HIDROXICLOROQUINA E CLOROQUINA PARA COVID-19. REVISÃO SISTEMÁTICA RÁPIDA

Leia a Matéria Original em Português

Hidroxicloroquina e cloroquina para COVID-19. Revisão sistemática rápida.

Esta revisão foi conduzida e está sendo atualizada pelo Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital Sírio-Libanês (NATS-HSL) em colaboração com a Disciplina de Economia e Gestão em Saúde, Unifesp. Os autores concederam permissão para hospedagem do texto no blog da Oxford-Brazil EBM Alliance.
A revisão rápida (rapid review methodology) mapeou e avaliou criticamente as evidências existentes sobre o uso de hidroxicloroquina e cloroquina para  COVID-19.
Nesta 5ª versão, as buscas foram conduzidas em 16 de abril de 2020 e serão atualizadas pela mesma equipe e disponibilizadas aqui.
Principais mudanças em relação a versão anterior:
  • Inclusão de mais um ensaio clínico randomizado totalizando 4 estudos com 294 pacientes hospitalizados.
  • Inclusão de mais 29 estudos clínicos comparativos em andamento, totalizando 94 estudos programados para incluir mais de 170.000 participantes.
  • A única metanálise possível (considerando disponibilidade de dados e homogeneidade dos estudos) não identificou benefício da hidroxicloroquina quanto à negativação da carga viral por PCR após sete dias (RR: 0,94; IC95%: 0,78 a 1,13; dois estudos, 180 participantes; I2= 0%; muito baixa certeza na evidência).
  • As conclusões da versão anterior desta revisão foram mantidas.

Com base nos resultados dos quatro estudos comparativos identificados nesta revisão, a eficácia e a segurança da hidroxicloroquina e da cloroquina em pacientes com COVID-19 ainda são incertas. Espera-se que os resultados dos 94 estudos em andamento possam modificar esta conclusão.

 

Versão atualizada 19/04/2020RS_rapida_hidroxicloroquina_COVID19_atualizacao_19_04_20.pdf

 

Versão anterior 10/04/2020:

Versão anterior 03/04/2020:

Versão anterior 27/03/2020:

Versão anterior 20/03/2020:

 


Sobre os autores:

Rachel Riera é professora de Medicina Baseada em Evidências na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ela está envolvida com o ensino da MBE nos últimos 18 anos e é co-fundadora da Oxford-Brazil EBM Alliance. Atualmente coordena o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Hospital Sírio-Libanês, São Paulo. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0591884301805680

Rafael Leite Pacheco é professor do Centro Universitário São Camilo, e pesquisador da Disciplina de Economia e Gestão em Saúde da Universidade Federal de São Paulo e do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde da SPDM. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5220382157272897

 

