Ao longo das cinco edições, a CIHPN consolidou-se como espaço de articulação entre ciência, prática clínica e mobilização social, promovendo a produção de materiais técnicos, influenciando políticas públicas, fortalecendo a pauta da violência obstétrica, consolidando redes educativas e garantindo que a humanização do parto e nascimento permanecesse no centro das agendas nacionais e internacionais de saúde materna.
Desde 2000 até 2024, cada conferência contribuiu para a evolução de políticas, práticas e pesquisas, reforçando o diálogo entre sociedade civil, acadêmicos e gestores, promovendo atenção materna mais respeitosa, inclusiva e baseada em evidências.
A história da Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento começou em Fortaleza, de 2 a 4 de novembro de 2000, quando profissionais de saúde, pesquisadores, gestores e ativistas se reuniram para criar um espaço de diálogo e articulação em torno da humanização do parto. Naquele momento, o Brasil enfrentava desafios significativos na atenção obstétrica, com altas taxas de cesarianas e pouca atenção à experiência da mulher. A conferência nasceu para consolidar uma agenda centrada na mulher, promovendo a presença de acompanhantes e uma abordagem biopsicossocial do parto. Entre os parceiros e apoiadores estavam o Ministério da Saúde, a Secretaria de Saúde do Estado do Ceará, universidades locais e organizações não governamentais dedicadas à saúde materno-infantil. O encontro produziu manuais, proceedings e recomendações técnicas que subsidiaram o desenvolvimento do Programa de Humanização do Pré-natal e Nascimento (PHPN) e ajudaram a estabelecer redes colaborativas de trabalho e reflexão acadêmica. O impacto foi profundo, lançando bases conceituais que orientariam programas do SUS nos anos seguintes e fomentando a consolidação da humanização do parto como pauta de atenção prioritária.
Cinco anos depois da primeira edição, a II CIHPN ocorreu no Rio de Janeiro, de 30 de novembro a 3 de dezembro de 2005, no RioCentro, em um momento de consolidação da agenda de humanização. O evento marcou o aprofundamento do modelo holístico de atenção, enfatizando direitos reprodutivos, presença de acompanhantes e práticas baseadas em evidências científicas. Participaram 2.136 pessoas de 15 países, incluindo 111 palestrantes, 24 deles internacionais, refletindo o alcance global da conferência. Entre os patrocinadores estavam o Ministério da Saúde, a Prefeitura do Rio de Janeiro, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a Faculdade de Enfermagem da UERJ. O evento contou ainda com apoio da Associação Brasileira de Enfermeiras Obstétricas e Obstetrizes (Abenfo), da Associação Nacional de Doulas (ANDO) e da Rede Latino-Americana e do Caribe pela Humanização do Parto e Nascimento (Relacahupan). Como produtos, destacaram-se relatórios técnicos, materiais pedagógicos e recomendações sobre a presença de acompanhantes e protocolos humanizados. O impacto da II CIHPN foi decisivo para a institucionalização da pauta da humanização, consolidando práticas e orientações que seriam incorporadas a políticas públicas e ações de formação profissional em todo o país.
A III CIHPN, realizada em Brasília de 26 a 30 de novembro de 2010, surgiu em um contexto de prioridade nacional voltada à redução da morbimortalidade materna e perinatal. O foco do evento incluiu a redução de cesarianas desnecessárias, a valorização da interculturalidade e o enfrentamento da violência institucional na atenção obstétrica. A conferência reuniu delegações nacionais e internacionais, movimentos sociais, universidades, sociedades científicas e pesquisadores de referência, promovendo debates sobre saberes tradicionais, como os das parteiras, e integrando recomendações em políticas públicas. Parceiros e apoiadores incluíram universidades, movimentos sociais, entidades profissionais e instituições de pesquisa. Os produtos dessa edição abrangeram documentos de síntese, recomendações práticas e propostas de integração de perspectivas interculturais nas políticas de atenção materna. O impacto foi relevante: a violência obstétrica ganhou visibilidade como questão pública, estimulando pesquisas, políticas de atenção respeitosa e o fortalecimento de redes acadêmicas e sociais.
A IV CIHPN foi realizada em Brasília, de 26 a 30 de novembro de 2016, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em um momento de maturidade da agenda de humanização. O evento buscou articular movimentos sociais, sociedades científicas, gestores e universidades, discutindo boas práticas, diretrizes nacionais e estratégias de gestão para reduzir cesarianas desnecessárias. Parceiros incluíram a ReHuNa, universidades, entidades científicas e secretarias estaduais e federais de saúde. A conferência produziu atas detalhadas, publicações de painéis de boas práticas e materiais de divulgação técnica. Os impactos foram notáveis: o diálogo entre sociedade civil e sociedades científicas se intensificou, contribuindo para a consolidação de políticas públicas, ampliação do conhecimento técnico e fortalecimento da rede de profissionais comprometidos com práticas humanizadas.
Realizada no campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília, de 24 a 28 de fevereiro de 2024, a V CIHPN ocorreu em formato híbrido, refletindo a necessidade de conectar atores acadêmicos, gestores e redes sociais de forma ampla e acessível. O tema central, “Gestando um mundo mais justo: perspectivas para o futuro da humanização”, abordou direitos reprodutivos, equidade, justiça social, formação de profissionais e gestão de serviços de saúde. O evento contou com parceria institucional da UNB, apoio de conselhos e entidades de saúde e participação de organizações internacionais. Entre os produtos destacaram-se a programação detalhada, webinários preparatórios, eixos temáticos e propostas de articulação intersetorial. Os impactos já observados incluem o fortalecimento das articulações universitárias e a ampliação do debate sobre justiça social na atenção perinatal, com expectativas de desdobramentos significativos em políticas públicas e programas de formação nos próximos anos.
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