Coronavírus: grávidas e puérperas na pandemia

Grávidas e puérperas são grupo de risco 
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Muitos questionamentos e emoções envolvem a chegada de uma nova vida. Do descobrimento da gravidez até o momento do parto, as incertezas e a insegurança mexem com a cabeça de mães e pais. O período após o nascimento do bebê também não é diferente. Nos últimos meses, uma nova preocupação entrou na lista: o coronavírus.

Em nota à imprensa, o Ministério da Saúde informou sobre uma mudança de protocolo que inclui grávidas e puérperas no grupo de risco para a COVID-19. Esse novo status exige maior atenção nos cuidados individuais e coletivos, já que essas mulheres podem apresentar casos mais graves da doença. Marcus Renato de Carvalho, professor da Faculdade de Medicina da UFRJ e pediatra, afirma que o momento deve ser de observação e cuidados. “É importante que elas tomem ainda mais precauções para se proteger e relatem possíveis sintomas para seus provedores de cuidados de saúde”, disse, completando que o distanciamento também é uma das formas de proteção para as gestantes.

Estas são algumas das indicações para esse público: trabalho remoto ou  afastamento, principalmente para trabalhadoras da saúde; apenas consultas e exames essenciais do pré-natal, com utilização da teleconsulta sempre que possível; ausência de visitas durante a gestação e o pós-parto; atenção redobrada à higiene dos cuidadores da mulher e do bebê.

O momento do parto também exige cuidados redobrados. Procedimentos dispensáveis, como cesáreas eletivas e indução desnecessária, devem ser evitados para que a parturiente não precise ficar mais tempo no hospital. Carvalho afirma que é preciso avaliar a presença do acompanhante, que não deve apresentar sintomas nem ser dos grupos de risco, minimizando assim as chances de infecção. “Mas isso não quer dizer que a presença do acompanhante deve ser negada”, ressalta.

Aleitamento é necessário

Não há nenhuma evidência científica que aponte o leite materno como uma possível fonte de transmissão da doença. O professor reitera que a orientação do MS é de que a amamentação não deve ser suspensa em casos de a mãe ter a suspeita de infecção pelo novo coronavírus, mas que é preciso seguir um protocolo de cuidados mais rígido. O uso de máscara é indispensável nesses casos, assim como a higienização das mãos antes e depois do aleitamento.

“Salvo alguma intercorrência que exija a separação do binômio, como, por exemplo, o agravamento das condições de saúde maternas, é perfeitamente possível que mãe e filho permaneçam em sistema de alojamento conjunto na maternidade até a alta hospitalar”, explica.

Isolamento não é abandono

Um dos momentos mais delicados para uma nova família é o puerpério. Conhecido como “blues puerperal”, o período que se segue ao parto é, muitas vezes, solitário. Segundo Carvalho, alguns casos podem ser o início de um quadro de depressão pós-parto. “O apoio da família e a participação do companheiro ou companheira são essenciais para que a mulher sinta-se segura nesse momento”.

A rede de apoio, essencial nessa fase, precisa continuar dando suporte à nova família, e as novas tecnologias podem ajudar, seja por vídeo, ligações ou mensagens. “E, também, não deve ser abandonada pelo obstetra, pediatra, enfermeira obstetra, doula, psicóloga ou alguém da equipe perinatal com quem ela tenha feito uma melhor conexão ou vínculo afetivo”, declara.

O professor lembra também que, mais do que nunca, os pais precisam assumir seus papéis na criação dos filhos, valendo-se de suas licenças-paternidades e antecipação de férias para dividirem as tarefas de maneira justa, cuidando dos afazeres domésticos, do bebê e, claro, da mãe.

 

Covid-19: combate à pandemia deve respeitar direitos humanos

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É comum que a pandemia de covid-19 seja tratada como tema da medicina, de saúde pública e de economia, até mesmo de segurança pública. Mas é preciso destacar que ela também é um tema de direitos humanos, entre outras razões pelo profundo impacto que causa sobre os regimes democráticos. Apesar do declínio do multilateralismo evidenciado nos anos que precederam essa pandemia, as organizações internacionais têm feito um grande esforço para oferecer aos Estados parâmetros que contribuam para minimizar os efeitos negativos das medidas de combate à pandemia sobre a dignidade humana, o direito à saúde e outros direitos e liberdades fundamentais. Assim, é preciso ouvir a Organização Mundial de Saúde, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial; mas também é preciso escutar atentamente os mecanismos internacionais de proteção aos direitos humanos.