Efeito sobre a gravidez por Ministério da Saúde

Efeito sobre a gravidez
Informações compiladas de:
Royal College of Obstetricians & Gynaecologists, April 10, 2020
PUBMED
OMS
Ministério da Saúde
G1
Marcos Leite dos Santos
10 de abril de 2020
Aproximadamente 80% das infecções no COVID-19 são leves ou assintomáticas, 15% são graves e requerem oxigênio suplementar e 5% são críticos, exigindo ventilação mecânica, ou seja, o uso de respiradores [ ]. Segundo o Ministério da Saúde, há 65.411 ventiladores mecânicos no país, sendo que 46.663 estão no Sistema Único de Saúde (SUS). Do total, 3.639 encontram-se em manutenção ou ainda não foram instalados. Não é viável prever, com exatidão, de quantos aparelhos o Brasil necessitará nas próximas semanas – dependerá do número de contaminações. Mas é possível dizer que a distribuição dos respiradores é desigual.
Segundo Luiza Tenente, em reportagem publicada no G1 em 02/04/2020 às 12h00:
Especialistas reforçam que, com o agravamento da pandemia, há outros elementos, além do respirador, que também são necessários para os casos graves da Covid-19. O levantamento acima leva em conta apenas os ventiladores, porque são os equipamentos mais importantes.
Segundo Paulo Cesar Bastos Vieira, coordenador da UTI da disciplina de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), também são exigidos, em ordem de relevância:
• o oxímetro (aparelho para medir a oxigenação do sangue),
• o capnógrafo (monitor de gás carbônico exalado)
• e as bombas de infusão (equipamentos que administram medicamento no sangue).
Além deles, há os tubos, os bicos plásticos, a cama, a tomada que fornece energia e os demais acessórios do aparelho.
E é preciso reforçar: não basta ter todos os equipamentos, nem mesmo adquirir mais respiradores, se não houver profissionais da saúde habilitados para fazer o monitoramento dos pacientes.
Daí vem a maior razão para todos nós ficarmos em casa, e dado os novos casos documentados na literatura médica, as grávidas em especial.
Alterações nos sistemas cardiorrespiratório e imunológico durante a gravidez aumentam a suscetibilidade a infecções graves e hipóxia (falta de ar), mas também pode atrasar o diagnóstico e controle da fonte naquelas apenas com sintomas suaves do trato respiratório superior, como dor de garganta e congestão nasal – este último é observado em 5% dos pacientes com COVID-19 [ ].
A rinite gestacional, devido à hiperemia da nasofaringe mediada por estrogênio, geralmente afeta um quinto das mulheres saudáveis no final da gravidez e resulta em acentuada congestão nasal e rinorreia (corrimento nasal) – essas alterações fisiológicas podem mascarar os sintomas da COVID-19, causando dificuldades no diagnóstico levando a um grande número de casos não diagnosticados com o consequente aumento da transmissão para a comunidade.
Falta de ar (dispneia) ocorre em 18% dos pacientes com COVID-19 [ii]. Entretanto, a dispneia fisiológica causada pelo aumento da demanda materna de oxigênio devido ao aumento do metabolismo, anemia e consumo fetal de oxigênio são comuns na gravidez [ ] e devem ser distinguida da falta de ar patológica. Além disso, os volumes pulmonares são alterados – capacidade residual funcional, volume expiratório final e volume residual diminuem progressivamente desde o início da gravidez devido à compressão diafragmática pelo útero gravídico, resultando em redução da capacidade total do pulmão no final da gravidez e incapacidade de limpar eficazmente as secreções pulmonares [ ]. Esses aspectos são importantes, uma vez que a pneumonia por COVID-19 progride rapidamente para consolidação bilateral difusa do parênquima pulmonar [ ], que no contexto das alterações pulmonares descritas acima, predispõem mais prontamente à insuficiência respiratória hipoxêmica na gravidez.
Até agora, os resultados da COVID-19 para a mãe parecem mais promissores em comparação com SARS e MERS. As revisões sistemáticas revelam uma taxa de mortalidade de 0%, 18% e 25% para COVID-19, SARS e MERS respectivamente – nos dois últimos, insuficiência respiratória progressiva e sepse grave foram as causas mais frequentes [ , ] Isso não é surpreendente, dada a predisposição a sobreposição de infecções bacterianas devido a lesão direta da mucosa, desregulação das respostas imunes e alterações no microbioma respiratório após pneumonia viral [ ]. A deterioração do quadro clínico ainda pode ocorrer no puerpério [ ], exigindo monitoramento atento e contínuo.
