Sars-cov-2 e Covid-19 - Notícias da Mídia

Grávida de 8 meses, professora de São Caetano é internada com covid-19 após volta às aulas

Rafaela de Ávila Cardoso, professora da EMEF Luiz Olinto Tortorello, relatou que voltou a trabalhar por pressão e acabou contaminada pela covid-19

Grávida de 8 meses, a professora do ensino fundamental Rafaela está internada em terapia semi-intensiva com covid-19 – Acervo pessoal

São Paulo – Com apenas 10 dias da volta às aulas presenciais obrigatórias, a professora Rafaela de Ávila Cardoso, grávida de 8 meses, começou a apresentar sintomas de covid-19. Ela foi internada ontem (22) na Unidade de Terapia Semi-Intensiva do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, monitorando sinais vitais dela e de sua bebê, tomando corticoide, anticoagulante e outros medicamentos. A docente trabalha na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Luiz Olinto Tortorello, em São Caetano do Sul, e relata que voltou à escola no dia 5 fevereiro por pressão, já que não teve seus pedidos para manter-se em home office aceitos.

“Minha bebê está bem, mas o médico decidiu pela internação, pois disse que a piora nestes casos pode ser muito rápida. Voltei a trabalhar por pressão. Não consegui preencher a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), mesmo com o atestado de 14 dias com o CID de covid-19. Durante quase 11 meses estive em casa e não peguei nada. Foi só voltar duas semanas e já fiquei doente”, relatou Rafaela.

Sintomas

Segundo a professora, temendo voltar à escola em meio à pandemia de covid-19, ela solicitou à direção da unidade o afastamento no dia 5 de fevereiro, o que lhe foi negado. “Pedi para a direção da escola e eles me disseram que não seria possível nenhuma liberação a não ser que eu entrasse de licença”, afirmou. Entre os dias 5 e 10 de fevereiro, foram realizadas atividades de planejamento na escola. A partir do dia 11, a professora começou a receber alunos.

A professora diz ter sido informada que no dia 9 seria publicada uma normativa sobre o sistema de home office para servidores dos grupos de risco à covid-19. No dia 15, ela sentiu o primeiro sintoma: falta de ar, ao subir uma rampa na escola e ao ler trecho de um livro para seus alunos. No começo, ela pensou ser reflexo da própria gravidez. Nos dias seguintes, passou a sentir cansaço, dores, tosse e febre. No dia 21, já apresentando sintomas há alguns dias, a professora recebeu a confirmação do teste positivo para covid-19. A portaria que lhe garantiria a atuação em home office só foi publicada hoje (23).

Necessidade, insegurança, medo

A professora comentou que entende a necessidade de retomar as aulas presenciais, já que tem sido muito difícil manter o interesse e o aprendizado das crianças nas aulas online. Ao mesmo tempo, avalia que a volta foi cercada de insegurança e medo, já que a pandemia de covid-19 vem piorando desde o final do ano passado. Hoje, São Paulo tem o maior número de pessoas internadas em UTI com covid-19 de toda a pandemia.

“É muito difícil e cruel se sentir pressionada a fazer alguma coisa em que você está muito insegura e com medo de fazer. Voltar as aulas presenciais no momento em que estávamos de uma possível 2°onda. E, após 5 dias com os alunos e 9 dias no ambiente escolar, me vi com o que eu mais temia, testando positivo para covid-19. Com uma sensação de impotência, pois neste momento não tenho mais o que fazer a não ser tratar os sintomas e torcer que nada demais grave ocorra comigo e com minha filha. Enquanto meus amigos seguem correndo o risco em sala diariamente”, disse Rafaela.

Levantamento organizado pelos servidores públicos da prefeitura de São Caetano, até ontem (22), mostra que as escolas de São Caetano do Sul já registram 36 casos confirmados de covid-19. Destes, 34 professores e funcionários e dois estudantes. Além de 46 casos suspeitos, sendo 44 de docentes e funcionários e dois entre alunos. Todos os servidores tiveram de retomar suas atividades, mesmo maiores de 60 anos, doentes crônicos ou grávidas.

RBA pediu posicionamento do governo do prefeito interino Anacletto Campanella Júnior (Cidadania), mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

Grávidas correm risco 70% maior de infecção por Covid-19, diz estudo

Equipe de pesquisa coletou dados de 240 pacientes grávidas com Covid-19 em 35 hospitais e clínicas nos Estados Unidos

Mulher grávida
Estudo americano ressalta a prioridade de vacinas para gestantes
Foto: Divulgação / Pixabay

Um estudo publicado na terça-feira (16), no Jornal Americano de Obstetrícia e Ginecologia, mostra que a taxa de infecção de Covid-19 entre mulheres grávidas, no estado de Washington, nos Estados Unidos, foi 70% maior do que em adultos com idades semelhantes, no mesmo estado.

O estudo também descobriu que as taxas de infecção entre mulheres negras grávidas eram, de duas a quatro vezes, maiores do que o esperado.

“As mulheres grávidas não foram protegidas da Covid-19 nos primeiros meses da pandemia, com o maior índice de infecções ocorrendo em quase todos os grupos de minorias raciais / étnicas”, escreveram os pesquisadores em seu relatório.

“Nossos dados indicam que as mulheres grávidas não evitaram a pandemia como esperávamos, e as comunidades de cor carregaram o maior fardo”, disse a Dra. Kristina Adams Waldorf, uma obstetra da Escola de Medicina da Universidade de Washington e o autor sênior do relatório.

De acordo com o estudo, a taxa de infecção de Covid-19 em mulheres grávidas no estado de Washington foi de 13,9 em cada 1.000 partos, em comparação com uma taxa geral de 7,3 em cada 1.000 para jovens de 20 a 39 anos no estado.

“As taxas de infecção mais altas em pacientes grávidas podem ser devido à representação excessiva de mulheres em muitas profissões e setores considerados essenciais durante a pandemia Covid-19 – incluindo saúde, educação, setores de serviços”, disse a autora principal, Dra. Erica Lokken, em um comunicado à imprensa.

Os pesquisadores sugerem que as gestantes devem ser amplamente priorizadas para a vacinação contra Covid-19.

“Mulheres grávidas estão excluídas da priorização de alocação em cerca de metade dos estados dos EUA. Muitos estados nem mesmo estão vinculando seus planos de alocação de vacina Covid-19 às condições médicas de alto risco listadas pelos Centros para Controle e Prevenção de Doenças, que inclui gravidez “, disse Waldorf.

Pfizer begins coronavirus vaccine trial in pregnant women

Do The Hill

 

Pfizer begins coronavirus vaccine trial in pregnant women
© Getty Images

Pfizer and BioNTech on Thursday announced a new trial aiming to test the safety and efficacy of its coronavirus vaccine among pregnant women.

The companies, which together produced one of the two COVID-19 vaccines the Food and Drug Administration approved for emergency use in the U.S., said in a press release that it had given doses to its first group of participants in the new study, which aims to provide clear data on any impacts the inoculation may have for expectant mothers and their newborn children.

William Gruber, senior vice president of Vaccine Clinical Research and Development at Pfizer, said in a statement along with the press release, “We are proud to start this study in pregnant women and continue to gather the evidence on safety and efficacy to potentially support the use of the vaccine by important subpopulations.”

Gruber went on to say, “Pregnant women have an increased risk of complications and developing severe COVID-19, which is why it is critical that we develop a vaccine that is safe and effective for this population.”

According to the Centers for Disease Control and Prevention (CDC), pregnant women who are infected with COVID-19 have a higher chance of severe illnesses, including “ICU admission, mechanical ventilation, and death compared with non-pregnant women of reproductive age.”

Pregnant women were excluded from the initial Pfizer-BioNTech clinical trials, and the most updated CDC guidance states that it is a “personal choice” for pregnant women on whether to get the coronavirus vaccine.

Pfizer’s new trial will include about 4,000 healthy pregnant volunteers ages 18 and older who are anywhere from 24 to 34 weeks into their pregnancy, according to Thursday’s press release.

Pfizer and BioNTech said the trial will “evaluate the safety, tolerability, and immunogenicity of two doses” of the vaccine 21 days apart, with half of the participants receiving the actual inoculation and half getting a placebo.

Each woman is expected to participate in the study for seven to 10 months, with researchers looking for any side effects in women, including miscarriage.

The researchers will also monitor the infants until they reach approximately 6 months of age to detect any adverse reactions, as well as the possibility of a vaccinated mother transferring protective antibody to the child while in the womb.

The press release added that those mothers given the placebo will have the opportunity after the study to receive the vaccine.

The additional trial comes as Pfizer, as well as Moderna and AstraZeneca, all have clinical trials underway to determine the safety and efficacy of vaccinations among children, as the inoculations have largely been tested and approved by countries for emergency use for people as young as 16.

I’m an epidemiologist. I’ll be glad to get whatever vaccine I’m offered

The rapid development of effective, safe vaccines in just under a year is something of a scientific miracle

Do Guardian

 

A nurse prepares a dose of Oxford-AstraZeneca COVID-19 vaccine
‘Even the least effective vaccine available appears to reduce the risk of the things we care about most – hospitalisation and death – by a very large amount.’ Photograph: Michael Dantas/AFP/Getty Images

At the start of the pandemic, it was very hard to predict anything. There were predictions of endless Covid-19 pain, wave upon wave of sickness and death, and fears that we would be stuck with painful trade-offs between our health and livelihoods for years to come.

But the vaccinations have changed everything. The light at the end of the tunnel is now so much closer than we could’ve hoped back in March 2020.

Few people would’ve – could’ve – predicted the speed with which we have developed vaccinations. If you had asked most scientific professionals what was a realistic timeline for effective vaccines to be rolled out, most answers would’ve run to years. And this was an understandable assumption – prior to Covid-19, the quickest vaccination development took four years, and many vaccines took far longer than that.

Covid-19 was first sequenced on 10 January 2020. The first Covid-19 vaccination not as part of a clinical trial was given on 8 December 2020 in the UK. 333 days in total to go from the most basic science to an effective, safe vaccination that is already saving lives across the world.

But with this miraculous success has come a slew of arguments. Should we be going with the most clinically efficacious vaccine that will block more transmission? What about herd immunity – which vaccine will provide us with the most protection long term?

To an extent, these discussions are important. Despite the early stage of the worldwide vaccine rollout, there is some data that certain vaccines have proven more effective in the short term against both the initial virus and its variants. If our aim is to keep Australia from having any disease outbreaks at all, as we have done so well with our Covid-19 restrictions, there’s a reasonable debate to be had about which vaccine we want to use.

But equally, it’s easy to miss the woods for the trees. Even the least effective vaccine available appears to reduce the risk of the things we care about most – hospitalisation and death – by a very large amount. While individual trials were not powered to detect a statistically significant effect, the overall impact of vaccines seems to be that they reduce your risk of getting really sick from Covid-19 even if they don’t stop you from getting the disease entirely.

On top of this, herd immunity isn’t a sure-fire bet no matter the vaccine. We can deal with variants in the short term, perhaps, but when we consider the really long term, things become inherently uncertain. If one vaccination prevents onwards transmission for 24 months, but the protection wanes and then disappears entirely over the course of a decade – similar to, for example, the whooping cough vaccine – then herd immunity would be much harder to maintain. We might be left in a situation where, similar to influenza, we all have to get vaccinated every year, except instead of it being a public health bonus it’s a national necessity because otherwise the virus will break out again in the community.

Given that the disease is unlikely to be eliminated in much of the world any time soon, we have to deal with the unwelcome fact that people will be bringing coronavirus into the country for the foreseeable future. SARS-CoV-2 will continue to mutate, and as I said at the start, making predictions is something of a fool’s game.

All that being said, we can deal with what we know now, and what we know now is that all of the approved vaccines are safe and effective. Yes, there is some debate over whether, from a public health standpoint, the long-term benefits of one immunisation over another are important. I’m not trying to stifle that conversation – it’s a discussion we need to have.

But we should take a moment and consider where we were in February 2020, and how amazingly far we’ve come since then. We may have to live with Covid-19 for a time longer, but even the least effective vaccine approved so far is a level of success that no one predicted a year ago.

In Australia two vaccines have so far received approval from the Therapeutic Goods Administration: the Pfizer vaccine, which has an efficacy rate after two doses of 95%, and the Astra Zeneca vaccine, approved on Tuesday, which has an efficacy rate of 62%. A third vaccine, Novavax, with an efficacy of 89% in phase 3 trials, has been purchased in advance by the federal government but not yet approved for use in Australia.

So which vaccine will I be getting, as an epidemiologist and public health worker? Well, I agree wholeheartedly with Nobel laureate Professor Peter Doherty on this one: I’ll take whatever I’m offered (and be glad to have it).

The best vaccine is the one that’s in your arm.

• Gideon Meyerowitz-Katz is an epidemiologist working in chronic disease

Pandemia faz condições trabalhistas das mulheres recuarem uma década na América Latina

CEPAL estima que a taxa de atividade feminina nos postos de trabalho ficou em 46% em 2020, seis pontos percentuais a menos que antes da crise do coronavírus

Do El País

Uma mulher com máscara acomoda frutas em sua banca no mercado de Corabastos, em Bogotá, em 27 de julho de 2020.
Uma mulher com máscara acomoda frutas em sua banca no mercado de Corabastos, em Bogotá, em 27 de julho de 2020.GUILLERMO LEGARIA / GETTY IMAGES

Um ano de crise significou uma década de retrocesso em matéria trabalhista para as mulheres latino-americanas. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) adverte que as mulheres foram as mais prejudicadas pelo impacto econômico da covid-19, por serem maioria naquelas profissões com maior precarização e risco de destruição de emprego —como o comércio, a hotelaria, a indústria e o serviço doméstico— e ter escasso acesso ao crédito para manter ou recuperar seus negócios. Em outros setores profissionais muito feminizados, como a saúde e a educação, os empregos não estão em perigo, mas as trabalhadoras muitas vezes contam com preparação e proteção insuficientes contra o coronavírus.

Em um relatório intitulado A autonomia econômica das mulheres na recuperação sustentável e com igualdade, apresentado nesta quarta-feira em Santiago, a CEPAL, uma agência da ONU, pede aos Governos que adotem políticas de recuperação econômica com perspectiva de gênero para reduzir a desigualdade e não deixar ninguém para trás. “Os setores em alto risco concentram cerca de 56,9% do emprego das mulheres e 40,6% do emprego dos homens na América Latina”, descreve o relatório. Em alguns países, a disparidade é ainda maior, como no caso do México: 65,2% das mulheres trabalhadoras estão empregadas em setores muito golpeados pela crise, contra 44,9% dos homens.

A CEPAL propõe reativar setores gravemente afetados, como o comércio, o turismo e os serviços, por considerar que “além de redinamizar as economias eles têm um potente efeito na recuperação do emprego das mulheres”. Pede também investir em infraestruturas de cuidado para fomentar o crescimento econômico: “Por um lado, o investimento dinamiza a demanda interna de consumo e, com ela, o nível de atividade. Por outro, ampliam-se as possibilidades de crescimento no longo prazo e de desenvolvimento na medida em que se libera tempo das mulheres e se profissionaliza e regula a qualidade do cuidado, o que contribui para que os países saiam da armadilha do baixo crescimento”.

ampliação e acessibilidade dos serviços de cuidado (creches etc.) é crucial para ampliar a participação das mulheres no mercado de trabalho. Antes da pandemia, a taxa de atividade feminina era de 52%. Agora, o organismo estima que ronda 46%. À perda de autonomia econômica se soma uma sobrecarga de trabalho não remunerado, em especial o vinculado ao cuidado e apoio nas tarefas escolares dos filhos depois da suspensão das aulas presenciais.

Entre os dados reunidos no relatório destacam-se alguns que dão conta da magnitude do impacto desta crise nas mulheres, como o desabamento do trabalho doméstico registrado. No Chile e na Colômbia, 4 de cada 10 trabalhadoras domésticas ficaram sem emprego desde que a pandemia de covid-19 eclodiu. No Brasil, 2 em cada 10. Quem conservou o trabalho muitas vezes viu suas tarefas aumentarem, seja por maiores exigências de higiene pelo coronavírus ou pela necessidade de cuidar de familiares que antes não estavam permanentemente em casa.

O setor da saúde ganhou especial relevância desde que o coronavírus se expandiu por todo o mundo. Na América Latina e Caribe, 7 de cada 10 trabalhadores neste âmbito são mulheres, mas seus salários são pelo menos 25% inferiores aos de seus colegas homens. “Diante da atual crise, as jornadas de trabalho se intensificam, e em alguns casos as pessoas ocupadas neste setor não contam com equipamentos de proteção suficientes, o que aumenta as possibilidades de contágio e também agudiza o estresse do pessoal”, adverte a Cepal.

O organismo vê também com preocupação o retrocesso na área educativa, onde 70,4% dos postos estão ocupados por mulheres. “O corpo docente (altamente feminizado) teve que responder às novas formas de educação, em muitos casos sem a possibilidade de formação ou capacitação prévia e sem as competências ou os recursos suficientes para poder adaptar seu trabalho às exigências do ensino à distância e o uso de plataformas”, diz o relatório. O fato de em muitos lugares da América Latina o papel das escolas ir além da educação —por exemplo, ao garantir a alimentação das crianças— obrigou o pessoal educativo a colaborar também em tarefas como distribuição de alimentos, produtos sanitários e materiais escolares.

Perante este panorama, a Cepal propõe que os Estados concebam políticas de reativação econômica com perspectiva de gênero. Isso implica que os cuidados não sejam vistos como um gasto social, e sim como um investimento para gerar emprego, e que também se leve em conta a necessidade de reverter as discriminações no mercado de trabalho.

FEATURE-COVID creates ‘fertile ground’ for genital cutting in Africa

Da Reuters

NAIROBI, Feb 5 (Thomson Reuters Foundation) – When Margaret heard the family making plans for her genital cutting ceremony last August, the 15-year-old Kenyan schoolgirl knew there was no room for negotiation.

Her school in rural, western Kenya had been closed for five months due to the pandemic, and with no certainty when classes would resume, Margaret’s parents decided she should wed.

“They wanted me to be cut so I could be married and they would get dowry,” Margaret told the Thomson Reuters Foundation by phone from a temporary foster home in West Pokot county, which borders Uganda.

“They didn’t listen when I told them I wanted to continue with my education … so I ran away to a neighbour who took me to a charity worker who helps girls like me.”

Margaret, whose name has been changed to protect her identity, is one of the lucky ones.

From Kenya, Somalia and Tanzania in the east to Liberia, Sierra Leone and Nigeria in the west, the COVID-19 pandemic has led to a surge in reports of girls across Africa undergoing female genital mutilation (FGM), say women’s rights groups.

FGM, which involves partial or total removal of the female genitalia, threatens 4 million girls annually.

The world has pledged to end the practice by 2030 – an ambitious goal made all the more remote by the new coronavirus.

For the pandemic has created a perfect storm for proponents of cutting: vulnerable girls stuck at home without teachers’ protection, anti-FGM groups grounded by lockdown and hard-pressed health services diverted to COVID-19.

Shutdown has also driven poverty higher, said campaigners, so families perform FGM hoping to marry their daughters off to ease the financial burden at home or gain a dowry.

Africa’s confirmed coronavirus caseload has reached more than 3.5 million, with almost 100,000 deaths, according to the Africa Centres for Disease Control and Prevention.

Health experts say a lack of testing and reliable data from many African nations means the true figures may be far higher.

“Anecdotal evidence, including various reports from police and activists, indicate that in some communities there has been an increase, including girls being subject to FGM en masse,” said Flavia Mwangovya, who leads the anti-FGM programme at charity Equality Now.

The pandemic, she said, spawned “a fertile environment for FGM to proliferate”, with the United Nations Population Fund(UNFPA) predicting an extra 2 million girls will be cut in the next decade.

GIRLS AT RISK

On Saturday, International Day of Zero Tolerance for Female Genital Mutilation aims to focus minds on the practice and bolster efforts to raise funds and awareness to stamp it out.

More than 200 million girls and women globally have undergone FGM. It is practiced in more than 30 countries – largely in Africa, but also in parts of Asia and the Middle East, and by diaspora communities in the West.

Usually carried out by traditional cutters, often using unsterilised blades or knives, the centuries-old ritual has no health benefit and can lead to a host of medical problems, says the World Health Organization (WHO).

Girls can bleed to death or die from infections.

It can also cause fatal childbirth complications.

In many communities, a girl weds soon after cutting, say rights groups, stifling progress in education, health and employment and in turn hampering her children’s development.

The WHO says FGM also exacts a crippling economic cost – estimating the cost of treating the health impacts of genital cutting to be about $1.4 billion annually.

In Africa and the Middle East, 26 nations have outlawed FGM, but the practice persists within some communities that believe it fosters social acceptance and boosts marriage prospects.

MASS CUTTINGS

A September study by the anti-FGM charity Orchid Project found FGM cases had reportedly increased in Nigeria, Kenya, Tanzania, Sierra Leone, Somalia and Liberia.

The Five Foundation, which supports local organisations to fight FGM, said they had given out grants to more than a dozen partners who had reported increased FGM cases during the pandemic, including in The Gambia, Guinea and Egypt.

Domtila Chesang, a Kenyan anti-FGM advocate, said communities had exploited school closures to perform genital cutting on their girls, free from the risk of detection.

“I can confidently say there has been a spike in FGM and child marriage cases due to COVID-19 in Kenya,” said Chesang.

“I received many tipoffs of FGM cases, sometimes ceremonies involving hundreds of girls. In some cases, we were able to intervene with the police and rescue the girls, but in other cases the place is too far off and you can’t reach in time.”

Chesang said she helped rescue 60 girls – including Margaret – in the nine months when Kenyan schools were shut, compared to an average of 15 rescues annually pre-pandemic.

In neighbouring Somalia – which has the world’s highest FGM rate with about 98% of women having been cut – child rights groups say the lockdown has seen circumcisers going door to door offering to cut girls stuck at home, as well as mass gatherings.

In Sierra Leone and Liberia, campaigners also believe cases have risen, although they do not have official data as backup.

“With no one watching, the practitioners started aggressively selling their services, so they could make more money by performing FGM procedures and this has led to an increase,” said Mackins Pajibo, programme officer at the Monrovia-based charity Women Solidarity Incorporated.

Anti-FGM groups also cite reports that former cutters in countries such as Nigeria who had given up their work, have restarted due to a loss of earnings caused by the pandemic – further hampering efforts to end the practice.

Some countries have tried to counter the new trend.

In Kenya, village chiefs have made house-to-house checks, while motorbikes were given to elders in Liberia so they could monitor girls at risk.

In Nigeria’s Enugu state, activists turned to “Neighbourhood Watch Group” members to provide an informal policing system.

To end FGM by 2030, the U.N. estimates it will cost $2.4 billion – or $95 for each girl safeguarded – and have urged donors to come forward and meet the challenge.

“It is an ambitious and necessary goal and it is achievable – if we unite, fund and act,” UNFPA Executive Director Natalia Kanem said in a statement. (Reporting by Nita Bhalla @nitabhalla, Editing by Lyndsay Griffiths. Please credit the Thomson Reuters Foundation, the charitable arm of Thomson Reuters, that covers the lives of people around the world who struggle to live freely or fairly. Visit news.trust.org)

Para especialista da OMS chegou a hora de dar atenção à ‘Covid longa’

Via Istoé

Para especialista da OMS chegou a hora de dar atenção à ‘Covid longa’

– AFP

 

É chegado o momento de começar a resolver o mistério da Covid persistente, exortou a funcionária da Organização Mundial da Saúde (OMS) encarregada de encontrar uma resposta a este flagelo que parece atacar, sem razão aparente, milhões de doentes com patologias que os enfraquece.

Um ano após o aparecimento da doença que já matou mais de 2,2 milhões de pessoas, o foco agora está nas campanhas de vacinação e variantes do vírus.

A “Covid longa”, porém, também merece atenção urgente da comunidade científica, explica Janet Diaz, chefe da equipe clínica responsável pela resposta ao coronavírus, em entrevista à AFP na sede da OMS em Genebra.

“Ainda não sabemos realmente o que é a Covid longa”, afirmou Diaz, que pediu um esforço unificado em escala global.

Alguns estudos começam a apresentar pistas, mas ainda não se sabe por que alguns pacientes com covid-19 apresentam por vários meses sintomas como fadiga extrema, dificuldades respiratórias ou, às vezes, problemas neurológicos e cardíacos graves.

“Ainda há muito a aprender, mas estou confiante na mobilização da comunidade científica”, afirma Diaz.

Um exemplo da falta de informação é que a chamada “covid longa” ainda não tem um nome preciso.

A OMS fala de síndrome pós-covid-19 ou “covid-19 de longa duração” em um documento recente sobre suas novas recomendações. “Covid longa” é a expressão mais usada e, às vezes, também se fala em covid de longo prazo.

– Primeiro seminário da OMS –

A OMS organizará no dia 9 de fevereiro o primeiro seminário virtual dedicado à covid longa com médicos clínicos, pesquisadores e especialistas para encontrar uma definição da doença, dar-lhe um nome formal e harmonizar os métodos para estudá-la.

“É uma patologia que precisa ser melhor descrita, da qual precisamos saber quantas pessoas são afetadas, cuja causa deve ser mais bem compreendida para que possamos melhorar a prevenção, o manejo e as formas de curá-la”, destaca a médica americana de 48 anos.

Os estudos disponíveis mostram que cerca de 10% dos doentes apresentam sintomas um mês após a infecção e no momento não há ideia de quanto tempo eles podem persistir.

O que é intrigante com a covid longa é que o perfil dos pacientes que sofrem este quadro não corresponde ao das pessoas mais vulneráveis: idosos e pessoas com fatores agravantes.

A covid de longo prazo afeta as pessoas que adoeceram em vários graus “e também inclui os jovens”, explica Diaz.

É a prova de que a covid não é apenas uma simples gripe, como afirmam os negacionistas da pandemia. É também um argumento contra aqueles que apoiam o isolamento apenas de pessoas frágeis.

O sintoma mais comum parece ser fadiga, mas existem muitos outros: cansaço após esforço físico ou doença, dificuldade em pensar com clareza, respiração curta, palpitações cardíacas e problemas neurológicos.

“O que não se entende é como todas essas coisas estão ligadas. Por que alguém tem uma coisa e outra pessoa tem outra?”, questiona a médica, destacando que os pesquisadores devem entender os mecanismos íntimos da doença que causam esses sintomas.

“Isso é devido ao vírus? À resposta imunológica? Se soubéssemos mais poderíamos começar a identificar algumas intervenções para reduzir os sintomas”, afirma.

Uma “quantidade enorme” de pesquisas está em andamento, acrescenta.

– “Manter a esperança” –

O seminário de 9 de fevereiro será o primeiro de uma série de reuniões.

“No momento, provavelmente temos dados suficientes (descrevendo a covid longa) para começar a juntar as peças do quebra-cabeça”, estima Diaz.

Além de uma definição precisa e um nome, o seminário também deve permitir o estabelecimento de regras para a coleta de dados de controle de pacientes com o objetivo de começar a encontrar formas de curá-los.

Para aqueles que sofrem de covid longa e que às vezes se sentem incompreendidos, Díaz tem uma mensagem: “Mantenham a esperança”.

“As pessoas às vezes apresentam sintomas por muito tempo, mas sabemos que se curam”, afirma, e conclui: “Estamos com vocês”.

In Mexico, Childbirth in Covid’s Shadow

Do The New York Times

Midwives and doctors struggle to help women give birth safely during the grim days of the pandemic.

Doctors released Alejandra Guevarra Villegas, 19, from the operating room after delivering her baby girl by emergency C-section in San Luis Acatlán, a small town in the Costa Chica zone in the Mexican state of Guerrero.

 

Leer en español

Rafaela López Juárez was determined that if she ever had another child, she would try to give birth at home with a trusted midwife, surrounded by family. Her first birth at a hospital had been a traumatic ordeal, and her perspective changed drastically afterward, when she trained to become a professional midwife.

“What women want is a birth experience centered on respect and dignity,” she said. She believes that low-risk births should occur outside hospitals, in homes or in dedicated birth centers, where women can choose how they want to give birth.

In late February, Ms. López and her family were anticipating the arrival of her second child at their home in Xalapa, Mexico, while following the ominous news of the encroaching coronavirus pandemic. She gave birth to Joshua, a healthy baby boy, on Feb. 28, the same day that Mexico confirmed its first case of Covid-19. Ms. López wondered how the pandemic would affect her profession.

(…)

Vacina contra a covid-19, do veneno ao antídoto em um ano

Do El País
Vacinada aos 90. Uma enfermeira do Hospital Universitário de Coventry (Inglaterra) aplica à paciente Margaret Keenan, de 90 anos, a vacina da PfizerBioNtech contra a covid-19, em 8 de dezembro. Keenan se tornou assim a primeira pessoa vacinada no Reino Unido, que se antecipou aos outros países europeus e aos EUA na autorização do soro contra o novo coronavírus.
Vacinada aos 90. Uma enfermeira do Hospital Universitário de Coventry (Inglaterra) aplica à paciente Margaret Keenan, de 90 anos, a vacina da Pfizer/BioNtech contra a covid-19, em 8 de dezembro. Keenan se tornou assim a primeira pessoa vacinada no Reino Unido, que se antecipou aos outros países europeus e aos EUA na autorização do soro contra o novo coronavírus. JACOB KING AFP

Imaginávamos estar a salvo em nossas sociedades hiperprotegidas e não demos ouvidos aos sinais lançados por outros vírus e aos que pediam planos de contingência.

 

Este ano longo e triste começou com a pior notícia imaginável: um vírus desconhecido com um potencial pandêmico que demorou alguns meses para se tornar evidente no Ocidente. Mas este ano também termina com a melhor notícia possível dada a situação: a chegada das vacinas contra a covid-19. Elas não resolverão o problema de terça até quinta-feira, mas o farão na segunda metade do ano nos países ricos e, esperamos, dentro de alguns anos no mundo em desenvolvimento.

As vacinas são uma ferramenta essencial da medicina e um dos fatores —juntamente com os antibióticos e o saneamento— que fizeram a expectativa média de vida dobrar no século XX nos países ocidentais, de 45 para 90 anos (arredondando um pouco). Mas nunca a ciência havia respondido tão depressa a um vírus emergente. Viajamos do veneno ao antídoto em apenas um ano. Um feito sem precedentes que exige reflexão. Os historiadores da ciência terão tempo mais adiante para analisar o assunto em detalhes, mas há algumas explicações que podemos traçar agora, quando ainda estamos mergulhados na segunda onda da pandemia e vendo chegar a terceira após as desaconselháveis celebrações natalinas. A primeira é a veloz perspicácia dos cientistas ante a ameaça. Virologistas, epidemiologistas, imunologistas e geneticistas arregaçaram as mangas em janeiro, no mesmo momento em que os cientistas chineses publicaram a sequência genética do SARS-CoV-2, quando ele ainda não tinha esse nome nem nenhum outro (além da designação “vírus chinês” tão apreciada por Donald Trump).

Como fogo na palha, alastrou-se a ideia de que Bill Gates havia previsto a pandemia numa conferência e inclusive apresentado a foto de um coronavírus como ilustração. E é verdade. Mas o motivo pelo qual um dos grandes filantropos de nosso tempo demonstrou tal presciência é que Gates é muito bem informado pela elite científica, que há décadas adverte sobre o risco dos vírus emergentes com potencial pandêmico. E o slide do coronavírus é explicado porque os vírus dessa família, como o SARS e o MERS, já tinham ameaçado o mundo na década passada, como também certas versões do vírus da gripe. Lembram-se? H1N1, H5N1 e toda aquela quantidade de siglas que já parecem arcaicas, mas que continuam por aí esperando sua oportunidade.

Há outras razões para a façanha científica. Num segmento em que o segredo industrial e as patentes costumam dominar o panorama, vimos neste caso uma considerável colaboração entre o setor público e o privado, e também através de fronteiras. Os reguladores auditaram os ensaios clínicos desde o início, e as três fases dos testes foram sobrepostas para acelerar o processo. São lições muito importantes para o futuro. E o mais essencial de tudo é que Governos devem investir intensamente em ciência e medicina. Se isso ocorrer, 2020 terá sido um ano bom apesar de tudo.

How Covid-19 led to a global crisis in maternity care

Pregnant women around the world have endured inadequate treatment since the start of the pandemic.

It has been one of the shadow, global stories of the pandemic: as countries moved to control Covid-19, maternity services were upended by restrictions. Only this month in the UK it was reported that a woman who was rushed to hospital due to complications following birth was not allowed to see her six-week-old son for six days because of the risk of coronavirus.

The disruption has varied from country to country and throughout the period, but it has been documented globally. Earlier this year, the UN Office of the High Commissioner issued an open call for reports on “women and girls’ sexual and reproductive health in situations of crisis”. In its submission, the Global Respectful Maternity Care Council (the Global RMC Council), which represents 150 organisations in 45 countries, stated: “Since the beginning of the pandemic women have reported a comprehensive suspension of reproductive health services worldwide, particularly in low- and middle-income countries.” This resulted from governments redirecting resources to Covid-19.

The submission continued: “As services were suspended in the early days of the pandemic, women also saw their rights denied and in the name of preventing Covid-19 transmission without sufficient evidence nor justification that these rights violations were necessary or proportionate.”

The Global RMC Council cited examples such as birth companions being banned during labour and delivery, separation of women from newborns if they had Covid-19 or were suspected to have it, and women being “prevented from or discouraged from breastfeeding their newborns” despite a lack of evidence that the virus can be transmitted via breastmilk. It also noted there had been “forced medical interventions, caesarean sections and inductions under the misguided assumption that interventions would accelerate labour and delivery, and minimise viral exposure for women and health providers, and free up hospital beds more quickly despite overwhelming evidence to the contrary”.

An editorial on Covid’s effects in a number of European countries, published in September in the journal Midwifery, reported an increase in virtual antenatal appointments, limits to companionship in labour and at antenatal scans, and some suspensions in the UK of homebirth and birth centre services.

In one extreme example, Midwifery reported that regions in Italy with the highest Covid-19 levels had at times stopped women’s access to epidurals for pain relief during labour because anaesthetists were redeployed to treat coronavirus patients. In Spain, in the early days of the pandemic, some hospitals isolated women with Covid-19 from their babies, with no skin-to-skin contact or breastfeeding allowed, until the mother tested negative. Restrictions have also been reported in the US. One study, published in May in Medical Anthropology, found that “partners and doulas [were] being excluded from birthing rooms” in the early months of Covid-19. The UK has also seen partner visits severely limited on post-natal wards.

number of campaigns and surveys in the UK have highlighted the mental toll such disruptions have taken on pregnant women and their families. Experts have pointed out that factors such as a woman’s choice of birth partner are not a luxury. As the Global RMC Council put it, there is “tremendous evidence that birth companions improve the likelihood of safe childbirth”.

Throughout the pandemic, the World Health Organisation (WHO) has maintained that Covid restrictions should not undermine a woman’s right to a “positive” experience of birth and “respectful care”, Dr Anshu Banerjee, the director of the WHO’s Department of Maternal, Newborn, Child and Adolescent Health and Ageing, told me.

“We have had concerns that because of the issue of infection prevention and control that maybe some of these positive elements might be undermined,” said Banerjee. “We should make sure that services are provided in a safe manner, but that it still allows that positive experience and thereby also allowing to breastfeed and to have the companion there.”

WHO guidance most recently updated in September – six months after lockdowns or other national restrictions started in most countries – is clear that even if a woman has coronavirus, she should be able to hold and breastfeed her newborn, and have “a companion of choice present during delivery”. The guidance also states that women with Covid-19, or suspected to have it, do not need to give birth by C-section. “WHO advice is that caesarean sections should only be performed when medically justified. The mode of birth should be individualised and based on a woman’s preferences alongside obstetric indications,” it says.

In September the organisation reiterated that it “strongly recommends that all pregnant women, including those with suspected, probable or confirmed Covid-19, have access to a companion of choice during labour and childbirth,” citing its clinical guidelines of management of coronavirus.

“Again and again, research shows that women greatly value and benefit from the presence of someone they trust during labour and childbirth… The benefits of labour companionship can also include shorter length of time in labour, decreased caesarean section and more positive health indicators for babies in the first five minutes after birth,” according to the WHO.

The WHO doesn’t have “systemic data on specific restrictions”, says Dr Ӧzge Tunçalp, of the organisation’s Department of Sexual and Reproductive Health and Research, but it has been “running pulse surveys trying to gauge disruptions”. The WHO has “anecdotal reports and news from different countries across the world, both high-income and low- and middle-income, regarding restrictions on maternity services such as not allowing companions [and] separation of mother and the baby. This also extends to use of unnecessary C-sections.”

An investigation by OpenDemocracy documented violations of the WHO’s guidance in 45 countries, including examples of women in Latin America being pushed to have C-sections because of Covid-19 and the pressure on health services. Early in the pandemic, research on pregnant women in Wuhan found high C-section rates, though they were high in China before the pandemic. One researcher told me that there have been similar reports from countries in Eastern Europe.

There is already some evidence as to the effects of these disruptions. A study published in the Lancet in August looked at birth outcomes and care in childbirth during Nepal’s national lockdown, drawing on data across nine hospitals from January (around 12 weeks before lockdown started in March) to May. The study found that, while births in healthcare facilities decreased by 52.4 per cent during lockdown, the stillbirth rates at hospitals and birthing centres went up from 14 per 1,000 pre-lockdown to 21. Neonatal mortality increased from 13 per 1,000 births to 40.

The researchers found decreases in foetal heart rate monitoring during labour, in rates of breastfeeding within one hour of birth, and in women being accompanied in childbirth. There were some improvements in hand hygiene and “keeping the baby skin-to-skin with their mother”, but the paper concluded that “during the Covid-19 pandemic, women and their babies (both in utero and neonates) are susceptible and at risk due to gaps in care that can result in adverse birth outcomes including mortality. The decrease in the number of institutional births and increase in adverse outcomes are especially concerning because of Nepal’s fragile health system and raise questions on policies regarding strict lockdowns in low-income and middle-income countries.”

The results from Nepal mean that “most likely people came [to seek maternity care] late… because they were afraid of Covid or potentially being infected with Covid at the hospital, so they presented… late and then the outcomes have worsened”, said Banerjee, adding that the same was documented in Sierra Leone during the Ebola outbreak.

The WHO has also been concerned about rates of anxiety and depression among pregnant women and those who have given birth in the pandemic, Banerjee noted. Recent research in the UK found a spike in anxiety and depression among new mothers.

More evidence of the impact disrupted maternity services have had in high-income countries is emerging, too. A nationwide study in Australia, where there are around 300,000 births a year, has been tracking the effects of the pandemic on pregnant women and those who have had children since the coronavirus outbreak began. The researchers have surveyed more than 5,200 such women, and will be continuing the research through follow-up polls.

The study, which will be replicated in New Zealand, was modelled on research following flooding in Queensland in 2010-11, when thousands were evacuated from their homes and dozens were killed, explained Hannah Dahlen, a professor at Western Sydney University’s School of Nursing and Midwifery. The Queensland study looked at the effect of the disaster on women who had been pregnant, as well as on their children’s development in following years. The researchers behind it worked with Dahlen on the “Birth in the Time of Covid-19” study.

Similarly to the UK, in Australia there was a reduction of face-to-face antenatal care in favour of virtual appointments during the pandemic, as well as limits on women being accompanied during labour and at antenatal appointments. Services including water births and birth centres were restricted. Also, as in the UK, Covid-19 restrictions varied from hospital to hospital, sometimes even between those in close proximity, said Dahlen.

When we spoke last month, the Birth in the Time of Covid-19 research had already uncovered some worrying findings. While 16 per cent of respondents said they had considered a previous birth traumatic, 22 per cent of respondents who gave birth during the pandemic said the birth was traumatic, a significant increase. Prevalence of anxiety and depression was also high, said Dahlen.

Continuity of care – being in contact with the same midwife or obstetrician throughout the pandemic – meant respondents “felt buffered from the stress”. This was similar to a finding in the Queensland flood study, where “not only did women have better outcomes but also more babies had better outcomes”, Dahlen said. Some 77 per cent of respondents had experienced tele-medicine, but “it was generally not viewed positively”, she noted. Interactions over the phone were more transactional, and respondents missed the “chit chat” with healthcare providers, which “is powerful social stuff”.

But regarding the overall experience of pregnancy and birth during the pandemic, Dahlen and her colleagues were surprised that around 35 per cent of respondents responded positively. “The positive has been their partner was home, if they are in a happy relationship where they don’t have domestic violence and they have not financially been… really stressed over this event, like losing a job. They felt they fell in love more with their partners, they felt their partners got more engaged with the childcare, and they felt the partner was more attached to the baby because they’ve been there more they may have been.”

There were “still more women who see this [experience] as very negative”, however. Women with mental health issues have had a “particularly bad time”. Respondents reported anxiety about going out with their baby, “about being a bad mother and not giving this baby the same experience as the last”.Birth, Dahlen pointed out, “is the only thing that happens in a hospital that is about being well and doing something that is a normal physiological life event”. It is medicalised, she said, but “having a baby is a deeply psychological, social, culture and spiritual event, and by only viewing it as a physical event we are potentially creating enormous trauma for women and their partners who are bringing babies into the world… and yet it’s caught in the same kind of mentality and restrictions as sick people encounter”. During the pandemic, things that matter to pregnant women and their families, such as choices over pain relief or where to give birth or the presence of partners, have been treated “like a fancy extra rather than a fundamental choice of a woman”.

Lockdowns and measures to control Covid-19 are likely to continue for the time being. In the UK, women are still reporting restrictions in maternity and neo-natal services. The NHS issued new guidance this week stating that partners are “a key component of safe and personalised maternity care”. The Covid-19 vaccine offers hope for a return to normal services in the future. “Once countries have introduced immunisation I think polices will slowly normalise again,” said Banerjee.

But he warned that, “in particular for countries with low health workforce density, repurposing of healthcare workers to plan for and implement the roll-out of the vaccine might lead to reduced services. This is hypothetical but needs to kept in mind in planning the vaccine roll-out.”

Covid-19 has put health services under enormous strain globally. It is striking, however, that not only were maternity services impacted in similar ways worldwide, but that a woman’s right to choose, hard fought for over decades within those services, was impacted in such a similar way. Earlier this year, Dahlen co-authored a paper arguing that the pandemic “exposed an underlying pandemic of neglect affecting women’s reproductive rights, particularly in the provision of abortion services and maternity care”.

“Underlying biases and agendas” have become clear, she told me. “In Australia [restrictions allow us] to half fill football stadiums and have 100 people gamble, but a woman could not have both her doula and her partner support her during her labour. Covid-19 has exposed the patriarchy in ways that were slightly hidden before.” Childbirth choices are a human right and, despite progress, there is still a lot to fight for.

This has implications for the achievement of the UN’s Sustainable Development Goals on maternal and newborn mortality, but it is also a more general warning for the future. As one paper on the US experience in the early days of the pandemic notes, Covid-19 – much like flooding, climate crisis-induced storms and other natural disasters – has seriously impacted maternity care provision. We must learn lessons from this crisis before we face such challenges again.

Sem aulas, crianças desenvolvem problemas mentais e distúrbios

Do O tempo

 

Mães relatam que, em casa, filhos sofrem com gagueira, depressão, intoxicações e até auto-agressões

personagem
A arquiteta Juliana Duarte Fernandes Santana e seu filho, de 5 anos: criança desenvolveu crises de ansiedade, falta de ar e transtorno alimentar durante o período sem aulas presenciais. Foto: Cristiane Mattos

Aos 5 anos, o filho de uma arquiteta tem falta de ar e fica dentro de casa andando em círculos e com mania de arrumação. Uma pergunta feita pelo menino a deixa desolada: mamãe, porque você pode sair de casa e eu não?

Voltar a urinar na cama acompanhada por uma repentina gagueira foram os efeitos colaterais que a falta de aulas presenciais e o isolamento social provocou em um menino de 4 anos, filho de uma advogada. A criança agora faz acompanhamento no psicólogo e fonoaudiólogo.

Os relatos são de mães que alegam vivenciar em casa uma angústia ao ver os filhos e filhas passaram por sofrimentos que, segundo as famílias, são resultado dessa sequência de meses em que as escolas estão de portas fechadas. Os impactos não escolhem classe social, mas é perceptível que as crianças de famílias com menor poder aquisitivo sofram ainda mais. Os relatos envolvem distúrbios alimentares, do sono, emocionais, intoxicações intencionais e até auto-agressões.

Juliana Sartorelo é médica e mãe de 3 crianças. Ela diz presenciar os reflexos que a falta da escola causa nos alunos de duas formas: no atendimento médico e em casa. Seu filho do meio, de 4 anos, desenvolveu distúrbio do sono e crise de ansiedade. A filha mais velha, de 5, passou o dia inteiro na cama chorando quando uma liminar ordenou que as escolas da capital não retomassem as aulas. E os casos que ela tem atendido no Centro de Toxicologia do Hospital João XXIII são ainda mais graves.