Mesmo em países cujos Poderes Executivos centrais são indiferentes ou hostis às diretrizes internacionais, estas são capazes de oferecer valiosa contribuição a governos locais e outras instituições públicas, inclusive ao Poder Judiciário, confrontado à necessidade de decidir em contexto de ineditismos, incertezas e urgência. Em 11 de abril de 2020, apenas no Supremo Tribunal Federal, tramitavam 818 processos relacionados à covid-19[1]. No entanto, para além do setor público, também entidades e movimentos sociais, formadores de opinião e especialistas podem se beneficiar do acervo acumulado na esfera internacional por organismos especializados. Décadas de trabalho fizeram deles profundos conhecedores de seus respectivos objetos e da complexa realidade das regiões que cobrem.

É o caso da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sediada em Washington (Estados Unidos), que adotou no último 10 de abril uma importante norma, intitulada “Pandemia e Direitos Humanos nas Américas” – Resolução n. 01/2020[2], pela qual formula recomendações da maior relevância.

Tivemos a honra de participar da elaboração desse texto como especialistas convidados. Trata-se de mais um reconhecimento dos saberes que a USP tem produzido; neste caso, em particular, de duas especialidades desenvolvidas na Faculdade de Saúde Pública: o direito sanitário e a saúde global. Assim como nas demais universidades públicas brasileiras, aqui esses campos são estudados sob a perspectiva da ética, da democracia e dos direitos humanos, o que inclui o atento acompanhamento das diretrizes internacionais sobre a matéria.

Criada pela Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1959, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos compõe, juntamente com a Corte instalada em 1979, o Sistema Interamericano de proteção dos Direitos Humanos (SIDH). Baseada na Carta da OEA (1948)[3] e na Convenção Americana sobre os Direitos Humanos (1969)[4], sua missão de promover e proteger os direitos humanos é exercida principalmente por meio de um sistema de petições individuais, pelo monitoramento da situação dos direitos humanos nos Estados-membros e por iniciativas dirigidas a linhas temáticas prioritárias. Apenas durante o ano de 2019 a Comissão recebeu 3.034 petições, sendo 242 relativas a possíveis violações de direitos humanos no Brasil[5].

Para atuar durante a pandemia, inclusive preventivamente, a Comissão criou uma “Sala de Coordenação e Resposta”[6]. Entre as primeiras iniciativas da referida Sala encontra-se a elaboração da Resolução sobre a pandemia, da qual participaram os membros da Comissão, com especial destaque à Presidência e à Relatoria Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais, a Secretaria Executiva e sua equipe técnica, além de especialistas convidados como nós.

Em uma breve síntese, destacamos quatro entre as muitas contribuições oferecidas pela citada Resolução. Primeiro, a compreensão do direito à saúde como direito autônomo, não apenas como um adjetivo do direito à vida: trata-se de um bem público cuja proteção é de responsabilidade dos Estados. Segundo, a necessidade de adotar um enfoque de direitos humanos em todas as estratégias, medidas ou políticas oficiais relacionadas à pandemia. Em outras palavras, a cada medida adotada, é preciso prever e minimizar eventuais impactos negativos sobre os direitos das pessoas atingidas, e particularmente das populações mais vulneráveis. Terceiro, a eventual adoção de medidas restritivas de direitos deve ser sujeita aos princípios da legalidade e da proporcionalidade; deve ser acompanhada da devida motivação e ser temporalmente restrita; deve coibir o estigma e a discriminação de pessoas, entre outros critérios. Quarto, a transparência e o dever de informação devem ser amplos, com garantias de proteção aos jornalistas e aos defensores de direitos. Os pronunciamentos das autoridades estatais devem ser razoáveis e baseados em evidências científicas.

