissionalismo das(os) enfermeiras(os) e parteiras(os). Eu sei que eu tenho”, disse Guterres.

O secretário-geral lembrou que enfermeiras e enfermeiros assumem alguns dos maiores encargos com a saúde, realizando trabalhos difíceis e aguentando longas horas – muitas vezes com risco de lesões, infecções e uma carga de saúde mental pesada. “Elas(es) geralmente oferecem conforto no final da vida”, lembrou.

Já as parteiras proporcionam conforto no início da vida, acrescentou. “Durante uma pandemia, o trabalho delas(es) é ainda mais desafiador, pois trazem nossos recém-nascidos com segurança para este mundo.”

E encerrou: “Às(os) enfermeiras(os) e parteiras(os) do mundo: obrigado pelo seu trabalho. Nestes tempos traumáticos, digo a todos os profissionais de saúde: estamos com você e contamos com você. Vocês nos deixam orgulhosos; vocês nos inspiram. Somos gratos a vocês. Obrigado pela diferença que estão fazendo, todos os dias e em todos os lugares.”

GESTANTES DE RECIFE  – *FALE COM A PARTEIRA*

GESTANTES DE RECIFE
*FALE COM A PARTEIRA*
Grupo de *Enfermeiras Obstetras* para orientações de gestantes do *Recife e Região Metropolitana* sobre questões envolvendo o *COVID-19 e o trabalho de parto/parto.*
O objetivo do grupo é *ajudar as gestantes que já estão no tempo de parir a avaliarem a real necessidade de irem para a maternidade, seguindo as recomendações mundiais.*
Durante 24 horas por dia, através de uma escala, *profissionais enfermeiras obstetras* ajudarão a identificar o tempo das contrações, o intervalo, movimento do bebê, se a bolsa rompeu, a cor do líquido, sinais de risco. Também estaremos disponíveis para dúvidas em geral em relação a gestação, na identificação de sinais de risco relacionados tanto às questões obstétricas quanto ao COVID-19 para entender se é o momento de procurar ou não um serviço. Tudo isso baseando-se nas evidências científicas atuais e nas recomendações dos órgãos de saúde.
*Como fazer para ter acesso?*
*PASSO A PASSO*
1. Entre no grupo de WhatsApp por esse link 👇🏿👇🏽👇🏼
Ou pelo link disponibilizado na bio do Instagram @falecomaparteira
2. Escreva *preciso de informação*
3. A profissional escalada irá responder via WhatsApp no seu contato privado
4. Se necessário for, a profissional ligará para ajudar a esclarecer as dúvidas e dar o suporte com orientações.
A orientação é que as gestantes tenham a menor exposição possível aos ambientes com a finalidade de:
– diminuir exposição possível em recepções
– reduzir número de internação precoce desnecessária
– diminuir do tempo de internação
– reduzir a alocação de recursos de insumos e EPI pelo menor tempo de internamento
– aumentar disponibilidade de vagas para quem realmente está em trabalho de parto
– contribuir para a melhora do fluxo de atendimento, já que sabemos que haverá maior demanda nas triagens de maternidades em função do COVID-19
*Atenção:* Esse grupo se configura como grupo de apoio virtual e portanto, deixamos claro que se trata de um suporte através de orientações apenas.
Havendo a identificação de riscos e/ou necessidade de uso de medicamentos a recomendação é que a gestante procure um profissional ou serviço de saúde presencialmente.

Inglaterra: Sistema de Saúde Inglês vai transformar hotéis em centros de parto durante crise.

