10 problemas de saúde mental em crianças que os pais devem ficar atentos na era da covid-19

Psicólogos compartilham conselhos para pais preocupados nestes tempos de incerteza.

Não é segredo para ninguém que a pandemia de covid-19 e as medidas de distanciamento social necessárias para combater a propagação do novo coronavírus estão cobrando um preço da saúde mental dos americanos. Muitos pais aflitos andam preocupados com os efeitos que a crise global pode ter sobre seus filhos agora e no longo prazo.

“Ninguém lida bem com incertezas, e esta crise é muita coisa para nossos filhos processarem. Como nós, nossos filhos estão passando por muitas perdas em sua vida normal neste momento”, comentou a psicóloga Genevieve von Lob, autora do livro “Happy Parent, Happy Child”. Ela destacou que as crianças podem estar tendo dificuldade em se adaptar a muitas das mudanças repentinas em seu cotidiano, sentindo falta de seus amigos e sua rotina normal e preocupadas com os empregos, as finanças ou a saúde física de seus pais.

“Quando crianças ficam estressadas, isso frequentemente se expressa em mudanças fisiológicas e alterações de comportamento e estado de humor”, observou Roin Gurwitch, professor de psiquiatria na Universidade Duke, especializado em saúde mental familiar e infantil. “Infelizmente, não temos um manual de criação de filhos que tenha um capítulo sobre crianças e pandemias, algo que possa nos ajudar a saber para o que devemos ficar atentos em nossos filhos e até em nós mesmos.”

As crianças nem sempre verbalizam suas dificuldades, mas a ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental podem se manifestar de diferentes maneiras. O HuffPost conversou com Gurwitch, Von Lob e outros especialistas para saber mais sobre alguns desses indicadores.

Leia mais para se informar sobre os sinais que podem alertar os pais sobre a saúde mental de seus filhos nesta situação sem precedentes que estamos vivendo. É compreensível que as crianças possam agir de modo inesperado por um período de tempo curto, mas se essas alterações comportamentais ou emocionais se agravarem, persistirem por muitas semanas ou atrapalharem as funções cotidianas de seus filhos, pode ser o caso de buscar ajuda profissional.

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1 – Comportamentos regressivos

“Todos, de modo geral, vamos regredir um pouco em nosso funcionamento durante este momento de transição enorme”, destacou o psicoterapeuta Noel McDermott. “As crianças vão regredir mais que os adultos. E quanto menor a criança, maior provavelmente será a regressão.”

Comportamentos que você pensou que seu filho já tivesse deixado para trás podem reaparecer repentinamente. São coisas como chupar o dedo, precisar de um brinquedo especial para lhe dar segurança, fazer xixi na cama ou outros problemas ligados ao desfraldamento.

“A regressão é normal em períodos de estresse e incerteza”, observou Von Lob.

2 – Alterações de apetite

“Alterações no apetite e sono da criança muitas vezes são os primeiros sinais indicativos de que algo não vai bem”, disse a terapeuta infantil Natasha Daniels, criadora do site AnxiousToddlers.com. “Com frequência a criança exibe um aumento ou diminuição aguda de apetite.”

Os pais precisam ficar atentos para modificações nos hábitos alimentares de seus filhos, incluindo a perda de apetite ou o comer excessivo, para se tranquilizar. Essa última alteração é algo que se manifesta frequentemente em crianças mais velhas e teens.

very upset three years old boy looking at the camera wearing a hoodie
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3 – Problemas de sono

“Também podem ocorrer alterações no sono”, observou Daniels. “Se seu filho passar o dia com sono ou, pelo contrário, tiver dificuldade em adormecer ou continuar dormindo, preste atenção.”

As dificuldades no sono são comuns em épocas difíceis, de modo que as crianças podem sofrer insônia, pesadelos, podem acordar no meio da noite ou apresentar outras irregularidades no sono.

4 – Alterações de humor

“Aconselho os pais a ficarem atentos para alterações no comportamento habitual de seus filhos”, disse o psicólogo clínico John Mayer. A mesma coisa se aplica a suas reações emocionais normais. Mudanças de humor são previsíveis.

Os comportamentos para os quais os pais devem ficar atentos incluem explosões de raiva, choro repentino, mau humor, irritabilidade, perda de interesse nas atividades favoritas da criança e isolar-se de outras pessoas.

“Fiquem atentos para mudanças no temperamento habitual de seus filhos, lembrando que o estresse leva o temperamento habitual a se evidenciar ainda mais”, disse o terapeuta Craig A. Knippenberg, autor de “Wired and Connected: Brain-Based Solutions to Ensure Your Child’s Social and Emotional Success”. Ele enfatizou que a ansiedade das crianças normalmente ansiosas vai se intensificar e que crianças que costumam ter dificuldade em controlar sua raiva podem ter acessos de raiva mais frequentes.

As crianças nem sempre verbalizam suas dificuldades, mas ansiedade, depressão e outros problemas de saúde mental podem se manifestar em comportamentos ou estados de ânimo inabituais.

Angry Boy Screaming Against Pink Background
PAULUS RUSYANTO / EYEEM VIA GETTY IMAGES
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(continue lendo no site original)

Sancionada lei com medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar durante pandemia

Conforme norma, poder público deverá adotar as medidas necessárias para garantir a manutenção do atendimento presencial.

Foi publicada no DOU desta quarta-feira, 8, a lei 14.022/20, que dispõe sobre medidas de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher e de enfrentamento à violência contra crianças, adolescentes, idosos e deficientes durante a pandemia.

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A norma determina que, enquanto perdurar o estado de emergência de saúde decorrente do coronavírus,  os prazos processuais, a apreciação de matérias, o atendimento às partes e a concessão de medidas protetivas que tenham relação com atos de violência doméstica e familiar cometidos contra mulheres, crianças, adolescentes, pessoas idosas e pessoas com deficiência serão mantidos, sem suspensão.

Ainda, o registro da ocorrência de violência doméstica e familiar contra a mulher e de crimes cometidos contra criança, adolescente, pessoa idosa ou pessoa com deficiência poderá ser realizado por meio eletrônico ou por meio de número de telefone de emergência designado para tal fim pelos órgãos de segurança pública.

O poder público deverá adotar as medidas necessárias para garantir a manutenção do atendimento presencial.

Se por razões de segurança sanitária, não for possível manter o atendimento presencial a todas as demandas relacionadas à violência doméstica e familiar, o poder público deverá, obrigatoriamente, garantir o atendimento presencial para situações que possam envolver, efetiva ou potencialmente, os ilícitos previstos: feminicídios, lesão corporal de natureza grave ou gravíssima e morte, ameaça praticada com uso de armas, corrupção de menores e estupro.

Em casos de crimes de natureza sexual, se houver a adoção de medidas pelo poder público que restrinjam a circulação de pessoas, os órgãos de segurança deverão estabelecer equipes móveis para realização do exame de corpo de delito no local em que se encontrar a vítima.

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Veja o restante da matéria e a íntegra da lei 14.022/20 no site do Migalhas.

 

Nurses Who Battled Virus in New York Confront Friends Back Home Who Say It’s a Hoax

After aiding coronavirus patients in New York City, nurses face relatives and friends who refuse to wear masks or don’t believe the virus is real.

Do New York Times

“When someone tells me that they don’t believe the virus is real, it’s an insult,”  said Olumide Peter Kolade, a nurse from California who came to work in New York City. “I take it personally.” 
“When someone tells me that they don’t believe the virus is real, it’s an insult,” said Olumide Peter Kolade, a nurse from California who came to work in New York City. “I take it personally.” Credit…Brittainy Newman for The New York Times

Nurses who traveled from across the country to work in New York City hospitals saw the horrors of the coronavirus up close. They rushed patients to overcrowded intensive care units, monitored oxygen levels and held the hands of the sickest ones as they slipped away.

But now that many of the nurses have returned home to states in the South and the West, they’re facing a new challenge: persuading friends and family to take the virus seriously.

“A few times I’ve lost my temper,” said Olumide Peter Kolade, a 31-year-old nurse from California who grew up in Texas and spent more than three months treating patients in New York. “When someone tells me that they don’t believe the virus is real, it’s an insult. I take it personally.”

On the way to his 12-hour shifts in Brooklyn, Mr. Kolade would scroll through Instagram and Snapchat and see photos taken the previous night of his friends partying in Texas. A few, adamant that the coronavirus was a hoax or that deaths in New York were overstated, texted him videos promoting the false internet conspiracy theory that links the spread of the virus to the ultrafast wireless technology known as 5G.

