In Mexico, Childbirth in Covid’s Shadow

Do The New York Times

Midwives and doctors struggle to help women give birth safely during the grim days of the pandemic.

Doctors released Alejandra Guevarra Villegas, 19, from the operating room after delivering her baby girl by emergency C-section in San Luis Acatlán, a small town in the Costa Chica zone in the Mexican state of Guerrero.

 

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Rafaela López Juárez was determined that if she ever had another child, she would try to give birth at home with a trusted midwife, surrounded by family. Her first birth at a hospital had been a traumatic ordeal, and her perspective changed drastically afterward, when she trained to become a professional midwife.

“What women want is a birth experience centered on respect and dignity,” she said. She believes that low-risk births should occur outside hospitals, in homes or in dedicated birth centers, where women can choose how they want to give birth.

In late February, Ms. López and her family were anticipating the arrival of her second child at their home in Xalapa, Mexico, while following the ominous news of the encroaching coronavirus pandemic. She gave birth to Joshua, a healthy baby boy, on Feb. 28, the same day that Mexico confirmed its first case of Covid-19. Ms. López wondered how the pandemic would affect her profession.

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Covid-19 e morte fetal no primeiro trimestre

 

Texto de Melania Amorim

@melania44 

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COVID-19 e morte fetal no primeiro trimestre
A doença por coronavírus 2019 (COVID-19) é causada pela infecção do trato respiratório por SARS-CoV-2, que sobrevive nos tecidos durante o curso clínico da infecção, mas há evidências limitadas de infecção placentária e transmissão vertical de SARS-CoV-2 . O impacto da COVID-19 na gravidez de primeiro trimestre permanece pouco compreendido. Além disso, não se sabe por quanto tempo o SARS-CoV-2 pode sobreviver na placenta.
Aqui, relatamos o caso de uma mulher grávida no primeiro trimestre que apresentou resultado positivo para SARS-CoV-2 com 8 semanas de gestação, embora seu curso clínico tenha sido assintomático. Na 13ª semana de gestação, seu esfregaço de garganta testou negativo para SARS-CoV-2, mas o RNA viral foi detectado na placenta e as proteínas Spike (S) (S1 e S2) foram imunolocalizadas no citotrofoblasto e células sincitiotrofoblastas das vilosidades placentárias.
Histologicamente, as vilosidades eram geralmente avasculares com deposição de fibrina peri-vilositária e em algumas áreas a camada de sincitiotrofoblasto parecia lisada. A decídua também apresentava deposição de fibrina com extensa infiltração leucocitária sugestiva de inflamação.
O SARS-CoV-2 cruzou a barreira placentária, pois o RNA viral foi detectado no líquido amniótico e as proteínas S foram detectadas na membrana fetal. A ultrassonografia revelou edema subcutâneo extenso com derrame pleural sugestivo de hidropisia fetal e a ausência de atividade cardíaca indicou morte fetal.
Este é o primeiro estudo a fornecer evidências concretas de infecção placentária persistente de SARS-CoV-2 e sua transmissão congênita associada com hidropisia fetal e morte fetal intrauterina no início da gravidez.

Vacina contra a covid-19, do veneno ao antídoto em um ano

Do El País
Vacinada aos 90. Uma enfermeira do Hospital Universitário de Coventry (Inglaterra) aplica à paciente Margaret Keenan, de 90 anos, a vacina da PfizerBioNtech contra a covid-19, em 8 de dezembro. Keenan se tornou assim a primeira pessoa vacinada no Reino Unido, que se antecipou aos outros países europeus e aos EUA na autorização do soro contra o novo coronavírus.
Vacinada aos 90. Uma enfermeira do Hospital Universitário de Coventry (Inglaterra) aplica à paciente Margaret Keenan, de 90 anos, a vacina da Pfizer/BioNtech contra a covid-19, em 8 de dezembro. Keenan se tornou assim a primeira pessoa vacinada no Reino Unido, que se antecipou aos outros países europeus e aos EUA na autorização do soro contra o novo coronavírus. JACOB KING AFP

Imaginávamos estar a salvo em nossas sociedades hiperprotegidas e não demos ouvidos aos sinais lançados por outros vírus e aos que pediam planos de contingência.

 

Este ano longo e triste começou com a pior notícia imaginável: um vírus desconhecido com um potencial pandêmico que demorou alguns meses para se tornar evidente no Ocidente. Mas este ano também termina com a melhor notícia possível dada a situação: a chegada das vacinas contra a covid-19. Elas não resolverão o problema de terça até quinta-feira, mas o farão na segunda metade do ano nos países ricos e, esperamos, dentro de alguns anos no mundo em desenvolvimento.

As vacinas são uma ferramenta essencial da medicina e um dos fatores —juntamente com os antibióticos e o saneamento— que fizeram a expectativa média de vida dobrar no século XX nos países ocidentais, de 45 para 90 anos (arredondando um pouco). Mas nunca a ciência havia respondido tão depressa a um vírus emergente. Viajamos do veneno ao antídoto em apenas um ano. Um feito sem precedentes que exige reflexão. Os historiadores da ciência terão tempo mais adiante para analisar o assunto em detalhes, mas há algumas explicações que podemos traçar agora, quando ainda estamos mergulhados na segunda onda da pandemia e vendo chegar a terceira após as desaconselháveis celebrações natalinas. A primeira é a veloz perspicácia dos cientistas ante a ameaça. Virologistas, epidemiologistas, imunologistas e geneticistas arregaçaram as mangas em janeiro, no mesmo momento em que os cientistas chineses publicaram a sequência genética do SARS-CoV-2, quando ele ainda não tinha esse nome nem nenhum outro (além da designação “vírus chinês” tão apreciada por Donald Trump).

Como fogo na palha, alastrou-se a ideia de que Bill Gates havia previsto a pandemia numa conferência e inclusive apresentado a foto de um coronavírus como ilustração. E é verdade. Mas o motivo pelo qual um dos grandes filantropos de nosso tempo demonstrou tal presciência é que Gates é muito bem informado pela elite científica, que há décadas adverte sobre o risco dos vírus emergentes com potencial pandêmico. E o slide do coronavírus é explicado porque os vírus dessa família, como o SARS e o MERS, já tinham ameaçado o mundo na década passada, como também certas versões do vírus da gripe. Lembram-se? H1N1, H5N1 e toda aquela quantidade de siglas que já parecem arcaicas, mas que continuam por aí esperando sua oportunidade.

