Protocolo contra covid em hospital de SP pode separar mãe e bebê após parto

 

Do Universa

Acupuntura, aromaterapia e uma mudança de médico já perto das 34 semanas. A gestação da pequena Estella foi pensada em detalhes para que ela chegasse ao mundo do jeito mais humanizado possível -mesmo que essa aventura ocorresse durante uma pandemia da qual só deverá ouvir falar, um dia, pelos familiares ou pelos livros de história. Não era para menos: Carol Braga, a mãe de Estella, queria que seu último parto fosse assim, ela que já é mãe de três filhos de 1, 3 e 17 anos. Ainda que tudo corresse como o desejado até o fim, Estella resolveu iluminar a vida dos pais mais cedo: em vez das tradicionais 40 semanas, deixou o útero materno com 37 semanas e seis dias de vida.

– Veja mais em https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/07/25/protocolo-contra-covid-em-maternidade-separa-mae-e-bebe-logo-apos-o-parto.htm?cmpid=copiaecola

Nota Oficial de Alerta às mortes maternas associadas à COVID-19 – FEBRASGO

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – FEBRASGO entidade médica que atua no âmbito científico e profissional, congregando e representando os 17 mil ginecologistas e obstetras brasileiros, promovendo educação permanente através de informações confiáveis baseadas em evidências e diretrizes, e valorizando a saúde da mulher, vem a público manifestar preocupação com relação ao número de mortes maternas decorrentes do COVID-19.
Na última semana, uma publicação no International Journal of Gynecology and Obstetrics, utilizando os dados do SIVEP-Gripe, reportou a ocorrência de 124 óbitos maternos no Brasil entre janeiro e 18 de junho de 2020. Esse número de mortes maternas deverá representar um incremento de pelo menos 7% na já elevada razão de mortalidade materna do Brasil no corrente ano. Adicionalmente, esse número de morte materna é 3,5 vezes maior que a soma do número de mortes maternas por COVID-19 reportado em outros países até o momento, o que deve observado com muito cuidado pelas autoridades sanitárias nacionais. O referido artigo aponta ainda potenciais demoras na assistência a essas mulheres, já que 22% dos casos fatais não foram internados em UTI e 14% não receberam nenhum tipo de suporte ventilatório.
Nesse sentido, reforçamos a necessidade de considerar os serviços de atenção ao pré-natal e parto como serviços essenciais e ininterruptos no território brasileiro em todos os níveis de assistência à saúde, e que gestantes e puérperas, por serem grupos de risco para morte por COVID-19, devem ter acesso facilitado a cuidados intensivos e à internação em leitos de UTI.
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Grávidas brasileiras são as que mais morrem por causa da Covid-19

A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores de diversas universidades do país que revela, ainda, o Rio de Janeiro como o estado onde há mais mortes maternas. Entre os problemas estão a falta de diagnóstico precoce e o suporte de saúde durante a pandemia de coronavírus.

Da CBN (acesse para ouvir a matéria de áudio)

O Rio de Janeiro é o estado onde mais grávidas morreram por Covid-19 desde o início da pandemia de coronavírus no Brasil. Apesar disso, as regiões Norte e Nordeste aparecem primeiro no ranking de mortes maternas. O Brasil registra o pior índice de grávidas que perderam a vida em decorrência da covid-19 no mundo.

Os dados são do estudo ‘A tragédia da Covid-19 no Brasil: 124 mortes maternas e ainda contando’, publicado na International Journal of Gynecology and Obstetrics, no último dia 10 de julho. A pesquisa foi realizada por especialistas das Universidades Federais de Campina Grande, São Carlos e Santa Catarina, além de pesquisadores do IMIP e da Unesp.

De 26 de fevereiro até 18 de junho, 124 grávidas ou mulheres no pós-parto morreram no Brasil. O número é 3,4 vezes maior do que o total relatado no mundo. A taxa de mortalidade atual é de quase 13% na população obstétrica brasileira. Os pesquisadores compararam os dados do Ministério da Saúde com a literatura internacional disponível, que tem informações de países como México, Estados Unidos, Reino Unido, Irã e China.

A obstetra Carla Andreucci, professora da UFSCar, é uma das pesquisadoras do estudo. Ela explica que não é possível fazer uma conclusão completa sobre os motivos que levam a essa alta taxa de mortalidade, mas diz que fica evidente a dificuldade da grávida em acessar o sistema de saúde durante a pandemia:

“São dados bem preliminares ainda, mas o que a gente começa a evidenciar é o colapso do sistema de saúde que para as grávidas parece ter um impacto ainda maior. Quer dizer, existe uma demora para ela chegar à assistência, e quando ela chega à assistência, existe uma demora para que essa assistência seja o que ela precisa. Então, se a grávida não está recebendo suporte ventilatório invasivo ou se ela não foi admitida na UTI e morreu, ela provavelmente não teve a assistência que ela precisaria ter. Então isso reflete o colapso do sistema de saúde”.

De acordo com o levantamento, 14,6% das mulheres grávidas com Covid-19 não receberam nenhum suporte ventilatório, 22,6% não foram admitidas em UTI e apenas 64% receberam ventilação mecânica. Os problemas principais são a demora no diagnóstico, ou seja, a falta de testagem, e também o acesso aos cuidados após a confirmação da doença. Além da estrutura de saúde, os pesquisadores acreditam que o número de grávidas mortas durante a pandemia no Brasil se difere de outros países por causa das condições da população mais vulnerável socialmente, com deficiências crônicas de acesso ao cuidado intensivo.

Mesmo sem a informação constar neste estudo, a médica Carla Andreucci revela que há uma relação entre as mortes e condições étnico-sociais: grávidas pretas e com renda menor são as que mais morrem no país.

Para a pesquisadora, o potencial de cura da mulher grávida infectada pelo coronavírus é potencialmente maior do que outras pessoas do grupo de risco. “Muitas dessas pesquisadoras envolvidas neste projeto são da linha de frente (do combate ao coronavírus). O relato delas é de que elas (as grávidas) melhoram muito bem, as grávidas, elas têm potencial de cura muito alto. Que o problema parece ser a demora no diagnóstico e a falta de acesso aos recursos que ela precisa ter”, afirma Andreucci.

O levantamento destaca, ainda, que é preciso melhorar o atendimento pré-natal, identificar rapidamente a doença e garantir o acesso ao tratamento depois do diagnóstico.

