Mulheres em combate: 6 líderes brasileiras na linha de frente da crise de Covid-19

Weerayut Ranmai/Cavan Images/GettyImages

Mulheres representam 65% dos seis milhões de profissionais da área da saúde no Brasil

Na semana em que o número de casos de Covid-19 no Brasil chegou a 3 milhões e o de mortes atingiu a marca histórica de 100 mil, mais do que nunca os desafios impostos pelo novo coronavírus requerem atenção. Além das iniciativas de assistência social e econômica, a pandemia demanda ações rápidas, efetivas e antecipadas na área da saúde –marcada pela prevalência dos rostos de mulheres.

Segundo o relatório “Covid-19: Um Olhar para Gênero” do Fundo de População das Nações Unidas (da sigla em inglês UNFPA), 70% da força de trabalho ligada à área da saúde no mundo é feminina. No Brasil, os números são parecidos. O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), indica que 65% dos seis milhões de profissionais do setor são do sexo feminino –em áreas como fonoaudiologia, nutrição e serviço social elas ultrapassar 90% de presença, e 80% em enfermagem e psicologia.

(…) leia o artigo completo no site da Forbes.

Why Does the Coronavirus Hit Men Harder? A New Clue

Women produce a more powerful immune response than do men, a new study finds.

Do NewYork Times

In a hospital in La Mesa, Calif., earlier this year, a nurse held a phone to the ear of a patient with coronavirus so he could listen to his daughter speak. 
In a hospital in La Mesa, Calif., earlier this year, a nurse held a phone to the ear of a patient with coronavirus so he could listen to his daughter speak. Credit…Etienne Laurent/EPA, via Shutterstock

The coronavirus may infect anyone, young or old, but older men are up to twice as likely to become severely sick and to die as women of the same age.

Why? The first study to look at immune response to the coronavirus by sex has turned up a clue: Men produce a weaker immune response to the virus than do women, the researchers concluded.

The findings, published on Wednesday in Nature, suggest that men, particularly those over age 60, may need to depend more on vaccines to protect against the infection.

“Natural infection is clearly failing” to spark adequate immune responses in men, said Akiko Iwasaki, an immunologist at Yale University who led the work.

The results are consistent with what’s known about sex differences following various challenges to the immune system.

Women mount faster and stronger immune responses, perhaps because their bodies are rigged to fight pathogens that threaten unborn or newborn children.

But over time, an immune system in a constant state of high alert can be harmful. Most autoimmune diseases — characterized by an overly strong immune response — are much more prevalent in women than in men, for example.

“We are looking at two sides of the same coin,” said Dr. Marcus Altfeld, an immunologist at the Heinrich Pette Institute and at the University Medical Center Hamburg-Eppendorf in Germany.

The findings underscore the need for companies pursing coronavirus vaccines to parse their data by sex and may influence decisions about dosing, Dr. Altfeld and other experts said.

“You could imagine scenarios where a single shot of a vaccine might be sufficient in young individuals or maybe young women, while older men might need to have three shots of vaccine,” Dr. Altfeld said.

Companies pursuing coronavirus vaccines have not yet released clinical data analyzed by the participants’ sex, but the Food and Drug Administration has asked them to do so, as well as by racial and ethnic background, said Dr. William Gruber, a vice president at Pfizer.

Dr. Iwasaki’s team analyzed immune responses in 17 men and 22 women who were admitted to the hospital soon after they were infected with the coronavirus. The researchers collected blood, nasopharyngeal swabs, saliva, urine and stool from the patients every three to seven days.

The analysis excluded patients on ventilators and those taking drugs that affect the immune system “to make sure that we’re measuring natural immune response to the virus,” Dr. Iwasaki said.

The researchers also analyzed data from an additional 59 men and women who did not meet those criteria.

Over all, the scientists found, the women’s bodies produced more so-called T cells, which can kill virus-infected cells and stop the infection from spreading.

Men showed much weaker activation of T cells, and that lag was linked to how sick the men became. The older the men, the weaker their T cell responses.

“When they age, they lose their ability to stimulate T cells,” Dr. Iwasaki said. “If you look at the ones that really failed to make T cells, they were the ones who did worse with disease.”

But “women who are older — even very old, like 90 years old — these women are still making pretty good, decent immune response,” she added.

Compared with health care workers and healthy controls, the patients all had elevated blood levels of cytokines, proteins that rouse the immune system to action. Some types of cytokines, called interleukin-8 and interleukin-18, were elevated in all men but only in some women.

Women who had high levels of other cytokines became more seriously ill, the researchers found. Those women might do better if given drugs that blunt these proteins, Dr. Iwasaki said.

The study has limitations. It was small, and the patients were older than 60 on average, making it difficult to assess how the immune response changes with age.

“We know that age is proving to be a very important factor in Covid-19 outcomes, and the intersection of age and sex must be explored,” said Sabra Klein, a vaccine expert at the Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health.

The study also did not offer a reason for the differences between men and women. Because the women were past menopause, on average, “it is doubtful that sex steroid hormones are involved,” Dr. Klein said.

