Pregnancy-associated deaths will increase in the COVID-19 era

Maternal mortality due to partner violence, suicide, and substance overdoses will increase due to COVID-19.

Do blog da Maternal Health Task Force

 

By: Kathryn Mishkin, DrPH, MPH, MA, Associate Director of Evaluation, March of Dimes; Rahul Gupta, MD, MPH, MBA, FACP, Chief Medical & Health Officer, SVP, March of Dimes; Roland Estrella, MS, MBA, Senior Director of Science, Data, and Evaluation, March of Dimes

 

COVID-19 has devastated the lives of the American people with over 250,000 deaths to date, and this impact is going to extend to pregnant and postpartum women.

This is terrifying considering that the United States entered the pandemic with the infamous status of having the highest maternal mortality rate among all developed nations. Already, researchers are concerned about an increase in maternal morbidity and mortality due to COVID-19’s effect on pregnant women’s immune systems, its contribution to cardiopulmonary complications, and the higher rates of hospitalizations and ICU visits among pregnant women with COVID. It is feared that Black women will be particularly affected, and this is troubling considering that Black women were already four times more likely to die in the maternal period compared to White women pre-COVID.

It is clear that COVID-19 will adversely affect pregnant and postpartum women’s physical health.

However, current predictions have not yet painted a full picture of how COVID-19 may contribute to an increase in maternal mortality in the United States. It is essential that we expand our discussion beyond medical causes of death to include maternal deaths due to suicide, substance overdose, and homicide as a result of partner violence.

We expect pregnant and postpartum women to die more frequently from these causes because we are seeing this happen in the general population. Since January, drug overdoses have spiked according to the Office of National Drug Control Policy. A physician in California says he has seen more deaths from suicide than COVID-19, with a year’s worth of suicide deaths occurring in just four weeks. The United Nations Population Fund predicts IPV rates will increase by 20% during a three-month quarantine. Physical distancing, while protective against COVID-19, exacerbates the risk of being abused and suffering from mental illness because of social isolation and increased stress. From a social perspective, women are now facing the brunt of increased responsibility for domestic responsibilities that comes with the “new normal”, and this added stress will have an impact on their health.

Furthermore, we know that pregnant and postpartum women were dying from these causes before the pandemic. A global study revealed that 13-36% of maternal deaths are due to suicide. In 2016, Philadelphia’s maternal mortality review reported that nearly half of pregnancy-associated deaths were due to injuries including homicide, suicide, and drug overdoses. In California, research shows that drug-related and suicide deaths are the second and seventh leading cause of maternal deaths, respectively, constituting 18% of all maternal deaths.

We also know that certain populations are at higher risk for these types of deaths. People living with underlying mental illness are at higher risk for dying from suicide and substance overdose deaths and women experiencing IPV are more likely to have a mental illness. Measures taken to limit the spread of the virus will result in reduced access to and use of care and support for some at-risk populations.

In sum, pregnant and postpartum women were already experiencing IPV, suffering from mental illness, and using substances, and COVID-19 will exacerbate these issues.

We call on public health leaders to join the #Blanket Change movement to raise awareness about the urgent health crisis moms and babies are facing in order to ramp up prevention and care and support documentation of these deaths.

Prevention of death due to these causes is possible but requires an effective and efficient health care and social support system. The American College of Obstetricians and Gynecologists provides recommendations for screening for substance use, IPV, and depression. In spite of this, screening appears to be lacking. For example, a recent report by the Centers for Disease Control and Prevention stated that 20% of women were not asked by their health care provider about depression symptoms in the prenatal period and 12.5% were not asked in the postpartum period, with a wide discrepancy in rates depending on where a woman was living.  We call on health care providers to improve screening for mental illness, IPV, and substance use to improve the health of moms and babies.

In addition to effective prevention, we call for all states to document the frequency of deaths due to suicide, IPV, and substance overdose through maternal mortality review.  Full documentation on a national scale will allow us to develop a better understanding of the reasons that pregnant and postpartum women are dying. Without a comprehensive review, our ability to develop critical recommendations to prevent future deaths will remain inadequate.

Grávida de 8 meses, professora de São Caetano é internada com covid-19 após volta às aulas

Rafaela de Ávila Cardoso, professora da EMEF Luiz Olinto Tortorello, relatou que voltou a trabalhar por pressão e acabou contaminada pela covid-19

Grávida de 8 meses, a professora do ensino fundamental Rafaela está internada em terapia semi-intensiva com covid-19 – Acervo pessoal

São Paulo – Com apenas 10 dias da volta às aulas presenciais obrigatórias, a professora Rafaela de Ávila Cardoso, grávida de 8 meses, começou a apresentar sintomas de covid-19. Ela foi internada ontem (22) na Unidade de Terapia Semi-Intensiva do Hospital e Maternidade Santa Joana, em São Paulo, monitorando sinais vitais dela e de sua bebê, tomando corticoide, anticoagulante e outros medicamentos. A docente trabalha na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Luiz Olinto Tortorello, em São Caetano do Sul, e relata que voltou à escola no dia 5 fevereiro por pressão, já que não teve seus pedidos para manter-se em home office aceitos.

“Minha bebê está bem, mas o médico decidiu pela internação, pois disse que a piora nestes casos pode ser muito rápida. Voltei a trabalhar por pressão. Não consegui preencher a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), mesmo com o atestado de 14 dias com o CID de covid-19. Durante quase 11 meses estive em casa e não peguei nada. Foi só voltar duas semanas e já fiquei doente”, relatou Rafaela.

Sintomas

Segundo a professora, temendo voltar à escola em meio à pandemia de covid-19, ela solicitou à direção da unidade o afastamento no dia 5 de fevereiro, o que lhe foi negado. “Pedi para a direção da escola e eles me disseram que não seria possível nenhuma liberação a não ser que eu entrasse de licença”, afirmou. Entre os dias 5 e 10 de fevereiro, foram realizadas atividades de planejamento na escola. A partir do dia 11, a professora começou a receber alunos.

A professora diz ter sido informada que no dia 9 seria publicada uma normativa sobre o sistema de home office para servidores dos grupos de risco à covid-19. No dia 15, ela sentiu o primeiro sintoma: falta de ar, ao subir uma rampa na escola e ao ler trecho de um livro para seus alunos. No começo, ela pensou ser reflexo da própria gravidez. Nos dias seguintes, passou a sentir cansaço, dores, tosse e febre. No dia 21, já apresentando sintomas há alguns dias, a professora recebeu a confirmação do teste positivo para covid-19. A portaria que lhe garantiria a atuação em home office só foi publicada hoje (23).

Necessidade, insegurança, medo

A professora comentou que entende a necessidade de retomar as aulas presenciais, já que tem sido muito difícil manter o interesse e o aprendizado das crianças nas aulas online. Ao mesmo tempo, avalia que a volta foi cercada de insegurança e medo, já que a pandemia de covid-19 vem piorando desde o final do ano passado. Hoje, São Paulo tem o maior número de pessoas internadas em UTI com covid-19 de toda a pandemia.

“É muito difícil e cruel se sentir pressionada a fazer alguma coisa em que você está muito insegura e com medo de fazer. Voltar as aulas presenciais no momento em que estávamos de uma possível 2°onda. E, após 5 dias com os alunos e 9 dias no ambiente escolar, me vi com o que eu mais temia, testando positivo para covid-19. Com uma sensação de impotência, pois neste momento não tenho mais o que fazer a não ser tratar os sintomas e torcer que nada demais grave ocorra comigo e com minha filha. Enquanto meus amigos seguem correndo o risco em sala diariamente”, disse Rafaela.

Levantamento organizado pelos servidores públicos da prefeitura de São Caetano, até ontem (22), mostra que as escolas de São Caetano do Sul já registram 36 casos confirmados de covid-19. Destes, 34 professores e funcionários e dois estudantes. Além de 46 casos suspeitos, sendo 44 de docentes e funcionários e dois entre alunos. Todos os servidores tiveram de retomar suas atividades, mesmo maiores de 60 anos, doentes crônicos ou grávidas.

