NOTA DE REPÚDIO À EXONERAÇÃO DA EQUIPE DA ÁREA TÉCNICA SAÚDE DA MULHER DO MINISTÉRIO DA SAÚDE – Rede Feminista de Saúde

Publicado originalmente no site da Rede Feminista de Saúde

A Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos vem a público manifestar profunda indignação e repúdio à exoneração da Equipe da Área Técnica Saúde da Mulher do Ministério da Saúde e a exclusão de um conteúdo (NT16/2020-COSMU/MS) que visava informar, às pessoas que engravidam sob violência, sobre seu direito a decidir por um aborto legal. Sabe-se que apenas 55% dos hospitais que deveriam oferecer o serviço de aborto legal o estão fazendo.  As agressões e arbitrariedades contra a saúde da população nessa pandemia demonstram a absoluta insensibilidade do governo pela vida das brasileiras e dos brasileiros. A destruição da Área Técnica da Saúde da Mulher é o último ato a provar que o governo não tem o menor respeito pela saúde da mulher e os direitos sexuais e reprodutivos.

Nesse episódio, há dois aspectos a destacar. Primeiro o desmonte de uma área fundamental, historicamente construída pelos movimentos de mulheres e pelas profissionais de saúde dedicadas à defesa da saúde integral das mulheres, dos seus direitos sexuais e reprodutivos; a outra faceta é a mais cruel, pois se trata de deixar ao abandono milhares de mulheres e meninas que, cotidianamente, enfrentam violadores dentro da própria casa.

As gestações indesejadas constituem uma enorme parcela entre as mulheres que procuram ajuda no exercício de um direito assegurado desde 1940. Nas décadas de 1990 e 2000 estes direitos foram objetivados através de legislações e programas. A Lei da Violência Sexual 12.845 de 2013 tornou obrigatório o atendimento integral de pessoas em situação de violência sexual. Não se trata, portanto, de uma reivindicação, mas de um direito assegurado em lei.

O governo expõe o total desconhecimento de compromissos internacionais do Estado brasileiro, da legislação nacional, das atividades próprias de gestão, ou sequer o interesse de saber as ações que cabem a cada instância do governo. Desta forma, somos brindadas diariamente com um cardápio de atos e “desrealizações” despidas de qualquer racionalidade. O foco é o ódio, a raiva e a incompetência. Poderíamos listar intermináveis aberrações direcionadas às mais diversas áreas do governo e da sociedade.

A Covid-19 mata uma pessoa por minuto no Brasil. Enquanto isso o Ministério da Saúde vem tendo esvaziada sua autoridade técnica para proceder numa situação de tal gravidade. E o peso dessa tragédia cai agora com maior intensidade sobre as pessoas que sofrem estupros e engravidam. É um absurdo que em tempos de pandemia, quando todo o mundo debate as evidências do aumento dessa violência sexual, alerta que a ONU fez já no final de março, não se reconheça a situação de extrema vulnerabilidade desse segmento.

Sabemos que a casa pode ser o pior lugar para as mulheres no que tange à violência, como lugar da opressão e do medo. O confinamento agudiza esta violência, tanto pela impossibilidade de pedir socorro e de denunciar, como pela presença do agressor.

O Governo Bolsonaro é assentado no machismo, na misoginia, na homofobia, no racismo e na manutenção e estímulo à cruel iniquidade e opressão cultural acentuada pela desigualdade de nossa sociedade de classes.

É o governo do ódio, da truculência, do desrespeito e da intolerância. Essa tendência é concretizada em práticas perniciosas e lesivas à sociedade. A mais evidente é o incessante desmonte do Estado com perseguição e humilhação dos servidores públicos e eliminação dos postos de trabalho. No entanto, o traço mais marcante é a ausência total de um plano de governo, de qualquer trabalho que possa lembrar que temos governo. Pretende -se o fim das políticas sociais, da cultura, da ciência, do saber e da soberania nacional.

Sabemos que não há diálogo com esse governo. Resta-nos, portanto, denunciar à sociedade e levar às demais autoridades da República a violação dos direitos humanos das mulheres. E exigir medidas para que nós não sejamos abandonadas durante a pandemia.

Queremos deixar registrado que nós mulheres não desistiremos de lutar pelos nossos direitos e autonomia de nossos corpos. Nada irá nos impedir de viver e buscar a liberdade e a felicidade. Por isso aqui definimos a tarefa inadiável e imprescindível: deter o terrorismo governamental e impedir que nosso país seja devastado por esse tipo de governo.