Still, the new findings are “exciting” because they begin to explain why men fare so much worse with the coronavirus, she added: “The more robust T cell responses in older women could be an important clue to protection and must be explored further.”

Gestante com Covid-19 faz carta de agradecimento à equipe do Hran

A advogada Elanhine Caires, 37, ficou emocionada com o atendimento e organização do centro de saúde durante sua internação

Do Metrópoles

Em meio a notícias de hospitais lotados de pacientes infectados com coronavírus, a advogada brasiliense Elanhine Caires, 37, emocionou os funcionários do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) com uma carta de agradecimento à equipe no momento em que recebeu alta.
Em meio a notícias de hospitais lotados de pacientes infectados com coronavírus, a advogada brasiliense Elanhine Caires, 37, emocionou os funcionários do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) com uma carta de agradecimento à equipe no momento em que recebeu alta.

Grávida com cerca de 28 semanas, a advogada começou a sentir sintomas como cansaço, falta de ar, dor nas costas e na cabeça, tosse intensa e ardência nos olhos. Depois de fazer um exame e receber o resultado positivo para Covid-19, ela foi ao Hran para saber qual é o protocolo para gestantes com a doença.

“Fui bem recebida por todos, desde o segurança da porta até a médica. Fiz vários exames, que apresentaram resultados alterados e tive indicação de internação por estar com 25% do pulmão afetado”, conta a gestante, que recebeu alta no domingo (2/8).

Elanhine C.S. Caires
Elanhine C.S. Caires. ARQUIVO PESSOAL

Mesmo assustada com a situação e sem direito a acompanhante, Elanhine ficou emocionada com o bom humor da equipe, a estrutura do hospital e a preocupação com a limpeza. “Já fiquei em outros hospitais e nunca tinha visto um cuidado com a limpeza como eles têm ali, é uma equipe grande, sempre com um sorriso. As enfermeiras são muito pacientes, com um atendimento humanizado, sempre monitorando e vigiando. O atendimento não deixou a desejar em nada e tudo de forma gratuita. Me surpreendi”, afirma.

Na carta, ela cita segurança, recepcionistas, atendentes, equipe de triagem, médicos, enfermeiros, equipe da faxina e de copa. “Nada mais justo que expressar elogios e não apenas reclamações. Sou grata a todos”, escreve a advogada (leia a carta, na íntegra, abaixo).

Carta de getante com Covid-19 ao HRAN. REPRODUÇÃO

“Fiz questão. Só entreguei quando recebi alta, para respeitar o protocolo de segurança. É um ambiente tenso por si só, no entanto, fui bem recebida por todo mundo. Não sabia que minha carta ia ter repercussão, fiz de todo coração. O que mais a gente vê é reclamação e acho justo que as pessoas tenham acesso ao elogio, que vejam que o sacrifício é visto e valorizado. Fiz questão de falar da faxina, um trabalho muito difícil, porque só se fala de médicos e enfermeiros. Outras pessoas estão na linha de frente.

Agora, o tratamento da advogada segue em casa — ela precisa tomar um medicamento de alto custo para trombose, que também foi disponibilizado pela rede pública de saúde e espera voltar daqui a dois meses para ter o bebê no Hran. “Fiquei realmente tranquila em saber que meu filho vai nascer lá”, diz.

Estudo encontra carga mais alta de coronavírus em crianças pequenas do que em adultos

Do Revista Saber é Saúde

Pesquisadores descobriram que crianças menores de 5 anos com COVID-19 leve a moderado têm níveis muito mais altos de material genético para o vírus no nariz em comparação com crianças e adultos mais velhos. Os resultados apontam para a possibilidade de as crianças mais novas transmitirem o vírus tanto quanto outras faixas etárias.

Os resultados, publicados na JAMA Pediatrics , apontam para a possibilidade de as crianças mais novas transmitirem o vírus tanto quanto outras faixas etárias. A capacidade das crianças mais novas de espalhar o COVID-19 pode ter sido sub-reconhecida, dado o fechamento rápido e sustentado de escolas e creches durante a pandemia.

“Descobrimos que crianças menores de 5 anos com COVID-19 têm uma carga viral maior do que crianças mais velhas e adultos, o que pode sugerir maior transmissão, como vemos no vírus sincicial respiratório, também conhecido como RSV”, diz o principal autor Taylor Heald-Sargent, especialista em doenças infecciosas pediátricas na Lurie Children e professor assistente de pediatria na Northwestern University Feinberg School of Medicine. “Isso tem implicações importantes na saúde pública, especialmente durante discussões sobre a segurança de reabrir escolas e creches”.

Dr. Heald-Sargent e colegas analisaram 145 casos de doença COVID-19 leve a moderada na primeira semana do início dos sintomas. Eles compararam a carga viral em três faixas etárias – crianças menores de 5 anos, crianças de 5 a 17 anos e adultos de 18 a 65 anos.