RBA pediu posicionamento do governo do prefeito interino Anacletto Campanella Júnior (Cidadania), mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

LONG-COVID IN CHILDREN – PARENTS AND FAMILIES’ PERSPECTIVES NEED TO BE HEARD

Long-COVID in Children – Parents and families’ perspectives need to be heard

Frances Simpson is a founding member of LongCovidKids and LongCovidSOS and a Lecturer in Psychology at Coventry University. She is on Twitter: @FrancesorFran

Carolyn Chew-Graham is a GP in Central Manchester and Professor of General Practice Research at Keele University; Carolyn’s main areas of interest include the primary care management of people with multiple health conditions and difficult to understand symptoms which are key components of her clinical work. She is on Twitter: @CizCG

Amali Lokugamage is a consultant in obstetrics and gynaecology, and honorary associate professor and currently has long covid. She is on Twitter: @Docamali

PARENTS HAVE BEEN STRUGGLING to obtain help and support, watching their children with persistent symptoms following acute infection with COVID-19. Early on in the pandemic, parents and children felt they were disbelieved by their general practitioners (GPs) as they witnessed an emerging phenomenon. As ‘Long-COVID’ came to be recognised in adults1 and named as such by patients2 there came to be a growing acceptance that Long-COVID can also occur in children as evidence emerged.3 Indeed, ONS statistics suggest that 12-15% of children may have symptoms lasting 5 weeks after an acute infection with COVID-19.

12-15% of children may have symptoms lasting 5 weeks after an acute infection with COVID-19.

The lack of GP awareness has led to some parents whose children have long-COVID feeling that their children’s symptoms were minimised or even ‘gaslighted’; experiences that were highlighted in the recent All Party Parliamentary Group (APPG) about Long Covid in children on 26th January 2021. Parents described desperation and fear of seeking further help, not wanting to be branded with the stigma of ‘Munchausen by proxy’. While the adult population of Long-COVID sufferers were assembling on social media groups and collecting data, children were discounted under the misconception that children did not get COVID severely, that they did not transmit COVID, that they were often asymptomatic.4 Even when the facts of paediatric inflammatory multisystem syndrome temporally associated with COVID-19 (PIMS-TS) in children started to present themselves,5 it was understood that this was very rare. When parents started to wonder why their children were becoming ill from COVID and not making a full recovery, there was no narrative in existence that helped them to make sense of this.

Parents described desperation and fear of seeking further help.

Through desperation, mothers Frances Simpson and Sammie McFarland, whose children became sick in March 2020, joined forces to start the support group LongCovidKids. These families found themselves in a confusing place of being told that there was no proof that their childrens’ symptoms were a result of COVID, due to the lack of testing available in Spring 2020. LongCovidKids has evolved to provide support for families with Long-COVID; this now has 940 parents or carers, many of whom have more than one child with Long-COVID. Symptoms described by members of the group range from the most common symptoms of fatigue, headache, abdominal pain, dizziness and muscle pain to the most frightening to parent – electric shock-like pain in the eyes and head, nerve pain, testicular pain, liver damage, paralysis and new-onset seizures; some of their experiences are captured in a film.

Parents have noted that their children are also affected by anxiety, OCD and extremely volatile mood changes which may be associated with neuro-inflammatory processes6 as well as a natural response to being so unwell. The majority of parents would describe their child’s symptoms as fluctuating, and many describe a gap of many weeks between the acute stage and the start of Long-COVID. This variability causes further confusion when presenting the problems to a GP and often leads to diagnoses of anxiety or symptoms attributed to the effects of lockdown or home-schooling.

Children are also affected by anxiety, OCD and extremely volatile mood changes which may be associated with neuro-inflammatory processes.

The combination of an often mild or asymptomatic acute illness, followed by delayed debilitating symptoms of Long-COVID, lack of testing and limited awareness amongst GPs about the syndrome has meant that in the UK it is currently difficult to assess the prevalence of Long-COVID in children. The ONS data has now given us some estimation and the recent European data helps to validate this emerging condition in children.3

NHS England now recognises that Long COVID in children needs urgent evaluation and as this official recognition, epidemiological evidence and long-COVID paediatric services evolve, it is hoped that GPs will be provided the resources they need to support families where children are affected by Long-COVID.

In consultations with parents and children, it is preferable to admit to the limitations of knowledge, whilst being interested in the experiences of the family, believing in presented problems and offering support, help and referral. Parents who are frightened for their child need to feel listened to, and the child needs their experiences to be validated. After all, their lived experiences are also valuable evidence.

 

References

  1. Greenhalgh T, Knight M, A’Court C, Buxton M, Husain L. Management of post-acute covid-19 in primary care. BMJ2020;370:m3026. doi:10.1136/bmj.m3026 pmid:32784198
  2. Body Politic COVID-19 Support Group. Report: what does covid-19 recovery actually look like? 2020. https://patientresearchcovid19.com/research/report-1/
  3. Buonsenso D, Munblit D, De Rose C et al; Preliminary Evidence on Long COVID in children. medRxiv 2021.01.23.21250375; doi: https://doi.org/10.1101/2021.01.23.21250375
  4. Zimmermann P, Curtis N. Why is COVID-19 less severe in children? A review of the proposed mechanisms underlying the age-related difference in severity of SARS-CoV-2 infectionsArchives of Disease in Childhood Published Online First: 01 December 2020. doi: 10.1136/archdischild-2020-320338
  5. Harwood R, Allin B, Jones CE et al; PIMS-TS National Consensus Management Study Group. A national consensus management pathway for paediatric inflammatory multisystem syndrome temporally associated with COVID-19 (PIMS-TS): results of a national Delphi process. Lancet Child Adolesc Health. 2021 Feb;5(2):133-141. doi: 10.1016/S2352-4642(20)30304-7. Epub 2020 Sep 18. Erratum in: Lancet Child Adolesc Health. 2021 Feb;5(2):e5. PMID: 32956615; PMCID: PMC7500943.
  6. Mazza MG, De Lorenzo R, Conte C et al; COVID-19 BioB Outpatient Clinic Study group, Benedetti F. Anxiety and depression in COVID-19 survivors: Role of inflammatory and clinical predictors. Brain Behav Immun. 2020 Oct;89:594-600. doi: 10.1016/j.bbi.2020.07.037. Epub 2020 Jul 30. PMID: 32738287; PMCID: PMC7390748.

 

Featured photo by Kat J on Unsplash

Grávidas correm risco 70% maior de infecção por Covid-19, diz estudo

Equipe de pesquisa coletou dados de 240 pacientes grávidas com Covid-19 em 35 hospitais e clínicas nos Estados Unidos

Mulher grávida
Estudo americano ressalta a prioridade de vacinas para gestantes
Foto: Divulgação / Pixabay

Um estudo publicado na terça-feira (16), no Jornal Americano de Obstetrícia e Ginecologia, mostra que a taxa de infecção de Covid-19 entre mulheres grávidas, no estado de Washington, nos Estados Unidos, foi 70% maior do que em adultos com idades semelhantes, no mesmo estado.

O estudo também descobriu que as taxas de infecção entre mulheres negras grávidas eram, de duas a quatro vezes, maiores do que o esperado.

“As mulheres grávidas não foram protegidas da Covid-19 nos primeiros meses da pandemia, com o maior índice de infecções ocorrendo em quase todos os grupos de minorias raciais / étnicas”, escreveram os pesquisadores em seu relatório.

“Nossos dados indicam que as mulheres grávidas não evitaram a pandemia como esperávamos, e as comunidades de cor carregaram o maior fardo”, disse a Dra. Kristina Adams Waldorf, uma obstetra da Escola de Medicina da Universidade de Washington e o autor sênior do relatório.

De acordo com o estudo, a taxa de infecção de Covid-19 em mulheres grávidas no estado de Washington foi de 13,9 em cada 1.000 partos, em comparação com uma taxa geral de 7,3 em cada 1.000 para jovens de 20 a 39 anos no estado.

“As taxas de infecção mais altas em pacientes grávidas podem ser devido à representação excessiva de mulheres em muitas profissões e setores considerados essenciais durante a pandemia Covid-19 – incluindo saúde, educação, setores de serviços”, disse a autora principal, Dra. Erica Lokken, em um comunicado à imprensa.

Os pesquisadores sugerem que as gestantes devem ser amplamente priorizadas para a vacinação contra Covid-19.

