Mortes de grávidas e de mães de recém-nascidos por Covid dobram e estão acima da média da população em geral, aponta levantamento


Imagem de arquivo mostra mulher grávida com máscara e luva em Waltham, Massachusetts, nos EUA  — Foto: Charles Krupa/AP
Imagem de arquivo mostra mulher grávida com máscara e luva em Waltham, Massachusetts, nos EUA — Foto: Charles Krupa/AP

O número de mortes de gestantes e de mães de recém-nascidos (puérperas) por Covid-19 mais do que dobrou em 2021 em relação à média semanal de 2020, apontam dados do Observatório Obstétrico Brasileiro Covid-19 (OOBr Covid-19).

Segundo o levantamento, no ano passado foram registradas 453 mortes (10,5 óbitos na média semanal). Em 2021, até 7 de abril, foram 289 mortes (22,2 óbitos na média semanal).

As pesquisadoras do OOBr Covid-19 apontam que, enquanto na população em geral houve um aumento de 61,6% na taxa de morte semanal em 2021 na comparação com 2020, entre as gestantes e puérperas o aumento foi de 145,4%.

Apesar do aumento superior à media da população, as mortes de grávidas representam 0,23% das mortes ocorridas no ano, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

A falta de acesso a tratamentos adequados para o coronavírus é apontado como uma das principais causas do crescimento de mortes entre estes grupos. Os dados do OOBr Covid-19 mostram que uma em cada cinco gestantes e puérperas internadas com coronavírus não tiveram acesso a unidades de terapia intensiva (UTIs) e cerca de 34% não foram intubadas.

O painel usa dados do SIVEP-Gripe. Segundo a atualização realizada em 7 de abril, desde o início da pandemia foram 9.479 casos de internações por Covid entre gestantes e puérperas, com 738 mortes. Existem também outros 9.784 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com 250 óbitos. Na avaliação dos pesquisadores, esses casos também podem ser de Covid.

Segundo a médica obstetra Rossana Pulcinelli Francisco, professora do departamento de ginecologia e obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP) e uma das criadoras do painel, a Covid-19 está mostrando uma fragilidade que já existia no sistema de saúde brasileiro.

“A morte materna no Brasil já era elevada. Quando essa fragilidade aumenta, que foi o que aconteceu em 2021 – com as variantes mais transmissíveis, uma sobrecarga maior no sistema de saúde – o que a gente percebe é uma piora no atendimento às gestantes e puérperas”, explica a médica obstetra.

Para ela, é preciso trabalhar em duas frentes para tentar diminuir as mortes: prevenção e tratamento.

“A gestante precisa ser isolada para não pegar Covid-19, precisa ter acesso aos dados para entender os riscos. Se ela tiver algum sintoma, ela precisa procurar o serviço de saúde, ser testada. Além disso, os hospitais precisam ser capacitados para atuar no cuidado dessas mulheres, com equipes de intensivistas e obstetras. A Covid-19 é uma das doenças que tornam a gestação de alto risco”, alerta Rossana Francisco.

No ano passado, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) já havia alertado que grávidas corriam mais risco de desenvolver formas graves da Covid.

Aumenta o número de grávidas com Covid-19 nos hospitais do Rio Grande do Sul
Aumenta o número de grávidas com Covid-19 nos hospitais do Rio Grande do Sul

Adiamento da gravidez

O secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Parente, pediu, nesta sexta-feira (16), que as mulheres adiem a gravidez até haver uma melhora da pandemia, se for possível.

“Caso possível, postergar um pouco a gravidez, para um melhor momento, em que você possa ter a sua gravidez de forma mais tranquila […] É óbvio que a gente não pode falar isso para alguém que tem 42, 43 anos, mas para uma mulher jovem, que pode escolher um pouco ali o seu momento de gravidez, o mais indicado agora é você esperar um pouquinho até a situação ficar um pouco mais calma”, disse o secretário, que é médico e tem doutorado em ginecologia.

Parente justificou o pedido afirmando que a gravidez é, por definição, uma condição que favorece as tromboses – a formação de coágulos no sangue. A Covid-19 também favorece a ocorrência de tromboses, o que pode tornar a doença ainda mais perigosa na gravidez.