“Nosso estudo não foi projetado para provar que as crianças mais jovens espalham o COVID-19 tanto quanto os adultos, mas é uma possibilidade”, diz o Dr. Heald-Sargent. “Precisamos levar isso em conta nos esforços para reduzir a transmissão, à medida que continuamos a aprender mais sobre esse vírus”.

Presidente do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Marco Aurélio Sáfadi também destaca que “muitas vezes o RNA reflete um vírus que não é viável para infecção”, sugerindo cautela com os resultados obtidos via PCR. Ele também aponta que não se pode ignorar os vários estudos que vêm minimizando a função das crianças como vetores da covid-19.

“Quando você vai para o mundo real, os estudos que tentam investigar o papel das crianças na transmissão são praticamente unânimes em destacar que crianças (abaixo de 10 anos) têm desempenhado um papel menos relevante na transmissão. Eles mostram que obviamente as crianças podem transmitir, mas são os adultos jovens os principais vetores de transmissão”, diz Sáfadi, professor de infectologia e pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Fontes: G1 / BBC / Science Daily / Créditos da imagem de capa: Pixabay-Adalhelma 

Children May Carry Coronavirus at High Levels, Study Finds

The research does not prove that infected children are contagious, but it should influence the debate about reopening schools, some experts said.

Coronavirus testing at a mobile clinic at the Walker Temple A.M.E. Church in south Los Angeles earlier this month.
Coronavirus testing at a mobile clinic at the Walker Temple A.M.E. Church in south Los Angeles earlier this month.Credit…Mario Tama/Getty Images

It has been a comforting refrain in the national conversation about reopening schools: Young children are mostly spared by the coronavirus and don’t seem to spread it to others, at least not very often.

But on Thursday, a study introduced an unwelcome wrinkle into this smooth narrative.

Infected children have at least as much of the coronavirus in their noses and throats as infected adults, according to the research. Indeed, children younger than age 5 may host up to 100 times as much of the virus in the upper respiratory tract as adults, the authors found.

That measurement does not necessarily prove children are passing the virus to others. Still, the findings should influence the debate over reopening schools, several experts said.

“The school situation is so complicated — there are many nuances beyond just the scientific one,” said Dr. Taylor Heald-Sargent, a pediatric infectious diseases expert at the Ann and Robert H. Lurie Children’s Hospital of Chicago, who led the study, published in JAMA Pediatrics.

The study is not without caveats: It was small, and did not specify the participants’ race or sex, or whether they had underlying conditions. The tests looked for viral RNA, genetic pieces of the coronavirus, rather than the live virus itself. (Its genetic material is RNA, not DNA.)

Still, experts were alarmed to learn that young children may carry significant amounts of the coronavirus.

“I’ve heard lots of people saying, ‘Well, kids aren’t susceptible, kids don’t get infected.’ And this clearly shows that’s not true,” said Stacey Schultz-Cherry, a virologist at St. Jude Children’s Research Hospital.

“I think this is an important, really important, first step in understanding the role that kids are playing in transmission.”

Jason Kindrachuk, a virologist at the University of Manitoba, said: “Now that we’re rolling into the end of July and looking at trying to open up schools the next month, this really needs to be considered.”

The standard diagnostic test amplifies the virus’s genetic material in cycles, with the signal growing brighter each round. The more virus present in the swab initially, the fewer cycles needed for a clear result.

Dr. Heald-Sargent, who has a research interest in coronaviruses, began noticing that children’s tests were coming back with low “cycle thresholds,” or C.T.s, suggesting that their samples were teeming with the virus.

Intrigued, she called the hospital lab on a Sunday and asked to look back at test results for the past several weeks. “It wasn’t even something we had set out to look for,” she said.

She and her colleagues analyzed samples collected with nasopharyngeal swabs between March 23 and April 27 at drive-through testing sites in Chicago and from people who came to the hospital for any reason, including symptoms of Covid-19.

They looked at swabs taken from 145 people: 46 children younger than age 5; 51 children aged 5 to 17; and 48 adults aged 18 to 65. To forestall criticisms that really ill children would be expected to have a lot of the virus, the team excluded children who needed oxygen support. Most of the children in the study reported only a fever or cough, Dr. Heald-Sargent said.

To compare the groups fairly, the team included only children and adults who had mild to moderate symptoms and for whom they had information about when symptoms began. Dr. Heald-Sargent left out people who didn’t have symptoms and who did not remember when they had started to feel ill, as well as those who had symptoms for more than a week before the testing.

The results confirmed Dr. Heald-Sargent’s hunch: Older children and adults had similar C.T.s, with a median of about 11 and ranging up to 17. But children younger than age 5 had significantly lower C.T.s of about 6.5. The upper limit of the range in these children was a C.T. of 12, however — still comparable to those of older children and adults.

“It definitely shows that kids do have levels of virus similar to and maybe even higher than adults,” Dr. Heald-Sargent said. “It wouldn’t be surprising if they were able to shed” the virus and spread it to others.