Matéria Original em Inglês

Tradução: Ricardo Herbert Jones


As maternidades “pop-up” ajudariam a evitar riscos de coronavírus, afirmam especialistas

A Rede de Unidades de Obstetrícia, sediada no Reino Unido, diz que centros de parto emergentes podem ser estabelecidos perto de hospitais.
Os hotéis devem ser usados como centros de parto “pop-up”, com parteiras aposentadas e estudantes convocadas para apoiar a equipe do NHS, recomendam especialistas em maternidade em uma tentativa de ajudar as futuras gestantes a ficarem longe dos hospitais em meio à pandemia de coronavírus.
A ligação ocorre quando a instituição de caridade Birthrights alertou que a retirada dos serviços de parto domiciliar e de centros de parto pode ser ilegal e levar os convênios de saúde a serem responsáveis por riscos significativos à vida se as mulheres optarem por dar à luz sem assistência médica.
Com o NHS sob pressão devido ao coronavírus, mais de um quinto dos chefes de obstetrícia disseram que suas maternidades locais foram fechadas, enquanto os serviços de parto domiciliar foram retirados ou restringidos em mais de um terço das áreas, de acordo com uma pesquisa do Royal College de parteiras.
Especialistas alertam que as opções baseadas na comunidade devem estar disponíveis para as mulheres que desejam evitar hospitais que tratam as pessoas infectadas com Covid-19, onde as mulheres grávidas estão sendo informadas de que não será permitido o apoio de um acompanhante, apenas durante o “trabalho ativo”.
Onde unidades autônomas de obstetrícia não estavam disponíveis, centros de parto poderiam ser rapidamente estabelecidos perto de hospitais, a Rede de Unidades de Obstetrícia (MUN) sediada no Reino Unido, recomendada em declaração enviada a mais de 100 partes interessadas.
A recomendação, apoiada por um grupo de acadêmicos, baseia-se em um modelo holandês no qual equipes de parteiras equiparam hotéis – fechados em meio à pandemia – como centros de parto. Um vídeo postado no Facebook do hotel Van der Valk perto de um hospital em Bernhoven descreve como três quartos foram transformados em suíte de parto.
Lucia Rocca-Ihenacho, diretora executiva da MUN, disse: “Poderíamos estar criando centros de parto pop-up como os holandeses. Eles poderiam ser montados em alguns dias usando o mesmo equipamento usado pelas equipes de parto domiciliar.
“Esta é uma maneira proativa de se preparar para uma crise, em vez de centralizar os nascimentos em unidades obstétricas”.
As propostas incluem trabalhar com parteiras independentes, estudantes de obstetrícia, parteiras aposentadas e doulas para apoiar o NHS.
Rocca-Ihenacho acrescentou: “Não é o ideal, mas poderia ser mais seguro do que o que pode ser oferecido em uma enfermaria onde há um risco maior de intervenções que levam a estadias mais longas e risco de infecção”.

México: Mujeres mexicanas están dando a luz en casa, por miedo a contagiarse de Coronavirus

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Carolina Trujillo tiene 38 semanas de embarazo y en unos días más alumbrará a su hijo. Contó a Efe que tras saber de su estado, su plan inicial era dar a luz en una clínica del servicio público de salud que ofrece el Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS).

Selene abraza emocionada a su bebé tras un alumbramiento atípico en el salón de su casa. Ha sido ayudada por parteras profesionales de la ciudad mexicana de Guadalajara que, ante la pandemia de la Covid-19, ahora atienden a domicilio para evitar contagios.Después de poco más de cuatro horas de trabajo de parto, el pequeño Lucas llegó al mundo en medio de agua. Sus papás, Selene Barragán y Eduardo Castillo, eligieron que su tercer hijo naciera en su propia casa para evitar el riesgo de contagiarse de coronavirus en un hospital.

En una tina adaptada en su pequeño apartamento, la mujer dio a luz acompañada por Diana Toscano, una de las parteras profesionales de Casa Aramara, una comunidad que ofrece a mujeres en el último tramo de su embarazo la opción de parir en su casa o en sus instalaciones mientras la pandemia del coronavirus deja de ser una amenaza.

En México se registran actualmente 1.215 contagios y 29 fallecidos. Y pese a la declaratoria de emergencia decretada esta semana junto al cierre de actividades no esenciales, se teme que pronto la curva epidemiológica se disparará.

El país registra anualmente cerca de 2,1 millones de nacimientos, según datos del Instituto Nacional de Estadística y Geografía (INEGI) del 2018.