Além disso, portaria do Ministério da Saúde recomenda que mulheres grávidas que tenham doenças prévias (comorbidades) recebam a vacinação contra a Covid-19. A indicação é uma mudança em relação a diretrizes anteriores da pasta. As novas orientações foram publicadas em 15 de março.

–:–/–:–

Pediatra analisa pedido do Ministério da Saúde de que mulheres adiem a gravidez

Atenção obstétrica no Reino Unido durante pandemia

Publicado no Best Practice & Research Clinical Obstetrics & Gynaecology

2. Labour and birth

Highlights

Infection prevention and control in intrapartum care is a priority.
Women who become unwell with COVID-19 are at higher risk of iatrogenic preterm birth and have higher than normal rates of caesarean section.
Maintaining choice of place of birth, providing high quality care and support and pain relief should also remain a priority.
Care should be taken to enable women to have access to their partner or support person and remain with their newborn.

Abstract

This chapter describes the national guidance for care during labour and childbirth in the United Kingdom during the COVID-19 pandemic. The content largely draws attention on the guidance developed by the Royal College of Obstetricians (RCOG) and the Royal College of Midwives (RCM), and specific guidance on infection prevention and control measures from Public Health England.

The key areas addressed are as follows:

Testing of pregnant women before and on admission for labour and birth
Overall approach to intrapartum care for women with and without symptoms of COVID-19
Timing, place, and type of birth considerations
Personal Protective Equipment (PPE) during labour and birth – for staff, women, and birth supporters
Use of birthing pools and waterbirth
Foetal monitoring
Immediate care of the newborn and support for breastfeeding.

The chapter refers to some of the ways in which the guidance was translated in practice.

The guidance was developed using a rapid analysis approach to emerging research and evidence, along with evidence from previous experiences of coronavirus combined with consensus expert opinion from all key professionals providing maternity care in the UK.

What is known

The UK RCOG/RCM COVID-19 guidance was widely accepted across the UK maternity services and also worldwide as a reliable and credible source of information to shape care during the pandemic.

What is not known

The full impact of the pandemic on the experiences and outcomes for babies and women of pregnancy, childbirth, and early parenting in the UK.

The impact of the new approaches to intrapartum care on experiences and outcomes for women, babies, and families.

The impact of the changes required to intrapartum care as a result of the pandemic on the professional care provided; in terms of pressure created by rapidly changing approaches to care and restrictions on the ability to provide normal levels of care.

Keywords

COVID-19
Pandemic
Intrapartum care
Foetal monitoring
Waterbirth
Skin to skin

Covid: “Decisão de adiar gravidez é da mulher e do médico, não do governo”

Do Universa

Ministério da Saúde pede que, se possível, mulheres adiem a gravidez na pandemia - iStock
Ministério da Saúde pede que, se possível, mulheres adiem a gravidez na pandemia Imagem: iStock

 

Ao ouvir que o secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Parente, pediu que as mulheres adiem a gravidez até haver uma melhora da pandemia de covid-19, a antropóloga Débora Diniz não ficou surpresa. “É uma história que se repete quando as emergências sanitárias não são capazes de colocar a saúde reprodutiva no centro de qualquer resposta”, diz.

A pesquisadora de questões de gênero e autora de duas edições da Pesquisa Nacional de Aborto (2010 e 2016) lembra que essa recomendação para a mulher não engravidar também foi feita durante outra epidemia, em 2015: a do zika vírus, que provoca microcefalia em fetos.

Segundo reportagem da Folha desta quarta (14), a média semanal de mortes maternas por covid-19 em 2021 já é mais do que o dobro da média de 2020. Passou de 10,4 óbitos (449 mortes em 43 semanas de pandemia em 2020) para 22,2 nas primeiras semanas deste ano, com 289 mortes. Embora estudos mostrem que a gestação e o pós-parto aumentam o risco de complicações e morte por covid-19, no Brasil o alto número de óbitos maternos associados à doença é atribuído, principalmente, à falta de assistência adequada, segundo especialistas.