“I don’t know, if I wasn’t a nurse, I would’ve totally believed the videos,” he said. “They made it seem like it was true.”

For nurses, the widespread skepticism about something they have witnessed is jarring. The United States has hit daily case records three times in the first six days of July, as the politicization of public health measures and the spread of misinformation hinder the country’s ability to curb the coronavirus’s spread.

Tamara Williams, a nurse from Dallas who came to New York, said she had to remove 50 to 100 friends from her Facebook account because she could not stand seeing their posts with false information about the pandemic.

“Unless you’ve seen it with your own eyes, it is very easy to believe it is not that bad,” said Tamara Williams, a nurse from Dallas.
“Unless you’ve seen it with your own eyes, it is very easy to believe it is not that bad,” said Tamara Williams, a nurse from Dallas.Credit…Hilary Swift for The New York Times

Several times since returning from New York, Ms. Williams has run into acquaintances who have told her that they believe the coronavirus is no more than the flu — even though coronavirus cases in Texas have surged since mid-June. “It’s infuriating,” she said. Sometimes she pushes back, telling stories about the young patients she treated who had no underlying health conditions.

Other times, she tunes people out.

“There’s no other way,” Ms. Williams, 40, said. “I literally feel like I would lose my mind — it would eat me alive — if I sat there and got into a verbal, back-and-forth banter.”

For months in New York City, streets were deserted and ambulance sirens blared at all hours, a constant reminder of the coronavirus threat. But in cities that have not completely shut down, people can more easily ignore the risk.

“Unless you’ve seen it with your own eyes,” Ms. Williams said, “it is very easy to believe it is not that bad.” On Monday, more than 8,800 new cases were announced across Texas, marking the largest single-day total of the pandemic.

Research on coronavirus information campaigns is limited, but studies on the effectiveness of messaging to discourage the use of tobacco and alcohol show that young adults tend to discount the dangers, said Deena Kemp, an assistant professor and health researcher at the University of Texas at Austin.

“There’s a lack of direct experience,” Dr. Kemp said. “Telling me about something that happened to you in a situation that I can’t identify with is different than telling me something about a situation I can identify with. New York is states away, and unless you work in a hospital, that’s also removed from your experience.”

The patchwork of conflicting local and national guidelines on wearing masks has also led to skepticism about them, she added.

Virginia Bernal, a 45-year-old nurse who spent months working in New York, could tell from her conversations over the phone with relatives back in Phoenix that they were not taking the surge in cases there seriously. She said she had tried to discourage her mother from attending a graduation party for a friend’s daughter. But a few days later, when Ms. Bernal called, her mother did not answer her phone because she was at the party.

An ad encouraging people to wear masks was displayed on a billboard in Lubbock, Texas.
An ad encouraging people to wear masks was displayed on a billboard in Lubbock, Texas.Credit…Dylan Cole for The New York Times

“I’ve done my part, so if you choose to go, that’s on you,” Ms. Bernal said she told her mother.

Heather Smith, a nurse from Topsail Island, off the coast of North Carolina, who worked at Elmhurst Hospital Center in Queens, struggled to hold back tears when describing how she felt when her brother said he did not believe the virus was real. When Ms. Smith started typing a rant on Facebook, she said, “I realized how angry I was.” She said she could not get out of her mind the images of patients who died alone: “No one understands how serious and how traumatizing it is.”

Courtney Sudduth, a nurse from Oklahoma City, said that when she arrived in New York people from back home wanted to know: Was it really as bad as the news media made it sound? Yes, she would tell them, describing the 18-wheel refrigerated truck that was parked outside Mount Sinai Beth Israel hospital in Manhattan and used to store bodies.

Even that was not enough. Her grandmother in Mississippi still does not wear a mask when she goes grocery shopping, she said. “Oh, I’ll be fine,” Ms. Sudduth recalled her grandmother as saying.

One of Ms. Sudduth’s brothers, who lives in Mississippi, believed conspiracy theories about the virus and continued to socialize at cookouts — until last month, she said, when he came down with the virus.

“That changed his mind,” Ms. Sudduth, 30, said.

Even as the number of coronavirus cases in Oklahoma has skyrocketed in recent weeks, people around town still stare at her when she wears a mask. “A lot of people still have the mentality that this is being blown out of proportion,” she said.

A hospital in Oklahoma City opened a new unit last week to accommodate the increasing number of virus patients. Sunday was Ms. Sudduth’s first day on the job.

6 Women Share What Getting Virtual Prenatal and Postpartum Care Has Been Like

From the pros (super-convenient appointments) to the cons (not being able to hear your baby’s heartbeat), real women share what this new form of health care has been like for them.

Virtual prenatal care
FILADENDRON/GETTY

When the COVID-19 pandemic hit the U.S., many non-essential medical visits, surgeries, and check-ups were postponed (bye, regular teeth cleanings) while others (i.e. prenatal visits) pivoted to what’s quickly become a new industry-standard: virtual health care.

In fact, The American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) even released new guidelines as well as patient FAQs regarding prenatal care in the time of COVID, urging healthcare providers to use telehealth appointments whenever possible.

The organization’s guidelines note that some research finds there are benefits to using telehealth in obstetrics, including overcoming barriers to care (i.e. getting to appointments or being able to access a facility to have your blood pressure taken) and increased communication with providers by means of text messaging or other virtual platforms. (Related: How Coronavirus Might Affect Your Reproductive Health)

That said, if you’re pregnant during the COVID crisis and have had your IRL prenatal visits switched to virtual appointments, there are some losses—namely not being able to hear your baby’s heartbeat at your check-up and, in many women’s cases, not being able to have a support partner come to the in-person visits that you can still have (including, in some cases, ultrasounds).

Prenatal—and postpartum, for that matter—visits differ depending on where you are geographically, your healthcare provider, and your particular health and pregnancy scenario. Still, we wondered, what are these new pregnancy appointments really like for moms going through it right now? (Related: 7 Moms Share What It’s Really Like to Have a C-Section)

So we chatted with six women who are pregnant or have just had babies for a look into their doctor visits. Here, what they had to say:

“The hardest part for me was not being able to hear my baby’s heartbeat.” —Katharine T., 32, from New York, NY

“I’m currently 38 weeks pregnant and my virtual appointments started during my second trimester. They were every three to four weeks up until 36 weeks when I was seen every week in person (temperature checks, masks, hand sanitizer, and electronic check-in are all strictly enforced). My doctor also had me schedule a growth-check ultrasound at the hospital at 32 weeks since she was not able to measure my bump. The virtual appointments were fairly seamless—I was asked to weigh myself at home and take my blood pressure and report those measures during our virtual appointments. I ordered an auto arm cuff by Omron for about $50; I didn’t seek reimbursement but it honestly didn’t occur to me to try.

I accessed my virtual appointments through the Weill Cornell Connect App. It was simple to log in and launch the virtual appointment, and I was able to see and hear my doctor without issue. My doctor has been amazing—readily available by phone and email for any and all questions. She seemed more accessible since we couldn’t physically come to the office and she understood I might have more concerns or anxiety because of the lack of in-person visits. She has not explicitly asked about my mental health but always asks about any concerns I’m having and reminds me to always call if I have any questions or concerns. (Related: What You Should Know About Supporting Your Mental Health Before and During Pregnancy)

Personally, the hardest part for me was not being able to hear my baby’s heartbeat (a very reassuring sound for expecting moms). Overall, I prefer in-person visits, but I’ve been very fortunate to have an easy pregnancy and did not want to jeopardize my health or the baby’s health during a peak COVID-19 outbreak, so the virtual appointments worked out really well. The virtual appointments are also much less disruptive to a very busy work schedule.”

“I liked the telehealth visit even better than a regular, in-person visit.”—Kathleen Barber, 38, author of Truth Be Told, from Washington, D.C., due with her second baby in August.

“My doctor signed me up for a program called Babyscripts that mailed me a blood pressure cuff (I didn’t pay anything for it). Through the Babyscripts program, I’m required to take both my blood pressure and weight each week, and then record those measurements using an app on my phone. My doctor is able to see the measurements, and it’s my understanding that Babyscripts will alert the doctor if something is awry.

I had my first telehealth visit last week, and I was pleased with the process. A couple of days prior to the appointment, someone from the office called to ask me a few pre-appointment questions, much like those the nurse usually asks before the doctor comes in: Has there been any unusual bleeding or abrupt swelling? Has the baby been moving normally?