Semelhante em mulheres não grávidas, as características predominantes da COVID-19 na gravidez são: febre, tosse, dispneia e linfopenia (diminuição dos linfócitos observados no hemograma).
Há relatos de casos de parto prematuro em mulheres com COVID-19, mas não está claro se todos esses partos foram prematuros por indicação médica ou se alguns eram espontâneos. Os partos induzidos por razões médicas maternas foram predominantemente relacionados à infecção viral; em pelo menos um caso houve evidências de comprometimento fetal e ruptura prematura das membranas anteparto [ ].
Efeito sobre o bebê
Existe um risco teórico de transmissão vertical, semelhante a outra doenças transmitidas por outros corona vírus. Existe um receptor na placenta (ACE2) que apresenta uma afinidade semelhante entre SARS-CoV-1 e SARS-CoV-2 (COVID-19) [ ].
Evidências emergentes sugerem, ainda que fracamente, que a transmissão de uma mulher para seu bebê durante a gravidez ou o nascimento (transmissão vertical) é possível. Houve dois relatos caso em que isso parece provável, mas de maneira reconfortante, os bebês receberam alta do hospital e estão bem [ , ].
Contudo, não houve casos confirmados de transmissão vertical entre 46 outros neonatos [ , , , , , , ] nascidos de mães infectadas com COVID-19, por evidências que demostraram a ausência de vírus isolados no líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, swab de leite materno e da garganta dos bebês em um subconjunto desses pacientes [xiii]
Em uma outra publicação foram avaliados os resultados relatados na literatura de 55 gestantes infectadas com COVID-19 e 46 neonatos, sem evidência definida de transmissão vertical. Alterações fisiológicas e mecânicas na gravidez aumentam a suscetibilidade a infecções em geral, principalmente quando o sistema cardiorrespiratório é afetado, e estimulam a rápida progressão para insuficiência respiratória na gravida. Além disso, alterações do sistema imunológico na gravidez deixa a mãe vulnerável a infecções virais. Esses desafios únicos exigem uma abordagem integrada das gestações afetadas pela SARS-CoV-2.
Atualmente não existem dados sugestivos de risco aumentado de aborto ou perda precoce da gravidez em relação à COVID-19. Estudos de casos sobre gravidez precoce com SARS e MERS não demonstram uma relação convincente entre infecção e aumento do risco de aborto ou perda no segundo trimestre [ ].
Como não há evidência suficientemente forte de infecção fetal intrauterina com a COVID-19, é atualmente considerado improvável que haja efeitos congênitos do vírus no desenvolvimento do bebê. Não há evidências atualmente que o vírus seja teratogênico, ou seja, que tenha a capacidade de gerar malformações no feto.
Recentemente foi publicado um relato de caso: em relação à transmissão vertical (transmissão da mãe para o bebê antes do nascimento ou intraparto), evidências recentemente publicadas sugerem a possibilidade da transmissão vertical, embora a proporção de gestações afetadas e o significado para o neonato ainda não tenha sido determinado. Conforme visto anteriormente, os relatos de casos na China sugeriram que não havia evidências de contaminação do líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, esfregaços de orofaringe dos recém nascidos, esfregaços placentários, amostras de fluidos genitais e leite materno de mães infectadas com COVID-19
O novo relatório publicado na quinta-feira, 26 de março de 2020[ ], descreve uma única dupla mãe-bebê no qual o bebê, nascido de uma mãe com COVID-19, apresentava SARS-COV-2 IgM no soro ao nascer. Desde que a IgM não atravessa a barreira placentária, é provável que represente uma resposta imune neonatal à infecção no útero.