“One takeaway from this is that we can’t assume that just because kids aren’t getting sick, or very sick, that they don’t have the virus,” said one infectious disease expert.
“One takeaway from this is that we can’t assume that just because kids aren’t getting sick, or very sick, that they don’t have the virus,” said one infectious disease expert.Credit…Tom Brenner/Reuters

The results are consistent with those from a German study of 47 infected children between the ages 1 and 11, which showed that children who did not have symptoms had viral loads as high as adults’, or higher. And a recent study from France found that asymptomatic children had C.T. values similar to those of children with symptoms.

C.T. values are a reasonable proxy for the amount of coronavirus present, said Dr. Kindrachuk, who relied on this metric during the Ebola outbreaks in West Africa.

Still, he and others said that ideally researchers would grow infectious virus from samples, rather than test only for the virus’s RNA.

“I suspect that it probably will translate into meaning that there is more actual virus there as well, but we can’t say that without seeing the data,” said Juliet Morrison, a virologist at the University of California, Riverside

Some RNA viruses multiply quickly and are prone to genetic errors that render the virus incapable of infecting cells. Some RNA detected in children may represent these “defective” viruses: “We need to understand how much of that is actually infectious virus,” Dr. Schultz-Cherry said.

(The researchers said they did not have access to the type of high-security lab required to grow infectious coronavirus, but other teams have cultivated virus from children’s samples.)

The experts all emphasized that the findings at least indicate that children can be infected. Those who harbor a lot of virus may spread it to others in their households, or to teachers and other school staff members when schools reopen.

Many school districts are planning to protect students and staff members by implementing physical distancing, cloth face coverings and hand hygiene. But it’s unclear how well staff members and teachers can keep young children from getting too close to others, Dr. Kindrachuk said.

“Frankly, I just haven’t seen a lot of discussion about how that aspect is going to be controlled,” he said.

Observations from schools in several countries have suggested that, at least in places with mild outbreaks and preventive measures in place, children do not seem to spread the coronavirus to others efficiently.

Strong immune responses in children could limit both how much virus they can spread to others and for how long. The children’s overall health, underlying conditions such as obesity or diabetes, and sex may also influence the ability to transmit the virus.

Some experts have suggested that children may transmit less virus because of their smaller lung capacity, height or other physical aspects.

Dr. Morrison dismissed those suggestions. The virus is shed from the upper respiratory tract, not the lungs, she noted.

“We are going to be reopening day care and elementary schools,” she said. If these results hold up, “then yeah, I’d be worried.”

Quatro razões pelas quais o passaporte sorológico não é justo nem eficaz

Sociedades médicas, a OMS e especialistas em bioética rejeitam propostas para a criação de qualquer espécie de cartão que identifique pessoas que tiveram a doença

Do El País

Viajantes com máscaras protetoras aguardam seu voo no aeroporto de Barcelona.
Viajantes com máscaras protetoras aguardam seu voo no aeroporto de Barcelona. ENRIC FONTCUBERTA / EFE

Quando começou o confinamento em massa no mundo devido ao novo coronavírus, alguns especialistas e determinados Governos especularam com a ideia de estabelecer um passaporte sorológico, um documento que permitisse saber quem estava imunizado contra a covid-19 para que não tivesse de continuar submetido à quarentena e ajudasse a reativar a economia. A ideia, no entanto, foi descartada quando, com o passar do tempo, persistiam as incógnitas sobre a resposta imunológica ao SARS-CoV-2: não está claro quanto dura, se os anticorpos são um sinal adequado de sua presença ou se é possível se reinfectar depois de ter se curado da doença.

Pouco a pouco foram sendo acrescentadas mais restrições a essa medida, jurídicas e éticas, e tanto os especialistas quanto várias sociedades científicas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e alguns países que consideraram a opção, como Alemanha e Reino Unido, a rejeitaram. A presidenta da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, desenterrou a ideia na terça-feira. Propôs um projeto-piloto de uma cartilha covid-19 para a criação de uma espécie de cartão de saúde, que identifique pessoas que já tiveram a doença. “Com este cartão será muito mais fácil ter acesso a academias, museus e espaços fechados”, argumentou. É difícil encontrar algum especialista em saúde pública, imunologia ou bioética que não rejeite completamente a medida.

A revista Nature publicou em maio um artigo com 10 razões para recusar o passaporte imunológico. Depois de consultar vários especialistas que concordam com esses argumentos, eles podem ser agrupados em quatro.

Desconhecimento da imunidade

“A respeito da imunidade gerada pelo coronavírus, tudo ainda está por saber”, reconheceu a este jornal Marcos López Hoyos, presidente da Sociedade Espanhola de Imunologia (SEI), no início de julho. Não está claro se todos os que passam pela doença geram anticorpos, se sua presença indica imunidade ou sua ausência indica a falta dela. Além disso, como lembra Ildefonso Hernández, porta-voz da Sociedade Espanhola de Saúde Pública (Sespas), na pesquisa sobre soroprevalência realizada pelo Instituto de Saúde Carlos III, 14% das pessoas que geraram defesas as perderam após dois meses. “É mais um argumento para não tomar medidas com base nos anticorpos que as pessoas tiverem”, diz. Também não se sabe se existe a possibilidade de reinfecção. Houve casos de pessoas que, depois de dar negativo em um teste de PCR, voltaram a dar positivo. Não está claro se isso foi uma reinfecção ou tem mais a ver com o fato de não terem eliminado o vírus e o teste ter falhado. Em resumo: atualmente é impossível saber se uma pessoa está protegida contra o coronavírus. Esse argumento é, por si só, suficiente para que os especialistas consultados rejeitem algo semelhante a uma cartilha covid-19. Mas há outros.