Saúde das Mulheres em contexto de pandemia: plenária virtual do CNS reunirá controle social dos estados e municípios

A atividade terá transmissão ao vivo, nesta quarta (15/07), às 14h, com participação online de representantes das Comissões Intersetoriais de Saúde da Mulher nos estados e municípios

A pandemia do novo coronavírus tem grande impacto na saúde e no bem-estar de muitos grupos vulnerabilizados. As mulheres estão entre as mais afetadas. Isso porque elas são mais expostas ao risco de contaminação e às vulnerabilidades sociais como desemprego, violência, falta de acesso aos serviços de saúde e aumento da pobreza. Com esse foco, a Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (Cismu), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), realizará nesta quarta-feira (15/07), às 14h, a Plenária pela Vida das Mulheres. A atividade terá transmissão ao vivo pela página do facebook da União Brasileira de Mulheres (UBM).

A plenária terá a o desafio de identificar caminhos que garantam às mulheres o acesso seguro aos serviços de saúde, às políticas sociais e à uma vida sem violência para superar a pandemia. Para isso, contará com a participação da médica sanitarista, diretora-médica do Programa Mundial Aids Healthcare Foundation e consultora da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Adele Benzaquem; da médica e professora sênior do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP), Elisabeth Meloni Vieira; e da representante do Movimento Mulheres Negras Decidem e Agenda Jovem na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fabiana Pinto.

 

A atividade será conduzida pela conselheira nacional de Saúde, Vanja dos Santos  que é representante da UBM e coordenadora da Cismu do CNS. Também contará com a participação do presidente do CNS, Fernando Pigatto, de conselheiras nacionais de Saúde, inclusive suplentes, mesa diretora, integrantes da Cismu, coordenadoras(es) das comissões do CNS e coordenadoras(res) das Cismu dos conselhos estaduais e municipais.

 

Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (Cismu)

A Cismu acompanha as políticas de saúde sob a perspectiva da atenção às mulheres. Atua na garantia às mulheres do respeito aos direitos humanos, direitos sexuais, direitos reprodutivos e sua autonomia como cidadãs na execução dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). A comissão luta pela implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher a partir das deliberações da 2ª Conferência de Saúde das Mulheres (2ªCNSMu), realizada em agosto de 2018. A Cismu é composta por conselheiros e conselheiras nacionais de saúde e representantes de entidades que atuam na temática relativas à mulher.

Mais informações

O quê? Plenária pela Vida das Mulheres

Quando? quarta-feira (15/07), das 14h às 16h

Onde? página do facebook da UBM

Como? acessar os canais no dia e horário marcado

Ascom CNS

Foto:  Martin/istock

Transplacental transmission of SARS-CoV-2 infection

Transplacental transmission of SARS-CoV-2 infection

Publicado originamente no Nature (em inglês). DOI: 10.1038/s41467-020-17436-6

Abstract

SARS-CoV-2 outbreak is the first pandemic of the century. SARS-CoV-2 infection is transmitted through droplets; other transmission routes are hypothesized but not confirmed. So far, it is unclear whether and how SARS-CoV-2 can be transmitted from the mother to the fetus. We demonstrate the transplacental transmission of SARS-CoV-2 in a neonate born to a mother infected in the last trimester and presenting with neurological compromise. The transmission is confirmed by comprehensive virological and pathological investigations. In detail, SARS-CoV-2 causes: (1) maternal viremia, (2) placental infection demonstrated by immunohistochemistry and very high viral load; placental inflammation, as shown by histological examination and immunohistochemistry, and (3) neonatal viremia following placental infection. The neonate is studied clinically, through imaging, and followed up. The neonate presented with neurological manifestations, similar to those described in adult patients.

Introduction

SARS-CoV-2 infection causes the new coronavirus disease (COVID-19) and is mainly transmitted through droplets, but other transmission routes have been hypothesized. Some cases of perinatal transmission have been described1,2,3,4,5,6, but it is unclear if these occurred via the transplacental or the transcervical route or through environmental exposure. It is important to clarify whether and how SARS-CoV-2 reaches the fetus, so as to prevent neonatal infection, optimize pregnancy management and eventually better understand SARS-CoV-2 biology. Here we present a comprehensive case study demonstrating the transplacental transmission of SARS-CoV-2 with clinical manifestation in the neonate, consistent with neurological signs and symptoms of COVID-19.

Results

Case study

A 23-year-old, gravida 1, para 0 was admitted to our university hospital in March 2020 at 35+2 weeks of gestation with fever (38.6 °C) and severe cough and abundant expectoration since 2 days before hospitalisation. Real-time polymerase chain reaction (RT-PCR) was performed as described in the “Methods” below: both the E and S genes of SARS-CoV-2 were detected in blood, and in nasopharyngeal and vaginal swabs. Pregnancy was uneventful and all the ultrasound examinations and routine tests were normal until the diagnosis of COVID-19. Thrombocytopenia (54 × 109/L), lymphopenia (0.54 × 109/L), prolonged APTT (60 s), transaminitis (AST 81 IU/L; ALT 41 IU/L), elevated C-reactive protein (37 mg/L) and ferritin (431 μg/L) were observed upon hospital admission. Three days after admission a category III-fetal heart rate tracing7 (Fig. 1) was observed and therefore category II-cesarean section (i.e., fetal compromise; not immediately life-threatening, https://www.rcog.org.uk/globalassets/documents/guidelines/goodpractice11classificationofurgency.pdf) was performed, with intact amniotic membranes, in full isolation and under general anesthesia due to maternal respiratory symptoms. Clear amniotic fluid was collected prior to rupture of membranes, during cesarean section and tested positive for both the E and S genes of SARS-CoV-2. Delayed cord clamping was not performed as its effect on SARS-CoV-2 transmission is unknown. The woman remained hospitalized for surveillance of her clinical conditions and finally she was discharged in good conditions, 6 days after delivery.

Fig. 1: Illustrative snapshot of fetal heart rate tracing.
figure1

Tachycardia, absent baseline variability, absence of accelerations with recurrent prolonged and late decelerations. These findings are highly suggestive of a pathological category III fetal heart rate tracing7, which is strongly associated with adverse neonatal outcome. This cardiotogram was recorded 26 min before the cesarean section.