When I actually spoke to the doctor during the Zoom appointed, she just reviewed my measurements from the app, discussed open action items—Did I have my TDAP shot? Had someone already contacted me about the results of my latest bloodwork—asked me a few questions about how I was feeling in general and also followed up on some specific concerns I’d raised at my last visit, and then asked if I had any new issues to address. After that, we chatted briefly about the upcoming delivery. I’m currently in the third trimester, but this is my second child, so I didn’t have many specific questions. (Related: Why You Might Be Experiencing Quarantine Fatigue—and How to Deal with It)

My doctor inquired about my mental health, and specifically asked how I’ve been feeling being pregnant during quarantine with a toddler at home. I liked the telehealth visit even better than a regular visit—I didn’t have to go to the office, and there was no waiting to see the doctor.”

“Personally, I thought my virtual appointment was a waste of time since nothing could be checked.”—Dana G., 32, from Stamford, CT, due with her first baby in October

“I’ve had one virtual prenatal appointment and the only thing that it consisted of was my doctor asking if I had any questions, how I was feeling, and letting me know when to make my next appointment. Personally, I thought it was a waste of time since nothing could be checked. (I was not given, nor did I have to buy any equipment, such as a blood pressure cuff or a scale, so I did not have my blood pressure measured and was not able to check the baby’s heartbeat.)

As a prenatal patient (especially before you feel those first kicks), I think the thing you look forward to is hearing that heartbeat and feeling assured that everything is okay, and this doesn’t happen in a virtual visit. It’s also a bit crazy to me that my doctor has not asked about my mental health. (Related: Alison Désir On the Expectations of Pregnancy and New Motherhood Vs. Reality)

The appointment took less time and I didn’t have to put on my mask and gloves and venture out into public during the height of the virus, which was nice, but personally, I didn’t find the virtual appointment very beneficial. I also had my 12-week nuchal translucency (NT) scan canceled, which was especially disconcerting after I had abnormal results from the same test in a previous pregnancy. It was replaced with a virtual visit so that was difficult, but thankfully I’m now being seen in person again.”

Virtual prenatal care
YAKOBCHUKOLENA/GETTY

“I never wanted my prenatal appointments to be quick and easy.”—Stephanie Nelson, 35, co-founder of LUNA Mother Co., who is 27 weeks pregnant with her second child

“I’m currently 27 weeks pregnant with baby number two and have been seeing my ob-gyn via telehealth appointments since I was about 16 weeks. My virtual appointments are every four weeks until my 28-week appointment at which point they will be every two weeks.

I was required to purchase a blood pressure cuff and scale. For my own peace of mind, I also purchased a fetal doppler, a device you can use at home that allows you to hear the baby’s heartbeat. Hearing the heartbeat at my appointments during my first pregnancy was always so exciting and reassuring. I was really missing that this time around, so I purchased the doppler for about $60. (I recognize my privilege in this being an option. If I didn’t have the means to purchase these items, I’m not sure if they would be offered by my provider.)

The virtual appointments are fairly similar to what they were like in person during my last pregnancy. I take my blood pressure and weigh myself before the appointment and then my doctor goes over the basics of what’s happening during this stage of my pregnancy, we discuss any questions I might have and what the next few weeks will look like. (Related: Exactly How Your Hormone Levels Change During Pregnancy)

In some ways, I don’t mind the virtual appointments—they’re convenient and I don’t have to worry about going into a doctor’s office. But, for the most part, I prefer face-to-face appointments. My first pregnancy was high-risk due to intrauterine growth restriction (IUGR). Around 30 weeks, my son’s growth was stunted significantly and it was only caught because my doctor was physically measuring my belly at each of my appointments and noticed the sudden change in my belly. Now, with this pregnancy, I’m carrying the fear that this situation could happen again and I’m not seeing my doctor in person to have her measure my belly. She has me stand up in the video call and show her my belly, but I don’t feel super confident in that being a viable measurement.

I have a history of perinatal mood disorders so I have been super self-aware during this pregnancy and see a therapist regularly. This second time around has been so different regarding the state of my mental health. I was definitely having issues with my anxiety in my first pregnancy and postpartum but unfortunately was not given much in the means of support or resources when I voiced my concerns with my provider. It wasn’t until I was about six months postpartum that my then provider was able to point me in the direction of a mental health professional.

All in all, I think ‘quick and easy’ might be nice for a simple checkup-type appointment, but I don’t feel that way about my prenatal appointments. I never wanted them to be quick and easy. I always want to take my time and enjoy the experience of hearing the baby’s heartbeat and having a conversation with my ob-gyn about what’s happening developmentally.

In some ways, I’m feeling a sense of loss around this pregnancy. It’s not the experience I was looking forward to. I can find the positive in many things, but there has been a lot that I haven’t been able to enjoy this time. My 20-week ultrasound was an in-office visit but I had to go to the appointment alone without my husband as no other visitors were allowed with the patients. In many ways, it has felt like I’ve had a secret pregnancy. Barely anyone in my extended family has seen me in person and seen my growing belly. I went into quarantine around seven weeks pregnant, and I’ll come out with a baby.”

“My telehealth visits have been 15-minute calls with my doctor.”—Gloria Hurtado Kennett, 33, from Chicago, IL

“I haven’t had to buy a blood pressure cuff or scale (and I haven’t been given either by my doctor), but having these would likely ease my fears of going weeks without having an in-person ob-gyn visit. During this time, every little reassurance I can get that would tell me things are moving along as they should helps put my mind at ease. With it being my first pregnancy, I’ve been surprised by how hands-off the process is when seemingly every other pregnant woman on Instagram has an ultrasound every month!

My telehealth visits have been 15-minute calls with my doctor. She gives me a window of time during which she’ll call, and I basically read out loud from my list of ‘things happening to my body lately.’ While it’s great to have time with the doctor, I do have some underlying fears that something could be missed or not ‘caught’ soon enough. (Related: Weird Pregnancy Side Effects That Are Actually Normal)

I will say my doctor’s office is great about asking about my mental health. I fill out a survey/questionnaire every time with a list of 10 or so questions that pinpoint potential concerns—from sleep to depression and beyond.

Moms everywhere perceive (and like to tell me) that being pregnant during this time must be so much easier or less stressful, but what they don’t realize is that my husband has missed out on so many of the special moments throughout my pregnancy because of COVID protocols. And while sitting at home in my yoga pants instead of getting dressed for work is great, the social aspect of celebrating this time with others is minimal and that’s isolating.” (Related: Why Some Moms Experiences Major Mood Shifts When They Stop Breastfeeding)

“I don’t think doing the initial postpartum visit virtually for first-time moms is a good idea.”—Lauren Wellbank, 38, from Pennsylvania

“My postpartum telehealth appointment took place a little over six weeks after I gave birth. That this was my third child, so I had a lot going on at home and kind of forgot about scheduling my appointment. It was super easy to do though, and I kind of hope that a lot of appointments continue to be virtual in the future, especially as a busy mom with multiple children. Cutting out the drive time, the need to find child care, and downtime in the waiting room and exam room was a lifesaver. Also, I got to nurse my baby the entire time. Basically, I followed the link that they emailed me, I went into a secure virtual waiting room, and when my doctor was ready her face popped up on the screen. We discussed the labor and delivery, and how I was feeling. Since I hadn’t had any issues or complications, it was pretty quick and easy.

We did a postpartum mental health screen. It was interesting because it was actually the first time that somebody ever told me what my score was afterward. Usually, they just say ‘everything looks good,’ or ‘I’m diagnosing you with postpartum depression.’ We also discussed how useless the screener is right now because of how many of the questions did not apply in the middle of the pandemic.

I liked how fast the appointment was and since my birth was pretty much complication-free, I knew there was nothing that really needed to physically be checked. That said, I don’t think doing the initial postpartum visit virtually for first-time moms is a good idea. As somebody who has given birth three times, I felt confident in knowing the difference between when something felt right and felt wrong.”

Quarentena e uso de máscara reduziram em 15% o contágio da COVID-19 em SP no início da epidemia

Elton Alisson | Agência FAPESP – O isolamento social combinado com o uso de máscaras de proteção facial diminuíram em 15% o contágio do vírus SARS-CoV-2 em São Paulo e 25% em Brasília no início da epidemia de COVID-19 no país.

As constatações foram feitas por pesquisadores vinculados ao Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) em um estudo publicado na plataforma medRxiv, ainda sem revisão por pares.

Sediado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), campus de São Carlos, o CeMEAI é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP.