“Medida eficaz mesmo para garantir a segurança das mulheres é dar a elas acesso incondicional à informação e aos métodos de planejamento familiar, diz Diniz. ‘E reconhecer que a mulher grávida pode ou não adoecer de covid. Mas temos no negacionismo dos políticos de saúde no Brasil uma ‘desimaginação’ de que o corpo que pode adoecer é um corpo grávido.”

A recomendação do secretário Parente foi feita na mesma semana em que as deputadas federais Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Talíria Petrone (PSOL-RJ) protocolaram, na Câmara, um projeto de lei que pede a inclusão de grávidas e puérperas no grupo prioritário do Plano Nacional de Imunização contra a covid-19.

Melania Amorim, da Rede Feminista de Ginecologistas e Obstetras, diz que o Ministério da Saúde se pronunciou tardiamente sobre a mortalidade de gestantes na pandemia. Mas, para ela, é preciso sim que se faça esse planejamento materno levando em consideração que o sistema de saúde do país está voltado para a covid-19.

“O governo pedir para adiar a maternidade não pode ser uma medida isolada. As mulheres devem ter o direito de saber os riscos que correm e ter sua autonomia respeitada”, diz a ginecologista. ‘Como escreveu Simone de Beauvoir, basta uma crise para que os direitos das mulheres sejam questionados. E veio a crise e mais uma vez nossos direitos são colocados em cheque.”

Ela afirma, no entanto, que é preciso mesmo fazer esse planejamento materno levando em consideração que o sistema de saúde do país está voltado para a covid-19. “Não sou dona do útero de ninguém, mas não é uma época boa para isso [engravidar]. Entendo que nem para todas é possível adiar, mas é uma decisão que deve ser tomada considerando todos os riscos. Só não pode falar: ‘Se vire e não engravide, até porque, com a pandemia, ocorreu uma diminuição na oferta de métodos contraceptivos.”

Decisão deve ser tomada junto a ginecologista

Para o presidente da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), o médico Agnaldo Lopes, a decisão de adiar ou não uma gravidez planejada deve ser tomada pela mulher junto a seu ginecologista, levando em consideração fatores de risco como hipertensão, doença cardiovascular e diabetes. E então, diz, elas mesmas devem avaliar os riscos e benefícios de adiar a gravidez. Outros fatores, segundo o ginecologista, também precisam ser levados em conta.

“E quando uma mulher de 42 anos tem que adiar a gravidez? A gente não sabe como vai ser o futuro. Mas é importante frisar que a mulher tem que estar no centro da tomada dessa decisão junto ao obstetra.”

Lopes também diz que não dá para afirmar que esse aumento no número de mortes de mulheres grávidas na pandemia se dá principalmente por causa da covid-19. “A gente não sabe necessariamente se é por causa da covid-19, mas sabemos que grande parte delas não teve assistência. E metade delas não foi para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Então, é difícil interpretar os dados”, afirma.

Taxa de morte materna pela COVID-19 dobra; governo orienta adiar gravidez

Especialistas apontam que grande parte das mortes maternas pela COVID é decorrente de falhas na assistência a grávidas e mulheres que acabaram de dar à luz

O secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Medeiros, afirmou ontem que a pasta recomenda às mulheres que, se possível, adiem a gravidez enquanto durar o pico da pandemia. As taxas de morte materna pela covid-19 no Brasil dobraram este ano na comparação com 2020. Em média, foram 108 mortes mensais em 2021, ante 54 no ano passado. Desde o início da pandemia, foram 979 mortes de grávidas e mulheres que acabaram de dar à luz. O governo recomenda que grávidas de grupos prioritários se vacinem, após avaliação médica.