A male neonate was delivered (gestational age 35+5 weeks; birth weight 2540 g). Apgar scores were 4 (in detail: heart rate = 1, respiratory activity = 1, skin color = 1, muscular tonus = 1, remaining items were coded zero), 2 (in detail: skin color = 1, muscular tonus = 1, remaining items were coded zero) and 7 (in detail: heart rate = 2, respiratory activity = 2, skin color = 2, muscular tonus = 1) at 1, 5 and 10 min, respectively. Neonatal resuscitation was provided according to current international guidelines8 (face mask-delivered non-invasive ventilation from birth until 5 min of life and then intubation and invasive ventilation with inspired oxygen fraction titrated up to 0.30; monitoring included ECG, end-tidal side-stream CO2 measurements, peripheral oxygen saturation and perfusion index). The neonate was eventually transferred in full isolation to the neonatal intensive care unit (NICU) in a negative pressure room. Cord blood gas analysis showed normal pH and lactate. The neonate did not receive any sedative or analgesic drug and was monitored according to our routine NICU protocols for post-resuscitation care: Sarnat score, point-of-care echocardiography and lung ultrasound9 were normal upon NICU admission. Vital parameters were always normal and the baby was extubated after ~6 h. Before the extubation, blood was drawn for capillary blood gas analysis (at 1.5 h of life) and routine blood tests, which yielded normal values. Moreover, before the extubation, blood and non-bronchoscopic bronchoalveolar lavage fluid were collected for RT-PCR and both were positive for the E and S genes of SARS-CoV-2. Lavage was performed using a standardized procedure10 as detailed below. Blood culture was negative for bacteria or fungi. Nasopharyngeal and rectal swabs were first collected after having cleaned the baby at 1 h of life, and then repeated at 3 and 18 days of postnatal age: they were tested with RT-PCR and were all positive for the two SARS-CoV-2 genes. Routine blood tests (including troponin, liver and kidney function) were repeated on the second day of life and resulted normal. Feeding was provided exclusively using formula milk.

On the third day of life, the neonate suddenly presented with irritability, poor feeding, axial hypertonia and opisthotonos: cerebrospinal fluid (CSF) was negative for SARS-CoV-2, bacteria, fungi, enteroviruses, herpes simplex virus 1 and 2, showed normal glycorrhachia albeit with 300 leukocytes/mm3 and slightly raised proteins (1.49 g/L). Blood was taken at the same time and the culture was sterile. Cerebral ultrasound and EEG were also normal. There were no signs suspected for metabolic diseases. Symptoms improved slowly over 3 days and a second CSF sample was normal on the fifth day of life, but mild hypotonia and feeding difficulty persisted. Main laboratory findings are resumed in Table 1. Magnetic resonance imaging at 11 days of life showed bilateral gliosis of the deep white periventricular and subcortical matter, with slightly left predominance (Fig. 2). The neonate did not receive antivirals or any other specific treatment, gradually recovered and was finally discharged from hospital after 18 days. Follow-up at almost 2 months of life showed a further improved neurological examination (improved hypertonia, normal motricity) and magnetic resonance imaging (reduced white matter injury); growth and rest of clinical exam were normal.

Table 1 Main laboratory findings in the neonate.
Fig. 2: Cerebral MRI performed at 11 days of life.
figure2

ab and cd T1 and diffusion-weighted sequences, respectively. Images are taken at two different levels and show hyperintensities of the periventricular and subcortical frontal or parietal white matter (arrows).

Virology and pathology

RT-PCR on the placenta was positive for both SARS-CoV-2 genes. Figure 3 shows all RT-PCR results obtained in different maternal and neonatal specimens: viral load was much higher in placental tissue, than in amniotic fluid and maternal or neonatal blood.

Fig. 3: Real-time polymerase chain reaction results.
figure3

ab The E and S genes of SARS-CoV-2, respectively, for maternal and neonatal samples (X and Y axes represent the amount of amplified RNA and the number of cycles, respectively; the earlier the signal is detected, the lowest is the number of cycles and the higher the viral load is). c The viral load for each sample (expressed as Log copies/million of cells for the placenta and as Log copies/mL for all other specimens). All maternal samples were obtained right before the delivery or during C-section; newborn samples are listed chronologically and were obtained from the first to the third day of life, except for the last nasopharyngeal swab (obtained at 18 days of postnatal age). Colored lines represent the results of RT-PCR assay for each sample. The deep orange line represents the positive control, which is a SARS-CoV-2 culture supernatant (more details in “Methods”). Nasopharyngeal swabs at 1, 3 and 18 day of life are represented by the light orange, gray and green curves, respectively. Viral load in BAL fluidis not shown. DOL days of life, M maternal samples, Nb newborn samples.

Placental histological examination was performed as described in “Methods” below and revealed diffuse peri-villous fibrin deposition with infarction and acute and chronic intervillositis. An intense cytoplasmic positivity of peri-villous trophoblastic cells was diffusely observed performing immunostaining with antibody against SARS-CoV-2 N-protein. No other pathogen agent was detected on special stains and immunohistochemistry. Figures 4 and 5 depict the results of the placental gross and microscopic examination, as well as immunohistochemistry.

Fig. 4: Gross and microscopic examination of the placenta.
figure4

a The macroscopic lesions of perivillous fibrin deposition with infarction, as irregular strands of pale yellow-white induration (arrow). b Microscopic lesions of intervillositis characterized by an infiltrate of the intervillous spaces made of neutrophils and histiocytes (arrow) (HES stain, original magnification ×400). c The intervillositis with several CD68-positive histiocytes (arrow); neutrophils are negative with this anti-macrophage antibody (anti-CD68 immunohistochemistry, original magnification ×400).

Fig. 5: Placental immunostaining for SARS-CoV-2 N-protein (anti-N immunohistochemistry, original magnification ×800).
figure5

a The intense brown cytoplasmic positivity of peri-villous trophoblastic cells in the placenta of our case (arrows). bc Two negative controls (primary antibody, two SARS-CoV-2 negative placentas).

Discussion

We report a proven case of transplacental transmission of SARS-CoV-2 from a pregnant woman affected by COVID-19 during late pregnancy to her offspring. Other cases of potential perinatal transmission have recently been described, but presented several unaddressed issues. For instance, some failed to detect SARS-CoV-2 in neonates or only reported the presence of specific antibodies1,2,4; others found the virus in the newborn samples but the transmission route was not clear as placenta, amniotic fluid and maternal or newborn blood were not systematically tested in every mother-infant pair3,5,6,11,12.

A classification for the case definition of SARS-CoV-2 infection in pregnant women, fetuses and neonates has recently been released and we suggest to follow it to characterize cases of potential perinatal SARS-CoV-2 transmission. According to this classification system, a neonatal congenital infection is considered proven if the virus is detected in the amniotic fluid collected prior to the rupture of membranes or in blood drawn early in life, so our case fully qualifies as congenitally transmitted SARS-CoV-2 infection, while the aforementioned cases would be classified as only possible or even unlikely13. Another recent report describes a case with similar placental findings, but it has been classified only as probable case of congenital SARS-CoV-2 infection, because cord and newborn blood could have not been tested14.