“Percebemos desde o início (da pandemia) que as crianças e adolescentes vêm chegando ao ambulatório com idade cada vez mais jovem. Elas acabam sendo vítimas de privação de alimento e agressão física. Temos visto um crescente número de autoagressão nessas crianças, algumas delas vindas de famílias disfuncionais, com pais dependentes químicos, e outras que ficam a mercê das telas de celulares, pois os pais trabalham fora ou ficam em home office”, contextualiza.

Acidentes

A médica também informa que a falta de aula presencial nas escolas tem criado um outro fenômeno: crianças maiores cuidando de irmãos menores, o que eventualmente acaba resultando em acidentes domésticos. “Teve uma menina de 11 anos que cuidava de uma de 3 e outra de 5. Elas fizeram ingestão de analgésicos e medicamentos de pressão dos pais quando eles saíram para trabalhar. Há casos de crianças que bebem produtos de limpeza, sofrem quedas e outros acidentes por causa da ausência dos pais. Então a escola acaba sendo um refúgio para a criança, seja alimentar ou no contexto de famílias disfuncionais. Sem isso a criança fica muito vulnerável”, argumenta Juliana.

A indignação, segundo as mães, reside no fato de a prefeitura ter proibido a retomada das aulas presenciais sem ter apresentado nenhuma outra alternativa. “O meu filho é invisível para o poder público”, reclama a advogada Luciana Dadalto, mãe do garoto que desenvolveu gagueira. Para ela, falta uma compreensão sobre a defasagem que a falta de aulas presenciais vai causar nas crianças. “Estamos maltratando o futuro. Minha revolta é em relação a isso. O direito à educação é algo constitucional”, alega.

Outra preocupação é que a sociedade entenda que a luta pela retomada das aulas presenciais pode ser feita com cautela e regras sanitárias severas. “Claro que na escola há risco de contaminação, mas há também no boteco, no parque, na praça”, compara a Juliana Duarte, cujo filho começou a ter falta de ar assim que as aulas foram paralisadas.

As mães se intrigam sobre o porquê as aulas em Belo Horizonte continuarem proibidas, sendo que países da Europa, em plena segunda onda da Covid-19, priorizaram o funcionamento das escolas, segundo elas. “A escola não pode ser esse lugar da Covid. Se abrem clubes e cinemas e meu filho pode ir a esses lugares, estamos pedindo é uma explicação”, diz a arquiteta.

Elas também sentem que os filhos estão com comportamentos de sociabilidade alterados. “São crianças que estão na fase de formação de caráter, o que é feito através do contato físico. A criança fora da escola não se esforça em fazer parte de grupo nenhum. Dentro da escola ela aprende a aceitar o não e os limites do outro”, responde Juliana.

“Naturalizamos crianças sozinhas em casa”, afirma escola

Não são apenas mães e pais que têm sentido as dificuldades que a falta de aulas presenciais manifestam nas crianças. Nas escolas, o reflexo também é percebido e alimenta preocupações entre equipes pedagógicas. Para Letícia Fonseca, uma das proprietárias da escola particular Clic, no bairro São Pedro, região Centro-Sul da capital, a educação está sendo colocada de escanteio e o prejuízo não está sendo devidamente calculado.

Letícia, dona de escola, diz educação não pode ser deixada para lá

 

“Naturalizamos que as crianças podem ficar sozinhas em casa vendo televisão. A janela de aprendizagem vai passar, e como vamos recuperar isso depois?, questiona. “A escola é o maior centro de convivência para as crianças, ajuda a construir conceitos éticos, morais, de autoconhecimento e diversidade. Atua na formação da personalidade e identidade. Não podemos deixar isso para amanhã”, desabafa.

Escolas sem data para reabrir

O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) informou que recebe diversos relatos de crises emocionais dos estudantes, estresse, depressão, dentre outras questões que envolvem a saúde mental. Para o sindicato, as estratégias dos órgãos públicos de combate à pandemia no ramo educacional são generalistas.

“O retorno às atividades poderia ser opcional e controlado”, diz a nota enviada pela entidade. O Sinep afirma ainda que “o poder público atrasa o retorno presencial às atividades escolares por interesses políticos e por não oferecer condições às escolas municipais e estaduais de se adaptarem a este momento”.

Consultada, a prefeitura de Belo Horizonte informou que ainda não é possível reabrir as escolas para aulas presenciais. Segundo o Executivo, a previsão é que a abertura aconteça quando a incidência média por 100.000 habitantes atinja valores compatíveis com baixo risco (menor do que 20 novos casos por dia) para a saúde pública.

Sobre demandas de saúde mental apresentadas por alunos, a prefeitura relatou que os centros de saúde contam equipes de saúde mental formadas por psicólogos e psiquiatras. Eles atuam no acompanhamento ambulatorial também de crianças e adolescentes. A Unidade de Acolhimento Infantil e os Centros de Referência em Saúde Mental Infantojuvenil completam a rede de atendimento. O número de atendimentos foi de 104.061 (2019) e 53.976 (até 30 de outubro de 2020).

Questionada sobre quais propostas alternativas foram pensadas para a educação durante a pandemia, a administração municipal informou que implementou o regime especial de atividades escolares, estratégia que alcança a educação infantil, ensino fundamental e alunos do Educação de Jovens e Adultos (EJA). As atividades são asseguradas por meios físicos impressos ou eletrônicos.

 

 

Should pregnant women get a COVID-19 vaccine? What about women considering pregnancy? Guidance is hard to find because trials exclude pregnancy.

Do Chicago Tribune

Hospital workers are under an immense amount of stress this year. But help might be on the way soon as a federal advisory committee recommended Tuesday that they be first in line for vaccines.

But what if they are pregnant?

Like all pregnant women, health care workers will be operating without much data, as pregnant women have been excluded from clinical trials so far.

Pregnant women are commonly excluded from research, something that has frustrated Dr. Emily Miller for years. Miller is the assistant professor in the Division of Maternal-Fetal Medicine at Northwestern Medicine’s Feinberg School of Medicine, where she has been closely following the lack of data on pregnant women and new vaccines.

“As it turns out, pregnant women can be doctors and nurses and respiratory therapists,” she said. “This is putting our pregnant health care workers in a place where they haven’t been given a lot of concrete guidance because they’ve been systematically excluded.”

This essentially results in “clinical experimentation on pregnant women, as vaccines are distributed and administered without the safeguards of research in place,” according to a Society for Maternal-Fetal Medicine statement released Tuesday. Miller is a member of the task force.

In a conference call on vaccine progress Thursday morning with the Infectious Diseases Society of America, Dr. Kathleen Neuzil, co-director of the National Institutes of Health’s COVID-19 Prevention Network, acknowledged pregnant women should be included in vaccine research.

“We know that women of childbearing age make up a large proportion of health care workers, make up a large proportion of front-line responders,” she said. “So we really don’t have a vaccine for everyone, until we have a vaccine for pregnant women.”

The Society for Maternal-Fetal Medicine statement recommended that health care workers be offered the vaccine if pregnant.

In general, for pregnant women, the group recommended access to COVID-19 vaccines in all phases of future vaccine campaigns.

The statement noted that with mRNA vaccines, likely to be the first available and which induce an immune response, the theoretical risk of fetal harm is very low.

Miller acknowledged that people have “lingering questions” about COVID-19 and the new vaccines.

“It has to be balanced against the risk of not getting the vaccine, which is the risk of acquisition of (COVID-19), which has concrete and well-documented risks,” she said. “Through that lens, if we can remember that there is no zero-risk option, then the balance at this point favors receiving the vaccine.”

The society criticized the lack of available data and noted that if multiple vaccines become available, “some vaccines may be more suitable for pregnant women.”

As much as the limited data frustrates Miller, she emphasized that what is known is that if women are pregnant, or become pregnant, and contract COVID-19, they are at risk of getting very sick.

“That’s super worrisome,” she said.

Women considering becoming pregnant will similarly have no available information on pregnancy after getting the vaccine.

Dr. Ann Borders, an OB-GYN and executive director of the Illinois Perinatal Quality Collaborative, said she expects vaccination will be recommended for women considering pregnancy, as they are entering a high-risk category. Borders plans to bring up the topic on a call this Friday with the collaborative.

Lactating women also have been left out of clinical trials, even though, as the Society for Maternal-Fetal Medicine’s statement noted, “there is no biological plausibility for the exclusion of lactating women.”

Miller said this highlights that women deserve more information.

“We need to be shifting our mindset from this mantra of we need to protect pregnant women from participating in trials, and instead shift it to we need to protect pregnant women from being excluded from these trials,” she said.

Miller said she will be watching closely to see if the Centers for Disease Control and Prevention’s Advisory Committee on Immunization Practices offers any pregnancy-specific guidance. She also expects that, out of the many people involved in trials, some will become pregnant after taking the vaccine.

Patients should discuss options with their OB-GYNs.

“There isn’t a simple answer to questions about whether pregnant people, or those considering pregnancy, should take the COVID-19 vaccine, especially since no vaccine is currently approved,” Christopher Zahn, the vice president of practice activities of the American College of Obstetricians and Gynecologists, said in a statement. “When the vaccines do become widely available, unfortunately, we have no data on the safety of the vaccine in pregnant and lactating individuals because they were excluded.”

Zahn said patients should consider any available data, patients’ individual risk factors and their “unique needs, desires and values.”

The CDC’s general guidelines for vaccinating pregnant women, which were last updated in 2016, notes that the benefits, in general, “usually outweigh potential risks when the likelihood of disease exposure is high.”

Already, OB-GYNs strongly encourage, for example, a flu vaccine, as pregnant women are similarly more prone to getting sicker from the flu, because of changes in the immune system, heart and lungs during pregnancy.

The Illinois Department of Public Health has long emphasized the importance of health care providers’ advice to pregnant women, noting that women who received a recommendation for a flu vaccine and an offer of vaccination were six times more likely to be vaccinated, compared with women who did not receive a recommendation or an offer of vaccination.

Miller hopes women feel empowered by discussing this issue with their provider.

“Getting COVID-19 in pregnancy is incredibly serious,” she said. “Let’s empower you to do everything, to use every tool in the toolbox to stay safe.”

Covid-19: grávidas têm maior risco de quadros graves e infecções…

Do UOL

LeoPatrizi/iStockImagem: LeoPatrizi/iStock

A pandemia global pelo novo coronavírus 2 (SARS-CoV-2) afetou a grupos específicos, como idosos e pessoas com comorbidades como asma e pressão alta, de maneira mais severa.

Conforme aponta uma revisão sistemática de estudos publicada no periódico científico Mayo Clinic Proceedings, mulheres grávidas, grupo que pesquisas feitas em diferentes países já apontava como vulnerável, também apresentam maior risco de morbidade e mortalidade associadas a infecções.

Segundo os pesquisadores, isso acontece porque alterações fisiológicas naturais durante a gravidez e mudanças metabólicas e vasculares em gestações de alto risco podem agravar o quadro clínico da covid-19.

Essas mudanças fisiológicas, de acordo com os cientistas, abrem a porta para impactos advindos do vírus. O vírus entra nas células através do receptor da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), que é aumentado durante a gravidez normal.

Como resultado da maior expressão de ACE2, as grávidas podem ter risco elevado para complicações. A cascata de eventos que acontecem uma vez que o vírus se liga ao receptor ACE2 é similar ao que acontece na pré-eclâmpsia, uma complicação potencialmente séria da gravidez que pode levar a pressão alta e a possíveis danos aos órgãos

Como o estudo foi feito

  • A análise considerou um total de 23 estudos publicados em língua inglesa entre os dias 1º de janeiro e 22 de abril e que levou em consideração casos de 185 pacientes. A revisão excluiu as análises que apresentavam somente relatos de casos.
  • A maioria dos diagnósticos das mulheres grávidas incluídas na revisão ocorreu no terceiro trimestre.
  • Febre foi o sintoma de apresentação mais comum, seguido por tosse, dispneia e alterações gastrointestinais. Pouco mais de 25% dos pacientes eram assintomáticos no momento do diagnóstico.
  • Os achados laboratoriais mais comuns foram linfopenia e neutrofilia.
  • Pneumonia foi um diagnóstico comum (relatado em cerca de 40% das pacientes), e uma pequena porcentagem (3,24%) necessitou de internação em unidade de terapia intensiva. O manejo dos pacientes variou de acordo com a instituição.
  • A maioria foi tratada com medicamentos considerados relativamente seguros durante a gravidez: antibióticos (cefoperazona, sulbactam, ceftriaxona, cefazolina e azitromicina), terapia antiviral (lopinavir, ritonavir, oseltamivir e ganciclovir), e algumas foram tratadas com corticosteroides (dexametasona, metilprednisolona).
  • De acordo com a análise, grávidas infectadas pelo vírus tiveram maior risco de complicações na gravidez, incluindo parto prematuro e pré-eclâmpsia, bem como taxas mais elevadas de parto cesáreo.

O que os resultados indicam

De acordo com os pesquisadores, embora ainda não exista um banco grande de estudos sobre o tema, os resultados apontam a necessidade de protocolos de tratamento específicos para grávidas infectadas pelo novo coronavírus.

“Os primeiros relatórios sugerem taxas mais altas de complicações relacionadas a infecção por Sars-CoV-2 durante a gravidez, adicionando urgência à busca de pesquisa sobre tratamentos e estratégias preventivas”, escreveram os autores.

“Durante a gravidez, o sistema imunológico da mulher deve se adaptar para dar suporte ao crescimento e desenvolvimento do seu bebê. Essa adaptação controla rigorosamente as respostas que poderiam machucar o bebê ao passo que também protege a mãe de vírus e bactérias”, diz Elizabeth Enninga, coautora do estudo e pesquisadora clínica no departamento de obstetrícia e ginecologia da Mayo Clinic.

Para as mulheres que estão grávidas e se sentem preocupadas sobre exposição ao vírus, Kavita Narang, também autora do estudo, recomenda consultar o obstetra para que possam trabalhar juntos para garantir o cuidado mais adequado.

Pregnant Women Face Increased Risks From Covid-19

If symptomatic, they were more likely to develop complications and die than nonpregnant women with symptoms.

The study found that pregnant women were three times more likely to be admitted to an intensive care unit, but the absolute rate of risk increase is low.
Credit…John Moore/Getty Images

While most pregnant women infected with the coronavirus have not become severely ill, the new caution is based on a large study that looked at tens of thousands of pregnant women who had Covid-19 symptoms.

The study found they were significantly more likely to require intensive care, to be connected to a specialized heart-lung bypass machine, and to require mechanical ventilation than nonpregnant women of the same age who had Covid symptoms. Most importantly, the pregnant women faced a 70 percent increased risk of death, when compared to nonpregnant women who were symptomatic.

The study from the Centers for Disease Control and Prevention, the largest such study so far, examined the outcomes of 409,462 symptomatic women ages 15 to 44 who tested positive for the coronavirus, 23,434 of whom were pregnant.

“We are now saying pregnant women are at increased risk for severe illness. Previously we said they ‘might be’ at increased risk for severe illness,” said Sascha Ellington, a health scientist with the C.D.C., and one of the authors of the new study.

Still, Dr. Ellington emphasized that the overall risk of both complications and death was low.

“The absolute risk of these severe outcomes is low among women 15 to 44, regardless of pregnancy status, but what we do see is an increased risk associated with pregnancy,” she said.

Dr. Denise Jamieson, chair of gynecology and obstetrics at Emory University School of Medicine, said the new data underscore the importance of pregnant women taking extra precautions to avoid exposure to the virus, including avoiding social gatherings and interactions with people — even members of their own households — who may have been exposed or become infected.

“This is new information that adds to the growing body of evidence, and really underscores the importance of pregnant women protecting themselves from Covid,” Dr. Jamieson said. “It’s important that they wear a mask, and avoid people who are not wearing a mask.”

But, she said, women should not skip prenatal care visits and must get the vaccines they need, like flu shots, and noted that the study indicates pregnant women should have access to a safe and effective Covid vaccine, once one is available.

An earlier study did not find a higher risk of death among pregnant Covid patients, but the pregnant patients in the new study were 1.7 times more likely to die than nonpregnant patients. That amounted to a death rate of 1.5 per 1,000 cases among the symptomatic pregnant women, compared with 1.2 per 1,000 cases of symptomatic women who were not pregnant.

The study also highlighted racial and ethnic disparities. Nearly one- third of the pregnant women who had Covid were Hispanic. And while Black women represented 14 percent of the pregnant women included in the analysis, nine of 34 deaths were Black women.

Dr. Ellington emphasized the importance of taking precautions to avoid infection, saying pregnant women should limit interactions to avoid people who may have been exposed.

“Pregnant women should be counseled about the importance of seeking prompt medical care if they have symptoms,” the authors wrote.

A smaller study, also released Monday from the C.D.C., reported that women who tested positive for the coronavirus were at increased risk for delivering their babies prematurely, finding that 12.9 percent of live births among a sample of 3,912 women were preterm births, compared with 10.2 percent in the general population. The sample was not nationally representative, but the finding echoes earlier reports that warned of a higher risk for preterm deliveries.

Among 610 newborns who were tested for the coronavirus, 2.6 percent were positive, with most of the infections occurring among babies whose mothers had the infection within a week of delivery.

MÁS CESÁREAS QUE PARTOS NATURALES EN MÉXICO. POR LA PANDEMIA, EL SECTOR SALUD DEJA A LAS MUJERES SIN OPCIÓN A ELEGIR

Do Animal Político

 

María José estaba lista para tener a su primer hijo por parto natural, aunque fuera justo cuando se esperaba el pico de la pandemia de COVID-19 en México, en mayo pasado. Pero una semana antes de la fecha probable de nacimiento, le pareció que ya no sentía al bebé como antes y fue a revisión con su ginecóloga privada. Ella le hizo un ultrasonido y le dijo que todo se veía bien, pero le recomendó hacer cesárea de una vez.

Desconcertados, los futuros mamá y papá preguntaron si no había otra manera de monitorear al niño y pidieron al menos un día para pensar la decisión, y entonces la doctora los presionó con el argumento de la contingencia sanitaria.

“Me dijo: es sábado, pandemia, 4 de la tarde… normalmente cuando están en estas situaciones les mando a hacer un estudio de bienestar fetal, pero ahorita no es ni el momento más adecuado ni nadie te lo va a hacer. Entonces, pues no; yo recomiendo que ya te hagas la cesárea. Si ustedes deciden irse ahorita, me tienen que firmar una carta que me liberan de toda responsabilidad si algo sale mal con su bebé”, cuenta María José en entrevista.

Así que sin tiempo para pensarlo a solas o llamar por teléfono a quien le había dado un curso preparatorio de parto natural, con el bebé a un día de llegar a las 37 semanas indicadas para nacer y con más temor que tranquilidad, María José accedió a la cirugía y en menos de dos horas ya estaba hospitalizada.

En 2020, por primera vez el número de nacimientos por cesárea superó al de partos naturales y llegó a ser más de 50%, de acuerdo con datos preliminares del Subsistema de Información sobre Nacimientos (SINAC) de la Secretaría de Salud. Esto a pesar de que la Organización Mundial de la Salud (OMS) recomienda que dicho método no supere el 15% de los nacimientos en un país.

El aumento en la práctica de cesáreas coincide con los meses de contingencia por la pandemia de COVID-19. En marzo, los partos naturales y por cirugía se igualaron en 49.3% (el resto son partos auxiliados con otros instrumentos o no especificados) y a partir de abril las cesáreas han sido más de la mitad. En total, en México han nacido hasta agosto 498 mil 748 bebés por vía vaginal y 508 mil 402 por abdominal.

El mes con más operaciones fue julio, 51.3%, y también en el que menos partos naturales se registraron, apenas 46.5%.

Animal Político

México era ya uno de los países con más cesáreas del mundo, el cuarto lugar, según un estudio de la OMS de 2010, con tasas que rondaban el 45%. En datos más recientes de la organización, actualizados hasta 2015, solo había cuatro países con porcentajes superiores al 50%: República Dominicana a la cabeza, seguido de Chipre, Brasil y Egipto.

Someter a una mujer a una cirugía no justificada para tener un hijo en lugar de seguir el curso de su embarazo hasta llegar a término natural se considera por la ONU una posible forma de violencia obstétrica, un tipo de violencia contra las mujeres.

En opinión de Rebeca Lorea, coordinadora de incidencia y política pública de la asociación civil Grupo de Información en Reproducción Elegida (GIRE), aunque no toda cesárea es violencia obstétrica, tener un alto porcentaje de estas operaciones sí es un indicador de qué tan adecuada es la atención a la salud reproductiva, y pone en duda que las mujeres de un país tengan toda la información y las opciones sobre las posibilidades de su parto.

Más atenciones privadas, más cirugías

Con la preocupación de no tener que pisar siquiera un hospital donde se atendieran casos de COVID-19 para evitar cualquier riesgo de contagio, María José buscó una clínica pequeña para tener a su bebé, aunque tuviera que pagar más porque no la cubría su seguro.

Cuenta que leyó en un grupo de Facebook de mujeres embarazadas de Querétaro —donde vive— que muchas otras pensaron lo mismo y pedían recomendaciones de clínicas donde se sintieran seguras de estar lejos del nuevo virus que ha paralizado al mundo.

Los datos del SINAC revelan también que en lo que va de 2020 ya aumentaron 5 puntos porcentuales la cantidad de nacimientos atendidos en unidades médicas particulares: de representar el 18.6% del total en 2019, al segundo semestre de este año ya es el 23.2%.

En febrero pasado, antes del inicio de la pandemia, nacieron en privados casi 24 mil bebés, y para julio fueron 35 mil, un tercio más.

Esto ha sido clave en el aumento del número global de cesáreas, ya que mientras los hospitales públicos resuelven por cirugía 4 de cada 10 embarazos, en los particulares lo hacen con 8 de cada 10.

Animal Político

Y es que al revisar los datos por clasificación de unidad médica, entre privadas y más de 10 tipos de servicios públicos, no hay grandes variaciones entre cómo resolvían los nacimientos antes y cómo lo han hecho durante la contingencia sanitaria. La gran diferencia está en que muchas más mujeres pasaron a tener a sus bebés en particulares en los últimos meses.

Algunas de ellas han llegado enviadas por el propio sector público. El gobierno de México firmó el 23 de abril un acuerdo con la Asociación Nacional de Hospitales Privadospara referir a esos establecimientos a pacientes que requirieran atención de segundo nivel y así tener más capacidad para recibir a los enfermos de COVID-19. Como resultado de ese acuerdo, el Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS)reportó el 11 de septiembre que había transferido a más de 14 mil pacientes, de los que 11 mil 724 fueron por atención de embarazo, parto o cesárea y puerperio, es decir, el 82%.

La doctora ginecobstetra María Fernanda Acevedo Vega, coordinadora de programas médicos del IMSS, explica en entrevista que se refirió a privados a todas las mujeres a partir de 34 semanas de embarazo que estaban sanas, sin sospechas de contagio de coronavirus ni condiciones de riesgo, por lo que podían tener un parto natural. Sin embargo, dice que el Instituto ya no tuvo injerencia en la atención posterior y la decisión de los médicos particulares de cómo resolver el nacimiento, si por vía vaginal o abdominal.

La funcionaria señala que los privados siempre han tenido tasas más elevadas de cesáreas, muchas veces porque si son clínicas muy pequeñas, ni siquiera son manejadas por especialistas en ginecobstetricia, sino por médicos generales.

El doctor Francisco Ibargüengoitia, del Colegio Mexicano de Especialistas en Ginecología y Obstetricia (COMEGO), explica que uno de los factores que pudo influir en que se programaran más nacimientos por cirugía es que muchos médicos y hospitales le piden a quien se vaya a internar una prueba PCR para descartar COVID-19. Entonces no se puede mandar a hacer cuando la mujer ya está en trabajo de parto, ni tomarla como válida si ya pasaron muchos días, lo que llevó a agendar los nacimientos por cesárea con la garantía de que no esté presente el virus.

Sin embargo, también enfatiza que desde antes de la pandemia, México ya tenía un nivel alto de esta operación, al grado de que está normalizado entre las propias embarazadas. A veces hasta se utiliza la expresión de que no hace falta estar “sufriendo” con un parto y muchos médicos privados ponen en juego la idea de comodidad: tanto para ellos, como diciéndole a la mujer no se pase más de 12 horas de labor de parto y con dolores, sino con anestesia y en un horario programado.

“Dos, y esto ya se ha visto también hace mucho tiempo con la Secretaría de Salud: las personas que tienen un seguro de gastos médicos, se paga menos por un trabajo de parto y parto, que por una cesárea. Entonces, el sentido común ¿qué le diría?, pues te programo, para mí es menos tiempo, no voy a estar 16, 18 horas contigo, y me van a pagar más. Entonces esa es otra de las situaciones que se ha visto desde hace mucho tiempo, que se ha dicho que sea al revés: si te pasaste 16, 18 horas con una paciente, pues que te paguen porque estuviste más tiempo”, explica.

¿Se recomienda hacer cesárea por pandemia?

Miryam está en su último mes de embarazo. Su ginecóloga, también privada, le ha dicho que lo más probable es que le practique una cesárea porque tiene la placenta baja, estorbando la salida del bebé. Una condición que puede presentarse, entre otras causas, por una cesárea previa, como ella ya tuvo hace cuatro años con su primer hijo.

No le han dicho nada de que, por pandemia, deba seguir medidas diferentes en la atención del nacimiento: solo su marido podrá entrar al hospital y todo el embarazo ha tenido que ser más estricta con las medidas de higiene y precauciones recomendadas. Solo eso.

Ni a nivel nacional ni internacional ha habido indicaciones de que la cesárea sea una mejor opción o que se justifique su aumento durante la pandemia de COVID-19.

El gobierno de México publicó en abril un “Lineamiento para la prevención y mitigación de COVID-19 en la atención del embarazo, parto, puerperio y de la persona recién nacida”, actualizado en julio, que en ninguna de sus 47 páginas recomienda la cesárea. Por el contrario, recuerda que la OMS ha declarado que debe estar bien justificada la intervención médica y no es necesaria hasta en 85% de los embarazos, y advierte que en las circunstancias extraordinarias actuales se enfrenta el riesgo de perder el enfoque de respeto a los derechos humanos y reproductivos.

Aun así, reconoce que la vía de nacimiento más frecuente en el contexto de la pandemia ha sido la cirugía, sin que estén claros los diagnósticos.

“Por ello, en apego a la Norma Oficial Mexicana NOM-004-SSA3-2012 Del expediente clínico, deberá consignarse adecuadamente la vía de nacimiento, así como las indicaciones de la misma. Con el objetivo de prevenir la morbi-mortalidad materna y mejorar el pronóstico perinatal, el nacimiento por vía abdominal sólo estaría justificado ante condiciones obstétricas que lo ameriten y/o exista deterioro del bienestar materno-fetal, previa valoración y estabilización por parte de las y los especialistas”, refiere el documento.

En contraste con el aumento de intervenciones quirúrgicas, el Lineamiento recomendó opciones alternativas, como la incorporación de parteras y la habilitación de casas maternas. Aunque asociaciones como la Red de Parteras Autónomas y La Cueva de la Parterapidieron al gobierno apoyo para promover y abrir estos espacios, y denunciaron que no tuvieron respuesta, sí hubo también un aumento en este tipo de nacimientos, aunque siguen representando un porcentaje mínimo del total: de haber sido solo el 1.1% entre enero y marzo, unos mil 400 en promedio, para abril subieron al 1.4% y en mayo y junio se casi duplicaron, promediando 2 mil 300, por lo que alcanzaron a ser el 1.9% de los nacimientos del país.

De acuerdo con la coordinadora de programas médicos del IMSS, María Fernanda Acevedo, esa institución sí ha tenido un aumento de cesáreas, sobre todo en hospitales de tercer nivel (los más especializados) donde ya de por sí tienen tasas más altas porque ahí se atiende a mujeres que tienen enfermedades concomitantes que complican el embarazo.

En caso de mujeres enfermas de COVID-19 o con síntomas de enfermedad pulmonar, explica, uno de los riesgos está en la disminución de oxigenación que sufren, que las afectará más en un parto y puede implicar un riesgo de que el bebé tenga menos oxígeno al nacer. De modo que sí puede ser más recomendable practicar una cesárea, pero solo si se presenta este problema, llamado hipoxia, detalla.

Hasta el 11 de octubre, se han registrado en México 6 mil 534 mujeres embarazadas o en puerperio, la etapa de recuperación, y mil 350 personas recién nacidas que resultaron positivas a la prueba de COVID-19, según el Informe Epidemiológico Semanal de Embarazadas y Puérperas Estudiadas de la Secretaría de Salud. De las contagiadas, murieron 150, lo que implica una letalidad de 2.29%, mucho más baja que la tasa nacional, que ronda el 11%.

Aunque le causa alivio que ni su bebé ni ella contrajeron COVID-19 ni tuvieron complicaciones en el nacimiento, María José sí cree que el contexto de la pandemia arruinó su deseo de tener un parto natural, lo que le implicó una recuperación más tardada y con más dolor inicial, porque además, en lugar de pasar las 48 horas que suele permanecer hospitalizada una mujer con esta cirugía, a ella la dieron de alta apenas a las 24 horas.

Após meses de home office e filhos em casa, mães estão à beira do colapso…

Do Universa

Não sabemos quando a epidemia vai acabar. Será que essas mães vão aguentar? - valentinrussanov/Getty ImagesNão sabemos quando a epidemia vai acabar. Será que essas mães vão aguentar?Imagem: valentinrussanov/Getty Images

Há quatro meses a socióloga e jornalista Juliana Taddone faz aulas de mestrado online com a filha, Elena, de três anos, no colo. Ela é mãe solo e mora em New Orleans, nos Estados Unidos. “Todos já a conhecem. Além das aulas, tenho também que estudar e trabalhar para pagar as contas”.

Já seria difícil se Juliana não tivesse que dar conta da filha. Mas com a escolinha fechada, ela cuida sozinha da menina. Quando a filha fica com o pai, duas vezes por mês, ela aproveita para colocar a vida em dia, o que significa ir ao supermercado, banco, etc.

Há um mês, Juliana tomou um susto. “Fui parar no hospital com um cálculo renal e minha pressão estava muito alta. Tive também muitas dores no corpo”. Ela pensou em largar o mestrado em uma prestigiada universidade americana. “Não estava dando conta de tudo e o mestrado era a única coisa que eu podia largar.”

Ela não é a única. Segundo estudos, as mães são dos grupos que mais apresentam problemas de saúde mental durante a pandemia.

Uma pesquisa divulgada esse mês pelo Centro de Adição e Saúde Mental de Toronto, no Canadá, afirma que as mulheres e os adultos com filhos menores de 18 anos são os que experimentam um grau maior de estresse durante a pandemia. 24.3% das mulheres apresentavam ansiedade (de moderada a extrema). No caso dos homens, o número era de 17.9%. Outro dado: 29% dos adultos com filho relataram depressão. No caso dos adultos sem filhos, o número foi caiu para 18.9%.

Ligia Moreiras, criadora da plataforma "Cientista que virou mãe" e mãe de Clara, de 8 anos: "O que está acontecendo com as mães na pandemia é uma catástrofe" - acervo pessoal - acervo pessoal
“O que está acontecendo com as mães é uma catástrofe”, alerta a cientista Ligia Moreiras, que tem mestrado em psicobiologia e doutorado em saúde coletiva e é criadora da plataforma “Cientista que virou mãe”. Mãe de Clara, de 8 anos, ela faz também “mentoria” (espécie de aconselhamento) para outras mulheres e lida diariamente com mães.

“Temos um nível de comorbidade estratosférica causada pela pandemia. E uma delas é a destruição da saúde da mulher que é mãe. Esse grupo está tendo pico de ansiedade, depressão e outras doenças.”

Ela acha que a sociedade precisa ver como o trabalho das mães é importante em tempos de coronavírus. “Falam que a linha de frente dessa pandemia são os profissionais de saúde. Mas não são só eles. São as mães que estão cuidando de milhares de crianças sem escola.”

Ligia também faz parte da linha de frente materna. Mas se considera privilegiada por ter guarda compartilhada da filha com o pai. “Na semana que ela está com o pai, sento para trabalhar e só saio dez da noite, nem me alimento direito. Claro que isso me deixa com o sono desregulado e com dor crônica na lombar, mas sei que, comparada com outras mulheres, sou privilegiada”.

A publicitária Ana Paula Casado, mãe de dois filhos, um de 10 meses e outro de 4 anos, também diz ter privilégio, pois pode trabalhar em casa e divide todas as tarefas com o marido. .

Ana Paula trabalha em uma agência de marketing digital e montou estratégias para conseguir da conta do trabalho e dos filhos ao mesmo tempo, já que o marido sai para trabalhar.

“Eu tento acordar antes deles para já agilizar umas coisas de trabalho antes de dar o café da manhã. E aí tem que ir encaixando as demandas profissionais entre uma mamada e outra. O de 4 anos tem atividades da escola que a gente acaba fazendo atrasadas porque não consigo entrar no site da escola todos os dias.”

A publicitária (que conversou com o blog enquanto amamentava) passa o dia fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo. “Tenho todos os aplicativos que a gente usa para trabalhar no celular e isso me ajuda a não ter que parar enquanto cozinho, por exemplo”, conta.

Junto com tudo isso, claro, vem a culpa.” Me sinto culpada o tempo todo. “Não acho que estou dando atenção o suficiente para eles, não estou dando comida fresquinha para eles em todas as refeições e o mais velho está assistindo muita televisão…”

O que fazer?

Não sabemos quando a epidemia vai acabar. E aí? Será que essas mulheres vão aguentar? “Temos que pensar em uma solução para o que está acontecendo com as mães coletivamente”, diz Lígia. Ela acredita que todos podem ajudar.

“Precisamos falar mais sobre isso, e precisamos de saídas coletivas. Os parâmetros de trabalho, por exemplo, não podem ser os mesmos para mulheres que estão com filhos em casa e as outras pessoas.”

Ela lembra que todo mundo deve ajudar a pressionar as empresas, por exemplo, a não demitirem mães. “Precisamos colocar em prática aqueles dizeres: mãe e crianças vão na frente”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Not accounting for sex differences in Covid research could be deadly

Analysis suggests too little attention is paid to gender disparities in medical trials

Do The Guardian

A pharmacist displays a box of hydroxychloroquine

A pharmacist displays a box of hydroxychloroquine. The side-effects of the drug are more prevalent in women. Photograph: Yves Herman/Reuters

Historically, medical research has often taken a one-size-fits-all approach, lumping women and men together despite growing evidence that the sexes differ in how they catch and fight disease.

A stark example was the heart drug digoxin, which was widely marketed in the late 1990s on the basis of a trial that showed it to be effective and safe. But over time a higher incidence of side-effects in women emerged. When the same dataset was analysed on the basis of sex, it showed digoxin decreased mortality in men – but increased mortality in women.

“Women are not just small men,” one expert said.

Covid-19 seems to be a case in point when it comes to differences between the sexes, with men thought to be up to twice as likely as women to die from the virus. But a new analysis suggests that scientists involved in the race to develop medical interventions for the coronavirus have paid little attention to these disparities.

In a still to be peer-reviewed study, researchers found that only 416 of the 2,484 Covid-19 clinical trials mention sex/gender as a recruitment criterion on the ClinicalTrials.gov database.

There had been just 11 original reports of randomised-controlled clinical trials published by journals in June, and none of the analyses was disaggregated by sex – although each study did report the number of female and male participants.

Some of those 11 studies evaluated hydroxychloroquine (HCQ), a decades-old malaria drug that initially generated buzz as a potential Covid-19 treatment.

HCQ causes heart rhythm side-effects that can be deadly, and the drug’s side-effects are known to be more prevalent in women, said study author Dr Sabine Oertelt-Prigione, chair of sex and gender-sensitive medicine at Radboud University in the Netherlands. If you don’t provide a sex-disaggregated analysis for a drug like this, she said, “what happens with all the potential new therapies?”

Mathias Wullum Nielsen, of the University of Copenhagen and an author of the latest analysis, said: “I think our study … suggests deeply ingrained norms that are difficult to change.”

While there is recognition today that women should be adequately represented in clinical trials, a series of birth defects and other problems resulting from foetal exposure to certain drugs between the 1940s and 1970s prompted scientists to initially exclude women and their foetuses, and later women of childbearing age, from clinical drug research.

Women were also seen as confounding test subjects, with their fluctuating hormonal levels, by researchers who generally believed that women and men would similarly respond to drugs. Eventually, Caucasian males came to be considered the “norm” population. Regulatory standards slowly shifted in favour of re-including women in trials by the 1990s.

But change came slowly, and even though researchers now typically maintain sex balance in trial recruitment, the final step of analysing data by sex does not always occur – with damning outcomes.

2001 study conducted by a government agency that holds US Congress to account found that of the 10 drugs that had been withdrawn from the US market since 1997, eight posed greater health risks for women than for men.

“The problem is, if you don’t do sex analysis – if males and females have very different responses – you could miss [accurate data on] everybody,” said Londa Schiebinger, a history of science professor at the University of Stanford.

Many funding agencies now require that scientists conduct sex analyses, as have some medical journals, while drug regulators are encouraging the practice. But until the exercise is enforced it appears the status quo will continue, experts said.

“People will promise anything if it allows them to either record the study or secure funding … but if it’s not being monitored, it doesn’t necessarily happen,” said Oertelt-Prigione.

“Women are not just small men. We have different hormones [levels], smaller kidneys and more fat tissue where drugs can accumulate,” said Dr Cara Tannenbaum, a scientific director at the Canadian Institutes of Health Research. “There’s so many reasons why things can go wrong.”

When it comes to Covid-19, and infectious diseases in general, female immune systems are considered stronger, in part because they have two X chromosomes that are understood to shape immune responses, although environmental factors play key roles. There are other established physiological and anatomical differences that may also make women more susceptible to some drug-related risks.

It’s therefore imperative that scientists analyse data by sex, the experts stressed.

“It’s a new virus we’re dealing with … there’s a lot of open questions,” said Oertelt-Prigione.

“Especially in a situation like this, providing data can help move mountains, and it can help convince people who usually wouldn’t think that this is a priority.”

Covid-19: BE quer que direito das grávidas a acompanhante seja respeitado

PhotoAlto/Frederic Cirou/Getty

De acordo com o deputado Moisés Ferreira, “há mulheres grávidas que estão a fazer a vigilância da gravidez e o parto sem acompanhante e isto causa angústia e algum transtorno psicológico”

O BE quer que as normas da Direção-Geral da Saúde sobre gravidez e parto no âmbito da covid-19 sejam revistas para que o direito das mulheres grávidas a estarem acompanhadas seja respeitado, em compatibilização com a saúde pública.

Em declarações à agência Lusa, o deputado bloquista Moisés Ferreira explicou os objetivos do projeto de resolução através do qual recomenda ao Governo que, “em conjunto com a Direção-Geral da Saúde (DGS), reveja as orientações e normas produzidas sobre o assunto, de forma a melhor harmonizar direitos da mulher grávida e saúde pública e garantindo o respeito pelos direitos legalmente consagrados”.

“A lei diz que a mulher grávida tem direito a acompanhamento na vigilância da gravidez e nas várias fases do parto e este direito deve ser respeitado. Durante a covid-19 várias instituições de saúde não estão a respeitar este direito”, apontou.

De acordo com o deputado do BE, “há mulheres grávidas que estão a fazer a vigilância da gravidez e o parto sem acompanhante e isto causa angústia e algum transtorno psicológico”.

“Aquilo que o BE recomenda é uma coisa muito simples: é que as orientações da DGS compatibilizem melhor aquilo que são estes direitos da mulher grávida com a saúde pública. Isso é possível fazer”, explicou.

Na perspetiva de Moisés Ferreira, o Ministério da Saúde deve, junto das instituições do Serviço Nacional de Saúde, garantir “os meios, as condições, os procedimentos, os circuitos, a organização que é necessário para que nenhuma mulher nesse momento fique privada dos direitos que a legislação lhe confere”.

“Apesar da orientação da DGS ter sido alterada e em vários aspetos no sentido correto, ela deixa em aberto alguma subjetividade e alguma interpretação que depois cada instituição pode aplicar como bem entender”, condenou.

A norma da DGS, de acordo com o bloquista, como “está escrita e o que está a acontecer na realidade está a dar algum espaço a que seja recusado o direito de acompanhamento a muitas mulheres”.

Para o Moisés Ferreira, “aquilo que as normas deveriam dizer era quais as condições que se deveriam verificar para garantir o direito de acompanhamento e as instituições deveriam depois, na prática, corresponder e garantir essas condições”.

No mesmo sentido, esta semana a Iniciativa Liberal já tinha proposto a alteração desta orientação da DGS sobre gravidez e parto no âmbito da pandemia para “garantir o efetivo direito da grávida à presença de acompanhante” durante consultas, exames, parto e pós-parto.

Coronavirus May Increase Premature Births, Studies Suggest

The two studies, conducted by the C.D.C. from March 1 through Aug. 22, followed 598 pregnant women hospitalized in 13 states.

Credit…John Moore/Getty Images

Pregnant women who are infected with the coronavirus and hospitalized are at risk for developing serious complications, and may face an elevated risk for delivering their babies prematurely, according to new studies from the Centers for Disease Control and Prevention. They may also be at greater risk of losing the pregnancy or having a stillbirth.

The troubling findings are consistent with some earlier reports that pregnant women may be at increased risk for severe illness when they become infected with the new coronavirus. But some experts warned that the findings, drawn from relatively small numbers of patients, including many hospitalized because of Covid-19, may not be representative of all pregnant women who are infected.

The studies found that many hospitalized pregnant women who were infected with the virus did not have any symptoms. Among those who did have symptoms, however, between 16 percent and 30 percent required intensive care, and 6 percent to 8.5 percent required ventilators to help with breathing. Among the 703 cases described in the two reports, three of the women died.

Both studies found that pregnant women infected with the coronavirus experienced a higher rate of preterm deliveries than expected, and some had stillbirths. Earlier studies have also suggested a higher risk for preterm births, and a British study noted a population-wide uptick in stillbirths during the pandemic.

Pregnancy may make women more vulnerable to infection and severe illness for several reasons. The immune system is suppressed during pregnancy, a response designed to prevent adverse reactions to the fetus but one that increases the mother’s susceptibility to viral infections.

Other physiological changes during pregnancy may also increase women’s vulnerability. The lungs may be affected by the expanding uterus, and the cardiovascular system is working harder. Covid-19 can also raise the risks of blood clots, and little is known about effects on the placenta, which nourishes the fetus.

“We now have data from three separate C.D.C. surveillance systems all suggesting that pregnant women may be at increased risk for severe disease from Covid-19,” Dr. Denise Jamieson, a member of the Covid-19 task force at the American College of Obstetricians and Gynecologists, said in an email.

“The take home message is that pregnant women can get seriously ill with this,” said Dr. Peter Bernstein, director of the division of maternal fetal medicine at Montefiore Medical Center in the Bronx. “We don’t know for sure that they will get sicker than they would have if they weren’t pregnant, but certainly there are women out there who are getting very sick and even dying.”

Although experts said that more research is needed to clarify these links, they urged pregnant women to be scrupulous about wearing masks and social distancing in order to minimize the risk of infection, especially if they have underlying health problems or conditions such as obesity. Some called for screening all pregnant women for the coronavirus, whether they have symptoms or not.

Dr. Neel Shah, an assistant professor of obstetrics and gynecology at Harvard University, said pregnant women should be prioritized for testing, and he called on employers to take extra measures to protect them from exposure to the virus while working.

“If there is one call for action, it is that employers need to take care of their pregnant people, especially if they’re getting close to term, and do everything possible to avoid them being exposed — allowing them to work virtually or giving the time and space they need,” Dr. Shah said.

But he said the studies, while providing “a signal,” that requires further investigation, are not definitive.

Dr. Shikha Garg, a medical epidemiologist at the C.D.C. and senior author of one of the studies, said an important finding was that so many pregnant women who had no symptoms of Covid-19 were infected with the virus.

“We’re still learning about how Covid-19 may affect pregnant women and their newborns,” Dr. Garg said. “If testing policies just focus on symptomatic women, we may miss the asymptomatic ones.”

The new reports came from two different C.D.C. surveillance systems.

One study looked at 598 pregnant women with Covid-19 hospitalized in 13 states from March 1 through Aug 22. Like most pregnant women, their median age was young — 30 — but one in five had a chronic health problem, most commonly asthma or hypertension. About 42 percent were Hispanic and 26.5 percent were Black.

More than half of these women were asymptomatic when they were admitted, for a variety of reasons, to the hospital. Among the 272 pregnant women who had symptoms, 16 percent required intensive care, and 8.5 percent required ventilators to help with breathing. Two women died.

Of the entire group of 598 women in this study, 458 completed their pregnancies during the hospitalization, and 448 had a live birth. Both symptomatic and asymptomatic women had premature births and pregnancy losses, though preterm births affected about 25 percent of symptomatic women, compared with only 8 percent of the asymptomatic women. Ten women, or 2.2 percent, some symptomatic and some not, had miscarriages or stillbirths.

(The national rate of premature births has been 10 percent in recent years, and one in 160 pregnancies result in a stillbirth, according to the C.D.C.)

The other C.D.C. report looked at 105 hospitalized pregnant women from March 1 to May 30 who were infected with the virus, most of whom had been admitted for a pregnancy-related reason or because they were in labor. Their median age was also 30. Most were asymptomatic, and more than half were Hispanic.