Testes com erros e insuficientes

Mesmo partindo da hipótese de que todo aquele que tem anticorpos contra o coronavírus está protegido (e quem não os tem, não), os testes para medi-los não são totalmente confiáveis. Dão tanto falsos negativos quanto, o que é mais perigoso, falsos positivos, que podem fazer uma pessoa acreditar que está imune quando na realidade continua sendo suscetível a contrair a doença. “As consequências podem ser bastante graves”, diz Pedro Gullón, da Sociedade Espanhola de Epidemiologia. “E com que critérios seriam feitos? A cada 15 dias para todos os madrilenhos? Ou só para quem puder pagar por eles em um laboratório particular? Isso seria duplamente discriminatório”, reflete o epidemiologista.

Problemas legais e discriminação

Josefa Cantero Martínez, professora de Direito Administrativo e presidenta da Sespas em Castilla-La Mancha, acredita que um certificado desse tipo tem um encaixe legal complicado que pode até se chocar com os preceitos constitucionais. “Estabelecer regimes jurídicos diferentes em virtude de um dado de saúde tem problemas de discriminação, de proteção de dados, se choca com a liberdade de circulação e com o direito à privacidade, porque você teria de se identificar para ir ao cinema ou à academia, apresentar sua cartilha e dar a conhecer ao funcionário que você passou pela doença”, argumenta. Itziar de Lecuona, doutora em direito e especialista em bioética, concorda: “É uma medida estigmatizante e discriminatória que rotula as pessoas de acordo com seu estado de saúde; não respeita os direitos fundamentais à privacidade e é contra as leis europeias de proteção de dados”. A especialista vê o agravante que a digitalização desses dados poderia abrir a porta para combiná-los com outras informações da pessoa e que fossem levados em conta para outros fins que não os inicialmente propostos.

Incentivo para contrair a doença

“Se o acesso a certas liberdades sociais e econômicas for dado apenas às pessoas que se recuperaram da covid-19, os passaportes de imunidade poderiam incentivar as pessoas saudáveis e não imunes a procurar infecções intencionalmente, colocando-se a si mesmas e a outras pessoas em risco”, dizem as especialistas em bioética Natalie Kofler e Françoise Baylis em um artigo publicado pela Nature. “Estamos vendo que alguns jovens têm pouca percepção do risco representado pelo coronavírus. Se passar pela doença lhes permite, por exemplo, sair à noite, estaríamos incentivando as festas covid”, acrescenta Gullón. Hernández também acredita que é possível entrar em um terreno perigoso no âmbito trabalhista se as empresas começarem a solicitar esse passaporte para a contratação: “Um idoso certamente não se arriscaria, mas uma pessoa com idade entre 20 e 30 anos, tendo em vista os problemas que haverá para encontrar trabalho, é provável que procurasse passar pela doença”.

Uma rede para amparar os que batalham contra o coronavírus

Psicólogos atendem gratuitamente profissionais de saúde da linha de frente. “Atendi uma fonoaudióloga que viu o chefe morrer, ela sentia uma impotência muito grande”

Do El País

Profissional da saúde em uma unidade de pronto atendimento de Fortaleza.
Profissional da saúde em uma unidade de pronto atendimento de Fortaleza. MATEUS DANTAS

A psicóloga Ana Lúcia Castelo, de 62 anos, está surpresa com a rapidez com que profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus apresentaram sintomas de estresse pós-traumático. Já tem 12 anos que ela atua em programas de ajuda humanitária num contexto de grandes traumas ―os mais recentes deles foram o desastre de Brumadinho e o atentado de Suzano― e há meses ela atende voluntariamente a médicos, enfermeiros e técnicos que todos os dias enfrentam a face mais dura da pandemia enquanto se desdobram para salvar o máximo de vidas. Desde então, ouve relatos de crises de choro, dificuldade para dormir e sentimento de impotência quando equipamentos e vagas de terapia intensiva ficaram escassos. Até o som de respiradores e monitores ―um bip repetitivo dentro dos hospitais e na cabeça de quem vivencia a doença diariamente― viraram gatilho para esses profissionais que tiveram de tomar, durante a crise, difíceis escolhas sobre quem deveria receber antes o cuidado que precisa. “Não são pessoas que têm estruturas psicológicas frágeis, mas o teor da vivência foi muito forte”, ela diz.