“Mulheres grávidas estão excluídas da priorização de alocação em cerca de metade dos estados dos EUA. Muitos estados nem mesmo estão vinculando seus planos de alocação de vacina Covid-19 às condições médicas de alto risco listadas pelos Centros para Controle e Prevenção de Doenças, que inclui gravidez “, disse Waldorf.

Pfizer begins coronavirus vaccine trial in pregnant women

Do The Hill

 

Pfizer begins coronavirus vaccine trial in pregnant women
© Getty Images

Pfizer and BioNTech on Thursday announced a new trial aiming to test the safety and efficacy of its coronavirus vaccine among pregnant women.

The companies, which together produced one of the two COVID-19 vaccines the Food and Drug Administration approved for emergency use in the U.S., said in a press release that it had given doses to its first group of participants in the new study, which aims to provide clear data on any impacts the inoculation may have for expectant mothers and their newborn children.

William Gruber, senior vice president of Vaccine Clinical Research and Development at Pfizer, said in a statement along with the press release, “We are proud to start this study in pregnant women and continue to gather the evidence on safety and efficacy to potentially support the use of the vaccine by important subpopulations.”

Gruber went on to say, “Pregnant women have an increased risk of complications and developing severe COVID-19, which is why it is critical that we develop a vaccine that is safe and effective for this population.”

According to the Centers for Disease Control and Prevention (CDC), pregnant women who are infected with COVID-19 have a higher chance of severe illnesses, including “ICU admission, mechanical ventilation, and death compared with non-pregnant women of reproductive age.”

Pregnant women were excluded from the initial Pfizer-BioNTech clinical trials, and the most updated CDC guidance states that it is a “personal choice” for pregnant women on whether to get the coronavirus vaccine.

Pfizer’s new trial will include about 4,000 healthy pregnant volunteers ages 18 and older who are anywhere from 24 to 34 weeks into their pregnancy, according to Thursday’s press release.

Pfizer and BioNTech said the trial will “evaluate the safety, tolerability, and immunogenicity of two doses” of the vaccine 21 days apart, with half of the participants receiving the actual inoculation and half getting a placebo.

Each woman is expected to participate in the study for seven to 10 months, with researchers looking for any side effects in women, including miscarriage.

The researchers will also monitor the infants until they reach approximately 6 months of age to detect any adverse reactions, as well as the possibility of a vaccinated mother transferring protective antibody to the child while in the womb.

The press release added that those mothers given the placebo will have the opportunity after the study to receive the vaccine.

The additional trial comes as Pfizer, as well as Moderna and AstraZeneca, all have clinical trials underway to determine the safety and efficacy of vaccinations among children, as the inoculations have largely been tested and approved by countries for emergency use for people as young as 16.

I’m an epidemiologist. I’ll be glad to get whatever vaccine I’m offered

The rapid development of effective, safe vaccines in just under a year is something of a scientific miracle

Do Guardian

 

A nurse prepares a dose of Oxford-AstraZeneca COVID-19 vaccine
‘Even the least effective vaccine available appears to reduce the risk of the things we care about most – hospitalisation and death – by a very large amount.’ Photograph: Michael Dantas/AFP/Getty Images

At the start of the pandemic, it was very hard to predict anything. There were predictions of endless Covid-19 pain, wave upon wave of sickness and death, and fears that we would be stuck with painful trade-offs between our health and livelihoods for years to come.

But the vaccinations have changed everything. The light at the end of the tunnel is now so much closer than we could’ve hoped back in March 2020.

Few people would’ve – could’ve – predicted the speed with which we have developed vaccinations. If you had asked most scientific professionals what was a realistic timeline for effective vaccines to be rolled out, most answers would’ve run to years. And this was an understandable assumption – prior to Covid-19, the quickest vaccination development took four years, and many vaccines took far longer than that.

Covid-19 was first sequenced on 10 January 2020. The first Covid-19 vaccination not as part of a clinical trial was given on 8 December 2020 in the UK. 333 days in total to go from the most basic science to an effective, safe vaccination that is already saving lives across the world.

But with this miraculous success has come a slew of arguments. Should we be going with the most clinically efficacious vaccine that will block more transmission? What about herd immunity – which vaccine will provide us with the most protection long term?

To an extent, these discussions are important. Despite the early stage of the worldwide vaccine rollout, there is some data that certain vaccines have proven more effective in the short term against both the initial virus and its variants. If our aim is to keep Australia from having any disease outbreaks at all, as we have done so well with our Covid-19 restrictions, there’s a reasonable debate to be had about which vaccine we want to use.

But equally, it’s easy to miss the woods for the trees. Even the least effective vaccine available appears to reduce the risk of the things we care about most – hospitalisation and death – by a very large amount. While individual trials were not powered to detect a statistically significant effect, the overall impact of vaccines seems to be that they reduce your risk of getting really sick from Covid-19 even if they don’t stop you from getting the disease entirely.

On top of this, herd immunity isn’t a sure-fire bet no matter the vaccine. We can deal with variants in the short term, perhaps, but when we consider the really long term, things become inherently uncertain. If one vaccination prevents onwards transmission for 24 months, but the protection wanes and then disappears entirely over the course of a decade – similar to, for example, the whooping cough vaccine – then herd immunity would be much harder to maintain. We might be left in a situation where, similar to influenza, we all have to get vaccinated every year, except instead of it being a public health bonus it’s a national necessity because otherwise the virus will break out again in the community.

Given that the disease is unlikely to be eliminated in much of the world any time soon, we have to deal with the unwelcome fact that people will be bringing coronavirus into the country for the foreseeable future. SARS-CoV-2 will continue to mutate, and as I said at the start, making predictions is something of a fool’s game.

All that being said, we can deal with what we know now, and what we know now is that all of the approved vaccines are safe and effective. Yes, there is some debate over whether, from a public health standpoint, the long-term benefits of one immunisation over another are important. I’m not trying to stifle that conversation – it’s a discussion we need to have.

But we should take a moment and consider where we were in February 2020, and how amazingly far we’ve come since then. We may have to live with Covid-19 for a time longer, but even the least effective vaccine approved so far is a level of success that no one predicted a year ago.

In Australia two vaccines have so far received approval from the Therapeutic Goods Administration: the Pfizer vaccine, which has an efficacy rate after two doses of 95%, and the Astra Zeneca vaccine, approved on Tuesday, which has an efficacy rate of 62%. A third vaccine, Novavax, with an efficacy of 89% in phase 3 trials, has been purchased in advance by the federal government but not yet approved for use in Australia.

So which vaccine will I be getting, as an epidemiologist and public health worker? Well, I agree wholeheartedly with Nobel laureate Professor Peter Doherty on this one: I’ll take whatever I’m offered (and be glad to have it).

The best vaccine is the one that’s in your arm.

• Gideon Meyerowitz-Katz is an epidemiologist working in chronic disease

Pandemia faz condições trabalhistas das mulheres recuarem uma década na América Latina

CEPAL estima que a taxa de atividade feminina nos postos de trabalho ficou em 46% em 2020, seis pontos percentuais a menos que antes da crise do coronavírus

Do El País

Uma mulher com máscara acomoda frutas em sua banca no mercado de Corabastos, em Bogotá, em 27 de julho de 2020.
Uma mulher com máscara acomoda frutas em sua banca no mercado de Corabastos, em Bogotá, em 27 de julho de 2020.GUILLERMO LEGARIA / GETTY IMAGES

Um ano de crise significou uma década de retrocesso em matéria trabalhista para as mulheres latino-americanas. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) adverte que as mulheres foram as mais prejudicadas pelo impacto econômico da covid-19, por serem maioria naquelas profissões com maior precarização e risco de destruição de emprego —como o comércio, a hotelaria, a indústria e o serviço doméstico— e ter escasso acesso ao crédito para manter ou recuperar seus negócios. Em outros setores profissionais muito feminizados, como a saúde e a educação, os empregos não estão em perigo, mas as trabalhadoras muitas vezes contam com preparação e proteção insuficientes contra o coronavírus.

Em um relatório intitulado A autonomia econômica das mulheres na recuperação sustentável e com igualdade, apresentado nesta quarta-feira em Santiago, a CEPAL, uma agência da ONU, pede aos Governos que adotem políticas de recuperação econômica com perspectiva de gênero para reduzir a desigualdade e não deixar ninguém para trás. “Os setores em alto risco concentram cerca de 56,9% do emprego das mulheres e 40,6% do emprego dos homens na América Latina”, descreve o relatório. Em alguns países, a disparidade é ainda maior, como no caso do México: 65,2% das mulheres trabalhadoras estão empregadas em setores muito golpeados pela crise, contra 44,9% dos homens.