“Verificamos que a decretação de quarentena pelos estados combinada com a recomendação do uso de máscara pelo governo federal foram medidas de saúde pública eficazes, que contribuíram para a diminuição da transmissão do vírus na fase inicial da epidemia de COVID-19 no país, em que as taxas de contágio cresciam exponencialmente”, disse à Agência FAPESP Zhao Liang, professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do estudo.

Os pesquisadores chegaram a essas conclusões por meio de análises feitas por um modelo matemático que permite estimar as taxas de transmissão do SARS-CoV-2 em cada cidade do país.

Desenvolvido por meio de um projeto apoiado pela FAPESP, o modelo é baseado em uma abordagem de rede de transmissão de doenças entre cidades chamado SIR – sigla em inglês de Susceptible Infectious Recovered.

As cidades são representadas na rede como vértices e os possíveis contágios pelo SARS-CoV-2 entre cidades como links, estimados a partir de dados reais de infectados em cada município do país por meio de algoritmos de aprendizado de máquina e de análise de redes complexas.

O modelo foi aplicado para analisar e comparar quantitativamente a efetividade de duas medidas de saúde pública implementadas sucessivamente para conter a disseminação do novo coronavírus no início da epidemia de COVID-19 no país. A primeira medida foi a decretação de quarentena pelos estados no final de março e a segunda a recomendação do uso de máscara pelo governo federal no início de abril.

Os resultados indicaram que, no caso de São Paulo – o primeiro estado a decretar quarentena, no dia 24 de março, sete dias após o primeiro registro de óbito causado pela COVID-19 no Brasil, quando já era o epicentro da doença no país, registrando 745 casos confirmados e 30 mortes –, essa medida contribuiu para diminuir a taxa média de crescimento de casos da doença nas cidades paulistas.

A diminuição mais substancial, contudo, ocorreu após a recomendação do uso de máscaras pelo governo federal, sobretudo em cidades de São Paulo com baixas medidas de distanciamento social no início da epidemia.

“Isso pode ser devido ao fato de que essas cidades apresentavam um contato entre pessoas maior e, portanto, o uso de máscaras foi crucial para deter a transmissão do novo coronavírus”, explica Zhao.

A fim de ter uma noção mais exata do impacto dessas medidas de saúde pública, os pesquisadores simularam cenários contrafactuais para analisar o que aconteceria se a quarentena e o uso de máscaras não tivessem sido implementados.

Os resultados das simulações feitas pelo modelo SIR em redes apontaram que a eficiência do isolamento social e do uso de máscaras difere significativamente entre as cidades do país, uma vez que as taxas de transmissão e de mortalidade por COVID-19 entre elas são muito diferentes.

Com base em dados de casos de infecção confirmados nos municípios até 8 de maio, o modelo indicou que a decretação da quarentena seguida da recomendação do uso de máscara resultaram em uma redução de, em média, 15% no pico da epidemia da COVID-19 na cidade de São Paulo, por exemplo, e de quase 25% em Brasília.

“Esperamos que essa metodologia para quantificar a eficácia de políticas públicas de saúde possa contribuir para demonstrar a importância do isolamento social e do uso de máscara como medidas de contenção da propagação do novo coronavírus para os governos e a sociedade”, afirma Zhao.

Política controversa

Alguns países ainda resistem a adotar medidas de isolamento social por duvidar de seu nível de eficácia. Essa situação cria discrepância entre as políticas municipais, estaduais e federal, como é o caso do Brasil.

“Ainda hoje estamos vivendo esse impasse em relação à continuidade do isolamento social no país, com a pressão por medidas de flexibilização, como a reabertura de comércios”, diz Zhao.

Naturalizado brasileiro e originário da China, onde se graduou em 1988 em ciência da computação na Universidade de Wuhan – província que foi o primeiro epicentro da COVID-19 no mundo –, o pesquisador avalia que, além do nível de controle muito mais rígido em seu país de origem, outro fator que contribuiu para a alta eficácia do isolamento social foi o uso de tecnologias de big data para rastrear rapidamente pessoas que tiveram contato com infectados e isolá-las, de modo a conter o contágio.

“A realidade da China é muito diferente e o país adotou alguns critérios de controle rígidos que não poderiam ser aplicados no Brasil. Mas, sem dúvida, o nível de controle do isolamento social com o uso de tecnologias de big data permitiu que a China contivesse o contágio na fase inicial da epidemia no país”, avalia.

O artigo Quantitative Analysis of the Effectiveness of Public Health Measures on COVID-19 Transmission (DOI: 10.1101/2020.05.15.20102988), de Thiago Christiano Silva, Leandro Anghinoni e Liang Zhao, pode ser lido na plataforma medRxiv em www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.05.15.20102988v1.
 

Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Study Raises Concerns for Pregnant Women With the Coronavirus

Pregnant women who are infected wind up in hospitals and I.C.U.’s at higher rates, a federal analysis suggests. But the data is far from conclusive.

Do New York Times (em inglês)
A paramedic in Stamford, Conn., with a woman who is eight months pregnant and sick with the coronavirus in April. She was put on a ventilator, her son was delivered by emergency C-section and she spent three weeks in the hospital.
A paramedic in Stamford, Conn., with a woman who is eight months pregnant and sick with the coronavirus in April. She was put on a ventilator, her son was delivered by emergency C-section and she spent three weeks in the hospital.Credit…John Moore/Getty Images

 

Pregnant women infected with the coronavirus are more likely to be hospitalized, admitted to an intensive care unit and put on a ventilator than are infected women who are not pregnant, according to a new government analysis.

Pregnant women are known to be particularly susceptible to other respiratory infections, but the Centers for Disease Control and Prevention has maintained from the start of the pandemic that the virus does not seem to “affect pregnant people differently than others.”

The increased risk for intensive care and mechanical ventilation worried experts. But the new study did not include one pivotal detail: whether pregnant women were hospitalized because of labor and delivery. That may have significantly inflated the numbers, so it is unclear whether the analysis reflects a true increase in risk of hospitalization.

Admissions for childbirth represent 25 percent of all hospitalizations in the United States, counting mother and baby, said Dr. Neel Shah, an assistant professor of obstetrics and gynecology at Harvard University. Even at earlier stages of pregnancy, doctors err on the side of being overly cautious when treating pregnant women — whether they have the coronavirus or not.

“There’s quite clearly a different threshold for hospitalizing pregnant people and nonpregnant people,” he said. “The question is whether it also reflects something about their illness, and that’s something we don’t really know.”

The results are to be published on Thursday by the C.D.C.; government researchers presented the data to a federal immunization committee on Wednesday. (The slides were posted online on Wednesday afternoon but taken down later in the day.)

The analysis, the largest of its type so far, is based on data from women with confirmed infections of the coronavirus as reported to the C.D.C. by 50 states and Washington, from Jan. 22 to June 7.

The report includes information on 8,207 pregnant women between ages 15 to 44, who were compared to 83,205 women in the same age bracket who were not pregnant.

More than 31 percent of the pregnant women were hospitalized, compared with about 6 percent of women who were not pregnant. Pregnant women were more likely to be admitted to the I.C.U. (1.5 percent versus 0.9 percent) and to require mechanical ventilation (0.5 percent versus 0.3 percent).

These proportions are small, Dr. Shah noted, and the 10-fold difference in the number of pregnant and nonpregnant women in the analysis makes it difficult to compare their risks.

In a separate analysis by Covid-Net of women hospitalized with the coronavirus, C.D.C. researchers noted that “the risk of I.C.U. and mechanical ventilation was lower among pregnant compared to nonpregnant women.” Covid-Net analyzes data from hospitalizations in the network’s surveillance area in 14 states.

Despite the ambiguities, some experts said the new data suggests at the very least that pregnant women with the coronavirus should be carefully monitored.

If many of the pregnant women were hospitalized for labor and delivery, the proportion of women who were hospitalized for only coronavirus infection and became severely ill — those advancing to the I.C.U. or ventilation — would be even higher, said Dr. Denise Jamieson, a member of the Covid-19 task force at the American College of Obstetricians and Gynecologists.

“I think the bottom line is this: These findings suggest that compared to nonpregnant women, pregnant women are more likely to have severe Covid,” she said.

Pregnancy transforms the body’s biology, ramping up metabolism, blood flow, lung capacity and heart rate. It also suppresses a woman’s immune system to accommodate the fetus — a circumstance that can increase her susceptibility to respiratory illnesses like influenza.

Because of this heightened risk, scientists have been closely monitoring pregnancy outcomes in various coronavirus studies. So far, few studies have indicated a significant risk for pregnant women or for their children. Infections in newborns have been exceedingly rare.