Both “E” and “S” gene of SARS-CoV-2 were found in each and every specimen, thus they were considered all positive, according to the European Centre for Disease Control recommendations (https://www.ecdc.europa.eu/en/all-topics-z/coronavirus/threats-and-outbreaks/covid-19/laboratory-support/questions). Of note, the viral load is much higher in the placental tissue than in amniotic fluid or maternal blood: this suggests the presence of the virus in placental cells, which is consistent with findings of inflammation seen at the histological examination. Finally, the RT-PCR curves of neonatal nasopharyngeal swabs at 3 and 18 day of life are higher than that at the first day (while the baby was in full isolation in a negative pressure room): this is also another confirmation that we observed an actual neonatal infection, rather than a contamination. Thus, these findings suggest that: (1) maternal viremia occurred and the virus reached the placenta as demonstrated by immunohistochemistry; (2) the virus is causing a significant inflammatory reaction as demonstrated by the very high viral load, the histological examination and the immunohistochemistry; (3) neonatal viremia occurred following placental infection. Our findings are also consistent with a case study describing the presence of virions in placental tissue, although this did not report neither placental inflammation, nor fetal/neonatal infection15.

The placenta showed signs of acute and chronic intervillous inflammation consistent with the severe systemic maternal inflammatory status triggered by SARS-CoV-2 infection. As RT-PCR on the placental tissue was positive for SARS-CoV-2, and both maternal and neonatal blood samples were also positive, the transmission clearly occurred through the placenta. Interestingly, placentas from women affected by SARS-CoV-1 presented similar pathological findings of intervillositis, with intervillous fibrin deposition16. Angiotensin-converting enzyme 2 (ACE2) is known to be the receptor of SARS-CoV-2 and is highly expressed in placental tissues17. Animal data show that ACE2 expression changes in fetal/neonatal tissues over time and reaches a peak between the end of gestation and the first days of postnatal life17. The combination of these data and our findings confirms that transplacental transmission is indeed possible in the last weeks of pregnancy, although we cannot exclude a possible transmission and fetal consequences earlier during the pregnancy, as there are no definite literature data available yet.

Interestingly, we described a case of congenital infection associated with neurological manifestations following neonatal viremia. Suspected neonatal SARS-CoV-2 infections presented with non-specific symptoms4 or pneumonia3, while neurological symptoms are commonly observed in adult patients, especially due to the inflammatory response18,19. Early neurological manifestations were also observed in another neonate born to SARS-CoV-2 positive mother, although vertical transmission was not fully investigated12. Conversely, after the viremia, our case clearly presented neurological symptoms and inflammatory findings in CSF. There was no other viral or bacterial infection and all other neonatal disorders potentially causing these clinical manifestations were excluded. Neuroimaging consistently indicated white matter injury, which can be caused by the vascular inflammation induced by SARS-CoV-2 infection, as similar images have been anecdotally found in adult patients20,21.

In conclusion, we have demonstrated that the transplacental transmission of SARS-CoV-2 infection is possible during the last weeks of pregnancy. Transplacental transmission may cause placental inflammation and neonatal viremia. Neurological symptoms due to cerebral vasculitis may also be associated.

Methods

Patient sampling

Biological samples to be tested by RT-PCR were obtained and prepared as follows. Nasopharyngeal and vaginal swabs were obtained following US Center for Disease Control and Prevention guidelines (https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/hcp/inpatient-obstetric-healthcare-guidance.htmlhttps://www.cdc.gov/groupbstrep/downloads/gbs_swab_sheet21.pdf). A sample of placental tissues was taken from the chorionic side and crushed in 400 mL of RNAase-DNAase-free water; 1 mL of blood and swabs were placed in Virocult® viral transport media (Sigma, St. Louis, MI, USA). Non-bronchoscopic bronchoalveolar lavage (BAL) was performed following a well-known standardized technique10: in detail, the neonate was placed supine with the head turned to the right so that the left lung would be predominantly sampled. Normal saline (1 mL/kg, 37 °C) was instilled into the endotracheal tube through a Y-piece. After three ventilator cycles, the suction catheter was gently inserted 0.5 cm beyond the tube tip, and the airway fluid was aspirated into a sterile specimen trap (BALF Trap; Vigon, Ecouen, France) with 50 mmHg of negative pressure. This procedure was repeated with the head turned to the left, so that the right lung would be predominantly sampled. This procedure respects European Respiratory Society advices for pediatric and neonatal BAL22. During the procedure, the patient was never disconnected from the ventilator, the inspired oxygen fraction was 0.25 and there was no desaturation or bradycardia. All specimens were kept at +4 °C and tested within 24 h.

Real-time polymerase chain reaction (RT-PCR)

Viral RNA was extracted from 200 µL clinical samples with the NucliSENS® easyMag® (BioMérieux, Craponne, France) and eluted in 100 µL. The RealStar® SARS-CoV-2 RT-PCR Kit 1.0 (Altona Diagnostics GmbH, Hamburg, Germany) targeting the E gene (specific for lineage B-betacoronavirus) and the S gene (specific for SARS-CoV-2) was used following the manufacturer’s recommendations (https://altona-diagnostics.com/en/products/reagents-140/reagents/realstar-real-time-pcr-reagents/realstar-sars-cov-2-rt-pcr-kit-ruo.html). The assay includes a heterologous amplification system (internal positive control) to identify possible RT-PCR inhibition and to confirm the integrity of the reagents of the kit. The positive control is a SARS-CoV-2 culture supernatant provided by the kit manufacturer. Thermal cycling was performed at 55 °C for 20 min for reverse transcription, followed by 95 °C for 2 min and then 45 cycles of 95 °C for 15 s, 55 °C for 45 s, 72 °C for 15 s with an Applied Biosystems ViiA7 instrument (Applied Biosystems, Thermo Fisher, Waltham, MA, USA). A cycle threshold value less than 40 is interpreted as positive for SARS-CoV-2 RNA. Our technique resulted to have an extremely low limit of detection (LOD = 1200 cp/mL (12 cp/rxn)). Reproducibility and inter-assay agreement were 100% both for negative and for positive tests, against two other common techniques23.

Placental examination

Placental sampling, gross and microscopic examination were performed according to the Amsterdam Consensus statement24. The placenta was fixed in 4% buffered formalin and samples were paraffin embedded. Staining methods performed on 3–5 µm thick sections were: haemalun eosin saffran, periodic acid schiff and Gomori-Grocott stains. Immunohistochemistry with peroxydase detection and hemalun counterstain was performed in a Leica Bond III automat using the Bond Polymer Refine Detection kit (Leica DS9800) after heat pretreatment at pH6 or 9 depending on the monoclonal antibodies tested: CD68 (Dako PG-M1, 1:200), CD163 (Leica 10D6, 1:200), CD20 (Dako L26, 1:400), CD3 (Dako F7.2.38, 1:50), CD5 (Novocastra 4C7, 1:50), CMV (Dako CCH2 + DDG9, 1:1), Parvo virus (AbcVs, Abc10-P038), SARS-CoV-2 (Abclonal, rabbit pAB, 2019-nCoV N Protein, 1:2400). Negative controls for SARS-CoV-2 immunohistochemistry were done: control of the polyclonal rabbit primary antibody, SARS-CoV-2 negative placental specimen with similar pre-analytic conditions of formalin fixation.