A CEPAL propõe reativar setores gravemente afetados, como o comércio, o turismo e os serviços, por considerar que “além de redinamizar as economias eles têm um potente efeito na recuperação do emprego das mulheres”. Pede também investir em infraestruturas de cuidado para fomentar o crescimento econômico: “Por um lado, o investimento dinamiza a demanda interna de consumo e, com ela, o nível de atividade. Por outro, ampliam-se as possibilidades de crescimento no longo prazo e de desenvolvimento na medida em que se libera tempo das mulheres e se profissionaliza e regula a qualidade do cuidado, o que contribui para que os países saiam da armadilha do baixo crescimento”.

ampliação e acessibilidade dos serviços de cuidado (creches etc.) é crucial para ampliar a participação das mulheres no mercado de trabalho. Antes da pandemia, a taxa de atividade feminina era de 52%. Agora, o organismo estima que ronda 46%. À perda de autonomia econômica se soma uma sobrecarga de trabalho não remunerado, em especial o vinculado ao cuidado e apoio nas tarefas escolares dos filhos depois da suspensão das aulas presenciais.

Entre os dados reunidos no relatório destacam-se alguns que dão conta da magnitude do impacto desta crise nas mulheres, como o desabamento do trabalho doméstico registrado. No Chile e na Colômbia, 4 de cada 10 trabalhadoras domésticas ficaram sem emprego desde que a pandemia de covid-19 eclodiu. No Brasil, 2 em cada 10. Quem conservou o trabalho muitas vezes viu suas tarefas aumentarem, seja por maiores exigências de higiene pelo coronavírus ou pela necessidade de cuidar de familiares que antes não estavam permanentemente em casa.

O setor da saúde ganhou especial relevância desde que o coronavírus se expandiu por todo o mundo. Na América Latina e Caribe, 7 de cada 10 trabalhadores neste âmbito são mulheres, mas seus salários são pelo menos 25% inferiores aos de seus colegas homens. “Diante da atual crise, as jornadas de trabalho se intensificam, e em alguns casos as pessoas ocupadas neste setor não contam com equipamentos de proteção suficientes, o que aumenta as possibilidades de contágio e também agudiza o estresse do pessoal”, adverte a Cepal.

O organismo vê também com preocupação o retrocesso na área educativa, onde 70,4% dos postos estão ocupados por mulheres. “O corpo docente (altamente feminizado) teve que responder às novas formas de educação, em muitos casos sem a possibilidade de formação ou capacitação prévia e sem as competências ou os recursos suficientes para poder adaptar seu trabalho às exigências do ensino à distância e o uso de plataformas”, diz o relatório. O fato de em muitos lugares da América Latina o papel das escolas ir além da educação —por exemplo, ao garantir a alimentação das crianças— obrigou o pessoal educativo a colaborar também em tarefas como distribuição de alimentos, produtos sanitários e materiais escolares.

Perante este panorama, a Cepal propõe que os Estados concebam políticas de reativação econômica com perspectiva de gênero. Isso implica que os cuidados não sejam vistos como um gasto social, e sim como um investimento para gerar emprego, e que também se leve em conta a necessidade de reverter as discriminações no mercado de trabalho.

FEATURE-COVID creates ‘fertile ground’ for genital cutting in Africa

Da Reuters

NAIROBI, Feb 5 (Thomson Reuters Foundation) – When Margaret heard the family making plans for her genital cutting ceremony last August, the 15-year-old Kenyan schoolgirl knew there was no room for negotiation.

Her school in rural, western Kenya had been closed for five months due to the pandemic, and with no certainty when classes would resume, Margaret’s parents decided she should wed.

“They wanted me to be cut so I could be married and they would get dowry,” Margaret told the Thomson Reuters Foundation by phone from a temporary foster home in West Pokot county, which borders Uganda.

“They didn’t listen when I told them I wanted to continue with my education … so I ran away to a neighbour who took me to a charity worker who helps girls like me.”

Margaret, whose name has been changed to protect her identity, is one of the lucky ones.

From Kenya, Somalia and Tanzania in the east to Liberia, Sierra Leone and Nigeria in the west, the COVID-19 pandemic has led to a surge in reports of girls across Africa undergoing female genital mutilation (FGM), say women’s rights groups.

FGM, which involves partial or total removal of the female genitalia, threatens 4 million girls annually.

The world has pledged to end the practice by 2030 – an ambitious goal made all the more remote by the new coronavirus.

For the pandemic has created a perfect storm for proponents of cutting: vulnerable girls stuck at home without teachers’ protection, anti-FGM groups grounded by lockdown and hard-pressed health services diverted to COVID-19.

Shutdown has also driven poverty higher, said campaigners, so families perform FGM hoping to marry their daughters off to ease the financial burden at home or gain a dowry.

Africa’s confirmed coronavirus caseload has reached more than 3.5 million, with almost 100,000 deaths, according to the Africa Centres for Disease Control and Prevention.

Health experts say a lack of testing and reliable data from many African nations means the true figures may be far higher.

“Anecdotal evidence, including various reports from police and activists, indicate that in some communities there has been an increase, including girls being subject to FGM en masse,” said Flavia Mwangovya, who leads the anti-FGM programme at charity Equality Now.

The pandemic, she said, spawned “a fertile environment for FGM to proliferate”, with the United Nations Population Fund(UNFPA) predicting an extra 2 million girls will be cut in the next decade.

GIRLS AT RISK

On Saturday, International Day of Zero Tolerance for Female Genital Mutilation aims to focus minds on the practice and bolster efforts to raise funds and awareness to stamp it out.

More than 200 million girls and women globally have undergone FGM. It is practiced in more than 30 countries – largely in Africa, but also in parts of Asia and the Middle East, and by diaspora communities in the West.

Usually carried out by traditional cutters, often using unsterilised blades or knives, the centuries-old ritual has no health benefit and can lead to a host of medical problems, says the World Health Organization (WHO).

Girls can bleed to death or die from infections.

It can also cause fatal childbirth complications.

In many communities, a girl weds soon after cutting, say rights groups, stifling progress in education, health and employment and in turn hampering her children’s development.

The WHO says FGM also exacts a crippling economic cost – estimating the cost of treating the health impacts of genital cutting to be about $1.4 billion annually.

In Africa and the Middle East, 26 nations have outlawed FGM, but the practice persists within some communities that believe it fosters social acceptance and boosts marriage prospects.

MASS CUTTINGS

A September study by the anti-FGM charity Orchid Project found FGM cases had reportedly increased in Nigeria, Kenya, Tanzania, Sierra Leone, Somalia and Liberia.

The Five Foundation, which supports local organisations to fight FGM, said they had given out grants to more than a dozen partners who had reported increased FGM cases during the pandemic, including in The Gambia, Guinea and Egypt.

Domtila Chesang, a Kenyan anti-FGM advocate, said communities had exploited school closures to perform genital cutting on their girls, free from the risk of detection.

“I can confidently say there has been a spike in FGM and child marriage cases due to COVID-19 in Kenya,” said Chesang.

“I received many tipoffs of FGM cases, sometimes ceremonies involving hundreds of girls. In some cases, we were able to intervene with the police and rescue the girls, but in other cases the place is too far off and you can’t reach in time.”

Chesang said she helped rescue 60 girls – including Margaret – in the nine months when Kenyan schools were shut, compared to an average of 15 rescues annually pre-pandemic.

In neighbouring Somalia – which has the world’s highest FGM rate with about 98% of women having been cut – child rights groups say the lockdown has seen circumcisers going door to door offering to cut girls stuck at home, as well as mass gatherings.

In Sierra Leone and Liberia, campaigners also believe cases have risen, although they do not have official data as backup.

“With no one watching, the practitioners started aggressively selling their services, so they could make more money by performing FGM procedures and this has led to an increase,” said Mackins Pajibo, programme officer at the Monrovia-based charity Women Solidarity Incorporated.