Estes são apenas alguns pontos de uma Resolução que representa um marco na evolução do direito da saúde na região das Américas. Esperamos que, por meio de convênio que se encontra em fase de tramitação, a Faculdade de Saúde Pública possa seguir contribuindo com as ações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, especialmente por meio do Núcleo de Pesquisas em Direito Sanitário e do Doutorado em Saúde Global e Sustentabilidade, iniciativas cujo pioneirismo, qualidade técnica e compromisso social são reconhecidos em seus respectivos campos de atuação. Que a expertise acumulada ao longo de décadas de pesquisa e extensão nos permita contribuir, juntamente com outras instituições, para a elaboração de padrões internacionais de resposta às pandemias à altura dos imensos desafios que se avizinham.

 

[1] STF, Painel de Ações Covid-19 https://transparencia.stf.jus.br/extensions/app_processo_covid19/index.html

[2] Versão em espanhol:  http://www.oas.org/es/cidh/decisiones/pdf/Resolucion-1-20-es.pdf

[3] Os 35 Estados das Américas ratificaram a Carta da OEA e pertencem à Organização.

[4] Atualmente vigente em 24 Estados: Argentina, Barbados, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Dominica, Equador, El Salvador, Granada, Guatemala, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Suriname, Uruguai e Venezuela

[5] CIDH, Informe Anual 2019 http://www.oas.org/es/cidh/docs/anual/2019/indice.asp

[6] CIDH, Comunicado de Imprensa: http://www.oas.org/es/cidh/prensa/comunicados/2020/063.asp.

HIDROXICLOROQUINA E CLOROQUINA PARA COVID-19. REVISÃO SISTEMÁTICA RÁPIDA

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Hidroxicloroquina e cloroquina para COVID-19. Revisão sistemática rápida.

Esta revisão foi conduzida e está sendo atualizada pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital Sírio-Libanês (NATS-HSL) em colaboração com a Disciplina de Economia e Gestão em Saúde, Unifesp. Os autores concederam permissão para hospedagem do texto no blog da Oxford-Brazil EBM Alliance.
A revisão rápida (rapid review methodology) mapeou e avaliou criticamente as evidências existentes sobre o uso de hidroxicloroquina e cloroquina para  COVID-19.
Nesta 5ª versão, as buscas foram conduzidas em 16 de abril de 2020 e serão atualizadas pela mesma equipe e disponibilizadas aqui.
Principais mudanças em relação a versão anterior:
  • Inclusão de mais um ensaio clínico randomizado totalizando 4 estudos com 294 pacientes hospitalizados.
  • Inclusão de mais 29 estudos clínicos comparativos em andamento, totalizando 94 estudos programados para incluir mais de 170.000 participantes.
  • A única metanálise possível (considerando disponibilidade de dados e homogeneidade dos estudos) não identificou benefício da hidroxicloroquina quanto à negativação da carga viral por PCR após sete dias (RR: 0,94; IC95%: 0,78 a 1,13; dois estudos, 180 participantes; I2= 0%; muito baixa certeza na evidência).
  • As conclusões da versão anterior desta revisão foram mantidas.

Com base nos resultados dos quatro estudos comparativos identificados nesta revisão, a eficácia e a segurança da hidroxicloroquina e da cloroquina em pacientes com COVID-19 ainda são incertas. Espera-se que os resultados dos 94 estudos em andamento possam modificar esta conclusão.

 

Versão atualizada 19/04/2020RS_rapida_hidroxicloroquina_COVID19_atualizacao_19_04_20.pdf

 

Versão anterior 10/04/2020:

Versão anterior 03/04/2020:

Versão anterior 27/03/2020:

Versão anterior 20/03/2020:

 


Sobre os autores:

Rachel Riera é professora de Medicina Baseada em Evidências na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela está envolvida com o ensino da MBE nos últimos 18 anos e é co-fundadora da Oxford-Brazil EBM Alliance. Atualmente coordena o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0591884301805680

Rafael Leite Pacheco é professor do Centro Universitário São Camilo, e pesquisador da Disciplina de Economia e Gestão em Saúde da Universidade Federal de São Paulo e do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde da SPDM. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5220382157272897

 