Há outras razões para a façanha científica. Num segmento em que o segredo industrial e as patentes costumam dominar o panorama, vimos neste caso uma considerável colaboração entre o setor público e o privado, e também através de fronteiras. Os reguladores auditaram os ensaios clínicos desde o início, e as três fases dos testes foram sobrepostas para acelerar o processo. São lições muito importantes para o futuro. E o mais essencial de tudo é que Governos devem investir intensamente em ciência e medicina. Se isso ocorrer, 2020 terá sido um ano bom apesar de tudo.

How Covid-19 led to a global crisis in maternity care

Pregnant women around the world have endured inadequate treatment since the start of the pandemic.

It has been one of the shadow, global stories of the pandemic: as countries moved to control Covid-19, maternity services were upended by restrictions. Only this month in the UK it was reported that a woman who was rushed to hospital due to complications following birth was not allowed to see her six-week-old son for six days because of the risk of coronavirus.

The disruption has varied from country to country and throughout the period, but it has been documented globally. Earlier this year, the UN Office of the High Commissioner issued an open call for reports on “women and girls’ sexual and reproductive health in situations of crisis”. In its submission, the Global Respectful Maternity Care Council (the Global RMC Council), which represents 150 organisations in 45 countries, stated: “Since the beginning of the pandemic women have reported a comprehensive suspension of reproductive health services worldwide, particularly in low- and middle-income countries.” This resulted from governments redirecting resources to Covid-19.

The submission continued: “As services were suspended in the early days of the pandemic, women also saw their rights denied and in the name of preventing Covid-19 transmission without sufficient evidence nor justification that these rights violations were necessary or proportionate.”

The Global RMC Council cited examples such as birth companions being banned during labour and delivery, separation of women from newborns if they had Covid-19 or were suspected to have it, and women being “prevented from or discouraged from breastfeeding their newborns” despite a lack of evidence that the virus can be transmitted via breastmilk. It also noted there had been “forced medical interventions, caesarean sections and inductions under the misguided assumption that interventions would accelerate labour and delivery, and minimise viral exposure for women and health providers, and free up hospital beds more quickly despite overwhelming evidence to the contrary”.

An editorial on Covid’s effects in a number of European countries, published in September in the journal Midwifery, reported an increase in virtual antenatal appointments, limits to companionship in labour and at antenatal scans, and some suspensions in the UK of homebirth and birth centre services.

In one extreme example, Midwifery reported that regions in Italy with the highest Covid-19 levels had at times stopped women’s access to epidurals for pain relief during labour because anaesthetists were redeployed to treat coronavirus patients. In Spain, in the early days of the pandemic, some hospitals isolated women with Covid-19 from their babies, with no skin-to-skin contact or breastfeeding allowed, until the mother tested negative. Restrictions have also been reported in the US. One study, published in May in Medical Anthropology, found that “partners and doulas [were] being excluded from birthing rooms” in the early months of Covid-19. The UK has also seen partner visits severely limited on post-natal wards.

number of campaigns and surveys in the UK have highlighted the mental toll such disruptions have taken on pregnant women and their families. Experts have pointed out that factors such as a woman’s choice of birth partner are not a luxury. As the Global RMC Council put it, there is “tremendous evidence that birth companions improve the likelihood of safe childbirth”.

Throughout the pandemic, the World Health Organisation (WHO) has maintained that Covid restrictions should not undermine a woman’s right to a “positive” experience of birth and “respectful care”, Dr Anshu Banerjee, the director of the WHO’s Department of Maternal, Newborn, Child and Adolescent Health and Ageing, told me.

“We have had concerns that because of the issue of infection prevention and control that maybe some of these positive elements might be undermined,” said Banerjee. “We should make sure that services are provided in a safe manner, but that it still allows that positive experience and thereby also allowing to breastfeed and to have the companion there.”

WHO guidance most recently updated in September – six months after lockdowns or other national restrictions started in most countries – is clear that even if a woman has coronavirus, she should be able to hold and breastfeed her newborn, and have “a companion of choice present during delivery”. The guidance also states that women with Covid-19, or suspected to have it, do not need to give birth by C-section. “WHO advice is that caesarean sections should only be performed when medically justified. The mode of birth should be individualised and based on a woman’s preferences alongside obstetric indications,” it says.

In September the organisation reiterated that it “strongly recommends that all pregnant women, including those with suspected, probable or confirmed Covid-19, have access to a companion of choice during labour and childbirth,” citing its clinical guidelines of management of coronavirus.

“Again and again, research shows that women greatly value and benefit from the presence of someone they trust during labour and childbirth… The benefits of labour companionship can also include shorter length of time in labour, decreased caesarean section and more positive health indicators for babies in the first five minutes after birth,” according to the WHO.

The WHO doesn’t have “systemic data on specific restrictions”, says Dr Ӧzge Tunçalp, of the organisation’s Department of Sexual and Reproductive Health and Research, but it has been “running pulse surveys trying to gauge disruptions”. The WHO has “anecdotal reports and news from different countries across the world, both high-income and low- and middle-income, regarding restrictions on maternity services such as not allowing companions [and] separation of mother and the baby. This also extends to use of unnecessary C-sections.”

An investigation by OpenDemocracy documented violations of the WHO’s guidance in 45 countries, including examples of women in Latin America being pushed to have C-sections because of Covid-19 and the pressure on health services. Early in the pandemic, research on pregnant women in Wuhan found high C-section rates, though they were high in China before the pandemic. One researcher told me that there have been similar reports from countries in Eastern Europe.

There is already some evidence as to the effects of these disruptions. A study published in the Lancet in August looked at birth outcomes and care in childbirth during Nepal’s national lockdown, drawing on data across nine hospitals from January (around 12 weeks before lockdown started in March) to May. The study found that, while births in healthcare facilities decreased by 52.4 per cent during lockdown, the stillbirth rates at hospitals and birthing centres went up from 14 per 1,000 pre-lockdown to 21. Neonatal mortality increased from 13 per 1,000 births to 40.