Ethics declaration

Written informed consent was obtained from the woman for the publication of this report. According to French regulation, institutional review board (IRB) approval is not required for case reports, provided that patients’ written consent is obtained. The French Ethical Committee for the Research in Obstetrics and Gynecology reviewed the work and confirmed that the IRB approval was unnecessary. The case study was performed in agreement with principles of the Declaration of Helsinki and CARE guidelines25.

Reporting summary

Further information on research design is available in the Nature Research Reporting Summary linked to this article.

Data availability

All data generated or analyzed during this study are included in this published article.

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Transplacental transmission of SARS-CoV-2 infection
Author: Alexandre J. Vivanti et al
Publication: Nature Communications
Publisher: Springer Nature
Date: Jul 14, 2020

Estudo aponta que o novo coronavírus mata mais grávidas no Brasil

O segundo colocado neste macabro ranking são os Estados Unidos, com 16 óbitos


(foto: Divulgação/Prefeitura de Araraquara)
(foto: Divulgação/Prefeitura de Araraquara)

A grande maioria das grávidas mortas por covid-19 em todo o mundo é brasileira. De acordo com estudo publicado na International Journal of Gynecology and Obstetrics, das 160 mortes registradas entre o início da epidemia e 18 de junho nada menos que 124 ocorreram no Brasil. O segundo colocado neste macabro ranking são os Estados Unidos, com 16 óbitos.

“São 188 territórios afetados pelo coronavírus em todo o mundo e o Brasil tem mais mortes maternas do que a soma de todos esses países”, resumiu a obstetra Melania Amorim, professora da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, e uma das autoras do estudo. Para a pesquisadora, falhas graves no atendimento das gestantes brasileiras explicam o número tão elevado.
Os dados alarmantes foram noticiados inicialmente no blog sobre maternidade da jornalista Rita Lisauskas na última terça-feira. O estudo, publicado no último dia 10, é assinado também por especialistas da Unesp, UFSCAR, IMIP e UFSC.
Chamado de “A tragédia da Covid-19 no Brasil”, o trabalho foi feito com base em dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Das 978 grávidas ou mulheres no pós-parto diagnosticadas com covid-19 entre os dias 26 de fevereiro e 18 de junho no País, 124 morreram – um número 3,4 vezes superior ao total de mortes maternas relacionadas ao novo coronavírus em todo o mundo no mesmo período.
Os números indicam também que a taxa de letalidade da doença entre as grávidas no Brasil é de 12,7%, ou seja, a mais alta do mundo. Para se ter ideia, nos Estados Unidos, no mesmo período, 8 mil gestantes foram diagnosticadas com o novo coronavírus. Deste total, 16 morreram, uma grande diferença.
“Quando os primeiros casos surgiram no Brasil, começamos a pensar se nossa população seria diferente, mais suscetível”, explicou Melania. “O que constatamos foi que houve algumas mortes com fatores de risco associados, como problemas cardiovasculares e obesidade, mas houve mortes entre grávidas completamente saudáveis.”
Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Agnaldo Lopes, o número de mortes de grávidas no Brasil por covid-19 é muito significativo. “Há várias lacunas de conhecimento ainda sobre a covid-19 e uma delas é a relação entre a doença e a gravidez”, disse.

Vítima

A paulista de Macatuba Larissa Blanco, 23 anos, grávida de gêmeos, foi diagnosticada com a covid, no dia 12 de junho. A jovem gestante apresentou sintomas de gripe, mas só precisou ser internada no dia 26.
No dia seguinte à noite, ela foi transferida para um hospital particular de Botucatu e entrou em trabalho de parto. Em uma cesariana de emergência, nasceram com saúde, livres do vírus, os pequenos Guilherme e Gustavo, mas a mãe não resistiu. “Os dois pequenos vão precisar muito de mim e eles vão ouvir histórias e saber da mamãe que tiveram”, disse o marido, o inspetor técnico de qualidade Diego Rodrigues, de 24 anos.
Os médicos disseram que Larissa teve uma hemorragia e precisou de transfusão de sangue. Por causa da covid-19, o corpo não respondeu bem à necessidade de conter a hemorragia e ela sofreu uma parada cardíaca. (Colaborou José Maria Tomazela)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Coronavírus: falta de pré-natal e vacinas matará milhares de mães e crianças, alerta relatório

Barriga de grávida, que segura dois sapatinhos de bebê
Centenas de milhares de mortes de bebês e mães podem acontecer como consequência da pandemia do coronavírus nos serviços de saúde. GETTY IMAGES

“A covid-19 está tornando uma situação ruim pior” para a saúde de mulheres, mães e crianças, resume o texto de um relatório publicado nesta segunda-feira (13) pelo painel independente das Nações Unidas para o tema, chamado Every Woman, Every Child, Every Adolescent (“Toda mulher, toda criança, todo adolescente”).

O relatório chega a estimar, em números, o impacto múltiplo da pandemia do coronavírus na saúde delas — que vai desde o acesso a contraceptivos à merenda de escolas, agora fechadas por imposição do isolamento social.

Se em 2018 5,3 milhões de crianças com menos de cinco anos morreram globalmente, calcula-se que o contexto da pandemia possa tirar a vida de mais 400 mil delas por conta de interrupções e problemas nos serviços de saúde.

Em relação à mortalidade materna, 295 mil mulheres morreram em 2017 em todo o mundo por causas ligadas à gravidez, como hemorragia e sepse. Os efeitos da pandemia podem fazer novas 24,4 mil mortes assim.

O documento destaca ainda que:

  • 13,5 milhões de crianças deixaram de ser vacinadas contra doenças que podem ser fatais;
  • Mais de 20 países já relataram escassez de vacinas causada pela pandemia;
  • Há interrupção no fornecimento de contraceptivos, podendo levar a 15 milhões de gestações indesejadas em países de baixa e média renda;
  • De 42 a 66 milhões de crianças correm o risco de cair na pobreza extrema;
  • Cerca de 370 milhões de crianças estão deixando de receber refeições na escola;
  • Mulheres têm particularidades que as colocam vulneráveis à depressão e ansiedade;
  • Estima-se que pode haver mais 15 milhões de atos violentos contra meninas e mulheres a cada três meses de confinamento; em alguns países, chamadas de emergência aumentaram 30%.

“Sistemas de saúde em países ricos e pobres estão enfrentando grandes dificuldades (na pandemia), e a atenção a mães, recém-nascidos, crianças e adolescentes está se esfacelando”, afirmou em comunicado à imprensa a médica Elizabeth Mason, co-presidente do painel.

“Campanhas de imunização estão sendo interrompidas e os profissionais de saúde estão sendo desviados da maternidade para as unidades de tratamento para a covid-19.”