Among those who were hospitalized because of Covid-19, rates of obesity and gestational diabetes were higher than among those who were hospitalized for other reasons. About 30 percent of those hospitalized because of Covid required intensive care and 14 percent required a ventilator. One woman died.

Of the women who delivered their babies, 15 percent had premature births and 3 percent had stillbirths. The rates were higher than what is typically observed among pregnant women in the populations encompassed by the data set used in the study, which is called the Vaccine Safety Datalink.

“The numbers were small, and we did not control for confounders, such as prior pregnancy history — had they had pregnancy losses in the past, or other medical conditions associated with pregnancy that put them at risk?” said Dr. Lakshmi Panagiotakopoulos, a medical epidemiologist with the C.D.C. and lead author of the smaller study. “More research is needed to understand the implications.”

Mulheres em combate: 6 líderes brasileiras na linha de frente da crise de Covid-19

Weerayut Ranmai/Cavan Images/GettyImages

Mulheres representam 65% dos seis milhões de profissionais da área da saúde no Brasil

Na semana em que o número de casos de Covid-19 no Brasil chegou a 3 milhões e o de mortes atingiu a marca histórica de 100 mil, mais do que nunca os desafios impostos pelo novo coronavírus requerem atenção. Além das iniciativas de assistência social e econômica, a pandemia demanda ações rápidas, efetivas e antecipadas na área da saúde –marcada pela prevalência dos rostos de mulheres.

Segundo o relatório “Covid-19: Um Olhar para Gênero” do Fundo de População das Nações Unidas (da sigla em inglês UNFPA), 70% da força de trabalho ligada à área da saúde no mundo é feminina. No Brasil, os números são parecidos. O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), indica que 65% dos seis milhões de profissionais do setor são do sexo feminino –em áreas como fonoaudiologia, nutrição e serviço social elas ultrapassar 90% de presença, e 80% em enfermagem e psicologia.

(…) leia o artigo completo no site da Forbes.

Why Does the Coronavirus Hit Men Harder? A New Clue

Women produce a more powerful immune response than do men, a new study finds.

Do NewYork Times

In a hospital in La Mesa, Calif., earlier this year, a nurse held a phone to the ear of a patient with coronavirus so he could listen to his daughter speak. 
In a hospital in La Mesa, Calif., earlier this year, a nurse held a phone to the ear of a patient with coronavirus so he could listen to his daughter speak. Credit…Etienne Laurent/EPA, via Shutterstock

The coronavirus may infect anyone, young or old, but older men are up to twice as likely to become severely sick and to die as women of the same age.

Why? The first study to look at immune response to the coronavirus by sex has turned up a clue: Men produce a weaker immune response to the virus than do women, the researchers concluded.

The findings, published on Wednesday in Nature, suggest that men, particularly those over age 60, may need to depend more on vaccines to protect against the infection.

“Natural infection is clearly failing” to spark adequate immune responses in men, said Akiko Iwasaki, an immunologist at Yale University who led the work.

The results are consistent with what’s known about sex differences following various challenges to the immune system.

Women mount faster and stronger immune responses, perhaps because their bodies are rigged to fight pathogens that threaten unborn or newborn children.

But over time, an immune system in a constant state of high alert can be harmful. Most autoimmune diseases — characterized by an overly strong immune response — are much more prevalent in women than in men, for example.

“We are looking at two sides of the same coin,” said Dr. Marcus Altfeld, an immunologist at the Heinrich Pette Institute and at the University Medical Center Hamburg-Eppendorf in Germany.

The findings underscore the need for companies pursing coronavirus vaccines to parse their data by sex and may influence decisions about dosing, Dr. Altfeld and other experts said.

“You could imagine scenarios where a single shot of a vaccine might be sufficient in young individuals or maybe young women, while older men might need to have three shots of vaccine,” Dr. Altfeld said.

Companies pursuing coronavirus vaccines have not yet released clinical data analyzed by the participants’ sex, but the Food and Drug Administration has asked them to do so, as well as by racial and ethnic background, said Dr. William Gruber, a vice president at Pfizer.

Dr. Iwasaki’s team analyzed immune responses in 17 men and 22 women who were admitted to the hospital soon after they were infected with the coronavirus. The researchers collected blood, nasopharyngeal swabs, saliva, urine and stool from the patients every three to seven days.

The analysis excluded patients on ventilators and those taking drugs that affect the immune system “to make sure that we’re measuring natural immune response to the virus,” Dr. Iwasaki said.

The researchers also analyzed data from an additional 59 men and women who did not meet those criteria.

Over all, the scientists found, the women’s bodies produced more so-called T cells, which can kill virus-infected cells and stop the infection from spreading.

Men showed much weaker activation of T cells, and that lag was linked to how sick the men became. The older the men, the weaker their T cell responses.

“When they age, they lose their ability to stimulate T cells,” Dr. Iwasaki said. “If you look at the ones that really failed to make T cells, they were the ones who did worse with disease.”

But “women who are older — even very old, like 90 years old — these women are still making pretty good, decent immune response,” she added.

Compared with health care workers and healthy controls, the patients all had elevated blood levels of cytokines, proteins that rouse the immune system to action. Some types of cytokines, called interleukin-8 and interleukin-18, were elevated in all men but only in some women.

Women who had high levels of other cytokines became more seriously ill, the researchers found. Those women might do better if given drugs that blunt these proteins, Dr. Iwasaki said.

The study has limitations. It was small, and the patients were older than 60 on average, making it difficult to assess how the immune response changes with age.

“We know that age is proving to be a very important factor in Covid-19 outcomes, and the intersection of age and sex must be explored,” said Sabra Klein, a vaccine expert at the Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health.

The study also did not offer a reason for the differences between men and women. Because the women were past menopause, on average, “it is doubtful that sex steroid hormones are involved,” Dr. Klein said.

Still, the new findings are “exciting” because they begin to explain why men fare so much worse with the coronavirus, she added: “The more robust T cell responses in older women could be an important clue to protection and must be explored further.”

Gestante com Covid-19 faz carta de agradecimento à equipe do Hran

A advogada Elanhine Caires, 37, ficou emocionada com o atendimento e organização do centro de saúde durante sua internação

Do Metrópoles

Em meio a notícias de hospitais lotados de pacientes infectados com coronavírus, a advogada brasiliense Elanhine Caires, 37, emocionou os funcionários do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) com uma carta de agradecimento à equipe no momento em que recebeu alta.
Em meio a notícias de hospitais lotados de pacientes infectados com coronavírus, a advogada brasiliense Elanhine Caires, 37, emocionou os funcionários do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) com uma carta de agradecimento à equipe no momento em que recebeu alta.

Grávida com cerca de 28 semanas, a advogada começou a sentir sintomas como cansaço, falta de ar, dor nas costas e na cabeça, tosse intensa e ardência nos olhos. Depois de fazer um exame e receber o resultado positivo para Covid-19, ela foi ao Hran para saber qual é o protocolo para gestantes com a doença.

“Fui bem recebida por todos, desde o segurança da porta até a médica. Fiz vários exames, que apresentaram resultados alterados e tive indicação de internação por estar com 25% do pulmão afetado”, conta a gestante, que recebeu alta no domingo (2/8).

Elanhine C.S. Caires
Elanhine C.S. Caires. ARQUIVO PESSOAL

Mesmo assustada com a situação e sem direito a acompanhante, Elanhine ficou emocionada com o bom humor da equipe, a estrutura do hospital e a preocupação com a limpeza. “Já fiquei em outros hospitais e nunca tinha visto um cuidado com a limpeza como eles têm ali, é uma equipe grande, sempre com um sorriso. As enfermeiras são muito pacientes, com um atendimento humanizado, sempre monitorando e vigiando. O atendimento não deixou a desejar em nada e tudo de forma gratuita. Me surpreendi”, afirma.

Na carta, ela cita segurança, recepcionistas, atendentes, equipe de triagem, médicos, enfermeiros, equipe da faxina e de copa. “Nada mais justo que expressar elogios e não apenas reclamações. Sou grata a todos”, escreve a advogada (leia a carta, na íntegra, abaixo).

Carta de getante com Covid-19 ao HRAN. REPRODUÇÃO

“Fiz questão. Só entreguei quando recebi alta, para respeitar o protocolo de segurança. É um ambiente tenso por si só, no entanto, fui bem recebida por todo mundo. Não sabia que minha carta ia ter repercussão, fiz de todo coração. O que mais a gente vê é reclamação e acho justo que as pessoas tenham acesso ao elogio, que vejam que o sacrifício é visto e valorizado. Fiz questão de falar da faxina, um trabalho muito difícil, porque só se fala de médicos e enfermeiros. Outras pessoas estão na linha de frente.

Agora, o tratamento da advogada segue em casa — ela precisa tomar um medicamento de alto custo para trombose, que também foi disponibilizado pela rede pública de saúde e espera voltar daqui a dois meses para ter o bebê no Hran. “Fiquei realmente tranquila em saber que meu filho vai nascer lá”, diz.

Estudo encontra carga mais alta de coronavírus em crianças pequenas do que em adultos

Do Revista Saber é Saúde

Pesquisadores descobriram que crianças menores de 5 anos com COVID-19 leve a moderado têm níveis muito mais altos de material genético para o vírus no nariz em comparação com crianças e adultos mais velhos. Os resultados apontam para a possibilidade de as crianças mais novas transmitirem o vírus tanto quanto outras faixas etárias.

Os resultados, publicados na JAMA Pediatrics , apontam para a possibilidade de as crianças mais novas transmitirem o vírus tanto quanto outras faixas etárias. A capacidade das crianças mais novas de espalhar o COVID-19 pode ter sido sub-reconhecida, dado o fechamento rápido e sustentado de escolas e creches durante a pandemia.

“Descobrimos que crianças menores de 5 anos com COVID-19 têm uma carga viral maior do que crianças mais velhas e adultos, o que pode sugerir maior transmissão, como vemos no vírus sincicial respiratório, também conhecido como RSV”, diz o principal autor Taylor Heald-Sargent, especialista em doenças infecciosas pediátricas na Lurie Children e professor assistente de pediatria na Northwestern University Feinberg School of Medicine. “Isso tem implicações importantes na saúde pública, especialmente durante discussões sobre a segurança de reabrir escolas e creches”.

Dr. Heald-Sargent e colegas analisaram 145 casos de doença COVID-19 leve a moderada na primeira semana do início dos sintomas. Eles compararam a carga viral em três faixas etárias – crianças menores de 5 anos, crianças de 5 a 17 anos e adultos de 18 a 65 anos.

“Nosso estudo não foi projetado para provar que as crianças mais jovens espalham o COVID-19 tanto quanto os adultos, mas é uma possibilidade”, diz o Dr. Heald-Sargent. “Precisamos levar isso em conta nos esforços para reduzir a transmissão, à medida que continuamos a aprender mais sobre esse vírus”.

Presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Marco Aurélio Sáfadi também destaca que “muitas vezes o RNA reflete um vírus que não é viável para infecção”, sugerindo cautela com os resultados obtidos via PCR. Ele também aponta que não se pode ignorar os vários estudos que vêm minimizando a função das crianças como vetores da covid-19.

“Quando você vai para o mundo real, os estudos que tentam investigar o papel das crianças na transmissão são praticamente unânimes em destacar que crianças (abaixo de 10 anos) têm desempenhado um papel menos relevante na transmissão. Eles mostram que obviamente as crianças podem transmitir, mas são os adultos jovens os principais vetores de transmissão”, diz Sáfadi, professor de infectologia e pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Fontes: G1 / BBC / Science Daily / Créditos da imagem de capa: Pixabay-Adalhelma 

Children May Carry Coronavirus at High Levels, Study Finds

The research does not prove that infected children are contagious, but it should influence the debate about reopening schools, some experts said.

Coronavirus testing at a mobile clinic at the Walker Temple A.M.E. Church in south Los Angeles earlier this month.
Coronavirus testing at a mobile clinic at the Walker Temple A.M.E. Church in south Los Angeles earlier this month.Credit…Mario Tama/Getty Images

It has been a comforting refrain in the national conversation about reopening schools: Young children are mostly spared by the coronavirus and don’t seem to spread it to others, at least not very often.

But on Thursday, a study introduced an unwelcome wrinkle into this smooth narrative.

Infected children have at least as much of the coronavirus in their noses and throats as infected adults, according to the research. Indeed, children younger than age 5 may host up to 100 times as much of the virus in the upper respiratory tract as adults, the authors found.

That measurement does not necessarily prove children are passing the virus to others. Still, the findings should influence the debate over reopening schools, several experts said.

“The school situation is so complicated — there are many nuances beyond just the scientific one,” said Dr. Taylor Heald-Sargent, a pediatric infectious diseases expert at the Ann and Robert H. Lurie Children’s Hospital of Chicago, who led the study, published in JAMA Pediatrics.

The study is not without caveats: It was small, and did not specify the participants’ race or sex, or whether they had underlying conditions. The tests looked for viral RNA, genetic pieces of the coronavirus, rather than the live virus itself. (Its genetic material is RNA, not DNA.)

Still, experts were alarmed to learn that young children may carry significant amounts of the coronavirus.

“I’ve heard lots of people saying, ‘Well, kids aren’t susceptible, kids don’t get infected.’ And this clearly shows that’s not true,” said Stacey Schultz-Cherry, a virologist at St. Jude Children’s Research Hospital.

“I think this is an important, really important, first step in understanding the role that kids are playing in transmission.”

Jason Kindrachuk, a virologist at the University of Manitoba, said: “Now that we’re rolling into the end of July and looking at trying to open up schools the next month, this really needs to be considered.”

The standard diagnostic test amplifies the virus’s genetic material in cycles, with the signal growing brighter each round. The more virus present in the swab initially, the fewer cycles needed for a clear result.

Dr. Heald-Sargent, who has a research interest in coronaviruses, began noticing that children’s tests were coming back with low “cycle thresholds,” or C.T.s, suggesting that their samples were teeming with the virus.

Intrigued, she called the hospital lab on a Sunday and asked to look back at test results for the past several weeks. “It wasn’t even something we had set out to look for,” she said.

She and her colleagues analyzed samples collected with nasopharyngeal swabs between March 23 and April 27 at drive-through testing sites in Chicago and from people who came to the hospital for any reason, including symptoms of Covid-19.

They looked at swabs taken from 145 people: 46 children younger than age 5; 51 children aged 5 to 17; and 48 adults aged 18 to 65. To forestall criticisms that really ill children would be expected to have a lot of the virus, the team excluded children who needed oxygen support. Most of the children in the study reported only a fever or cough, Dr. Heald-Sargent said.

To compare the groups fairly, the team included only children and adults who had mild to moderate symptoms and for whom they had information about when symptoms began. Dr. Heald-Sargent left out people who didn’t have symptoms and who did not remember when they had started to feel ill, as well as those who had symptoms for more than a week before the testing.

The results confirmed Dr. Heald-Sargent’s hunch: Older children and adults had similar C.T.s, with a median of about 11 and ranging up to 17. But children younger than age 5 had significantly lower C.T.s of about 6.5. The upper limit of the range in these children was a C.T. of 12, however — still comparable to those of older children and adults.

“It definitely shows that kids do have levels of virus similar to and maybe even higher than adults,” Dr. Heald-Sargent said. “It wouldn’t be surprising if they were able to shed” the virus and spread it to others.

“One takeaway from this is that we can’t assume that just because kids aren’t getting sick, or very sick, that they don’t have the virus,” said one infectious disease expert.
“One takeaway from this is that we can’t assume that just because kids aren’t getting sick, or very sick, that they don’t have the virus,” said one infectious disease expert.Credit…Tom Brenner/Reuters

The results are consistent with those from a German study of 47 infected children between the ages 1 and 11, which showed that children who did not have symptoms had viral loads as high as adults’, or higher. And a recent study from France found that asymptomatic children had C.T. values similar to those of children with symptoms.

C.T. values are a reasonable proxy for the amount of coronavirus present, said Dr. Kindrachuk, who relied on this metric during the Ebola outbreaks in West Africa.

Still, he and others said that ideally researchers would grow infectious virus from samples, rather than test only for the virus’s RNA.

“I suspect that it probably will translate into meaning that there is more actual virus there as well, but we can’t say that without seeing the data,” said Juliet Morrison, a virologist at the University of California, Riverside

Some RNA viruses multiply quickly and are prone to genetic errors that render the virus incapable of infecting cells. Some RNA detected in children may represent these “defective” viruses: “We need to understand how much of that is actually infectious virus,” Dr. Schultz-Cherry said.

(The researchers said they did not have access to the type of high-security lab required to grow infectious coronavirus, but other teams have cultivated virus from children’s samples.)

The experts all emphasized that the findings at least indicate that children can be infected. Those who harbor a lot of virus may spread it to others in their households, or to teachers and other school staff members when schools reopen.

Many school districts are planning to protect students and staff members by implementing physical distancing, cloth face coverings and hand hygiene. But it’s unclear how well staff members and teachers can keep young children from getting too close to others, Dr. Kindrachuk said.

“Frankly, I just haven’t seen a lot of discussion about how that aspect is going to be controlled,” he said.

Observations from schools in several countries have suggested that, at least in places with mild outbreaks and preventive measures in place, children do not seem to spread the coronavirus to others efficiently.

Strong immune responses in children could limit both how much virus they can spread to others and for how long. The children’s overall health, underlying conditions such as obesity or diabetes, and sex may also influence the ability to transmit the virus.

Some experts have suggested that children may transmit less virus because of their smaller lung capacity, height or other physical aspects.

Dr. Morrison dismissed those suggestions. The virus is shed from the upper respiratory tract, not the lungs, she noted.

“We are going to be reopening day care and elementary schools,” she said. If these results hold up, “then yeah, I’d be worried.”

Quatro razões pelas quais o passaporte sorológico não é justo nem eficaz

Sociedades médicas, a OMS e especialistas em bioética rejeitam propostas para a criação de qualquer espécie de cartão que identifique pessoas que tiveram a doença

Do El País

Viajantes com máscaras protetoras aguardam seu voo no aeroporto de Barcelona.
Viajantes com máscaras protetoras aguardam seu voo no aeroporto de Barcelona. ENRIC FONTCUBERTA / EFE

Quando começou o confinamento em massa no mundo devido ao novo coronavírus, alguns especialistas e determinados Governos especularam com a ideia de estabelecer um passaporte sorológico, um documento que permitisse saber quem estava imunizado contra a covid-19 para que não tivesse de continuar submetido à quarentena e ajudasse a reativar a economia. A ideia, no entanto, foi descartada quando, com o passar do tempo, persistiam as incógnitas sobre a resposta imunológica ao SARS-CoV-2: não está claro quanto dura, se os anticorpos são um sinal adequado de sua presença ou se é possível se reinfectar depois de ter se curado da doença.

Pouco a pouco foram sendo acrescentadas mais restrições a essa medida, jurídicas e éticas, e tanto os especialistas quanto várias sociedades científicas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e alguns países que consideraram a opção, como Alemanha e Reino Unido, a rejeitaram. A presidenta da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, desenterrou a ideia na terça-feira. Propôs um projeto-piloto de uma cartilha covid-19 para a criação de uma espécie de cartão de saúde, que identifique pessoas que já tiveram a doença. “Com este cartão será muito mais fácil ter acesso a academias, museus e espaços fechados”, argumentou. É difícil encontrar algum especialista em saúde pública, imunologia ou bioética que não rejeite completamente a medida.

A revista Nature publicou em maio um artigo com 10 razões para recusar o passaporte imunológico. Depois de consultar vários especialistas que concordam com esses argumentos, eles podem ser agrupados em quatro.

Desconhecimento da imunidade

“A respeito da imunidade gerada pelo coronavírus, tudo ainda está por saber”, reconheceu a este jornal Marcos López Hoyos, presidente da Sociedade Espanhola de Imunologia (SEI), no início de julho. Não está claro se todos os que passam pela doença geram anticorpos, se sua presença indica imunidade ou sua ausência indica a falta dela. Além disso, como lembra Ildefonso Hernández, porta-voz da Sociedade Espanhola de Saúde Pública (Sespas), na pesquisa sobre soroprevalência realizada pelo Instituto de Saúde Carlos III, 14% das pessoas que geraram defesas as perderam após dois meses. “É mais um argumento para não tomar medidas com base nos anticorpos que as pessoas tiverem”, diz. Também não se sabe se existe a possibilidade de reinfecção. Houve casos de pessoas que, depois de dar negativo em um teste de PCR, voltaram a dar positivo. Não está claro se isso foi uma reinfecção ou tem mais a ver com o fato de não terem eliminado o vírus e o teste ter falhado. Em resumo: atualmente é impossível saber se uma pessoa está protegida contra o coronavírus. Esse argumento é, por si só, suficiente para que os especialistas consultados rejeitem algo semelhante a uma cartilha covid-19. Mas há outros.

Testes com erros e insuficientes

Mesmo partindo da hipótese de que todo aquele que tem anticorpos contra o coronavírus está protegido (e quem não os tem, não), os testes para medi-los não são totalmente confiáveis. Dão tanto falsos negativos quanto, o que é mais perigoso, falsos positivos, que podem fazer uma pessoa acreditar que está imune quando na realidade continua sendo suscetível a contrair a doença. “As consequências podem ser bastante graves”, diz Pedro Gullón, da Sociedade Espanhola de Epidemiologia. “E com que critérios seriam feitos? A cada 15 dias para todos os madrilenhos? Ou só para quem puder pagar por eles em um laboratório particular? Isso seria duplamente discriminatório”, reflete o epidemiologista.

Problemas legais e discriminação

Josefa Cantero Martínez, professora de Direito Administrativo e presidenta da Sespas em Castilla-La Mancha, acredita que um certificado desse tipo tem um encaixe legal complicado que pode até se chocar com os preceitos constitucionais. “Estabelecer regimes jurídicos diferentes em virtude de um dado de saúde tem problemas de discriminação, de proteção de dados, se choca com a liberdade de circulação e com o direito à privacidade, porque você teria de se identificar para ir ao cinema ou à academia, apresentar sua cartilha e dar a conhecer ao funcionário que você passou pela doença”, argumenta. Itziar de Lecuona, doutora em direito e especialista em bioética, concorda: “É uma medida estigmatizante e discriminatória que rotula as pessoas de acordo com seu estado de saúde; não respeita os direitos fundamentais à privacidade e é contra as leis europeias de proteção de dados”. A especialista vê o agravante que a digitalização desses dados poderia abrir a porta para combiná-los com outras informações da pessoa e que fossem levados em conta para outros fins que não os inicialmente propostos.

Incentivo para contrair a doença

“Se o acesso a certas liberdades sociais e econômicas for dado apenas às pessoas que se recuperaram da covid-19, os passaportes de imunidade poderiam incentivar as pessoas saudáveis e não imunes a procurar infecções intencionalmente, colocando-se a si mesmas e a outras pessoas em risco”, dizem as especialistas em bioética Natalie Kofler e Françoise Baylis em um artigo publicado pela Nature. “Estamos vendo que alguns jovens têm pouca percepção do risco representado pelo coronavírus. Se passar pela doença lhes permite, por exemplo, sair à noite, estaríamos incentivando as festas covid”, acrescenta Gullón. Hernández também acredita que é possível entrar em um terreno perigoso no âmbito trabalhista se as empresas começarem a solicitar esse passaporte para a contratação: “Um idoso certamente não se arriscaria, mas uma pessoa com idade entre 20 e 30 anos, tendo em vista os problemas que haverá para encontrar trabalho, é provável que procurasse passar pela doença”.

Uma rede para amparar os que batalham contra o coronavírus

Psicólogos atendem gratuitamente profissionais de saúde da linha de frente. “Atendi uma fonoaudióloga que viu o chefe morrer, ela sentia uma impotência muito grande”

Do El País

Profissional da saúde em uma unidade de pronto atendimento de Fortaleza.
Profissional da saúde em uma unidade de pronto atendimento de Fortaleza. MATEUS DANTAS

A psicóloga Ana Lúcia Castelo, de 62 anos, está surpresa com a rapidez com que profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus apresentaram sintomas de estresse pós-traumático. Já tem 12 anos que ela atua em programas de ajuda humanitária num contexto de grandes traumas ―os mais recentes deles foram o desastre de Brumadinho e o atentado de Suzano― e há meses ela atende voluntariamente a médicos, enfermeiros e técnicos que todos os dias enfrentam a face mais dura da pandemia enquanto se desdobram para salvar o máximo de vidas. Desde então, ouve relatos de crises de choro, dificuldade para dormir e sentimento de impotência quando equipamentos e vagas de terapia intensiva ficaram escassos. Até o som de respiradores e monitores ―um bip repetitivo dentro dos hospitais e na cabeça de quem vivencia a doença diariamente― viraram gatilho para esses profissionais que tiveram de tomar, durante a crise, difíceis escolhas sobre quem deveria receber antes o cuidado que precisa. “Não são pessoas que têm estruturas psicológicas frágeis, mas o teor da vivência foi muito forte”, ela diz.

Ana Lúcia faz parte de um programa que ajudou a desenhar após ela mesma ter seu lado psicológico abalado ao ter a covid-19. Levou a ideia ao grupo de psicólogos especializados em trauma do qual faz parte (a Rede Solidária da Associação Brasileira de EMDR) e, junto com seus colegas, desenvolveu um programa voluntário para atender gratuitamente profissionais que enfrentam situações tão difíceis enquanto a epidemia segue latente. “Naquele momento, eu já fiquei pensando que eles iriam em breve desenvolver sintomas psicológicos muito difíceis, mas não imaginava que passariam a desenvolver quadros de estresse pós-traumático tão rapidamente”, conta Ana Lúcia, que nos primeiros atendimentos, há meses, já identificava os sintomas.

Em maio, ela se viu acometida pela covid-19 e precisou passar um dia inteiro em um hospital de São Paulo para fazer exames. Naquele momento, o Brasil tinha cerca de 20.000 casos confirmados ―hoje, beira os 2,5 milhões de infectados―, mas já lhe chamava a atenção o cansaço aparente de médicos, enfermeiros e técnicos que lhe atenderam. “Fui muito bem tratada e senti a empatia de cada um deles, mas fiquei sinceramente sensibilizada porque pareciam angustiados. Atendiam um paciente atrás do outro, era uma coisa caótica”, conta. Ana Lúcia não precisou ficar internada, mas a experiência daquele dia e a angústia que sentiu durante sua própria experiência com a covid-19 a fizeram pensar muito em como poderia ajudá-los, especialmente por morar com três médicos: o marido, a filha e o sobrinho.

“Eu fui contaminada quando ainda estava no começo. Vi o quanto os médicos estavam desesperados por lidarem com uma doença tão nova, tão difícil e que ainda tem muitas interrogações”, diz. A impressão inicial se somou à sua própria experiência com a doença que lhe causou pneumonia e lhe fez acordar algumas vezes de madrugada com medo de morrer. “Acho que foi uma das doenças mais sérias que já tive. Fiz 25 anos de terapia e, quando tive a covid-19, voltei a fazer. A estrutura fica abalada. A pessoa tem medo de morrer, fica fragilizada”, conta. Ana Lúcia se recuperou e, assim que se sentiu forte, concentrou esforços para tentar ajudar quem está cuidando dos pacientes a se estabilizarem psicologicamente.

Ana Lúcia Castelo, da Rede Solidária da Associação Brasileira de EMDR.
Ana Lúcia Castelo, da Rede Solidária da Associação Brasileira de EMDR. ARQUIVO PESSOAL

“Foi a única forma que eu encontrei para reduzir a carga. Atendi uma médica e uma enfermeira com o quadro de estresse pós-traumático pelas vivência que tiveram diante da morte, das incertezas. São pessoas que precisaram escolher quem iriam colocar no respirador porque não havia instrumentos necessários para todas as pessoas. Eles estavam num sofrimento muito grande”, conta. O grupo de Ana Lúcia usa um método chamado EMDR, criado a partir da experiência com soldados de guerra e que consiste em processar experiências traumáticas em ao menos oito sessões. E é por isso que ela desfia narrativas que tem escutado diariamente de quem está na linha de frente, sempre respeitando a ética e sem identificar ninguém nem dar detalhes ou mesmo citar as cidades dos profissionais. Ao longo das semanas de trabalho voluntário, a sobrecarga do sistema de saúde em alguns locais amenizou, mas as histórias vividas ainda marcam os profissionais da linha de frente.

A que mais chamou a atenção da psicóloga foi a de um médico de 42 anos, que trabalha em uma Unidade de Terapia Intensiva (onde são tratados os casos mais graves da doença) e começou a apresentar sintomas de trauma nos dez primeiros dias atuando no combate à covid-19, bem no início da crise sanitária. Ana Lúcia explica que, em geral, pacientes começam a apresentá-los entre 30 e 40 dias após o trauma. “Lá pelo oitavo dia, ele começou a ter sintomas de estresse pós-traumático. Ele ouvia o bip do monitor, o som do respirador, e ficava nervoso, angustiado. Saía, ia paro o repouso, voltava. Até que procurou ajuda”, conta a psicóloga.

O médico não conseguia dormir mesmo após exaustivos plantões e não conseguia se desconectar mesmo quando estava em casa. “Isso causa um impacto maior porque a pessoa não descansa nunca. Ele tinha pesadelos com pessoas morrendo e também flashbacks de situações difíceis”, narra Ana Lúcia. O médico contou três situações em que precisou decidir quem ele colocaria no respirador. Em uma delas, escolheu uma senhora e foi para o repouso chorar. Uma pessoa mais jovem que havia ficado na lista de espera acabou falecendo.

A psicóloga conta que é comum ouvir dos profissionais de saúde que estão inseguros, angustiados e já não têm vontade de ir trabalhar porque estão deprimidos e impactados. “As pessoas precisam ir trabalhar. Alguns apresentam uma visão negativa de si próprio, como se não fossem conseguir realizar seu trabalho. Gera uma dúvida sobre o que eu sei, como se estivesse desaprendendo tudo”, diz Ana Lúcia. Ela conta que principalmente médicos e enfermeiros que estão trabalhando em UTIs têm relatado medo de que os pacientes morram em suas mãos, medo de contraírem a doença e uma profunda empatia com as famílias que perdem seus entes queridos. Mais de 90.000 pessoas já faleceram por conta da covid-19 no Brasil.

“Atendi uma fonoaudióloga que viu o chefe morrer, então ela sentia uma impotência muito grande porque não tinha conseguido salvar o chefe. Isso foi muito comum no dia a dia dos médicos. Tudo isso com uma doença desconhecida no início. Isso gerou uma aflição muito grande”, acrescenta. Ana Lúcia afirma que a Rede Solidária da Associação Brasileira dispõe de 164 psicólogos que se prontificaram a atuar e que atende cerca de 40 profissionais da saúde, de maneira que há como receber mais pacientes. “Temos 180 profissionais que se cadastraram, disponíveis para atendimento. Cerca de 60 pessoas pediram ajuda, mas muitos deles interrompem por várias razões: adoeceram por covid-19 antes ou durante o tratamento, estão tão depressivos que desistem antes de começar, alguns marcam com o psicólogo, mas não comparecem na sessão”, explica Sueli Costa, que também participa do projeto. “Precisamos divulgar isso para ajudar mais gente”, reforça Ana Lúcia. O profissional interessado deve fazer um cadastro e responder a um questionário inicial de avaliação. A partir daí, faz gratuitamente oito sessões online, que podem ser prorrogadas em caso de necessidade. Se houver indicação, os psicólogos também orientam os pacientes a procurarem um psiquiatra.

A saúde mental dos profissionais de saúde é um problema levantado durante a pandemia em vários países. O Brasil faz parte de uma pesquisa com mais 25 países para avaliar os impactos da covid-19 na saúde mental da população em geral e, em especial, dos profissionais de saúde. Questionários estão sendo aplicados online para medir esses impactos.

Protocolo contra covid em hospital de SP pode separar mãe e bebê após parto

 

Do Universa

Acupuntura, aromaterapia e uma mudança de médico já perto das 34 semanas. A gestação da pequena Estella foi pensada em detalhes para que ela chegasse ao mundo do jeito mais humanizado possível -mesmo que essa aventura ocorresse durante uma pandemia da qual só deverá ouvir falar, um dia, pelos familiares ou pelos livros de história. Não era para menos: Carol Braga, a mãe de Estella, queria que seu último parto fosse assim, ela que já é mãe de três filhos de 1, 3 e 17 anos. Ainda que tudo corresse como o desejado até o fim, Estella resolveu iluminar a vida dos pais mais cedo: em vez das tradicionais 40 semanas, deixou o útero materno com 37 semanas e seis dias de vida.

– Veja mais em https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/07/25/protocolo-contra-covid-em-maternidade-separa-mae-e-bebe-logo-apos-o-parto.htm?cmpid=copiaecola

Grávidas brasileiras são as que mais morrem por causa da Covid-19

A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores de diversas universidades do país que revela, ainda, o Rio de Janeiro como o estado onde há mais mortes maternas. Entre os problemas estão a falta de diagnóstico precoce e o suporte de saúde durante a pandemia de coronavírus.

Da CBN (acesse para ouvir a matéria de áudio)

O Rio de Janeiro é o estado onde mais grávidas morreram por Covid-19 desde o início da pandemia de coronavírus no Brasil. Apesar disso, as regiões Norte e Nordeste aparecem primeiro no ranking de mortes maternas. O Brasil registra o pior índice de grávidas que perderam a vida em decorrência da covid-19 no mundo.

Os dados são do estudo ‘A tragédia da Covid-19 no Brasil: 124 mortes maternas e ainda contando’, publicado na International Journal of Gynecology and Obstetrics, no último dia 10 de julho. A pesquisa foi realizada por especialistas das Universidades Federais de Campina Grande, São Carlos e Santa Catarina, além de pesquisadores do IMIP e da Unesp.

De 26 de fevereiro até 18 de junho, 124 grávidas ou mulheres no pós-parto morreram no Brasil. O número é 3,4 vezes maior do que o total relatado no mundo. A taxa de mortalidade atual é de quase 13% na população obstétrica brasileira. Os pesquisadores compararam os dados do Ministério da Saúde com a literatura internacional disponível, que tem informações de países como México, Estados Unidos, Reino Unido, Irã e China.

A obstetra Carla Andreucci, professora da UFSCar, é uma das pesquisadoras do estudo. Ela explica que não é possível fazer uma conclusão completa sobre os motivos que levam a essa alta taxa de mortalidade, mas diz que fica evidente a dificuldade da grávida em acessar o sistema de saúde durante a pandemia:

“São dados bem preliminares ainda, mas o que a gente começa a evidenciar é o colapso do sistema de saúde que para as grávidas parece ter um impacto ainda maior. Quer dizer, existe uma demora para ela chegar à assistência, e quando ela chega à assistência, existe uma demora para que essa assistência seja o que ela precisa. Então, se a grávida não está recebendo suporte ventilatório invasivo ou se ela não foi admitida na UTI e morreu, ela provavelmente não teve a assistência que ela precisaria ter. Então isso reflete o colapso do sistema de saúde”.

De acordo com o levantamento, 14,6% das mulheres grávidas com Covid-19 não receberam nenhum suporte ventilatório, 22,6% não foram admitidas em UTI e apenas 64% receberam ventilação mecânica. Os problemas principais são a demora no diagnóstico, ou seja, a falta de testagem, e também o acesso aos cuidados após a confirmação da doença. Além da estrutura de saúde, os pesquisadores acreditam que o número de grávidas mortas durante a pandemia no Brasil se difere de outros países por causa das condições da população mais vulnerável socialmente, com deficiências crônicas de acesso ao cuidado intensivo.

Mesmo sem a informação constar neste estudo, a médica Carla Andreucci revela que há uma relação entre as mortes e condições étnico-sociais: grávidas pretas e com renda menor são as que mais morrem no país.

Para a pesquisadora, o potencial de cura da mulher grávida infectada pelo coronavírus é potencialmente maior do que outras pessoas do grupo de risco. “Muitas dessas pesquisadoras envolvidas neste projeto são da linha de frente (do combate ao coronavírus). O relato delas é de que elas (as grávidas) melhoram muito bem, as grávidas, elas têm potencial de cura muito alto. Que o problema parece ser a demora no diagnóstico e a falta de acesso aos recursos que ela precisa ter”, afirma Andreucci.

O levantamento destaca, ainda, que é preciso melhorar o atendimento pré-natal, identificar rapidamente a doença e garantir o acesso ao tratamento depois do diagnóstico.

Estudo aponta que o novo coronavírus mata mais grávidas no Brasil

O segundo colocado neste macabro ranking são os Estados Unidos, com 16 óbitos


(foto: Divulgação/Prefeitura de Araraquara)
(foto: Divulgação/Prefeitura de Araraquara)

A grande maioria das grávidas mortas por covid-19 em todo o mundo é brasileira. De acordo com estudo publicado na International Journal of Gynecology and Obstetrics, das 160 mortes registradas entre o início da epidemia e 18 de junho nada menos que 124 ocorreram no Brasil. O segundo colocado neste macabro ranking são os Estados Unidos, com 16 óbitos.

“São 188 territórios afetados pelo coronavírus em todo o mundo e o Brasil tem mais mortes maternas do que a soma de todos esses países”, resumiu a obstetra Melania Amorim, professora da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, e uma das autoras do estudo. Para a pesquisadora, falhas graves no atendimento das gestantes brasileiras explicam o número tão elevado.
Os dados alarmantes foram noticiados inicialmente no blog sobre maternidade da jornalista Rita Lisauskas na última terça-feira. O estudo, publicado no último dia 10, é assinado também por especialistas da Unesp, UFSCAR, IMIP e UFSC.
Chamado de “A tragédia da Covid-19 no Brasil”, o trabalho foi feito com base em dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Das 978 grávidas ou mulheres no pós-parto diagnosticadas com covid-19 entre os dias 26 de fevereiro e 18 de junho no País, 124 morreram – um número 3,4 vezes superior ao total de mortes maternas relacionadas ao novo coronavírus em todo o mundo no mesmo período.
Os números indicam também que a taxa de letalidade da doença entre as grávidas no Brasil é de 12,7%, ou seja, a mais alta do mundo. Para se ter ideia, nos Estados Unidos, no mesmo período, 8 mil gestantes foram diagnosticadas com o novo coronavírus. Deste total, 16 morreram, uma grande diferença.
“Quando os primeiros casos surgiram no Brasil, começamos a pensar se nossa população seria diferente, mais suscetível”, explicou Melania. “O que constatamos foi que houve algumas mortes com fatores de risco associados, como problemas cardiovasculares e obesidade, mas houve mortes entre grávidas completamente saudáveis.”
Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Agnaldo Lopes, o número de mortes de grávidas no Brasil por covid-19 é muito significativo. “Há várias lacunas de conhecimento ainda sobre a covid-19 e uma delas é a relação entre a doença e a gravidez”, disse.

Vítima

A paulista de Macatuba Larissa Blanco, 23 anos, grávida de gêmeos, foi diagnosticada com a covid, no dia 12 de junho. A jovem gestante apresentou sintomas de gripe, mas só precisou ser internada no dia 26.
No dia seguinte à noite, ela foi transferida para um hospital particular de Botucatu e entrou em trabalho de parto. Em uma cesariana de emergência, nasceram com saúde, livres do vírus, os pequenos Guilherme e Gustavo, mas a mãe não resistiu. “Os dois pequenos vão precisar muito de mim e eles vão ouvir histórias e saber da mamãe que tiveram”, disse o marido, o inspetor técnico de qualidade Diego Rodrigues, de 24 anos.
Os médicos disseram que Larissa teve uma hemorragia e precisou de transfusão de sangue. Por causa da covid-19, o corpo não respondeu bem à necessidade de conter a hemorragia e ela sofreu uma parada cardíaca. (Colaborou José Maria Tomazela)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Coronavírus: falta de pré-natal e vacinas matará milhares de mães e crianças, alerta relatório

Barriga de grávida, que segura dois sapatinhos de bebê
Centenas de milhares de mortes de bebês e mães podem acontecer como consequência da pandemia do coronavírus nos serviços de saúde. GETTY IMAGES

“A covid-19 está tornando uma situação ruim pior” para a saúde de mulheres, mães e crianças, resume o texto de um relatório publicado nesta segunda-feira (13) pelo painel independente das Nações Unidas para o tema, chamado Every Woman, Every Child, Every Adolescent (“Toda mulher, toda criança, todo adolescente”).

O relatório chega a estimar, em números, o impacto múltiplo da pandemia do coronavírus na saúde delas — que vai desde o acesso a contraceptivos à merenda de escolas, agora fechadas por imposição do isolamento social.

Se em 2018 5,3 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram globalmente, calcula-se que o contexto da pandemia possa tirar a vida de mais 400 mil delas por conta de interrupções e problemas nos serviços de saúde.

Em relação à mortalidade materna, 295 mil mulheres morreram em 2017 em todo o mundo por causas ligadas à gravidez, como hemorragia e sepse. Os efeitos da pandemia podem fazer novas 24,4 mil mortes assim.

O documento destaca ainda que:

  • 13,5 milhões de crianças deixaram de ser vacinadas contra doenças que podem ser fatais;
  • Mais de 20 países já relataram escassez de vacinas causada pela pandemia;
  • Há interrupção no fornecimento de contraceptivos, podendo levar a 15 milhões de gestações indesejadas em países de baixa e média renda;
  • De 42 a 66 milhões de crianças correm o risco de cair na pobreza extrema;
  • Cerca de 370 milhões de crianças estão deixando de receber refeições na escola;
  • Mulheres têm particularidades que as colocam vulneráveis à depressão e ansiedade;
  • Estima-se que pode haver mais 15 milhões de atos violentos contra meninas e mulheres a cada três meses de confinamento; em alguns países, chamadas de emergência aumentaram 30%.

“Sistemas de saúde em países ricos e pobres estão enfrentando grandes dificuldades (na pandemia), e a atenção a mães, recém-nascidos, crianças e adolescentes está se esfacelando”, afirmou em comunicado à imprensa a médica Elizabeth Mason, co-presidente do painel.

“Campanhas de imunização estão sendo interrompidas e os profissionais de saúde estão sendo desviados da maternidade para as unidades de tratamento para a covid-19.”

Emergências de saúde anteriores ensinaram o quanto mulheres e crianças ficam particularmente vulneráveis neste cenário — no surto de ebola no Oeste da África entre 2014 e 2016, por exemplo, a mortalidade materna cresceu 75% durante a epidemia, e o número de mulheres parindo em unidades de saúde e hospitais caiu em 30%.

Desde 2000, o mundo estava assistindo a melhoras importantes, mesmo nos países mais pobres — como uma queda generalizada considerável na mortalidade materna e de crianças menores de 5 anos, diz o documento.

“Estamos em uma situação onde décadas de progresso podem ser facilmente revertidas”, lamenta Joy Phumaphi, membro do painel e ex-assistente da direção-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com isso, ficou ainda mais preocupante o cumprimento de metas da Agenda 2030 das Nações Unidas, que engloba diversos temas e tem vários pontos sobre a saúde das mulheres e crianças. Antes da pandemia, a implementação destes pontos já era considerada atrasada.

Brasil: preocupação com tendência de aumento da mortalidade

Profissional de saúde com face shield fala com mãe e filho de costas, todos sentados em consultório
Remanejamento de leitos e equipes para tratamento da covid-19 deixa mães e bebês vulneráveis, alerta painel da ONU. GETTY IMAGES

O relatório traz classificações de 193 países em sete indicadores, avaliando-os como “superado” (metas globais ou do país em particular superadas); “avançado”; “intermediário”; e algo como “correndo atrás” (“catching up”). Os dados são em sua maioria anteriores à covid-19, variando entre 2015 e 2018.

O Brasil aparece com cinco indicadores “superados”: índice de mortalidade materna; taxa de crianças natimortas; mortalidade infantil; mortalidade abaixo dos cinco anos; e registro civil de óbitos.

No indicador mortalidade adolescente (entre 10-19 anos, a cada 100 mil habitantes), o país aparece como “intermediário”; e, no registro civil de nascimento, “avançado”.

Professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Simone Diniz ressalta no entanto que os dados do relatório global possivelmente não captam tendências preocupantes observadas em anos mais recentes.

Um relatório de 2018 da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) indicou, por exemplo, que após um período consistente de declínio na mortalidade no primeiro ano de vida, 2016 já apresentou uma reversão desta queda.

Em relação a 2015, houve aumento em 2016 da mortalidade pós-neonatal (dos 28 aos 364 dias de vida) em todas as regiões do país, com exceção do Sul. O maior aumento foi observado no Nordeste, onde o coeficiente de mortalidade pós-neonatal passou de 3,8 por 1.000 nascidos vivos em 2015 para 4,2 em 2016.

“Enquanto a mortalidade perinatal é mais influenciada pela assistência em saúde, a pós-neonatal é mais sensível às condições socioeconômicas (da família). Observamos uma tendência do aumento da proporção das mortes pós-neonatal, o que vai ao encontro da crise econômica, queda de renda, aumento do desemprego e desigualdade observados nos últimos anos no país”, explica Diniz, integrante do Grupo Temático Gênero e Saúde da Abrasco.

A pesquisadora destaca que, no contexto atual de pandemia, o país está assistindo à volta de situações que tinham ficado para trás, como por exemplo a não recomendada “alta” — ou liberação — de consultas de pré-natal e a peregrinação por leitos, transferidos para tratamento de covid-19, no trabalho de parto.