The researchers found decreases in foetal heart rate monitoring during labour, in rates of breastfeeding within one hour of birth, and in women being accompanied in childbirth. There were some improvements in hand hygiene and “keeping the baby skin-to-skin with their mother”, but the paper concluded that “during the Covid-19 pandemic, women and their babies (both in utero and neonates) are susceptible and at risk due to gaps in care that can result in adverse birth outcomes including mortality. The decrease in the number of institutional births and increase in adverse outcomes are especially concerning because of Nepal’s fragile health system and raise questions on policies regarding strict lockdowns in low-income and middle-income countries.”

The results from Nepal mean that “most likely people came [to seek maternity care] late… because they were afraid of Covid or potentially being infected with Covid at the hospital, so they presented… late and then the outcomes have worsened”, said Banerjee, adding that the same was documented in Sierra Leone during the Ebola outbreak.

The WHO has also been concerned about rates of anxiety and depression among pregnant women and those who have given birth in the pandemic, Banerjee noted. Recent research in the UK found a spike in anxiety and depression among new mothers.

More evidence of the impact disrupted maternity services have had in high-income countries is emerging, too. A nationwide study in Australia, where there are around 300,000 births a year, has been tracking the effects of the pandemic on pregnant women and those who have had children since the coronavirus outbreak began. The researchers have surveyed more than 5,200 such women, and will be continuing the research through follow-up polls.

The study, which will be replicated in New Zealand, was modelled on research following flooding in Queensland in 2010-11, when thousands were evacuated from their homes and dozens were killed, explained Hannah Dahlen, a professor at Western Sydney University’s School of Nursing and Midwifery. The Queensland study looked at the effect of the disaster on women who had been pregnant, as well as on their children’s development in following years. The researchers behind it worked with Dahlen on the “Birth in the Time of Covid-19” study.

Similarly to the UK, in Australia there was a reduction of face-to-face antenatal care in favour of virtual appointments during the pandemic, as well as limits on women being accompanied during labour and at antenatal appointments. Services including water births and birth centres were restricted. Also, as in the UK, Covid-19 restrictions varied from hospital to hospital, sometimes even between those in close proximity, said Dahlen.

When we spoke last month, the Birth in the Time of Covid-19 research had already uncovered some worrying findings. While 16 per cent of respondents said they had considered a previous birth traumatic, 22 per cent of respondents who gave birth during the pandemic said the birth was traumatic, a significant increase. Prevalence of anxiety and depression was also high, said Dahlen.

Continuity of care – being in contact with the same midwife or obstetrician throughout the pandemic – meant respondents “felt buffered from the stress”. This was similar to a finding in the Queensland flood study, where “not only did women have better outcomes but also more babies had better outcomes”, Dahlen said. Some 77 per cent of respondents had experienced tele-medicine, but “it was generally not viewed positively”, she noted. Interactions over the phone were more transactional, and respondents missed the “chit chat” with healthcare providers, which “is powerful social stuff”.

But regarding the overall experience of pregnancy and birth during the pandemic, Dahlen and her colleagues were surprised that around 35 per cent of respondents responded positively. “The positive has been their partner was home, if they are in a happy relationship where they don’t have domestic violence and they have not financially been… really stressed over this event, like losing a job. They felt they fell in love more with their partners, they felt their partners got more engaged with the childcare, and they felt the partner was more attached to the baby because they’ve been there more they may have been.”

There were “still more women who see this [experience] as very negative”, however. Women with mental health issues have had a “particularly bad time”. Respondents reported anxiety about going out with their baby, “about being a bad mother and not giving this baby the same experience as the last”.Birth, Dahlen pointed out, “is the only thing that happens in a hospital that is about being well and doing something that is a normal physiological life event”. It is medicalised, she said, but “having a baby is a deeply psychological, social, culture and spiritual event, and by only viewing it as a physical event we are potentially creating enormous trauma for women and their partners who are bringing babies into the world… and yet it’s caught in the same kind of mentality and restrictions as sick people encounter”. During the pandemic, things that matter to pregnant women and their families, such as choices over pain relief or where to give birth or the presence of partners, have been treated “like a fancy extra rather than a fundamental choice of a woman”.

Lockdowns and measures to control Covid-19 are likely to continue for the time being. In the UK, women are still reporting restrictions in maternity and neo-natal services. The NHS issued new guidance this week stating that partners are “a key component of safe and personalised maternity care”. The Covid-19 vaccine offers hope for a return to normal services in the future. “Once countries have introduced immunisation I think polices will slowly normalise again,” said Banerjee.

But he warned that, “in particular for countries with low health workforce density, repurposing of healthcare workers to plan for and implement the roll-out of the vaccine might lead to reduced services. This is hypothetical but needs to kept in mind in planning the vaccine roll-out.”

Covid-19 has put health services under enormous strain globally. It is striking, however, that not only were maternity services impacted in similar ways worldwide, but that a woman’s right to choose, hard fought for over decades within those services, was impacted in such a similar way. Earlier this year, Dahlen co-authored a paper arguing that the pandemic “exposed an underlying pandemic of neglect affecting women’s reproductive rights, particularly in the provision of abortion services and maternity care”.

“Underlying biases and agendas” have become clear, she told me. “In Australia [restrictions allow us] to half fill football stadiums and have 100 people gamble, but a woman could not have both her doula and her partner support her during her labour. Covid-19 has exposed the patriarchy in ways that were slightly hidden before.” Childbirth choices are a human right and, despite progress, there is still a lot to fight for.

This has implications for the achievement of the UN’s Sustainable Development Goals on maternal and newborn mortality, but it is also a more general warning for the future. As one paper on the US experience in the early days of the pandemic notes, Covid-19 – much like flooding, climate crisis-induced storms and other natural disasters – has seriously impacted maternity care provision. We must learn lessons from this crisis before we face such challenges again.

Invitation for Round 3 of global survey of maternal/newborn health workers during COVID-19

Convite para participar da terceira rodada da pesquisa sobre como estão os serviços de atenção à maternidade durante a pandemia.
Acho importante [email protected] deste campo participarem e contribuírem para a construção desse conhecimento no âmbito internacional.
Ao clicar no link https://tinyurl.com/MatCoRound3, abre-se o questionário e você pode escolher em que idioma prefere responder.

