UNA-SUS tem conteúdo dedicado a COVID-19

O Sistema Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) coordenado pelo Ministério da Saúde, por meio da atuação conjunta da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES/MS) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), conta com uma rede colaborativa formada atualmente por 35 instituições de ensino superior que oferecem cursos a distância gratuitamente.

Atualmente o portal reúne artigos dedicados ao coronavírus e a COVID-19.

Veja abaixo parte do conteúdo disponibilizado:

 

Acesse o site da UNA-SUS para consultar todos os artigos.

Precisão da taxa de mortalidade materna e a metodologia atualizada do NCHS: a importância de dados de qualidade

Publicado originalmente no site MATERNAL HEALTH TASK FORCE. Harvard Chan School Center of Excellence in Maternal and Child Health (em inglês)

https://web.whatsapp.com/By: Alison Dingwall, Principal Social Behavioral Scientist, MITRE; Rachel Mayer, Senior Health Systems Analyst, MITRE; Samuel Volkin, Healthcare Policy Analyst, MITRE

Alison Dingwall
Rachel Mayer
Samuel Volkin

Maternal mortality is a growing concern for women in the United States. The upward trend of pregnancy-related causes of death is alarming and requires attention to data surveillance and analysis. This commentary discusses the history of maternal mortality data quality issues and considers whether the new methodology from the National Center for Health Statistics (NCHS) within the Centers for Disease Control and Prevention (CDC) sufficiently addresses these issues and what work still needs to be done.

Acknowledging flaws in how maternal mortality data is collected and analyzed, The NCHS’ National Vital Statistics System (NVSS) suspended its publication of maternal mortality data in 2007. Since then, substantial literature emerged detailing common errors in state-level maternal mortality data collection and reporting. Based on these findings, the NCHS released an updated methodology for coding maternal deaths and applied it to 2018 maternal mortality data, which was released in January 2020.

Errors in maternal mortality data begin with inaccurate information on death certificates. The cause-of-death section of the death certificate is used to assign International Classification of Disease (ICD) codes, which contain a list of codes specific to pregnancy. According to the former NCHS 2003–2017 method for coding maternal deaths, an ICD maternal code is assigned if there is indication of pregnancy on the death certificate through any one of the three occurrences:

  1. when causes specific to pregnancy, delivery, or the puerperium are reported in the cause-of-death section of the death certificate;
  2. when pregnancy is mentioned among the medical conditions reported on the death certificate;
  3. when there is a response in the checkbox item that indicates the woman had been pregnant at the time of death or in the preceding year.

Despite the NCHS’ need for accurate death certificate data, errors in cause of death certification occur in one out of every three death certificates. Of particular concern are the lack of and inconsistencies in formal death certificate training and in the reporting of cases of maternal mortality.

The NCHS’ New Approach

The NCHS 2018 method for coding maternal deaths introduced two changes to the 2003–2017 method. In response to the common occurrence of false-positive of maternal deaths amongst women ages 45 and older, the new NCHS method limits the use of the  pregnancy checkbox to women between the ages of 10–44.

The second NCHS change intended to capture additional details related to a pregnant woman’s cause-of-death.  In the 2003–2017 method, if a pregnancy checkbox was marked, all the medical conditions reported on the death certificate would automatically be assigned maternal ICD codes. This made it difficult for NCHS scientists to discern whether the cause of death written on the death certificate was related to maternity or not, which is important information to have in order to confirm whether the pregnancy checkbox was marked correctly. With this change, the 2018 method better reflects what was recorded on the death certificate and allows NCHS scientists to flag files more easily that may have been incorrectly labeled as maternal.

Looking Forward

The changes introduced by the NCHS revised 2018 method may result in an underreporting of maternal deaths in women ages 45 and older. Incremental changes made by NCHS are important and leave the maternal health community with many outstanding opportunities to improve pregnancy-related death statistics.

The onus of improving the quality of maternal mortality data does not rest on the shoulders of the NCHS alone. The NCHS is the federal entity responsible for national mortality data. However, since local jurisdictions including states, territories, and cities own the data and have purview over both collection and reporting of vital statistics, the federal government cannot unilaterally impose a solution. Instead, federal-, state-, territory-, and city-level stakeholders could collaborate to review and improve systems used by each jurisdiction.

Local jurisdictions need to implement more rigorous and standardized death certification training to ensure accurate and reliable documentation. There must also be alignment of data reporting to NCHS and existing state-level maternal mortality review committees that review each case of maternal death. An alignment would increase the quality of data that NCHS receives. With accurate data, maternal health professionals and policy makers can be certain that they are focusing resources where needed to reduce maternal mortality rates in the United States.