Ana Lúcia faz parte de um programa que ajudou a desenhar após ela mesma ter seu lado psicológico abalado ao ter a covid-19. Levou a ideia ao grupo de psicólogos especializados em trauma do qual faz parte (a Rede Solidária da Associação Brasileira de EMDR) e, junto com seus colegas, desenvolveu um programa voluntário para atender gratuitamente profissionais que enfrentam situações tão difíceis enquanto a epidemia segue latente. “Naquele momento, eu já fiquei pensando que eles iriam em breve desenvolver sintomas psicológicos muito difíceis, mas não imaginava que passariam a desenvolver quadros de estresse pós-traumático tão rapidamente”, conta Ana Lúcia, que nos primeiros atendimentos, há meses, já identificava os sintomas.

Em maio, ela se viu acometida pela covid-19 e precisou passar um dia inteiro em um hospital de São Paulo para fazer exames. Naquele momento, o Brasil tinha cerca de 20.000 casos confirmados ―hoje, beira os 2,5 milhões de infectados―, mas já lhe chamava a atenção o cansaço aparente de médicos, enfermeiros e técnicos que lhe atenderam. “Fui muito bem tratada e senti a empatia de cada um deles, mas fiquei sinceramente sensibilizada porque pareciam angustiados. Atendiam um paciente atrás do outro, era uma coisa caótica”, conta. Ana Lúcia não precisou ficar internada, mas a experiência daquele dia e a angústia que sentiu durante sua própria experiência com a covid-19 a fizeram pensar muito em como poderia ajudá-los, especialmente por morar com três médicos: o marido, a filha e o sobrinho.

“Eu fui contaminada quando ainda estava no começo. Vi o quanto os médicos estavam desesperados por lidarem com uma doença tão nova, tão difícil e que ainda tem muitas interrogações”, diz. A impressão inicial se somou à sua própria experiência com a doença que lhe causou pneumonia e lhe fez acordar algumas vezes de madrugada com medo de morrer. “Acho que foi uma das doenças mais sérias que já tive. Fiz 25 anos de terapia e, quando tive a covid-19, voltei a fazer. A estrutura fica abalada. A pessoa tem medo de morrer, fica fragilizada”, conta. Ana Lúcia se recuperou e, assim que se sentiu forte, concentrou esforços para tentar ajudar quem está cuidando dos pacientes a se estabilizarem psicologicamente.

Ana Lúcia Castelo, da Rede Solidária da Associação Brasileira de EMDR.
Ana Lúcia Castelo, da Rede Solidária da Associação Brasileira de EMDR. ARQUIVO PESSOAL

“Foi a única forma que eu encontrei para reduzir a carga. Atendi uma médica e uma enfermeira com o quadro de estresse pós-traumático pelas vivência que tiveram diante da morte, das incertezas. São pessoas que precisaram escolher quem iriam colocar no respirador porque não havia instrumentos necessários para todas as pessoas. Eles estavam num sofrimento muito grande”, conta. O grupo de Ana Lúcia usa um método chamado EMDR, criado a partir da experiência com soldados de guerra e que consiste em processar experiências traumáticas em ao menos oito sessões. E é por isso que ela desfia narrativas que tem escutado diariamente de quem está na linha de frente, sempre respeitando a ética e sem identificar ninguém nem dar detalhes ou mesmo citar as cidades dos profissionais. Ao longo das semanas de trabalho voluntário, a sobrecarga do sistema de saúde em alguns locais amenizou, mas as histórias vividas ainda marcam os profissionais da linha de frente.

A que mais chamou a atenção da psicóloga foi a de um médico de 42 anos, que trabalha em uma Unidade de Terapia Intensiva (onde são tratados os casos mais graves da doença) e começou a apresentar sintomas de trauma nos dez primeiros dias atuando no combate à covid-19, bem no início da crise sanitária. Ana Lúcia explica que, em geral, pacientes começam a apresentá-los entre 30 e 40 dias após o trauma. “Lá pelo oitavo dia, ele começou a ter sintomas de estresse pós-traumático. Ele ouvia o bip do monitor, o som do respirador, e ficava nervoso, angustiado. Saía, ia paro o repouso, voltava. Até que procurou ajuda”, conta a psicóloga.

O médico não conseguia dormir mesmo após exaustivos plantões e não conseguia se desconectar mesmo quando estava em casa. “Isso causa um impacto maior porque a pessoa não descansa nunca. Ele tinha pesadelos com pessoas morrendo e também flashbacks de situações difíceis”, narra Ana Lúcia. O médico contou três situações em que precisou decidir quem ele colocaria no respirador. Em uma delas, escolheu uma senhora e foi para o repouso chorar. Uma pessoa mais jovem que havia ficado na lista de espera acabou falecendo.

A psicóloga conta que é comum ouvir dos profissionais de saúde que estão inseguros, angustiados e já não têm vontade de ir trabalhar porque estão deprimidos e impactados. “As pessoas precisam ir trabalhar. Alguns apresentam uma visão negativa de si próprio, como se não fossem conseguir realizar seu trabalho. Gera uma dúvida sobre o que eu sei, como se estivesse desaprendendo tudo”, diz Ana Lúcia. Ela conta que principalmente médicos e enfermeiros que estão trabalhando em UTIs têm relatado medo de que os pacientes morram em suas mãos, medo de contraírem a doença e uma profunda empatia com as famílias que perdem seus entes queridos. Mais de 90.000 pessoas já faleceram por conta da covid-19 no Brasil.