Efeito sobre a gravidez por Ministério da Saúde

Efeito sobre a gravidez
Informações compiladas de:
Royal College of Obstetricians & Gynaecologists, April 10, 2020
PUBMED
OMS
Ministério da Saúde
G1
Marcos Leite dos Santos
10 de abril de 2020
Aproximadamente 80% das infecções no COVID-19 são leves ou assintomáticas, 15% são graves e requerem oxigênio suplementar e 5% são críticos, exigindo ventilação mecânica, ou seja, o uso de respiradores [ ]. Segundo o Ministério da Saúde, há 65.411 ventiladores mecânicos no país, sendo que 46.663 estão no Sistema Único de Saúde (SUS). Do total, 3.639 encontram-se em manutenção ou ainda não foram instalados. Não é viável prever, com exatidão, de quantos aparelhos o Brasil necessitará nas próximas semanas – dependerá do número de contaminações. Mas é possível dizer que a distribuição dos respiradores é desigual.
Segundo Luiza Tenente, em reportagem publicada no G1 em 02/04/2020 às 12h00:
Especialistas reforçam que, com o agravamento da pandemia, há outros elementos, além do respirador, que também são necessários para os casos graves da Covid-19. O levantamento acima leva em conta apenas os ventiladores, porque são os equipamentos mais importantes.
Segundo Paulo Cesar Bastos Vieira, coordenador da UTI da disciplina de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também são exigidos, em ordem de relevância:
• o oxímetro (aparelho para medir a oxigenação do sangue),
• o capnógrafo (monitor de gás carbônico exalado)
• e as bombas de infusão (equipamentos que administram medicamento no sangue).
Além deles, há os tubos, os bicos plásticos, a cama, a tomada que fornece energia e os demais acessórios do aparelho.
E é preciso reforçar: não basta ter todos os equipamentos, nem mesmo adquirir mais respiradores, se não houver profissionais da saúde habilitados para fazer o monitoramento dos pacientes.
Daí vem a maior razão para todos nós ficarmos em casa, e dado os novos casos documentados na literatura médica, as grávidas em especial.
Alterações nos sistemas cardiorrespiratório e imunológico durante a gravidez aumentam a suscetibilidade a infecções graves e hipóxia (falta de ar), mas também pode atrasar o diagnóstico e controle da fonte naquelas apenas com sintomas suaves do trato respiratório superior, como dor de garganta e congestão nasal – este último é observado em 5% dos pacientes com COVID-19 [ ].
A rinite gestacional, devido à hiperemia da nasofaringe mediada por estrogênio, geralmente afeta um quinto das mulheres saudáveis no final da gravidez e resulta em acentuada congestão nasal e rinorreia (corrimento nasal) – essas alterações fisiológicas podem mascarar os sintomas da COVID-19, causando dificuldades no diagnóstico levando a um grande número de casos não diagnosticados com o consequente aumento da transmissão para a comunidade.
Falta de ar (dispneia) ocorre em 18% dos pacientes com COVID-19 [ii]. Entretanto, a dispneia fisiológica causada pelo aumento da demanda materna de oxigênio devido ao aumento do metabolismo, anemia e consumo fetal de oxigênio são comuns na gravidez [ ] e devem ser distinguida da falta de ar patológica. Além disso, os volumes pulmonares são alterados – capacidade residual funcional, volume expiratório final e volume residual diminuem progressivamente desde o início da gravidez devido à compressão diafragmática pelo útero gravídico, resultando em redução da capacidade total do pulmão no final da gravidez e incapacidade de limpar eficazmente as secreções pulmonares [ ]. Esses aspectos são importantes, uma vez que a pneumonia por COVID-19 progride rapidamente para consolidação bilateral difusa do parênquima pulmonar [ ], que no contexto das alterações pulmonares descritas acima, predispõem mais prontamente à insuficiência respiratória hipoxêmica na gravidez.
Até agora, os resultados da COVID-19 para a mãe parecem mais promissores em comparação com SARS e MERS. As revisões sistemáticas revelam uma taxa de mortalidade de 0%, 18% e 25% para COVID-19, SARS e MERS respectivamente – nos dois últimos, insuficiência respiratória progressiva e sepse grave foram as causas mais frequentes [ , ] Isso não é surpreendente, dada a predisposição a sobreposição de infecções bacterianas devido a lesão direta da mucosa, desregulação das respostas imunes e alterações no microbioma respiratório após pneumonia viral [ ]. A deterioração do quadro clínico ainda pode ocorrer no puerpério [ ], exigindo monitoramento atento e contínuo.