Still, as the pandemic has progressed, prenatal care has been severely disrupted, Dr. Shah said, and women are being hospitalized for conditions that might have been caught and treated much earlier.

“Things that might have happened in an office setting are happening in a hospital triage setting,” he said.

Dr. Jamieson pointed to a recent study of pregnant women at New York City hospitals who were asymptomatic at admission. Of the 241 women who tested positive for the coronavirus in that study, 48 did not have symptoms at first but then became severely ill.

The study also found that women with more severe symptoms were more likely to give birth prematurely.

“All this information points to the importance of being vigilant when it comes to monitoring pregnant women,” Dr. Jamieson said. “They’re not at as great a risk as, for example, older people, or people with other underlying medical conditions. But they do seem to be at some increased risk.”

The data suggests that hospitals should aim to test all pregnant women for the coronavirus, regardless of symptoms, she added. The new analysis also has implications for a coronavirus vaccine, whenever one becomes available.

“How strongly are we going to counsel pregnant women about the benefits of vaccines?” Dr. Jamieson wondered.

Correction: 

An earlier version of this article described Dr. Denise Jamieson as the head of the Covid-19 task force at the American College of Obstetricians and Gynecologists. In fact, the task force has no head, and Dr. Jamieson is a member.

Apoorva Mandavilli is a reporter for The Times, focusing on science and global health. She is the 2019 winner of the Victor Cohn Prize for Excellence in Medical Science Reporting. @apoorva_nyc

A version of this article appears in print on , Section A, Page 11 of the New York edition with the headline: Infected Women Who Are Pregnant May Face Higher Risk for Intensive Care.

 

Grávidas têm direito ameaçado em maternidades durante pandemia de coronavírus

Após quase três meses com acesso de acompanhantes restrito, a Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte, ouviu as pacientes e readequou. Desde 10 de junho, o acesso integral do acompanhante voltou a ser permitido na instituição

A maternidade Odete Valadares voltou a permitir acompanhantes às gravidas desde 10 de junho(foto: Fhemig/divulgação)
A maternidade Odete Valadares voltou a permitir acompanhantes às gravidas desde 10 de junho (foto: Fhemig/divulgação)

Foram 10 horas de internação e tentativa de um parto normal. A bolsa estourou e os batimentos cardíacos do bebê caíram. Marcela Reis, de 28 anos, mãe de primeira viagem, precisou fazer uma cesariana de emergência, em 12 de maio. Ela estava sozinha. O namorado foi impedido de acompanhá-la em um dos momentos mais importantes da vida dos dois. Por causa da pandemia do novo coronavírus, a Maternidade Odete Valadares, em Belo Horizonte, maior e mais antiga maternidade pública do estado, tinha suspendido a presença de acompanhantes. Um direito garantido à mulher por lei.

O pai só conseguiu acessar o bloco cirúrgico quando Marcela já estava anestesiada e sofrendo o corte para retirada do bebê. Mesmo assim, a permanência durou apenas o período de nascimento e primeiros atendimentos ao recém-nascido, cerca de duas horas. Quando a mãe foi levada para o quarto, onde ficaria por mais 48 horas, ela voltou a ficar sozinha com o filho. “Eu estava operada e não tinha ninguém para me ajudar. Precisava esperar uma enfermeira”, comenta a maquiadora.
Marcela com o pequeno Nick(foto: Arquivo pessoal/divulgação)
Marcela com o pequeno Nick (foto: Arquivo pessoal/divulgação)

“Quando você proíbe a mulher de ter o acompanhante, você não está tirando dela só o conforto de alguém para dar a mão, você está tirando de um pai ou companheira o direito de ver o filho nascer, e também está colocando ela em um risco iminente de violência obstétrica, que é endêmica neste país”, alerta Gabriella Sallit, advogada especializada em violência obstétrica e que notificou o hospital no caso de Marcela. A mesma situação foi vivida por outras centenas de mães. A maternidade realiza média de 300 partos por mês.

A restrição a acompanhantes na Maternidade Odete Valadares durou quase três meses. Nesse período, a Defensoria Pública de Minas Gerais também notificou a instituição. Em 10 de junho,  segundo a direção, a maternidade voltou a cumprir a Lei Federal Nº 11.118, que diz: “Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde – SUS, da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de 1 (um) acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato”.
No caso de Marcela, Gabriella fez uma notificação à direção do hospital exigindo o cumprimento da lei e pedindo explicações. “Não existe nenhum decreto, nenhuma resolução, de nenhuma secretaria de saúde que autorize a revogação de uma lei”, afirma a advogada. À época, a maternidade alegou que cumpria orientação da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig).
Readequação da maternidade
Segundo a diretora da maternidade, Flávia Ribeiro de Oliveira, o caso de Marcela ajudou muito no processo de reabertura. “Ela entrou em contato com a diretoria, eu fui ao leito dela. Foi muito bacana nossa oportunidade de diálogo. Ela contribuiu muito  pela instituição”, destaca.
“Houve uma adaptação e reabrimos”, conta a diretora. Segundo ela, no início da pandemia, houve um momento de muita incerteza e, como a maternidade lida com pacientes do grupo de risco, tanto mães como bebês, a decisão de suspender a presença de acompanhante foi por segurança. “O primeiro lockdown, em 18 de março, foi muito tenso. Muita coisa a gente foi percebendo e conhecendo melhor o cenário aqui com o passar do tempo mesmo”, explica.
Segundo a obstetra, a orientação de distanciamento de dois metros, indicada pela Agência de Vigilância Sanitária às instituições de saúde, era impossível de ser atendida levando em conta o espaço físico da maternidade. Flávia acredita que houve uma falta de alinhamento entre os órgãos sanitários e epidemiológicos e os dirigentes da saúde pública relacionado aos direitos da mulher parturiente: “Cada instituição agiu com seu critério. Se tivesse vindo esse alinhamento em um processo mais maduro, de coordenação, provavelmente teria sido menos penoso”.
Versão contestada
Íris vai ter o bebê na maternidade e teme pelas informações desencontradas(foto: Raylson Martins/divulgação)
Íris vai ter o bebê na maternidade e teme pelas informações desencontradas (foto: Raylson Martins/divulgação)

Na manhã desta quarta-feira (24), o Estado de Minas recebeu uma nova denúncia de uma grávida que vai se internar na quinta-feira para o parto na maternidade. Segundo Iris Kátia Cordeiro da Silva, de 32 anos, a orientação que ela recebeu em sua última consulta de pré-natal, na manhã de hoje, foi que o acompanhante só poderia ficar as primeiras 12 horas após o parto.

Informação que contraria a versão passada pelo hospital de que os acompanhantes estavam liberados a ficar ao lado da mãe até o fim da internação. No protocolo padrão, a puérpera que teve um parto normal recebe alta 24h  após o nascimento do bebê, já aquela que passou por uma parto cesáreo precisa permanecer na maternidade por 48h.
Em 17 de junho, Íris conversou com a reportagem do Estado de Minas sobre o medo que sentia naquele momento de ter seu filho na maternidade. A assistente social é hipertensa, por isso foi encaminhada à Odete Valadares para fazer o pré-natal de risco, desde o início da gravidez.
“Eu nunca pensei na possibilidade de ter meu filho sozinha. Tanto que quando fiquei sabendo desta nova regra, eu chorei o dia todo”, recorda. Há uma semana do parto, ela tentava uma vaga para ter seu bebê no Sofia Feldman, maternidade filantrópica de Belo Horizonte, que permite a entrada de acompanhantes.

Ela não sabia da mudança de protocolo que havia ocorrido, segundo a direção, uma semana antes. Naquele dia, Iris foi informada pela reportagem de que poderia ter o namorado ao seu lado o tempo todo. “Nossa, estou muito feliz. Que alívio! Vou ter meu filho lá sim”, comemorou. A alegria foi abalada ao receber, na manhã desta quarta-feira, a notícia de que o acompanhante só poderia ficar por 12 horas após o parto.

Procurada novamente, a diretoria da maternidade, por meio da assessoria, disse que houve um erro por parte da médica que atendeu Íris. Garantiu que a nova orientação quanto à permanência do acompanhante durante toda a internação está valendo desde 10 de junho na instituição. Por fim, informou que vai reunir os profissionais de saúde da maternidade novamente para reforçar as orientações e evitar que falhas de comunicação voltem a ocorrer.
 