Sem aulas, crianças desenvolvem problemas mentais e distúrbios

Do O tempo

 

Mães relatam que, em casa, filhos sofrem com gagueira, depressão, intoxicações e até auto-agressões

personagem
A arquiteta Juliana Duarte Fernandes Santana e seu filho, de 5 anos: criança desenvolveu crises de ansiedade, falta de ar e transtorno alimentar durante o período sem aulas presenciais. Foto: Cristiane Mattos

Aos 5 anos, o filho de uma arquiteta tem falta de ar e fica dentro de casa andando em círculos e com mania de arrumação. Uma pergunta feita pelo menino a deixa desolada: mamãe, porque você pode sair de casa e eu não?

Voltar a urinar na cama acompanhada por uma repentina gagueira foram os efeitos colaterais que a falta de aulas presenciais e o isolamento social provocou em um menino de 4 anos, filho de uma advogada. A criança agora faz acompanhamento no psicólogo e fonoaudiólogo.

Os relatos são de mães que alegam vivenciar em casa uma angústia ao ver os filhos e filhas passaram por sofrimentos que, segundo as famílias, são resultado dessa sequência de meses em que as escolas estão de portas fechadas. Os impactos não escolhem classe social, mas é perceptível que as crianças de famílias com menor poder aquisitivo sofram ainda mais. Os relatos envolvem distúrbios alimentares, do sono, emocionais, intoxicações intencionais e até auto-agressões.

Juliana Sartorelo é médica e mãe de 3 crianças. Ela diz presenciar os reflexos que a falta da escola causa nos alunos de duas formas: no atendimento médico e em casa. Seu filho do meio, de 4 anos, desenvolveu distúrbio do sono e crise de ansiedade. A filha mais velha, de 5, passou o dia inteiro na cama chorando quando uma liminar ordenou que as escolas da capital não retomassem as aulas. E os casos que ela tem atendido no Centro de Toxicologia do Hospital João XXIII são ainda mais graves.

“Percebemos desde o início (da pandemia) que as crianças e adolescentes vêm chegando ao ambulatório com idade cada vez mais jovem. Elas acabam sendo vítimas de privação de alimento e agressão física. Temos visto um crescente número de autoagressão nessas crianças, algumas delas vindas de famílias disfuncionais, com pais dependentes químicos, e outras que ficam a mercê das telas de celulares, pois os pais trabalham fora ou ficam em home office”, contextualiza.

Acidentes

A médica também informa que a falta de aula presencial nas escolas tem criado um outro fenômeno: crianças maiores cuidando de irmãos menores, o que eventualmente acaba resultando em acidentes domésticos. “Teve uma menina de 11 anos que cuidava de uma de 3 e outra de 5. Elas fizeram ingestão de analgésicos e medicamentos de pressão dos pais quando eles saíram para trabalhar. Há casos de crianças que bebem produtos de limpeza, sofrem quedas e outros acidentes por causa da ausência dos pais. Então a escola acaba sendo um refúgio para a criança, seja alimentar ou no contexto de famílias disfuncionais. Sem isso a criança fica muito vulnerável”, argumenta Juliana.

A indignação, segundo as mães, reside no fato de a prefeitura ter proibido a retomada das aulas presenciais sem ter apresentado nenhuma outra alternativa. “O meu filho é invisível para o poder público”, reclama a advogada Luciana Dadalto, mãe do garoto que desenvolveu gagueira. Para ela, falta uma compreensão sobre a defasagem que a falta de aulas presenciais vai causar nas crianças. “Estamos maltratando o futuro. Minha revolta é em relação a isso. O direito à educação é algo constitucional”, alega.

Outra preocupação é que a sociedade entenda que a luta pela retomada das aulas presenciais pode ser feita com cautela e regras sanitárias severas. “Claro que na escola há risco de contaminação, mas há também no boteco, no parque, na praça”, compara a Juliana Duarte, cujo filho começou a ter falta de ar assim que as aulas foram paralisadas.

As mães se intrigam sobre o porquê as aulas em Belo Horizonte continuarem proibidas, sendo que países da Europa, em plena segunda onda da Covid-19, priorizaram o funcionamento das escolas, segundo elas. “A escola não pode ser esse lugar da Covid. Se abrem clubes e cinemas e meu filho pode ir a esses lugares, estamos pedindo é uma explicação”, diz a arquiteta.

Elas também sentem que os filhos estão com comportamentos de sociabilidade alterados. “São crianças que estão na fase de formação de caráter, o que é feito através do contato físico. A criança fora da escola não se esforça em fazer parte de grupo nenhum. Dentro da escola ela aprende a aceitar o não e os limites do outro”, responde Juliana.

“Naturalizamos crianças sozinhas em casa”, afirma escola

Não são apenas mães e pais que têm sentido as dificuldades que a falta de aulas presenciais manifestam nas crianças. Nas escolas, o reflexo também é percebido e alimenta preocupações entre equipes pedagógicas. Para Letícia Fonseca, uma das proprietárias da escola particular Clic, no bairro São Pedro, região Centro-Sul da capital, a educação está sendo colocada de escanteio e o prejuízo não está sendo devidamente calculado.

Letícia, dona de escola, diz educação não pode ser deixada para lá

 

“Naturalizamos que as crianças podem ficar sozinhas em casa vendo televisão. A janela de aprendizagem vai passar, e como vamos recuperar isso depois?, questiona. “A escola é o maior centro de convivência para as crianças, ajuda a construir conceitos éticos, morais, de autoconhecimento e diversidade. Atua na formação da personalidade e identidade. Não podemos deixar isso para amanhã”, desabafa.

Escolas sem data para reabrir

O Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG) informou que recebe diversos relatos de crises emocionais dos estudantes, estresse, depressão, dentre outras questões que envolvem a saúde mental. Para o sindicato, as estratégias dos órgãos públicos de combate à pandemia no ramo educacional são generalistas.

“O retorno às atividades poderia ser opcional e controlado”, diz a nota enviada pela entidade. O Sinep afirma ainda que “o poder público atrasa o retorno presencial às atividades escolares por interesses políticos e por não oferecer condições às escolas municipais e estaduais de se adaptarem a este momento”.

Consultada, a prefeitura de Belo Horizonte informou que ainda não é possível reabrir as escolas para aulas presenciais. Segundo o Executivo, a previsão é que a abertura aconteça quando a incidência média por 100.000 habitantes atinja valores compatíveis com baixo risco (menor do que 20 novos casos por dia) para a saúde pública.