“Atendi uma fonoaudióloga que viu o chefe morrer, então ela sentia uma impotência muito grande porque não tinha conseguido salvar o chefe. Isso foi muito comum no dia a dia dos médicos. Tudo isso com uma doença desconhecida no início. Isso gerou uma aflição muito grande”, acrescenta. Ana Lúcia afirma que a Rede Solidária da Associação Brasileira dispõe de 164 psicólogos que se prontificaram a atuar e que atende cerca de 40 profissionais da saúde, de maneira que há como receber mais pacientes. “Temos 180 profissionais que se cadastraram, disponíveis para atendimento. Cerca de 60 pessoas pediram ajuda, mas muitos deles interrompem por várias razões: adoeceram por covid-19 antes ou durante o tratamento, estão tão depressivos que desistem antes de começar, alguns marcam com o psicólogo, mas não comparecem na sessão”, explica Sueli Costa, que também participa do projeto. “Precisamos divulgar isso para ajudar mais gente”, reforça Ana Lúcia. O profissional interessado deve fazer um cadastro e responder a um questionário inicial de avaliação. A partir daí, faz gratuitamente oito sessões online, que podem ser prorrogadas em caso de necessidade. Se houver indicação, os psicólogos também orientam os pacientes a procurarem um psiquiatra.

A saúde mental dos profissionais de saúde é um problema levantado durante a pandemia em vários países. O Brasil faz parte de uma pesquisa com mais 25 países para avaliar os impactos da covid-19 na saúde mental da população em geral e, em especial, dos profissionais de saúde. Questionários estão sendo aplicados online para medir esses impactos.

Protocolo contra covid em hospital de SP pode separar mãe e bebê após parto

 

Do Universa

Acupuntura, aromaterapia e uma mudança de médico já perto das 34 semanas. A gestação da pequena Estella foi pensada em detalhes para que ela chegasse ao mundo do jeito mais humanizado possível -mesmo que essa aventura ocorresse durante uma pandemia da qual só deverá ouvir falar, um dia, pelos familiares ou pelos livros de história. Não era para menos: Carol Braga, a mãe de Estella, queria que seu último parto fosse assim, ela que já é mãe de três filhos de 1, 3 e 17 anos. Ainda que tudo corresse como o desejado até o fim, Estella resolveu iluminar a vida dos pais mais cedo: em vez das tradicionais 40 semanas, deixou o útero materno com 37 semanas e seis dias de vida.

– Veja mais em https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/07/25/protocolo-contra-covid-em-maternidade-separa-mae-e-bebe-logo-apos-o-parto.htm?cmpid=copiaecola

Grávidas brasileiras são as que mais morrem por causa da Covid-19

A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores de diversas universidades do país que revela, ainda, o Rio de Janeiro como o estado onde há mais mortes maternas. Entre os problemas estão a falta de diagnóstico precoce e o suporte de saúde durante a pandemia de coronavírus.

Da CBN (acesse para ouvir a matéria de áudio)

O Rio de Janeiro é o estado onde mais grávidas morreram por Covid-19 desde o início da pandemia de coronavírus no Brasil. Apesar disso, as regiões Norte e Nordeste aparecem primeiro no ranking de mortes maternas. O Brasil registra o pior índice de grávidas que perderam a vida em decorrência da covid-19 no mundo.

Os dados são do estudo ‘A tragédia da Covid-19 no Brasil: 124 mortes maternas e ainda contando’, publicado na International Journal of Gynecology and Obstetrics, no último dia 10 de julho. A pesquisa foi realizada por especialistas das Universidades Federais de Campina Grande, São Carlos e Santa Catarina, além de pesquisadores do IMIP e da Unesp.

De 26 de fevereiro até 18 de junho, 124 grávidas ou mulheres no pós-parto morreram no Brasil. O número é 3,4 vezes maior do que o total relatado no mundo. A taxa de mortalidade atual é de quase 13% na população obstétrica brasileira. Os pesquisadores compararam os dados do Ministério da Saúde com a literatura internacional disponível, que tem informações de países como México, Estados Unidos, Reino Unido, Irã e China.

A obstetra Carla Andreucci, professora da UFSCar, é uma das pesquisadoras do estudo. Ela explica que não é possível fazer uma conclusão completa sobre os motivos que levam a essa alta taxa de mortalidade, mas diz que fica evidente a dificuldade da grávida em acessar o sistema de saúde durante a pandemia:

“São dados bem preliminares ainda, mas o que a gente começa a evidenciar é o colapso do sistema de saúde que para as grávidas parece ter um impacto ainda maior. Quer dizer, existe uma demora para ela chegar à assistência, e quando ela chega à assistência, existe uma demora para que essa assistência seja o que ela precisa. Então, se a grávida não está recebendo suporte ventilatório invasivo ou se ela não foi admitida na UTI e morreu, ela provavelmente não teve a assistência que ela precisaria ter. Então isso reflete o colapso do sistema de saúde”.