Reprinted with consent from the MITRE Corporation

Saúde reprodutiva e a covid-19: o escândalo da morte materna

Não há dados oficiais sobre a morte de mulheres na gravidez causada pela covid-19. A ambiguidade da recomendação da OMS para grávidas leva a protocolos de saúde variados

Publicado originalmente no El País
Opinião de Debora Diniz, antropóloga, professora universitária, pesquisadora, ensaísta, e documentarista brasileira; e Giselle Carino é argentina, cientista política e diretora da IPPF/WHR.

Uma mulher grávida caminha em Paris.
Uma mulher grávida caminha em Paris.JOEL SAGET / AFP

Não há dados oficiais sobre a morte de mulheres na gravidez causada por covid-19. Há também incerteza científica sobre os efeitos de covid-19 nas mulheres grávidas. Melania Amorim é uma médica brasileira de beira do leito e uma pesquisadora conhecida por denunciar o horror que é a morte materna: para ela, “não há como dizer letalidade zero quando se fala de morte materna e covid-19”. Recentemente, a equipe de Amorim levantou vinte mortes de mulheres grávidas pela covid-19 no Brasil: em 45 dias ocorreram mais mortes de grávidas que todas de 2019 pelo vírus H1N1. As fontes dos pesquisadores não são estatísticas oficiais do Ministério da Saúde, mas resquícios da tragédia: trabalham com notícias de jornal que publicam a morte de mulheres que morreram de covid-19 durante a gravidez ou logo após o parto.

Rafaela da Silva de Jesus morreu 5 dias após o parto da primeira filha. Seu caso é descrito como o primeiro de morte materna no Brasil. Rafaela era professora de crianças, morava em uma cidade do interior da Bahia, onde o vírus demoraria a chegar não fosse o turismo de gente rica com trânsito internacional. Ela morreu sem ter acesso à unidade de terapia de intensiva no dia 2 de abril, quando os casos de covid-19 ainda não haviam alcançado a cifra das milhares de mortes, tornando, hoje, o Brasil um dos epicentros globais. Depois de Rafaela, já morreram Viviane Albuquerque, de 33 anos; Priscila dos Santos, de 36 anos; Aline de Oliveira, 35 anos.

A lista aumenta à medida que as notícias rompem o atacado das estatísticas que se preocupam em classificar os corpos como velhos ou pelas doenças prévias. Na multidão dos números, as histórias trágicas dessas mulheres desaparecem como um detalhe do horror da pandemia. Mas o que tornaria a morte dessas mulheres mais surpreendente que a morte de milhares de pessoas que todos os dias morrem de covid-19? O fato de que toda morte materna pode ser uma morte evitável se o acesso aos serviços de saúde ― especialmente os serviços de saúde reprodutiva ― for assegurado.

Não há estudos científicos que comprovem a relação entre gravidez e maior risco de morte materna por covid-19, e a equipe de Amorim é cautelosa em levantar os números e analisá-los à luz da frágil literatura médica internacional. As séries chinesas começam a ser revisadas em busca da correlação. Um recente estudo da Agência de Saúde Pública da Suécia calculou o risco de internação em UTI por covid-19 entre mulheres de 20 a 45 anos, grávidas e não grávidas, e os resultados sugerem que formas mais graves da doença podem ser mais frequentes entre as grávidas e puérperas. Isso significa que mulheres grávidas com covid-19 teriam maiores chances de chegarem a precisar de ventilação mecânica ou UTI. Como foi o caso de Rafaela.

Outro estudo de base populacional no Reino Unido com 427 mulheres grávidas hospitalizadas por covid-19, entre os meses de março e abril, mostrou que a maioria das mulheres grávidas hospitalizadas estava no final do segundo ou terceiro trimestre da gestação. Os resultados do estudo indicam a importância das regras de distanciamento social, inclusive no final da gravidez, além da chance reduzida de transmissão vertical do vírus da mulher para a feto. Tão importante quanto os aspectos médicos do estudo, foi a identificação de maiores riscos de adoecimento grave por covid-19 entre as mulheres grávidas negras, isto é, mulheres em maior vulnerabilidade social. Novamente, essa foi a história de Rafaela: uma mulher negra de uma região vulnerável do Brasil.

A Organização Mundial de Saúde sustenta ambiguamente que “os dados são limitados, mas atualmente não há evidência de que as mulheres grávidas estejam em maior risco de doença grave que a população em geral”. E em seguida o documento continua: “no entanto, devido a alterações em seus corpos e sistemas imunológicos, sabemos que as mulheres grávidas podem ser seriamente afetadas por algumas infecções respiratórias”. A ambiguidade da recomendação leva a protocolos de saúde variados sobre como associar a resposta ao covid-19 e necessidades permanentes de saúde reprodutiva das mulheres. A verdade é que muitos países não incorporaram saúde reprodutiva no pacote emergencial de saúde a ser oferecido em resposta à pandemia. O resultado é que descobrimos os efeitos do silêncio sobre saúde reprodutiva da maneira mais escandalosa e irreversível ― pela morte de mulheres no parto ou no puerpério.