Sobre demandas de saúde mental apresentadas por alunos, a prefeitura relatou que os centros de saúde contam equipes de saúde mental formadas por psicólogos e psiquiatras. Eles atuam no acompanhamento ambulatorial também de crianças e adolescentes. A Unidade de Acolhimento Infantil e os Centros de Referência em Saúde Mental Infantojuvenil completam a rede de atendimento. O número de atendimentos foi de 104.061 (2019) e 53.976 (até 30 de outubro de 2020).

Questionada sobre quais propostas alternativas foram pensadas para a educação durante a pandemia, a administração municipal informou que implementou o regime especial de atividades escolares, estratégia que alcança a educação infantil, ensino fundamental e alunos do Educação de Jovens e Adultos (EJA). As atividades são asseguradas por meios físicos impressos ou eletrônicos.

 

 

Should pregnant women get a COVID-19 vaccine? What about women considering pregnancy? Guidance is hard to find because trials exclude pregnancy.

Do Chicago Tribune

Hospital workers are under an immense amount of stress this year. But help might be on the way soon as a federal advisory committee recommended Tuesday that they be first in line for vaccines.

But what if they are pregnant?

Like all pregnant women, health care workers will be operating without much data, as pregnant women have been excluded from clinical trials so far.

Pregnant women are commonly excluded from research, something that has frustrated Dr. Emily Miller for years. Miller is the assistant professor in the Division of Maternal-Fetal Medicine at Northwestern Medicine’s Feinberg School of Medicine, where she has been closely following the lack of data on pregnant women and new vaccines.

“As it turns out, pregnant women can be doctors and nurses and respiratory therapists,” she said. “This is putting our pregnant health care workers in a place where they haven’t been given a lot of concrete guidance because they’ve been systematically excluded.”

This essentially results in “clinical experimentation on pregnant women, as vaccines are distributed and administered without the safeguards of research in place,” according to a Society for Maternal-Fetal Medicine statement released Tuesday. Miller is a member of the task force.

In a conference call on vaccine progress Thursday morning with the Infectious Diseases Society of America, Dr. Kathleen Neuzil, co-director of the National Institutes of Health’s COVID-19 Prevention Network, acknowledged pregnant women should be included in vaccine research.

“We know that women of childbearing age make up a large proportion of health care workers, make up a large proportion of front-line responders,” she said. “So we really don’t have a vaccine for everyone, until we have a vaccine for pregnant women.”

The Society for Maternal-Fetal Medicine statement recommended that health care workers be offered the vaccine if pregnant.

In general, for pregnant women, the group recommended access to COVID-19 vaccines in all phases of future vaccine campaigns.

The statement noted that with mRNA vaccines, likely to be the first available and which induce an immune response, the theoretical risk of fetal harm is very low.

Miller acknowledged that people have “lingering questions” about COVID-19 and the new vaccines.

“It has to be balanced against the risk of not getting the vaccine, which is the risk of acquisition of (COVID-19), which has concrete and well-documented risks,” she said. “Through that lens, if we can remember that there is no zero-risk option, then the balance at this point favors receiving the vaccine.”

The society criticized the lack of available data and noted that if multiple vaccines become available, “some vaccines may be more suitable for pregnant women.”

As much as the limited data frustrates Miller, she emphasized that what is known is that if women are pregnant, or become pregnant, and contract COVID-19, they are at risk of getting very sick.

“That’s super worrisome,” she said.

Women considering becoming pregnant will similarly have no available information on pregnancy after getting the vaccine.

Dr. Ann Borders, an OB-GYN and executive director of the Illinois Perinatal Quality Collaborative, said she expects vaccination will be recommended for women considering pregnancy, as they are entering a high-risk category. Borders plans to bring up the topic on a call this Friday with the collaborative.

Lactating women also have been left out of clinical trials, even though, as the Society for Maternal-Fetal Medicine’s statement noted, “there is no biological plausibility for the exclusion of lactating women.”

Miller said this highlights that women deserve more information.

“We need to be shifting our mindset from this mantra of we need to protect pregnant women from participating in trials, and instead shift it to we need to protect pregnant women from being excluded from these trials,” she said.

Miller said she will be watching closely to see if the Centers for Disease Control and Prevention’s Advisory Committee on Immunization Practices offers any pregnancy-specific guidance. She also expects that, out of the many people involved in trials, some will become pregnant after taking the vaccine.

Patients should discuss options with their OB-GYNs.

“There isn’t a simple answer to questions about whether pregnant people, or those considering pregnancy, should take the COVID-19 vaccine, especially since no vaccine is currently approved,” Christopher Zahn, the vice president of practice activities of the American College of Obstetricians and Gynecologists, said in a statement. “When the vaccines do become widely available, unfortunately, we have no data on the safety of the vaccine in pregnant and lactating individuals because they were excluded.”

Zahn said patients should consider any available data, patients’ individual risk factors and their “unique needs, desires and values.”

The CDC’s general guidelines for vaccinating pregnant women, which were last updated in 2016, notes that the benefits, in general, “usually outweigh potential risks when the likelihood of disease exposure is high.”

Already, OB-GYNs strongly encourage, for example, a flu vaccine, as pregnant women are similarly more prone to getting sicker from the flu, because of changes in the immune system, heart and lungs during pregnancy.

The Illinois Department of Public Health has long emphasized the importance of health care providers’ advice to pregnant women, noting that women who received a recommendation for a flu vaccine and an offer of vaccination were six times more likely to be vaccinated, compared with women who did not receive a recommendation or an offer of vaccination.

Miller hopes women feel empowered by discussing this issue with their provider.

“Getting COVID-19 in pregnancy is incredibly serious,” she said. “Let’s empower you to do everything, to use every tool in the toolbox to stay safe.”

Covid-19: grávidas têm maior risco de quadros graves e infecções…

Do UOL

LeoPatrizi/iStockImagem: LeoPatrizi/iStock

A pandemia global pelo novo coronavírus 2 (SARS-CoV-2) afetou a grupos específicos, como idosos e pessoas com comorbidades como asma e pressão alta, de maneira mais severa.

Conforme aponta uma revisão sistemática de estudos publicada no periódico científico Mayo Clinic Proceedings, mulheres grávidas, grupo que pesquisas feitas em diferentes países já apontava como vulnerável, também apresentam maior risco de morbidade e mortalidade associadas a infecções.

Segundo os pesquisadores, isso acontece porque alterações fisiológicas naturais durante a gravidez e mudanças metabólicas e vasculares em gestações de alto risco podem agravar o quadro clínico da covid-19.