IMPORTANTE: As evidências acima são todas baseadas em uma ÚNICA descrição de caso. A situação pode mudar e continuaremos a monitorar resultados. O Reino Unido acaba de iniciar um monitoramento centralizado e em tempo real das mães afetadas e seus bebês através do UKOSS – Obstetric Surveillance System [ ].
Reforçando a orientação da OMS sobre a importância do isolamento social, os novos dados liberados no dia 25 de março pelo CDC sugerem que adultos de todas as idades podem evoluir para a forma grave da COVID-19. Os dados mostram que 20% das mortes registradas nos EUA eram de pessoas com idades entre 20 e 65 anos e 20% das pessoas hospitalizadas nos Estados Unidos tinham entre 20 e 44 anos, conforme relatado pelo Medscape.
Concluindo, as mulheres grávidas representam um grupo especialmente vulnerável em qualquer surto de doença infecciosa devido à sua fisiologia alterada, suscetibilidade a infecções, comprometimento mecânico e alteração da imunidade. A necessidade de salvaguardar o seu bebê aumenta o desafio de gerenciar sua saúde. São necessárias precauções especiais para minimizar a infecção cruzada nos serviços de saúde, onde os prestadores, durante a execução de procedimentos que requerem contato físico próximo, promovem e são expostos à exposição de gotículas e outras secreções, como p. ex., no parto vaginal. Grande parte do manejo obstétrico é baseado em recomendações de consenso e melhores práticas como dados de eficácia clínica. O uso de antivirais e o uso de corticosteroides estão evoluindo. Novos protocolos estão sendo implantados como o uso de plasma extraído de homens que confirmadamente tiveram a COVID-19 e se encontram curados, o uso da hidroxicloroquina, da azitromicina, e o desenvolvimento de vacina específica para o novo corona vírus estão em desenvolvimento.
Mas enquanto não surge um tratamento adequado ou uma vacina eficaz nossas orientações gerais são:
Se você está infectada com o novo Corona vírus, é mais provável que não tenha sintomas ou, na maioria das vezes, uma doença leve; assim sendo, você terá uma recuperação completa. Mas lembre-se que pode você poderá contaminar as pessoas que cuidarão de você.
Se você desenvolver sintomas mais graves ou se sua recuperação for lenta, isso pode ser um sinal de que você está desenvolvendo uma infecção pulmonar mais grave e que necessite de tratamento médico especializado, e nosso conselho permanece:
Se você sentir que seus sintomas estão piorando ou se não estiver melhorando, entre em contato com o seu médico para discutir a melhor conduta.
Dado ao conhecimento limitado atualmente disponível sobre como a COVID-19 poderia afetar a gravidez, e os novos casos de infecção de bebês, os casos relatados de piora acentuada e morte no período pós-parto, considera-se prudente que as mulheres grávidas aumentassem seu distanciamento social para reduzir o risco de infecção. FIQUE EM CASA
Você deve prestar especial atenção e evitar o contato com pessoas que sabidamente tenham a COVID-19 ou aqueles que apresentam sintomas compatíveis com a doença.
Mulheres acima de 28 semanas de gestação devem estar particularmente atentas ao distanciamento social e à minimização do contato com outros indivíduos.
Veja um resumo da reportagem de Luiza Tenente:
• Em 861 cidades, há apenas um ventilador mecânico disponível. A maior parte dos equipamentos está concentrada nas capitais.
• A previsão de um órgão latino-americano é de que, em um cenário de baixo impacto, faltem respiradores no Brasil em 15 dias.
• Os respiradores são os principais equipamentos necessários para o atendimento de casos graves da Covid-19.
• Provavelmente, faltarão profissionais de saúde para trabalhar nas UTIs e operar os respiradores mecânicos.
• Nos casos graves, pacientes com o novo coronavírus têm insuficiência respiratória. Os músculos trabalham mais para garantir a troca gasosa – e, com o esforço excessivo, sobrecarregam o coração.
• O ventilador mecânico trabalhará para auxiliar a respiração e “empurrar” o oxigênio para dentro dos pulmões. Sem o equipamento, um paciente em estado grave pode ter falência de órgãos e morrer.
• Os respiradores são caros. Por isso, universidades federais estão desenvolvendo projetos de aparelhos mais baratos, que possam ser usados em situações de emergência.