Emergências de saúde anteriores ensinaram o quanto mulheres e crianças ficam particularmente vulneráveis neste cenário — no surto de ebola no Oeste da África entre 2014 e 2016, por exemplo, a mortalidade materna cresceu 75% durante a epidemia, e o número de mulheres parindo em unidades de saúde e hospitais caiu em 30%.

Desde 2000, o mundo estava assistindo a melhoras importantes, mesmo nos países mais pobres — como uma queda generalizada considerável na mortalidade materna e de crianças menores de 5 anos, diz o documento.

“Estamos em uma situação onde décadas de progresso podem ser facilmente revertidas”, lamenta Joy Phumaphi, membro do painel e ex-assistente da direção-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com isso, ficou ainda mais preocupante o cumprimento de metas da Agenda 2030 das Nações Unidas, que engloba diversos temas e tem vários pontos sobre a saúde das mulheres e crianças. Antes da pandemia, a implementação destes pontos já era considerada atrasada.

Brasil: preocupação com tendência de aumento da mortalidade

Profissional de saúde com face shield fala com mãe e filho de costas, todos sentados em consultório
Remanejamento de leitos e equipes para tratamento da covid-19 deixa mães e bebês vulneráveis, alerta painel da ONU. GETTY IMAGES

O relatório traz classificações de 193 países em sete indicadores, avaliando-os como “superado” (metas globais ou do país em particular superadas); “avançado”; “intermediário”; e algo como “correndo atrás” (“catching up”). Os dados são em sua maioria anteriores à covid-19, variando entre 2015 e 2018.

O Brasil aparece com cinco indicadores “superados”: índice de mortalidade materna; taxa de crianças natimortas; mortalidade infantil; mortalidade abaixo dos cinco anos; e registro civil de óbitos.

No indicador mortalidade adolescente (entre 10-19 anos, a cada 100 mil habitantes), o país aparece como “intermediário”; e, no registro civil de nascimento, “avançado”.

Professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Simone Diniz ressalta no entanto que os dados do relatório global possivelmente não captam tendências preocupantes observadas em anos mais recentes.

Um relatório de 2018 da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) indicou, por exemplo, que após um período consistente de declínio na mortalidade no primeiro ano de vida, 2016 já apresentou uma reversão desta queda.

Em relação a 2015, houve aumento em 2016 da mortalidade pós-neonatal (dos 28 aos 364 dias de vida) em todas as regiões do país, com exceção do Sul. O maior aumento foi observado no Nordeste, onde o coeficiente de mortalidade pós-neonatal passou de 3,8 por 1.000 nascidos vivos em 2015 para 4,2 em 2016.

“Enquanto a mortalidade perinatal é mais influenciada pela assistência em saúde, a pós-neonatal é mais sensível às condições socioeconômicas (da família). Observamos uma tendência do aumento da proporção das mortes pós-neonatal, o que vai ao encontro da crise econômica, queda de renda, aumento do desemprego e desigualdade observados nos últimos anos no país”, explica Diniz, integrante do Grupo Temático Gênero e Saúde da Abrasco.

A pesquisadora destaca que, no contexto atual de pandemia, o país está assistindo à volta de situações que tinham ficado para trás, como por exemplo a não recomendada “alta” — ou liberação — de consultas de pré-natal e a peregrinação por leitos, transferidos para tratamento de covid-19, no trabalho de parto.

O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Imunizações também estão preocupados com a queda da cobertura vacinal em meio à emergência da covid-19 — por conta disso, a sociedade lançou a campanha “Vacinação em dia, mesmo na pandemia” com orientações para a imunização neste período.

Outros desdobramentos da pandemia

Adolescente segura duas cartelas de pílulas
Atendimento em saúde também foi afetado pela pandemia. GETTY IMAGES

Não é só a dificuldade de acesso a vacinas durante a pandemia que preocupa.

Mulheres já estão sendo afetadas pelo fechamento de consultórios e postos de atendimento móvel sobre saúde reprodutiva, diz o relatório. Isto afeta o acesso a métodos contraceptivos, testes de HIV e assistência pós-aborto — onde a interrupção à gravidez é permitida.

Também há “preocupação com a saúde, ética e direitos diante de medidas restritivas para evitar a transmissão da covid-19, como mulheres sendo solicitadas a parir sem sua família por perto, e uma negação à autonomia delas na tomada de decisões; ou intervenções médicas como cesarianas e partos induzidos sem indicação baseada em evidências”, segundo afirma o documento.

Pelo impacto econômico e pela descontinuidade de programas de assistência, 2 milhões de casos adicionais de mutilação genital feminina podem ocorrer no mundo, assim como 13 milhões de casamentos de crianças nos próximos 10 anos.

Mães da quarentena relatam alívio e esperança após nascimento dos filhos

Mães que venceram a covid-19 encontraram forças e renovam a esperança com o nascimento dos filhos. O fato de ver que os bebês nasceram saudáveis, sem o vírus, trouxe também um motivo para sorrir no meio dessa pandemia


Benita começou a sentir os sintomas de covid-19 no sétimo mês de gravidez(foto: Arquivo Pessoal)
Benita começou a sentir os sintomas de covid-19 no sétimo mês de gravidez(foto: Arquivo Pessoal)

Em meio a pandemia, o nascimento de uma criança representa também o sentimento de esperança para muitas mães que, além de ter enfrentado a ansiedade da gravidez, também se protegeram da covid-19. Entre as emoções da gestação, da insegurança em relação a doença, vem o alívio ao ouvir o choro na sala de parto e saber que o bebê está saudável. Essa foi a sensação de, aproximadamente, 49 gestantes que deram a luz na rede pública de saúde do Distrito Federal, durante os meses de março até a primeira quinzena de junho.

Com a pequena Olívia no colo, a artesã Benita de Oliveira Carneiro, de 32 anos, conta que, durante a gestação, o maior medo que ela teve foi de a neném nascer prematura. “Vi muitos casos de mãe tendo o bebê antes do tempo, e isso me preocupou bastante”, relata. A moradora do Guará foi diagnosticada com a doença. “Quando recebi o resultado, já estava recuperada. Comecei a sentir os sintomas no sétimo mês de gravidez e, apenas no oitavo, quando realizei um segundo exame, veio a confirmação do vírus”, explica.

Por estar agora em uma fase que não há mais transmissibilidade, Benita respira com mais alívio. “Agora é redobrar os cuidados para que ela não pegue”, pontua. Além de Benita, os outros três filhos também apresentaram sintomas leves da covid-19. Atualmente, todos estão bem e podem curtir a irmã que nasceu no último dia 2. Mãe e filha receberam alta do Hospital Regional da Asa Norte no último sábado.