SAÚDE É DIREITO DE TODAS E TODOS, E DEVER DO ESTADO!

NOSSO CORPO NOS PERTENCE! RESPEITO AO ESTADO LAICO!

Rede Feminista de Saúde, junho de 2020.

Publicada originalmente no Facebook da União Brasileira de Mulheres

Nota de repúdio à revogação de nota técnica e Exoneração dos Coordenadores de Saúde da Mulher, Saúde do Homem / ciclos de vida, do Ministério da Saúde

A União Brasileira de Mulheres vem à público repudiar recente ato do governo brasileiro que atenta contra o acesso das mulheres à saúde integral e atenta contra os direitos humanos.

Ao exonerar os/as coordenadores/as de saúde da mulher, saúde do homem / ciclos de vida, servidores de carreira do Ministério da Saúde e suas equipes responsáveis pela emissão da nota técnica sobre atendimento à saúde da mulher durante a pandemia, o governo mais uma vez mente e reafirma o caráter misógino e autoritário de suas intenções, atentando concretamente contra a vida das mulheres.

O documento em questão tratava de temas centrais para o atendimento à saúde sexual e saúde reprodutiva das mulheres, partindo das recomendações da Organização Mundial da Saúde que consideram as unidades que prestam esse tipo de serviço, bem como as/os profissionais que neles trabalham como essenciais, recomendando a manutenção de seu pleno funcionamento durante a pandemia.

A nota recomendava a orientação e o acesso a métodos contraceptivos, demonstrando preocupação com as tendências de aumento da taxa de mortalidade materna no país por falta de atendimento, alertando que as medidas visam reduzir a gravidez não planejada e a enfrentar a violência contra a mulher – no caso, a sexual – contribuindo para efetiva redução de danos deste tipo de violência. Preocupações sérias de qualquer profissional de saúde que efetivamente respeita a vida das mulheres.

A menção à interrupção da gravidez ocorre porque essa é a medida mais extrema em casos de violência sexual conforme autoriza a lei. No Brasil, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. De cada dez estupros, oito ocorrem contra meninas e mulheres e dois contra meninos e homens. A maioria das mulheres violadas (50,9%) são negras, segundo o Anuário de Segurança Pública.

A interrupção é autorizada em casos de violência sexual, risco de morte à gestante ou má-formação do cérebro do bebê. A nota apenas ressalta com clareza a necessidade de: “reiterar a continuidade dos serviços de assistência aos casos de violência sexual e aborto legal”.

Não é possível tolerar a debilidade intelectual que provoca a distorção da realidade! O presidente Jair Bolsonaro trata a nota técnica como uma proposta de legalização do aborto, falseando totalmente seu conteúdo, faltando mais uma vez com a verdade e semeando desinformação. Chega ao ponto de desqualificar o documento ao classifica-lo como “minuta apócrifa de portaria”, ato que não é fruto de mero equívoco, mas de sua tentativa reiterada de fortalecer o tema da criminalização irrestrita do aborto, afrontando nossos direitos.

A UBM se solidariza com a equipe das áreas técnicas de saúde da mulher e saúde do homem que agiram com profissionalismo e respeito às evidências científicas em saúde e aos direitos assegurados no ordenamento brasileiro. É preciso conter o autoritarismo avassalador que mina as possibilidades de vencer a batalha pelas vidas em meio a uma pandemia sem precedentes anteriores.

Recomendar métodos contraceptivos e manutenção do funcionamento de serviços que garantam assistência às mulheres em caso de violência sexual previne abortos e evita que mais mulheres morram em um momento em que estamos perdendo tantas vidas. O papel do Poder Executivo é efetivar essas garantias, e não combate-las de forma vil e mentirosa.

Insistir na fragilização do Ministério da Saúde e de suas equipes, a despeito de seus esforços em defesa da saúde neste momento, quando as mesmas estão corretamente defendendo os direitos das mulheres, é uma atitude criminosa que afronta o Estado Democrático de Direito e vulnerabiliza toda a sociedade.

Chega de ataque aos nossos direitos!

Em defesa do SUS! Pela Vida das Mulheres!