Anti-FGM groups also cite reports that former cutters in countries such as Nigeria who had given up their work, have restarted due to a loss of earnings caused by the pandemic – further hampering efforts to end the practice.

Some countries have tried to counter the new trend.

In Kenya, village chiefs have made house-to-house checks, while motorbikes were given to elders in Liberia so they could monitor girls at risk.

In Nigeria’s Enugu state, activists turned to “Neighbourhood Watch Group” members to provide an informal policing system.

To end FGM by 2030, the U.N. estimates it will cost $2.4 billion – or $95 for each girl safeguarded – and have urged donors to come forward and meet the challenge.

“It is an ambitious and necessary goal and it is achievable – if we unite, fund and act,” UNFPA Executive Director Natalia Kanem said in a statement. (Reporting by Nita Bhalla @nitabhalla, Editing by Lyndsay Griffiths. Please credit the Thomson Reuters Foundation, the charitable arm of Thomson Reuters, that covers the lives of people around the world who struggle to live freely or fairly. Visit news.trust.org)

O que significa cuidar de um filho numa pandemia?

O sofrimento das crianças na emergência da covid-19 deve levar os pais a responder à pergunta mais importante para a próxima geração —e agir

Via El País

Confinado, garoto de cinco anos exibe desenho da janela de seu apartamento em Zenica (Bósnia e Herzegovina). Série mostra crianças isoladas pelo mundo e suas imagens da pandemia —Ilhan desenhou bombeiros, profissionais essenciais e "seus heróis".
Confinado, garoto de cinco anos exibe desenho da janela de seu apartamento em Zenica (Bósnia e Herzegovina). Série mostra crianças isoladas pelo mundo e suas imagens da pandemia —Ilhan desenhou bombeiros, profissionais essenciais e “seus heróis”.DADO RUVIC / REUTERS

 

O menino é filho único e tem oito anos. Logo nas primeiras semanas da pandemia, ele elegeu dois bichos de pelúcia para serem seus parceiros. Quando jogava videogame, colocava um dos bonecos ao lado, com um controle no colo, como se estivessem brincando juntos. Os amigos seguiam com ele dividindo as atividades do dia. O menino fantasiava outros meninos para enfrentar a falta atroz de outras crianças. Uma mãe me conta, por tela, que seu bebê nasceu na pandemia e logo completará um ano sem nunca ter visto uma outra criança. Já começa a andar e a balbuciar algumas tentativas de palavras sem jamais ter encontrado ou tocado em outro bebê. Que tipo de efeito isso terá sobre a sua vida? E se a pandemia durar mais um ano?, ela pergunta, mas sem a esperança de uma resposta. Outra menina pede: “Mãe, me dá uma criança?”.

A pandemia forjou uma realidade de crianças sem crianças. Ainda não conhecemos totalmente os efeitos que essa experiência radical pode ter sobre quem estreia na vida. Também não sabemos quando esse cotidiano será superado, já que são muitas as variáveis: do tempo para completar a vacinação ao impacto das novas cepas que já começaram a circular. Negar a emergência sociossanitária, como alguns estão fazendo, é a pior escolha possível. Como os adultos de sua vida lidam com essa pandemia será um exemplo que marcará profundamente a formação de cada criança, porque todos os desafios e as escolhas éticas fundamentais de uma vida humana estão colocados nesse acontecimento. Pode faltar criança para brincar, mas não pode faltar ética para formar.

“Faltar” criança para conviver é um dado da realidade em uma pandemia. É duro, mas há que se lidar com ele. Faltar ética ao escolher como enfrentar a crise pode ser mais complicado e ter efeitos mais longos. As crianças estão observando o que os pais fazem com ainda maior atenção porque também elas sentem nos ossos a emergência. As lições do agora serão para toda a vida.

O que significa cuidar de uma filha ou filho numa pandemia? Ou o que significa cuidar da próxima geração numa emergência global de saúde pública, já que somos todos pais daquelas e daqueles que assumirão a responsabilidade por esse mundo nas próximas décadas? Essa questão vale para todos os adultos em qualquer país do mundo, mas no Brasil ela ganha contornos muito mais dramáticos.

Onde estamos metidos

O primeiro passo é entender onde estamos metidos. A ampla disseminação da ideia de que estamos vivendo algo surpreendente e inesperado, que teria pegado a todos de surpresa, é falsa. A ocorrência de pandemias não é novidade para Governos e instituições. Se foi, é por incompetência e irresponsabilidade. E também por essa praga que se pode chamar de síndrome do curto prazo, que é a escolha de governar com medidas de visibilidade imediata, porque têm mais impacto para as ambições do governante nas próximas eleições, do que com planejamento de longo prazo, cujos benefícios ultrapassam o mandato porque visam ao bem comum.

Quem acompanha o tema da saúde pública e as comunicações da Organização Mundial da Saúde sabe que o surgimento de mais uma pandemia era previsto. Assim como o fato de que as pandemias se tornarão mais frequentes, devido à emergência climática (causa e efeito da destruição de habitats de espécies) e à ampla circulação de pessoas e de mercadorias em um mundo globalizado. São o que o microbiologista francês Philippe Sansonetti, do Collége de France, chama de “doenças do antropoceno”: “as doenças que estão principalmente, senão exclusivamente, ligadas ao fato de os humanos terem dominado o planeta e ao impacto que estão causando sobre a Terra”.

Há protocolos para enfrentar pandemias preparados muitos anos antes do primeiro caso de coronavírus em Wuhan. Diretrizes de enfrentamento foram criadas principalmente a partir de 2003, com a emergência da SARS (síndrome aguda respiratória grave). Até mesmo o Banco Mundial oferece há anos uma linha de crédito para os países enfrentarem pandemias. Em 2017, por exemplo, lançou títulos especializados com o objetivo de garantir apoio financeiro ao Pandemic Emergency Financing Facility (PEF), um mecanismo criado para financiar países em desenvolvimento que enfrentam o risco de uma pandemia.

A surpresa pode ser para os cidadãos, que não receberam toda informação que deveriam ou se recusaram a acreditar na que receberam, caso da emergência climática que as lideranças indígenas alertam há décadas e os cientistas também. Mas não deveria ser surpresa para os Governos. E, se foi, é preciso entender o porquê e apurar responsabilidades.

É importante compreender também que a gestão pública da pandemia tem sido muito desigual. O Lowy Institute, um centro de estudos e debates da Austrália, publicou no final de janeiro uma pesquisa em que analisou os dados e a atuação de 98 países. O estudo mostrou o Brasil com a nota mais baixa na condução da pandemia (4,3) e a Nova Zelândia com a nota mais alta (94,4). É razoável supor que uma criança brasileira sofrerá muito mais impacto com a pandemia do que uma criança neozelandesa ou de países em que o Governo usou o conhecimento científico e especializado disponível para enfrentar a emergência sanitária.

Liderar o ranking de má gestão pública da pandemia, como é o caso do Brasil, tem consequências evidentes. A pior delas está exposta diariamente nas covas abertas para abrigar os mortos: atualmente, mais de 1.000 por dia, e quase 230.000 no total. Embora o Brasil seja o segundo país em número de mortes, essa tragédia é a realidade de vários países, e está intimamente conectada com a incompetência na condução do enfrentamento da covid-19. A má gestão é ainda mais evidente em países como o Brasil e a Inglaterra, que possuem sistemas públicos de saúde que, apesar de sucateados pelos Governos neoliberais, ainda assim são um exemplo para o mundo. No Brasil, o SUS não foi apenas sucateado, mas atacado pelo vírus do subinvestimento crônico desde o seu nascimento.

Diferentemente de outros países com evidente má gestão da crise sociossanitária, o Brasil se tornou um caso único, que entrará para os livros de história da pandemia de covid-19. O Governo Bolsonaro não ganhou o título de pior gestor por incompetência, mas por ter colocado em prática uma “estratégia institucional de propagação do vírus”. A partir da análise de 3.049 normas federais, um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e da Conectas Direitos Humanos, divulgado no último dia 21 pelo EL PAÍS, comprovou a ação deliberada do Governo para a propagação do vírus, com o objetivo de acelerar o contágio da população para poder retomar as atividades econômicas.