A chegada de Maria Eduarda também foi celebrada com bastante alegria por Antônia Valneide Martins, 31. A dona de casa conta que o nascimento da filha foi o que deu força para a família que perderam quatro familiares pela doença. “A sensação é horrível. Saber o quanto cruel é esse vírus e ver pessoas próximas morrerem. A gente sempre acha que não vai acontecer com a gente, até que acontece”, relata.

Por ter pessoas próximas que testaram positivo, Antônia precisou fazer o exame para a detecção da covid-19. O resultado saiu no dia de ganhar a bebê, e, com o acompanhamento no Hospital Regional da Asa Norte (Hran) — unidade de referência para pacientes com o novo coronavírus — ela deu entrada na maternidade do hospital em 30 de maio. “Foi um baque saber que estava com a doença, nunca imaginei que ia pegar. Ainda bem que estava assintomática e que o parto foi tranquilo, natural e rápido. Confesso que foi um alívio saber que a bebê nasceu bem. O meu medo era de não poder ficar com ela”, explica.


Mudança na rotina

Além dela, o marido, Hélio Lourenço de Brito, 42, e, os dois filhos, de 6 e 9 anos, tiveram o diagnóstico do novo coronavírus. No entanto, todos estavam assintomáticos. O maior desafio foi controlar a vontade de beijar e abraçar a bebê nos primeiros 14 dias. “A orientação passada pela equipe médica foi de evitar ter um contato mais próximo com a neném nesse período de quarentena. É ruim não poder cheirar, beijar, mas se é para o bem dela vale a pena”, pontuou.

A rotina também mudou. A hora da amamentação ganhou o álcool em gel e a máscara como aliados nos primeiros dias, tudo para evitar que a contaminação na recém-nascida. Mesmo após o período de distanciamento, Hélio conta que a família procura estar de máscara. “Buscamos esse cuidado e também adaptamos as comunicações com os familiares. Temos uma família muito grande e era comum, nos reunir, receber visitas. Agora só por videochamada e fotos nos grupos do WhatsApp”, pontua.

Referência no atendimento aos pacientes com a covid-19, o Hran também se destaca no acolhimento às gestantes que apresentam algum sintoma da doença. A maternidade está voltada para essas mães e oferta todo o amparo necessário para resguardar a saúde da grávida e do bebê. Porém, a estadia na unidade nem sempre gera uma sensação de alívio.

Para Tamara Regina Pacífico Silva, 26, a descoberta dos sintomas do novo coronavírus e a internação no Hran trouxe aflição na última semana. Mesmo sendo bem acolhida e atendida pelos profissionais da saúde, que fazem o acompanhamento das gestantes, ela relata que a limitação de não receber a visita do esposo, em um momento delicado como esse, pesa bastante. “Na terça-feira, quando eu fui internada, o meu marido estava trabalhando. Nem dei um abraço nele nem me despedi. Todos os dias ele me pergunta se estou melhor e quando volto para casa. Mas não sei”, comenta.

Um dos momentos mais difíceis para ela, foi quando descobriu o sexo do bebê e não pode dizer ao marido. “Eu tinha planejado tudo para descobrir e fazer uma surpresa para meu esposo. Queria muito ter contado pessoalmente, mas como não posso receber ninguém, fiz uma ligação e contei para ele. Às vezes me dá um vazio”, conta ela que será mãe de mais um menino, o nome já foi escolhido: Bryan.

Tamara, tem também um filho de 8 anos, o Arthur, está na expectativa da chegada de Bryan, que está na 19ª semana. Em relação aos receios, ela afirma que tem medo do desconhecido, de não saber o que vai acontecer, mas sempre que ouve o coração do filho batendo, forte e saudável, ela se acalma.

Ela foi internada após apresentar os sintomas de perda de olfato e paladar, além de sentir muita dor. Chegou a fazer uma tomografia que apresentou alteração no pulmão. Pela suspeita da covid-19, precisou ficar no hospital até o resultado do exame. No último sábado, veio a boa notícia. Ela recebeu alta e pode dar continuidade no isolamento, em casa.

Pesquisa

Além do Hran, o Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB) também está ofertando acompanhamento para as gestantes que tiveram covid-19 e não estão mais na fase ativa da doença. O programa oferecido pela unidade faz parte de um projeto de pesquisa que visa analisar os efeitos do vírus durante a gestação, no parto, pós-parto e no desenvolvimento da criança.

De acordo com a chefe da Unidade Materno-Infantil do HUB, e uma das coordenadoras da pesquisa, Lizandra Paravidine, esse estudo é importante para entender o impacto que a doença tem na vida dessas mães e crianças. “Sabemos que esse vírus afeta o sistema neurológico, como na aparição de sintomas da perda de olfato, perda do paladar, dor de cabeça. Queremos saber se essas questões também vão ter impacto para o desenvolvimento do bebê”, pontua.

Além disso, as mães recebem amparo de uma equipe multiprofissional com psicólogos, médicos, pediatras. O objetivo é acompanhar cerca de 300 gestantes para avaliar, por exemplo, se a covid-19 aumenta o risco de abortamento, parto prematuro, pré-eclâmpsia e malformação fetal. “Estamos preparados para atender as gestantes e os recém-nascidos”, ressalta Lizandra.

Até a última quarta-feira, 11 mães tiveram o primeiro atendimento pelo projeto. Entre elas, está a Andreia de Paula Rodrigues Brito, 34. A servidora pública conta que está feliz por poder ajudar nessa pesquisa. “Estou supercontente. Eu me senti útil por saber que posso contribuir para ajudar outras mães”, afirma ela, que está no sétimo mês de gestação.

Andreia conta que descobriu a doença quando estava na 20ª semana da gravidez. “Inicialmente foi um choque. É um vírus novo, nem os médicos sabem ao certo. A minha maior preocupação foi com o bebê, se ele estaria bem. Fiquei com medo de um aborto, porque eu não estava assintomática. Senti muito cansaço físico, febre, tive muita tosse. Veio a preocupação”, relata ela. “Como eu poderia ter o neném com a falta de ar? E se faltar a UTI? O meu estado emocional foi lá embaixo. Agora estou mais tranquila, estou bem mais preparada, e contei muito com a ajuda dos profissionais do posto de saúde nº 8 de Taguatinga. Fui bem amparada”, destaca.

Diante do novo cenário de pandemia, com as orientações de isolamento social, sem muito contato físico, higienização sempre que for necessário e o uso de máscara. Ela e os três filhos estão se adaptando à nova rotina dentro de casa. “O meu filho pequeno, de 5 anos, sofreu bastante quando eu estava em quarentena”, lembra.

Sobre o atendimento no HUB, ela conta que está gostando bastante. Andreia se sente mais calma para ter o bebê. “Sei que estarei bem amparada. E, para a mãe que está passando pela mesma situação, a minha dica é: procure apoio. Aqui em Brasília tem uma rede muito boa. O SUS é excelente, não deixe de fazer o pré-natal e se cuide”, pontua.