El temor al contagio

Carolina Trujillo tiene 38 semanas de embarazo y en unos días más alumbrará a su hijo. Contó a Efe que tras saber de su estado, su plan inicial era dar a luz en una clínica del servicio público de salud que ofrece el Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS).

Luego de que la expansión del coronavirus fue una realidad en México, prefirió que su parto fuera en las instalaciones de Casa Aramara.

Sabe que las mujeres embarazadas y durante el puerperio son uno de los grupos con más riesgo de tener complicaciones en caso de contraer la COVID-19, y quiere evitar problemas.

“Me pareció una buena idea para no tener que estar yendo al (hospital) del IMSS, si de por sí ya es demasiado tedioso ir con tanta gente, ahora con esto me pareció que no era muy apto para estar ahí”, dijo este miércoles la joven.

Tras la demanda del gobierno federal mexicano de mantener el aislamiento, las parteras de Casa Aramara suspendieron las revisiones ginecológicas en su consultorio y acuden personalmente a dar seguimiento a las mujeres que están a pocos días de dar a luz para no exponerlas.

Además de la alternativa para parir de manera segura fuera de un quirófano, las parteras ofrecen a las mujeres un parto humanizado.

Es decir, avanzan de acuerdo a como el cuerpo de la mamá y el bebé lo marcan, realizan ejercicios para aminorar el dolor, en un espacio en el que ellas se sientan cómodas y confiadas.

“Estoy feliz, me siento muy bendecida por eso, porque desde que supe que estaba embarazada y empecé a leer libros que hablaban de partos humanizados y yo quería algo así. (…) Ahorita me siento tranquila porque voy a poder tener un parto como lo quería desde el principio”, señaló.

La voz de las expertas

María Cortés, una de las parteras de este colectivo, explicó a Efe que se dieron cuenta que el incremento de contagios en el país podría provocar miedo en las mujeres al tener que ir a los hospitales y podría afectar de alguna u otra manera el parto.

“Se nos ocurrió que tal vez habría mujeres que quisieran tener la posibilidad de parir fuera del hospital, y para colaborar también a bajar el número de personas en estos, abrimos esta posibilidad para que tuvieran una alternativa segura y reducir el riesgo de contagio”, explicó la mujer, con nueve años de experiencia.

Para tener acceso a esta opción de parto, las mujeres son entrevistadas y se someten a una revisión médica para asegurar que están sanas, no tienen un embarazo de riesgo y son candidatas a no tener complicaciones durante el parto en casa.

Cortés añadió que también les dan un seguimiento aún más cercano en esta contingencia para que no exista ningún proceso emocional que vaya a complicar el proceso de parto.
“para nosotras el parto es más emocional que físico, confiamos en el cuerpo de las mujeres y el bebé pero a veces los miedos es lo que más pueden obstaculizar ese proceso”, señaló.

Hasta ahora las solicitudes han ido en aumento, y algunas mujeres aceptan el reto convencidas de la alternativa en medio de la contingencia, aunque otras todavía tienen miedo, aseguró.

“Saben que es un riesgo, que si bien ahorita los hospitales no estén llenos de personas contagiadas, de todas formas existe la zozobra, pero al final en esta situación de crisis necesitan una opción segura”, concluyó Cortés.

 

 

 

Covid-19 em Portugal: Associação pede à DGS para reformular orientações sobre acompanhamento nos partos

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A Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto (APDMGP) pediu hoje à Direção-Geral da Saúde (DGS) para reformular, com “evidência científica”, as orientações sobre o acompanhamento das grávidas durante o parto no decurso da pandemia da covid-19.

Em comunicado, a APDMGP explica que o “apoio emocional e físico constante e ininterrupto”, através de uma “figura de referência que a mulher conhece e em quem confia”, é “essencial para que esta se sinta segura” durante o parto.

Esta associação acrescenta que, em 18 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) esclareceu que uma mulher que esteja grávida “deve poder optar por ter ou não um acompanhante da sua escolha presente durante o parto, mesmo tendo um diagnóstico positivo” da doença covid-19.