Um grupo de entidades religiosas, entre elas a CNBB e a Fundação Luterana de Diaconia, fizeram uma denúncia baseada no estudo junto ao Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos na semana passada. Relacionadas à covid-19, há pelo menos três comunicações por genocídio e outros crimes contra a humanidade cometidos por Bolsonaro e membros do Governo no Tribunal Penal Internacional. Outras devem chegar, tornando a hashtag #BolsonaroEmHaia cada vez mais forte.

Pelo menos mais um pedido de impeachment, esse dos professores da Faculdade de Direito da USP, a mais prestigiosa do país, baseou-se no estudo para somar-se nesta semana aos mais de 60 que já desembarcaram no Congresso. Como é sabido, Bolsonaro “comprou” a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, estratégicos para decidir a abertura de um processo de impeachment. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o presidente que se elegeu mentindo que era “contra a corrupção” beneficiou 285 parlamentares com 3 bilhões reais de dinheiro extra em troca de votos. Nosso dinheiro, é importante lembrar.

“festa da vitória” de Arthur Lira (Progressistas), o novo presidente da Câmara, denunciado duas vezes por corrupção passiva e organização criminosa, reuniu 300 pessoas no mesmo espaço físico quando mais de 1.000 famílias por dia choram seus mortos. Como nomear o ato de um parlamentar, eleito presidente da Câmara graças à troca de dinheiro público por votos, troca feita pelo presidente da República para impedir a abertura do seu processo de impeachment, comemorar o escárnio dessa vitória reunindo 300 pessoas no mesmo espaço, a luxuosa mansão de um empresário denunciado por fraude, quando o Brasil soma quase 230.000 mortos por um vírus transmitido por proximidade física?

Às voltas com um Governo que comprovadamente recusou a oferta de testes e de vacinas em 2020 e, em 2021, ainda não conseguiu garantir um cronograma confiável de vacinação, a sociedade e as instituições têm pouca energia e recursos para debater e enfrentar as consequências da pandemia. Quando se acompanha a linha do tempo dos atos de Bolsonaro para disseminar o vírus e das reações do Judiciário, do Legislativo e da sociedade a esses atos, torna-se evidente que quase todos os esforços no Brasil têm sido investidos em bloquear ou neutralizar o boicote sistemático do Governo ao enfrentamento da pandemia.

Grande parte da energia da sociedade e das instituições está sendo gasta na redução de danos dos atos de Bolsonaro e de seus ministros contra a saúde pública. Isso significa que Bolsonaro se tornou um vírus que não só ajuda a disseminar o transmissor da covid-19, como também suga toda a capacidade de combate do sistema imunológico da sociedade. Não há como combater dois vírus ao mesmo tempo. A resposta para neutralizar o vírus Bolsonaro é óbvia e foi prevista na Constituição.

O que um adulto faz numa situação dessas?

Essa é a situação. E é com ela que nós, os adultos, precisamos lidar, para cuidar das futuras gerações.

Quando o presidente da República é comprovadamente o principal propagador do vírus, todas as pessoas precisam se posicionar e lutar para barrar o que alguns dos juristas mais respeitáveis do Brasil têm definido como crimes contra a humanidade. Votar é apenas uma pequena parte dos deveres de um cidadão numa democracia. Omitir-se diante de uma política de extermínio que já sepultou quase 230.000 brasileiros, ciente de que uma parte dessas mortes poderia ter sido evitada se as medidas corretas de prevenção e de enfrentamento tivessem sido tomadas, é a pior lição que se pode dar a um filho. É ensinar que, diante de uma ameaça, devemos nos deixar matar.

As crianças mais velhas já confrontam o pai ou a mãe ou ambos: o que é que você vai fazer? Em caso de alguns adolescentes, essa pergunta é jogada como desafio e em tom de afronta. Mas, prestando um pouco mais de atenção, é possível escutar o medo. O que está nas entrelinhas é: como você vai me cuidar?

Ao contrário de muitos países, especialmente na Europa, o Brasil nunca fez lockdown. A palavra em inglês, que já entrou no vocabulário da covid-19, significa “confinamento”. Significa fechar mesmo, não fazer de conta, como fazem a maioria dos Estados e dos municípios do país, ao submeter-se à pressão de empresários e comerciantes que nada entendem de saúde pública. Possivelmente, também não entendem de economia, já que há vários estudos sérios, feitos por gente séria, que mostram que o melhor para a economia é controlar a pandemia.

Se os governantes, aqueles que têm autoridade e responsabilidade de executar as políticas de saúde pública, preferem se submeter àqueles que financiam suas campanhas políticas em vez de cumprir sua obrigação constitucional de defender o conjunto da população, é necessário pensar melhor no voto da próxima eleição. Enquanto isso, adultos responsáveis tomam todas as medidas necessárias à prevenção a que têm acesso —isolamento e higiene e, caso sejam obrigados a sair, máscara e distanciamento.

Se um pai ou mãe não é capaz de mostrar ao seu filho ou filha, por palavras, mas principalmente pelo exemplo, que sua escolha individual deve ser tomada não em função de seus próprios interesses, comodidade ou privilégios, mas no interesse do coletivo e especialmente dos mais frágeis, que tipo de pai ou mãe ou que tipo de pessoa é você?

Aqueles que não podem promover seu próprio isolamento, porque estão submetidos à vontade dos empregadores ou porque trabalham em serviços essenciais, devem pressionar seus sindicatos e outras representações, quando elas existem, somando-se à parcela da sociedade que luta por medidas efetivas de combate à covid-19. E todos devem lutar para que os mais pobres, a maioria deles negros, que são também proporcionalmente os que mais morrem por covid-19, a maioria na informalidade, recebam auxílio emergencial.

Segundo o economista Daniel Duque, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), o fim do pagamento do auxílio emergencial pode condenar uma parcela entre 10% e 15% da população brasileira a viver em pobreza extrema, dobrando o número de miseráveis no país. Isso significa que entre 21 milhões e 31 milhões de pessoas podem já estar passando fome. Campanhas para alimentar os famintos que se espalham por todo o país já se iniciaram promovidas pela sociedade civil organizada nessa nova onda de covid-19.

Quem individualmente menos precisa de ajuda é quem mais tem obrigação de lutar pelo coletivo.

Abrir ou fechar as escolas, eis a falsa questão

Se a premissa do debate sobre as escolas numa pandemia é uma oposição entre saúde e educação ou entre sociedade e professores ou ainda entre prevenção da pandemia e prevenção da saúde mental das crianças, o debate já começa muito, mas muito torto, e não pode terminar em nada bom. Infelizmente, é o que tem acontecido em várias instâncias.

frase “não podemos continuar mais um ano com as escolas fechadas” é equivocada. As escolhas de saúde pública, assim como as da vida, não são apenas uma questão de vontade, mas de responsabilidade e de estratégia. O que não podemos é continuar mais um ano com um presidente que dissemina o vírus, o que não podemos é continuar mais um ano com uma das polícias que mais matam no mundo, o que não podemos é continuar mais um ano com criminosos destruindo impunemente a Amazônia. Essas são situações criadas pela sociedade que estão matando a sociedade e que podem e devem ser mudadas por ela.

A pandemia exige estratégias diferentes para que possa ser controlada e, enquanto não for, mate o menos possível. Podemos e devemos reduzir seu impacto com medidas de prevenção da doença e garantia de vacinação, assim como devemos encontrar mecanismos de proteção dos mais pobres para que não morram por fome. Parte dessas medidas de saúde pública, porém, podem depender sim de manter os prédios das escolas fechados. A questão é que prédios fechados não deveriam significar escolas fechadas. Quando significam é porque há um problema com o entendimento do que é uma escola.

A experiência da pandemia mostrou algo à sociedade e aos adultos. Como tem sido dito por pesquisadores do tema da infância, como a psicanalista Ilana Katz, doutora pela Faculdade de Educação da USP, foram as crianças que apontaram o quanto a escola é essencial. “O debate precisou atravessar a simplificação do ‘abre e fecha a escola’, desimplicado das suas consequências territoriais, para considerar, com seriedade, a função da escola”, diz Katz. “Foi preciso dimensionar o seu lugar social e a importância de sua tarefa como agenciadora da cultura e da vida com todos os outros. Isso se colocou na forma de ausência e saudade no cotidiano das crianças e das suas famílias e tornou evidente onde, como e para o quê uma escola faz falta. Como consequência, apresentou a possibilidade de ampliação da compreensão da função da escola, sua centralidade no laço social e sua condição de serviço essencial”.