A pós-doutora em psicologia perinatal do Hospital Materno Infantil Alessandra Arrais, explica que o acompanhamento das mães nesse período de gestação é muito importante. “Eu costumo dizer que, além do acompanhamento da saúde do bebê, é preciso ter um pré-natal psicológico também. Cuidar da saúde mental delas, principalmente nesse período que estamos passando”, ressalta.

A pesquisa

Para ser atendida no projeto de acompanhamento do Hospital Universitário de Brasília, a gestante deve entrar em contato pelo telefone 2028-5232. É preciso ter o diagnóstico confirmado de covid-19 há pelo menos 14 dias e atender a alguns critérios, como ter 18 anos, ou mais, e não ter suspeita ou confirmação de outras infecções congênitas ou doenças crônicas preexistentes, exceto diabetes e hipertensão.

Cientistas acham indícios de que grávidas transmitem coronavírus para bebês

Cientistas detectam sinais do Sars-CoV-2 em amostras da placenta e do cordão umbilical de mulheres que deram à luz entre março e abril. A presença de anticorpos em crianças logo após o parto também indica contato com o vírus antes do nascimento


Segundo os cientistas, a forma de transmissão só poderá ser confirmada com mais estudos: plano de analisar infectadas no início da gravidez(foto: AFP / JOEL SAGET)
Segundo os cientistas, a forma de transmissão só poderá ser confirmada com mais estudos: plano de analisar infectadas no início da gravidez(foto: AFP / JOEL SAGET)

Um estudo apresentado ontem, na conferência virtual Aids 2020, sugere que gestantes infectadas pelo Sars-CoV-2 podem transmitir o vírus para o feto. Pesquisas anteriores já relataram casos de recém-nascidos com covid-19, mas a transmissão vertical — ou seja, de mãe para filho — intrauterina ainda não é uma certeza. O autor do trabalho atual afirma que encontrou o coronavírus em amostras da placenta, do cordão umbilical, no líquido amniótico e na vagina de mulheres que deram à luz entre março e abril, no norte da Itália, região do país mais afetada pela pandemia. Ele, porém, diz que são precisos mais estudos para confirmação.

A pesquisa foi realizada com 31 mulheres. Segundo Claudio Fenizia, pesquisador da Universidade de Milão e um dos líderes do estudo, dessas, houve um caso de Sars-CoV-2 na mucosa vaginal e outro do vírus no leite materno. Além disso, dois bebês testaram positivo para o coronavírus. Em uma delas, também foi encontrado o causador da covid-19 na placenta e  anticorpos no sangue do cordão umbilical. “Esses dois casos sugerem fortemente a transmissão vertical intrauterina. Porém, os dois bebês nasceram saudáveis e não tiveram qualquer problema”, disse Fenizia à agência Ansa.
O cientista contou que a primeira criança, nascida de uma mulher que apresentava uma forma muito severa de covid-19, testou positivo entre o sétimo e o 10° dia de nascença. O segundo, filho de uma paciente com sintomas pouco graves, foi diagnosticado com o vírus poucas horas depois de nascer. “A coisa mais preocupante é que a placenta tinha anticorpos IgM, portanto, o bebê deve ter estado exposto diretamente ao vírus, provavelmente duas semanas antes”, relatou Fenizia. Os anticorpos IgM indicam exposição recente ao Sars-CoV-2.
Como a transmissão vertical intrauterina ainda foi pouco estudada, o cientista pede cautela na interpretação dos resultados e diz que o estudo  — que, em breve, será publicado na plataforma on-line Medrxiv para, depois, passar pela revisão de pares — não faz nenhuma conclusão. Fenizia destaca que as mulheres pesquisadas na Itália estavam nos últimos estágios gestacionais, e que seria importante avaliar o impacto do vírus durante toda a gravidez. Ele está tentando coletar material de gestantes que estão perto de dar à luz, mas que foram infectadas no início da gravidez.

No hospital

Na literatura científica sobre a covid-19, há alguns relatos de casos de recém-nascidos que testaram positivo para o vírus, mas, até agora, não foi possível determinar como se infectaram — uma possibilidade, por exemplo, é terem se contaminado no ambiente hospitalar. Um estudo feito em Wuhan, onde foram detectados os primeiros casos conhecidos da doença, três de 33 bebês nascidos em um hospital local estavam com Sars-CoV-2 (nenhum grave), mas as amostras retiradas do líquido amniótico, do sangue do cordão umbilical e do leite materno deram negativo, descartando a transmissão vertical intrauterina.
Uma revisão internacional de casos conduzida pela Universidade de Nottingham, no Reino Unido, concluiu, recentemente, que a transmissão do vírus pelas gestantes é incomum, mesmo se os bebês nascem de parto natural, quando o contato com a mucosa vaginal poderia aumentar o risco de infecção. Os autores fizeram uma meta-análise de 49 estudos que incluíram 666 recém-nascidos e 656 mulheres (algumas deram à luz gêmeos). Das que fizeram parto normal, oito de 292 (2,7%) tiveram bebês que testaram positivo. O índice entre as mães submetidas à cesária foi ligeiramente maior: 20 crianças (5,3%) tinham o vírus no organismo.
“Esses dados mostram que a infecção neonatal por covid-19 é incomum, e também que os bebês afetados são quase todos assintomáticos”, diz Kate Walker, pesquisadora da área de obstetrícia da Universidade de Nottingham. Ela afirma que nenhum bebê amamentado com leite materno contraiu a doença, mesmo estando as mães infectadas.

Pesquisa Maternidade(s) durante a pandemia de COVID-19: tempos e espaços no cotidiano

Do site da UFRGS

O estudo tem como objetivo conhecer e descrever o cotidiano de uso do tempo e do espaço da casa pelas mulheres que são mães durante a pandemia de COVID-19. A iniciativa é coordenada pela professora Fabiene Gama (Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Brasil), Maria Fernanda Gonzalez (Faculdade de Ciências da Saúde da Universidad Nacional de Entre Ríos/Argentina) e Rosamaria Carneiro (Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília/Brasil). Articulando os grandes campos de estudo e pesquisa da Antropologia, da Psicologia Cultural e da Saúde Coletiva, esta pesquisa pretende comparar experiências das mães no Brasil e na Argentina, quantitativa e qualitativamente. Também serão analisadas imagens do cotidiano dessas mães, que são enviadas pelas próprias mulheres para refletir sobre os aspectos práticos (divisão de horas e espaços de trabalho, cuidado,entre outros) e emocionais da pandemia do novo Coronavírus na vida e no trabalho dessas mães.

Para responder, acesse:

Formulário em português: https://forms.gle/gftHQqtcueRRggA28

Formulário em espanhol: https://forms.gle/gXC11d6vz4MY59WM7