Novo protocolo
A reabertura para acompanhantes na maternidade mais antiga do estado exigiu adaptações e elaboração de novas regras, que, conforme garantiu a direção, estão valendo desde a segunda semana de junho. Veja o que muda e quais exigência ao acompanhante:
  • O acompanhante não pode ser do grupo de risco
  • Não pode apresentar sintoma gripal
  • Não pode ter apresentado a COVID-19 nos últimos 14 dias, período de quarentena da doença
  • O uso de máscara é obrigatório durante todo o período de permanência no hospital.
  • A saída e retorno do acompanhante, durante a internação da paciente, devem ser evitados
  • Não são permitidas visita
A diretora informou que a agenda de visita das grávidas para conhecer a maternidade antes do parto também está aberta. “Se elas estiverem com medo ou qualquer dúvida, a maternidade está à disposição para esclarecer”, comenta. A mulher interessada em visitar a instituição deve fazer a solicitação pelo telefone (31) 3298-6000 ou enviar e-mail para mov.ouvidoria@fhemig.mg.gov.br .

Especialistas falam como pais podem ajudar crianças a entender a pandemia

Privados da rotina e do contato com os amigos, crianças demandam atenção dos pais para ajudá-las a compreender o que se passa no mundo

Do Correio Braziliense

Adriana de Carvalho tem se desdobrado para entreter o filho, Arthur, mas o garoto sente muita falta da escola e dos amigos(foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)
Adriana de Carvalho tem se desdobrado para entreter o filho, Arthur, mas o garoto sente muita falta da escola e dos amigos (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press)

As quatro paredes do lar representam a estimada segurança em tempos de caos. Entretanto, podem parecer uma prisão aos que não compreendem a razão de não ir além delas. A pandemia apresentou a todos um novo mundo, e as dinâmicas da sociedade passam por uma reestruturação. Algo difícil de engolir para os adultos, mas um verdadeiro castigo às crianças, que estão privadas de suas atividades.

Parte determinante para a construção de um emocional saudável, a interação social é indispensável aos pequenos, conforme explica o médico psiquiatra Luan Diego Marques. “O contato humano é uma das ferramentas importantes para aquisição de sensação de realização e prazer. Quando não é desenvolvida, o indivíduo, ao observar o mundo ao seu redor, vai sentir que não possui habilidade para participar dele. Isso será gatilho para desenvolver transtornos, como depressão e ansiedade.”

O cuidado com a saúde mental merece atenção ainda maior durante momentos de estresse generalizado, como o da quarentena. “A vivência em família gera situações que se retroalimentam, sobretudo, com pais que não sabem lidar com suas emoções e servem de espelho aos filhos. Assim, privadas da rotina com os amigos, as crianças se estressam e os pais também, virando um ciclo vicioso”, detalha Luan.

Para manter as crianças distraídas, muitos pais se aproveitam da tecnologia para também conseguirem dar conta de suas obrigações. O imediatismo nas respostas do mundo virtual, porém, pode formar crianças ansiosas. “As telas têm estímulos muito acelerados, isso ajuda na liberação de noradrenalina e dopamina. Toda criança deseja estar à distância de um clique, então, ela começa a exigir respostas muito rápidas do mundo e dos pais. O que pode parecer uma saída, a longo prazo, pode gerar distúrbios de ansiedade”, explica o psiquiatra.

Saudade

A quebra repentina na rotina da criançada deixou uma enorme sensação de vazio para os que entendem o que vem acontecendo no mundo e, também, aos muito pequenininhos, que só querem um amiguinho para dividir o tempo. “Eu gosto de ir para a escola com minha professora e meus amigos. Não gosto de ficar o dia todo em casa”, contou Louise Cordeiro, de apenas 3 anos.

Louise é a filha mais nova de Yohanna Cordeiro, 28 anos, professora de inglês e educadora perinatal. “Ela tem sentido muita falta, principalmente de encontrar os amigos, e não dispõe de meios para vê-los. No grupo de pais da escolinha, nós tentamos estabelecer videochamada entre os bebês, mas, como cada pai tem um horário, não deu certo. Nós gravamos vídeos e mandamos para que cada um mostre ao filho, mas não é a mesma coisa que a interação em tempo real”, conta a mãe.

Lamentando a situação, a pequenininha diz que “não tem como brincar agora” e garante que, quando tudo voltar à normalidade, vai “brincar de parquinho e depois lanchar” com os coleguinhas. A irmã de Louise, Michelle Cordeiro, 9 anos, tem mais sorte e consegue estabelecer contato com os amigos. “Nós jogamos on-line quase todos os dias para matar a saudade e conversamos bastante no grupo do WhatsApp”, conta.

Para a psiquiatria, o momento exige constante conversa com os filhos para situá-los nestas mudanças. “O adulto lê as notícias e racionaliza. Cognitivamente, ele alcança a mensagem. As crianças, não; elas não sabem a razão de ter de ficar em casa e longe das pessoas que gosta. Ela vai perceber que está privada da socialização com os amigos, mas precisa entender o porquê”, explica Luan.

Michelle cursa o 4º ano do ensino fundamental e já compreende o afastamento social e de suas atividades. “Eu não estou gostando, mas sei que é importante ficar em casa agora. Sinto falta de pular corda, jogar bola e conversar pessoalmente. Nós estamos aguardando a pandemia acabar para fazer uma festa do pijama, ainda não sabemos na casa de quem, mas vai ter festa”, planeja, esperançosa, a menina.

Recursos

Para o psiquiatra Luan Marques, o contato entre a criançada deve ser mediado pelos pais, para que não cesse. “Adultos e crianças conversam em linguagens diferentes. Muitas vezes, somente uma criança entenderá o que a outra diz. Portanto, mesmo com a dedicação dos pais, eles não suprirão a necessidade de socializar do filho. Assim, mesmo que comedidamente, deve oferecer recursos para que eles conversem com os primos e amigos da mesma idade.”

Privado de contato com os amigos, Arthur Cassimiro, 7 anos, tem se chateado bastante em casa. “É ruim ter aula on-line, eu sinto falta de brincar com eles, sinto falta da aula, eu só quero voltar para a escola. Voltar para a natação, para o futebol e de fazer tudo isso com meus amigos.” A mãe de Arthur, Adriana de Carvalho, 28 anos, lamenta o pouco contato entre os pais da comunidade escolar. “A gente não conversa muito, então, acaba que cada criança fica para o seu lado”, diz.

Adriana faz o que pode, e dedica bastante atenção ao filho. “A rotina escolar foi mantida e eu acompanho todas as aulas para auxiliá-lo, pois ainda está em fase de alfabetização. Nós moramos em casa, então, também reservo uma parte do tempo para ficar com ele no quintal e na piscina. Apesar de estar sempre presente, ele reclama cotidianamente da falta dos amigos e da escola, pois a interação que eles têm é somente pelo chat da aula”, conta.

Esperando por dias melhores, o menino diz ter planos com os amigos para concretizar no período pós-pandemia. “ Quando acabar esse coronavírus, nós vamos convidar um para vir à casa do outro. Queremos fazer as festinhas de aniversário para comemorar e brincar juntos. Essas são as coisas que a gente gosta de fazer”, narra Arthur.

Eletrônico controlado

Seguindo o conselho de reduzir o acesso às mídias digitais pela garotada, Maurício Santos, 29 anos, tem aberto exceções à filha durante o isolamento. “Nós somos contra o uso abusivo de celular, tanto que nossa filha nem tem aparelho. Mas, como ela não pode se encontrar com os familiares e amigos, nós deixamos que ela faça videochamadas para os primos e para a melhor amiga”, diz o estudante de gastronomia.

A filha de Maurício, Manuela Gaspar, de 7 anos, uma menina que “gosta da bagunça”, segundo o pai, assiste às aulas pela internet, mesmo não gostando muito da distância da sala de aula. “A internet trava, e os slides ficam carregando. Não gosto. Eu sinto muita saudade dos meus amigos e da professora. Acaba que a gente só conversa no chat da aula, e a tia Cris (a professora) nem sempre deixa”, diz Manu.

Contrário ao excesso de tecnologia, Maurício Santos tem aberto exceções para Manuela conversar com parentes e amigos(foto: Arquivo Pessoal)
Contrário ao excesso de tecnologia, Maurício Santos tem aberto exceções para Manuela conversar com parentes e amigos (foto: Arquivo Pessoal)

No regresso à rotina, Manuela já planejou as brincadeiras. “Eu pretendo brincar muito de umas brincadeiras bem doidas. Quero ir ao pátio da escola, à sala de informática e à sala de artes, onde a gente pinta e desenha muito. Depois de brincar de tudo que a gente costumava, eu quero comprar um lanche e dividir com as minhas amigas. Sinto falta de me encontrar com elas e conversar”, conta.