De certo modo, aconteceu com a escola pública o mesmo que aconteceu com o SUS. Era considerado imprestável por parte da sociedade até a pandemia mostrar que, apesar de terrivelmente sucateado nos últimos anos, o SUS é um trunfo precioso. Não fosse o sistema de saúde pública, o Brasil estaria numa situação ainda mais dramática. Já com a escola pública, poucos se importavam para além do discurso sem ação. Professores sempre mal pagos, escolas sem equipamentos, prédios depredados, alguns dos piores índices de aprendizado do mundo, crianças há anos na escola sem conseguir se alfabetizar, índices alarmantes de evasão e a tal da “normalidade” seguia.

Nos anos que antecederam o Governo Bolsonaro, a educação foi atacada pelo programa ideológico que se autodenominou Escola Sem Partido, mas mostrou-se escola com o pior partido, sofreu bullying por supostamente ser um “antro de esquerdopatas”, professores foram perseguidos e humilhados por ativistas de extrema direita e suas milícias digitais. Para piorar, o Governo Bolsonaro encontrou —propositalmente— a pior sequência de nulidades para colocar à frente do Ministério da Educação, páreo apenas para o atual ministro da Saúde, o general da ativa Eduardo Pazuello.

Ao mesmo tempo, o Governo tenta retroceder alguns séculos de avanço civilizatório e colocar a família como uma totalidade que não precisa da sociedade, defendendo bobagens como o homeschooling (escola em casa), porque a família se bastaria. Não qualquer família, claro, mas a “certa”, aquela “de homem e de mulher”, de preferência o primeiro vestido de azul e a segunda de rosa. “Tudo pela família, tudo feito em casa, tudo protegido. Protegido de mundo, do outro, de alteridade”, comenta Katz.

E então a pandemia botou as crianças e os adolescentes em casa e, bem, o óbvio ficou óbvio para (quase) todos: não se faz educação sozinho nem entre quatro paredes. E, mais uma obviedade: é muito difícil ser professor. Nunca tantos pais exaustos perceberam o quanto os professores ganham pouco e recebem pouco apoio para fazer o seu trabalho. Pelo pior acontecimento, alguns pilares da democracia finalmente ficaram claros para (quase) todos: saúde e escola são essenciais.

A questão é o que se faz com o que se descobre. Uma parte importante do debate sobre a escola não é sobre a escola, mas sobre onde os pais vão colocar os filhos para poder trabalhar —ou, em alguns casos, para ter paz. Essa também é uma questão válida, mas não é a principal. “A escola não existe para resolver um problema dos adultos, ela existe para permitir que crianças sejam educadas num espaço de diversidade de experiências, e então possam se tornar pessoas responsáveis pela sua comunidade e capazes de desenvolver seus potenciais para a criação e a manutenção do comum”, diz Katz.

Assim, a questão de abrir ou não os prédios, que são apenas parte do que uma escola deve ser, é uma fração dessa conversa. Se a escola é essencial, então é passada a hora de realmente tratar a escola como essencial —e aí não estamos falando de prédios apenas, mas de toda a comunidade escolar, a começar pelos professores e funcionários. Se a escola é essencial então é preciso tratá-la como essencial —e não, mais uma vez, rearranjar o desarranjo. Numa pandemia, tratar a escola como essencial é determinar que é um serviço essencial e, portanto, professores e funcionários devem ser colocados na frente da fila de vacinação. Até agora, os professores não foram vacinados. E, sem medidas práticas, qualquer conversa é pura demagogia. Ou pior, é escolher o corpo do outro para que seja sacrificado. Sempre o do outro, claro.

É preciso se perguntar de forma mais profunda, comprometida e honesta do que tem sido feito: abrir as escolas para quê? Para que elas continuem sucateadas, negligenciadas, aviltadas? Obrigar os professores e os funcionários a trabalhar numa pandemia, fazendo apenas o mínimo (ou no máximo o mínimo) para protegê-los, da mesma forma que os obrigam a ensinar sem condições para ensinar? Esse é um momento terrível, mas é também um momento de possibilidades. Tanto no que se refere ao destino que a sociedade dará à descoberta de que o SUS é algo precioso, que precisa ser urgentemente fortalecido, quanto ao destino que se dará à descoberta de que a escola é essencial, para muito além do que antes era percebido no cotidiano.

Entre tanto material de qualidade produzido sobre esse tema, reproduzo aqui um trecho do manifesto Ocupar Escolas, Proteger Pessoas, Recriar a Educação, assinado por várias organizações ligadas à educação e à saúde:

“A pandemia desagregou o sistema educativo e a discussão sobre sua reorganização mantém-se no dilema da volta ou não às aulas presenciais. Um problema complexo, com vários níveis, dimensões e interfaces, foi simplificado como se fosse uma simples escolha dual: abrir escolas ou manter suspensas suas atividades. Pior, a suposta dicotomia rede pública e privada, utilizada com frequência para sustentar a desvalorização do que é público estatal, é falaciosa mesmo se tocarmos exclusivamente na questão da infraestrutura. É preciso construir caminhos para superar o negacionismo e os falsos dilemas no campo da Educação.

É necessário questionar desde logo o termo retorno. Não é possível retornar na vida, é preciso seguir e refazer, reinventar, recriar. As vivências desse período podem ensejar aprendizagens, a vida na pandemia se faz de acontecimentos que devem ser trazidos para as construções curriculares que acontecem no chão da escola, mesmo que agora em espaços virtuais. Não se trata de cumprir currículos ou repor saberes escolares, mas de fazer do processo vivido durante a pandemia uma oportunidade de troca de saberes e experiências, momentos de fortalecimento de laços pessoais e sociais. Momentos de resistência criativa e solidariedade com as comunidades escolares.

Nesse aspecto, são necessárias políticas de inclusão digital específicas para os estudantes que necessitem, com fornecimento de equipamentos e acesso à internet para atividades educacionais. Reabrir e ocupar os espaços institucionais da educação implica, enfim, questionar se, como sociedade, estamos satisfeitos/as com o modelo de escola que concebemos, construímos e reproduzimos ou se, ao contrário, vale a pena lutar para rever o que é a escola e, com isso, recriar a educação”.

Há um ponto levantado pelo manifesto que me parece crucial para botar rumo no debate: não há mesmo retorno possível. Se a escola, essa que é feita de gente viva e diversa, for reaberta nos parâmetros de antes da pandemia, como mero depósito dos filhos dos mais pobres, para que os pais possam exercer seus trabalhos precarizados e agora também se arriscarem a ser contaminados; ou então como commoditybusiness, instrumento de reprodução de privilégios, no caso das escolas privadas de elite, mais uma oportunidade histórica será perdida.

Diante da tragédia, mais uma vez teremos escolhido o pior como sociedade. Já se a escola for investida, com investimento de recursos e com investimento de tempo de todos os envolvidos, convertida em prioridade real, ela estará aberta mesmo que os prédios fiquem fechados (ou voltem a ser fechados) até os profissionais de educação serem vacinados e as autoridades sociossanitárias tiverem convicção de que é seguro abri-los.

Jemima, de seis anos, desenhou um piquenique com os pais e os avós, algo de que sente falta durante o confinamento em Bekasi (Indonésia).
Jemima, de seis anos, desenhou um piquenique com os pais e os avós, algo de que sente falta durante o confinamento em Bekasi (Indonésia). WILLY KURNIAWAN / REUTERS

O que as crianças podem ensinar aos adultos?

O menino que abre esse texto fez dos bonecos de pelúcia suas crianças imaginárias. Ao observarem sua fabulação, os pais procuraram outros pais da escola para criar um encontro regular pelas telas do game Minecraft. Ao se juntarem, o que as crianças construíram? Uma escola. Deram a ela o mesmo nome da sua. Um dia resolveram jogar também com monstros. Antes, porém, garantiram a fortificação da escola para que ela pudesse sobreviver ao ataque.

Essa cena não expressa apenas amor, mas cuidado. Crianças confinadas se juntando para cuidar da escola da forma que lhes é possível. E, cuidando da escola, cuidam uns dos outros, porque juntos, apesar do isolamento físico.