Essas mudanças fisiológicas, de acordo com os cientistas, abrem a porta para impactos advindos do vírus. O vírus entra nas células através do receptor da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), que é aumentado durante a gravidez normal.

Como resultado da maior expressão de ACE2, as grávidas podem ter risco elevado para complicações. A cascata de eventos que acontecem uma vez que o vírus se liga ao receptor ACE2 é similar ao que acontece na pré-eclâmpsia, uma complicação potencialmente séria da gravidez que pode levar a pressão alta e a possíveis danos aos órgãos

Como o estudo foi feito

  • A análise considerou um total de 23 estudos publicados em língua inglesa entre os dias 1º de janeiro e 22 de abril e que levou em consideração casos de 185 pacientes. A revisão excluiu as análises que apresentavam somente relatos de casos.
  • A maioria dos diagnósticos das mulheres grávidas incluídas na revisão ocorreu no terceiro trimestre.
  • Febre foi o sintoma de apresentação mais comum, seguido por tosse, dispneia e alterações gastrointestinais. Pouco mais de 25% dos pacientes eram assintomáticos no momento do diagnóstico.
  • Os achados laboratoriais mais comuns foram linfopenia e neutrofilia.
  • Pneumonia foi um diagnóstico comum (relatado em cerca de 40% das pacientes), e uma pequena porcentagem (3,24%) necessitou de internação em unidade de terapia intensiva. O manejo dos pacientes variou de acordo com a instituição.
  • A maioria foi tratada com medicamentos considerados relativamente seguros durante a gravidez: antibióticos (cefoperazona, sulbactam, ceftriaxona, cefazolina e azitromicina), terapia antiviral (lopinavir, ritonavir, oseltamivir e ganciclovir), e algumas foram tratadas com corticosteroides (dexametasona, metilprednisolona).
  • De acordo com a análise, grávidas infectadas pelo vírus tiveram maior risco de complicações na gravidez, incluindo parto prematuro e pré-eclâmpsia, bem como taxas mais elevadas de parto cesáreo.

O que os resultados indicam

De acordo com os pesquisadores, embora ainda não exista um banco grande de estudos sobre o tema, os resultados apontam a necessidade de protocolos de tratamento específicos para grávidas infectadas pelo novo coronavírus.

“Os primeiros relatórios sugerem taxas mais altas de complicações relacionadas a infecção por Sars-CoV-2 durante a gravidez, adicionando urgência à busca de pesquisa sobre tratamentos e estratégias preventivas”, escreveram os autores.

“Durante a gravidez, o sistema imunológico da mulher deve se adaptar para dar suporte ao crescimento e desenvolvimento do seu bebê. Essa adaptação controla rigorosamente as respostas que poderiam machucar o bebê ao passo que também protege a mãe de vírus e bactérias”, diz Elizabeth Enninga, coautora do estudo e pesquisadora clínica no departamento de obstetrícia e ginecologia da Mayo Clinic.

Para as mulheres que estão grávidas e se sentem preocupadas sobre exposição ao vírus, Kavita Narang, também autora do estudo, recomenda consultar o obstetra para que possam trabalhar juntos para garantir o cuidado mais adequado.

Pregnant Women Face Increased Risks From Covid-19

If symptomatic, they were more likely to develop complications and die than nonpregnant women with symptoms.

The study found that pregnant women were three times more likely to be admitted to an intensive care unit, but the absolute rate of risk increase is low.
Credit…John Moore/Getty Images

While most pregnant women infected with the coronavirus have not become severely ill, the new caution is based on a large study that looked at tens of thousands of pregnant women who had Covid-19 symptoms.

The study found they were significantly more likely to require intensive care, to be connected to a specialized heart-lung bypass machine, and to require mechanical ventilation than nonpregnant women of the same age who had Covid symptoms. Most importantly, the pregnant women faced a 70 percent increased risk of death, when compared to nonpregnant women who were symptomatic.

The study from the Centers for Disease Control and Prevention, the largest such study so far, examined the outcomes of 409,462 symptomatic women ages 15 to 44 who tested positive for the coronavirus, 23,434 of whom were pregnant.

“We are now saying pregnant women are at increased risk for severe illness. Previously we said they ‘might be’ at increased risk for severe illness,” said Sascha Ellington, a health scientist with the C.D.C., and one of the authors of the new study.

Still, Dr. Ellington emphasized that the overall risk of both complications and death was low.

“The absolute risk of these severe outcomes is low among women 15 to 44, regardless of pregnancy status, but what we do see is an increased risk associated with pregnancy,” she said.

Dr. Denise Jamieson, chair of gynecology and obstetrics at Emory University School of Medicine, said the new data underscore the importance of pregnant women taking extra precautions to avoid exposure to the virus, including avoiding social gatherings and interactions with people — even members of their own households — who may have been exposed or become infected.

“This is new information that adds to the growing body of evidence, and really underscores the importance of pregnant women protecting themselves from Covid,” Dr. Jamieson said. “It’s important that they wear a mask, and avoid people who are not wearing a mask.”

But, she said, women should not skip prenatal care visits and must get the vaccines they need, like flu shots, and noted that the study indicates pregnant women should have access to a safe and effective Covid vaccine, once one is available.

An earlier study did not find a higher risk of death among pregnant Covid patients, but the pregnant patients in the new study were 1.7 times more likely to die than nonpregnant patients. That amounted to a death rate of 1.5 per 1,000 cases among the symptomatic pregnant women, compared with 1.2 per 1,000 cases of symptomatic women who were not pregnant.

The study also highlighted racial and ethnic disparities. Nearly one- third of the pregnant women who had Covid were Hispanic. And while Black women represented 14 percent of the pregnant women included in the analysis, nine of 34 deaths were Black women.

Dr. Ellington emphasized the importance of taking precautions to avoid infection, saying pregnant women should limit interactions to avoid people who may have been exposed.

“Pregnant women should be counseled about the importance of seeking prompt medical care if they have symptoms,” the authors wrote.

A smaller study, also released Monday from the C.D.C., reported that women who tested positive for the coronavirus were at increased risk for delivering their babies prematurely, finding that 12.9 percent of live births among a sample of 3,912 women were preterm births, compared with 10.2 percent in the general population. The sample was not nationally representative, but the finding echoes earlier reports that warned of a higher risk for preterm deliveries.