O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Imunizações também estão preocupados com a queda da cobertura vacinal em meio à emergência da covid-19 — por conta disso, a sociedade lançou a campanha “Vacinação em dia, mesmo na pandemia” com orientações para a imunização neste período.

Outros desdobramentos da pandemia

Adolescente segura duas cartelas de pílulas
Atendimento em saúde também foi afetado pela pandemia. GETTY IMAGES

Não é só a dificuldade de acesso a vacinas durante a pandemia que preocupa.

Mulheres já estão sendo afetadas pelo fechamento de consultórios e postos de atendimento móvel sobre saúde reprodutiva, diz o relatório. Isto afeta o acesso a métodos contraceptivos, testes de HIV e assistência pós-aborto — onde a interrupção à gravidez é permitida.

Também há “preocupação com a saúde, ética e direitos diante de medidas restritivas para evitar a transmissão da covid-19, como mulheres sendo solicitadas a parir sem sua família por perto, e uma negação à autonomia delas na tomada de decisões; ou intervenções médicas como cesarianas e partos induzidos sem indicação baseada em evidências”, segundo afirma o documento.

Pelo impacto econômico e pela descontinuidade de programas de assistência, 2 milhões de casos adicionais de mutilação genital feminina podem ocorrer no mundo, assim como 13 milhões de casamentos de crianças nos próximos 10 anos.

Mães da quarentena relatam alívio e esperança após nascimento dos filhos

Mães que venceram a covid-19 encontraram forças e renovam a esperança com o nascimento dos filhos. O fato de ver que os bebês nasceram saudáveis, sem o vírus, trouxe também um motivo para sorrir no meio dessa pandemia


Benita começou a sentir os sintomas de covid-19 no sétimo mês de gravidez(foto: Arquivo Pessoal)
Benita começou a sentir os sintomas de covid-19 no sétimo mês de gravidez(foto: Arquivo Pessoal)

Em meio a pandemia, o nascimento de uma criança representa também o sentimento de esperança para muitas mães que, além de ter enfrentado a ansiedade da gravidez, também se protegeram da covid-19. Entre as emoções da gestação, da insegurança em relação a doença, vem o alívio ao ouvir o choro na sala de parto e saber que o bebê está saudável. Essa foi a sensação de, aproximadamente, 49 gestantes que deram a luz na rede pública de saúde do Distrito Federal, durante os meses de março até a primeira quinzena de junho.

Com a pequena Olívia no colo, a artesã Benita de Oliveira Carneiro, de 32 anos, conta que, durante a gestação, o maior medo que ela teve foi de a neném nascer prematura. “Vi muitos casos de mãe tendo o bebê antes do tempo, e isso me preocupou bastante”, relata. A moradora do Guará foi diagnosticada com a doença. “Quando recebi o resultado, já estava recuperada. Comecei a sentir os sintomas no sétimo mês de gravidez e, apenas no oitavo, quando realizei um segundo exame, veio a confirmação do vírus”, explica.

Por estar agora em uma fase que não há mais transmissibilidade, Benita respira com mais alívio. “Agora é redobrar os cuidados para que ela não pegue”, pontua. Além de Benita, os outros três filhos também apresentaram sintomas leves da covid-19. Atualmente, todos estão bem e podem curtir a irmã que nasceu no último dia 2. Mãe e filha receberam alta do Hospital Regional da Asa Norte no último sábado.

A chegada de Maria Eduarda também foi celebrada com bastante alegria por Antônia Valneide Martins, 31. A dona de casa conta que o nascimento da filha foi o que deu força para a família que perderam quatro familiares pela doença. “A sensação é horrível. Saber o quanto cruel é esse vírus e ver pessoas próximas morrerem. A gente sempre acha que não vai acontecer com a gente, até que acontece”, relata.

Por ter pessoas próximas que testaram positivo, Antônia precisou fazer o exame para a detecção da covid-19. O resultado saiu no dia de ganhar a bebê, e, com o acompanhamento no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) — unidade de referência para pacientes com o novo coronavírus — ela deu entrada na maternidade do hospital em 30 de maio. “Foi um baque saber que estava com a doença, nunca imaginei que ia pegar. Ainda bem que estava assintomática e que o parto foi tranquilo, natural e rápido. Confesso que foi um alívio saber que a bebê nasceu bem. O meu medo era de não poder ficar com ela”, explica.


Mudança na rotina

Além dela, o marido, Hélio Lourenço de Brito, 42, e, os dois filhos, de 6 e 9 anos, tiveram o diagnóstico do novo coronavírus. No entanto, todos estavam assintomáticos. O maior desafio foi controlar a vontade de beijar e abraçar a bebê nos primeiros 14 dias. “A orientação passada pela equipe médica foi de evitar ter um contato mais próximo com a neném nesse período de quarentena. É ruim não poder cheirar, beijar, mas se é para o bem dela vale a pena”, pontuou.

A rotina também mudou. A hora da amamentação ganhou o álcool em gel e a máscara como aliados nos primeiros dias, tudo para evitar que a contaminação na recém-nascida. Mesmo após o período de distanciamento, Hélio conta que a família procura estar de máscara. “Buscamos esse cuidado e também adaptamos as comunicações com os familiares. Temos uma família muito grande e era comum, nos reunir, receber visitas. Agora só por videochamada e fotos nos grupos do WhatsApp”, pontua.

Referência no atendimento aos pacientes com a covid-19, o Hran também se destaca no acolhimento às gestantes que apresentam algum sintoma da doença. A maternidade está voltada para essas mães e oferta todo o amparo necessário para resguardar a saúde da grávida e do bebê. Porém, a estadia na unidade nem sempre gera uma sensação de alívio.

Para Tamara Regina Pacífico Silva, 26, a descoberta dos sintomas do novo coronavírus e a internação no Hran trouxe aflição na última semana. Mesmo sendo bem acolhida e atendida pelos profissionais da saúde, que fazem o acompanhamento das gestantes, ela relata que a limitação de não receber a visita do esposo, em um momento delicado como esse, pesa bastante. “Na terça-feira, quando eu fui internada, o meu marido estava trabalhando. Nem dei um abraço nele nem me despedi. Todos os dias ele me pergunta se estou melhor e quando volto para casa. Mas não sei”, comenta.

Um dos momentos mais difíceis para ela, foi quando descobriu o sexo do bebê e não pode dizer ao marido. “Eu tinha planejado tudo para descobrir e fazer uma surpresa para meu esposo. Queria muito ter contado pessoalmente, mas como não posso receber ninguém, fiz uma ligação e contei para ele. Às vezes me dá um vazio”, conta ela que será mãe de mais um menino, o nome já foi escolhido: Bryan.

Tamara, tem também um filho de 8 anos, o Arthur, está na expectativa da chegada de Bryan, que está na 19ª semana. Em relação aos receios, ela afirma que tem medo do desconhecido, de não saber o que vai acontecer, mas sempre que ouve o coração do filho batendo, forte e saudável, ela se acalma.

Ela foi internada após apresentar os sintomas de perda de olfato e paladar, além de sentir muita dor. Chegou a fazer uma tomografia que apresentou alteração no pulmão. Pela suspeita da covid-19, precisou ficar no hospital até o resultado do exame. No último sábado, veio a boa notícia. Ela recebeu alta e pode dar continuidade no isolamento, em casa.

Pesquisa

Além do Hran, o Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) também está ofertando acompanhamento para as gestantes que tiveram covid-19 e não estão mais na fase ativa da doença. O programa oferecido pela unidade faz parte de um projeto de pesquisa que visa analisar os efeitos do vírus durante a gestação, no parto, pós-parto e no desenvolvimento da criança.

De acordo com a chefe da Unidade Materno-Infantil do HUB, e uma das coordenadoras da pesquisa, Lizandra Paravidine, esse estudo é importante para entender o impacto que a doença tem na vida dessas mães e crianças. “Sabemos que esse vírus afeta o sistema neurológico, como na aparição de sintomas da perda de olfato, perda do paladar, dor de cabeça. Queremos saber se essas questões também vão ter impacto para o desenvolvimento do bebê”, pontua.

Além disso, as mães recebem amparo de uma equipe multiprofissional com psicólogos, médicos, pediatras. O objetivo é acompanhar cerca de 300 gestantes para avaliar, por exemplo, se a covid-19 aumenta o risco de abortamento, parto prematuro, pré-eclâmpsia e malformação fetal. “Estamos preparados para atender as gestantes e os recém-nascidos”, ressalta Lizandra.

Até a última quarta-feira, 11 mães tiveram o primeiro atendimento pelo projeto. Entre elas, está a Andreia de Paula Rodrigues Brito, 34. A servidora pública conta que está feliz por poder ajudar nessa pesquisa. “Estou supercontente. Eu me senti útil por saber que posso contribuir para ajudar outras mães”, afirma ela, que está no sétimo mês de gestação.

Andreia conta que descobriu a doença quando estava na 20ª semana da gravidez. “Inicialmente foi um choque. É um vírus novo, nem os médicos sabem ao certo. A minha maior preocupação foi com o bebê, se ele estaria bem. Fiquei com medo de um aborto, porque eu não estava assintomática. Senti muito cansaço físico, febre, tive muita tosse. Veio a preocupação”, relata ela. “Como eu poderia ter o neném com a falta de ar? E se faltar a UTI? O meu estado emocional foi lá embaixo. Agora estou mais tranquila, estou bem mais preparada, e contei muito com a ajuda dos profissionais do posto de saúde nº 8 de Taguatinga. Fui bem amparada”, destaca.

Diante do novo cenário de pandemia, com as orientações de isolamento social, sem muito contato físico, higienização sempre que for necessário e o uso de máscara. Ela e os três filhos estão se adaptando à nova rotina dentro de casa. “O meu filho pequeno, de 5 anos, sofreu bastante quando eu estava em quarentena”, lembra.

Sobre o atendimento no HUB, ela conta que está gostando bastante. Andreia se sente mais calma para ter o bebê. “Sei que estarei bem amparada. E, para a mãe que está passando pela mesma situação, a minha dica é: procure apoio. Aqui em Brasília tem uma rede muito boa. O SUS é excelente, não deixe de fazer o pré-natal e se cuide”, pontua.

A pós-doutora em psicologia perinatal do Hospital Materno Infantil Alessandra Arrais, explica que o acompanhamento das mães nesse período de gestação é muito importante. “Eu costumo dizer que, além do acompanhamento da saúde do bebê, é preciso ter um pré-natal psicológico também. Cuidar da saúde mental delas, principalmente nesse período que estamos passando”, ressalta.

A pesquisa

Para ser atendida no projeto de acompanhamento do Hospital Universitário de Brasília, a gestante deve entrar em contato pelo telefone 2028-5232. É preciso ter o diagnóstico confirmado de covid-19 há pelo menos 14 dias e atender a alguns critérios, como ter 18 anos, ou mais, e não ter suspeita ou confirmação de outras infecções congênitas ou doenças crônicas preexistentes, exceto diabetes e hipertensão.

Cientistas acham indícios de que grávidas transmitem coronavírus para bebês

Cientistas detectam sinais do Sars-CoV-2 em amostras da placenta e do cordão umbilical de mulheres que deram à luz entre março e abril. A presença de anticorpos em crianças logo após o parto também indica contato com o vírus antes do nascimento


Segundo os cientistas, a forma de transmissão só poderá ser confirmada com mais estudos: plano de analisar infectadas no início da gravidez(foto: AFP / JOEL SAGET)
Segundo os cientistas, a forma de transmissão só poderá ser confirmada com mais estudos: plano de analisar infectadas no início da gravidez(foto: AFP / JOEL SAGET)

Um estudo apresentado ontem, na conferência virtual Aids 2020, sugere que gestantes infectadas pelo Sars-CoV-2 podem transmitir o vírus para o feto. Pesquisas anteriores já relataram casos de recém-nascidos com covid-19, mas a transmissão vertical — ou seja, de mãe para filho — intrauterina ainda não é uma certeza. O autor do trabalho atual afirma que encontrou o coronavírus em amostras da placenta, do cordão umbilical, no líquido amniótico e na vagina de mulheres que deram à luz entre março e abril, no norte da Itália, região do país mais afetada pela pandemia. Ele, porém, diz que são precisos mais estudos para confirmação.

A pesquisa foi realizada com 31 mulheres. Segundo Claudio Fenizia, pesquisador da Universidade de Milão e um dos líderes do estudo, dessas, houve um caso de Sars-CoV-2 na mucosa vaginal e outro do vírus no leite materno. Além disso, dois bebês testaram positivo para o coronavírus. Em uma delas, também foi encontrado o causador da covid-19 na placenta e  anticorpos no sangue do cordão umbilical. “Esses dois casos sugerem fortemente a transmissão vertical intrauterina. Porém, os dois bebês nasceram saudáveis e não tiveram qualquer problema”, disse Fenizia à agência Ansa.
O cientista contou que a primeira criança, nascida de uma mulher que apresentava uma forma muito severa de covid-19, testou positivo entre o sétimo e o 10° dia de nascença. O segundo, filho de uma paciente com sintomas pouco graves, foi diagnosticado com o vírus poucas horas depois de nascer. “A coisa mais preocupante é que a placenta tinha anticorpos IgM, portanto, o bebê deve ter estado exposto diretamente ao vírus, provavelmente duas semanas antes”, relatou Fenizia. Os anticorpos IgM indicam exposição recente ao Sars-CoV-2.
Como a transmissão vertical intrauterina ainda foi pouco estudada, o cientista pede cautela na interpretação dos resultados e diz que o estudo  — que, em breve, será publicado na plataforma on-line Medrxiv para, depois, passar pela revisão de pares — não faz nenhuma conclusão. Fenizia destaca que as mulheres pesquisadas na Itália estavam nos últimos estágios gestacionais, e que seria importante avaliar o impacto do vírus durante toda a gravidez. Ele está tentando coletar material de gestantes que estão perto de dar à luz, mas que foram infectadas no início da gravidez.

No hospital

Na literatura científica sobre a covid-19, há alguns relatos de casos de recém-nascidos que testaram positivo para o vírus, mas, até agora, não foi possível determinar como se infectaram — uma possibilidade, por exemplo, é terem se contaminado no ambiente hospitalar. Um estudo feito em Wuhan, onde foram detectados os primeiros casos conhecidos da doença, três de 33 bebês nascidos em um hospital local estavam com Sars-CoV-2 (nenhum grave), mas as amostras retiradas do líquido amniótico, do sangue do cordão umbilical e do leite materno deram negativo, descartando a transmissão vertical intrauterina.
Uma revisão internacional de casos conduzida pela Universidade de Nottingham, no Reino Unido, concluiu, recentemente, que a transmissão do vírus pelas gestantes é incomum, mesmo se os bebês nascem de parto natural, quando o contato com a mucosa vaginal poderia aumentar o risco de infecção. Os autores fizeram uma meta-análise de 49 estudos que incluíram 666 recém-nascidos e 656 mulheres (algumas deram à luz gêmeos). Das que fizeram parto normal, oito de 292 (2,7%) tiveram bebês que testaram positivo. O índice entre as mães submetidas à cesária foi ligeiramente maior: 20 crianças (5,3%) tinham o vírus no organismo.
“Esses dados mostram que a infecção neonatal por covid-19 é incomum, e também que os bebês afetados são quase todos assintomáticos”, diz Kate Walker, pesquisadora da área de obstetrícia da Universidade de Nottingham. Ela afirma que nenhum bebê amamentado com leite materno contraiu a doença, mesmo estando as mães infectadas.

10 problemas de saúde mental em crianças que os pais devem ficar atentos na era da covid-19

Psicólogos compartilham conselhos para pais preocupados nestes tempos de incerteza.

Não é segredo para ninguém que a pandemia de covid-19 e as medidas de distanciamento social necessárias para combater a propagação do novo coronavírus estão cobrando um preço da saúde mental dos americanos. Muitos pais aflitos andam preocupados com os efeitos que a crise global pode ter sobre seus filhos agora e no longo prazo.

“Ninguém lida bem com incertezas, e esta crise é muita coisa para nossos filhos processarem. Como nós, nossos filhos estão passando por muitas perdas em sua vida normal neste momento”, comentou a psicóloga Genevieve von Lob, autora do livro “Happy Parent, Happy Child”. Ela destacou que as crianças podem estar tendo dificuldade em se adaptar a muitas das mudanças repentinas em seu cotidiano, sentindo falta de seus amigos e sua rotina normal e preocupadas com os empregos, as finanças ou a saúde física de seus pais.

“Quando crianças ficam estressadas, isso frequentemente se expressa em mudanças fisiológicas e alterações de comportamento e estado de humor”, observou Roin Gurwitch, professor de psiquiatria na Universidade Duke, especializado em saúde mental familiar e infantil. “Infelizmente, não temos um manual de criação de filhos que tenha um capítulo sobre crianças e pandemias, algo que possa nos ajudar a saber para o que devemos ficar atentos em nossos filhos e até em nós mesmos.”

As crianças nem sempre verbalizam suas dificuldades, mas a ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental podem se manifestar de diferentes maneiras. O HuffPost conversou com Gurwitch, Von Lob e outros especialistas para saber mais sobre alguns desses indicadores.

Leia mais para se informar sobre os sinais que podem alertar os pais sobre a saúde mental de seus filhos nesta situação sem precedentes que estamos vivendo. É compreensível que as crianças possam agir de modo inesperado por um período de tempo curto, mas se essas alterações comportamentais ou emocionais se agravarem, persistirem por muitas semanas ou atrapalharem as funções cotidianas de seus filhos, pode ser o caso de buscar ajuda profissional.

FIZKES VIA GETTY IMAGES

1 – Comportamentos regressivos

“Todos, de modo geral, vamos regredir um pouco em nosso funcionamento durante este momento de transição enorme”, destacou o psicoterapeuta Noel McDermott. “As crianças vão regredir mais que os adultos. E quanto menor a criança, maior provavelmente será a regressão.”

Comportamentos que você pensou que seu filho já tivesse deixado para trás podem reaparecer repentinamente. São coisas como chupar o dedo, precisar de um brinquedo especial para lhe dar segurança, fazer xixi na cama ou outros problemas ligados ao desfraldamento.

“A regressão é normal em períodos de estresse e incerteza”, observou Von Lob.

2 – Alterações de apetite

“Alterações no apetite e sono da criança muitas vezes são os primeiros sinais indicativos de que algo não vai bem”, disse a terapeuta infantil Natasha Daniels, criadora do site AnxiousToddlers.com. “Com frequência a criança exibe um aumento ou diminuição aguda de apetite.”

Os pais precisam ficar atentos para modificações nos hábitos alimentares de seus filhos, incluindo a perda de apetite ou o comer excessivo, para se tranquilizar. Essa última alteração é algo que se manifesta frequentemente em crianças mais velhas e teens.

very upset three years old boy looking at the camera wearing a hoodie
JUANMONINO VIA GETTY IMAGES

3 – Problemas de sono

“Também podem ocorrer alterações no sono”, observou Daniels. “Se seu filho passar o dia com sono ou, pelo contrário, tiver dificuldade em adormecer ou continuar dormindo, preste atenção.”

As dificuldades no sono são comuns em épocas difíceis, de modo que as crianças podem sofrer insônia, pesadelos, podem acordar no meio da noite ou apresentar outras irregularidades no sono.

4 – Alterações de humor

“Aconselho os pais a ficarem atentos para alterações no comportamento habitual de seus filhos”, disse o psicólogo clínico John Mayer. A mesma coisa se aplica a suas reações emocionais normais. Mudanças de humor são previsíveis.

Os comportamentos para os quais os pais devem ficar atentos incluem explosões de raiva, choro repentino, mau humor, irritabilidade, perda de interesse nas atividades favoritas da criança e isolar-se de outras pessoas.

“Fiquem atentos para mudanças no temperamento habitual de seus filhos, lembrando que o estresse leva o temperamento habitual a se evidenciar ainda mais”, disse o terapeuta Craig A. Knippenberg, autor de “Wired and Connected: Brain-Based Solutions to Ensure Your Child’s Social and Emotional Success”. Ele enfatizou que a ansiedade das crianças normalmente ansiosas vai se intensificar e que crianças que costumam ter dificuldade em controlar sua raiva podem ter acessos de raiva mais frequentes.

As crianças nem sempre verbalizam suas dificuldades, mas ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental podem se manifestar em comportamentos ou estados de ânimo inabituais.

Angry Boy Screaming Against Pink Background
PAULUS RUSYANTO / EYEEM VIA GETTY IMAGES
(…)
(continue lendo no site original)

Sancionada lei com medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar durante pandemia

Conforme norma, poder público deverá adotar as medidas necessárias para garantir a manutenção do atendimento presencial.

Foi publicada no DOU desta quarta-feira, 8, a lei 14.022/20, que dispõe sobre medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher e de enfrentamento à violência contra crianças, adolescentes, idosos e deficientes durante a pandemia.

t

A norma determina que, enquanto perdurar o estado de emergência de saúde decorrente do coronavírus,  os prazos processuais, a apreciação de matérias, o atendimento às partes e a concessão de medidas protetivas que tenham relação com atos de violência doméstica e familiar cometidos contra mulheres, crianças, adolescentes, pessoas idosas e pessoas com deficiência serão mantidos, sem suspensão.

Ainda, o registro da ocorrência de violência doméstica e familiar contra a mulher e de crimes cometidos contra criança, adolescente, pessoa idosa ou pessoa com deficiência poderá ser realizado por meio eletrônico ou por meio de número de telefone de emergência designado para tal fim pelos órgãos de segurança pública.

O poder público deverá adotar as medidas necessárias para garantir a manutenção do atendimento presencial.

Se por razões de segurança sanitária, não for possível manter o atendimento presencial a todas as demandas relacionadas à violência doméstica e familiar, o poder público deverá, obrigatoriamente, garantir o atendimento presencial para situações que possam envolver, efetiva ou potencialmente, os ilícitos previstos: feminicídios, lesão corporal de natureza grave ou gravíssima e morte, ameaça praticada com uso de armas, corrupção de menores e estupro.

Em casos de crimes de natureza sexual, se houver a adoção de medidas pelo poder público que restrinjam a circulação de pessoas, os órgãos de segurança deverão estabelecer equipes móveis para realização do exame de corpo de delito no local em que se encontrar a vítima.

(…)

Veja o restante da matéria e a íntegra da lei 14.022/20 no site do Migalhas.

 

Nurses Who Battled Virus in New York Confront Friends Back Home Who Say It’s a Hoax

After aiding coronavirus patients in New York City, nurses face relatives and friends who refuse to wear masks or don’t believe the virus is real.

Do New York Times

“When someone tells me that they don’t believe the virus is real, it’s an insult,”  said Olumide Peter Kolade, a nurse from California who came to work in New York City. “I take it personally.” 
“When someone tells me that they don’t believe the virus is real, it’s an insult,” said Olumide Peter Kolade, a nurse from California who came to work in New York City. “I take it personally.” Credit…Brittainy Newman for The New York Times

Nurses who traveled from across the country to work in New York City hospitals saw the horrors of the coronavirus up close. They rushed patients to overcrowded intensive care units, monitored oxygen levels and held the hands of the sickest ones as they slipped away.

But now that many of the nurses have returned home to states in the South and the West, they’re facing a new challenge: persuading friends and family to take the virus seriously.

“A few times I’ve lost my temper,” said Olumide Peter Kolade, a 31-year-old nurse from California who grew up in Texas and spent more than three months treating patients in New York. “When someone tells me that they don’t believe the virus is real, it’s an insult. I take it personally.”

On the way to his 12-hour shifts in Brooklyn, Mr. Kolade would scroll through Instagram and Snapchat and see photos taken the previous night of his friends partying in Texas. A few, adamant that the coronavirus was a hoax or that deaths in New York were overstated, texted him videos promoting the false internet conspiracy theory that links the spread of the virus to the ultrafast wireless technology known as 5G.

“I don’t know, if I wasn’t a nurse, I would’ve totally believed the videos,” he said. “They made it seem like it was true.”

For nurses, the widespread skepticism about something they have witnessed is jarring. The United States has hit daily case records three times in the first six days of July, as the politicization of public health measures and the spread of misinformation hinder the country’s ability to curb the coronavirus’s spread.

Tamara Williams, a nurse from Dallas who came to New York, said she had to remove 50 to 100 friends from her Facebook account because she could not stand seeing their posts with false information about the pandemic.

“Unless you’ve seen it with your own eyes, it is very easy to believe it is not that bad,” said Tamara Williams, a nurse from Dallas.
“Unless you’ve seen it with your own eyes, it is very easy to believe it is not that bad,” said Tamara Williams, a nurse from Dallas.Credit…Hilary Swift for The New York Times

Several times since returning from New York, Ms. Williams has run into acquaintances who have told her that they believe the coronavirus is no more than the flu — even though coronavirus cases in Texas have surged since mid-June. “It’s infuriating,” she said. Sometimes she pushes back, telling stories about the young patients she treated who had no underlying health conditions.

Other times, she tunes people out.

“There’s no other way,” Ms. Williams, 40, said. “I literally feel like I would lose my mind — it would eat me alive — if I sat there and got into a verbal, back-and-forth banter.”

For months in New York City, streets were deserted and ambulance sirens blared at all hours, a constant reminder of the coronavirus threat. But in cities that have not completely shut down, people can more easily ignore the risk.

“Unless you’ve seen it with your own eyes,” Ms. Williams said, “it is very easy to believe it is not that bad.” On Monday, more than 8,800 new cases were announced across Texas, marking the largest single-day total of the pandemic.

Research on coronavirus information campaigns is limited, but studies on the effectiveness of messaging to discourage the use of tobacco and alcohol show that young adults tend to discount the dangers, said Deena Kemp, an assistant professor and health researcher at the University of Texas at Austin.

“There’s a lack of direct experience,” Dr. Kemp said. “Telling me about something that happened to you in a situation that I can’t identify with is different than telling me something about a situation I can identify with. New York is states away, and unless you work in a hospital, that’s also removed from your experience.”

The patchwork of conflicting local and national guidelines on wearing masks has also led to skepticism about them, she added.

Virginia Bernal, a 45-year-old nurse who spent months working in New York, could tell from her conversations over the phone with relatives back in Phoenix that they were not taking the surge in cases there seriously. She said she had tried to discourage her mother from attending a graduation party for a friend’s daughter. But a few days later, when Ms. Bernal called, her mother did not answer her phone because she was at the party.

An ad encouraging people to wear masks was displayed on a billboard in Lubbock, Texas.
An ad encouraging people to wear masks was displayed on a billboard in Lubbock, Texas.Credit…Dylan Cole for The New York Times

“I’ve done my part, so if you choose to go, that’s on you,” Ms. Bernal said she told her mother.

Heather Smith, a nurse from Topsail Island, off the coast of North Carolina, who worked at Elmhurst Hospital Center in Queens, struggled to hold back tears when describing how she felt when her brother said he did not believe the virus was real. When Ms. Smith started typing a rant on Facebook, she said, “I realized how angry I was.” She said she could not get out of her mind the images of patients who died alone: “No one understands how serious and how traumatizing it is.”

Courtney Sudduth, a nurse from Oklahoma City, said that when she arrived in New York people from back home wanted to know: Was it really as bad as the news media made it sound? Yes, she would tell them, describing the 18-wheel refrigerated truck that was parked outside Mount Sinai Beth Israel hospital in Manhattan and used to store bodies.

Even that was not enough. Her grandmother in Mississippi still does not wear a mask when she goes grocery shopping, she said. “Oh, I’ll be fine,” Ms. Sudduth recalled her grandmother as saying.

One of Ms. Sudduth’s brothers, who lives in Mississippi, believed conspiracy theories about the virus and continued to socialize at cookouts — until last month, she said, when he came down with the virus.

“That changed his mind,” Ms. Sudduth, 30, said.

Even as the number of coronavirus cases in Oklahoma has skyrocketed in recent weeks, people around town still stare at her when she wears a mask. “A lot of people still have the mentality that this is being blown out of proportion,” she said.

A hospital in Oklahoma City opened a new unit last week to accommodate the increasing number of virus patients. Sunday was Ms. Sudduth’s first day on the job.

6 Women Share What Getting Virtual Prenatal and Postpartum Care Has Been Like

From the pros (super-convenient appointments) to the cons (not being able to hear your baby’s heartbeat), real women share what this new form of health care has been like for them.

Virtual prenatal care
FILADENDRON/GETTY

When the COVID-19 pandemic hit the U.S., many non-essential medical visits, surgeries, and check-ups were postponed (bye, regular teeth cleanings) while others (i.e. prenatal visits) pivoted to what’s quickly become a new industry-standard: virtual health care.

In fact, The American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) even released new guidelines as well as patient FAQs regarding prenatal care in the time of COVID, urging healthcare providers to use telehealth appointments whenever possible.

The organization’s guidelines note that some research finds there are benefits to using telehealth in obstetrics, including overcoming barriers to care (i.e. getting to appointments or being able to access a facility to have your blood pressure taken) and increased communication with providers by means of text messaging or other virtual platforms. (Related: How Coronavirus Might Affect Your Reproductive Health)

That said, if you’re pregnant during the COVID crisis and have had your IRL prenatal visits switched to virtual appointments, there are some losses—namely not being able to hear your baby’s heartbeat at your check-up and, in many women’s cases, not being able to have a support partner come to the in-person visits that you can still have (including, in some cases, ultrasounds).

Prenatal—and postpartum, for that matter—visits differ depending on where you are geographically, your healthcare provider, and your particular health and pregnancy scenario. Still, we wondered, what are these new pregnancy appointments really like for moms going through it right now? (Related: 7 Moms Share What It’s Really Like to Have a C-Section)

So we chatted with six women who are pregnant or have just had babies for a look into their doctor visits. Here, what they had to say:

“The hardest part for me was not being able to hear my baby’s heartbeat.” —Katharine T., 32, from New York, NY

“I’m currently 38 weeks pregnant and my virtual appointments started during my second trimester. They were every three to four weeks up until 36 weeks when I was seen every week in person (temperature checks, masks, hand sanitizer, and electronic check-in are all strictly enforced). My doctor also had me schedule a growth-check ultrasound at the hospital at 32 weeks since she was not able to measure my bump. The virtual appointments were fairly seamless—I was asked to weigh myself at home and take my blood pressure and report those measures during our virtual appointments. I ordered an auto arm cuff by Omron for about $50; I didn’t seek reimbursement but it honestly didn’t occur to me to try.

I accessed my virtual appointments through the Weill Cornell Connect App. It was simple to log in and launch the virtual appointment, and I was able to see and hear my doctor without issue. My doctor has been amazing—readily available by phone and email for any and all questions. She seemed more accessible since we couldn’t physically come to the office and she understood I might have more concerns or anxiety because of the lack of in-person visits. She has not explicitly asked about my mental health but always asks about any concerns I’m having and reminds me to always call if I have any questions or concerns. (Related: What You Should Know About Supporting Your Mental Health Before and During Pregnancy)

Personally, the hardest part for me was not being able to hear my baby’s heartbeat (a very reassuring sound for expecting moms). Overall, I prefer in-person visits, but I’ve been very fortunate to have an easy pregnancy and did not want to jeopardize my health or the baby’s health during a peak COVID-19 outbreak, so the virtual appointments worked out really well. The virtual appointments are also much less disruptive to a very busy work schedule.”

“I liked the telehealth visit even better than a regular, in-person visit.”—Kathleen Barber, 38, author of Truth Be Told, from Washington, D.C., due with her second baby in August.

“My doctor signed me up for a program called Babyscripts that mailed me a blood pressure cuff (I didn’t pay anything for it). Through the Babyscripts program, I’m required to take both my blood pressure and weight each week, and then record those measurements using an app on my phone. My doctor is able to see the measurements, and it’s my understanding that Babyscripts will alert the doctor if something is awry.

I had my first telehealth visit last week, and I was pleased with the process. A couple of days prior to the appointment, someone from the office called to ask me a few pre-appointment questions, much like those the nurse usually asks before the doctor comes in: Has there been any unusual bleeding or abrupt swelling? Has the baby been moving normally?

When I actually spoke to the doctor during the Zoom appointed, she just reviewed my measurements from the app, discussed open action items—Did I have my TDAP shot? Had someone already contacted me about the results of my latest bloodwork—asked me a few questions about how I was feeling in general and also followed up on some specific concerns I’d raised at my last visit, and then asked if I had any new issues to address. After that, we chatted briefly about the upcoming delivery. I’m currently in the third trimester, but this is my second child, so I didn’t have many specific questions. (Related: Why You Might Be Experiencing Quarantine Fatigue—and How to Deal with It)

My doctor inquired about my mental health, and specifically asked how I’ve been feeling being pregnant during quarantine with a toddler at home. I liked the telehealth visit even better than a regular visit—I didn’t have to go to the office, and there was no waiting to see the doctor.”

“Personally, I thought my virtual appointment was a waste of time since nothing could be checked.”—Dana G., 32, from Stamford, CT, due with her first baby in October

“I’ve had one virtual prenatal appointment and the only thing that it consisted of was my doctor asking if I had any questions, how I was feeling, and letting me know when to make my next appointment. Personally, I thought it was a waste of time since nothing could be checked. (I was not given, nor did I have to buy any equipment, such as a blood pressure cuff or a scale, so I did not have my blood pressure measured and was not able to check the baby’s heartbeat.)

As a prenatal patient (especially before you feel those first kicks), I think the thing you look forward to is hearing that heartbeat and feeling assured that everything is okay, and this doesn’t happen in a virtual visit. It’s also a bit crazy to me that my doctor has not asked about my mental health. (Related: Alison Désir On the Expectations of Pregnancy and New Motherhood Vs. Reality)

The appointment took less time and I didn’t have to put on my mask and gloves and venture out into public during the height of the virus, which was nice, but personally, I didn’t find the virtual appointment very beneficial. I also had my 12-week nuchal translucency (NT) scan canceled, which was especially disconcerting after I had abnormal results from the same test in a previous pregnancy. It was replaced with a virtual visit so that was difficult, but thankfully I’m now being seen in person again.”

Virtual prenatal care
YAKOBCHUKOLENA/GETTY

“I never wanted my prenatal appointments to be quick and easy.”—Stephanie Nelson, 35, co-founder of LUNA Mother Co., who is 27 weeks pregnant with her second child

“I’m currently 27 weeks pregnant with baby number two and have been seeing my ob-gyn via telehealth appointments since I was about 16 weeks. My virtual appointments are every four weeks until my 28-week appointment at which point they will be every two weeks.

I was required to purchase a blood pressure cuff and scale. For my own peace of mind, I also purchased a fetal doppler, a device you can use at home that allows you to hear the baby’s heartbeat. Hearing the heartbeat at my appointments during my first pregnancy was always so exciting and reassuring. I was really missing that this time around, so I purchased the doppler for about $60. (I recognize my privilege in this being an option. If I didn’t have the means to purchase these items, I’m not sure if they would be offered by my provider.)

The virtual appointments are fairly similar to what they were like in person during my last pregnancy. I take my blood pressure and weigh myself before the appointment and then my doctor goes over the basics of what’s happening during this stage of my pregnancy, we discuss any questions I might have and what the next few weeks will look like. (Related: Exactly How Your Hormone Levels Change During Pregnancy)

In some ways, I don’t mind the virtual appointments—they’re convenient and I don’t have to worry about going into a doctor’s office. But, for the most part, I prefer face-to-face appointments. My first pregnancy was high-risk due to intrauterine growth restriction (IUGR). Around 30 weeks, my son’s growth was stunted significantly and it was only caught because my doctor was physically measuring my belly at each of my appointments and noticed the sudden change in my belly. Now, with this pregnancy, I’m carrying the fear that this situation could happen again and I’m not seeing my doctor in person to have her measure my belly. She has me stand up in the video call and show her my belly, but I don’t feel super confident in that being a viable measurement.

I have a history of perinatal mood disorders so I have been super self-aware during this pregnancy and see a therapist regularly. This second time around has been so different regarding the state of my mental health. I was definitely having issues with my anxiety in my first pregnancy and postpartum but unfortunately was not given much in the means of support or resources when I voiced my concerns with my provider. It wasn’t until I was about six months postpartum that my then provider was able to point me in the direction of a mental health professional.

All in all, I think ‘quick and easy’ might be nice for a simple checkup-type appointment, but I don’t feel that way about my prenatal appointments. I never wanted them to be quick and easy. I always want to take my time and enjoy the experience of hearing the baby’s heartbeat and having a conversation with my ob-gyn about what’s happening developmentally.

In some ways, I’m feeling a sense of loss around this pregnancy. It’s not the experience I was looking forward to. I can find the positive in many things, but there has been a lot that I haven’t been able to enjoy this time. My 20-week ultrasound was an in-office visit but I had to go to the appointment alone without my husband as no other visitors were allowed with the patients. In many ways, it has felt like I’ve had a secret pregnancy. Barely anyone in my extended family has seen me in person and seen my growing belly. I went into quarantine around seven weeks pregnant, and I’ll come out with a baby.”

“My telehealth visits have been 15-minute calls with my doctor.”—Gloria Hurtado Kennett, 33, from Chicago, IL

“I haven’t had to buy a blood pressure cuff or scale (and I haven’t been given either by my doctor), but having these would likely ease my fears of going weeks without having an in-person ob-gyn visit. During this time, every little reassurance I can get that would tell me things are moving along as they should helps put my mind at ease. With it being my first pregnancy, I’ve been surprised by how hands-off the process is when seemingly every other pregnant woman on Instagram has an ultrasound every month!

My telehealth visits have been 15-minute calls with my doctor. She gives me a window of time during which she’ll call, and I basically read out loud from my list of ‘things happening to my body lately.’ While it’s great to have time with the doctor, I do have some underlying fears that something could be missed or not ‘caught’ soon enough. (Related: Weird Pregnancy Side Effects That Are Actually Normal)

I will say my doctor’s office is great about asking about my mental health. I fill out a survey/questionnaire every time with a list of 10 or so questions that pinpoint potential concerns—from sleep to depression and beyond.

Moms everywhere perceive (and like to tell me) that being pregnant during this time must be so much easier or less stressful, but what they don’t realize is that my husband has missed out on so many of the special moments throughout my pregnancy because of COVID protocols. And while sitting at home in my yoga pants instead of getting dressed for work is great, the social aspect of celebrating this time with others is minimal and that’s isolating.” (Related: Why Some Moms Experiences Major Mood Shifts When They Stop Breastfeeding)

“I don’t think doing the initial postpartum visit virtually for first-time moms is a good idea.”—Lauren Wellbank, 38, from Pennsylvania

“My postpartum telehealth appointment took place a little over six weeks after I gave birth. That this was my third child, so I had a lot going on at home and kind of forgot about scheduling my appointment. It was super easy to do though, and I kind of hope that a lot of appointments continue to be virtual in the future, especially as a busy mom with multiple children. Cutting out the drive time, the need to find child care, and downtime in the waiting room and exam room was a lifesaver. Also, I got to nurse my baby the entire time. Basically, I followed the link that they emailed me, I went into a secure virtual waiting room, and when my doctor was ready her face popped up on the screen. We discussed the labor and delivery, and how I was feeling. Since I hadn’t had any issues or complications, it was pretty quick and easy.

We did a postpartum mental health screen. It was interesting because it was actually the first time that somebody ever told me what my score was afterward. Usually, they just say ‘everything looks good,’ or ‘I’m diagnosing you with postpartum depression.’ We also discussed how useless the screener is right now because of how many of the questions did not apply in the middle of the pandemic.

I liked how fast the appointment was and since my birth was pretty much complication-free, I knew there was nothing that really needed to physically be checked. That said, I don’t think doing the initial postpartum visit virtually for first-time moms is a good idea. As somebody who has given birth three times, I felt confident in knowing the difference between when something felt right and felt wrong.”

Quarentena e uso de máscara reduziram em 15% o contágio da COVID-19 em SP no início da epidemia

Elton Alisson | Agência FAPESP – O isolamento social combinado com o uso de máscaras de proteção facial diminuíram em 15% o contágio do vírus SARS-CoV-2 em São Paulo e 25% em Brasília no início da epidemia de COVID-19 no país.

As constatações foram feitas por pesquisadores vinculados ao Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) em um estudo publicado na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares.

Sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), campus de São Carlos, o CeMEAI é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.

“Verificamos que a decretação de quarentena pelos estados combinada com a recomendação do uso de máscara pelo governo federal foram medidas de saúde pública eficazes, que contribuíram para a diminuição da transmissão do vírus na fase inicial da epidemia de COVID-19 no país, em que as taxas de contágio cresciam exponencialmente”, disse à Agência FAPESP Zhao Liang, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do estudo.

Os pesquisadores chegaram a essas conclusões por meio de análises feitas por um modelo matemático que permite estimar as taxas de transmissão do SARS-CoV-2 em cada cidade do país.

Desenvolvido por meio de um projeto apoiado pela FAPESP, o modelo é baseado em uma abordagem de rede de transmissão de doenças entre cidades chamado SIR – sigla em inglês de Susceptible Infectious Recovered.

As cidades são representadas na rede como vértices e os possíveis contágios pelo SARS-CoV-2 entre cidades como links, estimados a partir de dados reais de infectados em cada município do país por meio de algoritmos de aprendizado de máquina e de análise de redes complexas.

O modelo foi aplicado para analisar e comparar quantitativamente a efetividade de duas medidas de saúde pública implementadas sucessivamente para conter a disseminação do novo coronavírus no início da epidemia de COVID-19 no país. A primeira medida foi a decretação de quarentena pelos estados no final de março e a segunda a recomendação do uso de máscara pelo governo federal no início de abril.

Os resultados indicaram que, no caso de São Paulo – o primeiro estado a decretar quarentena, no dia 24 de março, sete dias após o primeiro registro de óbito causado pela COVID-19 no Brasil, quando já era o epicentro da doença no país, registrando 745 casos confirmados e 30 mortes –, essa medida contribuiu para diminuir a taxa média de crescimento de casos da doença nas cidades paulistas.

A diminuição mais substancial, contudo, ocorreu após a recomendação do uso de máscaras pelo governo federal, sobretudo em cidades de São Paulo com baixas medidas de distanciamento social no início da epidemia.

“Isso pode ser devido ao fato de que essas cidades apresentavam um contato entre pessoas maior e, portanto, o uso de máscaras foi crucial para deter a transmissão do novo coronavírus”, explica Zhao.

A fim de ter uma noção mais exata do impacto dessas medidas de saúde pública, os pesquisadores simularam cenários contrafactuais para analisar o que aconteceria se a quarentena e o uso de máscaras não tivessem sido implementados.

Os resultados das simulações feitas pelo modelo SIR em redes apontaram que a eficiência do isolamento social e do uso de máscaras difere significativamente entre as cidades do país, uma vez que as taxas de transmissão e de mortalidade por COVID-19 entre elas são muito diferentes.

Com base em dados de casos de infecção confirmados nos municípios até 8 de maio, o modelo indicou que a decretação da quarentena seguida da recomendação do uso de máscara resultaram em uma redução de, em média, 15% no pico da epidemia da COVID-19 na cidade de São Paulo, por exemplo, e de quase 25% em Brasília.

“Esperamos que essa metodologia para quantificar a eficácia de políticas públicas de saúde possa contribuir para demonstrar a importância do isolamento social e do uso de máscara como medidas de contenção da propagação do novo coronavírus para os governos e a sociedade”, afirma Zhao.

Política controversa

Alguns países ainda resistem a adotar medidas de isolamento social por duvidar de seu nível de eficácia. Essa situação cria discrepância entre as políticas municipais, estaduais e federal, como é o caso do Brasil.

“Ainda hoje estamos vivendo esse impasse em relação à continuidade do isolamento social no país, com a pressão por medidas de flexibilização, como a reabertura de comércios”, diz Zhao.

Naturalizado brasileiro e originário da China, onde se graduou em 1988 em ciência da computação na Universidade de Wuhan – província que foi o primeiro epicentro da COVID-19 no mundo –, o pesquisador avalia que, além do nível de controle muito mais rígido em seu país de origem, outro fator que contribuiu para a alta eficácia do isolamento social foi o uso de tecnologias de big data para rastrear rapidamente pessoas que tiveram contato com infectados e isolá-las, de modo a conter o contágio.

“A realidade da China é muito diferente e o país adotou alguns critérios de controle rígidos que não poderiam ser aplicados no Brasil. Mas, sem dúvida, o nível de controle do isolamento social com o uso de tecnologias de big data permitiu que a China contivesse o contágio na fase inicial da epidemia no país”, avalia.

O artigo Quantitative Analysis of the Effectiveness of Public Health Measures on COVID-19 Transmission (DOI: 10.1101/2020.05.15.20102988), de Thiago Christiano Silva, Leandro Anghinoni e Liang Zhao, pode ser lido na plataforma medRxiv em www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.05.15.20102988v1.
 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Study Raises Concerns for Pregnant Women With the Coronavirus

Pregnant women who are infected wind up in hospitals and I.C.U.’s at higher rates, a federal analysis suggests. But the data is far from conclusive.