União Brasileira de Mulheres – UBM

Coronavirus is leaving pregnant women with tough choices and bleaker outcomes

Publicado originalmente no World Economic Forum. Acesse o original (em inglês)

Pregnant nurse Samantha Salinas attends an appointment with her midwives at Birth Center Stone Oak amid a coronavirus disease (COVID-19) outbreak in San Antonio, Texas, U.S., May 6, 2020. Picture taken May 6, 2020. REUTERS/Callaghan O'Hare
The strain COVID-19 has had on healthcare systems leads many pregnant women vulnerable. Image: REUTERS/Callaghan O’Hare
  • The strain COVID-19 is having on healthcare systems leaves women particularly vulnerable.
  • Future mothers have to make the decision between fear of infection in a hospital and having a home birth, with limited medical equipment.
  • The UN Population Fund measured the pandemic’s possible impact on three key sexual and reproductive health (SRH) services.

Os efeitos do confinamento na saúde mental de crianças e adolescentes

Psiquiatras e psicólogos apontam o possível aumento de ansiedade, estresse e depressão por evento traumático massivo. Alertam até mesmo que esses transtornos serão “a próxima pandemia”

Do El País

DANIEL JEDZURA KONTAKT@MDFOTOGRA

Cerca de 860 milhões de crianças do mundo todo saíram um dia das aulas e na manhã seguinte não puderam voltar à escola, nem brincar com seus amigos, visitar os avós ou correr ao ar livre. Enquanto o número de contágios e mortes por coronavírus aumentavam com o passar dos dias e semanas de confinamento, os problemas de saúde mental também cresciam, mas de forma silenciosa.

“Um evento traumático massivo − que pode ser uma pandemia, mas também atentados como o 11M [ataques de 11 de março de 2004 em Madri] e grandes catástrofes naturais − provoca um trauma agudo, que pode atingir crianças e adultos. O fato de não apresentarem sintomas agora não significa que não apareçam nos próximos meses. As crianças estão sujeitas a um perigo invisível que provoca mortes, em uma situação de extrema gravidade, inesperada, chocante, que provoca uma reação normal do organismo no nível psicológico, e isso já está sendo registrado pelas pesquisas dos primeiros estudos que tentam medir como a pandemia está afetando a saúde mental”, assinala Abigail Huertas, psiquiatra do Hospital Gregorio Marañón de Madri e porta-voz da Associação Espanhola de Psiquiatria da Criança e do Adolescente. “A essa ameaça invisível se somam outros fatores estressantes, como a perda da rotina escolar e do relacionamento social com os amigos. Também é possível que algum familiar tenha passado a doença isolado em um quarto da casa, ou que tenha sido levado de ambulância para o hospital. Talvez a criança tenha sofrido alguma perda e não tenha podido assimilar o luto, nem se despedir, ou talvez seus pais tenham ficado desempregados, com tudo o que isso implica. Sempre assinalamos que o ambiente da criança é fundamental para sua saúde mental: se os pais não estiverem bem, as crianças não estarão bem”, acrescenta.

Embora ainda não tenha passado tempo suficiente para prever as sequelas psicológicas que a pandemia deixará, alguns especialistas já falam de uma “quarta onda” sanitária. Se a primeira onda foi a avalanche de doentes de covid-19 nos hospitais, a segunda e a terceira serão os pacientes de outras patologias urgentes ou crônicas que exigiam cuidados médicos adiados pela pandemia. A quarta onda corresponderia a uma segunda epidemia, de transtornos de saúde mental, que transformará as listas de espera em situações extremas.

Um dos primeiros estudos sobre o impacto psicológico do coronavírus, feito com 1.210 pessoas em 194 províncias da China, incluindo 344 jovens de 12 a 21 anos, revelou que 53,8% dos pesquisados consideravam moderado ou grave esse impacto, 16,5% relataram sintomas depressivos moderados a graves e 28,8%, sintomas de ansiedade moderada a grave. O principal medo (75,2% dos pesquisados) era que algum parente contraísse a doença. Outra pesquisa, feita com 4.872 pessoas na China, alertou para o perigo da “infodemia”, o excesso de informações sobre o coronavírus através das redes sociais, que aumentou significativamente a prevalência da depressão, da ansiedade e da combinação das duas. Por isso, psicólogos e psiquiatras recomendam limitar a exposição das crianças às notícias.