Gestantes e puérperas entram no grupo de risco para a covid-19

O Ministério da Saúde incluiu gestantes e puérperas no grupo de risco para o novo coronavírus — ou seja, para o grupo de pessoas que têm mais chance de que a doença evolua para quadros graves. De acordo com informações da pasta, todas as grávidas ou mulheres que deram à luz estão mais suscetíveis aos efeitos da covid-19 por até 45 dias após o parto. Antes, vinham sendo consideradas grupo de risco apenas gestantes de alto risco. Ainda não há estudos conclusivos que comprovem um perigo maior da covid-19 para grávidas e puérperas, mas a inclusão dessas mulheres no grupo de risco levou em consideração a ação de outros coronavírus e vírus gripais já conhecidos e estudados.

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Pesquisas para enfrentamento da COVID-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves

Pesquisas para enfrentamento da COVID-19, suas consequências e outras síndromes respiratórias agudas graves – Clique aqui e participe

A iniciativa é uma parceria do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Saúde (MS), por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde (Decit/SCTIE). O investimento total é de R$ 50 milhões, sendo R$ 30 milhões do FNDCT/MCTIC e R$ 20 mihões do Decit/SCTIE/MS.

 A Chamada Pública possui onze linhas temáticas, que incluem prevenção e controle, diagnóstico, tratamento, vacinas, atenção à saúde e carga de doença, entre outros.

 Os critérios que definirão a contratação dos estudos, além do mérito científico, baseiam-se na aplicabilidade para o SUS, potencial impacto e relevância do projeto para o aprimoramento da atenção à saúde e vigilância da COVID-19, perspectiva de impacto positivo nas condições de saúde da população e participação em rede ou em estudos multicêntricos ou com abrangência nacional.

 

Os projetos submetidos deverão ser coordenados apenas por pesquisadores que tenham o título de doutor ou livre docência e que sejam vinculados a Instituições Científica, Tecnológica e de Inovação (ICT), públicas ou privadas sem fins lucrativos. A chamada prevê ainda, a possibilidade de participação das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs), a partir de co-financiamento a propostas selecionadas cujas instituições-sede estejam em seus respectivos estados.

 O prazo para submissão será até o dia 27/04/2020.

 Esta é uma oportunidade de contribuir com a produção de conhecimentos, formação de recursos humanos, geração de produtos nacionais voltados para a melhoria das condições de saúde da população e para o avanço da ciência brasileira e conto com seu apoio para ampla divulgação do chamamento.

ESTUDO MOSTRA NOVOS MATERIAIS PARA CONFECÇÃO DE MÁSCARAS CASEIRAS

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Em tempos de pandemia, equipamentos de produção individual (EPIs) têm sido muito utilizados e procurados em território nacional. Na sexta-feira (03/04), o Governo brasileiro afirmou que vai comprar 240 milhões de máscaras da China em caráter emergencial. Nos próximos dias, essa demanda deve aumentar, pois, apesar da Organização Mundial de Saúde (OMS) já ter recomendado o uso do utensílio apenas para pessoas com sintomas e profissionais de saúde, outras autoridades em saúde, como o Ministério da Saúde (MS), passaram a indicar o produto (na versão caseira) para a população em geral.

Em entrevista coletiva na quarta-feira (01/04), o ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, recomendou que a população, em geral, utilize máscaras caseiras ao sair de casa. Nesse sentido, o pneumologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Elie Fiss, explicou que as orientações podem mudar de acordo com o avanço da pandemia.

“Quando tínhamos poucos infectados, não fazia sentido todo mundo andar de máscara. Mas, agora, o número de casos cresceu e sabemos que boa parte deles é assintomático”, explicou o médico, em entrevista ao site Bem Estar. Contudo, com as novas diretrizes é importante que, inclusive, estabelecimentos que comercializam esses produtos, como farmácias, por exemplo, estejam cientes dos benefícios do produto que estão oferecendo à população.

Melhor material caseiro

Nesse sentido, uma pergunta que fica no ar é: qual o melhor material para fazer uma máscara caseira contra o novo coronavírus?

Antes de tudo, é preciso explicar que especialistas são unânimes em afirmar que cobrir o rosto com tecidos diferentes pode reduzir, significantemente, as partículas com vírus que estão saindo por meio de tosses e espirros de uma pessoa infectada, entretanto, impedir a entrada de doenças já exige uma análise mais profunda.