Do New York Times (em inglês)
A paramedic in Stamford, Conn., with a woman who is eight months pregnant and sick with the coronavirus in April. She was put on a ventilator, her son was delivered by emergency C-section and she spent three weeks in the hospital.
A paramedic in Stamford, Conn., with a woman who is eight months pregnant and sick with the coronavirus in April. She was put on a ventilator, her son was delivered by emergency C-section and she spent three weeks in the hospital.Credit…John Moore/Getty Images

 

Pregnant women infected with the coronavirus are more likely to be hospitalized, admitted to an intensive care unit and put on a ventilator than are infected women who are not pregnant, according to a new government analysis.

Pregnant women are known to be particularly susceptible to other respiratory infections, but the Centers for Disease Control and Prevention has maintained from the start of the pandemic that the virus does not seem to “affect pregnant people differently than others.”

The increased risk for intensive care and mechanical ventilation worried experts. But the new study did not include one pivotal detail: whether pregnant women were hospitalized because of labor and delivery. That may have significantly inflated the numbers, so it is unclear whether the analysis reflects a true increase in risk of hospitalization.

Admissions for childbirth represent 25 percent of all hospitalizations in the United States, counting mother and baby, said Dr. Neel Shah, an assistant professor of obstetrics and gynecology at Harvard University. Even at earlier stages of pregnancy, doctors err on the side of being overly cautious when treating pregnant women — whether they have the coronavirus or not.

“There’s quite clearly a different threshold for hospitalizing pregnant people and nonpregnant people,” he said. “The question is whether it also reflects something about their illness, and that’s something we don’t really know.”

The results are to be published on Thursday by the C.D.C.; government researchers presented the data to a federal immunization committee on Wednesday. (The slides were posted online on Wednesday afternoon but taken down later in the day.)

The analysis, the largest of its type so far, is based on data from women with confirmed infections of the coronavirus as reported to the C.D.C. by 50 states and Washington, from Jan. 22 to June 7.

The report includes information on 8,207 pregnant women between ages 15 to 44, who were compared to 83,205 women in the same age bracket who were not pregnant.

More than 31 percent of the pregnant women were hospitalized, compared with about 6 percent of women who were not pregnant. Pregnant women were more likely to be admitted to the I.C.U. (1.5 percent versus 0.9 percent) and to require mechanical ventilation (0.5 percent versus 0.3 percent).

These proportions are small, Dr. Shah noted, and the 10-fold difference in the number of pregnant and nonpregnant women in the analysis makes it difficult to compare their risks.

In a separate analysis by Covid-Net of women hospitalized with the coronavirus, C.D.C. researchers noted that “the risk of I.C.U. and mechanical ventilation was lower among pregnant compared to nonpregnant women.” Covid-Net analyzes data from hospitalizations in the network’s surveillance area in 14 states.

Despite the ambiguities, some experts said the new data suggests at the very least that pregnant women with the coronavirus should be carefully monitored.

If many of the pregnant women were hospitalized for labor and delivery, the proportion of women who were hospitalized for only coronavirus infection and became severely ill — those advancing to the I.C.U. or ventilation — would be even higher, said Dr. Denise Jamieson, a member of the Covid-19 task force at the American College of Obstetricians and Gynecologists.

“I think the bottom line is this: These findings suggest that compared to nonpregnant women, pregnant women are more likely to have severe Covid,” she said.

Pregnancy transforms the body’s biology, ramping up metabolism, blood flow, lung capacity and heart rate. It also suppresses a woman’s immune system to accommodate the fetus — a circumstance that can increase her susceptibility to respiratory illnesses like influenza.

Because of this heightened risk, scientists have been closely monitoring pregnancy outcomes in various coronavirus studies. So far, few studies have indicated a significant risk for pregnant women or for their children. Infections in newborns have been exceedingly rare.

Still, as the pandemic has progressed, prenatal care has been severely disrupted, Dr. Shah said, and women are being hospitalized for conditions that might have been caught and treated much earlier.

“Things that might have happened in an office setting are happening in a hospital triage setting,” he said.

Dr. Jamieson pointed to a recent study of pregnant women at New York City hospitals who were asymptomatic at admission. Of the 241 women who tested positive for the coronavirus in that study, 48 did not have symptoms at first but then became severely ill.

The study also found that women with more severe symptoms were more likely to give birth prematurely.

“All this information points to the importance of being vigilant when it comes to monitoring pregnant women,” Dr. Jamieson said. “They’re not at as great a risk as, for example, older people, or people with other underlying medical conditions. But they do seem to be at some increased risk.”

The data suggests that hospitals should aim to test all pregnant women for the coronavirus, regardless of symptoms, she added. The new analysis also has implications for a coronavirus vaccine, whenever one becomes available.

“How strongly are we going to counsel pregnant women about the benefits of vaccines?” Dr. Jamieson wondered.

Correction: 

An earlier version of this article described Dr. Denise Jamieson as the head of the Covid-19 task force at the American College of Obstetricians and Gynecologists. In fact, the task force has no head, and Dr. Jamieson is a member.

Apoorva Mandavilli is a reporter for The Times, focusing on science and global health. She is the 2019 winner of the Victor Cohn Prize for Excellence in Medical Science Reporting. @apoorva_nyc

A version of this article appears in print on , Section A, Page 11 of the New York edition with the headline: Infected Women Who Are Pregnant May Face Higher Risk for Intensive Care.

 

Grávidas têm direito ameaçado em maternidades durante pandemia de coronavírus

Após quase três meses com acesso de acompanhantes restrito, a Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte, ouviu as pacientes e readequou. Desde 10 de junho, o acesso integral do acompanhante voltou a ser permitido na instituição

A maternidade Odete Valadares voltou a permitir acompanhantes às gravidas desde 10 de junho(foto: Fhemig/divulgação)
A maternidade Odete Valadares voltou a permitir acompanhantes às gravidas desde 10 de junho (foto: Fhemig/divulgação)

Foram 10 horas de internação e tentativa de um parto normal. A bolsa estourou e os batimentos cardíacos do bebê caíram. Marcela Reis, de 28 anos, mãe de primeira viagem, precisou fazer uma cesariana de emergência, em 12 de maio. Ela estava sozinha. O namorado foi impedido de acompanhá-la em um dos momentos mais importantes da vida dos dois. Por causa da pandemia do novo coronavírus, a Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte, maior e mais antiga maternidade pública do estado, tinha suspendido a presença de acompanhantes. Um direito garantido à mulher por lei.

O pai só conseguiu acessar o bloco cirúrgico quando Marcela já estava anestesiada e sofrendo o corte para retirada do bebê. Mesmo assim, a permanência durou apenas o período de nascimento e primeiros atendimentos ao recém-nascido, cerca de duas horas. Quando a mãe foi levada para o quarto, onde ficaria por mais 48 horas, ela voltou a ficar sozinha com o filho. “Eu estava operada e não tinha ninguém para me ajudar. Precisava esperar uma enfermeira”, comenta a maquiadora.
Marcela com o pequeno Nick(foto: Arquivo pessoal/divulgação)
Marcela com o pequeno Nick (foto: Arquivo pessoal/divulgação)

“Quando você proíbe a mulher de ter o acompanhante, você não está tirando dela só o conforto de alguém para dar a mão, você está tirando de um pai ou companheira o direito de ver o filho nascer, e também está colocando ela em um risco iminente de violência obstétrica, que é endêmica neste país”, alerta Gabriella Sallit, advogada especializada em violência obstétrica e que notificou o hospital no caso de Marcela. A mesma situação foi vivida por outras centenas de mães. A maternidade realiza média de 300 partos por mês.

A restrição a acompanhantes na Maternidade Odete Valadares durou quase três meses. Nesse período, a Defensoria Pública de Minas Gerais também notificou a instituição. Em 10 de junho,  segundo a direção, a maternidade voltou a cumprir a Lei Federal Nº 11.118, que diz: “Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde – SUS, da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1 (um) acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato”.
No caso de Marcela, Gabriella fez uma notificação à direção do hospital exigindo o cumprimento da lei e pedindo explicações. “Não existe nenhum decreto, nenhuma resolução, de nenhuma secretaria de saúde que autorize a revogação de uma lei”, afirma a advogada. À época, a maternidade alegou que cumpria orientação da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig).
Readequação da maternidade
Segundo a diretora da maternidade, Flávia Ribeiro de Oliveira, o caso de Marcela ajudou muito no processo de reabertura. “Ela entrou em contato com a diretoria, eu fui ao leito dela. Foi muito bacana nossa oportunidade de diálogo. Ela contribuiu muito  pela instituição”, destaca.
“Houve uma adaptação e reabrimos”, conta a diretora. Segundo ela, no início da pandemia, houve um momento de muita incerteza e, como a maternidade lida com pacientes do grupo de risco, tanto mães como bebês, a decisão de suspender a presença de acompanhante foi por segurança. “O primeiro lockdown, em 18 de março, foi muito tenso. Muita coisa a gente foi percebendo e conhecendo melhor o cenário aqui com o passar do tempo mesmo”, explica.
Segundo a obstetra, a orientação de distanciamento de dois metros, indicada pela Agência de Vigilância Sanitária às instituições de saúde, era impossível de ser atendida levando em conta o espaço físico da maternidade. Flávia acredita que houve uma falta de alinhamento entre os órgãos sanitários e epidemiológicos e os dirigentes da saúde pública relacionado aos direitos da mulher parturiente: “Cada instituição agiu com seu critério. Se tivesse vindo esse alinhamento em um processo mais maduro, de coordenação, provavelmente teria sido menos penoso”.
Versão contestada
Íris vai ter o bebê na maternidade e teme pelas informações desencontradas(foto: Raylson Martins/divulgação)
Íris vai ter o bebê na maternidade e teme pelas informações desencontradas (foto: Raylson Martins/divulgação)

Na manhã desta quarta-feira (24), o Estado de Minas recebeu uma nova denúncia de uma grávida que vai se internar na quinta-feira para o parto na maternidade. Segundo Iris Kátia Cordeiro da Silva, de 32 anos, a orientação que ela recebeu em sua última consulta de pré-natal, na manhã de hoje, foi que o acompanhante só poderia ficar as primeiras 12 horas após o parto.

Informação que contraria a versão passada pelo hospital de que os acompanhantes estavam liberados a ficar ao lado da mãe até o fim da internação. No protocolo padrão, a puérpera que teve um parto normal recebe alta 24h  após o nascimento do bebê, já aquela que passou por uma parto cesáreo precisa permanecer na maternidade por 48h.
Em 17 de junho, Íris conversou com a reportagem do Estado de Minas sobre o medo que sentia naquele momento de ter seu filho na maternidade. A assistente social é hipertensa, por isso foi encaminhada à Odete Valadares para fazer o pré-natal de risco, desde o início da gravidez.
“Eu nunca pensei na possibilidade de ter meu filho sozinha. Tanto que quando fiquei sabendo desta nova regra, eu chorei o dia todo”, recorda. Há uma semana do parto, ela tentava uma vaga para ter seu bebê no Sofia Feldman, maternidade filantrópica de Belo Horizonte, que permite a entrada de acompanhantes.

Ela não sabia da mudança de protocolo que havia ocorrido, segundo a direção, uma semana antes. Naquele dia, Iris foi informada pela reportagem de que poderia ter o namorado ao seu lado o tempo todo. “Nossa, estou muito feliz. Que alívio! Vou ter meu filho lá sim”, comemorou. A alegria foi abalada ao receber, na manhã desta quarta-feira, a notícia de que o acompanhante só poderia ficar por 12 horas após o parto.

Procurada novamente, a diretoria da maternidade, por meio da assessoria, disse que houve um erro por parte da médica que atendeu Íris. Garantiu que a nova orientação quanto à permanência do acompanhante durante toda a internação está valendo desde 10 de junho na instituição. Por fim, informou que vai reunir os profissionais de saúde da maternidade novamente para reforçar as orientações e evitar que falhas de comunicação voltem a ocorrer.
 
Novo protocolo
A reabertura para acompanhantes na maternidade mais antiga do estado exigiu adaptações e elaboração de novas regras, que, conforme garantiu a direção, estão valendo desde a segunda semana de junho. Veja o que muda e quais exigência ao acompanhante:
  • O acompanhante não pode ser do grupo de risco
  • Não pode apresentar sintoma gripal
  • Não pode ter apresentado a COVID-19 nos últimos 14 dias, período de quarentena da doença
  • O uso de máscara é obrigatório durante todo o período de permanência no hospital.
  • A saída e retorno do acompanhante, durante a internação da paciente, devem ser evitados
  • Não são permitidas visita
A diretora informou que a agenda de visita das grávidas para conhecer a maternidade antes do parto também está aberta. “Se elas estiverem com medo ou qualquer dúvida, a maternidade está à disposição para esclarecer”, comenta. A mulher interessada em visitar a instituição deve fazer a solicitação pelo telefone (31) 3298-6000 ou enviar e-mail para mov.ouvidoria@fhemig.mg.gov.br .

Especialistas falam como pais podem ajudar crianças a entender a pandemia

Privados da rotina e do contato com os amigos, crianças demandam atenção dos pais para ajudá-las a compreender o que se passa no mundo

Do Correio Braziliense

Adriana de Carvalho tem se desdobrado para entreter o filho, Arthur, mas o garoto sente muita falta da escola e dos amigos(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Adriana de Carvalho tem se desdobrado para entreter o filho, Arthur, mas o garoto sente muita falta da escola e dos amigos (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

As quatro paredes do lar representam a estimada segurança em tempos de caos. Entretanto, podem parecer uma prisão aos que não compreendem a razão de não ir além delas. A pandemia apresentou a todos um novo mundo, e as dinâmicas da sociedade passam por uma reestruturação. Algo difícil de engolir para os adultos, mas um verdadeiro castigo às crianças, que estão privadas de suas atividades.

Parte determinante para a construção de um emocional saudável, a interação social é indispensável aos pequenos, conforme explica o médico psiquiatra Luan Diego Marques. “O contato humano é uma das ferramentas importantes para aquisição de sensação de realização e prazer. Quando não é desenvolvida, o indivíduo, ao observar o mundo ao seu redor, vai sentir que não possui habilidade para participar dele. Isso será gatilho para desenvolver transtornos, como depressão e ansiedade.”

O cuidado com a saúde mental merece atenção ainda maior durante momentos de estresse generalizado, como o da quarentena. “A vivência em família gera situações que se retroalimentam, sobretudo, com pais que não sabem lidar com suas emoções e servem de espelho aos filhos. Assim, privadas da rotina com os amigos, as crianças se estressam e os pais também, virando um ciclo vicioso”, detalha Luan.

Para manter as crianças distraídas, muitos pais se aproveitam da tecnologia para também conseguirem dar conta de suas obrigações. O imediatismo nas respostas do mundo virtual, porém, pode formar crianças ansiosas. “As telas têm estímulos muito acelerados, isso ajuda na liberação de noradrenalina e dopamina. Toda criança deseja estar à distância de um clique, então, ela começa a exigir respostas muito rápidas do mundo e dos pais. O que pode parecer uma saída, a longo prazo, pode gerar distúrbios de ansiedade”, explica o psiquiatra.

Saudade

A quebra repentina na rotina da criançada deixou uma enorme sensação de vazio para os que entendem o que vem acontecendo no mundo e, também, aos muito pequenininhos, que só querem um amiguinho para dividir o tempo. “Eu gosto de ir para a escola com minha professora e meus amigos. Não gosto de ficar o dia todo em casa”, contou Louise Cordeiro, de apenas 3 anos.

Louise é a filha mais nova de Yohanna Cordeiro, 28 anos, professora de inglês e educadora perinatal. “Ela tem sentido muita falta, principalmente de encontrar os amigos, e não dispõe de meios para vê-los. No grupo de pais da escolinha, nós tentamos estabelecer videochamada entre os bebês, mas, como cada pai tem um horário, não deu certo. Nós gravamos vídeos e mandamos para que cada um mostre ao filho, mas não é a mesma coisa que a interação em tempo real”, conta a mãe.

Lamentando a situação, a pequenininha diz que “não tem como brincar agora” e garante que, quando tudo voltar à normalidade, vai “brincar de parquinho e depois lanchar” com os coleguinhas. A irmã de Louise, Michelle Cordeiro, 9 anos, tem mais sorte e consegue estabelecer contato com os amigos. “Nós jogamos on-line quase todos os dias para matar a saudade e conversamos bastante no grupo do WhatsApp”, conta.

Para a psiquiatria, o momento exige constante conversa com os filhos para situá-los nestas mudanças. “O adulto lê as notícias e racionaliza. Cognitivamente, ele alcança a mensagem. As crianças, não; elas não sabem a razão de ter de ficar em casa e longe das pessoas que gosta. Ela vai perceber que está privada da socialização com os amigos, mas precisa entender o porquê”, explica Luan.

Michelle cursa o 4º ano do ensino fundamental e já compreende o afastamento social e de suas atividades. “Eu não estou gostando, mas sei que é importante ficar em casa agora. Sinto falta de pular corda, jogar bola e conversar pessoalmente. Nós estamos aguardando a pandemia acabar para fazer uma festa do pijama, ainda não sabemos na casa de quem, mas vai ter festa”, planeja, esperançosa, a menina.

Recursos

Para o psiquiatra Luan Marques, o contato entre a criançada deve ser mediado pelos pais, para que não cesse. “Adultos e crianças conversam em linguagens diferentes. Muitas vezes, somente uma criança entenderá o que a outra diz. Portanto, mesmo com a dedicação dos pais, eles não suprirão a necessidade de socializar do filho. Assim, mesmo que comedidamente, deve oferecer recursos para que eles conversem com os primos e amigos da mesma idade.”

Privado de contato com os amigos, Arthur Cassimiro, 7 anos, tem se chateado bastante em casa. “É ruim ter aula on-line, eu sinto falta de brincar com eles, sinto falta da aula, eu só quero voltar para a escola. Voltar para a natação, para o futebol e de fazer tudo isso com meus amigos.” A mãe de Arthur, Adriana de Carvalho, 28 anos, lamenta o pouco contato entre os pais da comunidade escolar. “A gente não conversa muito, então, acaba que cada criança fica para o seu lado”, diz.

Adriana faz o que pode, e dedica bastante atenção ao filho. “A rotina escolar foi mantida e eu acompanho todas as aulas para auxiliá-lo, pois ainda está em fase de alfabetização. Nós moramos em casa, então, também reservo uma parte do tempo para ficar com ele no quintal e na piscina. Apesar de estar sempre presente, ele reclama cotidianamente da falta dos amigos e da escola, pois a interação que eles têm é somente pelo chat da aula”, conta.

Esperando por dias melhores, o menino diz ter planos com os amigos para concretizar no período pós-pandemia. “ Quando acabar esse coronavírus, nós vamos convidar um para vir à casa do outro. Queremos fazer as festinhas de aniversário para comemorar e brincar juntos. Essas são as coisas que a gente gosta de fazer”, narra Arthur.

Eletrônico controlado

Seguindo o conselho de reduzir o acesso às mídias digitais pela garotada, Maurício Santos, 29 anos, tem aberto exceções à filha durante o isolamento. “Nós somos contra o uso abusivo de celular, tanto que nossa filha nem tem aparelho. Mas, como ela não pode se encontrar com os familiares e amigos, nós deixamos que ela faça videochamadas para os primos e para a melhor amiga”, diz o estudante de gastronomia.

A filha de Maurício, Manuela Gaspar, de 7 anos, uma menina que “gosta da bagunça”, segundo o pai, assiste às aulas pela internet, mesmo não gostando muito da distância da sala de aula. “A internet trava, e os slides ficam carregando. Não gosto. Eu sinto muita saudade dos meus amigos e da professora. Acaba que a gente só conversa no chat da aula, e a tia Cris (a professora) nem sempre deixa”, diz Manu.

Contrário ao excesso de tecnologia, Maurício Santos tem aberto exceções para Manuela conversar com parentes e amigos(foto: Arquivo Pessoal)
Contrário ao excesso de tecnologia, Maurício Santos tem aberto exceções para Manuela conversar com parentes e amigos (foto: Arquivo Pessoal)

No regresso à rotina, Manuela já planejou as brincadeiras. “Eu pretendo brincar muito de umas brincadeiras bem doidas. Quero ir ao pátio da escola, à sala de informática e à sala de artes, onde a gente pinta e desenha muito. Depois de brincar de tudo que a gente costumava, eu quero comprar um lanche e dividir com as minhas amigas. Sinto falta de me encontrar com elas e conversar”, conta.

O último conselho que Luan deixa aos pais é introduzir atividades de foco aos filhos, para acalmá-los durante a quarentena. “Há na internet uma série de meditações guiadas para a garotada, também aulas de ioga. Isso colocará a criança em contato com ela e com os pais, uma interação muito importante. Mas essa atividade nova deve ser apresentada em um momento prazeroso, assim ela associará a nova atividade a algo bom”, explica o psiquiatra.


De olho na molecada
A Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou um manual para mediar o uso de ferramentas tecnológicas para as crianças. Pais devem ficar atentos: 

» Crianças de até 2 anos
Não é indicado fazer uso de nenhum aparelho tecnológico.

» Crianças de 2 a 5 anos
Limitar o uso destes equipamentos para o máximo de uma hora diária.

» Crianças até 10 anos
Não fazer uso de televisão ou computador no próprio quarto.

» Adolescentes
Não devem ficar isolados em seus quartos nem ultrapassar as horas saudáveis de sono, de oito a nove horas por noite. Além de realizar uma hora de atividade física por dia.

» Crianças menores de 6 anos
Não devem ser expostas a conteúdos violentos, pois ainda não conseguem separar a fantasia da realidade. É importante monitorar a classificação indicativa do conteúdo que o filho consome na televisão, na internet e nos jogos on-line e videogame. Estimular a criança a participar de atividades em família, de lazer, educativas e de socialização familiar.

Números oficiais sobre grávidas com covid-19 estão longe da realidade, dizem pesquisadores

Pesquisa revela dobro de mortes contabilizadas pelo Ministério da Saúde; epidemia afeta mais gestantes pretas e pardas.

O único documento do ministério com números mais detalhados sobre grávidas na epidemia é um boletim epidemiológico divulgado em 29 de maio. O levantamento é feito a partir de dados do Sivep-Gripe coletados entre 16 de fevereiro e 23 de maio. Segundo o sistema de vigilância em saúde, nesse período, foram notificados 52.335 casos hospitalizados de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) confirmados para covid-19, sendo 521 (1%) em gestantes. Desse total, 36 evoluíram para óbito.

“Na mesma época correspondente aos 36 casos referidos pelo Ministério da Saúde, conseguimos por outras metodologias levantar 62 casos”, afirmou Melania Amorim ao HuffPost Brasil. A metodologia usada pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Covid-19 e Gravidez inclui recuperar dados do ministério, buscar informações com as secretarias de Saúde e rastrear casos noticiados pela imprensa ou que chegam por um e-mail da equipe. Só entram na conta casos notificados por alguma autoridade sanitária.

O levantamento independente inclui duas mulheres que morreram em casa sem ter tido tempo de chegar ao serviço de saúde, mas que tiveram covid-19 comprovada, de acordo com Amorim. A diferença nos números se deve a falhas na atuação do governo federal, segundo a pesquisadora. “Está havendo um sub-registro de notificações por parte do ministério que não está conseguindo consolidar essas informações em tempo hábil”, afirmou.

No âmbito da pesquisa, a obstetra sustenta que o ideal para de fato investigar como a epidemia afeta as grávidas seria ter acesso aos prontuários. Com isso, seria possível, por exemplo, mapear de forma mais precisa a frequência de comorbidades, como diabetes e hipertensão arterial, nesse grupo. “A gente deixa de ter acesso aos dados individuais, que seria a metodologia mais adequada para ver os itinerários que essas mulheres percorreram, identificar em que momento da assistência ocorreu falha ou atraso e poder fazer recomendações mais adequadas”, explicou, sobre a atual contagem feita pelo governo.

Segundo a pesquisadora, quando o Brasil somava 62 mortes de grávidas por covid-19, dados publicados por outros países eram muito menores: 2 no México, 7 no Irã, 5 no Reino Unido e um nos Estados Unidos. “Existe um problema muito sério no Brasil que não é descrito na maioria dos países e neste momento a pandemia está revelando uma face perversa que é esse número desproporcionalmente alto de morte materna por covid-19”, afirmou Amorim.

“A pandemia está revelando uma face perversa que é esse número desproporcionalmente alto de morte materna por covid-19.”
Obstetra e ginecologista Melania Amorim, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)

Mortalidade materna no Brasil

Ainda não há explicações precisas para explicar a diferença desses números entre os países por enquanto, segundo pesquisadores. A alta taxa de mortalidade materna no Brasil já era uma preocupação antes da pandemia. O indicador representa o total de óbitos que ocorrem durante ou até 42 dias após o parto e com causa relacionada à gravidez divididos por 100 mil nascidos vivos no local. Em 2018, a taxa foi de 59,1.

A meta estabelecida em um pacto fixado pela ONU (Organização das Nações Unidas) era limitar o indicador a 35 óbitos por 100 mil nascidos vivos até 2015. Cerca de 92% desses mortes são evitáveis e ocorrem principalmente por hipertensão, hemorragia, infecções e abortos provocados.

Em 2018, mulheres de raça/cor preta e parda totalizaram 65% dos óbitos maternos, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015, os brasileiros que se declaram pretos ou pardos somavam 53,92%.

Também é possível observar que grávidas pretas e pardas estão mais vulneráveis ao novo coronavírus ao analisar o boletim do ministério, ainda que os dados estejam incompletos.

Em 2018, mortalidade materna foi de 59,1 a cada100 mil nascidos vivos no
Em 2018, mortalidade materna foi de 59,1 a cada100 mil nascidos vivos no Brasil. Callaghan O’Hare / Reute

Grávidas negras estão mais vulneráveis

Das 521 gestantes internadas com covid-19, foram excluídas 36 (6,9%) com idade maior ou igual a 50 anos e uma (0,2%) com faixa etária em branco, totalizando 484 gestantes analisadas. Para as análises sobre evolução de alta ou óbito apenas 288 foram considerados, pois 196 casos ainda apresentavam a variável “evolução” em branco (não preenchida) ou ignorada.

Desses 288 casos, 72 tiveram a informação sobre raça/cor ignorada ou em branco, de modo que só é possível fazer essa análise considerando 216 registros. Nesse grupo, das 141 gestantes negras (pretas ou pardas) hospitalizadas, 121 (85,8%) evoluíram para alta e 20 (14,2%) para óbito. Das 72 gestantes brancas, em 67 casos (93%) o desfecho foi a alta e 5 (7%) de óbito.

“Apesar da incompletude dos dados, observa-se que a proporção de gestantes brancas que evoluíram para cura é maior que aquela observada para mulheres pardas ou pretas”, afirmou ao HuffPost Brasil Fernanda Lopes, doutora em Saúde Pública pela USP (Universidade de São Paulo) e membro do grupo de trabalho Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Estudos realizados no Reino Unido e nos Estados Unidos indicam maior proporção de mortes maternas relacionadas ao novo coronavírus em mulheres negras e outros grupos étnico-raciais minoritários, quando comparadas às mulheres brancas, “em especial em função de diagnóstico tardio e/ou assistência inadequada”, completou a pesquisadora.

No Brasil, as estatísticas oficiais do governo federal não permitem saber quem são essas mulheres que se recuperaram ou morreram. “Não sabemos se elas tinham comorbidades (obesidade, diabetes, hipertensão), não sabemos o trimestre de gestação. Não sabemos se o acesso ao serviço hospitalar foi tempestivo, se o serviço estava preparado para atendê-las adequadamente do ponto de vista de infraestrutura e preparo técnico, não sabemos também se elas foram vítimas de algum tipo de omissão ou negligência”, afirma Lopes.

A pesquisadora também lembra que diversos estudos realizados em um contexto sanitário pré-pandemia apontam dificuldades de acesso e falta de qualidade na atenção dedicada às mulheres negras, grávidas ou não. “No contexto da pandemia, as limitações impostas a todo o sistema podem agravar a operação do racismo nas instituições de saúde, tornando a qualidade da assistência prestada à população negra ainda pior”, completou Lopes.

Entre as pesquisas que apontam para o racismo institucional no contexto da epidemia, uma publicação do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde mostra que a chance de pretos e pardos sem educação formal morrerem devido ao novo coronavírus é 4 vezes maior do que de brancos com nível superior. O levantamento foi feito por pesquisadores da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP (Universidade de São Paulo) e do IDOR.

“No contexto da pandemia, as limitações impostas a todo o sistema podem agravar a operação do racismo nas instituições de saúde, tornando a qualidade da assistência prestada a população negra ainda pior.”
Fernanda Lopes, doutora em Saúde Pública pela USP e membro do grupo de trabalho Racismo e Saúde da Abrasco

Falta de informações na saúde

Sobre a falta de dados raciais no boletim do ministério, se o paciente chega ao serviço de saúde em condições de responder às perguntas, ele deve declarar sua cor. Senão, o acompanhante o faz. No entanto, na maioria das vezes os profissionais não fazem essa pergunta e atribuem ao usuário a cor que acreditam que a pessoa tenha, de acordo com Lopes. “O pertencimento racial só pode ser definido pela própria pessoa pois a forma como ela se vê no mundo não necessariamente está refletida no modo como o mundo a vê”, afirmou.

As lacunas dificultam a análise do quadro sanitário e, por consequência, a resposta ao problema. O ginecologista e obstetra José Paulo Pereira Junior, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) critica a falta de transparência e organização do Ministério da Saúde na pandemia em geral. “O que a gente tem debatido muito é ter uma base de dados confiável que todos nós pudéssemos usar”, afirmou ao HuffPost.

“A gente está em meados de junho e ficou sem dados no meio do caminho. Essa confusão toda que a gente tem visto em relação a horário de divulgação [de boletins epidemiológicos], tipo de divulgação, mudança de boletim, confundem mais do que facilitam, e a gente não pode fazer programação de saúde pública se não tiver claramente com esses dados abertos e passíveis para serem discutidos por todos”, completou o médico.

O obstetra faz parte da equipe do IFF/Fiocruz que está fazendo um estudo para acompanhar gestantes e puérperas em meio à pandemia. A estimativa é que cerca de 300 pacientes participem da pesquisa que deve ter resultados em 3 meses. Todas as grávidas internadas no hospital fazem teste RT-PCR para saber se estão contaminadas, assim como os bebês, que seguem em acompanhamento para que seja observado se há algum problema a médio ou longo prazo.

A epidemia de zika, iniciada em 2015 no Brasil, por exemplo, levou à síndrome congênita do zika nos bebês de mães infectadas. Até o momento, não há evidências científicas de transmissão vertical do vírus. Por isso, a amamentação é recomendada, ainda que com cuidados, como lavar as mãos e o bico do seio, colocar máscara para amamentar e colocar pano entre bebê e paciente para evitar contaminação acidental no pós-parto.

As dúvidas sobre o efeito do novo coronavírus nas grávidas são parte das incertezas sobre o patógeno em geral. “A gente tem uma doença que tem 5 meses e, de uma maneira bastante honesta, a gente sabe muito pouco sobre ela na população geral”, afirma Pereira Junior.

“A gente tem uma doença que tem 5 meses e de uma maneira bastante honesta, a gente sabe muito pouco sobre ela na população geral”, afirma Pereira Junior, da Fiocruz. Luis Alvarenga via Getty Images

Gravidez como fator de risco para covid-19?

Desde abril, o Ministério da Saúde passou a considerar gestantes como parte do grupo de risco para covid-19. O mesmo passou a se aplicar às puérperas, nome dado às mulheres que estão passando pelo chamado “puerpério”, período que contempla cerca de 45 dias após o parto.

A orientação da pasta é que a assistência à saúde deve ser organizada de modo a garantir os atendimentos a mulheres e recém-nascidos enquanto durar a crise sanitária, considerando o manejo adequado nos casos suspeitos de covid-19 nas gestantes e puérperas.

A realidade, contudo, nem sempre é essa. Em algumas cidades, optou-se por diminuir o número de consultas de pré-natal no primeiro e segundo trimestre.

A gente tem uma doença que tem 5 meses e de uma maneira bastante honesta, a gente sabe muito pouco sobre ela na população geral.
Ginecologista e obstetra José Paulo Pereira Junior, do IFF/Fiocruz

O que as pesquisas identificaram até agora é que estar grávida não é um fator de risco por si só, porém a gravidez pode estar associada em alguns casos a comorbidades que são fatores de risco. É o caso de diabetes, hipertensão e obesidade, por exemplo.

Por esse motivo, o terceiro trimestre de gestação costuma ser mais crítico para a covid-19. Das 288 gestantes internadas com a doença, 168 (66,7%) das que evoluíram para alta estavam no terceiro trimestre. E 22 (61,1%) dos óbitos também estavam nessa etapa da gravidez. Vale destacar que o registro de 13 pacientes com alta não tinha essa informação, assim como o de duas mortes, segundo o boletim do Ministério da Saúde. Dos 36 óbitos contabilizados no boletim, 29 tinham alguma comorbidade.

“As pacientes no terceiro trimestre têm algumas características. O próprio volume abdominal, por exemplo, dificulta que a pessoa respire normalmente. As pernas já incham. É também nessa época que a gente vê a piora de algumas doenças. Se você olhar as comorbidades [das gestantes que morreram por covid-19], cardiopatia, diabetes, hipertensão e obesidade, são fatores de risco para grávidas, mas também para o novo coronavírus”, explica Pereira Junior.

O obstetra também lembra que a gravidez pode ser um desafio para a doença porque alguns medicamentos não podem ser usados em função do bebê.

Na semana passada, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação do uso da cloroquina e hidroxicloroquina para incluir grávidas com sintomas de covid-19. Não há comprovação científica do uso da droga para tratar o novo coronavírus.

Antes da recomendação, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) havia afirmado que não existem estudos demonstrando efetividade ou segurança no uso da hidroxicloroquina ou cloroquina para o gestantes e que o tratamento deve “considerar a gravidade do quadro clínico materno e a terapêutica deve ficar a critério do médico assistente, em decisão compartilhada com a gestante”. A organização não se pronunciou após o anúncio do governo federal.

Na avaliação de Melania Amorim, há condições em que a cloroquina pode ser prescrita para grávidas, como no caso de malária, porém não se aplica à covid-19 por não haver comprovação científica para esse uso.

Postnatal depression has almost tripled during coronavirus pandemic, study finds

‘The social and physical isolation measures are taking a toll on the mental health of many of us,’ says researcher

Do Independent (em inglês)

Depression among expectant and new mothers has almost tripled during the coronavirus pandemic, new research has found.

The study, which was conducted by the University of Alberta in Canada, showed that the number of women reporting symptoms of maternal depression has increased to 41 per cent compared to 15 per cent before the outbreak began.

In addition, the number of women expediting moderate to high anxiety symptoms has risen from 29 per cent to 72 per cent.

The survey included 900 women, 520 of whom were pregnant and 380 of whom had given birth in the past 12 months, and each participant was asked about their depression and anxiety symptoms before and during the pandemic.

Pregnant women and those who have recently given birth are already at a greater risk of depression and anxiety, with around one in seven struggling with symptoms just after having a baby.

However, the researchers found that the global health crisis has exacerbated those struggles, with the likelihood of maternal depression and anxiety having “substantially increased”.

“The social and physical isolation measures that are critically needed to reduce the spread of the virus are taking a toll on the physical and mental health of many of us,” explains Dr Margie Davenport, co-author of the study.

“We know that experiencing depression and anxiety during pregnancy and the postpartum period can have detrimental effects on the mental and physical health of both mother and baby that can persist for years.”

Dr Davenport added that effects of maternal depression can include premature delivery, reduced mother-baby bonding, and developmental delays in infants.

Annie Belasco, head of charity at the PANDAS Foundation – an organisation that gives support to people coping with pre and postnatal mental illnesses – added that while Covid-19 and lockdown do not “cause” postnatal depression, the circumstances and additional stress resulting from them could certainly contribute.

“We know that parents who have a diagnosis are particularly vulnerable during this time as their ‘normal coping mechanisms’ day to day are not able to take place,” she told Yahoo.

“Disturbance of routine, anxiety around the political and economical state have also contributed to parents with or without a diagnosis of perinatal mental illness that can create heightened anxiety and stress which can also magnify depression and low mood.”

According to the NHS, postnatal depression can affect women in different ways. It can start at any point in the first year after giving birth and may develop suddenly or gradually.

Some common symptoms include a persistent feeling of sadness and low mood, loss of interest in the world around you, lack of energy, trouble sleeping and feeling that you’re unable to look after your baby.

If you have been affected by this article, you can contact the following organisations for support: mind.org.uk, pandasfoundation.org.uk, nhs.uk/livewell/mentalhealth, mentalhealth.org.uk, samaritans.org.

Homerton Hospital leads the country with release of post-Covid recovery pack

Do Hackney Citizen (em inglês)

The information pack, collated by physiotherapist Nikki Anderton, is understood to have been widely sought after by other hospital trusts, with twelve asking if they can use it.

According to a spokesperson, the Homerton is “slowly, surely, gradually” reopening some of its wards and services, while remaining constrained by national protocols around infection control due to its size.

Surgical facilities, for example, are not yet fully operational because of their proximity to Covid wards.

Laura Graham, a specialist respiratory physiotherapist who worked on the information pack, said: “We wanted something that brings together all the symptoms that we’ve been finding patients report post-Covid in one place.

“There has been stuff produced, but it has been on breathlessness, or fatigue, or managing diet, so we wanted to put everything into one resource pack.

“It was initially in use for City of London & Hackney, but now it’s taken off and others want to use it, which is fantastic.

“There are going to be patients that have slow-stream rehab needs because of the severity of their symptoms, patients who have been in intensive care or had respiratory support.

“We’re seeing patients come out with neuromuscular issues, neurological issues, breathlessness, fatigue, there’s many different groups.

“There are patients who come out with a potentially underlying respiratory problem or complications, or patients who have chronic fatigue.

“We’re still learning, and we have been auditing the different rehab needs of patients as they are discharged.

“We understand there are patients who will be symptomatic for months before they are back to their baseline, so we wanted to give them a resource pack to say, ‘These are things you can try’.

“These are probably patients who are independent and caring for themselves, but need symptom control and advice on how to manage their symptoms while they recover up to a three-month stage.”

The booklet includes advice on how to manage respiratory problems, strategies for conserving energy, relaxation techniques, the emotional and psychological impact of having had Covid, and what to do if symptoms do not improve.

Graham’s team has been treating both patients who had to be hospitalised with the virus and those in the community who were never admitted who need information on their recovery.

Those with post-Covid symptoms are advised to seek further medical guidance after three months to see if they have longer-term impairments that need to be treated in a different way.

There have been no new diagnoses of Covid at the Homerton in the last 48 hours, with seven patients in the hospital’s Amber ward still waiting for the outcomes of tests.

As of today, there are six patients in total who are Covid-positive, with two in the intensive care unit, which is now operating normally and hosting between eight and 10 patients at any one time.

The hospital’s last death from the virus was on 24 May.

A Homerton Hospital spokesperson said: “This is significant, and a trend throughout this part of London. We’ve had no new diagnoses for 48 hours, and no deaths for nearly a month.

“The very positive news that has come nationally for treatment options going forward is with dexamethasone. As a medical leap forward, this has been found to be very effective.

“The use of this drug is another chink of light for effective treatments for those who have to go onto a ventilator. If there is a second spike, this could be quite reassuring news.

“Over the last week, we’ve started routine surgeries, which is very important, for people who have been on the waiting list for a while.

“Our acute care unit is now fully operational again, and part of our elderly care unit is slowly coming back to some sort of normality for our older patients with chronic care issues.”

The hospital is also slowly bringing patients back into wards covered by gastro, haeomotology, surgical inpatient, diabetes, endocrinology and respiratory teams.

People have to wear face masks as they move about the hospital, with any visitors either given a mask or required to have adequate face coverings of their own.

An easing of visitor restrictions is expected to take place over the next couple of weeks, as the Homerton works out protocols for designating ward staff to give visitor names to hospital security.

Wards are now slowly reopening as green ‘covid-clear’ or ‘covid-protected’ wards, with the hospital hopeful that “in due course” it will be able to welcome bookings from visitors to acute wards in a strict afternoon period.

Also expected is a further relaxation around maternity visits, with a single birth partner to be allowed to join mothers in labour, not just at delivery but at the maternity ward afterwards, as well as a relaxation for partners accompanying patients who need to receive scans.

You can find the Homerton’s post-Covid recovery pack here

Com a reabertura econômica, mães se veem desamparadas em conciliar trabalho e filhos

Com o “coração aflito”, Candida* pagará uma vizinha para cuidar do seu bebê de 2 meses. A partir do dia 25 de junho, em plena pandemia de Covid-19 e em meio à gradual reabertura econômica das cidades, volta a trabalhar como secretária de um consultório médico em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Na cidade, as clínicas estão autorizadas a retomar suas atividades desde o início de abril. Já os serviços não essenciais, foram reabertos em maio, com restrições de fluxo e horário de funcionamento.

Aos poucos, as cidades brasileiras estão retomando comércios e serviços considerados não essenciais. Conversamos com mães que precisaram voltar aos seus empregos mas não têm com quem deixar os filhos, confinados em casa por conta do fechamento das escolas (Foto: Mariana Simonetti)
Aos poucos, as cidades brasileiras retomam comércios e serviços não essenciais. Conversamos com mães que precisaram voltar aos seus empregos mas não têm com quem deixar os filhos, confinados em casa por conta do fechamento das escolas (Foto: Mariana Simonetti)
 

Candida, de 30 anos, não tem um familiar que possa ajudá-la. A mãe morreu e a irmã tem o próprio filho pequeno para cuidar. O pai do bebê foi embora de casa quando ela estava grávida de 19 semanas. “Ele dá R$ 400 por mês e nem pergunta nada sobre o filho”, conta.

Enquanto ficou em casa na pandemia, respondeu a algumas mensagens de pacientes por WhatsApp e realizou um procedimento de cobrança de convênio médico. Com medo de ser demitida no meio da crise com um filho de colo, entrou em um acordo com os patrões para que voltasse antes da licença maternidade terminar. Dessa forma, passa a receber o salário e o auxílio do INSS. “Assim consigo juntar um dinheiro caso passe por alguma emergência com meu bebê”, diz.

Arranjarem tempo para responder a uma entrevista sem interrupções não foi fácil. Em meio à volta à rotina de trabalho fora e com filhos ainda em casa, Marie Claire conversou com algumas mães. Muitas não têm onde deixar as crianças enquanto trabalham, já que as escolas e creches estão fechadas, e precisam conciliar o emprego com os cuidados do lar e da família, além de acompanhar aulas online e ajudar nas tarefas escolares dos pequenos.

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) lançou em junho diretrizes nacionais em termos sanitários e pedagógicos para um eventual retorno às aulas presenciais, mas ainda não definiu datas para que isso de fato aconteça.

Claudia* também é mãe solo e voltou a trabalhar no dia 25 de maio, em uma loja de utensílios de cozinha em um shopping center de Curitiba, Paraná. Os shoppings da capital foram reabertos no dia 25 de maio, com horários de funcionamento reduzidos. O comércio de rua funciona também com restrições desde 15 de abril.

O atual expediente de Claudia é de 8 horas, dia sim, dia não, com uma folga na semana. O que significa 50% do tempo que trabalhava antes da pandemia. Fica dessa forma por causa da redução de salário e jornada aplicada por meio da  MP936. No começo da quarentena, ela ficou em casa, sem trabalhar, e sofreu uma redução salarial de 70% – o restante do pagamento foi compensado pelo recebimento do auxílio do governo. Pouco antes da reabertura, passou a ir ao shopping uma vez por semana para entregar aos consumidores compras feitas online, ganhando metade do salário original – também compensado pelo auxílio do governo.

Quando Claudia está no emprego, o filho de 7 anos fica com os avós. O pai do menino presta serviço em uma distribuidora de combustíveis, e nunca deixou de ir ao trabalho por causa da pandemia. “É preocupante deixar meu filho com meus pais pois são grupo de risco, um devido à idade e outro por estar passando por um tratamento oncológico. Me sinto naquela situação: se correr o bicho pega e se ficar o bicho come. Trabalhar para mim hoje, na crise, é uma escolha diária. Todo dia tenho que pensar se vale a pena colocar em risco a saúde dos meus pais. Tenho medo de estar errando, sendo imprudente, mas me vejo sem saída. Trabalhar também faz parte da minha identidade. Nunca quis ser dona de casa. E por causa das despesas com o tratamento da minha mãe, não posso ficar desempregada”, diz a vendedora.

Segundo Denise Pimenta, doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo (USP), o poder público não pensou nas mulheres quando determinou a quarentena e tampouco as considera em momento de reabertura. “Muitas já perderam seus trabalhos, estão vivendo de bico, de aplicativos. Homens acadêmicos começaram a publicar muito mais num país onde mulheres normalmente publicam mais que homens. Em todas as áreas da ciência as publicações femininas caíram no mínimo 50%. Os homens em casa começaram a escrever mais. As mulheres, não, fazem serviço doméstico, cuidam dos filhos. E isso vale para todas as áreas. Mesmo o auxílio emergencial não foi pensado para as mulheres na base da pirâmide social. Deveria haver, para além desse auxílio, uma renda dirigida especificamente a mulheres periféricas, que poderia ser distribuída pelas próprias lideranças comunitárias para que chegue a elas de forma mais rápida e menos burocrática. São elas que administram os cuidados, doações, alimentação, material de higiene.”