Among 610 newborns who were tested for the coronavirus, 2.6 percent were positive, with most of the infections occurring among babies whose mothers had the infection within a week of delivery.

MÁS CESÁREAS QUE PARTOS NATURALES EN MÉXICO. POR LA PANDEMIA, EL SECTOR SALUD DEJA A LAS MUJERES SIN OPCIÓN A ELEGIR

Do Animal Político

 

María José estaba lista para tener a su primer hijo por parto natural, aunque fuera justo cuando se esperaba el pico de la pandemia de COVID-19 en México, en mayo pasado. Pero una semana antes de la fecha probable de nacimiento, le pareció que ya no sentía al bebé como antes y fue a revisión con su ginecóloga privada. Ella le hizo un ultrasonido y le dijo que todo se veía bien, pero le recomendó hacer cesárea de una vez.

Desconcertados, los futuros mamá y papá preguntaron si no había otra manera de monitorear al niño y pidieron al menos un día para pensar la decisión, y entonces la doctora los presionó con el argumento de la contingencia sanitaria.

“Me dijo: es sábado, pandemia, 4 de la tarde… normalmente cuando están en estas situaciones les mando a hacer un estudio de bienestar fetal, pero ahorita no es ni el momento más adecuado ni nadie te lo va a hacer. Entonces, pues no; yo recomiendo que ya te hagas la cesárea. Si ustedes deciden irse ahorita, me tienen que firmar una carta que me liberan de toda responsabilidad si algo sale mal con su bebé”, cuenta María José en entrevista.

Así que sin tiempo para pensarlo a solas o llamar por teléfono a quien le había dado un curso preparatorio de parto natural, con el bebé a un día de llegar a las 37 semanas indicadas para nacer y con más temor que tranquilidad, María José accedió a la cirugía y en menos de dos horas ya estaba hospitalizada.

En 2020, por primera vez el número de nacimientos por cesárea superó al de partos naturales y llegó a ser más de 50%, de acuerdo con datos preliminares del Subsistema de Información sobre Nacimientos (SINAC) de la Secretaría de Salud. Esto a pesar de que la Organización Mundial de la Salud (OMS) recomienda que dicho método no supere el 15% de los nacimientos en un país.

El aumento en la práctica de cesáreas coincide con los meses de contingencia por la pandemia de COVID-19. En marzo, los partos naturales y por cirugía se igualaron en 49.3% (el resto son partos auxiliados con otros instrumentos o no especificados) y a partir de abril las cesáreas han sido más de la mitad. En total, en México han nacido hasta agosto 498 mil 748 bebés por vía vaginal y 508 mil 402 por abdominal.

El mes con más operaciones fue julio, 51.3%, y también en el que menos partos naturales se registraron, apenas 46.5%.

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México era ya uno de los países con más cesáreas del mundo, el cuarto lugar, según un estudio de la OMS de 2010, con tasas que rondaban el 45%. En datos más recientes de la organización, actualizados hasta 2015, solo había cuatro países con porcentajes superiores al 50%: República Dominicana a la cabeza, seguido de Chipre, Brasil y Egipto.

Someter a una mujer a una cirugía no justificada para tener un hijo en lugar de seguir el curso de su embarazo hasta llegar a término natural se considera por la ONU una posible forma de violencia obstétrica, un tipo de violencia contra las mujeres.

En opinión de Rebeca Lorea, coordinadora de incidencia y política pública de la asociación civil Grupo de Información en Reproducción Elegida (GIRE), aunque no toda cesárea es violencia obstétrica, tener un alto porcentaje de estas operaciones sí es un indicador de qué tan adecuada es la atención a la salud reproductiva, y pone en duda que las mujeres de un país tengan toda la información y las opciones sobre las posibilidades de su parto.

Más atenciones privadas, más cirugías

Con la preocupación de no tener que pisar siquiera un hospital donde se atendieran casos de COVID-19 para evitar cualquier riesgo de contagio, María José buscó una clínica pequeña para tener a su bebé, aunque tuviera que pagar más porque no la cubría su seguro.

Cuenta que leyó en un grupo de Facebook de mujeres embarazadas de Querétaro —donde vive— que muchas otras pensaron lo mismo y pedían recomendaciones de clínicas donde se sintieran seguras de estar lejos del nuevo virus que ha paralizado al mundo.

Los datos del SINAC revelan también que en lo que va de 2020 ya aumentaron 5 puntos porcentuales la cantidad de nacimientos atendidos en unidades médicas particulares: de representar el 18.6% del total en 2019, al segundo semestre de este año ya es el 23.2%.

En febrero pasado, antes del inicio de la pandemia, nacieron en privados casi 24 mil bebés, y para julio fueron 35 mil, un tercio más.

Esto ha sido clave en el aumento del número global de cesáreas, ya que mientras los hospitales públicos resuelven por cirugía 4 de cada 10 embarazos, en los particulares lo hacen con 8 de cada 10.

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Y es que al revisar los datos por clasificación de unidad médica, entre privadas y más de 10 tipos de servicios públicos, no hay grandes variaciones entre cómo resolvían los nacimientos antes y cómo lo han hecho durante la contingencia sanitaria. La gran diferencia está en que muchas más mujeres pasaron a tener a sus bebés en particulares en los últimos meses.

Algunas de ellas han llegado enviadas por el propio sector público. El gobierno de México firmó el 23 de abril un acuerdo con la Asociación Nacional de Hospitales Privadospara referir a esos establecimientos a pacientes que requirieran atención de segundo nivel y así tener más capacidad para recibir a los enfermos de COVID-19. Como resultado de ese acuerdo, el Instituto Mexicano del Seguro Social (IMSS)reportó el 11 de septiembre que había transferido a más de 14 mil pacientes, de los que 11 mil 724 fueron por atención de embarazo, parto o cesárea y puerperio, es decir, el 82%.

La doctora ginecobstetra María Fernanda Acevedo Vega, coordinadora de programas médicos del IMSS, explica en entrevista que se refirió a privados a todas las mujeres a partir de 34 semanas de embarazo que estaban sanas, sin sospechas de contagio de coronavirus ni condiciones de riesgo, por lo que podían tener un parto natural. Sin embargo, dice que el Instituto ya no tuvo injerencia en la atención posterior y la decisión de los médicos particulares de cómo resolver el nacimiento, si por vía vaginal o abdominal.