De acordo com o levantamento, 14,6% das mulheres grávidas com Covid-19 não receberam nenhum suporte ventilatório, 22,6% não foram admitidas em UTI e apenas 64% receberam ventilação mecânica. Os problemas principais são a demora no diagnóstico, ou seja, a falta de testagem, e também o acesso aos cuidados após a confirmação da doença. Além da estrutura de saúde, os pesquisadores acreditam que o número de grávidas mortas durante a pandemia no Brasil se difere de outros países por causa das condições da população mais vulnerável socialmente, com deficiências crônicas de acesso ao cuidado intensivo.

Mesmo sem a informação constar neste estudo, a médica Carla Andreucci revela que há uma relação entre as mortes e condições étnico-sociais: grávidas pretas e com renda menor são as que mais morrem no país.

Para a pesquisadora, o potencial de cura da mulher grávida infectada pelo coronavírus é potencialmente maior do que outras pessoas do grupo de risco. “Muitas dessas pesquisadoras envolvidas neste projeto são da linha de frente (do combate ao coronavírus). O relato delas é de que elas (as grávidas) melhoram muito bem, as grávidas, elas têm potencial de cura muito alto. Que o problema parece ser a demora no diagnóstico e a falta de acesso aos recursos que ela precisa ter”, afirma Andreucci.

O levantamento destaca, ainda, que é preciso melhorar o atendimento pré-natal, identificar rapidamente a doença e garantir o acesso ao tratamento depois do diagnóstico.

Estudo aponta que o novo coronavírus mata mais grávidas no Brasil

O segundo colocado neste macabro ranking são os Estados Unidos, com 16 óbitos


(foto: Divulgação/Prefeitura de Araraquara)
(foto: Divulgação/Prefeitura de Araraquara)

A grande maioria das grávidas mortas por covid-19 em todo o mundo é brasileira. De acordo com estudo publicado na International Journal of Gynecology and Obstetrics, das 160 mortes registradas entre o início da epidemia e 18 de junho nada menos que 124 ocorreram no Brasil. O segundo colocado neste macabro ranking são os Estados Unidos, com 16 óbitos.

“São 188 territórios afetados pelo coronavírus em todo o mundo e o Brasil tem mais mortes maternas do que a soma de todos esses países”, resumiu a obstetra Melania Amorim, professora da Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, e uma das autoras do estudo. Para a pesquisadora, falhas graves no atendimento das gestantes brasileiras explicam o número tão elevado.
Os dados alarmantes foram noticiados inicialmente no blog sobre maternidade da jornalista Rita Lisauskas na última terça-feira. O estudo, publicado no último dia 10, é assinado também por especialistas da Unesp, UFSCAR, IMIP e UFSC.
Chamado de “A tragédia da Covid-19 no Brasil”, o trabalho foi feito com base em dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Das 978 grávidas ou mulheres no pós-parto diagnosticadas com covid-19 entre os dias 26 de fevereiro e 18 de junho no País, 124 morreram – um número 3,4 vezes superior ao total de mortes maternas relacionadas ao novo coronavírus em todo o mundo no mesmo período.
Os números indicam também que a taxa de letalidade da doença entre as grávidas no Brasil é de 12,7%, ou seja, a mais alta do mundo. Para se ter ideia, nos Estados Unidos, no mesmo período, 8 mil gestantes foram diagnosticadas com o novo coronavírus. Deste total, 16 morreram, uma grande diferença.
“Quando os primeiros casos surgiram no Brasil, começamos a pensar se nossa população seria diferente, mais suscetível”, explicou Melania. “O que constatamos foi que houve algumas mortes com fatores de risco associados, como problemas cardiovasculares e obesidade, mas houve mortes entre grávidas completamente saudáveis.”
Para o presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, Agnaldo Lopes, o número de mortes de grávidas no Brasil por covid-19 é muito significativo. “Há várias lacunas de conhecimento ainda sobre a covid-19 e uma delas é a relação entre a doença e a gravidez”, disse.

Vítima

A paulista de Macatuba Larissa Blanco, 23 anos, grávida de gêmeos, foi diagnosticada com a covid, no dia 12 de junho. A jovem gestante apresentou sintomas de gripe, mas só precisou ser internada no dia 26.
No dia seguinte à noite, ela foi transferida para um hospital particular de Botucatu e entrou em trabalho de parto. Em uma cesariana de emergência, nasceram com saúde, livres do vírus, os pequenos Guilherme e Gustavo, mas a mãe não resistiu. “Os dois pequenos vão precisar muito de mim e eles vão ouvir histórias e saber da mamãe que tiveram”, disse o marido, o inspetor técnico de qualidade Diego Rodrigues, de 24 anos.
Os médicos disseram que Larissa teve uma hemorragia e precisou de transfusão de sangue. Por causa da covid-19, o corpo não respondeu bem à necessidade de conter a hemorragia e ela sofreu uma parada cardíaca. (Colaborou José Maria Tomazela)
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.