Geridiana Fredo voltou a trabalhar nesta semana como supervisora da loja Tok Stok no Shopping Iguatemi, em São Paulo, aberto desde 13 de junho com horário reduzido, assim como o comércio de rua, que voltou a funcionar um dia antes.

A família toda de Geridiana é de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, então só resta o marido para ficar com os filhos quando ela está fora. “Ele é meu braço direito e me ajuda em tudo. Quando fui promovida a supervisora, meu horário ficou todo bagunçado. Neste momento, meu marido virou autônomo para conseguir conciliar nossos tempos. Ele começa a trabalhar quando eu chego, vende hambúrguer artesanal e é motorista de aplicativo”.

Quando está em casa, Geridiana faz questão de dedicar o máximo de atenção às crianças, mas também considera importante o tempo com o marido e com ela mesma, sozinha. “É puxado, vou dormir meia-noite para dar conta de tudo, mas faço com amor”, conta.

A vida de Márcia* está difícil agora, em esquema de home office com as duas filhas mais novas em casa, mas a possibilidade de voltar ao escritório a qualquer instante a deixa ainda mais angustiada. Secretária de três diretores de uma das maiores redes de varejo do país, vive em São Paulo sozinha com as meninas e não tem com quem deixá-las. O pai das crianças, de quem Marcia é separada, continua trabalhando fora e os avós são do grupo de risco.

“Tento viver um dia de cada vez, controlar minha ansiedade. Mas se tiver que voltar a trabalhar fora, simplesmente não sei o que fazer. Me cobro também, não quero deixar de contribuir com minha empresa. A gente precisa ter alguém do poder público que olhe e fale: ‘E a mãe solo’? Meu chefe me liga, pede urgência, e minha filha está pedindo ajuda na tarefa do colégio. Eu preciso saber qual é a minha prioridade. Nós mulheres já somos sobrecarregadas, com a pandemia você precisa dar conta de tudo em 24h. Vou dormir 1h da manhã para levantar às 6h. O homem não tem essa sobrecarga. Você conhece algum pai solo? Eu não. O pai acaba tendo ajuda da mãe, avó, tia”, diz Márcia.

“O trabalho do cuidado pela mulher é naturalizado e romantizado em nossa sociedade, mas ele é extremamente oneroso, pesado, um fardo que pode nos levar a doenças físicas e mentais. Esse é um trabalho cotidiano, que não tem feriado, férias, finais de semana, não é pago e não tem hora para acabar”

Denise Pimenta

A defesa de Denise Pimenta é que epidemias, pandemias e tragédias naturais afetam muito mais o gênero feminino que o masculino. “Não quero dizer que mais mulheres morrerão por conta da Covid-19 ou até mesmo que mais mulheres podem adquiri-la, mas que mulheres são mais afetadas nessas situações por conta do trabalho do cuidado. Quando chegam momentos graves como o que estamos vivendo, o trabalho da mulher dobra ou triplica. É o trabalho da rua, muitas vezes como enfermeira, auxiliar de enfermagem, técnica, faxineira, gari, e o trabalho de dentro de casa: gerir os mantimentos, a higiene dos outros, a agenda dos outros, a limpeza e a organização do lugar. Ela vai ser responsável por gerir o cotidiano do controle da doença, mesmo quando ela não é da área da saúde. O trabalho do cuidado pela mulher é naturalizado e romantizado em nossa sociedade, mas ele é extremamente oneroso, pesado, um fardo que pode nos levar a doenças físicas e mentais. Esse é um trabalho cotidiano, que não tem feriado, férias, finais de semana, não é pago e não tem hora para acabar”.

De acordo com o levantamento Outras formas de trabalho, realizado anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e divulgado neste mês de junho, em 2019, as mulheres dedicaram quase o dobro de horas semanais (21,4) aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas, especialmente crianças, em relação aos homens (11 horas semanais). A pesquisa ainda mostra que essa dedicação, que deveria ser chamada apenas de trabalho não remunerado, só vem aumentando mais a sobrecarga das mulheres. De 2016 para 2019, essa diferença entre as médias masculina e feminina aumentou de 9,9 para 10,4 horas semanais.

“Elas vão ter que pensar em soluções individuais, como sempre fizeram. Algumas vão deixar o filho em casa sozinho, com a avó, vizinha ou com a filha mais velha. E outras vão ficar na estrada, desempregadas””

Hildete Pereira de Melo

Para Hildete Pereira de Melo, professora da Faculdade de Economia da UFF (Universidade Federal Fluminense) e coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Gênero e Economia, a falta de creches no Brasil sempre foi o grande drama das mães com filhos abaixo de 14 anos, a diferença que é agora o problema é escancarado pela crise da Covid-19. A economista não vê solução – que venham dos setores público ou privado – para as mulheres que voltam ao trabalho sem ter onde deixar as crianças. “Elas vão ter que pensar em soluções individuais, como sempre fizeram. Algumas vão deixar o filho em casa sozinho, com a avó, vizinha ou com a filha mais velha. E outras vão ficar na estrada, desempregadas. Podemos projetar o pior dos cenários das tragédias humanas para elas”, diz Hildete, que continua, “[quanto ao setor privado] não existe bondade, o que vale é lucro. Ninguém vai deixar mãe nenhuma ficar em casa porque é bonzinho. A pandemia não vai tornar o mundo melhor”.

*as identidades foram protegidas a pedido das entrevistadas

Mulheres enfrentam em casa a violência doméstica e a pandemia da Covid-19

Por: | 18/06/2020 às 08:00

Apesar de incertezas, chefe na OMS diz esperar vacina ainda neste ano e discute forma justa de distribuição

Cientista-chefe da organização, Soumya Swaminathan, afirmou esperar milhões de doses de uma vacina até o fim do ano, apesar de nenhuma ter sido aprovada ainda. Cerca de dez candidatas estão sendo testadas.

Do G1

A cientista-chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, declarou nesta quinta-feira (18) que espera ter “algumas centenas de milhões de doses” de uma vacina para a Covid-19 até o fim do ano. Nenhuma foi aprovada até agora, mas há cerca de dez sendo testadas, disse Swaminathan.

“Há pelo menos 200 vacinas candidatas em algum estágio de desenvolvimento”, afirmou Swaminathan. “Mas há 10 sendo testadas em humanos. Três dessas estão entrando em fase 3 [a última] nas próximas semanas”.

“Estamos entrando em outra fase agora, testes de fase 3, que são aqueles que vão provar definitivamente se uma vacina é eficaz e segura“, explicou Swaminathan. Com os resultados da fase 3, acrescentou a cientista-chefe, é possível passar à produção em massa das vacinas.

“Se nós tivermos sorte, haverá uma ou duas candidatas que darão certo antes do fim do ano. Eu estou esperançosa, estou otimista, mas o desenvolvimento de vacinas é um empreendimento complexo, vem com muita incerteza”, ponderou.

“Os ensaios são difíceis de fazer, porque você tem que fazer em locais onde há infecções ocorrendo. Se um país desenvolveu uma vacina, mas conseguiu controlar os níveis de infecção, eles precisam buscar outros lugares onde testar”, lembrou.

A cientista também afirmou que a OMS está discutindo com os Estados-membros uma forma justa de distribuição de uma vacina: a ideia é dar prioridade a funcionários de saúde na linha de frente e a quem trabalha em ambientes com alto risco de transmissão, como prisões e casas de repouso, além de pessoas nos grupos de risco – por causa da idade ou por terem outras doenças.

Hidroxicloroquina

Cloroquina e Hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada contra a Covid — Foto: Reprodução/TV Globo
Cloroquina e Hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada contra a Covid — Foto: Reprodução/TV Globo

A cientista foi questionada, durante coletiva de imprensa, sobre o uso da hidroxicloroquina, no Brasil, para tratar a Covid-19. Os ensaios clínicos da OMS com a substância foram suspensos, pela segunda vez, na quarta (17), depois de os especialistas concluírem que o uso dela não trouxe benefícios contra a doença.

No Brasil, entretanto, a droga continua sendo recomendada pelo Ministério da Saúde. Nesta semana, a pasta inclusive ampliou a orientação de uso da substância, para incluir grávidas e crianças.

Swaminathan reiterou que está claro que ela não reduz a mortalidade de pacientes hospitalizados com a Covid-19.

“Nosso comitê de segurança de dados, independente, olhou para os dados preliminares do nosso estudo e descobriu que não havia benefício na mortalidade dos pacientes usando hidroxicloroquina comparado aos pacientes do grupo controle”, afirmou a cientista.

A cientista-chefe lembrou, ainda, que os ensaios “Recovery”, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, também não viram benefícios no uso da droga contra o novo coronavírus.

Ela disse, também, que ainda existe uma lacuna sobre o papel desse tipo de medicamento para prevenir a infecção ou minimizar a gravidade da doença num estágio inicial.

Swaminathan deixou claro que países, incluindo o Brasil, têm a liberdade de decidir seus protocolos, mas frisou que eles devem ser baseados em evidências científicas.

A cientista afirmou que os especialistas da OMS agora olham para outros medicamentos, também nos ensaios coordenados pela entidade, em busca de possíveis tratamentos.

Covid já matou sete grávidas e 12 mulheres em fase pós-parto em São Paulo

Apesar da recomendação de quarentena para gestantes, médicos alertam que evitar a realização de exames pré-natais pode ser mais arriscado do que uma eventual exposição ao vírus

Da Época

A pandemia do novo coronavírus já causou a morte de sete gestantes e 12 puérperas (mulheres em fase pós-parto que se estende, em média, entre 45 e 60 dias) no Estado de São Paulo.

De acordo com Adriana Dias, responsável pelo Grupo de Enfrentamento à Morte Materna e Infantil da Coordenadoria de Controle de  Doenças da Secretaria Estadual de Saúde, isso representa 6,9% das 274 grávidas e mulheres que tiveram seus filhos recentemente e que desenvolveram Covid-19 no estado. Estes números reforçam a necessidade de medidas para evitar que futuras mães contraiam a doença.

Com ainda pouco conhecimento científico sobre como a doença afeta futuras mães, a melhor maneira de evitar complicações na gravidez ou no pós-parto, em sua opinião, é tomar as medidas para não se infectar com o novo coronavírus. A especialista alerta, contudo, que tão preocupante quanto a doença é a decisão de algumas futuras mães de, por medo da pandemia, evitarem o pré-natal. Ela conta que desde que o novo coronavírus chegou ao estado, grávidas faltaram a cerca de 30% das consultas de pré-natal.

“Aprendemos a todo dia com esta doença, que é muito nova. Mas estes casos indicam que é preciso que as grávidas reforcem o isolamento social, evitem aglomerações e reforcem  a etiqueta de higiene para evitar a contaminação”, disse Dias. “Mas não ir ao pré-natal pode ser mais perigoso que a Covid.”

Ela lembra que, o medo da pandemia, pode agravar outras situações. A especialista alerta que hoje os hospitais tem todas as condições de prestar o pré-natal e atendimentos médicos com toda a segurança para as grávidas.

“O que não se pode é, por medo, deixar de ir nas consultas ou ao médico quando necessário. Uma simples infecção urinária, comum em grávidas, pode levar à morte, se não for cuidada a tempo”, conta.

Mulher grávida com coronavírus em trabalho de parto Foto: TPG / Getty Images
Mulher grávida com coronavírus em trabalho de parto Foto: TPG / Getty Images

Mas afinal, a gravidez é um fator de maiores complicações para a Covid-19? Especialistas divergem. Embora o número de falecimentos preocupe, ainda é pequeno diante do total de partos realizados no Estado: um média de 48.719 por mês. Ou seja, desde o começo da pandemia, cerca de 150 mil crianças nasceram nas cidades paulistas e, neste universo, os 19 óbitos de mães ligados à Covid representam 0,01% dos partos paulistas no período.

Até o dia 15 de junho deste ano, 171 mães faleceram no estado por problemas no parto por diversos motivos – incluindo nesta conta os 19 óbitos relacionados à Covid-19. Não há detalhamento dos casos nacionais da doença, para tentar auferir o impacto em gestantes.

Dias lembra que o governo do estado de São Paulo segue investigando detalhadamente as 19 mortes de grávidas e puérperas por Covid-19, pois a maior parte das gestantes e mães no pós-parto que faleceram tinham outros problemas de saúde que agravam a doença. Entre as comorbidades estavam: doenças cardíaca, diabetes, hipertensão e problemas renais. Ou seja, não há ainda uma conclusão de que estas mulheres teriam sobrevivido à Covid-19 caso não estivessem grávidas.

Grávidas com Covid-19 nos EUA

Um estudo do Jornal Americano de Obstetrícia e Ginecologia estima que, neste ano, 16.601 grávidas pegarão Covid-19 nos EUA, sendo que 3.308 casos poderão ser considerados severos, 681 críticos, causando 52 mortes maternas no país que mais casos tem da pandemia do novo coronavírus.

Porém, Agnaldo Lopes, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) afirma que, até o momento, não há um estudo sequer que comprove a gravidez como um fator de complicação para a Covid-19.

“Diferente de outras viroses, como o H1N1, uma grávida não tem um quadro mais grave de Covid-19 que uma não-grávida”, explica Lopes, que alerta que ainda não há indicações de partos mais ou menos seguros para mulheres com Covid-19 e que, o melhor a se fazer, é evitar o risco de contaminação da doença, inclusive em ambientes profissionais.

Ainda não há consenso sobre os riscos de complicações na gravidez pelo vírus Foto: Kemal Yildirim / Getty Images
Ainda não há consenso sobre os riscos de complicações na gravidez pelo vírus Foto: Kemal Yildirim / Getty Images

Renato Sá, obstetra e Coordenador Geral do Centro de Diagnóstico da Perinatal, maternidade com dois hospitais no Rio, afirma que as grávidas devem se cuidar. Embora não tenha registrado a morte de nenhuma gestante em suas unidades – que realizam cerca de 900 partos por mês – , ele lembra que em abril, todas as pacientes sintomáticas foram testadas, cerca de 15 por semana, sendo que 40% destas deram resultado positivo para o novo coronavírus. Agora todas as grávidas que entram na maternidade são testadas para Covid-19.

“Tenho medo que isso piore muito, a doença pode ter impacto na mortalidade materna”, disse ele. “Os artigos sobre Covid e gravidez estão saindo há muito pouco tempo e a gente ainda não tem nenhuma noção segura da possibilidade de problemas para o feto, antes dizíamos  que não havia transmissão vertical (de mãe para filho) da Covid, agora começam a surgir os primeiros que indicam que isso possa ocorrer, ainda que em percentual pequeno. E a gravidez não é propriamente um risco, mas a gente tem que considerar que há comorbidades que podem ser associadas à gestão, como uma grávida diabética ou uma grávida hipertensa.

Com tanta falta de informação o ideal, segundo ele, é evitar aglomerações e vida social das grávidas. Ele afirma que, com as medidas de relaxamento, há futuras mamães que estão retomando a ideia de chás-de fraldas, o que deve ser evitado a qualquer custo:

“Este é um grupo que se a gente fizer um  isolamento vertical, a gente consegue proteger 100% das grávidas, diferentemente dos diabéticos”, disse ele, cujas maternidades se adequaram para minimizar ao máximo o risco de contaminação da Covid-19 e defende que as mulheres façam seu pré-natal naturalmente, mas tentem otimizar suas saídas médicas, ou seja, no mesmo dia que tenha sua consulta faça o ultrassom e outros exames.

Por ser uma doença muito nova, inúmeras incertezas rondam as mulheres grávidas Foto: FatCamera / Getty Images
Por ser uma doença muito nova, inúmeras incertezas rondam as mulheres grávidas Foto: FatCamera / Getty Images

Sá afirma que há uma sensação de que as puérperas têm se complicado mais que as grávidas, pois um dos efeitos da doença é alterar a parte de coagulação, uma função que já passa por alterações nas mulheres depois de terem filhos. Para ele, apesar de haver uma opção maior  de cesarianas em partos durante a pandemia, por medo, não há nenhuma evidência que um parto ou outro seja melhor ou pior para mulheres com o novo coronavírus. Se por um lado a cesariana gera mais dificuldades no pós-parto, o trabalho do parto normal exige mais da capacidade de respiração das grávidas, ou seja, em sua opinião há há melhor forma de parto para mulheres com Covid.

Sá lembra ainda que, com o medo da pandemia, as grávidas não podem relaxar sobre outros cuidados. Ele se preocupa com a baixa taxa de vacinação ao H1N1:

“Já vi muitas epidemia devastadoras para grávidas, como Aids, dengue, H1N1, zika e agora a Covid e todas são sempre muito preocupantes. Mas, pelo que conhecemos, o H1N1 tem um potencial muito mais forte para uma grávida, e há vacina para isso. O medo da pandemia não pode fazer as grávidas esquecerem de outras questões”, disse ele.

WHO recommends breastfeeding, says no live coronavirus found in mothers’ milk

ZURICH/GENEVA (Reuters) – Breastfeeding mothers do not seem to be passing on the new coronavirus to their infants, and based on current evidence the benefits outweigh any potential risks of transmission, the World Health Organization (WHO) said on Friday.

WHO director-general Tedros Adhanom Ghebreyesus said that it had carefully investigated the risks of women transmitting COVID-19 to their babies during breastfeeding.

“We know that children are at relatively low risk of COVID-19, but are at high risk of numerous other diseases and conditions that breastfeeding prevents,” Tedros told a news conference.

“Based on the available evidence, WHO’s advice is that the benefits of breastfeeding outweigh any potential risks of transmission of COVID-19,” he said.

Advertisement

Anshu Banerjee, a senior advisor in WHO’s Department of Reproductive Health and Research, said that only “fragments” of the virus had been detected in breast milk, not live virus.

“So far we have not been able to detect live virus in breast milk,” he said. “So the risk of transmission from mother to child so far has not been established.”

Reporting by John Revill and Stephanie Nebehay; editing by Emelia Sithole-Matarise

Positive lockdown influence credited with fall in pre-term births

Trend in maternity hospital marked by healthy living, say researchers

Do Irish Times

More than 15m babies are born too early, too sick and too small in the world every year, and 1m of these children die. File photograph: Getty

An “unprecedented” fall in pre-term births in one of the country’s largest maternity hospitals is being credited to the effect of positive lifestyle influences during the lockdown.

The number of underweight babies fell dramatically in University Maternity Hospital Limerick in the first four months of the year, a trend researchers believe is due to reduced stress and healthier lifestyles brought on by the Covid-19 restrictions.

There was a 73 per cent reduction in the number of very low birth-weight babies born in the hospital, compared to the average for the same first four months of the year in the preceding two decades, a study has found.

If the same finding is replicated nationally for the first four months of the year, there could be up to 200 fewer very-low-weight births this year, and several hundred more if the effect were to last to the end of the year.

Likening the unique conditions of the lockdown to “nature’s experiment”, lead author Prof Roy Philip said the improvements were due to a mix of self-imposed behavioural changes by mothers and externally imposed socio-environmental changes.

These include: reduced work; stress; commuting and financial strain; increased family support; reduced environmental pollution; better infection avoidance; improved sleep and nutritional support; adequate exercise; and reduced exposure to tobacco and illegal drugs.

The findings, if reflected in other countries with lockdown, could trigger greater understanding of the poorly understood pathways that lead to pre-term birth (before 37 weeks of gestation), the authors say.

More than 15 million babies are born too early, too sick and too small in the world every year, and one million of these children die.

Just three very low-birth-weight babies (less than 1.5kg), and no extreme low-weight babies (less than 1kg), were born in Limerick between January and April this year – there were 1,381 births during the period; the rate in the previous 20 years was 3.77 times higher for this period of the year.

Prof Philip said a normal yearly variation might be 5-10 per cent but he described the 73 per cent fall as “unprecedented”.

Public-health vigilance

The study, which has yet to be peer-reviewed, investigated the possibility that the very small number of low-weight babies born in 2020 was the result of the change in abortion law.

An examination of regional and national historic data suggests this is not the case, it says.

The trend seen from early March onwards was influenced by the pre-lockdown period of extra public-health vigilance that started in mid-February, it says.

The effects will continue to be seen in the coming months “until such time as normality influencers are operating again”.

“However, post-lockdown deterioration in socio-environmental factors or a baby boom in late 2020 could increase the pre-term birth rates.”

Similar findings have been reported in Denmark, were a 90 per cent reduction in extremely low-weight babies has occurred.

Cesariana aumenta risco de complicações em grávidas com covid-19

Mães assintomáticas ou com sintomas leves tiveram que ser levadas à UTI após a cirurgia em 13,5% dos casos, segundo um estudo feito na Espanha

Do El País Brasil

Enfermeira atende recém-nascido em hospital de Hanói (Vietnã), em 1º de abril.
Enfermeira atende recém-nascido em hospital de Hanói (Vietnã), em 1º de abril.KHAM / Reuters

Se em situações normais as autoridades sanitárias tratam de reduzir a crescente taxa de cesarianas, em plena pandemia da covid-19 a recomendação de preferir o parto natural exceto em casos de estrita necessidade se torna mais importante ainda, segundo os resultados de um estudo realizado na Espanha. O artigo, publicado nesta segunda-feira na revista médica JAMA, mostra que as cesáreas estão associadas a um agravamento do estado das grávidas com coronavírus, porém assintomáticas ou com sintomas leves: 21,6% delas sofreram uma piora de sua situação clínica, frente a 4,9% das que fizeram parto natural. Depois da intervenção, 13,5% das mães tiveram que ser levadas à UTI, frente a nenhuma das que pariram por via vaginal. O parto cirúrgico também foi associado a uma maior percentagem de internação dos recém-nascidos nas UTIs neonatais: 29,7% frente a 19,5%.

“A cesariana, como toda cirurgia, produz inflamação, que se soma à já produzida pela infecção. Esse estresse fisiológico faz aumentarem as complicações depois da intervenção nas mulheres com covid: elas têm maior risco de precisar de assistência respiratória, de sofrer deterioração clínica e de darem entrada na UTI”, diz Óscar Martínez Pérez, chefe-adjunto do serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Puerta de Hierro, na localidade de Majadahonda (região de Madri) e autor principal do estudo. Não é só a cesariana, salienta Martínez Pérez: qualquer cirurgia em doentes com coronavírus aumenta o risco de complicações pulmonares ou inclusive de morte, segundo um estudo publicado em 28 de maio na Lancet. “Não há alternativa a operar um traumatismo urgente, mas se for possível fazer um parto natural, é melhor para mãe e a criança”, afirma.

O obstetra conta que, nas primeiras semanas da crise sanitária causada pela pandemia na Espanha, eram praticadas mais cesarianas nas grávidas com coronavírus, por medo de transmissão vertical e de que a mãe sofresse complicações. Naquele momento, na falta de experiência com a doença e de evidências científicas, só se contava com a referência de dois estudos chineses em quatro e nove partos, e todos menos um tinham sido por cesariana. Entretanto, depois de analisar os dados de 78 partos de mulheres com covid sem sintomas ou com sintomas leves, a conclusão é que “é preciso tentar – como sempre – evitar a cesariana. Só o fato de fazê-la já piora o prognóstico destas pacientes”, diz Martínez Pérez.

Distinto é o caso das parturientes em estado grave, para as quais a indicação de realizar ou não a cesariana dependerá do estado da mãe e do que ela aguentar, pois o parto consome muito oxigênio. As quatro mulheres neste estado incluídas no estudo precisaram de cesariana e internação na UTI.

Das 78 pacientes assintomáticas ou com sintomas leves, 41 deram à luz de forma natural (53%) e 37 por cesariana (47%), sendo 29 por indicação obstétrica e oito por sintomas de covid. Ou seja, uma taxa muito acima do teto de 15% recomendado pela OMS e dos 26% da média na Espanha em 2018. Destas 37 mulheres, cinco (13,5%) tiveram que dar entrada na UTI e 8 sofreram uma deterioração clínica (21,6%). Dos bebês nascidos por cesariana, 11 (29,7%) precisaram ser atendidos numa UTI neonatal. Das 41 que pariram por via vaginal, duas tiveram agravamento do seu quadro, (4,9%), mas nenhuma foi para a UTI. Oito recém-nascidos (19,5%) precisaram de tratamento intensivo. Para o estudo, explica seu autor, foram feitos os ajustes necessários sobre o estado prévio da mãe, de forma que o único fator que diferenciava as pacientes de um grupo e de outro era o tipo de parto.

Esses dados foram colhidos em março e começo de abril pelos profissionais do grupo Emergência Obstétrica Espanha, formado por mais de cem ginecologistas e parteiras de hospitais que atendem 160.000 partos por ano, ou 30% do total no país, e que lançaram um cadastro de partos de mulheres com covid. A limitação atual do estudo é o baixo número de casos incluídos, que torna o intervalo de confiança amplo demais. Martínez Pérez antecipa que está preparando outro mais amplo, com quase 500 pacientes, além de outro internacional, com mil.

“É interessante, dá uma primeira fotografia dos resultados perinatais em partos vaginais e por cesariana”, opina Juan Luis Delgado, presidente da seção de medicina perinatal da Sociedade Espanhola de Ginecologia e Obstetrícia (SEGO), sem participação no estudo. Esta fotografia, diz Delgado, mostra como nessas primeiras semanas de pandemia na Espanha eram adotadas certas condutas nos partos sem comprovação científica, pois esta não existia, o que explica a alta percentagem de cesarianas. Portanto, adverte, não se pode extrapolar a situação atual, em que se passou de praticar a intervenção nas doentes no terceiro trimestre, porque se acreditava que assim se evitariam complicações, a deixar a gestação seguir seu curso se não houver risco para o bem-estar fetal ou materno.

Embora ressalte que a amostra no artigo publicado na JAMA é muito pequena, e que faltam descrever fatores importantes, concorda com Martínez Pérez em evitar a cesariana se for possível, e nunca a indicar diretamente para gestantes com covid. Recorda também que o maior risco de episódios trombóticos em decorrência do coronavírus se agrava com a cirurgia. Como explica Delgado, a SEGO propõe atualmente “tratar a doença, se a mulher estiver em um estado aceitável de saúde, ou seja, com sintomas leves ou moderados, e esperar que se cure” e a gestação evolua. Caso seja necessário interrompê-la, “o ideal é tentar induzir o parto em vez de fazer uma cesariana, exceto se se pensar que a mãe ou o feto não suportarão as horas de um parto induzido”.

Placentas de grávidas infectadas com a COVID-19 mostram sérias lesões

Publicado originalmente no Saber Atualizado News, leia o contéudo completo no site original.

Em um estudo publicado no periódico American Journal of Clinical Pathology, pesquisadores da Universidade de Northwestern, EUA, reportaram a ocorrência de lesões nas placentas de mulheres grávidas testadas positivas para a COVID-19 durante a gestação. As lesões vistas mostraram fluxo sanguíneo anormal entre a mãe e o feto causado por deformações em vasos sanguíneos (má-perfusão vascular materna) e coágulos sanguíneos, sugerindo uma nova complicação decorrente da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). Os resultados das análises indicaram que boa parte do fluxo sanguíneo e da oxigenação tinham sido bloqueados e que várias das placentas eram menores do que o normal.
A placenta é o primeiro órgão a se formar no desenvolvimento fetal, agindo como o pulmão, intestino, rins e fígado do feto, levando oxigênio e nutrientes da circulação sanguínea da mãe e tratando os resíduos. A placenta também é responsável por várias das mudanças hormonais dentro do corpo da mãe.
A placenta ainda consegue funcionar bem mesmo com danos afetando até 50% da sua capacidade, conseguindo manter fetos saudáveis na maioria das vezes com tal nível de limitação. Porém, existe ainda um alto risco de que algumas gravidezes acabem comprometidas.
No total, foram 16 placentas analisadas, e quase todas oriundas de uma gravidez à primeira vista normal em termos de tempo de gestação (9 meses). Uma das grávidas teve um aborto espontâneo no segundo semestre e era assintomática. Outras quatro grávidas também não desenvolveram sintomas. Ainda não se sabe se o aborto ocorreu por causa do vírus, mas a placenta associada mostrou edema viloso e um hematoma retroplacental. Dos bebês que nasceram, todos se mostraram saudáveis. Nenhuma das placentas analisadas mostrou significativo aumento de patologia inflamatória aguda ou crônica quando comparado com placentas de mulheres não-infectadas (controle).
()

NGOs defend breastfeeding as COVID-19 misinformation rages

Publicado originalmente no Devex. Leia o contéudo completo (em inglês).

WASHINGTON — Misinformation about the safety of breastfeeding during the coronavirus pandemic has led to decreases in the practice by women who fear it could harm babies, NGOs say.

Combating misinformation about breastfeeding — already rampant in some countries before the pandemic — is even more complicated when access to mothers through hospitals, clinics, and home visits has been restricted by lockdown measures. The World Health Organization recommends exclusive breastfeeding for an infant’s first six months — guidance that did not change with the onset of COVID-19.

()

Casal com coronavírus tem bebê saudável em parto natural, em BH

Do G1


Casal com Covid-19 teve bebê em Belo Horizonte  — Foto: Hemmerson Magioni / Divulgação
Casal com Covid-19 teve bebê em Belo Horizonte — Foto: Hemmerson Magioni / Divulgação

A superintendente de Recursos Humanos Virgínia Silame e o protético Vitor Paradela passaram os últimos meses apreensivos para a chegada da Lavínia, a segunda filha do casal. O receio não era por menos: o coronavírus começava a avançar pelo Brasil e por Minas Gerais. Mesmo mantendo o isolamento os dois foram infectados, simultaneamente, no final da gestação. A filha nasceu saudável, no último sábado (6).

O casal contraiu a Covid-19 quando Virgínia já estava com 36 semanas de gestação. “É uma coisa que cansa. É uma doença que deixa a gente muito cansada. Baqueia mesmo”, falou Virgínia, que teve sintomas mais leves e não precisou ser hospitalizada. O marido também teve quadro leve e o filho, de apenas dois anos, também testou positivo, apesar de ter ficado assintomático.

Virgínia Silame, que testou positivo para coronavírus, deu à luz em BH — Foto: Hemmerson Magioni / Divulgação
Virgínia Silame, que testou positivo para coronavírus, deu à luz em BH — Foto: Hemmerson Magioni / Divulgação

O parto foi natural. Para evitar ambiente hospitalar, Virgínia permaneceu o maior tempo possível em casa, onde era acompanhada e monitorada pela equipe responsável pelo parto.

“Comecei a ter contração leve na sexta à noite. Cheguei no hospital às seis da noite. E às 19h27, ela nasceu. (…) Quem me visse na quinta, não imaginava que eu teria no sábado. Foi um parto natural e foi muito rápido”, contou.

Lavínia nasceu pesando 3 quilos e passa bem. Mãe e filha já tiveram em alta e os cuidados, em casa, permanecem intensos para evitar a contaminação da bebê. “Uso máscara o tempo todo, lavo as mãos o tempo todo. Mas estou amamentando normalmente. E visitas, de jeito nenhum”, falou.

Coronavirus is leaving pregnant women with tough choices and bleaker outcomes

Publicado originalmente no World Economic Forum. Acesse o original (em inglês)

Pregnant nurse Samantha Salinas attends an appointment with her midwives at Birth Center Stone Oak amid a coronavirus disease (COVID-19) outbreak in San Antonio, Texas, U.S., May 6, 2020. Picture taken May 6, 2020. REUTERS/Callaghan O'Hare
The strain COVID-19 has had on healthcare systems leads many pregnant women vulnerable. Image: REUTERS/Callaghan O’Hare
  • The strain COVID-19 is having on healthcare systems leaves women particularly vulnerable.
  • Future mothers have to make the decision between fear of infection in a hospital and having a home birth, with limited medical equipment.
  • The UN Population Fund measured the pandemic’s possible impact on three key sexual and reproductive health (SRH) services.

Os efeitos do confinamento na saúde mental de crianças e adolescentes

Psiquiatras e psicólogos apontam o possível aumento de ansiedade, estresse e depressão por evento traumático massivo. Alertam até mesmo que esses transtornos serão “a próxima pandemia”

Do El País

DANIEL JEDZURA KONTAKT@MDFOTOGRA

Cerca de 860 milhões de crianças do mundo todo saíram um dia das aulas e na manhã seguinte não puderam voltar à escola, nem brincar com seus amigos, visitar os avós ou correr ao ar livre. Enquanto o número de contágios e mortes por coronavírus aumentavam com o passar dos dias e semanas de confinamento, os problemas de saúde mental também cresciam, mas de forma silenciosa.

“Um evento traumático massivo − que pode ser uma pandemia, mas também atentados como o 11M [ataques de 11 de março de 2004 em Madri] e grandes catástrofes naturais − provoca um trauma agudo, que pode atingir crianças e adultos. O fato de não apresentarem sintomas agora não significa que não apareçam nos próximos meses. As crianças estão sujeitas a um perigo invisível que provoca mortes, em uma situação de extrema gravidade, inesperada, chocante, que provoca uma reação normal do organismo no nível psicológico, e isso já está sendo registrado pelas pesquisas dos primeiros estudos que tentam medir como a pandemia está afetando a saúde mental”, assinala Abigail Huertas, psiquiatra do Hospital Gregorio Marañón de Madri e porta-voz da Associação Espanhola de Psiquiatria da Criança e do Adolescente. “A essa ameaça invisível se somam outros fatores estressantes, como a perda da rotina escolar e do relacionamento social com os amigos. Também é possível que algum familiar tenha passado a doença isolado em um quarto da casa, ou que tenha sido levado de ambulância para o hospital. Talvez a criança tenha sofrido alguma perda e não tenha podido assimilar o luto, nem se despedir, ou talvez seus pais tenham ficado desempregados, com tudo o que isso implica. Sempre assinalamos que o ambiente da criança é fundamental para sua saúde mental: se os pais não estiverem bem, as crianças não estarão bem”, acrescenta.

Embora ainda não tenha passado tempo suficiente para prever as sequelas psicológicas que a pandemia deixará, alguns especialistas já falam de uma “quarta onda” sanitária. Se a primeira onda foi a avalanche de doentes de covid-19 nos hospitais, a segunda e a terceira serão os pacientes de outras patologias urgentes ou crônicas que exigiam cuidados médicos adiados pela pandemia. A quarta onda corresponderia a uma segunda epidemia, de transtornos de saúde mental, que transformará as listas de espera em situações extremas.

Um dos primeiros estudos sobre o impacto psicológico do coronavírus, feito com 1.210 pessoas em 194 províncias da China, incluindo 344 jovens de 12 a 21 anos, revelou que 53,8% dos pesquisados consideravam moderado ou grave esse impacto, 16,5% relataram sintomas depressivos moderados a graves e 28,8%, sintomas de ansiedade moderada a grave. O principal medo (75,2% dos pesquisados) era que algum parente contraísse a doença. Outra pesquisa, feita com 4.872 pessoas na China, alertou para o perigo da “infodemia”, o excesso de informações sobre o coronavírus através das redes sociais, que aumentou significativamente a prevalência da depressão, da ansiedade e da combinação das duas. Por isso, psicólogos e psiquiatras recomendam limitar a exposição das crianças às notícias.

Confinamento e depressão

Os problemas de saúde mental têm a ver não só com o medo de um vírus invisível, mas também com o distanciamento social. Vários estudos preliminares apontam a relação entre longas quarentenas e maior angustia psicológica, que pode se manifestar como pesadelos, terrores noturnos, medo de sair de casa de que seus pais voltem ao trabalho, irritabilidade, hipersensibilidade emocional, apatia, nervosismo, dificuldade de concentração e até um leve atraso no desenvolvimento cognitivo da criança. Em 2013, a Universidade de Kentucky publicou uma análise do impacto das medidas de isolamento como controle de doenças, segundo a qual 30% das crianças confinadas e 25% de seus pais atendiam aos critérios para diagnosticar transtorno de estresse pós-traumático. Uma pesquisa recente, realizada na província chinesa de Hubei, destacou o aumento de sintomas depressivos e de ansiedade em uma amostra de 2.330 estudantes, depois de apenas 34 dias de confinamento devido ao coronavírus.

Na Espanha, um dos países com medidas mais rígidas de confinamento, os menores de 14 anos não saíram de casa entre 15 de março e 26 de abril, quando foram autorizados os primeiros passeios. O Grupo de Pesquisa, Análise, Intervenção e Terapia Aplicada com Crianças e Adolescentes da Universidade Miguel Hernández iniciou um estudo pioneiro, que analisa o impacto emocional do confinamento em crianças italianas e espanholas, através de 1.143 pesquisas com pais que têm filhos de 3 a 18 anos.

“Nosso objetivo é examinar como o confinamento afeta crianças e adolescentes, a fim de que os resultados sirvam de guia para que pais e profissionais detectem e previnam esses possíveis problemas. Os resultados indicam que a quarentena imposta devido à Covid-19 afeta psicologicamente as crianças. Embora tenham grande capacidade de adaptação a novas situações, parece que não têm habilidades suficientes para enfrentar a situação de confinamento vivida na Espanha sem se afetar emocionalmente”, afirma Mireia Orgilés, uma das autoras do estudo, que posteriormente incluirá também dados de Portugal.

Nove de cada dez pais relataram mudanças no estado emocional e comportamental de seus filhos, em comparação com antes da quarentena. “Além disso, os hábitos também mudaram: 25% das crianças passaram a comer mais do que o habitual, 73% usaram dispositivos eletrônicos mais de 90 minutos por dia, em comparação com 15% que faziam isso antes da quarentena, e apenas 14% praticavam 60 minutos diários de atividade física, que é o recomendável segundo a Organização Mundial da Saúde”, assinala Orgilés. Diferenças nas medidas de confinamento, segundo sua pesquisa, fizeram com que as crianças espanholas ficassem mais afetadas psicologicamente do que as italianas.

Ansiedade e trauma

Na Espanha, os serviços de saúde mental já atendiam 30% da população infanto-juvenil antes da pandemia. Nos próximos meses, será possível verificar se as previsões negativas serão confirmadas e se essa proporção aumentará. Antes que isso ocorra, várias associações e sociedades científicas de psiquiatria e psicologia já fizeram um apelo ao ministro espanhol da Saúde, Salvador Illa, para que a saúde mental de crianças e jovens não seja negligenciada, como até agora.

Jovens com psicopatologias anteriores e crianças sob medidas de proteção dos serviços sociais, que já viviam situações desfavoráveis de pobreza, violência intrafamiliar, depressão ou consumo de substâncias psicoativas, são os mais vulneráveis. Em um seminário pela Internet organizado recentemente pela Associação Espanhola de Psiquiatria da Criança e do Adolescente, a doutora Itziar Baltasar, psiquiatra da Unidade de Adolescentes do Hospital Gregorio Marañón, o segundo com mais atendimentos de Madri, descreveu como a pandemia forçou um reajuste no funcionamento dessa unidade, onde não podia ser oferecido nem mesmo conforto físico a pacientes jovens com instabilidade emocional.

Adolescentes com quadros depressivos prévios, que não tinham tido contato anteriormente com o serviço de saúde mental, necessitaram de hospitalização durante o confinamento, enquanto outros, que não tinham psicopatologias prévias ou apresentavam sintomas depressivos subsindrômicos, desenvolveram patologias graves como resultado da pandemia. Se antes podiam se distrair dos pensamentos negativos saindo com amigos ou praticando esportes ou atividades culturais fora de casa, o confinamento fez que suas preocupações e sensação de isolamento se multiplicassem. Da mesma forma, os serviços de emergência do hospital detectaram um aumento de tentativas de suicídio por precipitação. “Enquanto que no ano passado inteiro recebemos dois ou três casos, nas últimas semanas tivemos quatro pacientes, inclusive pacientes que não tinham contato anterior com o setor de saúde mental”, assinala a psiquiatra.

Como diferenciar tristeza e ansiedade normais, que desaparecerão de forma natural, de traumas e sequelas de longo prazo? A doutora Abigail Huertas lembra que “só se fala de transtorno depressivo ou luto traumático depois de alguns meses, com sintomas que se prolongam no tempo ou limitam o desenvolvimento normal de sua vida”.

O transtorno de estresse pós-traumático costuma estar ligado a um trauma vivido em primeira pessoa pela criança ou a um trauma indireto, quando ela reflete um traumas vivido por seus pais, como o que podem ter sofrido os profissionais de saúde, por exemplo. “Distingue-se porque aparece mais tarde, depois que passam alguns meses. Além de tristeza e ansiedade desproporcionais, ocorrem visões de eventos traumáticos, ou seja, surgem lembranças ou flashbacks que as invadem e paralisam, a ponto de não poder seguir em frente com sua vida nesse momento. Provoca lembranças invasivas, insônia, irritabilidade, bloqueios emocionais e comportamentos esquivos. Por exemplo, crianças que não querem pisar na casa de seus avós falecidos porque evoca lembranças, ou não querem nem se aproximar do telefone porque ficaram chocadas ao ver sua mãe gritando e chorando quando recebeu um telefonema sobre um familiar falecido”, aponta a doutora Huertas.

Levará tempo e exigirá ajuda profissional, mas os psiquiatras e psicólogos esperam continuar criando uma rede que mantenha a saúde mental dos mais jovens. Até agora, os terapeutas têm se dedicado a registrar recomendações para seus próprios pacientes, fornecendo também estratégias e ferramentas para que os pais possam ajudar crianças e adolescentes com vulnerabilidade prévia. Também estão em contato com pediatras e médicos de atenção primária, para que detectem o quanto antes os primeiros sintomas. “A tristeza, o medo e a raiva são normais, mas caso se detecte que essas emoções são muito intensas ou prolongadas no tempo, nossa recomendação é que nunca seja negligenciado o sofrimento emocional de uma criança”, conclui a doutora Huertas. Se um adolescente diz que quer morrer, ficar em silêncio ou fingir que não há nenhum problema não ajuda. Podemos lhe perguntar do que precisa, se há algo que possamos fazer ou deixar de fazer para que se sinta melhor − sem obrigá-lo a falar, mas sem ignorá-lo −, incentivá-lo a praticar esporte, a sair com seus amigos, a desenvolver sua criatividade. E sempre que tivermos dúvidas devemos consultar um profissional, porque em saúde mental também é melhor prevenir que remediar.

OMS revê recomendações sobre uso e segurança de máscaras

Organização Mundial de Saúde agora aconselha a utilização das máscaras em estabelecimentos públicos cheios

Do Terra

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou suas recomendações sobre o papel de máscaras de proteção na pandemia de covid-19. Para conter os contágios, ela agora aconselha a utilização em estabelecimentos públicos cheios.

Foto: DW / Deutsche Welle

 indicação também vale, em geral, para onde seja difícil manter o distanciamento social. O secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, deu como exemplo os transportes públicos e outros lugares fechados e intensamente frequentados.

“Em todos os locais do espaço público onde podem ocorrer transmissões, além disso, aconselhamos os maiores de 60 anos ou com doenças prévias a usarem uma máscara médica”, acrescentou Tedros, de Genebra.

Até o momento o posicionamento da OMS era que a proteção da boca e nariz só fazia sentido para quem cuidasse de enfermos, não sendo recomendado seu uso em massa. As novas diretrizes da OMS se aplicam também à forma de fabricação de máscaras não médicas, de tecido, as quais devem ter pelo menos duas camadas de materiais diferentes.

Ao mesmo tempo, a organização desaconselha que se confie exclusivamente nas máscaras, as quais são apenas uma entre diversas medidas de precaução, não substituindo o distanciamento nem a higiene manual. Quem toca sua máscara com mãos sujas pode contaminá-la, até mesmo elevando o risco de infecção: “Máscaras podem também transmitir uma sensação de falsa segurança”, frisou Tedros.

Além disso, devem-se isolar consequentemente os pacientes, localizar com quem tiveram contato e testar os casos suspeitos. Segundo o chefe da OMS, “para todos os países, essa é a melhor defesa contra a covid-19”.

Até a manhã este sábado (06/06), há mais de 6,7 milhões de infecções confirmadas com o coronavírus Sars-cov-2 em todo o mundo. O Brasil ocupa o segundo lugar, depois dos Estados Unidos, com quase 615 mil casos, além de ser o terceiro em número de óbitos (34 mil), de um total global de 395 mil. Na Alemanha estão registrados mais de 185 mil casos e quase 8.700 mortes. Os dados são da Universidade Johns Hopkins.

Como ajudar mães que deram à luz durante a pandemia de coronavírus

Dar à luz durante uma pandemia de covid-19 é estressante. Muitas mães e muitos casais que acabam de ter um filho se sentem incrivelmente sós.

Do HuffPost Brasil

Pode ser difícil saber como ajudar uma amiga ou pessoa querida que teve um bebê neste
Pode ser difícil saber como ajudar uma amiga ou pessoa querida que teve um bebê neste momento. jacoblund via Getty Images

A gravidez e o período do pós-parto são complicados para qualquer mãe. Ter um filho durante a pandemia de coronavírus é outra coisa inteiramente. “A covid-19 mudou nosso modo de viver, literalmente da noite para o dia”, disse ao Huffpost a pediatra californiana Dra. Tanya Altmann.