La funcionaria señala que los privados siempre han tenido tasas más elevadas de cesáreas, muchas veces porque si son clínicas muy pequeñas, ni siquiera son manejadas por especialistas en ginecobstetricia, sino por médicos generales.

El doctor Francisco Ibargüengoitia, del Colegio Mexicano de Especialistas en Ginecología y Obstetricia (COMEGO), explica que uno de los factores que pudo influir en que se programaran más nacimientos por cirugía es que muchos médicos y hospitales le piden a quien se vaya a internar una prueba PCR para descartar COVID-19. Entonces no se puede mandar a hacer cuando la mujer ya está en trabajo de parto, ni tomarla como válida si ya pasaron muchos días, lo que llevó a agendar los nacimientos por cesárea con la garantía de que no esté presente el virus.

Sin embargo, también enfatiza que desde antes de la pandemia, México ya tenía un nivel alto de esta operación, al grado de que está normalizado entre las propias embarazadas. A veces hasta se utiliza la expresión de que no hace falta estar “sufriendo” con un parto y muchos médicos privados ponen en juego la idea de comodidad: tanto para ellos, como diciéndole a la mujer no se pase más de 12 horas de labor de parto y con dolores, sino con anestesia y en un horario programado.

“Dos, y esto ya se ha visto también hace mucho tiempo con la Secretaría de Salud: las personas que tienen un seguro de gastos médicos, se paga menos por un trabajo de parto y parto, que por una cesárea. Entonces, el sentido común ¿qué le diría?, pues te programo, para mí es menos tiempo, no voy a estar 16, 18 horas contigo, y me van a pagar más. Entonces esa es otra de las situaciones que se ha visto desde hace mucho tiempo, que se ha dicho que sea al revés: si te pasaste 16, 18 horas con una paciente, pues que te paguen porque estuviste más tiempo”, explica.

¿Se recomienda hacer cesárea por pandemia?

Miryam está en su último mes de embarazo. Su ginecóloga, también privada, le ha dicho que lo más probable es que le practique una cesárea porque tiene la placenta baja, estorbando la salida del bebé. Una condición que puede presentarse, entre otras causas, por una cesárea previa, como ella ya tuvo hace cuatro años con su primer hijo.

No le han dicho nada de que, por pandemia, deba seguir medidas diferentes en la atención del nacimiento: solo su marido podrá entrar al hospital y todo el embarazo ha tenido que ser más estricta con las medidas de higiene y precauciones recomendadas. Solo eso.

Ni a nivel nacional ni internacional ha habido indicaciones de que la cesárea sea una mejor opción o que se justifique su aumento durante la pandemia de COVID-19.

El gobierno de México publicó en abril un “Lineamiento para la prevención y mitigación de COVID-19 en la atención del embarazo, parto, puerperio y de la persona recién nacida”, actualizado en julio, que en ninguna de sus 47 páginas recomienda la cesárea. Por el contrario, recuerda que la OMS ha declarado que debe estar bien justificada la intervención médica y no es necesaria hasta en 85% de los embarazos, y advierte que en las circunstancias extraordinarias actuales se enfrenta el riesgo de perder el enfoque de respeto a los derechos humanos y reproductivos.

Aun así, reconoce que la vía de nacimiento más frecuente en el contexto de la pandemia ha sido la cirugía, sin que estén claros los diagnósticos.

“Por ello, en apego a la Norma Oficial Mexicana NOM-004-SSA3-2012 Del expediente clínico, deberá consignarse adecuadamente la vía de nacimiento, así como las indicaciones de la misma. Con el objetivo de prevenir la morbi-mortalidad materna y mejorar el pronóstico perinatal, el nacimiento por vía abdominal sólo estaría justificado ante condiciones obstétricas que lo ameriten y/o exista deterioro del bienestar materno-fetal, previa valoración y estabilización por parte de las y los especialistas”, refiere el documento.

En contraste con el aumento de intervenciones quirúrgicas, el Lineamiento recomendó opciones alternativas, como la incorporación de parteras y la habilitación de casas maternas. Aunque asociaciones como la Red de Parteras Autónomas y La Cueva de la Parterapidieron al gobierno apoyo para promover y abrir estos espacios, y denunciaron que no tuvieron respuesta, sí hubo también un aumento en este tipo de nacimientos, aunque siguen representando un porcentaje mínimo del total: de haber sido solo el 1.1% entre enero y marzo, unos mil 400 en promedio, para abril subieron al 1.4% y en mayo y junio se casi duplicaron, promediando 2 mil 300, por lo que alcanzaron a ser el 1.9% de los nacimientos del país.

De acuerdo con la coordinadora de programas médicos del IMSS, María Fernanda Acevedo, esa institución sí ha tenido un aumento de cesáreas, sobre todo en hospitales de tercer nivel (los más especializados) donde ya de por sí tienen tasas más altas porque ahí se atiende a mujeres que tienen enfermedades concomitantes que complican el embarazo.

En caso de mujeres enfermas de COVID-19 o con síntomas de enfermedad pulmonar, explica, uno de los riesgos está en la disminución de oxigenación que sufren, que las afectará más en un parto y puede implicar un riesgo de que el bebé tenga menos oxígeno al nacer. De modo que sí puede ser más recomendable practicar una cesárea, pero solo si se presenta este problema, llamado hipoxia, detalla.

Hasta el 11 de octubre, se han registrado en México 6 mil 534 mujeres embarazadas o en puerperio, la etapa de recuperación, y mil 350 personas recién nacidas que resultaron positivas a la prueba de COVID-19, según el Informe Epidemiológico Semanal de Embarazadas y Puérperas Estudiadas de la Secretaría de Salud. De las contagiadas, murieron 150, lo que implica una letalidad de 2.29%, mucho más baja que la tasa nacional, que ronda el 11%.

Aunque le causa alivio que ni su bebé ni ella contrajeron COVID-19 ni tuvieron complicaciones en el nacimiento, María José sí cree que el contexto de la pandemia arruinó su deseo de tener un parto natural, lo que le implicó una recuperación más tardada y con más dolor inicial, porque además, en lugar de pasar las 48 horas que suele permanecer hospitalizada una mujer con esta cirugía, a ella la dieron de alta apenas a las 24 horas.