De acordo com uma matéria publicada no New York Times, entre um tecido e outro há diferenças quando a questão é proteção contra o vírus causador da Covid-19. Segundo o veículo, testes realizados nos Estados Unidos mostraram que filtros de ar, sacos de aspirador de pó, fronhas com mais de 600 fios e tecidos semelhantes aos pijamas de flanela cumprem bem a tarefa de proteger quem não está infectado pelo vírus.

No entanto, a recomendação é que alguns filtros sejam envelopados em outros tecidos, já que podem soltar fragmentos de pequenas fibras que ao serem inaladas podem ser nocivas à saúde humana.

Outros tipos de filtros que apresentaram bons resultados foram os de café, que tiveram uma performance mediana em relação à proteção contra o novo coronavírus. Já materiais de lenços e bandanas tiveram baixo desempenho, entretanto, conseguiram capturar uma pequena quantidade de partículas

No estudo, os pesquisadores ainda descobriram que muitos dos tecidos analisados para a produção das máscaras caseiras podem apresentar maior eficácia na proteção quando dobrados diversas vezes. A fronha de 600 fios, por exemplo, capturou 22% das partículas quando dobrada duas vezes. No entanto, quando o número de dobras aumentou para quatro, a barreira de absorção subiu para 60%.

Já um lenço de lã grosso filtrou apenas 21% das partículas quando dobrado duas vezes, entretanto, em quatro camadas, a captura aumentou para 48%. Por sua vez, a bandana de algodão teve o pior desempenho neste teste, capturando apenas 18,2%, quando feitas duas dobras, e 19,5%, quando realizadas o dobro.

Outros testes

No caso de tecidos que não foram citados na relação divulgada pelo jornal americano, ainda existe um teste caseiro que pode ser feito para identificar um material que pode ser utilizado na confecção de máscaras caseiras.

Ao veículo, o médico, Scott Segal, que estudou variações de máscaras, recomendou: “Segure-o contra uma luz forte. Se a luz passar com muita facilidade pelas fibras do tecido, ou se você puder ver as fibras contra a luz, o material não é uma boa escolha. Se o tecido tiver um tear mais denso ou for de um material mais grosso, que não permite que a luz passe por ele, este é o material que você quer usar”, explicou.

Cautela

Contudo, os pesquisadores reforçaram ao veículo que é importante lembrar que essas análises foram conduzidas em perfeitas condições, ou seja, sem vazamentos de fendas nas máscaras. No entanto, o estudo mostrou diferentes formas de comparar a eficácia de alguns materiais para o uso caseiro.

Segundo os cientistas, que participaram da iniciativa, as máscaras para uso caseiro cumprem bem o papel de auxiliar na proteção dos usuários em meio à quarentena, pois, diferentemente dos profissionais de saúde, em tese, essa parte da população está em isolamento social.

Vale ressaltar que as máscaras caseiras são diferentes das utilizadas por profissionais que atuam na linha de frente no combate à pandemia, como farmacêuticos, médicos e enfermeiros, por exemplo. Para esses trabalhadores, o produto ideal é a máscara médica chamada de respirador N95, que filtra, pelo menos, 95% das partículas de até 0,3 mícrons.

 

Instituição faz alerta sobre riscos para crianças durante quarentena

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A Childhood Brasil, que faz parte de uma instituição internacional de defesa dos direitos de crianças e adolescentes, alertou para possíveis riscos para os menores durante o período de quarentena devido ao novo coronavírus. Segundo a organização, é importante que pais e responsáveis fiquem atentos para proteger esses grupos.

O alerta foi feito após a divulgação de dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que apontam um aumento no número de denúncias de violação de direitos humanos no período de 14 a 24 de março de 2020. O intervalo analisado abrange o início do isolamento social no Brasil, com medidas como a suspensão de aulas.

Roberta Rivelino, presidente da Childhood Brasil, explica que esse cenário de maior presença em casa pode propiciar a ocorrência de crimes contra crianças e adolescentes. “Residências que passavam por tensões intrafamiliares podem ter no confinamento um gatilho de violências contra crianças e adolescentes”, comenta ela.