O último conselho que Luan deixa aos pais é introduzir atividades de foco aos filhos, para acalmá-los durante a quarentena. “Há na internet uma série de meditações guiadas para a garotada, também aulas de ioga. Isso colocará a criança em contato com ela e com os pais, uma interação muito importante. Mas essa atividade nova deve ser apresentada em um momento prazeroso, assim ela associará a nova atividade a algo bom”, explica o psiquiatra.


De olho na molecada
A Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou um manual para mediar o uso de ferramentas tecnológicas para as crianças. Pais devem ficar atentos: 

» Crianças de até 2 anos
Não é indicado fazer uso de nenhum aparelho tecnológico.

» Crianças de 2 a 5 anos
Limitar o uso destes equipamentos para o máximo de uma hora diária.

» Crianças até 10 anos
Não fazer uso de televisão ou computador no próprio quarto.

» Adolescentes
Não devem ficar isolados em seus quartos nem ultrapassar as horas saudáveis de sono, de oito a nove horas por noite. Além de realizar uma hora de atividade física por dia.

» Crianças menores de 6 anos
Não devem ser expostas a conteúdos violentos, pois ainda não conseguem separar a fantasia da realidade. É importante monitorar a classificação indicativa do conteúdo que o filho consome na televisão, na internet e nos jogos on-line e videogame. Estimular a criança a participar de atividades em família, de lazer, educativas e de socialização familiar.

Números oficiais sobre grávidas com covid-19 estão longe da realidade, dizem pesquisadores

Pesquisa revela dobro de mortes contabilizadas pelo Ministério da Saúde; epidemia afeta mais gestantes pretas e pardas.

O único documento do ministério com números mais detalhados sobre grávidas na epidemia é um boletim epidemiológico divulgado em 29 de maio. O levantamento é feito a partir de dados do Sivep-Gripe coletados entre 16 de fevereiro e 23 de maio. Segundo o sistema de vigilância em saúde, nesse período, foram notificados 52.335 casos hospitalizados de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) confirmados para covid-19, sendo 521 (1%) em gestantes. Desse total, 36 evoluíram para óbito.

“Na mesma época correspondente aos 36 casos referidos pelo Ministério da Saúde, conseguimos por outras metodologias levantar 62 casos”, afirmou Melania Amorim ao HuffPost Brasil. A metodologia usada pelo Grupo Brasileiro de Estudos de Covid-19 e Gravidez inclui recuperar dados do ministério, buscar informações com as secretarias de Saúde e rastrear casos noticiados pela imprensa ou que chegam por um e-mail da equipe. Só entram na conta casos notificados por alguma autoridade sanitária.

O levantamento independente inclui duas mulheres que morreram em casa sem ter tido tempo de chegar ao serviço de saúde, mas que tiveram covid-19 comprovada, de acordo com Amorim. A diferença nos números se deve a falhas na atuação do governo federal, segundo a pesquisadora. “Está havendo um sub-registro de notificações por parte do ministério que não está conseguindo consolidar essas informações em tempo hábil”, afirmou.

No âmbito da pesquisa, a obstetra sustenta que o ideal para de fato investigar como a epidemia afeta as grávidas seria ter acesso aos prontuários. Com isso, seria possível, por exemplo, mapear de forma mais precisa a frequência de comorbidades, como diabetes e hipertensão arterial, nesse grupo. “A gente deixa de ter acesso aos dados individuais, que seria a metodologia mais adequada para ver os itinerários que essas mulheres percorreram, identificar em que momento da assistência ocorreu falha ou atraso e poder fazer recomendações mais adequadas”, explicou, sobre a atual contagem feita pelo governo.

Segundo a pesquisadora, quando o Brasil somava 62 mortes de grávidas por covid-19, dados publicados por outros países eram muito menores: 2 no México, 7 no Irã, 5 no Reino Unido e um nos Estados Unidos. “Existe um problema muito sério no Brasil que não é descrito na maioria dos países e neste momento a pandemia está revelando uma face perversa que é esse número desproporcionalmente alto de morte materna por covid-19”, afirmou Amorim.

“A pandemia está revelando uma face perversa que é esse número desproporcionalmente alto de morte materna por covid-19.”
Obstetra e ginecologista Melania Amorim, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)

Mortalidade materna no Brasil

Ainda não há explicações precisas para explicar a diferença desses números entre os países por enquanto, segundo pesquisadores. A alta taxa de mortalidade materna no Brasil já era uma preocupação antes da pandemia. O indicador representa o total de óbitos que ocorrem durante ou até 42 dias após o parto e com causa relacionada à gravidez divididos por 100 mil nascidos vivos no local. Em 2018, a taxa foi de 59,1.

A meta estabelecida em um pacto fixado pela ONU (Organização das Nações Unidas) era limitar o indicador a 35 óbitos por 100 mil nascidos vivos até 2015. Cerca de 92% desses mortes são evitáveis e ocorrem principalmente por hipertensão, hemorragia, infecções e abortos provocados.

Em 2018, mulheres de raça/cor preta e parda totalizaram 65% dos óbitos maternos, segundo o Ministério da Saúde. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015, os brasileiros que se declaram pretos ou pardos somavam 53,92%.

Também é possível observar que grávidas pretas e pardas estão mais vulneráveis ao novo coronavírus ao analisar o boletim do ministério, ainda que os dados estejam incompletos.

Em 2018, mortalidade materna foi de 59,1 a cada100 mil nascidos vivos no
Em 2018, mortalidade materna foi de 59,1 a cada100 mil nascidos vivos no Brasil. Callaghan O’Hare / Reute

Grávidas negras estão mais vulneráveis

Das 521 gestantes internadas com covid-19, foram excluídas 36 (6,9%) com idade maior ou igual a 50 anos e uma (0,2%) com faixa etária em branco, totalizando 484 gestantes analisadas. Para as análises sobre evolução de alta ou óbito apenas 288 foram considerados, pois 196 casos ainda apresentavam a variável “evolução” em branco (não preenchida) ou ignorada.

Desses 288 casos, 72 tiveram a informação sobre raça/cor ignorada ou em branco, de modo que só é possível fazer essa análise considerando 216 registros. Nesse grupo, das 141 gestantes negras (pretas ou pardas) hospitalizadas, 121 (85,8%) evoluíram para alta e 20 (14,2%) para óbito. Das 72 gestantes brancas, em 67 casos (93%) o desfecho foi a alta e 5 (7%) de óbito.

“Apesar da incompletude dos dados, observa-se que a proporção de gestantes brancas que evoluíram para cura é maior que aquela observada para mulheres pardas ou pretas”, afirmou ao HuffPost Brasil Fernanda Lopes, doutora em Saúde Pública pela USP (Universidade de São Paulo) e membro do grupo de trabalho Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

Estudos realizados no Reino Unido e nos Estados Unidos indicam maior proporção de mortes maternas relacionadas ao novo coronavírus em mulheres negras e outros grupos étnico-raciais minoritários, quando comparadas às mulheres brancas, “em especial em função de diagnóstico tardio e/ou assistência inadequada”, completou a pesquisadora.

No Brasil, as estatísticas oficiais do governo federal não permitem saber quem são essas mulheres que se recuperaram ou morreram. “Não sabemos se elas tinham comorbidades (obesidade, diabetes, hipertensão), não sabemos o trimestre de gestação. Não sabemos se o acesso ao serviço hospitalar foi tempestivo, se o serviço estava preparado para atendê-las adequadamente do ponto de vista de infraestrutura e preparo técnico, não sabemos também se elas foram vítimas de algum tipo de omissão ou negligência”, afirma Lopes.

A pesquisadora também lembra que diversos estudos realizados em um contexto sanitário pré-pandemia apontam dificuldades de acesso e falta de qualidade na atenção dedicada às mulheres negras, grávidas ou não. “No contexto da pandemia, as limitações impostas a todo o sistema podem agravar a operação do racismo nas instituições de saúde, tornando a qualidade da assistência prestada à população negra ainda pior”, completou Lopes.

Entre as pesquisas que apontam para o racismo institucional no contexto da epidemia, uma publicação do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde mostra que a chance de pretos e pardos sem educação formal morrerem devido ao novo coronavírus é 4 vezes maior do que de brancos com nível superior. O levantamento foi feito por pesquisadores da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), da USP (Universidade de São Paulo) e do IDOR.