Confinamento e depressão

Os problemas de saúde mental têm a ver não só com o medo de um vírus invisível, mas também com o distanciamento social. Vários estudos preliminares apontam a relação entre longas quarentenas e maior angustia psicológica, que pode se manifestar como pesadelos, terrores noturnos, medo de sair de casa de que seus pais voltem ao trabalho, irritabilidade, hipersensibilidade emocional, apatia, nervosismo, dificuldade de concentração e até um leve atraso no desenvolvimento cognitivo da criança. Em 2013, a Universidade de Kentucky publicou uma análise do impacto das medidas de isolamento como controle de doenças, segundo a qual 30% das crianças confinadas e 25% de seus pais atendiam aos critérios para diagnosticar transtorno de estresse pós-traumático. Uma pesquisa recente, realizada na província chinesa de Hubei, destacou o aumento de sintomas depressivos e de ansiedade em uma amostra de 2.330 estudantes, depois de apenas 34 dias de confinamento devido ao coronavírus.

Na Espanha, um dos países com medidas mais rígidas de confinamento, os menores de 14 anos não saíram de casa entre 15 de março e 26 de abril, quando foram autorizados os primeiros passeios. O Grupo de Pesquisa, Análise, Intervenção e Terapia Aplicada com Crianças e Adolescentes da Universidade Miguel Hernández iniciou um estudo pioneiro, que analisa o impacto emocional do confinamento em crianças italianas e espanholas, através de 1.143 pesquisas com pais que têm filhos de 3 a 18 anos.

“Nosso objetivo é examinar como o confinamento afeta crianças e adolescentes, a fim de que os resultados sirvam de guia para que pais e profissionais detectem e previnam esses possíveis problemas. Os resultados indicam que a quarentena imposta devido à Covid-19 afeta psicologicamente as crianças. Embora tenham grande capacidade de adaptação a novas situações, parece que não têm habilidades suficientes para enfrentar a situação de confinamento vivida na Espanha sem se afetar emocionalmente”, afirma Mireia Orgilés, uma das autoras do estudo, que posteriormente incluirá também dados de Portugal.

Nove de cada dez pais relataram mudanças no estado emocional e comportamental de seus filhos, em comparação com antes da quarentena. “Além disso, os hábitos também mudaram: 25% das crianças passaram a comer mais do que o habitual, 73% usaram dispositivos eletrônicos mais de 90 minutos por dia, em comparação com 15% que faziam isso antes da quarentena, e apenas 14% praticavam 60 minutos diários de atividade física, que é o recomendável segundo a Organização Mundial da Saúde”, assinala Orgilés. Diferenças nas medidas de confinamento, segundo sua pesquisa, fizeram com que as crianças espanholas ficassem mais afetadas psicologicamente do que as italianas.

Ansiedade e trauma

Na Espanha, os serviços de saúde mental já atendiam 30% da população infanto-juvenil antes da pandemia. Nos próximos meses, será possível verificar se as previsões negativas serão confirmadas e se essa proporção aumentará. Antes que isso ocorra, várias associações e sociedades científicas de psiquiatria e psicologia já fizeram um apelo ao ministro espanhol da Saúde, Salvador Illa, para que a saúde mental de crianças e jovens não seja negligenciada, como até agora.

Jovens com psicopatologias anteriores e crianças sob medidas de proteção dos serviços sociais, que já viviam situações desfavoráveis de pobreza, violência intrafamiliar, depressão ou consumo de substâncias psicoativas, são os mais vulneráveis. Em um seminário pela Internet organizado recentemente pela Associação Espanhola de Psiquiatria da Criança e do Adolescente, a doutora Itziar Baltasar, psiquiatra da Unidade de Adolescentes do Hospital Gregorio Marañón, o segundo com mais atendimentos de Madri, descreveu como a pandemia forçou um reajuste no funcionamento dessa unidade, onde não podia ser oferecido nem mesmo conforto físico a pacientes jovens com instabilidade emocional.

Adolescentes com quadros depressivos prévios, que não tinham tido contato anteriormente com o serviço de saúde mental, necessitaram de hospitalização durante o confinamento, enquanto outros, que não tinham psicopatologias prévias ou apresentavam sintomas depressivos subsindrômicos, desenvolveram patologias graves como resultado da pandemia. Se antes podiam se distrair dos pensamentos negativos saindo com amigos ou praticando esportes ou atividades culturais fora de casa, o confinamento fez que suas preocupações e sensação de isolamento se multiplicassem. Da mesma forma, os serviços de emergência do hospital detectaram um aumento de tentativas de suicídio por precipitação. “Enquanto que no ano passado inteiro recebemos dois ou três casos, nas últimas semanas tivemos quatro pacientes, inclusive pacientes que não tinham contato anterior com o setor de saúde mental”, assinala a psiquiatra.