Essa história tão bonita e tão simbólica foi contada pela psicanalista Luciana Pires. Especialista em psicanálise com crianças e adolescentes pela Tavistock Clinic, de Londres, e doutora pelo Instituto de Psicologia da USP, ela tem refletido sobre as brincadeiras da quarentena. Instigada pelas construções que seus pacientes vêm produzindo durante o isolamento (e pelo quanto ela tem aprendido com eles), Luciana Pires e o Departamento de Psicanálise com Crianças do Instituto Sedes Sapientae fizeram um chamado para que famílias, escolas e profissionais de saúde relatassem o que ela tem chamado de “brincário”.

As crianças inventaram mundos e se inventaram no mundo nessa pandemia. “No caminho da fantasia de movimentos, uma vez que estamos privados deles, um garoto de cinco anos passou dias falando e desenhando sobre o movimento da água nos canos da casa e finalmente para a rua. E, na mais franca brincadeira de realização de desejo, outro menino construiu um controle remoto de um drone com o qual viaja para todos os lugares que deseja”, conta a psicanalista. Outro garoto, esse com seis anos, passou os primeiros dias da quarentena construindo e brincando de Arca de Noé. Sonhava em salvar a todos do “dilúvio” que se apresentava, agora com o nome de covid-19.

O mais surpreendente é um fenômeno que une crianças de partes muito diferentes do planeta: elas estão criando casa dentro de casa. Tendas e barracas de todos os tipos, com os materiais disponíveis, de lençóis a pedaços de tecido, de caixas a sobras de madeira, embaixo de mesas, no canto de sofás, na esquina do corredor, em lugares possíveis e também impossíveis, meninas e meninos nunca construíram tanto como nessa pandemia. Um dos garotos inventou uma cabana no meio da sala e de lá pede tele-entrega. Logo, sentiu necessidade de aumentar a casa e construiu mais um cômodo, expandindo seu mundo dentro do mundo.

O que as crianças fazem lá dentro? “Nossas casas não são mais as mesmas e definitivamente ganharam novos contornos e sentidos. As casas precisam então ser repensadas e re-representadas a partir das brincadeiras”, diz a psicanalista. “Essas cabanas também permitem que se crie um ‘fora da casa’, um campo externo. Delimitam um espaço de dentro, deixando o resto de fora. Pois não só nos entocamos, mas passamos a fazer o que fazíamos fora de casa dentro: vamos à escola, trabalhamos, temos consultas médicas etc. Talvez as cabanas queiram recriar o íntimo dos lares no meio da casa invadida. Agora que a casa virou o mundo, a criança precisa ter uma casa no mundo.”

Como na fábula do menino que apontava que o rei estava nu, foram também as crianças que, nessa pandemia, apontaram que aquilo que os adultos chamavam de “normal” era bem precário. Num mundo que priorizou o indivíduo, nunca a rede fez tanta falta. De repente, a precariedade das relações e do cotidiano se revelou em todas as suas ausências. Como diz um ditado africano, para educar uma criança é preciso toda uma aldeia. Não basta a família, é preciso a escola. Não basta a escola, é preciso a comunidade. Só se faz gente junto com gente.

Também foram as crianças que apontaram que não seria possível rearranjar o mundo dentro de casa como se algo da dimensão do acontecimento de uma pandemia não exigisse lidar com as perdas e recriar o mundo. Com as suas possibilidades, juntando restos e retalhos do que vão encontrando, arrebanhando os bonecos, as crianças foram as primeiras a fazer a sua parte, inventando um mundo dentro da casa que virou mundo para serem capazes de viver com dentro e com fora. Agora, precisamos escutá-las, aprender com elas e criar um mundo em que elas possam viver. Porque, como diz uma adolescente chamada Greta Thunberg, “nossa casa está em chamas”. De dentro de suas cabanas fortificadas, o que as crianças nos perguntam é: e agora, o que vocês vão fazer?

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora de ‘Brasil, construtor de ruínas: um olhar sobre o país, de Lula a Bolsonaro’ (Arquipélago). Site: elianebrum.com Email: [email protected] Twitter, Instagram e Facebook: @brumelianebrum

Para especialista da OMS chegou a hora de dar atenção à ‘Covid longa’

Via Istoé

Para especialista da OMS chegou a hora de dar atenção à ‘Covid longa’

– AFP

 

É chegado o momento de começar a resolver o mistério da Covid persistente, exortou a funcionária da Organização Mundial da Saúde (OMS) encarregada de encontrar uma resposta a este flagelo que parece atacar, sem razão aparente, milhões de doentes com patologias que os enfraquece.

Um ano após o aparecimento da doença que já matou mais de 2,2 milhões de pessoas, o foco agora está nas campanhas de vacinação e variantes do vírus.

A “Covid longa”, porém, também merece atenção urgente da comunidade científica, explica Janet Diaz, chefe da equipe clínica responsável pela resposta ao coronavírus, em entrevista à AFP na sede da OMS em Genebra.

“Ainda não sabemos realmente o que é a Covid longa”, afirmou Diaz, que pediu um esforço unificado em escala global.

Alguns estudos começam a apresentar pistas, mas ainda não se sabe por que alguns pacientes com covid-19 apresentam por vários meses sintomas como fadiga extrema, dificuldades respiratórias ou, às vezes, problemas neurológicos e cardíacos graves.

“Ainda há muito a aprender, mas estou confiante na mobilização da comunidade científica”, afirma Diaz.

Um exemplo da falta de informação é que a chamada “covid longa” ainda não tem um nome preciso.

A OMS fala de síndrome pós-covid-19 ou “covid-19 de longa duração” em um documento recente sobre suas novas recomendações. “Covid longa” é a expressão mais usada e, às vezes, também se fala em covid de longo prazo.

– Primeiro seminário da OMS –

A OMS organizará no dia 9 de fevereiro o primeiro seminário virtual dedicado à covid longa com médicos clínicos, pesquisadores e especialistas para encontrar uma definição da doença, dar-lhe um nome formal e harmonizar os métodos para estudá-la.

“É uma patologia que precisa ser melhor descrita, da qual precisamos saber quantas pessoas são afetadas, cuja causa deve ser mais bem compreendida para que possamos melhorar a prevenção, o manejo e as formas de curá-la”, destaca a médica americana de 48 anos.

Os estudos disponíveis mostram que cerca de 10% dos doentes apresentam sintomas um mês após a infecção e no momento não há ideia de quanto tempo eles podem persistir.

O que é intrigante com a covid longa é que o perfil dos pacientes que sofrem este quadro não corresponde ao das pessoas mais vulneráveis: idosos e pessoas com fatores agravantes.

A covid de longo prazo afeta as pessoas que adoeceram em vários graus “e também inclui os jovens”, explica Diaz.

É a prova de que a covid não é apenas uma simples gripe, como afirmam os negacionistas da pandemia. É também um argumento contra aqueles que apoiam o isolamento apenas de pessoas frágeis.

O sintoma mais comum parece ser fadiga, mas existem muitos outros: cansaço após esforço físico ou doença, dificuldade em pensar com clareza, respiração curta, palpitações cardíacas e problemas neurológicos.

“O que não se entende é como todas essas coisas estão ligadas. Por que alguém tem uma coisa e outra pessoa tem outra?”, questiona a médica, destacando que os pesquisadores devem entender os mecanismos íntimos da doença que causam esses sintomas.

“Isso é devido ao vírus? À resposta imunológica? Se soubéssemos mais poderíamos começar a identificar algumas intervenções para reduzir os sintomas”, afirma.

Uma “quantidade enorme” de pesquisas está em andamento, acrescenta.

– “Manter a esperança” –

O seminário de 9 de fevereiro será o primeiro de uma série de reuniões.

“No momento, provavelmente temos dados suficientes (descrevendo a covid longa) para começar a juntar as peças do quebra-cabeça”, estima Diaz.

Além de uma definição precisa e um nome, o seminário também deve permitir o estabelecimento de regras para a coleta de dados de controle de pacientes com o objetivo de começar a encontrar formas de curá-los.

Para aqueles que sofrem de covid longa e que às vezes se sentem incompreendidos, Díaz tem uma mensagem: “Mantenham a esperança”.

“As pessoas às vezes apresentam sintomas por muito tempo, mas sabemos que se curam”, afirma, e conclui: “Estamos com vocês”.