Ministério da Saúde recomenda adiar gravidez devido a pico da COVID-19

“Neste momento do pico epidêmico, pela situação que está acontecendo em alguns locais, deve ser avaliado – como aconteceu com o zika vírus em 2016 -, caso possível, postergar um pouco a gravidez para um melhor momento, com uma gravidez mais tranquila”, disse Medeiros, que atribuiu a piora à nova variante do vírus. “É óbvio que a gente não pode falar isso para alguém que tem 42 ou 43 anos, mas para uma mulher jovem, que pode escolher seu momento de engravidar, o mais indicado agora é esperar um pouquinho até a situação ficar um pouco mais calma”, completou.
Segundo Medeiros, apesar da falta de estudos, “a visão clínica de especialistas mostra que a variante nova tem ação mais agressiva” nas grávidas. “Antes estava mais ligada ao final da gravidez e puerpério e hoje já vemos evolução mais grave no 2º trimestre e quiçá, por vezes, até no 1º trimestre.” Especialistas apontam que grande parte das mortes maternas pela covid é decorrente de falhas na assistência a grávidas e mulheres que acabaram de dar à luz.
Dados sobre mortes de gestantes e puérperas revelam que um quarto das que morreram este ano não recebeu atendimento em UTI, segundo levantamento do Estadão. Conforme o Sivep-Gripe, banco de dados do ministério, a proporção de grávidas que morreram no início da gestação não se alterou ante o ano passado. A maior parte dos óbitos ocorreu no último trimestre de gestação.
Exemplos de mortes maternas identificadas pelo Estadão incluem mulheres testadas com exames de baixa qualidade e que demoraram a ter atenção médica para covid. Algumas deram à luz intubadas; outras nem conheceram os bebês.
Foi o caso da cantora Roci Mendonça, de 39 anos. Grávida, deu à luz em Manaus, não resistiu às complicações da covid e morreu em 9 de janeiro. “Se tivesse sido tratada rápido, estaria aqui”, diz o marido, o coreógrafo Raony Silva, de 28 anos. “É complicado o SUS em Manaus, é muita gente.” A mulher fez testes rápidos, que deram resultado negativo, e foi mandada para casa antes de ter a confirmação da doença por meio de um exame PCR, considerado padrão para detectar a infecção.
Ela deu à luz em 31 de dezembro em uma cesariana. Silva conta que a mulher só conheceu a criança por fotos. Dias após o parto, Roci piorou e morreu. Também infectado, Silva tentava se recuperar da covid em casa. “Tive de aprender em uma semana a cuidar, pegar, dar banho, fazer dormir, tudo”, conta. Max tem três meses.
O governo destinou R$ 247 milhões a ações de apoio para grávidas e puérperas. A ideia é reforçar redes de atenção, dar condições para que as gestantes façam teste no fim da gravidez e, se preciso, possam fazer isolamento e evitar a infecção.

Cautela

“É prudente acompanhar o número de casos, aumento do contágio e gravidade de internações por covid, antes de tomar a decisão de engravidar”, diz a ginecologista e coordenadora científica de obstetrícia da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo, Silvana Maria Quintana, que destaca ser uma decisão exclusiva da família. Segundo ela, “mulheres com idade avançada, que fazem algum tipo de tratamento e não podem esperar, podem optar pela gestação com acompanhamento médico”.
Silvana ainda reforça a importância do pré-natal. “Temos visto casos de gestantes com medo de sair, deixando de fazer pré-natal e tendo complicações durante a gestação como descontrole da pressão. Deve-se manter o acompanhamento médico em dia, até para evitar situações que levem a agravamento do quadro da mãe, caso venha a contrair covid.”
O ministério recomenda que grávidas com comorbidades como diabete, hipertensão e obesidade recebam a vacina, segundo portaria de 15 de março. As recomendações permitem a vacinação de grávidas, lactantes e puérperas com comorbidades, mas consideram que a decisão deve ser tomada por elas após avaliação de risco e benefícios com auxílio médico. Grávidas sem doenças prévias podem tomar a vacina se fizerem parte de outros grupos prioritários do Plano Nacional de Vacinação. São grupos prioritários, por exemplo, profissionais da saúde, professores e agentes de segurança, com ou sem comorbidades. Ainda não há data prevista para grávidas sem comorbidades de categorias profissionais não prioritárias. (Colaborou Jefferson Perleberg, especial para o Estadão)

Projeto de deputadas inclui grávidas na vacinação contra a Covid

As deputadas federais do PSol Sâmia Bomfim e Talíria Petrone protocolaram um projeto de lei para que grávidas e puérperas façam parte do PNI


Mulher grávida
Filipe Cardoso/Especial para o Metrópoles

As deputadas federais Sâmia Bomfim (PSol-SP) e Talíria Petrone (PSol-RJ) protocolaram, na Câmara dos Deputados, um projeto de lei para incluir grávidas e puérperas no grupo prioritário do Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19. A proposta foi apresentada na tarde desta quarta-feira (14/4).