Como diferenciar tristeza e ansiedade normais, que desaparecerão de forma natural, de traumas e sequelas de longo prazo? A doutora Abigail Huertas lembra que “só se fala de transtorno depressivo ou luto traumático depois de alguns meses, com sintomas que se prolongam no tempo ou limitam o desenvolvimento normal de sua vida”.

O transtorno de estresse pós-traumático costuma estar ligado a um trauma vivido em primeira pessoa pela criança ou a um trauma indireto, quando ela reflete um traumas vivido por seus pais, como o que podem ter sofrido os profissionais de saúde, por exemplo. “Distingue-se porque aparece mais tarde, depois que passam alguns meses. Além de tristeza e ansiedade desproporcionais, ocorrem visões de eventos traumáticos, ou seja, surgem lembranças ou flashbacks que as invadem e paralisam, a ponto de não poder seguir em frente com sua vida nesse momento. Provoca lembranças invasivas, insônia, irritabilidade, bloqueios emocionais e comportamentos esquivos. Por exemplo, crianças que não querem pisar na casa de seus avós falecidos porque evoca lembranças, ou não querem nem se aproximar do telefone porque ficaram chocadas ao ver sua mãe gritando e chorando quando recebeu um telefonema sobre um familiar falecido”, aponta a doutora Huertas.

Levará tempo e exigirá ajuda profissional, mas os psiquiatras e psicólogos esperam continuar criando uma rede que mantenha a saúde mental dos mais jovens. Até agora, os terapeutas têm se dedicado a registrar recomendações para seus próprios pacientes, fornecendo também estratégias e ferramentas para que os pais possam ajudar crianças e adolescentes com vulnerabilidade prévia. Também estão em contato com pediatras e médicos de atenção primária, para que detectem o quanto antes os primeiros sintomas. “A tristeza, o medo e a raiva são normais, mas caso se detecte que essas emoções são muito intensas ou prolongadas no tempo, nossa recomendação é que nunca seja negligenciado o sofrimento emocional de uma criança”, conclui a doutora Huertas. Se um adolescente diz que quer morrer, ficar em silêncio ou fingir que não há nenhum problema não ajuda. Podemos lhe perguntar do que precisa, se há algo que possamos fazer ou deixar de fazer para que se sinta melhor − sem obrigá-lo a falar, mas sem ignorá-lo −, incentivá-lo a praticar esporte, a sair com seus amigos, a desenvolver sua criatividade. E sempre que tivermos dúvidas devemos consultar um profissional, porque em saúde mental também é melhor prevenir que remediar.

OMS revê recomendações sobre uso e segurança de máscaras

Organização Mundial de Saúde agora aconselha a utilização das máscaras em estabelecimentos públicos cheios

Do Terra

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou suas recomendações sobre o papel de máscaras de proteção na pandemia de covid-19. Para conter os contágios, ela agora aconselha a utilização em estabelecimentos públicos cheios.

Foto: DW / Deutsche Welle

 indicação também vale, em geral, para onde seja difícil manter o distanciamento social. O secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, deu como exemplo os transportes públicos e outros lugares fechados e intensamente frequentados.

“Em todos os locais do espaço público onde podem ocorrer transmissões, além disso, aconselhamos os maiores de 60 anos ou com doenças prévias a usarem uma máscara médica”, acrescentou Tedros, de Genebra.

Até o momento o posicionamento da OMS era que a proteção da boca e nariz só fazia sentido para quem cuidasse de enfermos, não sendo recomendado seu uso em massa. As novas diretrizes da OMS se aplicam também à forma de fabricação de máscaras não médicas, de tecido, as quais devem ter pelo menos duas camadas de materiais diferentes.

Ao mesmo tempo, a organização desaconselha que se confie exclusivamente nas máscaras, as quais são apenas uma entre diversas medidas de precaução, não substituindo o distanciamento nem a higiene manual. Quem toca sua máscara com mãos sujas pode contaminá-la, até mesmo elevando o risco de infecção: “Máscaras podem também transmitir uma sensação de falsa segurança”, frisou Tedros.

Além disso, devem-se isolar consequentemente os pacientes, localizar com quem tiveram contato e testar os casos suspeitos. Segundo o chefe da OMS, “para todos os países, essa é a melhor defesa contra a covid-19”.