“No contexto da pandemia, as limitações impostas a todo o sistema podem agravar a operação do racismo nas instituições de saúde, tornando a qualidade da assistência prestada a população negra ainda pior.”
Fernanda Lopes, doutora em Saúde Pública pela USP e membro do grupo de trabalho Racismo e Saúde da Abrasco

Falta de informações na saúde

Sobre a falta de dados raciais no boletim do ministério, se o paciente chega ao serviço de saúde em condições de responder às perguntas, ele deve declarar sua cor. Senão, o acompanhante o faz. No entanto, na maioria das vezes os profissionais não fazem essa pergunta e atribuem ao usuário a cor que acreditam que a pessoa tenha, de acordo com Lopes. “O pertencimento racial só pode ser definido pela própria pessoa pois a forma como ela se vê no mundo não necessariamente está refletida no modo como o mundo a vê”, afirmou.

As lacunas dificultam a análise do quadro sanitário e, por consequência, a resposta ao problema. O ginecologista e obstetra José Paulo Pereira Junior, do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) critica a falta de transparência e organização do Ministério da Saúde na pandemia em geral. “O que a gente tem debatido muito é ter uma base de dados confiável que todos nós pudéssemos usar”, afirmou ao HuffPost.

“A gente está em meados de junho e ficou sem dados no meio do caminho. Essa confusão toda que a gente tem visto em relação a horário de divulgação [de boletins epidemiológicos], tipo de divulgação, mudança de boletim, confundem mais do que facilitam, e a gente não pode fazer programação de saúde pública se não tiver claramente com esses dados abertos e passíveis para serem discutidos por todos”, completou o médico.

O obstetra faz parte da equipe do IFF/Fiocruz que está fazendo um estudo para acompanhar gestantes e puérperas em meio à pandemia. A estimativa é que cerca de 300 pacientes participem da pesquisa que deve ter resultados em 3 meses. Todas as grávidas internadas no hospital fazem teste RT-PCR para saber se estão contaminadas, assim como os bebês, que seguem em acompanhamento para que seja observado se há algum problema a médio ou longo prazo.

A epidemia de zika, iniciada em 2015 no Brasil, por exemplo, levou à síndrome congênita do zika nos bebês de mães infectadas. Até o momento, não há evidências científicas de transmissão vertical do vírus. Por isso, a amamentação é recomendada, ainda que com cuidados, como lavar as mãos e o bico do seio, colocar máscara para amamentar e colocar pano entre bebê e paciente para evitar contaminação acidental no pós-parto.

As dúvidas sobre o efeito do novo coronavírus nas grávidas são parte das incertezas sobre o patógeno em geral. “A gente tem uma doença que tem 5 meses e, de uma maneira bastante honesta, a gente sabe muito pouco sobre ela na população geral”, afirma Pereira Junior.

“A gente tem uma doença que tem 5 meses e de uma maneira bastante honesta, a gente sabe muito pouco sobre ela na população geral”, afirma Pereira Junior, da Fiocruz. Luis Alvarenga via Getty Images

Gravidez como fator de risco para covid-19?

Desde abril, o Ministério da Saúde passou a considerar gestantes como parte do grupo de risco para covid-19. O mesmo passou a se aplicar às puérperas, nome dado às mulheres que estão passando pelo chamado “puerpério”, período que contempla cerca de 45 dias após o parto.

A orientação da pasta é que a assistência à saúde deve ser organizada de modo a garantir os atendimentos a mulheres e recém-nascidos enquanto durar a crise sanitária, considerando o manejo adequado nos casos suspeitos de covid-19 nas gestantes e puérperas.

A realidade, contudo, nem sempre é essa. Em algumas cidades, optou-se por diminuir o número de consultas de pré-natal no primeiro e segundo trimestre.

A gente tem uma doença que tem 5 meses e de uma maneira bastante honesta, a gente sabe muito pouco sobre ela na população geral.
Ginecologista e obstetra José Paulo Pereira Junior, do IFF/Fiocruz

O que as pesquisas identificaram até agora é que estar grávida não é um fator de risco por si só, porém a gravidez pode estar associada em alguns casos a comorbidades que são fatores de risco. É o caso de diabetes, hipertensão e obesidade, por exemplo.

Por esse motivo, o terceiro trimestre de gestação costuma ser mais crítico para a covid-19. Das 288 gestantes internadas com a doença, 168 (66,7%) das que evoluíram para alta estavam no terceiro trimestre. E 22 (61,1%) dos óbitos também estavam nessa etapa da gravidez. Vale destacar que o registro de 13 pacientes com alta não tinha essa informação, assim como o de duas mortes, segundo o boletim do Ministério da Saúde. Dos 36 óbitos contabilizados no boletim, 29 tinham alguma comorbidade.

“As pacientes no terceiro trimestre têm algumas características. O próprio volume abdominal, por exemplo, dificulta que a pessoa respire normalmente. As pernas já incham. É também nessa época que a gente vê a piora de algumas doenças. Se você olhar as comorbidades [das gestantes que morreram por covid-19], cardiopatia, diabetes, hipertensão e obesidade, são fatores de risco para grávidas, mas também para o novo coronavírus”, explica Pereira Junior.

O obstetra também lembra que a gravidez pode ser um desafio para a doença porque alguns medicamentos não podem ser usados em função do bebê.

Na semana passada, o Ministério da Saúde ampliou a recomendação do uso da cloroquina e hidroxicloroquina para incluir grávidas com sintomas de covid-19. Não há comprovação científica do uso da droga para tratar o novo coronavírus.

Antes da recomendação, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) havia afirmado que não existem estudos demonstrando efetividade ou segurança no uso da hidroxicloroquina ou cloroquina para o gestantes e que o tratamento deve “considerar a gravidade do quadro clínico materno e a terapêutica deve ficar a critério do médico assistente, em decisão compartilhada com a gestante”. A organização não se pronunciou após o anúncio do governo federal.

Na avaliação de Melania Amorim, há condições em que a cloroquina pode ser prescrita para grávidas, como no caso de malária, porém não se aplica à covid-19 por não haver comprovação científica para esse uso.

Postnatal depression has almost tripled during coronavirus pandemic, study finds

‘The social and physical isolation measures are taking a toll on the mental health of many of us,’ says researcher

Do Independent (em inglês)

Depression among expectant and new mothers has almost tripled during the coronavirus pandemic, new research has found.

The study, which was conducted by the University of Alberta in Canada, showed that the number of women reporting symptoms of maternal depression has increased to 41 per cent compared to 15 per cent before the outbreak began.

In addition, the number of women expediting moderate to high anxiety symptoms has risen from 29 per cent to 72 per cent.

The survey included 900 women, 520 of whom were pregnant and 380 of whom had given birth in the past 12 months, and each participant was asked about their depression and anxiety symptoms before and during the pandemic.

Pregnant women and those who have recently given birth are already at a greater risk of depression and anxiety, with around one in seven struggling with symptoms just after having a baby.

However, the researchers found that the global health crisis has exacerbated those struggles, with the likelihood of maternal depression and anxiety having “substantially increased”.

“The social and physical isolation measures that are critically needed to reduce the spread of the virus are taking a toll on the physical and mental health of many of us,” explains Dr Margie Davenport, co-author of the study.

“We know that experiencing depression and anxiety during pregnancy and the postpartum period can have detrimental effects on the mental and physical health of both mother and baby that can persist for years.”

Dr Davenport added that effects of maternal depression can include premature delivery, reduced mother-baby bonding, and developmental delays in infants.

Annie Belasco, head of charity at the PANDAS Foundation – an organisation that gives support to people coping with pre and postnatal mental illnesses – added that while Covid-19 and lockdown do not “cause” postnatal depression, the circumstances and additional stress resulting from them could certainly contribute.

“We know that parents who have a diagnosis are particularly vulnerable during this time as their ‘normal coping mechanisms’ day to day are not able to take place,” she told Yahoo.

“Disturbance of routine, anxiety around the political and economical state have also contributed to parents with or without a diagnosis of perinatal mental illness that can create heightened anxiety and stress which can also magnify depression and low mood.”

According to the NHS, postnatal depression can affect women in different ways. It can start at any point in the first year after giving birth and may develop suddenly or gradually.

Some common symptoms include a persistent feeling of sadness and low mood, loss of interest in the world around you, lack of energy, trouble sleeping and feeling that you’re unable to look after your baby.

If you have been affected by this article, you can contact the following organisations for support: mind.org.uk, pandasfoundation.org.uk, nhs.uk/livewell/mentalhealth, mentalhealth.org.uk, samaritans.org.