Por isso, a Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto incentiva a DGS e as autoridades de saúde a “reformularem e clarificarem quaisquer orientações que não sejam baseadas em evidência científica robusta”.

A APDMGP acrescenta que impedir uma mulher de estar acompanhada no momento do parto não tem em consideração as “repercussões negativas” no “estabelecimento do vínculo” entre a mãe e o recém-nascido.

Em 24 de março, o subdiretor-geral da Saúde, Diogo Cruz, considerou que os hospitais estão a levar à letra a restrição de visitas por causa da pandemia, impedindo as grávidas de ter acompanhantes na sala de partos.

“Tenho a impressão de que isso será uma medida à letra da restrição de visitas”, disse, quando questionado sobre os impedimentos à presença de acompanhantes durante o parto em hospitais e maternidades.

Por seu turno, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, afirmou ser “preciso defender grávidas e bebés” e que “os familiares compreenderão esta medida de algum distanciamento”.

Na opinião do governante deverá manter-se a restrição porque se trata de “um determinado período de tempo, com um limite temporal”, apesar de não se saber ainda qual é esse limite.

Apesar de o secretário de Estado considerar que o impedimento “tem sido muito bem aceite e compreendido”, há cerca de 6.400 pessoas que assinaram uma petição a pedir para que seja levantado.

Seis dias depois, em 30 de março, o diretor do serviço de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, Carlos Veríssimo, declarou que as “grávidas devem seguir os conselhos de higiene e de contenção social recomendados pela DGS e devem manter os cuidados de prevenção, investigação e diagnóstico semelhantes aos da população em geral”.

Carlos Veríssimo reforçou que, no caso das grávidas infetadas pelo SARS-CoV-2, o parto deve ser feito em salas isoladas e deve manter-se “o menor número possível de intervenientes”, acrescentando que “o acompanhamento por terceiros não é de todo recomendado”.

De acordo com os dados avançados pelo médico, há neste momento 60 mil grávidas, prevendo-se sete mil partos por mês, 230 por dia.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 905 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 46 mil.

Dos casos de infeção, pelo menos 176.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a OMS a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 187 mortes, mais 27 do que na véspera (+16,9%), e 8.251 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 808 em relação a terça-feira (+10,9%).

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de quinta-feira.

TeleSUS fará busca ativa de informações sobre coronavírus

População receberá ligações automáticas por meio do número 136 para fazer avaliação à distância de sintomas, acompanhar evolução da doença e mapear áreas de risco de contágio do coronavírus

O Ministério da Saúde fará o monitoramento à distância da saúde da população. Esse mecanismo permitirá a busca ativa para identificar antecipadamente pessoas vulneráveis, com sinais e sintomas de infecção por coronavírus, através do disparo de ligações com atendimento automatizado para encontrar possíveis casos.

“Fizemos um algoritmo que faz disparo de ligações para 125 milhões de brasileiros. Esses disparos estão ligados em um grande data center, que irá nos ajudar a antecipar o nome das pessoas, onde elas estão, se são grupo de risco, com quem convivem. Vamos disparar as ligações, então não se espantem se o seu telefone tocar. É como se fosse uma consulta, por meio de uma voz artificial, que vai fazer uma triagem. Vai fazer algumas perguntas para saber se pode te acompanhar. É um sistema de inteligência artificial que irá nos ajudar muito”, explicou o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

Clique e escute a simulação de uma ligação

Aplicativo Coronavírus

Outra ferramenta que poderá auxiliar a popoulação é o aplicativo Coronavírus SUS. A recente atualização permite que o Ministério da Saúde possa enviar mensagens e alertas aos celulares e tablets, mesmo com app fechado ou não sendo utilizado naquele momento. A ferramenta permite que a Secretaria de Vigilância em Saúde, responsável pela vigilância epidemiológica da pandemia do coronavírus no Brasil, disponibilize comunicados para usuários em geral ou segmentos públicos específicos. O app está disponibilizado nas lojas virtuais do Governo do Brasil nas principais plataformas digitais.

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Nicole Beraldo, da Agência Saúde
Atendimento à imprensa
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