Até a manhã este sábado (06/06), há mais de 6,7 milhões de infecções confirmadas com o coronavírus Sars-cov-2 em todo o mundo. O Brasil ocupa o segundo lugar, depois dos Estados Unidos, com quase 615 mil casos, além de ser o terceiro em número de óbitos (34 mil), de um total global de 395 mil. Na Alemanha estão registrados mais de 185 mil casos e quase 8.700 mortes. Os dados são da Universidade Johns Hopkins.

Como ajudar mães que deram à luz durante a pandemia de coronavírus

Dar à luz durante uma pandemia de covid-19 é estressante. Muitas mães e muitos casais que acabam de ter um filho se sentem incrivelmente sós.

Do HuffPost Brasil

Pode ser difícil saber como ajudar uma amiga ou pessoa querida que teve um bebê neste
Pode ser difícil saber como ajudar uma amiga ou pessoa querida que teve um bebê neste momento. jacoblund via Getty Images

A gravidez e o período do pós-parto são complicados para qualquer mãe. Ter um filho durante a pandemia de coronavírus é outra coisa inteiramente. “A covid-19 mudou nosso modo de viver, literalmente da noite para o dia”, disse ao Huffpost a pediatra californiana Dra. Tanya Altmann.

“As coisas variam de um hospital a outro, mas algumas mães não estão podendo levar seus parceiros ou acompanhantes que pretendiam ter a seu lado na sala de parto. E alguns bebês estão recebendo alta para voltar para casa em menos tempo que de praxe, deixando as mães que acabam de dar à luz cheias de dúvidas e preocupações.”

Veja o que você pode fazer para ajudar:

1. Diga à sua amiga que você entende como tudo isso é difícil

Uma das coisas mais gentis que você pode fazer para dar apoio a uma amiga que vai dar à luz em breve ou que acaba de ter um bebê é simplesmente reconhecer que ela pode estar ansiosa, com medo ou decepcionada neste momento.

“Certa dose de ansiedade sempre foi normal para os pais de recém-nascidos. Mas a percepção de que há um perigo mortal espreitando diante da porta é algo novo e inusitado”, comenta Olivia Bergeron, assistente social do Brooklyn, Nova York, especializada em dar apoio a pais em momentos de grandes transições na vida.

Bergeron explicou que muitos pais de recém-nascidos ou que estão prestes a ter um filho estão presos em um “ciclo de ansiedade”. Eles querem a qualquer custo manter seu bebê em segurança, mas têm relativamente poucas maneiras concretas de fazê-lo neste momento. Comece por simplesmente reconhecer que isso pode ser incrivelmente difícil para eles.

2. Procure-a com frequência – sem esperar uma resposta

O fato de não poder encontrar sua amiga cara a cara não significa que você não possa manter contato com ela. Procure-a usando o método favorito de sua amiga (telefonema, torpedo, e-mail, vídeoconferência). Deixe claro que você não vai se ofender se ela não atender ou não retornar sua ligação.

“Deixe claro que os pais do bebê podem entrar em contato no momento que melhor convier a eles”, aconselha Bergeron. “O simples fato de saber que alguém está pensando nela e em seu recém-nascido pode reduzir a sensação de isolamento da mãe.” (É claro que isso também se aplica a tempos que não sejam de pandemia.)

E continue a buscar contato depois do fim do período do pós-parto imediato.

“Os pais frequentemente contam que muita gente procura visitar ou falar com eles nas seis primeiras semanas depois do parto, quando eles próprios estão vivendo de adrenalina e da emoção da novidade”, diz Bergeron. “Depois das primeiras semanas, a frequência de contatos muitas vezes cai muitíssimo.” Isso pode levar a uma sensação de isolamento e abandono, especialmente para pais que não podem sair de casa.

“Agora não é necessariamente o melhor momento para contar à sua amiga episódios de sua própria gravidez ou do pós-parto. O que ela está passando agora é algo sem precedentes.”

Agora não é necessariamente o melhor momento para contar à sua amiga episódios de sua própria gravidez ou do pós-parto. O que ela está passando agora é algo sem precedentes.

3. Se ofereça para ajudar e pensar em soluções

“Se sua amiga revelar que não está dando conta de alguma coisa, pode ser muito útil você se oferecer para fazer algumas pesquisas e procurar soluções para ela”, comenta Rachel Goldstein, proprietária da Astoria Doula Collective, de Nova York.