Sâmia e Talíria argumentam que o Brasil ocupa o primeiro lugar em mortalidade de mulheres gestantes e puérperas por Covid-19 no mundo.

“Um estudo do International Journal of Gynecology and Obstetrics intitulado The Tragedy of COVID-19 in Brazil, aponta para a gravíssima realidade na qual o país se encontra, cuja razão de mortalidade de pessoas gestantes e puérperas por Covid-19 é, sozinha, equivalente a 77% de todas estas mortes no mundo, em todos os demais países somados”, citaram.



Veja o projeto de lei:

Plenário aprova o teletrabalho obrigatório para mulheres grávidas durante pandemia

Da Agência Senado

O Senado aprovou o afastamento de mulheres gestantesas do trabalho presencial durante a pandemia. Pelo projeto, elas ficarão à disposição dos empregadores para a realização de suas tarefas de maneira remota com o mesmo salário. A relatora, senadora Nilda Gondim (MDB-PB), defendeu o isolamento como maneira de proteger a gestante e o bebê. Já a senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) citou a aprovação recente da inclusão das grávidas e das mulheres pós-parto na lista prioritária de vacinação. O projeto segue para a sanção presidencial.

 

Pregnant women’s appetite for risk

CORRESPONDENCE| VOLUME 9, ISSUE 5E593, MAY 01, 2021

Pregnant women’s appetite for risk

Open AccessPublished:March 02, 2021DOI:https://doi.org/10.1016/S2214-109X(21)00044-9
Historically, pregnant and lactating women have been considered vulnerable groups, which is used as an ongoing justification for their exclusion from clinical trials. Melanie Taylor and colleagues (February, 2021) argue that pregnant women, who already face increased risk of adverse outcomes from COVID-19, will be doubly disadvantaged if unable to access treatments due to a lack of safety and efficacy evidence. This concern extends to vaccinations, and a review of WHO-registered COVID-19 clinical trials found that all nine vaccine trials explicitly excluded pregnant women. In the UK, both pregnant and lactating women were initially excluded from receiving COVID-19 vaccines. A policy U-turn followed a month later and, although welcome, it confused clinicians and the public. Anecdotal evidence is emerging of pregnant women in the UK and the USA who are willing to be vaccinated. These decisions could be influenced by an individual’s personal risk assessment of high exposure to COVID-19, their underlying health conditions, or because they perceive that known benefits of vaccination outweigh theoretical risks. If the aim of excluding pregnant and lactating women from trials is to protect them and their babies from unknown harm, this is failing. Experimentation has merely shifted to the poorly controlled setting of real-world implementation.
In this real-world setting, a pertinent question is who should carry the experimentation risk? It is unclear whether responsibility lies with the pharmaceutical industry, which has historically avoided ownership of the problem. If not, risk lies between regulators or public health bodies producing immunisation guidelines, medical practitioners who must discuss risk–benefit decisions with patients (without data to inform this discussion), and pregnant women themselves. This risk shifting could lead to further inequities, variation in care, and vaccine misconceptions.
To facilitate ethical and just inclusion of pregnant women in clinical trials, we support the 22 recommendations made by the PREVENT Working Group, and propose a further two after observing the UK’s COVID-19 vaccine rollout: (1) pregnant and lactating women must be considered separately (as in the recent WHO guideline), and receive tailored risk assessments and recommendations; and (2) women, families, and communities globally must be consulted about specific safeguards that would increase their ability and willingness to participate in clinical trials while pregnant or lactating.
The research community maintains a complacent and unsubstantiated assumption that pregnant women have a low appetite for risk. The COVID-19 pandemic has shown that default exclusion cannot continue, and we as a global research community must prioritise gender equity when producing evidence that underpins clinical recommendations.
We declare no competing interests. AV and KW contributed equally.

References

  1. 1.
    • Taylor MM
    • Kobeissi L
    • Kim C
    • et al.
    Inclusion of pregnant women in COVID-19 treatment trials: a review and global call to action.

    Lancet Glob Health. 2020; (published online Dec 16.)