Semelhante em mulheres não grávidas, as características predominantes da COVID-19 na gravidez são: febre, tosse, dispneia e linfopenia (diminuição dos linfócitos observados no hemograma).
Há relatos de casos de parto prematuro em mulheres com COVID-19, mas não está claro se todos esses partos foram prematuros por indicação médica ou se alguns eram espontâneos. Os partos induzidos por razões médicas maternas foram predominantemente relacionados à infecção viral; em pelo menos um caso houve evidências de comprometimento fetal e ruptura prematura das membranas anteparto [ ].
Efeito sobre o bebê
Existe um risco teórico de transmissão vertical, semelhante a outra doenças transmitidas por outros corona vírus. Existe um receptor na placenta (ACE2) que apresenta uma afinidade semelhante entre SARS-CoV-1 e SARS-CoV-2 (COVID-19) [ ].
Evidências emergentes sugerem, ainda que fracamente, que a transmissão de uma mulher para seu bebê durante a gravidez ou o nascimento (transmissão vertical) é possível. Houve dois relatos caso em que isso parece provável, mas de maneira reconfortante, os bebês receberam alta do hospital e estão bem [ , ].
Contudo, não houve casos confirmados de transmissão vertical entre 46 outros neonatos [ , , , , , , ] nascidos de mães infectadas com COVID-19, por evidências que demostraram a ausência de vírus isolados no líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, swab de leite materno e da garganta dos bebês em um subconjunto desses pacientes [xiii]
Em uma outra publicação foram avaliados os resultados relatados na literatura de 55 gestantes infectadas com COVID-19 e 46 neonatos, sem evidência definida de transmissão vertical. Alterações fisiológicas e mecânicas na gravidez aumentam a suscetibilidade a infecções em geral, principalmente quando o sistema cardiorrespiratório é afetado, e estimulam a rápida progressão para insuficiência respiratória na gravida. Além disso, alterações do sistema imunológico na gravidez deixa a mãe vulnerável a infecções virais. Esses desafios únicos exigem uma abordagem integrada das gestações afetadas pela SARS-CoV-2.
Atualmente não existem dados sugestivos de risco aumentado de aborto ou perda precoce da gravidez em relação à COVID-19. Estudos de casos sobre gravidez precoce com SARS e MERS não demonstram uma relação convincente entre infecção e aumento do risco de aborto ou perda no segundo trimestre [ ].
Como não há evidência suficientemente forte de infecção fetal intrauterina com a COVID-19, é atualmente considerado improvável que haja efeitos congênitos do vírus no desenvolvimento do bebê. Não há evidências atualmente que o vírus seja teratogênico, ou seja, que tenha a capacidade de gerar malformações no feto.
Recentemente foi publicado um relato de caso: em relação à transmissão vertical (transmissão da mãe para o bebê antes do nascimento ou intraparto), evidências recentemente publicadas sugerem a possibilidade da transmissão vertical, embora a proporção de gestações afetadas e o significado para o neonato ainda não tenha sido determinado. Conforme visto anteriormente, os relatos de casos na China sugeriram que não havia evidências de contaminação do líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, esfregaços de orofaringe dos recém nascidos, esfregaços placentários, amostras de fluidos genitais e leite materno de mães infectadas com COVID-19
O novo relatório publicado na quinta-feira, 26 de março de 2020[ ], descreve uma única dupla mãe-bebê no qual o bebê, nascido de uma mãe com COVID-19, apresentava SARS-COV-2 IgM no soro ao nascer. Desde que a IgM não atravessa a barreira placentária, é provável que represente uma resposta imune neonatal à infecção no útero.
IMPORTANTE: As evidências acima são todas baseadas em uma ÚNICA descrição de caso. A situação pode mudar e continuaremos a monitorar resultados. O Reino Unido acaba de iniciar um monitoramento centralizado e em tempo real das mães afetadas e seus bebês através do UKOSS – Obstetric Surveillance System [ ].
Reforçando a orientação da OMS sobre a importância do isolamento social, os novos dados liberados no dia 25 de março pelo CDC sugerem que adultos de todas as idades podem evoluir para a forma grave da COVID-19. Os dados mostram que 20% das mortes registradas nos EUA eram de pessoas com idades entre 20 e 65 anos e 20% das pessoas hospitalizadas nos Estados Unidos tinham entre 20 e 44 anos, conforme relatado pelo Medscape.