É o caso especialmente agora, no momento que estamos vivendo, quando parece que tudo está mudando a cada minuto. Muitos dos planos de sua amiga podem ter sido inviabilizados. Quais são as medidas mais recentes aplicadas em relação à pandemia no lugar onde sua amiga mora? Qual é o telefone da consultora de lactação? Há um serviço de entrega de fraldas? As perguntas são intermináveis. Sempre que possível, ofereça-se para fazer esse tipo de pesquisa para sua amiga.

4. Mande pacotes de comida (e pergunte o que está faltando)

Um desafio enorme para os pais de recém-nascidos neste momento de pandemia é que eles estão tendo que passar pelo período do pós-parto quase completamente sozinhos. Familiares e amigos não podem ir à sua casa para conhecer o bebê, preparar uma refeição ou segurar o nenê no colo enquanto a mãe aproveita para tomar um banho.

Mas você pode ajudar de longe. Veja se é possível entregar uma refeição feita em casa sem entrar em contato com os pais. Você pode enviar um vale-presente online a um serviço de entrega de refeições ou supermercado?

“Alimentar os pais é uma ajuda tremenda”, disse Goldstein. “Procure descobrir de antemão o que eles gostam e querem e quais são as opções perto da casa deles.”

Outra maneira de ajudar é garantir estoques de artigos úteis para o período do pós-parto, como pijamas confortáveis e artigos para o bebê, disse Goldstein. Agora, devido à pandemia, os pais de um recém-nascido provavelmente não têm a possibilidade de sair no meio da noite para comprar o que estiver faltando, então se eles estiverem precisando de alguma coisa básica, você pode ajudar a suprir o que falta.

5. Faça perguntas que permitam abrir uma conversa

Ajudar uma amiga não precisa necessariamente ser complicado. Simplesmente pergunte como ela está e deixe claro que você está ouvindo atentamente, de verdade, ao que ela tem a dizer.

“Não sinta a necessidade de tentar persuadir a pessoa a se sentir menos negativa ou a animá-la, mudando o rumo da conversa quando ela envereda para os aspectos menos agradáveis da condição de mãe de um bebê pequeno”, diz Bergeron. “Quando os pais de um recém-nascido podem desabafar seus sentimentos livremente, sem serem obrigados a manter uma fachada de ânimo e positividade, isso pode ser muito libertador.”

Agora não é necessariamente o melhor momento para contar à sua amiga episódios de sua própria gravidez ou do pós-parto. O que ela está passando agora é sem precedentes. Simplesmente abra espaço para sua amiga compartilhar como essa experiência está sendo para ela.

Os cientistas ainda estão no processo de descobrir mais sobre o novo coronavírus. As informações contidas nesta reportagem são o que se sabia ou estava disponível quando o texto foi publicado, mas as orientações sobre a covid-19 podem mudar à medida que os cientistas vão sabendo mais sobre o vírus. Neste link, há informações atualizadas até o momento sobre maternidade e coronavírus.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

Caring for Women Who Are Planning a Pregnancy, Pregnant, or Postpartum During the COVID-19 Pandemic

Caring for Women Who Are Planning a Pregnancy, Pregnant, or Postpartum During the COVID-19 Pandemic

JAMA. Published online June 5, 2020. doi:10.1001/jama.2020.8883

Acesse o original
AB – Since its recognition in China in December 2019, coronavirus disease 2019 (COVID-19), caused by severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2), has rapidly spread throughout the world and become a pandemic. Although considerable data on COVID-19 are available, much remains to be learned about its effects on pregnant women and newborns.No data are currently available to assess whether pregnant women are more susceptible to COVID-19. Pregnant women are at risk for severe disease associated with other respiratory illnesses (eg, 2009 H1N1 influenza), but thus far, pregnant women with COVID-19 do not appear to be at increased risk for severe disease compared with the general population. Data from China showed that among 147 pregnant women, 8% had severe disease and 1% had critical illness, which are lower rates than observed in the nonpregnant population (14% with severe disease and 6% with critical illness). Case series from China consisting primarily of women with third-trimester infection have shown that clinical findings in pregnant women are similar to those seen in the general population. Conversely, a small Swedish study reported that pregnant and postpartum women with COVID-19 were 5 times more likely to be admitted to an intensive care unit compared with nonpregnant women of similar age.

Provider: Silverchair
Database: AmericanMedicalAssociation