  2. 2.
    • Smith DD
    • Pippen JL
    • Adesomo AA
    • Rood KM
    • Landon MB
    • Costantine MM
    Exclusion of pregnant women from clinical trials during the coronavirus disease 2019 pandemic: a review of international registries.

    Am J Perinatol. 2020; 37792

  3. 3.
    • Cirruzzo C
    In absensce of data, pregnant women push forward with COVID-19 vaccine. US News.
  4. 4.
    • Farrell R
    • Michie M
    • Pope R
    Pregnant women in trials of Covid-19: a critical time to consider ethical frameworks of inclusion in clinical trials.

    Ethics Hum Res. 2020; 4217-23

  5. 5.
    • Krubiner CB
    • Faden RR
    • Karron RA
    • et al.
    Pregnant women & vaccines against emerging epidemic threats: ethics guidance for preparedness, research, and response.

    Vaccine. 2021; 3985-120

Estudo aponta benefícios de manter a amamentação durante a COVID-19

Agência FAPESP* – Uma revisão da literatura científica feita por pesquisadoras do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e publicada na revista Physiological Reports sugere ser benéfico manter a amamentação durante a COVID-19. Os mais de cem estudos analisados indicam que o leite materno, além de transferir anticorpos para o bebê, também fornece moléculas bioativas com ação antimicrobiana, como caseínas, lactoferrinas, proteínas do soro do leite e triptofano.

O trabalho foi coordenado pela professora Patrícia Gama, que estuda os efeitos do desmame precoce no trato gastrointestinal há mais de 30 anos, e contou com apoio da FAPESP por meio de três projetos (18/07409-5, 20/02888-2 e 18/07782-8).

Muitos trabalhos já mostraram que os componentes do leite conferem proteção ao intestino, estimulando o sistema imune. Também há evidências de que essas moléculas protegem o recém-nascido contra infecções virais. “Crianças que são desmamadas precocemente apresentam maior incidência de infecção por rotavírus, causador da gastroenterite, por exemplo”, afirma Aline Vasques da Costa, uma das autoras da revisão. O grupo analisou trabalhos sobre os componentes do leite materno individualmente, inflamações intestinais e os efeitos gastrointestinais na COVID-19, pneumonia e outras doenças virais.

O objetivo era investigar por que as crianças são menos acometidas pelo SARS-CoV-2 e se a amamentação poderia ter um papel protetor contra o vírus. Foi verificado que as moléculas presentes no leite previnem infecções virais que causam distúrbios gastrointestinais. A lactoferrina, por exemplo, já foi testada e demonstrou potencial antiviral contra o SARS-CoV-1, responsável pela epidemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2003, conforme explica a pesquisadora Carolina Purcell Goes.

Outras pesquisas mostraram que mães que se recuperaram da COVID-19 e estavam em fase de amamentação apresentavam anticorpos do tipo imunoglobulina A (IgA) no leite. “A literatura mostra que os níveis de IgA são mantidos até sete meses após o início da amamentação”, relata Gama.

A conclusão das cientistas é que, ao serem transferidos para o bebê, esses anticorpos poderiam prevenir a infecção por SARS-CoV-2 ou ao menos reduzir a severidade dos sintomas. Além disso, os demais componentes ampliariam essa proteção.

“Quando nós estudamos os elementos do leite separadamente, vimos que todos têm um papel importante no quadro de inflamação intestinal. E, juntas, essas moléculas tornam o leite materno um alimento muito importante na proteção das crianças”, destaca a professora.

O artigo Breastfeeding importance and its therapeutic potential against SARS -Cov-2 está disponível em https://physoc.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.14814/phy2.14744.

Outro estudo publicado recentemente no The Journal of the American Medical Association (JAMA) revela que o leite produzido por lactantes vacinadas contra a COVID-19 pode ser uma fonte de anticorpos para os bebês. A pesquisa envolveu 84 mulheres de Israel, com idade média de 34 anos, que receberam duas doses da vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech.

Os autores, contudo, apontam que o estudo tem limitações. Não foi feito nenhum ensaio funcional que permita concluir definitivamente que bebês estão protegidos contra a COVID-19 por terem recebido anticorpos via leite materno.

* Com informações da Assessoria de Comunicação do ICB-USP.

 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.