“As coisas variam de um hospital a outro, mas algumas mães não estão podendo levar seus parceiros ou acompanhantes que pretendiam ter a seu lado na sala de parto. E alguns bebês estão recebendo alta para voltar para casa em menos tempo que de praxe, deixando as mães que acabam de dar à luz cheias de dúvidas e preocupações.”

Veja o que você pode fazer para ajudar:

1. Diga à sua amiga que você entende como tudo isso é difícil

Uma das coisas mais gentis que você pode fazer para dar apoio a uma amiga que vai dar à luz em breve ou que acaba de ter um bebê é simplesmente reconhecer que ela pode estar ansiosa, com medo ou decepcionada neste momento.

“Certa dose de ansiedade sempre foi normal para os pais de recém-nascidos. Mas a percepção de que há um perigo mortal espreitando diante da porta é algo novo e inusitado”, comenta Olivia Bergeron, assistente social do Brooklyn, Nova York, especializada em dar apoio a pais em momentos de grandes transições na vida.

Bergeron explicou que muitos pais de recém-nascidos ou que estão prestes a ter um filho estão presos em um “ciclo de ansiedade”. Eles querem a qualquer custo manter seu bebê em segurança, mas têm relativamente poucas maneiras concretas de fazê-lo neste momento. Comece por simplesmente reconhecer que isso pode ser incrivelmente difícil para eles.

2. Procure-a com frequência – sem esperar uma resposta

O fato de não poder encontrar sua amiga cara a cara não significa que você não possa manter contato com ela. Procure-a usando o método favorito de sua amiga (telefonema, torpedo, e-mail, vídeoconferência). Deixe claro que você não vai se ofender se ela não atender ou não retornar sua ligação.

“Deixe claro que os pais do bebê podem entrar em contato no momento que melhor convier a eles”, aconselha Bergeron. “O simples fato de saber que alguém está pensando nela e em seu recém-nascido pode reduzir a sensação de isolamento da mãe.” (É claro que isso também se aplica a tempos que não sejam de pandemia.)

E continue a buscar contato depois do fim do período do pós-parto imediato.

“Os pais frequentemente contam que muita gente procura visitar ou falar com eles nas seis primeiras semanas depois do parto, quando eles próprios estão vivendo de adrenalina e da emoção da novidade”, diz Bergeron. “Depois das primeiras semanas, a frequência de contatos muitas vezes cai muitíssimo.” Isso pode levar a uma sensação de isolamento e abandono, especialmente para pais que não podem sair de casa.

“Agora não é necessariamente o melhor momento para contar à sua amiga episódios de sua própria gravidez ou do pós-parto. O que ela está passando agora é algo sem precedentes.”

Agora não é necessariamente o melhor momento para contar à sua amiga episódios de sua própria gravidez ou do pós-parto. O que ela está passando agora é algo sem precedentes.

3. Se ofereça para ajudar e pensar em soluções

“Se sua amiga revelar que não está dando conta de alguma coisa, pode ser muito útil você se oferecer para fazer algumas pesquisas e procurar soluções para ela”, comenta Rachel Goldstein, proprietária da Astoria Doula Collective, de Nova York.

É o caso especialmente agora, no momento que estamos vivendo, quando parece que tudo está mudando a cada minuto. Muitos dos planos de sua amiga podem ter sido inviabilizados. Quais são as medidas mais recentes aplicadas em relação à pandemia no lugar onde sua amiga mora? Qual é o telefone da consultora de lactação? Há um serviço de entrega de fraldas? As perguntas são intermináveis. Sempre que possível, ofereça-se para fazer esse tipo de pesquisa para sua amiga.

4. Mande pacotes de comida (e pergunte o que está faltando)

Um desafio enorme para os pais de recém-nascidos neste momento de pandemia é que eles estão tendo que passar pelo período do pós-parto quase completamente sozinhos. Familiares e amigos não podem ir à sua casa para conhecer o bebê, preparar uma refeição ou segurar o nenê no colo enquanto a mãe aproveita para tomar um banho.

Mas você pode ajudar de longe. Veja se é possível entregar uma refeição feita em casa sem entrar em contato com os pais. Você pode enviar um vale-presente online a um serviço de entrega de refeições ou supermercado?

“Alimentar os pais é uma ajuda tremenda”, disse Goldstein. “Procure descobrir de antemão o que eles gostam e querem e quais são as opções perto da casa deles.”

Outra maneira de ajudar é garantir estoques de artigos úteis para o período do pós-parto, como pijamas confortáveis e artigos para o bebê, disse Goldstein. Agora, devido à pandemia, os pais de um recém-nascido provavelmente não têm a possibilidade de sair no meio da noite para comprar o que estiver faltando, então se eles estiverem precisando de alguma coisa básica, você pode ajudar a suprir o que falta.

5. Faça perguntas que permitam abrir uma conversa

Ajudar uma amiga não precisa necessariamente ser complicado. Simplesmente pergunte como ela está e deixe claro que você está ouvindo atentamente, de verdade, ao que ela tem a dizer.

“Não sinta a necessidade de tentar persuadir a pessoa a se sentir menos negativa ou a animá-la, mudando o rumo da conversa quando ela envereda para os aspectos menos agradáveis da condição de mãe de um bebê pequeno”, diz Bergeron. “Quando os pais de um recém-nascido podem desabafar seus sentimentos livremente, sem serem obrigados a manter uma fachada de ânimo e positividade, isso pode ser muito libertador.”

Agora não é necessariamente o melhor momento para contar à sua amiga episódios de sua própria gravidez ou do pós-parto. O que ela está passando agora é sem precedentes. Simplesmente abra espaço para sua amiga compartilhar como essa experiência está sendo para ela.

Os cientistas ainda estão no processo de descobrir mais sobre o novo coronavírus. As informações contidas nesta reportagem são o que se sabia ou estava disponível quando o texto foi publicado, mas as orientações sobre a covid-19 podem mudar à medida que os cientistas vão sabendo mais sobre o vírus. Neste link, há informações atualizadas até o momento sobre maternidade e coronavírus.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

Hospital deve permitir acompanhante em todos os partos durante epidemia

Publicado originalmente no ConJur

A Lei 13.079/20, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, dispõe que a disciplina para os cuidados com a Covid-19 não deve se afastar dos postulados da dignidade da pessoa humana. Com esse entendimento, o juiz Bruno Machado Miano, da Vara da Fazenda Pública de Mogi das Cruzes (SP), obrigou a Santa Casa de Misericórdia a garantir a todas as gestantes o direito a um acompanhante antes, durante e depois do parto.

Hospital deve permitir acompanhante em todos os partos durante epidemia. Foto: Reprodução

O descumprimento da decisão ensejará multa de R$ 2 mil por recusa injustificada. A liminar foi concedida em ação civil coletiva impetrada pela Defensoria Pública, que alegou que o hospital restringiu a presença de acompanhantes nos partos em razão da epidemia da Covid-19. Para o juiz, a Santa Casa não pode inviabilizar o direito da mulher.

“A Lei 13.079/20 [que dispõe sobre as medidas para enfrentamento à Covid-19], podendo, não suspendeu a eficácia da Lei 11.108/05, que alterou a Lei do SUS (Lei 8080/90), ao estabelecer o direito ao acompanhante antes, durante e depois do parto”, afirmou. O magistrado destacou que o acompanhante continua garantido, desde que se submeta aos procedimentos da nota técnica da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, referente às medidas de prevenção para os partos durante a epidemia.

Entre as precauções, está a de que o acompanhante deve ser assintomático e não integrar o grupo de risco para a Covid-19. “Após o parto, somente em condições específicas (instabilidade clínica da mulher ou condições específicas do recém-nascido)”, concluiu Miano. Cabe recurso da decisão.

Advogados alertam para efeitos da pandemia na igualdade de género

A Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados pediu a atenção do Governo para as consequências causadas pela pandemia em todo o tipo de desigualdades, sobretudo na desigualdade de género.

Do Observador

▲A Ordem dos Advogados avisa que as medidas de confinamento e de quarentena, fundamentais no combate à doença por Covid-19, “aumentam o risco de violência contra as mulheres”

A Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados manifestou esta segunda-feira preocupação com as consequências causadas pela pandemia em todo o tipo de desigualdades, sobretudo na desigualdade de género, e pediu a atenção do Governo para o problema.

Em comunicado, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Ordem dos Advogados (OA) avisa que as medidas de confinamento e de quarentena, fundamentais no combate à doença por Covid-19, “aumentam o risco de violência contra as mulheres”.

Nos últimos meses, segundo a CDH, verificou-se um acentuado crescimento da violência doméstica em todo o mundo, tendo, por exemplo, a maior organização de apoio a vítimas de violência doméstica do Reino Unido registado um aumento de 700% de pedidos de auxílio.

Simultaneamente, lembra a CDH, a nível mundial os serviços de apoio a mulheres em risco de violência doméstica têm sofrido avultados cortes financeiros e encerramentos.

“Apelamos, por isso, que neste momento de pandemia o Governo português se comprometa a apoiar reforçadamente as mulheres em risco de violência doméstica e as organizações que desenvolvem trabalho nesta área”, refere a CDH, observando que, por outro lado, a profunda crise económica que acompanha a pandemia de Covid-19 prejudica de “forma mais significativa e acentuada” as mulheres nos seus direitos e liberdades fundamentais.

“São as mulheres as mais afetadas no ambiente de trabalho, tendo em conta que são a maioria das trabalhadoras na área da saúde. São também as mulheres a maioria das trabalhadoras mais mal remuneradas e sem benefícios sociais, como trabalhadoras domésticas, temporárias e em serviços de pequena escala que deverão desaparecer e extinguir-se nos próximos meses segundo projeções da Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, adverte a CDH.

Além disso, nota a CDH, muitas mulheres, ao perderem o emprego, acumulam um grande aumento da carga de trabalho enquanto cuidadoras dos filhos devido ao encerramento das escolas, à sobrecarga dos serviços de saúde e às crescentes necessidades de apoio às pessoas idosas.

Por outro lado, observa ainda a CDH, as mulheres, em geral, ainda hoje executam três vezes mais trabalho doméstico do que os homens, pelo que hoje, “mais do que nunca”, em plena pandemia causada pela doença Covid-19, é necessária uma sociedade “mais igualitária e defensora da dignidade humana, incluindo a igualdade de género”.

A este propósito, a CDH evocou Maria Lamas, cuja obra mais emblemática, “As Mulheres do Meu País”, foi publicada em 1950, precisamente há 70 anos e que aborda a temática da injustiça e sofrimento das mulheres ao longo de milénios devido à desigualdade de género.

Portugal contabiliza pelo menos 1.424 mortos associados à Covid-19 em 32.700 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O país entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, que sexta-feira foi prolongado até 14 de junho, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta fase de combate à Covid-19 prevê o confinamento obrigatório apenas para pessoas doentes e em vigilância ativa e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

Novas medidas entraram em vigor esta segunda-feir, com destaque para a abertura dos centros comerciais (à exceção da Área Metropolitana de Lisboa, que continuarão encerrados até, pelo menos, 04 de junho), dos ginásios ou das salas de espetáculos. Estas medidas juntam-se às que entraram em vigor no dia 18 de maio, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

Sábado regressaram as cerimónias religiosas comunitárias enquanto a abertura da época balnear acontecerá em 06 de junho.

Estudo revela perigos de informações falsas sobre aleitamento materno durante pandemia

Do ONU Notícias

Recomendações incluem legislação mais forte para proteger famílias nos países; benefícios da amamentação superam substancialmente os riscos potenciais de doenças associadas ao coronavírus.

Pesquisa lançada esta terça-feira destaca que apesar dos esforços para impedir a promoção prejudicial de substitutos do leite materno, os países ainda estão aquém da proteção contra informações falsas sobre esses produtos.O relatório sobre a situação agravada pela pandemia de Covid-19 foi lançado pela Organização Mundial da Saúde, OMS, o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, e a Rede Internacional de Ação sobre Alimentos para Bebês, Ibfan.

Marketing

O documento conclui que é preciso uma legislação mais forte para proteger as famílias de falsas informações sobre segurança ou práticas agressivas de marketing sobre esses produtos.

A amamentação protege o bebê de infecções de ouvido, diarreia, pneumonia e outras doenças da infância, by Foto: UNICEF/Giacomo Pirozzi

De acordo com a publicação, o leite materno salva a vida das crianças por fornecer anticorpos que dão um impulso saudável aos bebês além de proteger contra muitas doenças da infância.

As duas agências da ONU incentivam que as mães continuem amamentando durante a pandemia mesmo que tenham confirmação ou suspeita da Covid-19.

A OMS e o Unicef sublinham que embora pesquisadores continuem testando o leite materno com confirmação ou suspeita, as provas disponíveis indicam que é não haver chance de transmissão pela amamentação.

Leite em pó

O estudo revela que os benefícios oferecidos pela amamentação “superam substancialmente os riscos potenciais de doenças associadas ao vírus”, destacando ainda que “não é mais seguro dar leite em pó.”

Dos 194 países examinados no estudo, 136 têm alguma forma de medida legal relacionada ao Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno e resoluções sobre o tema adotadas pela Assembleia Mundial da OMS.

Pelo menos 44 países reforçaram seus regulamentos sobre marketing ligado ao tema nos últimos dois anos.

O estudo defende que as restrições legais em vigor na maioria dos países não cobrem totalmente o marketing que ocorre nas unidades de saúde. Apenas 79 países proíbem esse tipo de atividade nesses locais, e apenas 51 proíbem a distribuição de suprimentos gratuitos ou de baixo custo no sistema de saúde.

Acompanhamento

Apenas 19 países proibiram o patrocínio de reuniões de associações profissionais científicas e de saúde dado por fabricantes de substitutos do leite materno. Os produtos abrangidos incluem leite em pó infantil, fórmula de acompanhamento e leites cada vez mais vendidos para uso por bebês e crianças até 36 meses de idade.

O diretor do Departamento de Nutrição e Segurança Alimentar da OMS, Francesco Branca, disse que o marketing agressivo de substitutos do leite materno é uma grande barreira para melhorar a saúde de recém-nascidos e crianças no mundo. Ele destaca essa prática junto a profissionais de saúde, em quem os pais confiam para aconselhamento nutricional e sobre o bem-estar.

O representante apontou que os sistemas de saúde devem agir para aumentar a confiança dos pais no aleitamento materno sem a influência da indústria, para que as crianças não percam os benefícios essenciais desse alimento.

A OMS e o Unicef recomendam que os bebês recebam somente leite materno durante os primeiros seis meses. Depois, a amamentação poderá ser combinada a outros alimentos nutritivos e seguros até os dois anos de idade ou mais.

Projeto de lei propõe ampliar licença-maternidade durante a pandemia

Texto também prevê a ampliação da licença-paternidade e a criação da licença-cuidador por mais 180 dias; veja ponto a ponto

Da Crescer

mãe; trabalho; licença-maternidade; cuidador (Foto: Thinkstock)
Brasil tem atualmente licença-maternidade de 120 dias (Foto: Thinkstock)

A deputada Sâmia Bonfim (PSOL) apresentou, nesta terça-feira (19), à Câmara dos Deputados um projeto de lei que prevê a ampliação da licença-maternidade, da licença-paternidade e a criação de uma licença-cuidador durante o período de isolamento imposto pela pandemia de coronavírus. O texto é assinado por outros 14 deputados de 6 partidos, e foi elaborado tendo em vista a necessidade de proteção de mães e bebês, grupos de risco da Covid-19.

Leia a íntegra do PL 2765/2020

No Brasil, atualmente, a licença-maternidade é de 120 dias. O texto do PL 2765/2020 prevê a ampliação para 180 dias. “Considerando a necessidade do isolamento social e entendendo a vulnerabilidade dos bebês e suas mães neste contexto, é preciso garantir condições para que as mulheres permaneçam em licença-maternidade até os seis meses de vida dos bebês”, defende o texto.

A medida pretende garantir que os bebês sejam alimentados exclusivamente de leite materno durante este período, como recomendam as principais organizações de saúde do Brasil e do mundo. “Não é razoável que [as mulheres] reassumam seus postos de trabalho, de maneira remota ou não, enquanto os bebês ainda dependem do leite materno para se alimentar de forma segura. A sobrecarga do retorno ao trabalho, inclusive, compromete a disponibilidade da mãe para amamentar de maneira exclusiva, o que pode ocorrer em home office. É, portanto, urgente, a ampliação da licença-maternidade em todo o país, de 120 para 180 dias.”

A licença-paternidade, que é hoje de 5 dias, também seria estendida, para 45 dias. Isso se deve, segundo o PL, ao “necessário acompanhamento paterno durante esse momento, que comprovadamente melhora os índices de sucesso da amamentação”, e também ao fato de as puérperas serem grupo de risco da Covid-19, estando mais suscetíveis aos efeitos da doença por até 45 dias após o parto, conforme o Ministério da Saúde.

O texto do PL 2765/2020 foi elaborado em parceria com o LeME – Leite Materno na Escola e a Matrice – Ação de Apoio à Amamentação, com o apoio de membros da IBFAN-Brasil, a Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar.

Licença-cuidador

Terminado o período da licença-maternidade, o texto prevê a criação da licença-cuidador, por mais 180 dias, que poderá ser exercida de maneira compartilhada com o companheiro ou companheira, a critério da mãe, sem prejuízo do emprego e do salário e com a correspondente previsão do benefício de Salário-Cuidador na Lei da Previdência Social. A medida, assim como as demais previstas no PL, valem durante o período de emergência e isolamento por conta da pandemia.

De acordo com o documento, a licença-cuidador pretende diminuir o risco de exposição de crianças menores de um ano à Covid-19. “Até o primeiro ano de vida, eles não podem usar máscaras de proteção, não conseguem seguir instruções sobre distanciamento social, dificilmente se adaptarão a cuidadores que utilizam máscaras e, além de tudo, demandam necessariamente o contato físico para se deslocar, se alimentar, trocar de roupa, fraldas etc. Nessa idade, portanto, devem ser cuidados por alguém do próprio grupo familiar, e a licença-cuidador garante que a família possa oferecer esse cuidado sem o prejuízo do emprego ou salário.”

Coronavírus: o que é o teleaborto, que vem crescendo nos EUA durante a pandemia

Da BBC Brasil

Mulher mexendo no celular
Os abortos por telemedicina estão disponíveis em países como Canadá, Austrália e, em menor grau, nos Estados Unidos.

Maureen Baldwin já prescreveu pílulas para aborto para mais de 100 mulheres que ela nunca viu pessoalmente.

Há cerca de dois anos, a ginecologista e obstetra americana realiza “teleabortos”, uma modalidade relativamente recente que ganhou mais visibilidade em meio à pandemia de coronavírus.

“Temos estado mais ocupados nos últimos dois meses”, diz Baldwin, que trabalha no Estado de Oregon (noroeste do país) para a Oregon Health & Science University (OHSU, na sigla em inglês).

Nos Estados Unidos, apesar de o aborto por meio da telemedicina ser proibido em 18 Estados, mais mulheres solicitam esse tratamento desde março, quando ordens de confinamento foram implementadas em todo o país.

É isso que a organização de pesquisa em saúde Gynuity, com a qual a dra. Baldwin colabora e que, sob o nome de TelAbortion, fornece um modelo de aborto medicamentoso orientado por telemedicina pioneiro no país, disse ela à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Em comparação com os meses de janeiro e fevereiro, em março e abril “o número de mulheres atendidas pelo programa dobrou”, explica Elizabeth Raymond, médica e porta-voz da Gynuity.

O teleaborto também está disponível em países como Canadá, Austrália e Colômbia e cresceu em alguns devido à pandemia.

É o caso da Inglaterra, cujo governo determinou temporariamente que as pacientes tivessem a opção de fazer todo o tratamento em casa, em vez de ir a um centro médico, para evitar possíveis infecções por covid-19.

Mas a prática não é isenta de polêmicas nos Estados Unidos. Tanto que um grupo de senadores do conservador Partido Republicano apresentou recentemente um projeto de lei para proibir seu uso em todo o país.

Mulher em consulta com médico pelo notebook
A OMS admite que as mulheres realizem procedimento médico para aborto em casa até o limite de 9 semanas de gestação. Direito de imagem Getty

Aumento na pandemia

Em sua carreira, Baldwin já atendeu mulheres que estão nas Forças Armadas e não têm acesso a clínicas de aborto, mulheres que moram a três horas ou mais da clínica mais próxima autorizada a realizar abortos e até pacientes que têm filhos pequenos e não têm com quem deixá-los para ir a uma consulta.

Houve outras que tentaram realizar um aborto caseiro e sem acompanhamento médico depois de comprarem pílulas não autorizadas pela internet.

E o interesse só cresce. “As pacientes me dizem que querem evitar ir pessoalmente aos laboratórios ou consultórios médicos”, diz Baldwin sobre os últimos dois meses, quando começou a receber mais consultas enquanto os Estados Unidos se tornava o epicentro mundial da pandemia.

O TelAbortion é o único programa americano que envia os medicamentos para o aborto por correio, com acompanhamento por videoconferências.

A médica explica que, antes de as pacientes receberem um kit que inclui os dois principais medicamentos para aborto, o mifepristone e misoprostol, ela solicita um ultrassom para verificar se a gravidez está abaixo ou dentro das 10 semanas de gestação necessárias para prescrever medicamentos e consultas por videoconferência.

De acordo com um regulamento da Food and Drug Administration do país (FDA, na sigla em inglês), o medicamento mifepristone só pode ser administrado por fornecedores certificados em espaços médicos específicos, o que não inclui farmácias.

Caixa de mifepristona
A administração de mifepristona segue uma série de regras nos EUA. Direito de imagem Getty Images

Mas o Gynuity torna o envio possível como parte da pesquisa científica apoiada pela FDA.

Isso significa que as pacientes concordam em colaborar com o estudo, iniciado em 2016, e que visa avaliar “a segurança, estabilidade e acessibilidade” da abordagem da telemedicina.

Custo e complicações

Alguns centros de pesquisa em saúde sexual e reprodutiva, como o Instituto Guttmacher, argumentam que os regulamentos atualmente impostos ao mifepristone pela FDA são “desnecessários”, pois o medicamento é “de baixo risco, altamente eficaz e menos de 0,4 % dos pacientes necessitam de hospitalização por infecção ou transfusão.”

O custo do tratamento TelAbortion pode variar de US$ 200 (R$ 1.120) a US$ 750 (R$ 4.200) nas 9 clínicas do país afiliadas à pesquisa.

De acordo com o programa, disponível apenas em 13 estados e no Distrito de Columbia, as pacientes que se qualificam apenas vão a um centro médico para realizar exames de ultrassom ou sangue indicados por seu “telemédico”.

O tratamento pode ser indicado desde que o paciente esteja fisicamente presente em um Estado em que o programa seja realizado no momento da teleconsulta, assim como o médico precisará ter uma licença médica no mesmo Estado, mesmo que esteja fisicamente em outra parte do país.

De 2016 até 11 de maio deste ano, a equipe da Gynuity enviou 907 kits e confirmou 668 abortos.

“As pacientes confirmam que o aborto foi concluído através de alguns testes, como um de urina”, diz Raymond.

No entanto, cerca de 13% a 15% das pacientes não dão retorno após receber as pílulas.

Barriga de mulher sendo submetida a um ultrassom
Sob os esquemas de teleaborto disponíveis nos EUA, paciente deve ser submetido ou a um exame de sangue ou ultrassom antes de receber o medicamento. Direito de imagem Getty Images

Em relação às complicações, Raymond indica que entre os participantes do estudo, apenas três tiveram que ser hospitalizadas e que o sangramento excessivo tem sido um dos problemas mais comuns entre os casos que não correm conforme o esperado.

“A gama de complicações é a mesma de qualquer aborto médico. Enviar as pílulas não parece aumentar o risco de possíveis problemas”, diz ele.

Baldwin, por sua vez, assegura que as complicações médicas derivadas desse tratamento são “muito raras, cerca de 1 a 2% dos abortos medicamentosos requerem atendimento posterior em uma clínica” e que não aumentam por causa da telemedicina.

Como funciona o aborto medicamentoso?

A OMS afirma que o aborto medicamentoso, onde permitido, pode ser realizado em casa e ser controlado pela mulher com uma gravidez com menos de 9 semanas de gestação.

Em um comunicado enviado a este meio, a OMS indica que, uma vez estabelecida a elegibilidade do paciente por meio de uma consulta médica, “a administração de comprimidos, o gerenciamento do processo e a abordagem para avaliar se ele foi concluído pode ser autoadministrado, fora de uma instalação médica e sem supervisão direta do fornecedor”.

A organização recomenda essa alternativa em circunstâncias em que “as mulheres têm uma fonte precisa de informações e acesso a um profissional de saúde, caso precisem ou desejem em qualquer estágio do processo”.

Nos EUA, o aborto medicamentoso representou quase 40% de todos as interrupções realizadas por mulheres em 2017, em comparação com 25% registrado em 2014, de acordo com o Instituto Guttmacher.

De acordo com o protocolo padrão para abortos medicamentosos aprovado pela FDA nos EUA, apenas uma visita ao médico é necessária para que uma paciente obtenha as pílulas e ela pode tomar o segundo medicamento, misoprostol, em casa ou em qualquer outro local desejar.

É feita uma consulta de acompanhamento com o profissional de tratamento, geralmente 7 a 14 dias após ter tomado.

Grupos pró e contra o aborto nos Estados Unidos
Protestos a favor e contra o aborto se intensificaram nos últimos anos nos Estados Unidos. Direito de imagem Getty Images

Reações adversas

Os medicamentos prescritos para o aborto medicamentoso podem causar sangramentos, cãibras e, em alguns casos, efeitos colaterais como vômito e náuseas.

As médicas consultadas para esta reportagem indicam que, durante a consulta online, explicam detalhadamente às pacientes o que irão sentir e o que fazer se houver sangramento excessivo ou outras complicações além de um desconforto.

A OMS alerta para contra-indicações que possam surgir do aborto medicamentoso, embora não estabeleça relação com a modalidade de telemedicina. São elas:

— Uma reação alérgica prévia a medicamentos

— Porfiria hereditária

— Insuficiência adrenal crônica

—Gravidez ectópica ou suspeita

Além disso, indicam que é necessário ter cautela nos casos de:

— Tratamento a longo prazo com corticosteroides (incluindo aqueles com asma grave não controlada)

— Anemia grave

— Fatores de risco cardiovascular ou doença cardíaca prévia

— Transtornos hemorrágicos

Quão seguro é abortar por meio da telemedicina?

Várias organizações e instituições acadêmicas se dedicaram nos últimos anos ao estudo do impacto da telemedicina nos abortos e à existência de riscos específicos ao abortar em casa.

Um estudo comparativo feito pela OMS analisou nove estudos sobre abortos medicamentosos presenciais ou realizados em casa e concluiu que não havia evidências para demonstrar “que o aborto medicamentoso em casa é menos eficaz, seguro ou aceitável do que aquele realizado em uma clínica”.

Da mesma forma, o Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras (ACOG, na sigla em inglês), que representa 60 mil especialistas nessas áreas nos EUA, incluiu em um boletim oficial que “o aborto medicamentoso pode ser realizado com segurança e eficácia através da telemedicina, com um alto nível de satisfação da paciente”.

“Além disso, o modelo parece melhorar o acesso ao aborto precoce em áreas que carecem de um profissional de saúde”, dizem eles.

Vários estudos que analisaram e compararam casos de abortos medicamentosos em clínicas versus teleabortos descobriram que as complicações derivadas do tratamento não aumentam com a telemedicina.

Outra modalidade de teleaborto nos Estados Unidos é fornecida pela Planned Parenthood, uma organização que existe há mais de 100 anos, com mais de 600 centros médicos em todo o país.

Em 2008, começou a fornecer teleabortos sob um esquema chamado site-to-site (ou “de clínica a clínica”) e atualmente opera assim em 17 Estados.

De acordo com seu sistema, a paciente ainda precisa comparecer pessoalmente a um centro médico de sua rede, mas recebe a consulta por videoconferência com um especialista que não mora na mesma área e está autorizado a fornecer os medicamentos.

Fachada da Planned Parenthood
Organização Planned Parenthood também possui uma modalidade de aborto por telemedicina. Direito de imagem Getty Images

A paciente é submetida a um ultrassom que define com quantas semanas de gestação ela está, toma a primeira pílula durante a videoconferência e continua o tratamento em casa.

“As pessoas que moram em áreas remotas ou rurais agradecem porque assim vão ao centro médico mais próximo e não precisam dirigir até o fornecedor autorizado durante horas”, diz o Shanti Ramesh, diretor da seção de Planejamento Familiar no Estado da Virgínia.

A escassez de clínicas que fornecem remédios abortivos, especialmente nas áreas rurais dos EUA, é uma das principais razões pelas quais várias organizações aconselham a expansão da prática do teleaborto.

Em 2017, 38% das mulheres de 15 a 44 anos viviam em um município que não tinha uma clínica de aborto, de acordo com o Instituto Guttmacher.

Quem se opõe e por quê?

Cerca de 20 Estados nos EUA estão preparando projetos de lei para proibir o teleaborto, de acordo com um artigo da publicação especializada M Health Intelligence.

Embora o aborto seja um direito constitucional no país, em 2019, cerca de 30 Estados introduziram alguma forma de restrição ao aborto em suas leis, que fazem parte de um movimento mais amplo contra o aborto no país.

Mais recentemente, em fevereiro de 2020, um grupo de senadores republicanos representando estados conservadores como Louisiana, Oklahoma e Carolina do Sul, introduziu uma lei que proibiria o aborto por telemedicina e puniria com até dois anos de prisão o médico que não fizesse uma consulta frente a frente para examinar o paciente e fornecer os medicamentos.

“Prescrever abortos químicos para mães pela internet e sem exames ou mesmo vê-las pessoalmente não é fornecer assistência médica”, disse o senador James Lankford, um dos signatários do projeto de lei em Oklahoma.

O projeto só admite o teleaborto se “for necessário salvar a vida da mãe”.

O corajoso trabalho das doulas com as gestantes durante pandemia do novo coronavírus

Assistentes de parto oferecem suporte emocional e encorajamento para mulheres

Do Estadão

A doula Paulina Riquelme, a obstetra Rahyssa Rodrigues e a obstetriz Paula Leal participam de parto em hospital de São Paulo durante pandemia
A doula Paulina Riquelme, a obstetra Rahyssa Rodrigues e a obstetriz Paula Leal participam de parto em hospital de São Paulo durante pandemia. Foto: Paulina Riquelme

Ajudar a trazer uma nova vida ao mundo de maneira tranquila e humanizada. Assim é o trabalho das doulas, assistentes de parto que oferecem suporte emocional e encorajamento para as mulheres. E, em tempos de pandemia do novo coronavírus, a coragem precisa ser multiplicada por dois.

“Está sendo um desafio enorme trabalhar de acordo com os novos conceitos de segurança e proteção, principalmente em ambientes hospitalares e mais ainda em ambiente domiciliar. Porque aí, por parte das gestantes, pode acontecer um afrouxamento de condutas de segurança, de utilização de EPI, higiene e distanciamento”, afirma Paulina Lorena Verde Riquelme, que é doula e já participou de dois partos desde o início da quarentena no Brasil. Ela diz que essa é uma situação em que a gestante fica muito ansiosa. “Por vários motivos. Em muitos lugares a doula está sendo impedida de entrar, para ter o mínimo de pessoas em contato umas com as outras. Então, além de todo cenário incerto de transmissão vertical mãe/bebê, ainda ter a incerteza se a equipe de escolha da mulher estaria presente”, diz.

A doula Paulina Riquelme acompanha o parto de Carolina e a chegada do pequeno Theo durante a pandemia de covid-19
A doula Paulina Riquelme acompanha o parto de Carolina e a chegada do pequeno Theo durante a pandemia de covid-19. Foto: arquivo pessoal

Janaina Lacerda é doula há seis anos na cidade de Jacareí, no interior de São Paulo, e também já acompanhou alguns partos durante a pandemia. “Foi uma experiência peculiar. É estranho para nós que transitamos no cenário do parto com certa naturalidade, ter equipamentos de proteção, preocupação com toques, proximidade. As acompanhei durante o trabalho de parto em casa dando o suporte necessário para que elas se sentissem seguras, confortáveis e fossem para o hospital em momento oportuno”, conta.

Na maternidade de Jacareí, a orientação é que a gestante tem garantia de um acompanhante de sua livre escolha, segundo a Lei Federal nº 11.108. “Antes da pandemia, elas podiam ter o acompanhante e a presença da doula durante todo o período do trabalho de parto. Porém, a pandemia nos trouxe essa limitação e, então, algumas gestantes optaram que eu entrasse para auxiliá-las. É uma decisão difícil, mas são escolhas necessárias nos dias atuais e que buscamos trabalhar com antecedência para não trazer ainda mais insegurança no momento do parto”, avalia Janaina.

Paulina também observa o sofrimento das gestantes por ter de abrir mão da doula na hora do nascimento do bebê. “Está sendo bem desafiador adaptar meu trabalho para essa nova realidade. Tem muito lugar no Brasil que proibiu a entrada das doulas. Aqui em São Paulo tem alguns lugares e isso está sendo um conflito para estas gestantes que estavam achando que a doula estaria com certeza no dia do parto”, desabafa.

A doula Janaina Lacerda, que atua na cidade de Jacareí, no interior paulista
A doula Janaina Lacerda, que atua na cidade de Jacareí, no interior paulista. Foto: Juliana Rosa

Na cidade de Jundiaí, também no interior paulista, Izabel Medeiros auxilia partos há pouco mais de dois anos. Em tempos de coronavírus, ela participou de alguns procedimentos, incluindo um domiciliar. “Todos tiveram em comum um pouco mais de tensão, mesmo com todos os cuidados e EPIs, parturiente, acompanhante e equipe estavam um pouco mais apreensivos”, relata.

A doula também teve de adaptar o trabalho pré-natal com as gestantes, que é feito presencialmente, para o universo virtual. “Os encontros pré-parto passaram a ser online, assim como os de pós-parto”, diz.

Para as gestantes, Izabel aconselha: “Viva o presente. Permita sentir suas emoções e sensações, sejam elas positivas ou negativas, trazendo à consciência o que está sentindo e buscando caminhos para que os dias passem com mais tranquilidade. Trazer o acompanhante para perto, incluí-lo no processo é de suma importância para um parto mais tranquilo. E também preparar-se para o pós-parto, já que nem sempre poderemos contar com ajuda extra”, conclui.

Parto domiciliar na quarentena: uma possibilidade que precisa de cuidado e planejamento

Aos 38 anos de idade e na terceira gestação, Giovanna Balogh já havia decidido realizar o parto domiciliar muito antes da pandemia do novo coronavírus. “Tive dois partos normais. Sou mãe do Bento, que tem 10 anos, e de Vicente, de oito. Os dois foram hospitalares. E eu sempre dizia que, se eu engravidasse de novo, queria que fosse em casa”, lembra.

Ela e a família vivem no município de Mogi das Cruzes, em São Paulo. Durante a gestação, todos tomaram os cuidados necessários e estão isolados em casa desde o dia 15 de março. O marido, que é fotógrafo freelancer, recusou diversos trabalhos para não colocar a família em risco.

Sem plano de saúde, a opção de hospital seria a Santa Casa da região. “Era nosso ‘plano b’, se tivesse alguma intercorrência. Tenho uma médica particular, que atende pela Santa Casa, que seria nossa médica backup. Se precisasse de uma analgesia ou se algo não transcorresse como planejado, a gente iria para lá. Só que diante da pandemia, queria menos ainda ir para o hospital. Também porque estavam restringindo acompanhante, as parteiras não poderiam entrar e era uma coisa que não queria passar de jeito nenhum”, afirma.

Giovanna contou com duas enfermeiras obstetras – todas equipadas com EPIs -, o marido e os dois filhos. “A gente conversou bastante com eles sobre a mamãe gritar, ficar fora de si durante o trabalho de parto. Eles entenderam, mas optaram em não ficar presentes na cena. Eles passavam na porta do quarto, davam uma espiada e só depois que ela nasceu que eles quiseram ver”, diz.

Equipadas com EPIs, equipe de saúde realiza parto de Giovanna Balogh em casa durante pandemia do coronavírus
Equipadas com EPIs, equipe de saúde realiza parto de Giovanna Balogh em casa durante pandemia do coronavírus. Foto: Diego Padgurschi / Arquivo Pessoal

A pequena Teresa nasceu no quarto dela, pesando 3,2 quilos e medindo 51 centímetros, em uma piscina levada pelas enfermeiras que deram assistência. “Foi a experiência mais incrível da minha vida! Nem parece que vivi tudo isso aqui. E, assim que ela nasceu, meu marido a pegou no colo. Ela ficou o tempo todo comigo, veio pra cama, olha, foi uma experiência muito gostosa. Só lamento as pessoas mais próximas não poderem vir visitar, as avós e os avôs”, desabafa.

Emocionada, Giovanna chora ao contar que havia planejado passar o puerpério ao lado da mãe, no momento mais frágil da mulher após o nascimento do bebê. “Eu idealizava muito a minha mãe estar comigo, ajudando a arrumar o enxoval. Eu idealizava ter um chá de benção com minhas amigas, receber o carinho na reta final e não rolou. Fazer o quartinho com a minha mãe. E deixamos tudo isso para depois. A gente deixa para depois porque você vê que é supérfluo e que dá para deixar para depois. Sofro muito de ver o tempo passar e minha mãe não poder pegar minha filha no colo. Eu choro, me emociono. Fico torcendo para o povo se conscientizar e essa fase passar logo, as pessoas ficarem em casa para a gente poder ter, enfim, uma vida mais normal”, conclui.

Em isolamento social, Giovanna Balogh amamenta a pequena Teresa, que nasceu no quarto dela, durante pandemia
Em isolamento social, Giovanna Balogh amamenta a pequena Teresa, que nasceu no quarto dela, durante pandemia. Foto: Diego Padgurschi / Arquivo Pessoal

Dicas de segurança para gestantes no parto em tempos de pandemia

O governo federal não tem dados sobre o número de partos, planejados ou acidentais, em domicílio. Mas grupos de parteiras ouvidos pela reportagem relatam que a procura por esse tipo de procedimento têm aumentado durante a pandemia.

No entanto, o parto em casa só é elegível em casos de gestações em que o risco é habitual, em que a mulher ou o bebê não tenham doença prévia e o pré-natal ocorra sem complicações. “Em primeiro lugar, é preciso ter a certeza de que a escolha de parto domiciliar não deve ser pautada no medo do coronavírus, senão, não é o mais indicado. Caso não seja isso, procure uma equipe que tenha vasta experiência no atendimento a partos domiciliares”, aconselha a enfermeira obstetra da Unifesp Cinthia Calsinski.

O site do Ministério da Saúde tem um documento, de 2010, com normas e procedimentos relacionados ao parto domiciliar, com recomendações para as parteiras.

Em tempos de coronavírus e em ambiente hospitalar, Cinthia Calsinski lembra que as visitas estão proibidas. “A providência mais acertada é de conversar com o obstetra para que receba alta o mais precocemente possível. O alojamento conjunto é ainda mais indicado neste momento, para que se evite exposição desnecessária do recém-nascido aos profissionais de saúde para realizar cuidados que podem perfeitamente ser feito pelos pais”, ressalta a especialista da Unifesp.

De acordo com o Ministério da Saúde, em Nota Técnica, é necessário a “realização de uma triagem em toda parturiente e seu acompanhante para casos suspeitos ou confirmados da covid-19 antes da sua admissão no serviço obstétrico, como também apresenta as situações e condições necessárias para permissão da participação do acompanhante”. O documento ainda informa que todas as visitas devem ser, temporariamente, suspensas, visando a proteção de todos.

Com novas recomendações por causa da pandemia, a maternidade é vivida a vários tempos em Portugal

Partos programados antes do termo, ausência de companhia, bebés afastados das mães à nascença. A pandemia levou uma nova realidade às maternidades que tentam, agora, arrepiar caminho. Mas, apesar de já haver novas directivas, a maior mantém-se: cada instituição terá de adaptar as medidas à sua realidade.

Do Público

O que mudou na forma como se nasce em Portugal desde o início da pandemia? “Em qualquer situação obstétrica a primazia é sempre dada ao bem-estar da mãe e depois ao do bebé”, começa por responder João Bernardes, professor catedrático de Ginecologia e Obstetrícia. No entanto, desde Março, juntou-se a esta equação a necessidade de “salvaguardar a saúde pública”, o que acabaria por resultar numa ausência de uniformidade nas normas impostas por cada espaço.

Isto porque, contextualiza o clínico e investigador, em termos físicos e humanos as instituições em Portugal são muito diferentes. Essa é a razão pela qual, explica ao PÚBLICO, “cada equipa deve avaliar a situação local”. Certo é que, nas recomendações publicadas, esta terça-feira, pela Direcção-Geral da Saúde (DGS) continua a ler-se que aquelas “podem ser adaptadas à realidade de cada instituição e à avaliação clínica de cada caso”.

Mas recuemos um pouco no tempo, até meados de Março, quando a atenção à saúde pública​ transformou as alas de maternidade em quase cenários de guerra, com as equipas a tentarem resguardar-se de possíveis infecções e, ao mesmo tempo, reduzir as probabilidades de contágio das utentes por outros. Por essa razão, qualquer mulher que chegasse a um hospital em trabalho de parto viria a ser tratada como se estivesse infectada — pelo menos, até chegar o resultado do teste à covid-19.

“A introdução do teste rápido veio alterar esses procedimentos”, confirmou a directora da Urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, ao PÚBLICO. Agora, a diferença, relatou Marina Mocho, é que a grávida sem teste, em vez de entrar pela zona de admissão, segue directamente para o quarto. “Vamo-nos adaptando à medida que a situação evolui”, explica, acrescentando que “já não há necessidade de indução”, algo optado para “evitar situações de sobrelotamento”, mas essencialmente para averiguar a situação viral da grávida: se infectada ou não pelo novo coronavírus. “Não podemos correr o risco de estarmos infectados”, reforça a médica.

Foi para minimizar esse risco que Eunice Rodrigues, diagnosticada com covid-19, passou quase três horas à espera até entrar no hospital. O parto até tinha sido marcado, dias antes, para ser induzido, mas o bebé acabaria por trocar as voltas à programação do mundo cá fora e decidiu nascer mais cedo. “Foi um parto delicioso: rápido e sem epidural”, relata a mulher, que já tinha três filhas, descrevendo as equipas médicas do São João como “profissionais e rigorosas”. Porém, apesar de terem colocado o bebé em cima da sua barriga e de até terem perguntado se desejava cortar o cordão, o recém-nascido foi logo levado para longe de si, para os cuidados de neonatologia, tendo sido submetido a análises que regressaram negativas.

Nem todos os casos se resolveram por si e a indução acabou por ser necessária — mesmo depois da introdução do teste rápido. Foi o caso de Catarina Soares, cujo trabalho de parto demorou 16 horas. “Tenho noção que o parto poderia ser mais fácil ou menos longo, mas decidi confiar”, descreve com serenidade, apesar de todo o processo ter sido vivido de máscara ou de só ter podido contar com a presença do pai na fase da expulsão.

Direito a acompanhante

A ausência de acompanhante ao longo do processo do trabalho de parto tem sido um dos factores alvo de mais reclamações por parte de mulheres e homens. E as novas recomendações são omissas sobre esta questão. Questionada pelo PÚBLICO, a DGS informou que “para os acompanhantes mantém-se em vigor a orientação” anterior, ou seja, “a presença poderá ser permitida apenas se a instituição considerar que tem asseguradas todas as condições de segurança para evitar o contágio”.

Porém, muitas grávidas e respectivos acompanhantes denunciam “um enorme retrocesso nas conquistas dos últimos anos” e, depois de os relatos se terem acumulado, decidiram criar um movimento cívico e activista pela restituição dos direitos suspensos em contexto de pandemia — “das mulheres grávidas, puérperas, mães e pais, recém-nascidos e, acima de tudo, famílias, durante toda a gestação, parto e pós-parto”.

Reclama-se os direitos “a acompanhante, à liberdade de movimentos e métodos alternativos de dor, ao contacto pele a pele entre mãe e recém-nascido, a amamentação imediata e ao alojamento conjunto de mãe e bebé”, em linha com as directivas da própria Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere cinco maneiras para os serviços de saúde melhorarem o atendimento às mulheres no parto, a começar pela presença de acompanhante.

Além disso, a OMS aconselha que se aceite a posição de nascimento que as mulheres preferem, a treinar os profissionais para cuidados específicos relacionados com a dignidade materna e neonatal, a fortalecer a supervisão e a oferecer estratégias de alívio da dor.

Carla Sousa, uma das grávidas na génese daquele movimento, considera que não chega a existência de recomendações, quando cada hospital tem liberdade para adaptar as mesmas. Segundo a também psicóloga, a ausência de uma directiva comum origina “níveis de ansiedade brutais” nas grávidas, além de considerar incompreensível ter unidades em que o acompanhante nunca deixou de estar presente e outras em que aquele, ainda hoje, se mantém longe do nascimento — algo que a faz considerar vir a ter o seu segundo filho no privado.

Neste ponto, o investigador João Bernardes explica que a ausência de uma linha uniforme está relacionada com as condições materiais de cada maternidade: “Se se tiver mais do que uma mulher na mesma sala e todas estiverem acompanhadas, as distâncias deixam de ser cumpridas, além de, em muitos casos, as casas de banho serem de utilização comum.”