Além das agressões físicas, as crianças também poder ser vítimas de agressões verbais e abusos sexuais. “Conversas inapropriadas, espiar o corpo da criança ou do adolescente, fotografias e vídeos divulgados na internet com nudez, dentre outras, também configuram violências sexuais”, pontua Roberta.

Nesse sentido, é importante que os pais e responsáveis também fiquem atentos à forma como crianças e adolescentes estão usando a internet, e a organização ressalta que  conversas sobre o uso correto de ferramentas digitais é mais importante que proibições quanto ao uso. “A velha regra ‘não fale com estranhos’ também serve para a comunicação virtual”, destaca a presidente.

As denúncias referentes a violências contra crianças, adolescentes e idosos podem ser feitas pelo número 100. Já violências contra mulheres podem ser denunciadas no número 180.

Gestação e puerpério em tempos de COVID

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Estar grávida e na reta final da gestação costuma ser um período de muitas emoções. Além da expectativa do parto e de finalmente conhecer o rostinho do filho, é nessa fase que, normalmente, as famílias estão nos últimos preparativos, exames e compras do enxoval. Mas não são tempos normais. Com a pandemia do coronavírus e as diversas restrições por conta do isolamento social no Brasil, os planos de muitas grávidas mudaram. Conversamos com algumas gestantes para saber quais são os principais impactos nas suas vidas.

No dia mundial da saúde, ONU homenageia profissionais de enfermagem e obstetrícia

No dia mundial da saúde, ONU homenageia profissionais de enfermagem e obstetrícia

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Em uma mensagem especial em vídeo dedicada ao Dia Mundial da Saúde, lembrado anualmente em 7 de abril, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou que a data é marcada em um ano particularmente difícil para todos.

“Hoje, minha mensagem é para nossos profissionais de saúde – enfermeiras(os), parteiras(os), técnicos, paramédicos, farmacêuticos, médicos, motoristas, profissionais de limpeza, administradores e muitos outros – que trabalham dia e noite para nos manter seguros.”

Confira aqui o vídeo.

 

Em uma mensagem especial em vídeo dedicada ao Dia Mundial da Saúde, lembrado anualmente em 7 de abril, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, destacou que a data é marcada em um ano particularmente difícil para todos.

“Hoje, minha mensagem é para nossos profissionais de saúde – enfermeiras(os), parteiras(os), técnicos, paramédicos, farmacêuticos, médicos, motoristas, profissionais de limpeza, administradores e muitos outros – que trabalham dia e noite para nos manter seguros”, disse.

“Hoje, estamos mais profundamente gratos do que nunca a todos vocês, enquanto trabalham sem parar, colocando-se em risco, para combater os danos dessa pandemia.”

Ele lembrou que 2020 é o ano internacional das(os) profissionais de enfermagem e obstetrícia, reconhecendo “sua experiência e compromisso especiais”.

“Todos nós temos motivos para agradecer pelo cuidado e profissionalismo das(os) enfermeiras(os) e parteiras(os). Eu sei que eu tenho”, disse Guterres.

O secretário-geral lembrou que enfermeiras e enfermeiros assumem alguns dos maiores encargos com a saúde, realizando trabalhos difíceis e aguentando longas horas – muitas vezes com risco de lesões, infecções e uma carga de saúde mental pesada. “Elas(es) geralmente oferecem conforto no final da vida”, lembrou.

Já as parteiras proporcionam conforto no início da vida, acrescentou. “Durante uma pandemia, o trabalho delas(es) é ainda mais desafiador, pois trazem nossos recém-nascidos com segurança para este mundo.”

E encerrou: “Às(os) enfermeiras(os) e parteiras(os) do mundo: obrigado pelo seu trabalho. Nestes tempos traumáticos, digo a todos os profissionais de saúde: estamos com você e contamos com você. Vocês nos deixam orgulhosos; vocês nos inspiram. Somos gratos a vocês. Obrigado pela diferença que estão fazendo, todos os dias e em todos os lugares.”