Concluindo, as mulheres grávidas representam um grupo especialmente vulnerável em qualquer surto de doença infecciosa devido à sua fisiologia alterada, suscetibilidade a infecções, comprometimento mecânico e alteração da imunidade. A necessidade de salvaguardar o seu bebê aumenta o desafio de gerenciar sua saúde. São necessárias precauções especiais para minimizar a infecção cruzada nos serviços de saúde, onde os prestadores, durante a execução de procedimentos que requerem contato físico próximo, promovem e são expostos à exposição de gotículas e outras secreções, como p. ex., no parto vaginal. Grande parte do manejo obstétrico é baseado em recomendações de consenso e melhores práticas como dados de eficácia clínica. O uso de antivirais e o uso de corticosteroides estão evoluindo. Novos protocolos estão sendo implantados como o uso de plasma extraído de homens que confirmadamente tiveram a COVID-19 e se encontram curados, o uso da hidroxicloroquina, da azitromicina, e o desenvolvimento de vacina específica para o novo corona vírus estão em desenvolvimento.
Mas enquanto não surge um tratamento adequado ou uma vacina eficaz nossas orientações gerais são:
Se você está infectada com o novo Corona vírus, é mais provável que não tenha sintomas ou, na maioria das vezes, uma doença leve; assim sendo, você terá uma recuperação completa. Mas lembre-se que pode você poderá contaminar as pessoas que cuidarão de você.
Se você desenvolver sintomas mais graves ou se sua recuperação for lenta, isso pode ser um sinal de que você está desenvolvendo uma infecção pulmonar mais grave e que necessite de tratamento médico especializado, e nosso conselho permanece:
Se você sentir que seus sintomas estão piorando ou se não estiver melhorando, entre em contato com o seu médico para discutir a melhor conduta.
Dado ao conhecimento limitado atualmente disponível sobre como a COVID-19 poderia afetar a gravidez, e os novos casos de infecção de bebês, os casos relatados de piora acentuada e morte no período pós-parto, considera-se prudente que as mulheres grávidas aumentassem seu distanciamento social para reduzir o risco de infecção. FIQUE EM CASA
Você deve prestar especial atenção e evitar o contato com pessoas que sabidamente tenham a COVID-19 ou aqueles que apresentam sintomas compatíveis com a doença.
Mulheres acima de 28 semanas de gestação devem estar particularmente atentas ao distanciamento social e à minimização do contato com outros indivíduos.
Veja um resumo da reportagem de Luiza Tenente:
• Em 861 cidades, há apenas um ventilador mecânico disponível. A maior parte dos equipamentos está concentrada nas capitais.
• A previsão de um órgão latino-americano é de que, em um cenário de baixo impacto, faltem respiradores no Brasil em 15 dias.
• Os respiradores são os principais equipamentos necessários para o atendimento de casos graves da Covid-19.
• Provavelmente, faltarão profissionais de saúde para trabalhar nas UTIs e operar os respiradores mecânicos.
• Nos casos graves, pacientes com o novo coronavírus têm insuficiência respiratória. Os músculos trabalham mais para garantir a troca gasosa – e, com o esforço excessivo, sobrecarregam o coração.
• O ventilador mecânico trabalhará para auxiliar a respiração e “empurrar” o oxigênio para dentro dos pulmões. Sem o equipamento, um paciente em estado grave pode ter falência de órgãos e morrer.
• Os respiradores são caros. Por isso, universidades federais estão desenvolvendo projetos de aparelhos mais baratos, que possam ser usados em situações de emergência.

Gestantes e puérperas entram no grupo de risco para a covid-19

O Ministério da Saúde incluiu gestantes e puérperas no grupo de risco para o novo coronavírus — ou seja, para o grupo de pessoas que têm mais chance de que a doença evolua para quadros graves. De acordo com informações da pasta, todas as grávidas ou mulheres que deram à luz estão mais suscetíveis aos efeitos da covid-19 por até 45 dias após o parto. Antes, vinham sendo consideradas grupo de risco apenas gestantes de alto risco. Ainda não há estudos conclusivos que comprovem um perigo maior da covid-19 para grávidas e puérperas, mas a inclusão dessas mulheres no grupo de risco levou em consideração a ação de outros coronavírus e vírus gripais já conhecidos e estudados.

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