Apesar de compreender as contingências, Catarina, de 27 anos, sublinha as contradições vividas no início de Maio, na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa. “Não podia haver acompanhante por precaução, mas eu apenas recebia uma máscara [cirúrgica] por dia”, quando as recomendações ditam que esta não deve ser usada por mais do que quatro horas.

Parto programado?

Dos casos que o PÚBLICO teve conhecimento de partos no privado, todos tiveram acompanhante presente. “Fizemos a análise e, com o resultado negativo, foi marcada cesariana”, conta Miguel, 48 anos, que explica que, além do contexto, foram-lhes explicadas razões clínicas para optar pelo procedimento cirúrgico. Durante o período que passou em ambiente hospitalar, nunca saiu do quarto, onde estavam a companheira e a filha de ambos. Essa era a condição para que pudesse permanecer no local.

Também João, de 41 anos, relata experiência semelhante, em que a cesariana, programada às 39 semanas, no Hospital Lusíadas, fez parte de uma decisão que, em parte, já estava tomada pela mãe. Ambos os progenitores salientam o facto de o procedimento ter sido garantia de menos stress e também têm uma percepção semelhante do pós-parto: o contexto de pandemia, com a ausência de visitas de amigos e familiares, assim como o facto de haver menos gente na rua na altura de levar os recém-nascidos às consultas de pediatria resultaram numa vivência da paternidade com menos preocupações e mais serenidade.

Para já, sem dados estatísticos, não há qualquer prova do aumento de cesarianas, testemunha João Bernardes. Porém, admite que este é um assunto a que se tem de prestar atenção, sobretudo quando a cesariana é reconhecida como uma intervenção de risco, estando, segundo a DGS, “associada a riscos de saúde superiores aos do parto vaginal (…): de lesão uretral e vesical, de histerectomia, de tromboembolismo, de complicações infecciosas, de reinternamentos hospitalares”.

Também Alexandrina Mendes, obstetra no Centro Hospitalar Póvoa de Varzim-Vila do Conde, admite que, na sua unidade, os “partos programados terão aumentado”, mas ressalva que “a taxa de cesarianas não aumentou”. Para esta médica, a lidar com partos num centro onde os testes rápidos já existem, mas em quantidades insuficientes e sem laboratório próprio (o que faz com que o resultado demore mais tempo), é necessário que se aumente o número deste tipo de exame de forma a facilitar todo o processo de nascimento.

Todavia, uma preocupação persiste: as directivas contrárias de distintas sociedades. “Enquanto a Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF) aconselha a separar o bebé da mãe que tem um resultado positivo para a covid-19, a [Sociedade] de Medicina Interna diz o contrário.” Nas recomendações da SPOMMF lê-se que “para reduzir o risco de transmissão do vírus da mãe para o recém-nascido, deve considerar-se a separação temporária (após o parto) da mãe” infectada.

Mães e bebés separados

A recomendação da SPOMMF foi levada à letra em algumas unidades que se depararam com parturientes com covid-19, como no caso de Eunice. Após o parto, a mulher ficou internada, enquanto o recém-nascido seguiu para a neonatologia. No documento publicado esta terça-feira, considera-se que “o contacto pele a pele e o alojamento após o parto (separação temporária ou alojamento conjunto) deve ser feita caso a caso, numa decisão partilhada entre a mãe e a equipa dos profissionais de saúde”. Para esta decisão, indica a DGS deverá pesar “a condição clínica da mãe e do recém-nascido, o desejo de amamentar, os recursos existentes para separar o recém-nascido e as condições existentes para um alojamento conjunto em segurança”.

Para Eunice, o risco de contágio horizontal, por menor que fosse, justificou a separação. E, na altura da alta, em que o marido também viria a ter o resultado do teste positivo, o casal regressou a casa sem a criança. “Ficámos os dois doentes e com três meninas (todas com resultado negativo) em casa; não tínhamos condições para cuidar do bebé”, recorda, frisando a dedicação de todos no hospital, com videochamadas e muitas fotografias.

Quando o pai foi declarado recuperado, o hospital considerou que era altura para ir buscar o bebé — algo feito quase contra a vontade da mãe. “Tinha medo”, confessa. O bebé chegou a casa 17 dias após o nascimento, mas quase sete semanas depois da data em que chegou ao mundo os cuidados ainda não foram atenuados, com os resultados da infecção da mãe a manterem-se positivos e os telefonemas diários da pediatria. “Há um cansaço emocional”, concluiu, fruto de um permanente “estado de alerta”.

Para Patrícia Oliveira, de 38 anos e grávida de 32 semanas, este cenário de ter o bebé afastado de si é o mais difícil de imaginar. Apanhada no epicentro do surto em Portugal, já que trabalha como psicóloga em ambiente escolar em Ovar, concelho que esteve sob um cordão sanitário, a grávida combateu a ansiedade recorrendo à racionalidade – ainda que admita que o facto de não ter tido consultas adiadas pela CUF, onde é seguida, ajudou. No entanto, fala de um “reajustamento contínuo — sexta é uma coisa, segunda-feira já é outra”.

Já Joana Rocha, de 33 anos e grávida da segunda filha, está “pronta para o que tiver de ser”. “A miúda está sentada”, conta, explicando que a manobra manual de tentar inverter a posição foi passada das 37 para as 39 semanas. “Em vez de fazer a análise à covid-19, a manobra e voltar para casa, ficando à espera, optou-se por tentar mudar a posição da bebé mais tarde, às 39 semanas, seguindo depois para indução ou cesariana, dependendo do resultado.”

Já a presença do companheiro também dependerá da evolução do parto. Para já, a indicação que tem, no São João, é a de que o pai só poderá entrar no momento da expulsão. Questionada sobre os motivos apresentados, esta grávida acaba por desabafar: “Deixei de pensar nos porquês a bem da minha sanidade mental.” A única certeza que tem é que o hospital parece querer reduzir “o tempo que se está em ambiente hospitalar ao mínimo”.

A viver a 31.ª semana de gravidez e a lutar pelo direito a ter acompanhante, a psicóloga Carla Sousa refere que, ainda que não haja dados de momento, é vital estar atento à relação entre a vivência da maternidade e a pandemia, criando mecanismos de apoio. “A violência obstétrica não é uma questão nova, mas a pandemia trouxe alguns retrocessos.” Porém, sublinha a importância da forma de olhar para o cenário apresentado de modo a salvaguardar situações de depressão pós-parto. “Mais do que a experiência, é relevante a percepção que se tem dela.”

Uma ideia que Catarina, após ter tido uma indução às 41 semanas e uma reacção nefasta à anestesia (“Primeiro, não pegava; depois, não conseguia levantar-me, com fortes enxaquecas”), cultiva: “Não é a coisa que recorde como a mais bonita, mas tenho esperança de, com o tempo, a conseguir mudar.”

Estas 3 mães contam como é driblar o medo e dar à luz no meio de uma pandemia

No parto, a comunicação é pelo olhar. Em casa, as visitas são substituídas por videochamadas. “Minha irmã conheceu a bebê pela janela do carro na saída da maternidade.”

Debora Settani, de 32 anos, apresentou a pequena Graziella aos amigos e familiares pela tela do celular....
Arquivo Pessoal Debora Settani, de 32 anos, apresentou a pequena Graziella aos amigos e familiares pela tela do celular. “Minha irmã, que trabalha na área da saúde, conheceu ela pelo vidro do carro, na saída da maternidade.”

Luciana Fernandes, de 22 anos, descobriu a gravidez em agosto de 2019 e, logo depois, precisou interromper temporariamente um de seus maiores sonhos: trabalhar como atriz em uma grande emissora de TV. “Foi um choque pra mim mas, no final, sempre quis ser mãe e lidei bem com a mudança”, diz a jovem, que mora em São Paulo, mas nasceu em Potiraguá, na Bahia. Com uma gravidez que chegou ao fim, de forma inesperada, com o início da pandemia do novo coronavírus, uma segunda vontade de Luciana foi suprimida: usuária do SUS (Sistema Único de Saúde), ela fez o pré-natal em um hospital público e planejou dar a luz na Casa Angela, um centro de parto humanizado na periferia da Zona Sul da capital.

Na madrugada do dia 29 de março, quando entrou em trabalho de parto veio o revés: a pressão de Luciana subiu e ela precisou ser transferida para uma maternidade. “Minha pressão não estabilizou e eu não consegui dilatar o suficiente. Eu sentia muita dor e fiquei com o coração na mão, pensando: ‘meu Deus, tudo o que a gente programou não está acontecendo’”, lembra.

“O que me deixa muito triste, e que eu ainda não sei lidar muito bem, é não ter muito contato com as pessoas, né? Já é um isolamento social ser mãe.” Luciana Fernandes, 22 anos, atriz e mãe de Amora, de um mês

Devido aos altos índices de contaminação pela covid-19 no País e à crise no sistema de saúde, a experiência do parto hospitalar durante a pandemia para muitas mulheres têm sido acompanhada de frustrações e medo. “Eu fiquei com medo de sofrer violência obstétrica em um lugar que não era o que eu tinha planejado”, diz Luciana. “Quando cheguei à maternidade, me senti em risco. Era um hospital muito maior, com muito mais gente e todos estavam usando máscara e sendo muito cuidadosos com tudo por conta do coronavírus.” Transfe

Luciana Fernandes, de 22 anos, comemora o primeiro mês de Amora ao lado de Thiago, seu
Arquivo Pessoal Luciana Fernandes, de 22 anos, comemora o primeiro mês de Amora ao lado de Thiago, seu companheiro.

Para ela, assim como para muitas outras mulheres no País, o primeiro Dia das Mães vai ser bem diferente do esperado. “Eu tinha imaginado outra coisa. Queria comemorar esse momento junto com a minha mãe, mas sei que assim é o melhor agora. Depois a gente pode aproveitar muito outros momentos.”

“Tenho pavor de colocar o pé fora de casa. A Teresa nem sentiu o calorzinho do sol ainda”. Com o isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus, a fotógrafa brasiliense Tatiana Reis, de 35 anos, tem convivido com o que classificou de “puerpério dentro do puerpério”, nome dado ao período de resguardo da mulher por pelo menos 45 dias após o momento do parto. Em uma experiência semelhante à de Luciana, ela deu a luz à Teresa, sua segunda filha, no dia 24 de março – apenas 19 dias após o primeiro caso de covid-19 ser confirmado na capital federal e dez dias depois do primeiro decreto que oficializou a quarentena no estado.

“Eu queria muito ter mais gente por perto depois do nascimento da Teresa por vários motivos. Mas não está sendo possível”, lamenta. Do meio para o final da gravidez, Tatiana foi diagnosticada com diabetes gestacional, o que a colocou em um quadro de risco e fez com que ela redobrasse os cuidados com a saúde. “Me senti paralisada. Talvez eu tenha escolhido a cesariana justamente por conta dessa minha situação de alto risco na gravidez, pensando também no medo de ser contaminada pelo coronavírus”. Dias depois do nascimento de Teresa, o Ministério da Saúde incluiu, em 13 de abril, gestantes de alto risco, como Tatiana, e puérperas no grupo de risco de complicações da covid-19.

“Eu quero muito contar pra ela ‘menina, te pari no meio de uma pandemia!’ [risos]. Eu tenho mantido um diário e experimentado tirar fotos com o celular. A gente nunca viveu tão junto.” Tatiana Reis, 35 anos, mãe de Teresa, de um 28 dias e Helena, de 3 anos e meio

Na foto acima, Teresa e Helena, filhas da fotógrafa Tatiana Reis - a foto foi tirada por ela em...
Tatiana Reis/Arquivo Pessoal Na foto acima, Teresa e Helena, filhas da fotógrafa Tatiana Reis – a foto foi tirada por ela em um dos momentos de afeto dentro do isolamento social.

Segundo boletim epidemiológico mais recente da pasta, 121 gestantes e puérperas entre 10 e 59 anos foram contaminadas no País – documento não aponta o número de possíveis mortes neste grupo de vulnerabilidade. Todas as mulheres entrevistadas pelo HuffPost Brasil disseram não apresentar nenhum sintoma da covid-19. Nesta semana, o número de mortes causadas pela doença no Brasil passou de 10 mil, segundo dados divulgados pelo MS, o que representa mais que o dobro do total registrado na China (4.637). Estes dados reforçam o agravamento da crise sanitária no País.

Mesmo antes do agravamento da crise, dentro da clínica em que Tatiana fazia as consultas com seu médico, foi feito um esquema para que as gestantes não se encontrassem nos corredores e todos os funcionários, segundo ela, já usavam máscaras para evitar contaminação. “Ao mesmo tempo que havia cuidado, naquele momento já havia muita tensão no ar”, lembra.

Ao chegar na maternidade, foi realizada uma triagem incomum. “Eles mediram a minha temperatura, e perguntaram se eu tive sintomas ou contato com alguém que teve. Eu não pude trocar de acompanhante e também não pude receber visitas”, conta. De volta para casa, a única rede de apoio de Tatiana, para cuidar da recém-nascida e de Helena, de 3 anos, tem sido parcialmente seu companheiro – que está trabalhando de casa -, sua irmã e algumas amigas que, eventualmente, ajudam levando compras do dia a dia para evitar exposição.

“Eu moro em um apartamento muito pequeno. E só saí de casa uma vez depois do parto para levar a Teresa ao médico com a minha irmã. Eu levei ela no sling ‘escondidinha’, com muitas camadas de tecido”, lembra. “Essa coisa que é a celebração de um nascimento de uma criança, que demanda dessa aproximação da família e dos amigos, está me fazendo muita falta. As avós não conhecem a Teresa, o abraço, o calor faz muita falta”, diz.

Isolada e sem rede de apoio como o planejado, Tatiana têm tentado contornar a rotina de cuidados no distanciamento devido à pandemia e construir uma lembrança para as filhas. Teresa, ela conta, nasceu no dia do aniversário de seu pai, que morreu há poucos meses. “Ela ter nascido foi um marco pra mim nesse sentido. Eu quero muito contar pra ela ‘menina, te pari no meio de uma pandemia! [risos] E você nasceu em um dia cheio de significado’. Eu tenho mantido um diário e experimentado tirar fotos com o celular. A gente nunca viveu tão junto. Eu falo muito do medo porque o confinamento está mexendo muito comigo. Mas a gente vai tentando sobreviver nos encontros de delicadeza, de doçura. Acho que encontrei uma força nesse registro doméstico”. E, claro, na primeira oportunidade, levará Teresa para conhecer e sentir na pele a luz do sol.

Tatiana Reis/Arquivo Pessoal “Ela ter nascido foi um marco pra mim nesse sentido. Eu quero muito contar pra ela ‘menina, te pari no meio de uma pandemia!”, diz Tatiana Reis.

 

Para a produtora Debora Settani, de 32 anos, moradora da cidade de Itu, no interior de São Paulo, as videochamadas com parentes e amigos substituíram quase que de imediato as tradicionais visitas às mães e aos recém-nascidos tanto em casa, quanto na maternidade. “A gente tem fotos que são prints da tela do celular que são eu com a minha bebê e os familiares”, conta.

Debora havia planejado o nascimento em uma maternidade particular de São Paulo e conseguiu que todo o seu plano de parto fosse mantido. Graziela nasceu há duas semanas, no dia 25 de abril, em um momento em que o aumento de casos da covid-19 exigiu mais rigidez na quarentena. Porém, ela foi acompanhada tanto pela doula, quanto por seu marido – que conseguiu autorização não só para participar, mas para tirar fotos e filmar o nascimento da filha. Por causa da pandemia, essa orientação varia de acordo com a instituição de saúde, sendo ela particular ou pública.

“Todos os profissionais e os acompanhantes estavam de máscara e super paramentados. Pude escolher se eu queria ficar com a máscara ou não e, por ter optado pelo parto normal, decidi que ficaria sem. Eu me senti segura e confortável”, diz.

“Eu pensava: ‘será que eu espero? Será que isso vai ser bom, ou será que eu estou arriscando pegar a doença e não ter saúde para ter o parto? Será que tudo o que eu planejei vai acontecer?’.” Debora Settani, 32 anos, mãe de Graziella, com 16 dias de idade.

Debora lembra que o mais estranho do momento foi não poder ver o sorriso das pessoas, em especial, de seu companheiro, quando Graziella nasceu, justamente pelo uso dos equipamentos de proteção individual (EPIs). “Mas, ao mesmo tempo, a comunicação ficou mais forte pelo olhar. O olhar é muito potente, né? Foi muito intensa a forma como a gente encontrou de se comunicar não só pela fala dentro da sala de parto.”

A bebê foi direto para o colo da mãe assim que nasceu e ficou o tempo todo no quarto com ela. Enfermeiras apenas vinham para dar banho ou levá-la para fazer exames e dar as vacinas necessárias, por exemplo. O distanciamento também no berçário foi uma medida de precaução que tem sido adotada por maternidades em todo o País.

No momento do parto, Debora escolheu ficar sem a máscara de proteção.
Arquivo Pessoal No momento do parto, Debora escolheu ficar sem a máscara de proteção. “Mas, ao mesmo tempo, a comunicação ficou mais forte pelo olhar. O olhar é muito potente, né?”

“Ela ficou direto no quarto comigo e eu nem pude caminhar no corredor do hospital, como costumava ser recomendado. Eu andava ao redor da minha cama. De lá, apresentei ela pra amigos e família pelo celular. Eu combinei com a minha irmã, que é profissional da saúde e não pode deixar de trabalhar, de conhecer a sobrinha pelo vidro do carro na saída da maternidade. E foi assim, agora ela está esperando pra pegar a Graziela no colo quando for possível.”

Também hora de ir embora para casa, as lembrancinhas que seriam para as visitas – que foram feitas virtualmente e à distância -, ganharam novos donos. “Eu dei as lembrancinhas para as enfermeiras, que ficaram felizes, mas um pouco espantadas. E eu disse ‘é claro, vocês são a única visita que eu tenho!’ [risos]”. Chegando em Itu, não pode dar um abraço em sua mãe. Apenas deixou Graziela com o pai e correu para o banho. A mãe, nesse momento, junto com seu companheiro – que está trabalhando de casa – tem sido sua rede de apoio. “Eu jamais imaginaria que ela ia nascer praticamente no meio do pico da pandemia, e eu espero poder contar pra ela que foi difícil, mas que passou e que foi menos pior do que a gente achou que poderia ser”, diz.

Como eu vivi a quarentena no último mês de gestação, parece que eu já fiz um estágio para o puerpério.”

A produtora reconhece que, no contexto atual, foi privilegiada – mas que não deixou de sentir algo comum às gestantes diante da covid-19: medo e insegurança. “Eu tive medo, sim, chegando perto da hora do parto, pensando na pandemia, principalmente. Como a minha intenção era ter o parto normal, de 38 a 41 semanas, eu fiquei com muita dúvida. Eu pensava: ‘será que eu espero? Será que isso vai ser bom, ou será que eu estou arriscando pegar a doença e não ter saúde para ter o parto? Será que tudo o que eu planejei vai acontecer?’ Eu antecipei apenas alguns dias e correu tudo como o planejado.”

No dia em que conversou com o HuffPost, Debora estava se preparando para sair de casa pela primeira vez em duas semanas. O motivo? A ida ao médico com a bebê, em São Paulo. “Como eu vivi a quarentena no último mês de gestação, parece que eu já fiz um estágio para o puerpério. É angustiante, sim, você não poder sair, não ter rede de apoio e não poder fazer tudo o que imaginou. Mas se eu puder falar algo para outras mulheres no mesmo contexto que o meu, é que podemos tentar usar esse momento para criar conexão. É o que tenho tentado fazer.”

Estudo identifica lesões na placenta de grávidas diagnosticadas com Covid-19

Nascimentos não foram afetados, mas descoberta dos pesquisadores sugerem alterações no fluxo sanguíneo entre as mães e feto.

Do G1

Imagem de arquivo mostra mulher grávida: pesquisa dos EUA mostra relação entre Covid-19 e lesões na placenta — Foto: Pixabay
Imagem de arquivo mostra mulher grávida: pesquisa dos EUA mostra relação entre Covid-19 e lesões na placenta — Foto: Pixabay

Pesquisadores norte-americanos identificaram lesões na placenta de 16 grávidas diagnosticadas com Covid-19. Um artigo publicado nesta sexta-feira (22) pela revista “American Journal of Clinical Pathology” não apontou riscos para o feto, mas alertou para alterações na função do órgão.

A placenta é o primeiro órgão a se formar no desenvolvimento fetal e tem funções análogas às dos pulmões, intestinos, rins e fígado. É a partir dela que o feto absorve oxigênio e nutrientes da corrente sanguínea da mãe.

“A maioria dos bebês nasceram sem nenhuma complicação, após gestações normais”, disse em nota Jeffrey Goldstein, professor da Northwestern University e um dos autores do estudo. “[a lesão] Não pareceu induzir resultados negativos nos nascimentos, com base em nossos dados que são limitados.”

O tipo de lesão observada mostrou um fluxo anormal no sangue entre as mães e fetos, o que sugere, segundo os especialistas, uma nova complicação da Covid-19. Os cientistas defenderam que a descoberta serve de alerta para que grávidas sejam monitoradas clinicamente durante a pandemia.

Acompanhar de perto

Para a professora de obstetrícia Emily Miller, co-autora do estudo, o monitoramento das grávidas tem que ser reforçado para garantir que os fetos se desenvolvam de maneira saudável.

“Não quero desenhar um cenário assustador, mas essas descobertas me preocupam”, disse Miller em um comunicado. “Saber que a Covid-19 pode causar alterações na placenta traz algumas implicações bastante significativas para a saúde de uma gravidez.”

Ela defende que o monitoramento seja feito a partir de testes “não-estressantes”, que consigam examinar a oxigenação da placenta e acompanhar o crescimento dos bebês em “uma taxa saudável”.

Sem transmissão vertical

Até o momento não há registro de transmissão da Covid-19 entre mães grávidas e seus bebês. Um artigo publicado na revista “Frontiers in Pediatrics”, trouxe a análise de quatro mães que estavam infectadas pelo vírus e que deram à luz em um hospital de Wuhan, cidade chinesa que foi o primeiro epicentro da doença.

De acordo com o artigo dos pesquisadores, nenhum dos bebês desenvolveu os sintomas da Covid-19, como febre ou tosse, embora eles tenham sido isolados em unidades de terapia intensiva e tenham sido alimentados com fórmula. Três dos quatro recém-nascidos fizeram o teste para o coronavírus e o resultado foi negativo. Uma das mães não autorizou que o exame fosse feito.

Combate ao medo e ao isolamento de pacientes na linha de frente contra o novo coronavírus

Profissionais do hospital de campanha do Ibirapuera, em São Paulo, usam tecnologia para driblar os problemas de comunicação a distância e aproximar pacientes de suas famílias

Do El País

 

Comemoração de aniversário de 65 anos de Américo Cardoso Vieira, durante tratamento da covid-19 no hospital de campanha do Ibirapuera. Foto e vídeo: Seconci-SP/OSS e Arquivo familiar
Comemoração de aniversário de 65 anos de Américo Cardoso Vieira, durante tratamento da covid-19 no hospital de campanha do Ibirapuera. Foto e vídeo: Seconci-SP/OSS e Arquivo familiar

Por volta de 11h da manhã do dia 6 de maio, Raquel Fiuza Vieira, 26 anos, recebeu com alívio uma ligação do hospital de campanha do Complexo Ibirapuera, em São Paulo. Do outro lado da linha, uma assistente social e, em seguida, um médico, traziam notícias sobre seu pai, Américo Cardoso Vieira, 65. Morador do Grajaú, bairro da periferia da zona sul da capital paulista, o idoso havia dado entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo Amaro três dias antes, com sintomas da covid-19. Enquanto estava lá, sua família foi informada de que ele seria transferido para realizar uma tomografia, mas ninguém disse quando isso ocorreria, ou para onde o paciente iria. “Na UPA ficamos sem contato. Meu pai não pôde ficar com nada, nem celular, nem os óculos”, contou Raquel. “Meu irmão e eu passamos duas noites em claro à espera de notícias. Minha mãe só dormiu porque estava medicada.”

A jornada de Leomar Silva Santos, 29, até a unidade do Ibirapuera foi diferente da saga da família Vieira, mas o medo e a incerteza eram os mesmos. Morador da Saúde, área de classe média da zona sul da capital, logo ao sentir os primeiros sintomas ―uma falta de ar intensa após subir uma escada e uma noite sem dormir com problemas para respirar― ligou para o 156, telefone de informações da Prefeitura de São Paulo, e foi orientado a ir à unidade de atendimento mais próxima de sua casa. No caso, o Hospital São Paulo, onde fez uma tomografia e já no dia seguinte, segunda-feira, 5 de maio, foi encaminhado para a unidade do Ibirapuera. “Vi uma mulher sair para o hospital de campanha e ouvi um burburinho de que o próximo seria eu. Fiquei com medo, não sabia o que era. Pensei que estava piorando”, afirmou Leomar. Na ambulância, foi informado de que se tratava de um hospital dedicado para pacientes de baixo risco da covid-19 e se tranquilizou. No entanto, sua esposa, Beatriz Linhares Rodrigues, 20, precisou ir atrás da ambulância para descobrir o destino do marido. “Não sabia direito para onde ele estava indo”, conta. Só se acalmou quando, ao chegar, foi atendida pela equipe de comunicação.

Nas duas primeiras semanas de operação, os profissionais que estão na linha de frente do hospital de campanha do Ibirapuera estão descobrindo que, assim como o vírus, o medo e a dificuldade de comunicação também se tornaram inimigos a serem combatidos. “As pessoas chegam um pouco desesperadas. Sempre acham que o seu familiar vai morrer”, diz a médica Mônica Pinheiro, responsável técnica pelo hospital, que é uma iniciativa do Governo do Estado, mas é gerido pelo Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP).

Mônica Pinheiro, médica responsável técnica pelo hospital de campanha do Ibirapuera.
Mônica Pinheiro, médica responsável técnica pelo hospital de campanha do Ibirapuera.Divulgação Seconci-SP/OSS

A situação fica mais complicada por ninguém saber, afinal, o que é um hospital de campanha, um modelo herdado dos campos de batalha e que passou a ser utilizado em caso de grandes desastres, especialmente os humanitários. “Há muita fantasia. E quando vê que é barraca, então… Outro dia choveu e o pessoal pensou: ‘E agora’?”, conta Mônica, cujo principal desafio se tornou passar tranquilidade e confiança para as famílias e pacientes, num momento em que os casos de covid-19, e também as mortes, crescem exponencialmente em todo o Estado de São Paulo.

Desde que o hospital recebeu o primeiro paciente, em 3 de maio, o número de vítimas fatais no Estado dobrou, chegando a 5.147 óbitos nesta segunda, assim como o número de casos, que alcançou a marca de 65.995. A velocidade de contágio se reflete no número de pacientes da unidade do Ibirapuera. Até esta segunda, 320 pessoas foram atendidas. Desse total, 146 receberam alta. E 133 permanecem internados (124 em enfermaria), no hospital que tem um total de 240 vagas; nove pessoas estão em leitos de estabilização, um passo antes da UTI, onde há 28 lugares. Outras 41 pessoas foram transferidas para UTI de outros hospitais, por precisarem de cuidados ainda maiores, algo que, até este momento, foi feito sem a necessidade de se enfrentar uma fila de espera. Nenhuma morte foi registrada na unidade nessas pouco mais de duas semanas de operação.

A rotina é de um hospital que não pode se permitir rotina. “A evolução da doença é muito rápida. Temos paciente que contamos que será entubado e minutos antes ele avisa a família por telefone. Não dá para esperar para ver a evolução do quadro”, conta Mônica. “Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Muito paciente entrando, mas também saindo. Uma equipe que ainda está se entrosando com os fluxos do hospital. Famílias querendo informações. Mas não é como um hospital tradicional, onde podemos operar no automático. É um ambiente estressante e emocionante”, explica Mônica.

“Quando tem muita informação, em quem você confia?”

O acesso à informação é um ativo fundamental no combate à pandemia. Mas o excesso de notícias desencontradas, especialmente em época de polarização política, acaba por se chocar com quem está na linha de frente da batalha contra o novo coronavírus. E não raro, alimentam fake news. “Algumas pessoas acham que a gente está escondendo algo; outros que a situação política pode fazer com que seu familiar não receba o melhor tratamento como o dos hospitais particulares”, afirma Mônica. “Temos que explicar: uma coisa é política, outra coisa é a saúde.”

Não à toa, a insegurança das famílias é esperada. “Quando tem muita informação, em quem você confia?”, pergunta Mônica. A médica conta que familiares e pacientes chegam falando sobre pesquisas de drogas novas no exterior, querem discutir gasometria, sabem que há uma coalizão de hospitais privados ―Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento e Oswaldo Cruz― conduzindo estudos sobre tratamento para a covid-19; e se preocupam em saber se as inovações vão chegar ao Sistema Único de Saúde (SUS). “Na situação de estresse, é muito importante uma boa interação com as pessoas. E deixar claro que ninguém vai deixar o paciente morrer porque não teve acesso a protocolo. Na área médica, temos acesso a tudo”, explica.

Por outro lado, a médica sabe que a falta ―e mesmo a confusão― de informações dentro da unidade pode criar crises desnecessárias. Por isso, o hospital de campanha foi pensado com um aparato de tecnologia ―que não está disponível em unidades tradicionais do SUS, como UPAs e hospitais― para tentar dar conta da nova demanda de comunicação a distância. “Os pacientes têm internet gratuita para falar com a família, e também testamos tudo: WhatsApp, ligação telefônica ou vídeo”, explicou. Mas é por tentativa e erro. “Se o boletim por mensagem de celular não funciona, ligamos. Se o paciente está mais grave, chamamos a família por vídeo. Às vezes, falamos com até mais de um membro da família para esclarecer o que está acontecendo”, diz.

A covid-19 é uma doença solitária, que depende de isolamento severo. Mas o cenário de não ter a família por perto é uma novidade para a maioria dos profissionais de saúde, especialmente os mais jovens. Mônica lamenta que a pandemia esteja forçando um distanciamento entre os médicos e familiares. Neonatologista, ela se lembra que uma das últimas fronteiras da família nos hospitais foi rompida exatamente na sala de parto, no final dos anos 90. “A presença de um acompanhante deixa o paciente mais calmo, mesmo em caso de intercorrências, porque ele vê o que estamos fazendo. Hoje retornamos a uma situação anterior, mas, com sorte, num momento onde a tecnologia de comunicação disponível é tremenda”.

Boletim médico enviado por mensagem de celular para a família de Leomar.
Boletim médico enviado por mensagem de celular para a família de Leomar.

As falhas de comunicação aumentaram o estresse da família Vieira durante sua jornada pelo SUS. Américo não foi o primeiro paciente de sua família a pegar o vírus. Sua filha, Raquel, já havia passado cinco dias internada com a doença em um hospital particular. “Tive uma forte dor abdominal e fui internada para investigar uma infecção intestinal”. O diagnóstico se confirmou, bem como a covid-19. Quando voltou para casa, tanto seu pai, quanto sua mãe, Maria Rosangela dos Reis, também apresentavam os sintomas da doença. “Ela estava vomitando e ele perdeu o apetite de uma hora para outra. A febre deles não baixava. E eu em casa sem poder sair para ajudá-los”, disse.

Os pais passaram pelo posto de saúde, onde conseguiram atestado para se afastar do trabalho ― Américo é porteiro e Maria, babá ―, mas sem melhora, foram para a UPA, acompanhados do filho, Rafael Vieira. Américo ficou internado, enquanto Rosângela foi liberada para casa, com a receita de antibióticos. Não havia teste disponível para avaliar se ambos estavam doentes. Com a internação de Américo, a família tentou obter informação por telefone, mas foi avisada de que teria que comparecer pessoalmente, durante o horário da visita — que, na prática, não existe. “As pessoas falam para evitar aglomeração, mas às 10h estão todos os familiares na porta da UPA. Meu irmão e minha mãe chegaram cedo e foram atendidos ao meio-dia”, lembra Raquel, que já está recuperada e voltou ao trabalho de secretária. “Até hoje não entendi por que deixaram meu pai sem nenhuma comunicação. Ele saiu da UPA para o hospital regional, onde fez a tomografia, e depois foi para o de campanha, sem que soubéssemos”, lamenta. A UPA de Santo Amaro é uma organização social de saúde, também administrada por uma entidade particular, a Associação Congregação de Santa Catarina. Porém, toda comunicação está centralizada na Prefeitura, que até a publicação desta reportagem não respondeu sobre o protocolo de informações nas UPA.

A busca pela normalidade em meio ao caos mundial

Pela experiência anterior, a família acreditava que o contato seria escasso durante a internação na tenda de campanha, por isso, levou uma cartinha para tranquilizar Américo, no Ibirapuera, no dia 6 de maio. Mas foram surpreendidos. “Entregamos o celular no começo da tarde e às 17h ele nos ligou. Estava bem choroso, pensou que a gente não iria saber onde ele estava, que iríamos deixá-lo lá”, conta Raquel.

Américo, assim como Leomar, vivenciou uma experiência bastante incomum, ficar internado em uma tenda na região central e rica de São Paulo. Prerrogativa da pandemia, que fez com que uma solução sempre associada a situações de guerra ou epidemias em lugares distantes como a do Ebola, na África, de repente se espalhasse por várias cidades do mundo. Passada a tensão da transferência, foi ali que ambos puderam finalmente realizar o teste da covid-19, algo ainda escasso em todo o país, e confirmar seu diagnóstico.

Equipe de assistência social do hospital de campanha.
Equipe de assistência social do hospital de campanha.DIVULGAÇÃO SECONCI-SP/OSS

Após o trauma na entrada no SUS, foi com surpresa que os Vieiras receberam uma ligação da assistente social Adriana Pimenta, responsável pela equipe do serviço social do hospital, perguntando se poderiam fazer uma comemoração para Américo no dia 7 de maio, seu aniversário. A festa, com a participação da família pelo celular, o deixou emocionado. “Um dos nossos principais trabalhos é traçar o perfil de cada paciente, e essa atividade é feita à beira leito no hospital de campanha”, afirma Adriana. “Notamos que nossa presença no leito tem resultados positivos, pois os pacientes se sentem acolhidos e, muitas vezes, nos enxergam como uma extensão do mundo real, minimizando o motivo que os trouxe aqui”, explica a assistente social.

São essas tentativas de manter a normalidade em meio a um cenário mundial caótico, como as eventuais celebrações de aniversário, que ficam guardadas nas lembranças dos pacientes. Atitudes que trazem ânimo até para os vizinhos. Leomar se lembra do “parabéns” de Américo, que ficava numa “cabaninha” próxima a da dele. “Ele ganhou até bolo num copinho”, conta. Américo e Leomar já tiveram alta. Agora se recuperam da covid-19 em casa.

Despedida de Leomar Silva Santos do hospital de campanha.
Despedida de Leomar Silva Santos do hospital de campanha.Divulgação Seconci-SP/OSS

Mães na Quarentena

Crédito: Stephen Schildbach/Getty Images

Enquanto muitos cientistas aproveitam o isolamento social para escrever artigos e estreitar os laços de colaboração com outros pesquisadores (ver reportagem “O desafio de fazer ciência em casa), a bióloga Fernanda Staniscuaski, do Departamento de Biologia Molecular e Biotecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), precisa conciliar as demandas do home office com afazeres domésticos e o cuidado com os filhos – são três, com idades de 1, 4 e 7 anos. Mesmo dividindo as tarefas com o marido, boa parte de seu tempo é dedicada a auxiliar os mais velhos nas atividades escolares. “Com o fechamento temporário das escolas, as crianças estão trancadas dentro de casa 24 horas por dia e isso nos exige atenção o tempo todo. Passo as tardes com os mais crescidos, enquanto meu marido fica com o bebê.” Em situações normais, diz Staniscuaski, as crianças ficariam em escolas, creches e com as avós, enquanto os pais trabalhavam fora.

Como consequência, ela está há semanas tentando concluir um manuscrito para submetê-lo a uma revista científica. “O texto permanece intocado”, conta Staniscuaski. Mesmo assim, ela e outras pesquisadoras reservaram algum tempo para investigar como o isolamento provocado pela Covid-19 tem impactado a rotina de trabalho de cientistas que têm filhos. O estudo, em andamento, é realizado no âmbito do projeto “Parent in Science”, criado em 2017 com o propósito de discutir a maternidade no universo acadêmico brasileiro (ver Pesquisa FAPESP nº 269).

A partir de um questionário respondido, até o momento, por mais de 5 mil alunos de mestrado e doutorado, observou-se que o período de quarentena tem um peso adicional sobre a produção científica das mulheres que são mães. Do total de respondentes, 31% são homens e 69% mulheres. Dentre os que têm filhos, 26% são homens e 74% mulheres. Quando analisado o grupo de pesquisadores que disseram ter filhos, 17,4% dos homens informaram estar conseguindo trabalhar remotamente. No caso das mulheres na mesma situação, o percentual é menor: cerca de 10% declararam ter tempo para seguir desenvolvendo seus projetos de pesquisa em casa.

Quando observado o grupo dos que não têm filhos, a diferença entre mulheres e homens é menor, mas a porcentagem de homens que conseguem se dedicar à pesquisa em home office segue sendo maior (36%) do que a de mulheres (32%). “Esses dados podem ajudar a entender melhor de que maneira a nova rotina sobrecarrega as mulheres”, avalia Staniscuaski. De acordo com ela, os resultados parciais do estudo são fortes indicativos da persistente desigualdade de gênero na ciência, especificamente a dificuldade de conciliar maternidade e formação acadêmica.

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Experiências das mães na quarentena serão reunidas em livro

Obra produzida pela editora Timo pretende publicar ebook com 40 depoimentos de mães sobre os primeiros 40 dias de isolamento social

Do Metro

As percepções das mães sobre a quarentena serão reunidas em livro que pretende trazer 40 relatos dos primeiros 40 dias de isolamento social. Ana Basaglia, publisher da editora Timo, que está produzindo a obra, divulgou a ideia em suas redes sociais e convidou mães em grupos de maternidade que frequenta para que escrevam sobre suas impressões, sentimentos e vivências neste período de confinamento.

“Em muitas casas, a mulher continua sobrecarregada com as demandas domésticas, os filhos e o trabalho, enquanto o marido se dedica ao home office, e ela tem pouca voz e espaço para falar sobre isso”, explica Ana. A ideia , portanto, é que o livro sirva de canal de expressão dessas mulheres, trazendo depoimentos de mães conhecidas e anônimas. “A gente entende que toda voz é importante e busca uma diversidade de perfis”, diz a publisher, conhecida pela defesa dos valores da criação com apego e pela publicação de títulos alinhados com essa proposta (como os best sellers do pediatra espanhol Carlos González).

Entre os depoimentos colhidos, há o da mãe que acabou de parir, de quem tem filhos pequenos, filhos mais velhos, de avós e de mães brasileiras que moram no exterior. “Muitas delas, ao me mandar o texto, disseram que o simples fato de parar para escrever e poder minimamente refletir sobre o que está acontecendo já foi algo maravilhoso. Veja a relevância que é perguntar a uma mãe como ela se sente e como tudo isso está reverberando nela”, ressalta a idealizadora do livro.

Leia também: Saberes em época de Pandemia: o que o seu filho realmente precisa aprender agora?

A obra colaborativa trará relatos como o da chef de cozinha Bela Gil; da jornalista Rita Lisauskas, autora do blog do Estadão “Ser mãe é padecer na internet”; das médicas de família e comunidade Denize Ornelas e Júlia Rocha; de Lígia Moreiras, editora do blog “Cientista que Virou Mãe”; de Raquel Marques, codeputada estadual (mandato coletivo da Bancada Ativista); e de Manuela d’Ávila, jornalista e política brasileira.

Ana conta que tem recebido depoimentos de mães emocionantes. “Estou muito orgulhosa e confiante que as mães vão se reconhecer, ora num momento mais disposto, ora em um processo mais reflexivo – e esse é objetivo do livro, mostrar que a gente está junto, os sentimentos são próximos e a maternidade é muito potente”, diz ela.

O livro será publicado em um e-book, ainda no mês de maio. Depois deve ganhar versão impressa e, ainda um blog que inclua todos os depoimentos de mães recebidos – e não só os 40 principais. Quem quiser mandar a sua história, pode escrever para maesnaquarentena@gmail.com .

Saiba mais no Instagram da editora Timo.

Coronavírus: hospitais do NHS são acusados de usar a crise como motivo para negar cesáreas às mulheres

Exclusive: ‘We are concerned that in some places coronavirus is being used as an excuse to dictate to women how they should give birth,’ says human rights charity

Do Independent (em inglês)

 

Official guidance from the National Institute for Health and Care Excellence says women should be offered a caesarean section where they insist it is what they want
Official guidance from the National Institute for Health and Care Excellence says women should be offered a caesarean section where they insist it is what they want ( AFP via Getty Images )

Hospitals have been refusing requests for caesarean sections during the Covid-19 outbreak despite official guidance and NHS England advice that they should go ahead.

Multiple NHS trusts have told women preparing to give birth since March that requests for a caesarean section will not be granted due to the viral pandemic.

It has led to accusations from the charity Birthrights that the coronavirus outbreak is being used as an excuse to promote an ideology that more women should have a natural birth.

During the coronavirus crisis some women have been forced to give birth alone due to bans on partners attending hospital. Hospitals changed their policy after new visiting rules were released.

Maria Booker, from Birthrights, told The Independent: “We continue to be contacted by women being told they cannot have a maternal request caesarean and we are concerned that in some places coronavirus is being used as an excuse to dictate to women how they should give birth, which contravenes Nice [the National Institute for Health and Care Excellence] guidance.

“Women don’t choose caesarean births lightly. In the last few weeks we have been contacted by women who have heart conditions, pelvic issues, mental health conditions, and who have previously lost a baby who have all been denied caesareans.”

Official guidance from Nice says women should be offered a caesarean section where they insist it is what they want.

NHS England has warned hospitals they need to “make every effort” to avoid cancelling caesarean sections and work with neighbouring trusts to transfer women if necessary.

It said surgery should only be suspended in “extreme circumstances” where there is a shortage of obstetricians or anaesthetists.

In the UK, around one in four of all births are caesareans, including both emergency and pre-planned operations.

At Milton Keynes University Hospital a policy document seen by The Independent said requests for caesarean sections would be refused.

The standard operating procedure document, dated April, said: “Women should be advised that during the Covid period, the directorate has taken the decision not to offer elective caesarean sections for maternal request.”

It added: “It has also been agreed that when the surgeon confirms the consent for caesarean sections pre-op, they will specifically advise the women of the risks of caesarean section and women will be encouraged not to have a caesarean section for maternal request.”

In a letter to mothers at the start of the outbreak The Princess Alexandra Hospital, in Essex, warned all cases, including those already booked for a caesarean section, would be reviewed.

It added: “Unless there is a medical reason for the caesarean, please be aware that the caesarean will not be able to go ahead.”

Sharon McNally, director of nursing at the trust, said that since this letter was issued the demands on the NHS had been less than expected, adding: “We are pleased that we have subsequently not needed to cancel any elective c-sections ⁠– all C-sections have and continue to go ahead as planned.”

At Oxford University Hospitals Trust, women have routinely been referred to other hospitals when requesting C-sections, but during the coronavirus outbreak this has not been possible. The trust refused to say whether it had denied C-sections to women in recent weeks.

Pauline Hull, editor of the website Caesarean Birth, said she was contacted by a woman who had been denied a C-section by the Milton Keynes hospital.

She said: “There is no evidence that the risk for women or babies having a planned caesarean during Covid-19 is increased compared with other birth plans.

“I am aware of other women who are being told their maternal request caesarean will not be supported, at other trusts, and so I suspect there may be other policies in England like the one at Milton Keynes.”

Maria Booker added the Milton Keynes University Hospital NHS Trust had told Birthrights all the hospitals in its local maternity system, including Luton and Bedfordshire, had stopped maternal request C-sections due to perceived higher risks.

She said: “If there are increased risks, it is the duty of the trust to explain these to the pregnant woman so they can make an informed choice. Caesareans should only be withdrawn in the dire circumstances of the trust, and wider region, having insufficient capacity to provide them.”

A spokesperson for the Milton Keynes hospital said: “We carefully reviewed and adapted our procedures around maternal requests for caesarean section as a result of Covid-19, and the increased risks associated with operative delivery during the pandemic.

“We have continued to honour all maternal requests for caesareans made prior to this change in policy, where medically possible, and continue to consider requests where there is either a medical or psychological reason to have a caesarean section.”

The statement added restrictions may be lifted as the trust emerged from the coronavirus crisis.

Catherine Greenwood, clinical director of maternity at Oxford University Hospitals, said requests were considered on an individual basis and “in usual times, if no clinical indication is found, then a woman would be referred to an obstetrician at a neighbouring trust who is happy to support these requests. This is in line with Nice guidance.

“However, at the present time, all hospitals are under considerable pressure. For this reason, the referrals for caesarean section for women who have no pregnancy complications are not always accepted by our partner organisations in the way that they usually are. We very much hope to be able to reinstate the usual pathway as soon as possible.”